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sábado, 12 de junho de 2010

Geek | “Cala a boca, Galvão” chega ao topo dos Trending Topics mundiais do Twitter

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Briga de Búfalos X Leões X Crocodilo (A melhor vesão).

Brasil: O Gigante Desperta

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Timothy BANCROFT-HINCHEY

Durante os dois primeiros séculos da sua história, o Brasil sempre se comprometeu a ser a promessa de amanhã. Apesar de ter imensos recursos naturais, um mercado interno enorme e um sólido sistema de educação pública, a dimensão do país, juntamente com a má gestão, viu esse colosso da América Latina falhar e afundar-se num mar de incompetência. Depois veio o Lula.

Em 2002, Presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdou um empréstimo do FMI de 30 bilhões de dólares, assinado pelo seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. A dívida com o FMI foi paga anos antes do prazo final obrigatório e oito anos depois, o Brasil é uma potência da economia latino-americana, um jogador-chave na cena mundial diplomática e sua crescente influência é sentida em vários mercados mundiais.

Promovendo uma política diplomática que visava levar o Brasil mais próximo da América Latina e à coesão do Continente, Presidente Lula realizou, por exemplo, 17 reuniões com o seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, e, nas palavras de ambos os presidentes, fizeram mais em oito anos do que os seus antecessores nos dois séculos anteriores; Lula também atribuiu muito mais importância para o MERCOSUL e UNASUL, fazendo com que o principal parceiro comercial do Brasil fosse o continente latino-americano em vez da União Europeia.

Em termos de comércio exterior, os déficits foram transformados em excedentes e a micro-economia do Brasil foi assim reforçada. Testemunho disso foi a melhoria nos padrões de vida da grande maioria dos quase 200 milhões de cidadãos do país. Projetos de infra-estrutura no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento, como a ferrovia Transnordestina de 1.100 km. ligando o sertão para os portos do Atlântico, criaram as bases para a estimulação da economia do Brasil não só no presente mas também no futuro.

Habilmente criando as condições para o Brasil evitar os aspectos mais negativos sentidos em outros lugares durante a crise econômica e financeira, Lula conseguiu estimular o investimento estrangeiro, que apesar de um soluço, em 2009, promete voltar rapidamente aos níveis pré-crise já em 2010.

Entendendo que o caminho era através do estímulo do mercado interno, o presidente Lula entendeu que, tirando milhões de pessoas da pobreza através de programas apoiados pelo governo, o motor interno seria o suficiente para afastar a crise. O resultado dos pacotes de incentivo foi traduzido em termos reais, nomeadamente o aumento da classe média do Brasil de 43% da população em 2003 para 50% hoje, enquanto de acordo com a Fundação Getúlio Vargas, cerca de 30 milhões de brasileiros foram retirados da pobreza, através de programas de benefícios sociais como Bolsa Família, Bolsa Escola e Fome Zero.

Quando temos em conta a crescente influência econômica do Brasil (o Brasil é o maior exportador de carne bovina, café, açúcar e suco de laranja do mundo, um dos principais exportadores de soja, aves e suínos) não surpreende que, no palco diplomático, a Presidência Lula já viu seu país elevado a um estatuto sem precedentes, o que permitiu a Brasília (juntamente com Ancara) resolver a questão do Irã, uma vez por todas.

Na arena internacional, Lula tem contribuído tanto quanto qualquer outra pessoa, ou talvez mais, para a criação de um mundo verdadeiramente multipolar, realçando a importância de grupos como os BRIC e os G20 e estabeleceu as bases para a economia do Brasil superar a da Itália, França e o Reino Unido até 2036.

Tendo testemunhado, e em grande parte provocado, uma grande mudança na balança de poder numa escala planetária, o legado da Presidência Lula é FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016. No Brasil.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
PRAVDA.Ru

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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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O Poeta

I
Quantos somos, não sei... Somos um, talvez dois, três, talvez, quatro; cinco, talvez nada
Talvez a multiplicação de cinco em cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei... Só sei que somos muitos – o desespero da dízima infinita
E que somos belos deuses mas somos trágicos.

Viemos de longe... Quem sabe no sono de Deus tenhamos aparecido como espectros
Da boca ardente dos vulcões ou da orbita cega dos lagos desaparecidos
Quem sabe tenhamos germinado misteriosamente do sono cauterizado das batalhas
Ou do ventre das baleias quem sabe tenhamos surgido?

Viemos de longe – trazemos em nós o orgulho do anjo rebelado
Do que criou e fez nascer o fogo da ilimitada e altíssima misericórdia
Trazemos em nós o orgulho de sermos úlceras no eterno corpo de Jó
E não púrpura e ouro no corpo efêmero de Faraó.

Nascemos da fonte e viemos puros porque herdeiros do sangue
E também disformes porque – ai dos escravos! não há beleza nas origens
Voávamos – Deus dera a asa do bem e a asa do mal às nossas formas impalpáveis
Recolhendo a alma das coisas para o castigo e para a perfeição na vida eterna.

Nascemos da fonte e dentro das eras vagamos como sementes invisíveis o coração dos mundos e dos homens
Deixando atrás de nós o espaço como a memória latente da nossa vida anterior
Porque o espaço é o tempo morto – e o espaço é a memória do poeta
Como o tempo vivo é a memória do homem sobre a terra.

Foi muito antes dos pássaros – apenas rolavam na esfera os cantos de Deus
E apenas a sua sombra imensa cruzava o ar como um farol alucinado...
Existíamos já... No caos de Deus girávamos como o pó prisioneiro da vertigem
Mas de onde viéramos nós e por que privilégio recebido?

E enquanto o eterno tirava da música vazia a harmonia criadora
E da harmonia criadora a ordem dos seres e da ordem dos seres o amor
E do amor a morte e da morte o tempo e do tempo o sofrimento
E do sofrimento a contemplação e da contemplação a serenidade ínperecível

Nós percorríamos como estranhas larvas a forma patética dos astros
Assistimos ao mistério da revelação dosTrópicos e dos Signos
Como, não sei... Éramos a primeira manifestação da divindade
Éramos o primeiro ovo se fecundando à cálida centelha.

Vivemos o inconsciente das idades nos braços palpitantes dos ciclones
E as germinações da carne no dorso descarnado dos luares
Assistimos ao mistério da revelação dos Trópicos e dos Signos
E a espantosa encantação dos eclipses e das esfinges.

Descemos longamente o espelho contemplativo das águas dos rios do Éden
E vimos, entre os animais, o homem possuir doidamente a fêmea sobre a relva
Seguimos… E quando o decurião feriu o peito de Deus crucificado
Como borboletas de sangue brotamos da carne aberta e para o amor celestial voamos.

Quantos somos, não sei... somos um, talvez dois, três, talvez quatro; cinco, talvez, nada
Talvez a multiplicação de cinco mil e cujos restos encheriam doze terras
Quantos, não sei… Somos a constelação perdida que caminha largando estrelas
Somos a estrela perdida que caminha desfeita em luz.

II

E uma vez, quando ajoelhados assistíamos à dança nua das auroras
Surgiu do céu parado como uma visão de alta serenidade
Uma branca mulher de cujo sexo a luz jorrava em ondas
E de cujos seios corria um doce leite ignorado.

Oh, como ela era bela! era impura – mas como ela era bela!
Era como um canto ou como uma flor brotando ou como um cisne
Tinha um sorriso de praia em madrugada e um olhar evanescente
E uma cabeleira de luz como uma cachoeira em plenilúnio.

Vinha dela uma fala de amor irresistível
Um chamado como uma canção noturna na distância
Um calor de corpo dormindo e um abandono de onda descendo
Uma sedução de vela fugindo ou de garça voando.

E a ela fomos e a ela nos misturamos e a tivemos...
Em véus de neblina fugiam as auroras nos braços do vento
Mas que nos importava se também ela nos carregava nos seus braços
E se o seu leite sobre nós escorria e pelo céu?

Ela nos acolheu, estranhos parasitas, pelo seu corpo desnudado
E nós a amamos e defendemos e nós no ventre a fecundamos
Dormíamos sobre os seus seios apoiados ao clarão das tormentas
E desejávamos ser astros para inda melhor compreendê-la.

Uma noite o horrível sonho desceu sobre as nossas almas sossegadas
A amada ia ficando gelada e silenciosa – luzes morriam nos seus olhos...
Do seu peito corria o leite frio e ao nosso amor desacordada
Subiu mais alto e mais além, morta dentro do espaço.

Muito tempo choramos e as nossas lágrimas inundaram a terra
Mas morre toda a dor ante a visão dolorosa da beleza
Ao vulto da manhã sonhamos a paz e a desejamos
Sonhamos a grande viagem através da serenidade das crateras.

Mas quando as nossas asas vibraram no ar dormente
Sentimos a prisão nebulosa de leite envolvendo as nossas espécies
A Via Láctea – o rio da paixão correndo sobre a pureza das estrelas
A linfa dos peitos da amada que um dia morreu.

Maldito o que bebeu o leite dos seios da virgem que não era mãe mas era amante
Maldito o que se banhou na luz que não era pura mas ardente
Maldito o que se demorou na contemplação do sexo que não era calmo mas amargo
O que beijou os lábios que eram como a ferida dando sangue!

E nós ali ficamos, batendo as asas libertas, escravos do misterioso plasma
Metade anjo, metade demônio, cheios de euforia do vento e da doçura do cárcere remoto
Debruçados sobre a terra, mostrando a maravilhosa essência da nossa vida
Lírios, já agora turvos lírios das campas, nascidos da face lívida da morte.

III

Mas vai que havia por esse tempo nas tribos da terra
Estranhas mulheres de olhos parados e longas vestes nazarena
Que tinham o plácido amor nos gestos tristes e sereno
E o divino desejo nos frios lábios anelantes.

E quando as noites estelares fremiam nos campos sem lua
E a Via Láctea como uma visão de lágrimas surgia
Elas beijavam de leve a face do homem dormindo no feno
E saíam dos casebres ocultos, pelas estradas murmurantes.

E no momento em que a planície escura beijava os dois longínquos horizontes
E o céu se derramava iluminadamente sobre a várzea
Iam as mulheres e se deitavam no chão paralisadas
As brancas túnicas abertas e o branco ventre desnudado.

E pela noite adentro elas ficavam, descobertas
O amante olhar boiando sobre a grande plantação de estrelas
No desejo sem fim dos pequenos seres de luz alcandorados
Que palpitavam na distância numa promessa de beleza.

E tão eternamente os desejavam e tão na alma os possuíam
Que às vezes desgravitados uns despenhavam-se no espaço
E vertiginosamente caíam numa chuva de fogo e de fulgores
Pelo misterioso tropismo subitamente carregados.

Nesse instante, ao delíquio de amor das destinadas
Num milagre de unção, delas se projetava à altura
Como um cogumelo gigantesco um grande útero fremente
Que ao céu colhia a estrela e ao ventre retornava.

E assim pelo ciclo negro da pálida esfera através do tempo
Ao clarão imortal dos pássaros de fogo cruzando o céu noturno
As mulheres, aos gritos agudos da carne rompida de dentro
Iam se fecundando ao amor puríssimo do espaço.

E às cores da manhã elas voltavam vagarosas
Pelas estradas frescas, através dos vastos bosques de pinheiros
E ao chegar, no feno onde o homem sereno inda dormia
Em preces rituais e cantos místicos velavam.

Um dia mordiam-lhes o ventre, nas entranhas – entre raios de sol vinha tormenta…
Sofriam... e ao estridor dos elementos confundidos
Deitavam à terra o fruto maldito de cuja face transtornada
As primeiras e mais tristes lágrimas desciam.

Tinha nascido o poeta. Sua face é bela, seu coração é trágico
Seu destino é atroz; ao triste materno beijo mudo e ausente
Ele parte! Busca ainda as viagens eternas da origem
Sonha ainda a música um dia ouvida em sua essência.
Vinicius de Moraes
(1913 - 1980)
(Poemblog)

Metafísicas

Metafísicas


" A crise tem significado uma espécie de purgatório para o capital financeiro descontrolado, mas nenhum dos seus beneficiários acabará no inferno", escreve Luís Fernando Verissimo, escritor, em artigo publicado no jornal Zero Hora, 27-05-2010.
Eis o artigo.
Os gregos foram os primeiros a encarar a metafísica com algo mais do que espanto e reverência. No berço da civilização ocidental, também nasceu o pensamento organizado sobre o invisível, o além e nossa relação com os deuses. Assim, não deixa de ser irônico que na Grécia moderna hoje se testem os limites da outra metafísica, não a dos filósofos, mas a do dinheiro. A que se impôs porque suas abstrações são muito mais potentes do que as aristotélicas – e rendem muito mais. A Igreja medieval condenava o comércio financeiro porque os juros eram produto de uma coisa infecunda, o próprio dinheiro, e portanto antinaturais, além de serem um preço dado ao tempo, que é de Deus. Mas desconfia-se que a Igreja combatia os juros, acima de tudo, para proteger sua metafísica da metafísica emergente do mercado. Acabou cedendo, aceitou os juros para não ficar de fora do melhor negócio do mundo, que é o dinheiro produzido por dinheiro, e hoje não excomunga mais ninguém por usura.
A vitória não foi da realidade do dinheiro sobre a especulação filosófica, foi de uma irrealidade sobre outra. As duas metafísicas se parecem. Como são feitas no ar, só têm os limites que elas mesmas se dão. Aqueles concílios da Igreja em que se discutiam coisas como quantos anjos poderiam dançar na ponta de um alfinete são os antecedentes diretos dos conluios do capital financeiro que geraram as pirâmides de papel desligadas de qualquer lastro real, para o dinheiro produzir cada vez mais dinheiro, cada vez mais abstrato. Na questão dos anjos, a discussão era entre os que diziam que o número de anjos que cabiam na ponta de um alfinete era limitado e os que diziam que era infinito. As mesmas especulações etéreas eram feitas sobre até onde poderia ir a farra do capital especulativo. O que a atual crise mostrou é que o número de anjos é finito.
Mas as metafísicas se autorregeneram. A crise tem significado uma espécie de purgatório para o capital financeiro descontrolado, mas nenhum dos seus beneficiários acabará no inferno. Wall Street reage e retoma seus maus hábitos, na Europa optou-se por um adiamento do pior em vez de uma solução. A metafísica medieval, herdeira da metafísica grega, pelo menos garantia a remissão dos pobres e dos virtuosos no fim dos tempos. A metafísica do mercado só garante felicidade para os espertos.
(Inst. Humanitas Unisinos)

Italianos na Globo

Tutti buona gente.com

Alberto Dines
A compra de 30% da Globo.com pela Telecom Italia deixou todo mundo feliz. A equipe econômica e o mercado financeiro esfregam as mãos porque os 810 milhões de dólares vão entrar rapidinho no Brasil e isso já está forçando uma queda na cotação da moeda americana, provocado uma reação em cadeia extremamente favorável.
Os parceiros, evidentemente estão exultantes. Os italianos que desde Américo Vespúcio rondam o Brasil mas não se abancam agora finalmente vão entrar na Terra Nostra. A Globo.com passa a valer quase 3 bilhões de dólares. Quanto valerão a Globocabo, a Globopar, o jornal O Globo e a TV Globo?
O negócio também vai apressar as negociações para a compra da TVA (leia-se Abril) pela Telefónica Media (leia-se Telefônica e portal Terra). E obviamente agilizar o divórcio, certamente amigável, Folha-Abril no UOL.
O iG está com um pé na Bandeirantes e o outro numa operação ultra-secreta.
Parabéns a todos.
Há um dado que precisa ser considerado. A Globo.com é provedora de conteúdo.
Em outras palavras, é fornecedora de informação.
Em outras palavras, é empresa jornalística.
Em outras palavras: sendo empresa jornalistica, até o momento não pode ter sócios estrangeiros. E, mesmo quando mudar a redação do artigo 222 (sobre a propriedade das empresas jornalísticas), será preciso uma terceira emenda que englobe e regulamente os provedores de conteúdo colocando-os na mesma esfera dos veículos de informação (impressos ou eletrônicos).
Quando o UOL vendeu 10% do seu capital a grupos internacionais também infringia nossa Carta Magna. E o fazia por conta de uma futura alteração constitucional que sequer chegou ao plenário da Câmara. Antes ainda, quando associou-se a um grupo impressor americano para parcerias na área gráfica também contrariava a legislação. Quem chamou a atenção para o caso foi demitido. No caso este Observador [veja remissões abaixo].
Na parceria Globo.com – Telecom Italia ficou visível que não se trata de um negócio na área de tecnologia ou acesso. É conteúdo. A encantadora prova: a simpaticíssima dona da festa onde se anunciou a parceria com os italianos era D. Marluce Dias da Silva, diretora da Unidade TV e Entretenimento das Organizações Globo, empresa de comunicação que, pelos diplomas legais vigentes, está impedida de estabelecer parcerias com capitais internacionais (Valor, 2/6/200, pág. B-3).
O friforó acionário na área da mídia é inevitável. Vai recapitalizar os gigantes nativos. Vai estimular as empresas médias. Está promovendo uma salutar animação no mercado de trabalho.
Mas já que a mídia está contando as coisas pela metade ou omitindo o principal, conviria que alguém mostrasse o resto: os reis estão nus. Peladinhos.

(Observ. De Imprensa)

Israel

Nova Frota da Liberdade de Gaza: alto oficial israelense ameaça afundar navio de guerra turco; segundo a mídia turca, Mossad planejou matar premiê
Nota publicada pelo jornal israelense The Jerusalem Post, em inglês em http://www.jpost.com/Home/Article.aspx?id=177710, informa que Uzi Dayan, ex vice-chefe do Estado-Maior Geral, em entrevista pela Rádio do Exército, disse que o governo de Israel deve advertir a Turquia de que, se houver algum navio de guerra turco acompanhando a próxima frota civil de envio de suprimentos para a Faixa de Gaza, isso será considerado um ato de guerra. Acrescentou que, se o primeiro-ministro da Turquia acompanhar a frota, "não deveríamos tentar capturar o navio em que ele esteja, mas afundá-lo".
Dayan também qualificou de "confusos e irresponsáveis" os oficiais da Marinha que pediram que Israel participe de uma investigação internacional sobre o ataque à Frota da Liberdade de Gaza.
Já a organização pró-palestinos Windows Into Palestine informa em inglês em http://windowintopalestine.blogspot.com/2010/06/flash-back-turkish-media-expose-mossad.html que a mídia turca divulgou na sexta-feira que, no processo sobre a recente tentativa de golpe de Estado na Turquia, consta o registro de um telefonema de um jornalista israelense aos conspiradores turcos, segundo o qual o serviço secreto de Israel, o Mossad, tinha um plano para matar o primeiro-ministro da Turquia, Erdogan.
(Blog do Renatão)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cobras sibilam, hienas gargalham, crocodilos choram, ratos chiam e velhacos velhacam

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Fernando Soares Campos

Lula não ganhou eleições para a Presidência da República apenas de Serra e de Alckmin. É bom que a gente se lembre de que outros candidatos foram derrotados, e muitos outros que aspiravam ao cargo foram preteridos pelos seus próprios partidos, seus cacifes eleitorais não ofereciam chances de vitória nas urnas. Alguns deles concorreram ao cargo de vice-presidente. Todos perderam.

Imagine a dor de cotovelo dessa gente doutorada, elitizada, mas derrotada para o metalúrgico que saiu da seca do Nordeste.

Durante esses anos, analisei o comportamento de alguns deles.

Governador, senador ou deputado, todos os derrotados nas urnas passaram a atacar o governo Lula e, em alguns casos, massacrar a própria pessoa, o cidadão, o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os que foram derrotados por Lula (considerando as eleições em que o próprio Lula perdeu, mas ficou na frente deles), somente Brizola o combatia com argumentos realmente fundamentados.

Brizola sempre foi um adversário leal (sincero e fiel às regras que norteiam a honra e a probidade), do tipo que se opõe mas não se decompõe (não apodrece), como aconteceu com muitos políticos, gente que pregou da boca pra fora, sujeitos cujos discursos apenas forjam suas imagens de esquerdistas, socialistas, comunistas, ou simplesmente progressistas, reformistas. São na verdade carreiristas, no pior sentido.

Casos existem em que determinados indivíduos passaram grande parte das suas deploráveis existências enganando eleitores e se elegendo representantes do povo. Elementos que se conformam em comer pelas beiras, politiqueiros que aceitam a condição de “oposição confiável” (confiável para a direita, confiável por não representar qualquer tipo de ameaça, principalmente por desempenhar o papel ditado pelo próprio “adversário”).

Entre os que perderam eleição para Lula, o senador Pedro Simon é daqueles que nem chegaram a concorrer, foi apenas cogitada a sua candidatura. Certamente ele animou-se e, pelo visto, ainda continua aspirando ao cargo. A imprensa alimentou os sonhos de Pedro Simon, da mesma forma que agiu com Marina Silva recentemente. Acontece que Simon está muito além de Marina no que diz respeito a experiências pessoais e políticas. Simon é raposa; Marina, ovelha; portanto, ambos representam extremos de personalidade desaconselhável ao cargo.

Do que é capaz uma pessoa ressentida?

Pedro Simon, Roberto Freire e Jarbas Vasconcelos são alguns maus exemplos de despeitados. Esses indivíduos devem estar exigindo de Deus uma explicação por terem sido preteridos em favor de um “semianalfabeto”. O comportamento político dessa gente tem sido uma torcida pelo quanto pior, melhor, ou quanto mais infelicidade do povo, maior a esperança de se erguerem politicamente e com isso viabilizarem a possibilidade de se manter no poder central, ou dele participar na condição de capacho, lambe-botas, papagaio de pirata nos eventos da Corte.

A emenda Ibsen Pinheiro, que determina a distribuição dos royalties do petróleo com base nos fundos de participação dos estados e municípios não tem outro objetivo que não seja colocar o presidente Lula numa situação desconfortável frente ao eleitorado nacional. Para esse tipo de parlamentar enganador, a questão dos royalties do petróleo suscitou uma possibilidade de jogar o “apedeuta” contra a população. Uma chance de derrubar o prestígio internacional e a popularidade doméstica de Lula. Nada mais que isso.

Desde que se polemizou essa matéria, quando da descoberta do pré-sal, imaginei que as coisas se passavam por aí.

Hoje li um pequeno texto do Brizola Neto no seu Tijolaço.com que corrobora essa minha teoria (minha e de milhões de brasileiros que mantêm o desconfiômetro ligado).

Veja um trecho da postagem do Brizola Neto:

- Ninguém sairá perdendo um centavo. Quero ver quem terá coragem de votar contra esta emenda, vai perder votos, disse o Senador Pedro Simon.

Ele sabe disso. Porque é essa a verdadeira razão da emenda Ibsen/Simon: votos.

O objetivo é um só: fazer com que o Presidente Lula tenha de vetar e, assim, desagrade a muitos ou que, deixando de vetar, fique maldito entre os eleitores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.”


Alguém tem dúvida?

Então leia atentamente a íntegra desta outra postagem do Brizola:

Serra, em 88, fez a emenda que tirou o ICMS do Rio.

O royalties vieram como compensação. Se o Rio pode sofrer com a demagógica distribuição igualitária dos royalties, defendida pela emenda Ibsen/Simon, prejuízo ainda maior foi provocado por uma outra emenda, bem mais antiga, apresentada pelo então deputado José Serra na Constituinte de 1988, que determinou a incidência do ICMS do petróleo no local de destino e não de origem, como acontece com todos os demais produtos. A bancada do Estado do Rio de Janeiro na Constituinte, através da Emenda nº 2T 00388-9, de autoria do então deputado pedetista Noel de Carvalho, apresentou proposta para não se adotar este “critério”, mas foi derrotada por pequena diferença.

Essa anomalia causa ao Rio de Janeiro perdas anuais de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões, prejuízo maior do que o estado terá com os R$ 5 bilhões que deixará de arrecadar por ano caso a emenda Ibsen/Simon progrida. O cálculo foi feito pelo secretário estadual de Fazenda, Joaquim Levy, como mostrou o Jornal do Brasil.

O Rio de Janeiro produz 85% do petróleo brasileiro, mas São Paulo, que é o maior consumidor, fica com 55% do ICMS. À época da Constituinte houve um pacto de compensação. Como o petróleo seria taxado no destino, o Rio ficou com os royalties. Segundo Levy, “Não dá para ficar sem o ICMS e sem os royalties.”

Como falei aqui mais cedo, os royalties poderiam beneficiar todos os Estados, sem prejudicar o Rio e o Espírito Santo, se não houvesse demagogia e maldade política de tentar impor a Lula o ônus do veto à emenda. Falta grandeza a grande parte da nossa classe política para perceber que o que está em jogo não é um Estado ou a questão eleitoral, mas o equilíbrio do país, seu pacto federativo e os direitos dos estados produtores.

* * *

Precisa dizer mais alguma coisa?

Precisa sim.

Cobras sibilam, hienas gargalham, crocodilos choram, ratos chiam e velhacos velhacam.

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Agência Assaz Atroz

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

ANA E OS LOBOS NA FITA DO IBERÊ

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Raul Longo
Foto: Jasmim Losso Arranz

Vocês lembram quando contei, aqui, da Ana, a mãe da minha amiga Janaína Ferreira? Mulher admirável que formou seus filhos com as dificuldades de quem remou contra a maré nos tempos da ditadura?

Talvez eu tenha esquecido de contar que Janaína é uma artista brasileira que se destacou na Itália e seu talento no design já foi selecionado para exposições internacionais, mas lembro de ter falado da Ana ao divulgar o texto de sua filha cientista, a Natacha Santos, sobre um divertido discurso do Presidente Lula.

Inclusive o Fernando Soares inseriu no Assaz Atroz a imagem de um trecho daquele discurso para ilustrar a simpática reportagem da Natacha, tão fã do Lula quanto a irmã e a mãe. Estão lembrados, não é?

Ana mora em Brasília e é daquelas que todos os anos compõem um piquete de populares na porta da casa do Lula para cantar parabéns em cada aniversário do Presidente. Isso porque a Ana é pessoa simples, dessas que se emocionam com a evolução do país, com nossas conquistas sociais.

Ana fica muito orgulhosa com a projeção de nossa imagem perante o mundo. Tem orgulho por agora sermos respeitados, por termos um governo sério, considerado e influente junto à comunidade internacional.

Ana é assim e assim formou seus filhos. Todos.

Agora a Janaína me envia aí essa notícia sobre outro irmão e divido com vocês porque, pra mim, Ana é um exemplo de mãe que se for seguido pelas demais brasileiras, provavelmente ainda teremos uma geração inteira de jovens que não se limitarão a repetir, feito zumbis ou papagaios sem cérebro, tudo o que vêm na TV ou leem nessa mixórdia que só no Brasil se classifica como imprensa.

O sucesso é do Iberê, mas torço sinceramente para que todos os pais e mães das futuras gerações do Brasil possam um dia sentir o mesmo orgulho da Ana. Mas pra isso é preciso desenvolver senso crítico e cultivar a própria dignidade, como fez Ana que jamais votaria em quem tentou lesar seus filhos privatizando patrimônios que tanto são dos filhos da Ana como de todos os demais pais e filhos brasileiros.

Ser Ana é uma questão de escolha. Qualquer um pode escolher pela entrega do futuro de seus filhos aos interesses dos especuladores internacionais, loucos para pôr a mão em nossos patrimônios desde que lhes foram prometidos pelos governos do século passado. Prometidos por esses mesmos que novamente se candidatam à rapina do que pertence às nossas futuras gerações de filhos e netos.

Qualquer um pode escolher ser o inverso de Ana, por razões que vão da estupidez ao interesse dos que sobrevivem de sobejos das comissões e negociatas escusas. Qualquer um pode escolher aqueles restos que sempre se disponibilizam às alcateias que se alimentam das misérias da própria prole.

Na verdade, os muito estúpidos, coitados, não tem condições de escolher coisa alguma e eles é que são os escolhidos para repetir o que se queira que repitam. Mas que ainda dá para se pensar sobre o exemplo de Ana e tirar algumas conclusões sobre o futuro dos nossos filhos, dá.

Sejam quais forem essas conclusões, importante é se estar consciente de que o pior não será jamais experimentar dos orgulhos de Ana. Duro mesmo será quando os filhos do que se preferem ao inverso de Ana, se aperceberem que tipo de pais depuseram contra seus futuros ao depositar o voto nas urnas das próximas eleições.

Incrível, não é? Com um simples voto podemos transformar os filhos nos lobos que nos devorarão pela vergonha dos péssimos pais que formos hoje! Agora, daqui mais alguns meses, nas próximas eleições!


Mas é mesmo simples assim: cada um de nós estamos a um voto de decidir o futuro do Brasil e de nossos filhos. A um voto entre o orgulho de Ana ou à vergonha de retornarmos aos recordes mundiais em taxas de subnutrição, mortalidade infantil, natimortos, e todas as demais mazelas que até 2002 nos destacavam no cenário mundial.

Podemos decidir ao retorno da condição de campeões em concentração de rendas, em déficit escolar, ou à inércia cultural das últimas décadas do século passado. Ou, com um voto, escolheremos pelo orgulho que sente Ana por seus filhos.

Caso ainda não tenha se decidido, enquanto pensa dê uma olhada aí na matéria sobre o Iberê, um filho da Ana.


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Gente, vocês que conhecem meu irmão, o Iberê, ou que viram o filme dele olha que legal!!!

O maior prêmio foi o do festival de Cuba, mas todo festival tem sempre ótimos trabalhos e toda vitória é um super reconhecimento, então quis dividir com vocês,
beijos
Jana

Mille - parabéns- bjos

"Para pedir perdão"





Fanny:

Ciao, guarda che figo, questo film che tu e Ale avete visto ha vinto il miglior premio che é quello di cuba ma continua a vincere festival, bello no? baci jana

Director Brasileño gana festival panamenho Hayah










Brasil

Vencedor do prêmio de melhor curta-metragem latino-americano no 31º Festival Internacional de Cinema de Havana com o filme Para Pedir Perdão, Iberê acumula prêmios e reconhecimentos com seus trabalhos. É o único diretor brasileiro a ter dois filmes selecionados em dois anos consecutivos no concorrido AXN Film Festival realizado pelo canal internacional de TV da Sony Pictures Entertainment.

No mercado publicitário já dirigiu vídeos institucionais, séries para televisão e vários comerciais com veiculação nacional para clientes como SECOM, MInistério da Saúde, Ministério do Turismo, SESI, BRB, GDF e Alameda Shopping.

Estudou antropologia na Universidade de Brasília, mas se formou em jornalismo com pós-graduação em Direção Cinematográfica pela Universidad San Pablo de Madrid. Atualmente escreve o roteiro de seu primeiro filme de longa-metragem.

Pavirada Filmes
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*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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Agência Assaz Atroz

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Sanções contra o Irã: Inúteis, além de contraproducentes

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Para o governo Obama, o máximo que se pode dizer é que servirão para ganhar algum tempo; e ajudarão a cozinhar os alucinados do Congresso que exigem todos os dias embargo naval; e os lunáticos conservadores que querem que Obama bombardeie, bombardeie, bombardeie, até reduzir a pó, o Irã. Infelizmente, o presidente Obama, até aqui, só fez encorajar esses alucinados e esses lunáticos.

Robert Dreyfuss, The Nation

A votação, no Conselho de Segurança da ONU hoje, para impor uma quarta rodada de sanções contra o programa nuclear iraniano – os três blocos de sanções impostas antes foram aprovados sob pressão do presidente Bush e de seu governo, com destaque para o embaixador John Bolton – são claro sinal de que o presidente Obama não tem ideia alguma sobre o que fazer sobre o Irã.

Todos ouviremos muita conversa vinda da turba conservadora anti-Irã e do próprio governo Obama, sobretudo do Departamento de Estado, sobre essa suposta grande vitória. Todos ouviremos, sobretudo, dos degoladores-do-Irã, da claque neoconservadora e do próprio Departamento de Estado, que as sanções seriam resultado do brilhante esforço de Obama e do Departamento de Estado para ‘dobrar’ Rússia e China. Eles dirão que Obama conseguiu isolar o Irã e persuadir Moscou e Pequim a aprovar novas sanções contra o Irã.

De fato, a verdade é bem outra: Rússia e China conseguiram que as sanções que venham a ser impostas pelo CSONU signifiquem rigorosamente nada. E, claro, já aconteceu também com o presidente Bush, três vezes.

Apesar da abordagem à cowboy da implantação de uma hegemonia unilateral em guerras distantes, Bush, ele também, obteve apoio de russos e chineses, nas três vezes em que o CSONU votou sanções contra o Irã entre 2006 e 2008.

Declaração autocongratulatória do escritório do Departamento de Defesa na ONU – quer dizer, da lojinha de Susan Rice – observa que os EUA “continuam abertos ao diálogo” com o Irã. Em seguida, lista nada menos de 14 novas sanções, ou as antigas ‘reforçadas’, impostas ao Irã pela Resolução n. 1.929 do CSONU.

A verdade é que nenhuma das sanções sanciona coisa alguma, de importante. Não há sequer uma sanção “incapacitante”. Nenhuma sanção toca, nem de longe, nas importações de petróleo e gasolina . Nenhuma sanção tem qualquer coisa a ver com a economia real do Irã. Nenhuma contribui para persuadir, compelir ou aterroriza o Irã, ou o empurra na direção de ter de alterar sua política nuclear. (O fato de as sanções serem fraquíssimas e sem significado algum é consequência direta de Rússia e China terem imposto a exigência de que nenhuma sanção causasse impacto ou sofrimento à população iraniana.)

Então, segundo o Departamento de Estado, as sanções impostas pela Resolução n. 1.929 proíbem investimentos (no Irã) em programas nucleares e de mísseis; fecha o acesso do Irã a fabricantes de várias armas convencionais; impedem que o Irã tenha acesso à tecnologia de mísseis balísticos; dão às nações direito de inspecionar navios que levem carga ao Irã; tornam as empresas IEISL de navegação e aviação objetos-alvo de “vigilância” ampliada; e incluem várias medidas relacionadas a finanças, por exemplo, uma conclamação a todas as nações para que “proíbam, em seus países, novas relações bancárias com o Irã, inclusive a constituição de novos ramos de bancos iranianos, joint ventures e correspondentes relacionamentos bancários, nos casos em que haja qualquer vínculo suspeito de proliferação”.

Em resposta, o Irã fingirá que está muito ofendido. Mas o Irã sabe perfeitamente que as sanções não passam de declaração política.

Claro que o Irã está infeliz por nem Rússia nem China terem agido para impedir completamente a votação, ou por não terem vetado, a Resolução n. 1.929. Mas todos (Irã, Rússia e China) sabem que as sanções absolutamente não farão o que se diz que farão.

O presidente Ahmadinejad viajará à China imediatamente, visita presidencial, para visitar Xangai, onde provavelmente se reunirá com o presidente Hu Jintao. E o Irã já reuniu-se essa semana na Turquia, com turcos e russos. Não que tudo esteja azul entre o Irã e seus aliados asiáticos: em troca de Moscou e Pequim terem votado a favor das sanções, o Irã considera boicotar o encontro da Shanghai Cooperation Organization – a protoaliança asiática que une Rússia, China e vários países da Ásia Central, e na qual o Irã tem status de “observador”. De qualquer modo, Rússia e China de modo algum permitirão que os EUA imponham novas penalidades ao Irã. Os iranianos sabem disso. (...) Anteontem, Putin disse, em declaração pública, que “O Conselho de Segurança não criará nenhuma dificuldade para a liderança e para o povo do Irã.”


Brasil e Turquia votaram contra a Resolução n. 1.929. No início desse mês, Brasil e Turquia engajaram-se em brilhante esforço diplomático para persuadir o Irã a manter os termos do acordo de outubro de 2009, construído com os EUA em Genebra, e apenas ligeiramente modificado. Os EUA não estão contentes com Brasil e Turquia, porque veem (acuradamente) que o esforço diplomático foi meio para deter o frenesi de sanções. Hillary Clinton não dará sinais de amor imorredouro pelo Brasil e pela Turquia. Aliás, já começaram: em insulto calculado a Brasil e Turquia, os EUA disseram hoje à Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) que o esforço diplomático foi má ideia. Segundo o Los Angeles Times: “Os EUA disseram à IAEA e aos inspetores da ONU, na 5ª-feira que o esforço de Brasil e Turquia para resolver o impasse sobre o programa nuclear iraniano ignorou importantes preocupações internacionais.”

Os neoconservadores, claro, fingirão que estão felicíssimos. Fingimento, porque os neoconservadores mais venenosos, como Bolton, jamais se interessaram por sanções e cansaram-se de repetir que as sanções são inúteis e sem sentido e que não deterão o Irã. E o grupo dos ‘inspetores nucleares’ neoconservadores – do grupo United Against Nuclear Iran (UANI) – lançou documento, instantes depois de as sanções serem aprovadas, sem festejar e exigindo muito mais (...).

Fato é que a resolução tornará ainda mais difícil, não mais fácil, alcançar-se qualquer solução para o programa nuclear iraniano. Quanto mais o Irã for provocado e acossado, mais difícil qualquer negociação, sem dar, ao público interno, a impressão de ceder.

Obama, esse, é quem mais perdeu. Para o presidente que tentou abrir uma porta de diálogo com o Irã, a Resolução n. 1.929 é como um monumento ao fracasso. Se se excluiu a opção militar, é preciso escolher entre contenção e diplomacia para um Irã pós-nuclear. Nessa escolha, as sanções são irrelevantes. Mas têm o grave inconveniente de tornar a diplomacia muito mais difícil.

Para o governo Obama, o máximo que se pode dizer é que servirão para ganhar algum tempo; e ajudarão a cozinhar os alucinados do Congresso que exigem todos os dias embargo naval; e os lunáticos conservadores que querem que Obama bombardeie, bombardeie, bombardeie, até reduzir a pó, o Irã. Infelizmente, o presidente Obama, até aqui, só fez encorajar esses alucinados e esses lunáticos.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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Agência Assaz Atroz

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Ateismo

desafio de Ravasi: um lugar para o diálogo com os não crentes


Um departamento permanente para o diálogo entre crentes, não crentes, ateus. Ele foi inaugurado – reservadamente – no Vaticano no âmbito do Pontifício Conselho da Cultura. Chama-se fundação "Il Cortile dei gentili" [Átrio dos gentios], lembrando o pátio homônimo que, no antigo Templo de Jerusalém, hospedava não judeus, fiéis de outras religiões, agnósticos. Foi Bento XVI que o desejou. O grande arquiteto da iniciativa é o arcebispo Gianfranco Ravasi, biblista de fama, que preside o Pontifício Conselho da Cultura.
O novo departamento já está em operação, "embora seja preciso ajustar alguns detalhes organizativos", antecipa o arcebispo, mesmo garantindo que "a data da inauguração já foi fixada para os dias 24 e 25 de março de 2011 em Paris, com um encontro internacional na Sorbonne, na Unesco e na Academie Francaise".
A reportagem é do jornal La Repubblica, 26-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A nova fundação vaticana nasce com o propósito de fomentar amplos confrontos em matéria de fé entre crentes e não crentes, sem excluir que, no futuro, possam ser abordados também aqueles valores católicos definidos como "inegociáveis" por Bento XVI, como a defesa da vida, o não ao aborto, o casamento entre um homem e uma mulher, a homossexualidade.
Um desafio "difícil", mas "não proibitivo", porque, defende Dom Ravasi, "a espiritualidade toca a pessoa em profundidade, no seu mistério, e não se reduz à esfera moral e à sexualidade. Motivo pelo qual, no nosso projeto, partimos de uma base geral, ou seja da visão abrangente do homem. Estamos certos de que os ateus abertos à espiritualidade esperam outra coisa com relação a um diálogo sobre o aborto, a homossexualidade e a pedofilia. Não que esses temas devem ser descartados a priori. Serão, pelo contrário, tratados no seu tempo devido".
Mas, mesmo que a Igreja Católica não pareça disposta a ceder a compromissos sobre seus "valores", a ideia parece destinada a abrir brechas. "Muitos ateus – explica Ravasi – consideram que chegou o momento de retomar as questões fundamentais: os Iluministas herdaram os seus valores do cristianismo, mas, diante da pressão do multiculturalismo, a questão do universal se coloca com uma certa urgência. A visão do Imago Dei, própria da Revelação bíblica, deu vida a uma cultura dos direitos do homem. Fora desse horizonte, como se impõe a universalidade dos direitos do homem? A partir disso, nasce um diálogo não só possível, mas principalmente invocado pelos grandes intelectuais. O diálogo – acrescenta Ravasi – pressupõe um confronto de argumentações rigorosas com a própria identidade, sem sincretismos ou concordismos vagos".
Para a inauguração oficial da fundação, escolheu-se Paris porque "essa cidade é o lugar símbolo da laicidade". "Quando iniciei os primeiros contatos com os intelectuais franceses para esse projeto – confessa o ministro da Cultura da Santa Sé –, eu estava preocupado também com as acusações de pedofilia dirigidas à Igreja nos últimos tempos. Ao invés disso, logo encontrei em Paris uma grande escuta".
Já aderiram à iniciativa muitas personalidades e intelectuais laicos de grande fama, embora ainda não sejam dados nomes no Vaticano. "Eles serão anunciados no tempo devido", garante Ravasi. "A fundação será um órgão permanente aberto a todos, em plena liberdade, com respeito, sem renunciar nunca às próprias identidades".
Para ler mais:
• Revista IHU On-Line - O novo ateísmo em discussão
• ''Busquemos o diálogo com os ateus''
• Dom Ravasi: retomar o diálogo com os não crentes
• Cátedra dos Não-Crentes. Rumo a um novo Areópago
• A cátedra dos não crentes
• ''Deus não existe'': polêmica antologia sobre ateísmo
• As razões de Bento XVI sobre o ateísmo e o niilismo
• (Inst. Humanitas Usininos)







Confira os principais fatos noticiados no dia.



Revista do Instituto Humanitas Unisinos aborda nesta semana:
A crise da zona do euro e o retorno do Estado regulador em debate

Leia na íntegra



Páscoa IHU 2010

Data: 16/3/2010 a 15/4/2010
Local: Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros - IHU



A equipe do IHU conta o que acontece no dia-a-dia do Instituto. Acompanhe o que acontece nos bastidores.

Clique e confira

Diplomacia

A saudade do escravo na velha diplomacia brasileira

Por Leonardo Boff - Carta Maior - do Rio de Janeiro



O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do escravo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o escravo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de escravidão. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do Oprimido. "Com humor comentou Frei Betto: 'em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor'. Quer dizer, o oprimido hospeda em si o opressor e é exatamente isso que o faz oprimido". A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor, mas o cidadão livre.
Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor.
O Globo fala em "suicídio diplomático" (24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais: "Sucursal do Império", pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, têm seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.
As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como são Hawaí e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.
O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições.
O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.
A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.
Leonardo Boff é teólogo e escritor.
(Correio do Brasil)

Israel

O isolamento delinquente da direita israelense é uma ameaça
O truque retórico de que só a direita israelense garantiria o “nunca mais” contra os judeus do mundo converte-se a passos largos num isolamento delinquente. Desde o triste fim de dezembro de 2008 que o governo israelense decidiu dar as costas para o mundo, inclusive ao seu aliado de sempre, os EUA. E quando se pensa que o pior já chegou, Netanyahu prova que não, abusando do passado, ofendendo a memória e agredindo o mundo, em águas internacionais. A névoa de desinformação e delinquência que a direita israelense vem protagonizando é uma ameaça a Israel.
Editorial - Carta Maior
Há mais de oito anos, a ex-ministra da educação e cultura do governo Yitzhak Rabin Shulamit Aloni denunciou os métodos eleitorais do partido de Benjamin Netanyahu. Era a segunda edição do Fórum Social Mundial, num encontro pela paz entre ativistas israelenses e palestinos. Aloni era convidada e na sua intervenção fez um histórico do movimento sionista, com o propósito de esclarecer as coisas e cessar os abusos.

O abuso do anti-semitismo é algo que prolifera em cada episódio ofensivo do estado israelense contra os palestinos. Aloni disse, naquela ocasião, que parte do anti-semitismo das últimas décadas derivava de um grande mal entendido a respeito do sionismo. Um mal entendido cuja responsabilidade parcial ela atribuiu ao abuso cometido contra a memória de sofrimento e perseguição dos judeus europeus, sobretudo por parte do nazismo alemão.

As peças impressas das campanhas eleitorais dos candidatos do partido de Benjamin Netanyahu, o Likud, usavam imagens dos campos de concentração e pediam o voto para aqueles que garantiriam a certeza do “nunca mais”. Este tipo de abuso é menos conhecido e se constitui por meio de uma operação ao mesmo tempo sutil e racional – ao contrário da imbecilidade hedionda do anti-semitismo – de justificação de um projeto expansionista e autoritário.

A condição de vítima não funda a política e menos ainda a moral. Ambas, tanto a política como a moralidade, exigem como condição de possibilidade uma tomada de partido quanto à responsabilidade de um agente. A condição de vítima explica, mas não justifica. E por essa razão é trivial a expectativa de que abusados se tornem abusadores, embora também o seja a de que abusadores devam ser punidos, ontem, hoje e sempre.

Israel existe porque o movimento sionista implicou uma tomada de decisão, a responsabilização pela própria história do povo judeu e a vontade política de formação de um lar nacional. Não era, sobretudo até a consolidação do horror nazista, um movimento de traços estritamente religiosos e menos ainda intolerante com outros povos e manifestações religiosas. Em 1955, sete anos após a fundação do estado de Israel, o filósofo liberal inglês Isaiah Berlin escreveu As Origens do Estado de Israel, texto em que diz o seguinte:

“Qualquer um que desejar compreender a estrutura política de Israel deve estudar a história das idéias liberais do século XIX na Europa, e depois a história dessas idéias tal como se refletem na mente dos liberais e socialistas russos...Há uma ligação direta entre os socialistas-revolucionários russos e os primeiros colonos judeus na Palestina, com sua crença à Rousseau no poder curativo do contato com o solo, e suas afinidades com os estudantes russos que desejam 'estar entre o povo' nas décadas de 1870 e 1880. Os dois grupos acreditavam na vida no campo, no contato com os camponeses, numa existência saudável...numa fuga a fatores moralmente destrutivos para pessoas deformadas e mutiladas pelo desenvolvimento particular da moderna sociedade que ambos – num caso os intelectuais, no outro, os judeus – experimentavam, a saber, uma situação anormal de isolamento da maioria bárbara e o risco de ser por ela perseguido”.

Houve muitas outras influências, sempre houve direita, mas não se falsifica em nada a história do estado de Israel como um projeto político, majoritariamente socialista, que a esquerda do mundo celebrou e reivindicou. A criação do estado de Israel é apontada pelo filósofo inglês como uma refutação do determinismo, do materialismo vulgar e do antimaterialismo místico. Fiquemos com a primeira das refutações, porque é dela que se faz a história e a Política.

É por isso que a névoa de desinformação e delinquência que a direita israelense vem protagonizando é uma ameaça a Israel. É verdade que desde 1967, quando territórios palestinos foram ocupados, contra a lei internacional e contra o Sistema ONU, a solidariedade internacional ao estado de Israel vem decrescendo. É verdade que o vergonhoso muro de anexação de parte da Cisjordânia, erguido ao custo da aniquilação de cidades, famílias e modos de vidas segue ofendendo e abusando da luta dos judeus humanistas e do sionismo. É verdade que a condição de parceiro da agenda estadunidense sobre o Oriente Médio tem sido usada para alimentar um racismo de ocasião e uma paranóia oportuna a todo tipo de defesa, sobretudo se implicar o uso das armas, da humilhação e da perseguição política, como expedientes “defensivos”. É verdade que a desinformação militarista reforça a imagem de que a democracia israelense é uma piada sórdida.

Fato é que o bloqueio a Faixa de Gaza estabelece um novo patamar de atrocidades. E que o truque retórico de que só a direita israelense garantiria o “nunca mais” contra os judeus do mundo converte-se a passos largos num isolamento delinquente. Desde o triste fim de dezembro de 2008 que o governo israelense decidiu dar as costas para o mundo, inclusive ao seu aliado de sempre, os EUA. E quando se pensa que o pior já chegou, Netanyahu prova que não, abusando do passado, ofendendo a memória e agredindo o mundo, em águas internacionais.

O truque retórico gosta de falar que “o Hamas controla Gaza”, embora na realidade o que se passa é que o Hamas foi eleito pela população de Gaza. E que Gaza é na verdade controlada por Israel, que decide o que as crianças de Gaza comerão, ou não, nas escolas – que, por sua vez, funcionarão, ou não, a depender de Israel. O passo seguinte é matar, perseguir, sequestrar quem quiser ajudar aos prisioneiros da maior prisão a céu aberto do mundo. A direita israelense está levando o movimento sionista às raias do delírio fascista, reiterando o abuso e perpetuando a vitimização ideológica, recusando-se a tomar a decisão de sair de “uma situação anormal de isolamento da maioria bárbara e o risco de ser por ela perseguido”, tranformando o "nunca mais", num "eternamente", sem história e sem Política, abraçados no antimaterialismo místico, no materialismo vulgar e no determinismo.
(Carta Maior)

terça-feira, 8 de junho de 2010

ELEIÇÕES 2010: A mídia e o "dossiê"

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Por Maurício Caleiro

Graças ao trabalho de jornalistas notáveis como Luis Nassif, Saul Leblon e Leandro Fortes, pode-se agora não apenas traçar a genealogia do mal-chamado "dossiê" contra o candidato à presidente José Serra mas ter acesso ao criticismo mais apurado e contundente em relação a mais esse episódio demeritório para a política e para a mídia nacionais.

A divulgação do "dossiê" como forma de evitar ou ao menos minimizar o impacto – potencialmente nocivo para Serra e o PSDB – do livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior sobre as privatizações no Brasil, a ser lançado em agosto, expõe uma das razões principais para o factóide, embora, como veremos ao final deste artigo, não as esgote.

Mídia é corresponsável

Mas mesmo antes que se tornasse claro o que já era para muitos evidente quando da publicação da primeira matéria sobre o "dossiê", tornava-se, uma vez mais, motivo de grande consternação e preocupação o comportamento da "grande mídia" brasileira em relação ao caso.

Pois se a inserção de dossiês no circuito político-eleitoral é deletéria à democracia, o modo como as principais publicações e a maioria dos telejornais têm tratado o caso é ofensivo a seus leitores/telespectadores – e é isso o que, no âmbito deste artigo, nos interessa frisar.

Primeiro porque, ao dispensar tamanha atenção e espaço a um produto de atividade protocriminal, é a mídia quem, de uma maneira ou de outra, acaba por endossar essa má prática político-eleitoral.

Segundo, e mais importante, porque ao ignorar as muitas e contundentes questões que cercam a autoria de tal factóide e a identidade dos que dele se beneficiam, dando-lhe divulgação, a mídia, ao mesmo tempo em que se alia aos que o perpetuaram, constituindo-se como meio privilegiado de propaganda e difusão do "dossiê", subvaloriza a capacidade crítica de seu público.

Questões de um energúmeno

Pois só concebendo-o como um energúmeno incapaz de fazer a si mesmo perguntas óbvias, os veículos da "grande mídia" poderiam endossar a pantomima de que o dossiê fora forjado pelo grupo dilmista como forma de atacar Serra.

Ora, entre as perguntas que o leitor, ainda que tido como idiota pela mídia – quase um "Eremildo", do Elio Gaspari – faria, estaria obrigatoriamente o questionamento acerca de o porquê de uma candidatura que vinha em ascensão e acabara de ultrapassar o adversário em algumas pesquisas eleitorais lançaria mão de tal estratagema desesperado.

Ainda que reduzido aos dois neurônios que nossas empresas jornalísticas lhe atribuem, o leitor haveria de fazer um balanço, mínimo que fosse, de quem se beneficiaria com a divulgação de que o PT teria negociado um dossiê contra Serra.

Mesmo concebido pela editoria do Jornal Nacional como um Homer Simpson, o leitor/telespectador certamente se daria conta de que uma maneira esperta e dissimulada de trazer à tona informações que podem vir a ser comprometedoras no futuro – mas não se vierem com o carimbo de "obtidas ilegalmente através de dossiê" – é divulgá-las entre a mídia amiga atribuindo-as a um dossiê da oposição, a qual faria por merecer, uma vez mais, a pecha de aloprada.

Embora com capacidade crítico-reflexiva alegadamente restrita, o leitor há de ter boa memória, não só para ligar os nomes de Serra ao do deputado Marcelo Itagiba, mas para recordar-se de um modus operandi conhecido de outros carnavais, assim como o são os mesmos blogueiros corporativos cuja parcialidade só rivaliza com o antipetismo que nutrem, e que só faltam dar piruetas de felicidade em cada nota emitida sobre o "dossiê".

Perguntas urgentes

A ironia, no entanto, não oculta a urgência de nos fazermos uma série de perguntas:

** Até onde pode chegar esse conluio entre mídia e interesses político-partidários, admitido até pela presidente da ANJ, Maria Judith Brito?

** Quais os riscos efetivos para a lisura do processo eleitoral ora em estágio inicial e para o pleno exercício da democracia no momento das eleições?
** Quando a sociedade reagirá contra essa mídia transformada em partido político?
** Quais as consequências dessa partidarização da mídia para sua própria credibilidade?
** Pode tal fator minar, no médio prazo, as bases comerciais sobre as quais se assenta a atividade midiática?
** Até quando o leitor/telespectador que lhe permanece fiel aceitará ser tratado como um idiota pela mídia?

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Publicado no Observatório da Imprensa , em 8/6/2010

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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Agência Assaz Atroz

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Se alguém tem alguma coisa a dizer em favor dessa união, cale-se agora e para sempre

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Olho no voto e defesa da Constituição

Cunca Bocayuva

Na entrevista no TSE jornalistas fizeram perguntas especulativas ao Presidente daquele órgão auxiliar das intituições judiciais, Marco Aurélio Mello, sobre a hipótese de seu poder de impugnar o resultado do pleito, por força do dossiê sobre a participação dos tucanos no caso dos "sanguessugas". Curiosamente a resposta deste senhor deixou entrever que o TSE possuiria o poder de impugnação após a proclamação dos resultados. Mesmo vendo empenho e a lisura do governo e da PF no processo de investigação sobre a compra de dossiê e as várias tramas conexas essa entrevista tentou produzir umas nuvens cinzentas. O TSE nada pode nem poderá, o crime eleitoral processual não se verificou posto que face aos fatos todas as controvérisias mesmo que indiquem responsabilidades de pessoas já afastadas do PT só beneficiaram de maneira evidente o candidato da minoria. O tucanato que representa as forças minoritárias da nação não pode ganhar no tapetão.

O clima especulativo que visa produzir uma suposta possibilidade constitucional de resolução de controvérsia no âmbito do TSE é o início do intento para uma nova provocação. O objetivo midiático de ganhar pela naturalização da indústria provacativa do simulacro de informação tenta gerar uma ficção pseudo-jurídica, um discurso que fere a Constituição. O exercício de extrapolação especulativa de atribuições para que o TSE possa impugnar resultados de eleições, para além de suas atribuições técnico-processuais derivadas do exercício das atribuições constitucionais dos poderes.

A produção da impugnação do resultado é impossível, a não ser que o Dr.Mello tenha na cabeça repetir o triste episódio de 1982 no Rio de Janeiro. A proclamação dos resultados fará cessar as atribuições do TSE. O resto passa por denúncia nas instâncias jurídicas, num processo que, mesmo passando pelo Supremo só pode se concluir em julgamento político de impedimento pelas casas congressuais instaurando um processo, com pelo menos 3 etapas.

Mas esse processo de provocação golpista só serve para desestabilizar a democracia e ameaçar a Constituição. Novamente cabe lembrar que a praça é do povo como o seu é do condor, Castro Alves tinha razão, e o velho Presidente também, nosso povo não será mais escravo de ninguém. Até mesmo os poderes reacionários da sociedade e do Estado norte-americano não dão ouvidos aos idiotas e aos corvos de plantão. Todo esse murmúrio só fará nos fortalecer ou produzir uma rápida marcha para a bárbarie. As elites do capital devem decidir se preferem a marcha totalitária a uma mudança democrática legítima na estrutura centenária das desigualdades. A rede da resistência democrática defende a legalidade constitucional apoiada na Carta de 1988, na força das urnas, no funcionamento das instituições, na pressão ativa da opinião emancipada e organizada.

O golpismo só pode vir das cabeças que sonham com banhos de sangue. Os responsáveis pelo nosso ambiente de corrupção e violência sistêmica derivada do capitalismo autoritário, selvagem e dependente, não tem dignidade ético-política face a uma vontade livremente manifesta. As regras do jogo funcionaram, a Constituição prevalecerá, o poder constituinte que emana da Carta continua vivo.

[Texto escrito em outubro de 2006, recebido por e-mail da lista de debates da Universidade Nômade, antes de este Editor-Assaz-Atroz-Chefe ser expulso daquela comunidade.]


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Agência Assaz Atroz

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

NETANYAHOU É KAMIKASE ISRAELENSE?

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Rui Martins*

A política israelense de Netanyahou que isola Israel e aumenta o número de seus inimigos não é um ato kamikase?

Daniel Cohen Bendit deu a ênfase necessária, num discurso pronunciado no Parlamento Europeu, no lançamento, em maio, da campanha por uma paz durável entre israelenses e palestinos, num abaixo-assinado que circula entre judeus principalmente da Europa.*

Daniel Cohen Bendit, o Daniel Vermelho da revolta estudantil de maio de 68, em Paris, agora Daniel deputado Verde na União Européia, fez uma comparação pertinente – o ódio entre israelenses e palestinos é o equivalente ao que existia entre alemães e franceses e, hoje, disso ninguém mais se lembra.

O abaixo-assinado, chamado de Apelo à Razão, já tem quase 7 mil assinaturas e viu confirmados seus temores, no episódio da flotilha comandada pelo navio Mavi Marmara, do qual sai reforçado o apelo de tantos intelectuais judeus para que Israel mude sua política e evite o atual isolamento, numa espécie de suicídio diplomático e político de Netanyahou e do governo israelense.

O apelo condena a política de implantação de novas colônias na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalém, por constituir uma falta moral e política e por constituir uma deslegitimação de Israel como Estado. O documento deplora também a manutenção do bloqueio de Gaza, com o objetivo de obter a libertação do soldado Guilat Shalid, que produz como resultado o reforço do movimento Hamas e do fundamentalismo islâmico.

Bernard-Henry Levy, filósofo francês judeu, assinou o manifesto e lamenta a política atual de Netanyaou que, pelo jeito, « está pouco ligando para o que pensa o mundo ». É verdade que são assinaturas de judeus de esquerda e Daniel Cohen Bendit afirma não ter feito sua bar mitzva e que sete mil assinaturas é muito pouco num país onde vive uma enorme comunidade judaica, de um milhão de pessoas, mas serve para mostrar que entre os intelectuais judeus da diáspora européia existe um clima de oposição à política de Netanyahou, qualificada de perigosa para a própria existência de Israel.

Como as relações entre Israel e os palestinos puderam se deteriorar de tal maneira, desde o promissor 13 de setembro de 1993, em Washington, quando Bill Clinton saudava o aperto de mão entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat? Como aquele « processo de paz » talhou e virou processo de guerra, se naquele dia Arafat reconhecia a existência de Israel e Israel reconhecia a OLP e cedia uma parcela do território ocupado?

Era justamente o inverso do que ocorre hoje. Com esse acordo, Israel saía do isolamento em que se encontrava, o mesmo isolamento no qual retorna. Mas esse acordo tinha sérios opositores – a direita israelense do Likud, o lobby americano do Aipac, que não queriam negociar nenhuma parcela do território. Eram igualmente contra esse acordo os islamitas palestinos do Hamas, que ia se fortalecendo e se opondo ao Fatha de Arafat, contrário a qualquer negociação com Israel, e o Irã, por questões geopolíticas.

Por mais absurdo que possa parecer, esses inimigos do processo de paz agiram com o mesmo objetivo para torpedeá-lo. Assim, logo a seguir, o Irã qualificou Arafat de traidor e pediu a destruição de Israel. Dizem especialistas que o Irã temia ficar de lado com o surgimento de uma potência israelopalestina. Mas foi a direita israelense que agiu rapidamente assassinando Rabin, e provocando o sepultamento do acordo de paz israelopalestino.

Seguem-se os atentados em Israel que provocam a vitória de Netanyahou em 96. Ao contrário de Rabin e Peres, em lugar de acusar os iranianos ele acusa os palestinos e os árabes em geral, é o começo do fim do processo de paz. Seu retorno ao poder é o retorno ao mesmo processo. Obama quer forçar Israel a suspender a implantação de colônias, mas não consegue convencer Netanyahou, que evita ir a Washington, no dia seguinte ao ataque israelense à flotilha comandada pelo Mavi Marmara.

Alguns europeus vêem na maneira como Israel quis impedir o avanço da flotilha, uma punição à Turquia por ter agido junto com o Brasil no sentido de se encontrar uma solução para o impasse nuclear do Irã. Entretanto, o cálculo teria sido mal feito, pois a reação da Turquia pode significar o fim de numerosos acordos com Israel, isolando-o ainda mais, pois a Turquia é o único país muçulmano que tem acordos, inclusive militares, com Israel.

Paradoxalmente, se a própria criação de Israel tem suas raízes no navio Exodus, impedido de aportar, é um outro navio, impedido de acostar, que isola, destrói a imagem e coloca em questão a própria existência de Israel. Com sua intransigência, implantando novas colônias, desafiando até um antigo e importante aliado, Netanyahou não está se transformando no mais perigoso kamikase do Oriente Médio ?

*www.jcall.eu

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Para Rui Martins, o governo brasileiro deveria criar uma nova política de emigração a exemplo de Portugal, França, Itália e mesmo México e Equador.

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http://www.francophones-de-berne.ch/




http://www.estadodoemigrante.org/

*Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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O dossiê do simulacro de imprensa

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A direita não se deu sequer ao trabalho de atualizar métodos. A “venezuelização” do monopólio global já lançou sua palavra de ordem: a eleição não será televisionada. Este é o mote que assusta.

Gilson Caroni Filho

Pena que a ficção tenha durado tão pouco. Mas a trama era tão frágil que foi desconstruída com um simples artigo de Luiz Nassif. Trabalhando com a lógica dos fatos, o blogueiro mostrou que o anunciado “novo escorregão petista" era, na verdade, um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Uma obra tão reveladora dos bastidores tucanos que, antes mesmo de existir editorialmente, já virou leitura obrigatória

Quem acompanha a história da imprensa brasileira sabe de suas conexões com interesses dominantes na sociedade fracionada. Conhece, e bem, como são editados fatos e discursos. Tem noção aguda de que a autonomia relativa de uma redação encontra seus limites nos interesses do patronato. Franklin Martins, Helena Chagas e Rodrigo Viana, demitidos em 2006, estão aí como “respaldo de provas robustas”, “evidências empíricas", sempre solicitadas pelos defensores da grande mídia corporativa quando acusados de trabalhar para partidos da direita, com doses descomunais de panfletarismo.

É de autoria de Paulo Francis a máxima segundo a qual “a história é monótona, a cada minuto nasce um leitor idiota”. Parece que, pelo que temos visto nos últimos oito anos, a suposta idiotia do leitor é algo datado, sem sinalização concreta nos dias atuais. Ainda assim, convém confrontar supostas espertezas que podem custar caro ao campo democrático-popular. Quando isso ocorre, a direita comemora com blocos editorializados no Jornal Nacional. E, claro, a nau dos insensatos ainda chama de bom jornalismo o que não passa de desabrida propaganda ideológica.

Na verdade, os jornalões produzem noticiário somente para leitores alinhados com sua política editorial e os colunistas, do alto de sua insignificância, escrevem para prestar conta apenas a seus patrões. Laurindo Leal Lalo Filho foi preciso ao definir o papel que sobrou o jornalismo impresso protofascista: ser fonte de munição para os veículos eletrônicos (rádio, TV e internet).

Faltou pouco para que as última edição do JN (sábado, 6/6) tivesse fundo musical. Afinal, era comemorativa e o regozijo com um suposto gol contra do adversário é conhecido do torcedor brasileiro. Se servir para ocultar as conquistas do atual governo, e o crescimento da candidatura de Dilma Roussef, tanto melhor. Saímos do campo futebolístico e adentramos a arena da luta de classes, sempre com a elegância da boa diagramação e o capricho nos títulos fortes.

O "dossiê", supostamente produzido pelo núcleo de campanha da ex-ministra, envolvendo Serra e pessoas próximas a ele, foi um “presente” inesperado para aqueles 5% que não se conformam com a reedição de um fenômeno inédito até 2006: uma vitória política, já consolidada no imaginário do eleitorado, não se desdobrar em vitória eleitoral.

Sejamos francos, só mesmo sendo muito ingênuo para cair no “conto do dossiê”. Qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, farejaria de longe a óbvia “trampa”. Um mínimo de pragmatismo saberia que vídeos e papéis, ainda que bombásticos, não teriam qualquer efeito prático a essa altura do campeonato em que, para o PT, a terceira eleição para a presidência da República é um fato altamente provável.

Tentou-se, sem o menor cuidado investigativo, reeditar a aventura midiática de 2006. Qual foi a construção que se procurou vender à época, no chamado “escândalo dos aloprados”? Um pouco de tática de luta sindical misturada ao desespero da facção paulista do partido, ávida por assegurar uma hegemonia em risco, poderia explicar o tiro eleitoral que quase acertou o pé. Ainda mais quando se farejavam as intenções de tucanos lacerdistas e os seguidos pronunciamentos do presidente do TSE (Marco Aurélio Mello) a lhes prometer sustentação legal em sua aventura. Os desmentidos não tardaram a aparecer e o "escândalo", tal como o do “mensalão”, passou a ter valor tão somente como provisão para efetiva perda de estoque informativo.

Para piorar, nas eleições passadas, ainda haveria um outro “dossiê” a ser escondido no noticiário global. E ele veio do Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio). Para desespero dos expoentes da Teoria da Dependência, que agora elegeram a UDN como modelo, o nível de pobreza caiu 19,18% nos três primeiros anos do governo Lula, o maior recuo em dez anos. Somemos a isso a retomada do emprego, estagnada há uma década, segundo Marcelo Néri, coordenador da pesquisa.

Mas, há quatro anos, o que mais impressionava no “dossiê” a ser ocultado viria a seguir: Os pobres e ricos obtiveram ganhos. Porém, segundo Néri, "50% dos mais pobres aumentaram sua renda em 8,5%, enquanto os 10% mais ricos, depois de cinco anos de perdas, tiveram ganhos de cerca 6%. A classe média teve um crescimento um pouco menor, de 5,5% da renda.”

Era esse o governo que tinha privilegiado banqueiros? Os editores se calaram. Aqueles que deveriam sempre se pautar por evidências empíricas que valem o sal de todo mês ficaram calados. Desde então, a grande imprensa se condenou a não cobrir questões programáticas, fugir da grande política, chafurdando no sistema de valências, da desqualificação pessoal e de histórias fantasiosas.

Se a grande mídia acreditasse em suas próprias representações, seria desnecessário reiterar que, se existem indícios, por mais tênues que sejam, de possível envolvimento de José Serra com as irregularidades da privataria, por ação ou omissão, tal possibilidade deveria ser investigada. Para um jornalismo correto denúncias não são liminarmente desqualificadas.

Para gáudio dos golpistas, seu colosso midiático produzirá edições inesquecíveis de “Vejas” e “Épocas” nas próximas semanas. Muito embora a população já tenha sinalizado que a direita pode estar gastando tinta e papel em vão, a dobradinha TSE-TV Globo estará no ar “orientando” os eleitores a não votar em candidatos envolvidos em “escândalos”. Claro que não relembra que a maioria deles é peça de ficção produzida nas melhores redações. Nunca, desde 1964, o empenho em derrotar uma liderança foi tão evidente a ponto de pôr no chão o marketing editorial de várias publicações.

Com tudo isso, creio que é bom lembrar que sobressaltos no período eleitoral já eram esperados. Mas alguns, convenhamos, são evitáveis. A direita não se deu sequer ao trabalho de atualizar métodos. A “venezuelização” do monopólio global já lançou sua palavra de ordem: a eleição não será televisionada. Este é o mote que assusta. E, que me desculpem os observadores mais apaixonados pelo ofício, as generalizações não incorrem em risco de erro. Lanzettas e Onésimos frequentarão páginas e telas por um bom tempo ainda. São os personagens à procura de um autor. Pobre Pirandello.

***
Em tempo – Nunca as evidências estiveram tão à mostra e custaram tão barato. O pesquisador deve ir à banca e procurar pelos seguintes títulos: O Globo, O Estado de São Paulo e Zero Hora. Uma olhada nas manchetes e títulos das dobras superiores já será de grande valia. Se quiser uma amostragem repleta de cores e luzes, deve procurar por publicações semanais. São um pouco mais caras, mas são muito piores.

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Gilson Caroni Filho, sociólogo, mestre em ciências políticas, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), é colunista da Carta Maior, colabora com o Jornal do Brasil e com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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domingo, 6 de junho de 2010

“My Sweet Dossier” - parece ficção, mas é pura safadeza

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Fernando Soares Campos

José Serra, pré-candidato à Presidência da República, membro da organização criminosa conhecida pela sigla PSDB, que conta com o apoio dos subgrupos DEM e PPS, acusou Dilma Rousseff de ter forjado um dossiê contra ele. Serra se fundamente em reportagem da revista 'Veja', órgão oficial de divulgação das atividades do bando, tratando de suposta ação petista, a qual consistiria em forjar um dossiê sobre as atividades ilícitas de Verônica, filha de Serra. Para este, as supostas manobras petistas teriam como objetivo prejudicar a sua candidatura.

Serra acusou a pré-candidata do PT, sua adversária Dilma Rousseff, de ter montado um dossiê contendo denúncias que o atingiriam.

O testa-de-ferro da organização criminosa, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), fingiu estar indignado, deu chilique, exigiu que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, explique "por que montou uma equipe de espiões e arapongas para fabricar dossiês contra adversários". Guerra deu uma de João-sem-Braço, fez de conta que desconhecia que qualquer informação a respeito do envolvimento da filha de Serra com o banqueiro Daniel Dantas está disponível na internet, com fácil acesso para qualquer usuário. Não se trata de coisa sigilosa que possa vir a ser considerada elemento de um dossiê, que normalmente é composto de documentos importantes e que não estariam à disposição de qualquer mortal.

Entretanto o senador pernambucano de certa forma acertou quando disse que aquela ação teria sido “vergonhosa, indecente e coisa de gente safada”. Todo o País hoje concorda que aquilo é realmente coisa de gente safada, pois gente safada é que age assim: mergulha na lama e acusa os outros de o terem empurrado. Gente safada é capaz de atirar no próprio pé para incriminar um inimigo. Gente safada é chegada a uma chantagem. Político safado, por exemplo, é capaz de ameaçar um dos seus companheiros com um “dossiê do pó”, caso ele se recuse a compor uma chapa de vice-qualquer-coisa. Portanto, Guerra olhou para o espelho e disparou: “Isso é coisa de gente safada!”

Quanto a Serra, quem melhor definiu o comportamento do capo foi André Vargas, secretário de Comunicação do PT, que disse: “Para falar desse pseudo-dossiê sobre as ligações da filha dele com Daniel Dantas, basta Serra procurar no Google! (...) Serra se comporta como aquele que bate a carteira e sai gritando: pega ladrão!”

Reunidos no bunker de FHC, os cabeças das diversas facções mancomunadas decidiram “contra-atacar” quem não atacou. É mais ou menos como na história do lobo e do cordeiro bebendo água no riacho. Acontece que, dessa vez, o lobo, com a vista cansada e a mente atrofiada pelo ódio, implicou com uma onça, pensando que estava diante de mais uma refeição. E a onça vai levar o caso à Justiça, para que o lobo, quer dizer, Serra e seus comparsas se expliquem.

Mas quem estaria interessado em amarrar a corda no pescoço de Serra neste momento em que as pesquisas de intenção de voto indicam que ele está desabando em profundo precipício, que é o lugar para onde os fichas-sujas devem ir?

O tal dossiê, na verdade, é um livro que será lançado ainda este ano e que revela detalhes sobre as falcatruas da organização criminosa PSDB-DEM, que conta com os serviços sujos do PPS, que por sua vez está fazendo propaganda do tal “Ministério da Segurança Pública” apregoado por Serra.

O livro é de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que durante alguns anos investigou os escândalos da roubalheira em que se transformou o processo de privatizações no governo FHC.

“Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC.” (Viomundo)

"O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário." (Leandro Fortes, Carta Capital)


Quando Serra teve a certeza de que o livro seria lançado antes das eleições (se viesse depois, ele não se incomodaria, pois aposta na impunidade e no apoio do PIG para encobrir suas mutretas) , tratou de encontrar um bode expiatório, pois já sabia o incentivo parfa a publicação vem de Minas. Serra sabe que o livro via ser servido como um prato de mingau quente, mas tão quente que não dá nem pra comer pelas beiras. Serra sabe que o livro vai lavar a alma de muita gente, inclusive de alguns dos seus comparsas na organização criminosa.

Amaury Ribeiro JR., o autor, é um jornalista muito bem relacionado com Aécio, a quem Serra ameaça indiretamente com “dossiês”, a fim de que o governador de Minas se renda e aceite ser o seu candidato a vice-presidente da República. Como disse Guerra, isso é coisa de gente safada.

Para compreender melhor a história mal contada pela gangue demotucana, leia o artigo “O dossiê do dossiê do dossiê...”, por Leandro Fortes, na revista Carta Capital.

Antes, leia...

GLOBO – A CENTRAL DE MENTIRAS



Laerte Braga

A edição de sábado do JORNAL NACIONAL – O DA MENTIRA – foi um primor de desinformação, distorção de notícias e fatos para atender a interesses do grupo e àqueles a que representa. É prática rotineira na emissora.

Num dado momento da edição, com o ar de sério, seriedade que não tem, o jornalista Alexandre Garcia, começou a falar do dossiê “supostamente” atribuído a setores da campanha de Dilma Rousseff e contra o candidato tucano José Arruda Serra.

Para não enfiar a emissora no bolo e aparentar inocência na história, repercutiu a matéria de capa da revista VEJA sobre o assunto. VEJA é aquela que pegou mais de 400 milhões de reais em contratos com o governo de São Paulo – José Arruda Serra – sem licitação e num favorecimento escandaloso, com, lógico, um percentual para o caixa de campanha do tucano.

É aquela também que quando não conseguiu culpar o governo Lula pela queda do avião da TAM (os defeitos eram no reverso e numa das turbinas por falta de manutenção da empresa), estampou numa capa que “a culpa foi do piloto”. O plano para privatização de aeroportos começou a dar com os burros n’água por ali. Que acha que a flotilha que foi levar ajuda humanitária a palestinos sitiados em Gaza pelo governo terrorista de Israel foi provocação. Posição também da GLOBO.

Quando Alexandre Garcia, ex-funcionário do Banco do Brasil, do antigo SNI e do Gabinete Militar da presidência da República, demitido por assédio sexual, governo Figueiredo, mostrou os “fatos” relacionados ao dossiê, esqueceu-se de dizer que o jornalista do ESTADO DE MINAS é ligado ao ex-governador Aécio Neves e que a imensa e esmagadora maioria da mídia já havia ligado o dossiê a Aécio.

Toda a trajetória totalitária, corrupta e venal de José Arruda Serra foi levantada a pedido do governador de Minas, então disputando a indicação presidencial com o tucano paulista, quando tomou conhecimento que Arruda Serra havia preparado um dossiê contra ele.

Uma espécie de legítima defesa, digamos assim, num ambiente fétido, o tucanato. Disputa pela chefia da quadrilha.

Para não perder a viagem, envolveram um delegado corrupto e aposentado da Polícia Federal, que fala qualquer coisa por dinheiro, atribuindo a responsabilidade a Dilma Rousseff e ao seu partido.

É prática corriqueira da GLOBO vem desde os tempos de Collor de Mello quando editaram o último debate entre o alagoano e Lula. Ou ainda, nos tempos da ditadura, quando omitiu a campanha para as diretas já, quando encobriu a tortura e foi parte dela na cumplicidade ativa de vender um Brasil maravilhoso quando o País estava à matroca em mãos de militares irresponsáveis e criminosos.

Ou quando foi fundada, há 45 anos, como braço de Washington com o propósito de vender a ideologia disneylândia que hoje, se sabe, chega até a prostituição (Operação Harém da Polícia Federal), seja no BBB, seja nas “moças” contratadas por laranjas para dançarem literalmente, em todos os sentidos, com direito a cachê/michê de 20 mil reais, depende da estatura dentro da emissora e do cliente.

Toda a farsa do dossiê já havia sido contada de “a” a “z” pelo jornalista Luís Nassif em seu portal. Todo o esquema de disputa entre Arruda Serra e Aécio é público e notório desde que o funcionário de Arruda Serra, Juka Kfoury, pegou Aécio no contrapé.

A GLOBO ignorou, deliberadamente, todos os fatos.

Um pouco antes de dar um trato mentiroso no tal dossiê, foi divulgada uma pesquisa do antigo IBOPE (hoje GLOBOPE), onde Dilma e Serra aparecem empatados na magia de fabricar números, sabe-se que a realidade é diferente, Arruda Serra está em queda e Dilma em ascensão e nem tocaram no fato que dentre os candidatos o tucano é o mais rejeitado pelos eleitores ouvidos. Mostraram na telinha, mas não comentaram.

Quando pegos na mentira e na farsa, práticas comuns e corriqueiras ali, sacam da pasta de canalhice a tal liberdade de expressão. Deve ter outro sentido para eles. Liberdade de mentir, de falsear, de enganar, de ludibriar e de contratar dançarinas para “ajudar” nos “negócios” com clientes promissores.

Tipo sabão OMO, lavou está pronto para outra.

Canalhice pura.

A legislação brasileira propicia a esse tipo de imprensa marrom, venal, que o direito de resposta seja um fato raro, por conta da lentidão do poder Judiciário, sem falar que a GLOBO tem em mãos muitos dos ministros de tribunais regionais e superiores e nada contra ela anda.

Praticam o crime, a rigor, de forma impune.

A GLOBO é isso e até as eleições de outubro fatos assim serão comuns, todos revestidos de preocupação democrática da rede em todos os seus tentáculos. Jornais, rádios e tevês.

Existe para isso e por isso. Daí porque abriga gente tipo Alexandre Garcia, William Bonner, Lúcia Hipólito, Miriam Leitão, paladinos da sem-vergonhice jornalística.

E traveste-se de defensora da democracia e dos valores cristãos e ocidentais, desde que as faturas sejam pagas em dia e os favores e ilicitudes permaneçam encobertos e protegidos às vezes, muitas vezes, pelos encarregados de zelar pela lei.

A edição de sábado foi um primor de mentira, de desrespeito ao telespectador, por isso o rotulam de idiota, apostam nessa característica e contam que enquanto a turma está ali para esperar a novela das oito, de quebra, levam a informação mentirosa.

A GLOBO é outro câncer, como VEJA, não há nada de liberdade de expressão em seu caminho.

Só mentira e empulhação.

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Laerte Braga é jornalista. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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