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sábado, 29 de maio de 2010

ELEIÇÕES - 2010!!!

Brasil.. 29 de Maio de 2010 - 12h28 A mídia, os membros do Judiciário e a quimera do golpe improvável A temperatura da disputa política, agitada com os recentes programas partidários, traz ao primeiro plano uma movimentação que, dependendo dos desdobramentos, pode ser ridícula ou inquietante: a nova direita, tal como a antiga, parece o homem que, acordado, age como se dormisse, transformando em atos os fragmentos de um longo e agitado sonho no qual ele ainda é o principal ator, com poderes para interromper qualquer possibilidade de avanço institucional. Por Gilson Caroni Filho*, em Carta Maior O sonho-delírio do bloco neoudenista insiste em não aceitar a disputa democrática, reitera a disposição em deixar irresolvidos conflitos fundamentais, antecipando o fracasso de qualquer debate político. Seu ordenamento legal não se propõe a garantir o mesmo direito a todos, ampliando o Judiciário e racionalizando as leis. Deseja uma democracia que só existe no papel, com instituições meramente ornamentais que dão um tom barroco às estruturas de mando. Inconformada com a derrota que se anuncia em pesquisas de intenção de voto, a classe dominante se esmera em repetir ações que um dia lograram êxito. Tornam-se cada vez mais frequentes as ações combinadas de articulistas de direita e membros do Judiciário. Acreditando que a história permite repetições grotescas, multiplicam-se editoriais, artigos, entrevistas com vice-procuradoras e ministros do TSE que acreditam estar criando condições superestruturais para um golpe contra a candidatura de Dilma Rousseff. Se ainda podemos encontrar pouquíssimos comentários políticos de diferentes matizes, é inegável a homogeneidade discursiva dos “especialistas” em jornalismo panfletário. E eles se repetem à exaustão. No entanto, o erro de cálculo pode ser surpreendente. Confundir desejo com realidade tem um preço alto quando se pensa em estratégia política. Ao contrário de 1964, não faltam às forças do bloco democrático-popular, o único capaz de impedir de retrocessos, organização e direção. Os movimentos sociais, e esse não é um pequeno detalhe, não mais se organizam a partir do Estado, como meros copartícipes de governos fracos e ambíguos. Estruturados no vigor das bases, acumulando massa crítica desde o regime militar, os segmentos organizados contam, hoje, com experiências suficientemente amadurecidas para deslegitimar ações e intenções golpistas junto a expressivos setores da opinião pública. Rompendo as alternativas colocadas pelas elites patrimonialistas que apoiam José Serra, as forças progressistas dispõem de plataforma política para não permitir que a democracia brasileira venha a submergir no pseudolegalismo que se afigura em redações e tribunais. Nesse sentido, o que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, "a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”? Nada mais que identidade doutrinário-ideológica com o que há de mais reacionário no espectro político brasileiro. Inexiste no palpite da doutora Sandra um pensamento jurídico que se comprometa com os anseios democráticos da sociedade brasileira. Nem que fosse por mera hipótese exploratória, seria interessante que o Judiciário se pronunciasse sobre o conteúdo da informação televisiva, em especial a que é produzida pela TV Globo. Quando uma emissora monopolística, operando por meio de concessão pública, editorializa seu noticiário e direciona a cobertura para favorecer o candidato do PSDB, o que podemos vislumbrar? Desrespeito a uma obrigação constitucional? Abuso de poder político e econômico? Ou um exemplar exercício de “liberdade de imprensa”? São questões candentes quando, antes de qualquer coisa, o custo da judicialização da vida pública partidariza algumas magistraturas. Sem se deixar intimidar com as pressões togadas, a democracia só avança através de pactos que permitam abrir a sociedade às reivindicações e participação social de setores recém-incluídos. A candidatura de Dilma Rousseff expressa essa possibilidade. Do lado oposto, sob pareceres e editoriais que se confundem tanto no estilo quanto no conteúdo, reside a quimera de um golpismo cada vez menos provável. * Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

O palpite togado de um golpe improvável

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Inconformada com a derrota que se anuncia em pesquisas de intenção de voto, a classe dominante se esmera em repetir ações que um dia lograram êxito. Tornam-se cada vez mais frequentes as ações combinadas de articulistas de direita e membros do Judiciário. Acreditando que a história permite repetições grotescas...

Gilson Caroni Filho

A temperatura da disputa política, agitada com os recentes programas partidários, traz ao primeiro plano uma movimentação que, dependendo dos desdobramentos, pode ser ridícula ou inquietante: a nova direita, tal como a antiga, parece o homem que, acordado, age como se dormisse, transformando em atos os fragmentos de um longo e agitado sonho no qual ele ainda é o principal ator, com poderes para interromper qualquer possibilidade de avanço institucional.

O sonho-delírio do bloco neoudenista insiste em não aceitar a disputa democrática, reitera a disposição em deixar irresolvidos conflitos fundamentais, antecipando o fracasso de qualquer debate político. Seu ordenamento legal não se propõe a garantir o mesmo direito a todos, ampliando o Judiciário e racionalizando as leis. Deseja uma democracia que só existe no papel, com instituições meramente ornamentais que dão um tom barroco às estruturas de mando.

Inconformada com a derrota que se anuncia em pesquisas de intenção de voto, a classe dominante se esmera em repetir ações que um dia lograram êxito. Tornam-se cada vez mais frequentes as ações combinadas de articulistas de direita e membros do Judiciário. Acreditando que a história permite repetições grotescas, multiplicam-se editoriais, artigos, entrevistas com vice-procuradoras e ministros do TSE que acreditam estar criando condições superestruturais para um golpe contra a candidatura de Dilma Rousseff. Se ainda podemos encontrar pouquíssimos comentários políticos de diferentes matizes, é inegável a homogeneidade discursiva dos “especialistas” em jornalismo panfletário. E eles se repetem à exaustão.

No entanto, o erro de cálculo pode ser surpreendente. Confundir desejo com realidade tem um preço alto quando se pensa em estratégia política. Ao contrário de 1964, não faltam às forças do bloco democrático-popular, o único capaz de impedir de retrocessos, organização e direção. Os movimentos sociais, e esse não é um pequeno detalhe, não mais se organizam a partir do Estado, como meros copartícipes de governos fracos e ambíguos. Estruturados no vigor das bases, acumulando massa crítica desde o regime militar, os segmentos organizados contam, hoje, com experiências suficientemente amadurecidas para deslegitimar ações e intenções golpistas junto a expressivos setores da opinião pública.

Rompendo as alternativas colocadas pelas elites patrimonialistas que apoiam José Serra, as forças progressistas dispõem de plataforma política para não permitir que a democracia brasileira venha a submergir no pseudolegalismo que se afigura em redações e tribunais.

Nesse sentido, o que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, "a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”? Nada mais que identidade doutrinário-ideológica com o que há de mais reacionário no espectro político brasileiro. Inexiste no palpite da doutora Sandra um pensamento jurídico que se comprometa com os anseios democráticos da sociedade brasileira.

Nem que fosse por mera hipótese exploratória, seria interessante que o Judiciário se pronunciasse sobre o conteúdo da informação televisiva, em especial a que é produzida pela TV Globo. Quando uma emissora monopolística, operando por meio de concessão pública, editorializa seu noticiário e direciona a cobertura para favorecer o candidato do PSDB, o que podemos vislumbrar? Desrespeito a uma obrigação constitucional? Abuso de poder político e econômico? Ou um exemplar exercício de “liberdade de imprensa”?

São questões candentes quando, antes de qualquer coisa, o custo da judicialização da vida pública partidariza algumas magistraturas. Sem se deixar intimidar com as pressões togadas, a democracia só avança através de pactos que permitam abrir a sociedade às reivindicações e participação social de setores recém-incluídos. A candidatura de Dilma Rousseff expressa essa possibilidade. Do lado oposto, sob pareceres e editoriais que se confundem tanto no estilo quanto no conteúdo, reside a quimera de um golpismo cada vez menos provável.

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Gilson Caroni Filho, sociólogo, mestre em ciências políticas, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), é colunista da Carta Maior, colabora com o Jornal do Brasil e com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tiro pela culatra

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Fernando Soares Campos

O doutor Givanildo abriu o exemplar de "Tiro pela culatra", uma coletânea de contos de diversos autores. Abriu numa página qualquer. Mas aquela não era qualquer página, era exatamente a página do conto que emprestara o título à obra.

Leu a epígrafe: "Comme on fait son lit, on se couche".

O telefone tocou. Atendeu. Era o Lúcio. Cumprimentou-o com um "oi", sem disfarçar o enfado. Súbito, olhos arregalados, levantou-se. Tudo indicava que o Lúcio estava lhe passando uma informação bombástica.

A mulher entrou na sala e estranhou o comportamento do marido ao telefone. Ele parecia eufórico, caminhava em círculo e repetia a pequenos intervalos: "Não! Não! Nããão...!"

Ela fez sinais: acenou, piscou, sussurrou: "Quem é?", "O que está acontecendo?". Ele apenas repetia: "Não! Não! Nããão...!".

A mulher impacientou-se, bateu palmas para chamar sua atenção. Tentou umas batidinhas com o pé. Nada, quer dizer, "Não!", era só o que ele dizia ao seu interlocutor.

A mulher desistiu, resolveu esperar sentada. Ele mudou sua monossilábica comunicação para "Sim! Sim! Siiimmm...!" Impaciente, ela levantou-se bruscamente e perguntou: "Afinal, é sim ou não?!" Ele colocou o indicador entre os lábios e fez "psiu!". Ela já estava disposta a lhe tomar o telefone e perguntar ao outro o que estava acontecendo. Ele agradeceu pelas informações e despediu-se.

— E agora dá pra você me explicar o que está acontecendo?! – quis saber ela.

— Você não vai acreditar!

— Vai logo, desembucha, homem! Que aconteceu de tão grave?!!

— Grave?! Ah! sim, grave sim, mas não pra nós. Eles que fiquem com a gravidade da questão. A nós só resta comemorar mais um gol de placa.

— Para com isso, homem!!! Conta logo essa história, senão eu tenho um troço!

— Então, sente-se pra não cair de costas.

A mulher sentou-se. Ele permanecia com o livro na mão, falava gesticulando, entusiasmado:

— O Jonas confessou!

— Jonas?!

— Sim, o Jonas!

— Quem é o Jonas?!

— O quê?! Você não sabe quem é o Jonas?!

— O único Jonas que conheço não seria capaz de confessar nada.

— Mas é esse mesmo, o contador, o guarda-livros da C&R.

— Mas o que foi que ele confessou? Claro que não deve ter confessado que é ele quem consegue as notas frias para a venda das cargas roubadas.

— Não, isso não, o cara é bandido, mas não é louco.

— Bom, também não deve ter confessado que foi ele próprio quem matou a primeira mulher e mandou matar a segunda...

— Certamente não! Pode-se acusar o Jonas de tudo, mas ele não é maluco!

— Já sei, confessou que foi o autor intelectual do sequestro do dono daquela rede de supermercado.

— Querida, o depoimento foi na Polícia Federal, e eu já disse que o cara tem juízo.

— Mas o que de tão grave ele confessou?

— O Jonas, em seu depoimento, falou, com todas as letras, que...

O telefone tocou. Ambos olharam para o aparelho trinando insistente. Ela colocou a mão em cima do telefone e decidiu:
— Você só vai atender quando terminar de me contar o que o Jonas confessou.

— Espere um pouco, meu bem, deve ser o Lúcio. Ele ficou de me retornar informando o que aconteceu com o Jonas. Se vai ficar preso ou responder em liberdade.
Ela cedeu. Num salto, ele pegou o aparelho.

— Alô, Lúcio, e aí, o que aconteceu com o Jonas?!

— Doutor Givanildo?

— Sim...

— É o Jonas.

— Jonas?! Mas você... Bem, o que está acontecendo?!

— O Lúcio não lhe contou?

— Sim, ele me falou que você foi interrogado pela Polícia Federal. Contou que você confessou que a C&R deu dinheiro, por fora, pra campanha daquele vereador esquerdista. Complicou a vida daquele malandro. Mas não me contou os detalhes...

— Nem poderia.

— Como assim?!

— Porque os detalhes virão depois.

— Você vai depor novamente?

— Não, não vou. Estou me referindo às investigações. Os detalhes, sem dúvida, serão revelados durante o processo investigatório.

A mulher se levantou, aproximou-se do marido e encostou o ouvido no fone. Ele não reclamou. Continuou falando:

— Que detalhes?

— Pediram a quebra do sigilo bancário do vereador.

— E daí?

— O problema é o cheque, doutor Givanildo, o cheque. Sei que eles vão chegar ao cheque.

— De que cheque você está falando?

— Bem, doutor Givanildo, o senhor queira me desculpar...

— Desculpar de quê?! Dá pra explicar melhor?!

— Acontece que só agora eu me lembrei.

— Lembrou-se do quê?

— Me lembrei do cheque que o senhor deixou pra pagar o aluguel da sala.

— O que tem uma coisa a ver com a outra?

— Acontece que eu dei aquele cheque para o cara na época da campanha. Era uma emergência, doutor.

— Você está maluco?! Endoidou?! Onde já se viu usar cheque numa transação dessas?! Isso é coisa de louco!

— Desculpe, doutor Givanildo, eu nunca pensei que fosse dar no que deu...

— Pensar?! Pensar?! Você não deve ter essa faculdade, seu estúpido!!! Você é louco! Louco! Entendeu?! Maluco! Pirado! Doido! Demente! — desligou.

Pasma, a mulher olhava para o marido, apenas acompanhava sua inquieta movimentação pela sala.

Transtornado, o doutor Givanildo arriou-se no sofá como um fardo atirado a um canto. Não sabia o que fazer. Abriu o livro novamente na página do conto "Tiro pela culatra" e releu a epígrafe: "Comme on fait son lit, on se couche".

— Que diabos isso quer dizer?!

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

WEB E LIVRE PENSAMENTO

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Urariano Mota

N estes dias, tenho lido “Gabriel García Márquez – Uma Vida”, de Gerald Martin. Além do prazer de suas páginas, que revelam os vexatórios e verdadeiros dias do gênio de Gabriel, no livro mais de uma lição tenho aprendido. Para o objetivo desta coluna, interessa lembrar a lição do tipo de imprensa que forjou o caráter e talento de Gabriel García Márquez.

Nas páginas dos jornais de Cartagena e Barranquilla, cidades da costa da Colômbia, exercia-se a liberdade de imprensa, e de tal modo se exercia, que com mais propriedade mereceria o nome de liberdade de pensamento. Se querem uma divisão mecânica, digamos: os textos ali publicados eram livres na forma e no conteúdo. O que vale dizer: a potência da literatura invadia o jornalismo com toda sorte de armas, armadas e demônios. Isso dá na gente um espanto e uma pergunta ao mesmo tempo: como era possível tamanha liberdade? Penso que uma explicação reside no fato de que em uma província, afastada do domínio imediato da capital e do capital, o mundo todo estava por se fazer. E Gabriel e amigos intelectuais montaram ali o cavalo da oportunidade. E disseram, “aqui vamos, bandidos”.

Que diferença para a imprensa brasileira hoje. A gente não quer ser simplista, raso e rasteiro como um simplificador, mas a realidade autoriza. Ela, imprensa, é grossa como a piada mais chula. Notem que na grande mídia do capital, hoje, andam casados o maior reacionarismo político com a maior pobreza de idéias, com direito a uma amante, a mais miserável expressão da língua. Abra-se, por exemplo, um jornal de hoje. O leitor passa as folhas, envenena-se com alguns fatos, descrê de todos e joga o papel a um canto. Em menos de uma hora, não sabe o que leu, quando leu, e, até mesmo, se leu. Nada fica. Do papel à televisão, resta só a angústia do desperdício. Uma ressaca sem álcool.

Lembram-se do desastre do avião da TAM em julho de 2007? Além dos repórteres técnicos em manetes, turbinas, pistas molhadas e caos em aeroportos, houve os quadros tenebrosos de exploração pornográfica da dor. Repórteres obedientes à orientação da pauta, articulistas que viraram autoridades, mais pareciam papa-defuntos. Até o ponto da explosão de um artigo na Folha de São Paulo, inexcedível em vileza:

O que ocorreu não foi acidente, foi crime.

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, ‘GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS’. O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.... Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais ‘elites’, que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer
”.

Lembram? E o que dizer do incidente com uma cobra-coral que atravessou o caminho do Presidente Lula em 2003, em Buíque, Pernambuco? Na ocasião, perdoem este clichê “na ocasião”, um agricultor, para defender o seu Presidente, matou a cobra a pau. Os jornais anunciaram a morte da coral, com a pungente dúvida: “Morte de cobra em Buíque foi crime ambiental?”.

Esse imenso nariz de cera vem a propósito do Congresso Mega Brasil de Comunicação 2010, aberto pelo Ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Esses nomes compridos e juntos como vagões de trem querem dizer, de modo mais simples, Franklin Martins, o jornalista e ministro. Franklin Martins, ao se referir aos novos tempos da web, “declarou”, para usar a palavra do gosto dos repórteres: “Alguns jornalistas dizem que não se faz jornalismo como antes. Acho que o processo se tornou mais rico agora. O jornalismo de antes não era mais plural e democrático do que hoje.”

Agora fecho o nariz e a coluna. É irônico que um meio avançado de comunicação, a web, venha a ser hoje a Barranquilla de 1950. Ali, naqueles anos, como aqui, em 201, tudo está por se fazer.

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Urariano Mota, escritor e jornalista, autor de “Soledad no Recife” (Boitempo – 2009) seu último romance, indicado como um possível livro do ano pelo conceituado site Nova Cultura, elaborado e administrado na Alemanha, com os destaques literários da CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa. É colunista do site Direto da Redação, edita o blog SAPOTI DE JAPARANDUBA

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Entrevista exclusiva com o Dr. Hélio Bicudo: “Luta contra a tortura continua na OEA”

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Entrevista a Ana Helena Tavares* para o site “Outras Palavras” (do Le Monde Diplomatique Brasil)

Mais do que um dos maiores juristas do Brasil, Hélio Pereira Bicudo é uma lenda viva na luta pelos direitos humanos. Nos anos 1970, auge da repressão política, ele denunciou, como procurador de Justiça, o “Esquadrão da Morte” — enfrentando, entre outros, o temido delegado Sérgio Paranhos Fleury. Aos 87 anos, ele publica com frequência, em seu blog, breves ensaios em que aborda não apenas liberdades civis, mas temas como o direito à água, os aspectos jurídicos relacionados ao tráfico de órgãos e a luta contra a desumanidade nas prisões brasileiras. Também enriquece o twitter.

“No momento em que estamos conversando, com certeza em algum lugar do Brasil está sendo praticada a tortura”, lembrou Bicudo nesta entrevista exclusiva sobre a recente decisão do STF de manter impunes os torturadores da ditadura. Para ele, trata-se de uma decisão absolutamente equivocada, que estimula a continuidade das sevícias contra prisioneiros comuns e pode abrir caminho, em outras condições, para a própria volta da tortura contra adversários políticos.

A Lei de Anistia precisa ser revisada?

É, muito mais, uma questão de mudança da interpretação. O texto da Lei de Anistia, não permite que os torturadores fiquem impunes, muito pelo contrário. Não acho que haja necessidade de modificar o texto. Basta aplicá-lo como ele é, segundo uma interpretação jurídica e não ideológica.
Alguns dos que votaram pela impunidade no STF– incluindo o relator, ministro Eros Grau, que foi torturado na ditadura – referiram-se à ação dos torturadores como “crimes conexos”. A Lei de Anistia impediria puni-los. Como o senhor interpreta isso?

É lamentável que um juiz da Suprema Corte não saiba o que são realmente delitos conexos. Quando a lei usa um termo técnico, como é no caso – “crime conexo” é um termo técnico em direito penal –, é preciso saber qual sua definição. Os “crimes conexos” são aqueles cujas finalidades são as mesmas do ato principal praticado. Por exemplo, um ladrão entra na sua casa, rouba, e, para evitar que existam provas, incendeia a casa. São dois crimes conexos: o roubo e o incêndio da casa. Há uma identidade de fins: a finalidade era roubar e não ser punido.

Mas se o ladrão entra na casa, rouba, é preso e depois morto pela polícia, não há nenhuma ligação entre um fato e outro, do ponto de vista das suas finalidades. Num, o ladrão queria roubar. No outro, o policial mata o ladrão. Então, você não pode dizer que há conexidade nestes dois casos, pois as finalidades de um e de outro crime são diferentes. É como nesse caso da Anistia. Os opositores do regime cometeram crimes que a lei diz que, depois de algum tempo, não podem ser punidos. Mas se trata de crimes praticados contra o Estado repressor. Ideologicamente, eles não têm nada a ver com os crimes praticados pelos agentes do Estado.

Pode-se dizer, então, que a diferença básica é a finalidade?

Exatamente. A finalidade dos crimes praticados pelas pessoas que eram contrárias ao regime era política. Os crimes praticados pelos agentes do Estado não têm finalidade política. São crimes contra a humanidade e, por esse motivo, imprescritíveis. Quando a Lei de Anistia fala em “crimes conexos”, você não pode interpretar a conexidade senão de um lado e de outro. Quer dizer, você pode ter pessoas que cometeram crimes contra o Estado conexos entre si, mas você não pode ligar estes crimes aos cometidos pelos agentes do Estado para beneficiar a si próprios. Ou seja, os agentes do Estado agem por outra finalidade. No caso, para manter a ditadura.

Alguns juristas e políticos alegam que uma revisão da Lei de Anistia poderia abalar a estabilidade democrática do país, baseada num “pacto de conciliação”. Quebrá-lo seria “revanchismo”. Na sua opinião, esse “ pacto” encontra algum respaldo jurídico e social?

Não houve pacto algum. É um absurdo falar em “conciliação” quando os militares detinham o poder Executivo e o comando do Legislativo. Havia dois partidos, Arena e MDB – o primeiro, o povo chamava de “o partido do sim”, o segundo de “o partido do sim senhor”. Quer dizer, num contexto como esse, você não pode encontrar consenso da sociedade civil com relação à lei que foi promulgada.

O artigo 5º da Constituição reza, em seu inciso XXXVI, que “a lei não prejudicará o direito adquirido”. Já vi juristas usarem este argumento como forma de defender a inconstitucionalidade de uma revisão da Lei de Anistia. Argumentam que a lei não pode retroagir em prejuízo do acusado. Isso é aplicável ao caso?

Não é aplicável, porque existem tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, que dizem que os crimes contra a humanidade são imprescritíveis. Veja bem: não são crimes que se esgotam naquele momento. O homicídio se esgota, mas outros crimes não, como, por exemplo, o sequestro. Você tem pessoas que despareceram e até hoje não se sabe seu paradeiro. Podem ter sido mortas, mas você precisa provar que elas foram mortas para desaparecer o crime de sequestro. É um crime continuado: persiste no tempo. Foi praticado ontem, continua existindo hoje e continuará amanhã. Não existe prescritibilidade desses crimes.

Alguns juristas alegam que, por a Lei de Anistia ser questão exclusivamente brasileira, ocorrida em território nacional, a competência da Suprema Corte é absoluta e a das cortes internacionais, nenhuma. Qual sua posição?

Em 1998, o Brasil reconheceu a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ela não tem o poder de revogar a decisão do STF. Mas, desde o momento em que o Brasil reconheceu a jurisdição, tem que se submeter à Corte. Porque reconheceu de boa fé, não foi obrigado a isso. Esse reconhecimento vale para todos os crimes que forem a julgamento pela Corte Interamericana e forem imputados ao Brasil. Acho que a Corte Interamericana, de acordo com a sua jurisprudência e conforme já julgou com relação a outros Estados, mostrará que não existe auto-anistia.

Porque o que se busca hoje no Brasil é o reconhecimento da auto-anistia. Um governo que cometeu crimes pode anistiar a si próprio? Isso não existe! Anistia existe para proteger pessoas que num dado momento, por motivos políticos, cometeram crimes. Para pacificar a sociedade, você considera este crimes inexistentes. Mas não os crimes praticados pelo Estado. Isso já se constituiu numa jurisprudência pacífica da Corte Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos. Não tenho dúvida nenhuma de que a corte vai condenar o Estado brasileiro. Não pela manutenção de uma lei — mas pela interpretação errada dada a ela pela justiça brasileira, que vem acudindo os torturadores e aqueles que, a serviço do Estado, eliminaram pessoas durante o período da ditadura militar.

Caso a Corte Interamericana condene o Brasil, quais são os caminhos legais para que a interpretação atual dada à lei de Anistia seja revertida?

Quem pode mudar uma decisão do STF? Só o próprio STF. No caso de uma condenação pela Corte Interamericana, penso que o Ministério Público Federal terá que atuar, fazendo com que esse processo surta efeito no Brasil. A corte não aplica sanções. Caso o Brasil não cumpra uma decisão, ela relata esse fato à Assembléia Geral dos Estados Americanos. Esta, sim, pode punir os países-membros com sanções. Ou pode não punir, porque a OEA é um órgão eminentemente político. De qualquer maneira, acho que a situação do Brasil no que diz respeito aos direitos humanos na área internacional vai ficar muito ruim. Como é que fica o STF? Está agindo contra os direitos humanos e isso poderá ter consequências futuras.

Há algum caso precedente em que o STF reviu uma decisão adotada por si próprio?

Nunca aconteceu. O STF nunca reverteu uma decisão; mas também nunca teve, contra si, ação numa corte internacional. Possivelmente, o precedente terá de ser criado agora.

A eventual manutenção do entendimento do STF poderia contribuir para tornar a tortura prática corriqueira no Brasil?

Acho que sim. No momento em que estamos conversando, com certeza a tortura está sendo praticada em algum lugar do Brasil. Temos lei específica contra a tortura, adotada na década de 1990 mas até hoje na gaveta. A punição dos torturadores da ditadura seria muito positiva para enfrentar esta prática.

Mas ela é importante também por motivos políticos. Uma sociedade que se diz contra a tortura, mas não pune quem a pratica, está se expondo a riscos. Se, num momento político qualquer, houver restrições à democracia – ou distorções, como as que estão presentes em alguns países da América Latina – haverá mais possibilidades de a tortura contra adversários políticos também voltar, porque criou-se a cultura de impunidade.

Observadas as diferenças contextuais, o senhor, conhecido como o homem que revelou e denunciou o “Esquadrão da Morte”, acha que as polícias militares estão preparadas para exercer o policiamento ostensivo?

Não estão. Elas são absolutamente repressivas. Isso vem da própria constituição das corporações, que não são civis. Estão presas, em seu planejamento, às determinações do exército. Agem na rua como se estivessem numa guerra. O indivíduo é um marginal e o marginal tem que ser morto. É a lei da eliminação. É o que está acontecendo em São Paulo, por exemplo, com o aumento de homicídios pela PM de cerca de 40%, com relação ao ano passado.

Há cerca de uma ou duas semanas, neste Estado, um civil foi morto por policiais militares dentro de um quartel. Simplesmente levaram o rapaz lá para dentro e mataram. Um outro foi morto a pancadas na frente de sua casa e diante da mãe. Foi em dias diferentes. Eram dois motoboys, que não estavam armados; dois trabalhadores que foram mortos. Agora vamos ver se as pessoas serão processadas e punidas de acordo com a lei. Tenho minhas dúvidas…

Como enfrentar esta truculência policial?

Enquanto não se transformar a polícia num organismo civil, com carreira única e com profissionalismo policial, teremos o que está acontecendo hoje em São Paulo e no Brasil. Essa truculência é herança da ditadura.

Quer dizer, ainda há no Brasil figuras que se assemelham ao delegado Fleury?

Há sim. Basta observar que há, nos grupos de extermínio, muitos policiais militares.
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*Ana Helena Tavares é escritora e poeta eternamente aprendiz. Jornalista por paixão e futura jornalista com diploma, é colunista da “Revista Médio Paraíba” e editora/administradora do blog Quem tem medo do Lula?

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COMO PENSAM AS ELITES ECONÔMICAS – A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA

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Laerte Braga


Na cabeça de um empresário como Antônio Ermírio de Moraes ser brasileiro é algo natural, como ser francês, inglês, alemão, desde que prevaleça um modelo político, econômico e social que não afete os seus negócios.

Ele e qualquer grande empresário ou qualquer corporação. Tanto faz que o presidente seja Barack Obama, ou tenhamos uma chanceler Angela Merkel, isso é o de menos. Elites econômicas são apátridas e não enxergam um milímetro sequer além dos seus interesses que, em última instância, são os interesses do império neoliberal que subjuga e se sustenta na exploração da maior parte das nações do mundo.

O jornal inglês THE GUARDIAN afirma em matéria dessa semana que o governo de Israel ofereceu armas atômicas ao regime branco para exatamente reprimir e impedir a perspectiva de democracia na África do Sul.

Está em


ou


Não se pode dizer que THE GUARDIAN seja “agente” do “terrorismo internacional”. A publicação está dentro dos padrões conservadores da Grã Bretanha e tem credibilidade junto às forças dominantes.

Alejandro Peña Escusa, um dos líderes da oposição a Chávez na Venezuela, usou a mídia privada – podre e venal como a do Brasil – para conclamar as forças de seu país a irem às ruas pedir a renúncia do presidente da República, eleito pelo voto direito, confirmado pelo voto direto, chamando atenção para o fato que o processo eleitoral não é o único instrumento para a luta das elites. E já antecipa a derrota eleitoral de seu grupo em setembro – eleições parlamentares –, quando denuncia o sistema eleitoral como “viciado”.

Consciente da força popular de Hugo Chávez os movimentos de oposição (banqueiros, especuladores, grandes corporações, mídia sob controle internacional) recomeçam com força total a pregação golpista. Sabem que a vitória parlamentar de Chávez – seu mandato termina em 2012 – ampliará as conquistas do regime bolivariano e estreitará a barbárie gerada pelo capitalismo neoliberal das elites venezuelanas.

Se essas elites vão ser governadas a partir de Miami, ou de Washington, pouco importa, importa que permaneçam intactos os seus privilégios, como importou a Israel oferecer ajuda aos brancos da África do Sul, regime nitidamente fascista.

Quando o presidente do Irã Ahmad Ahmadinejad afirma que o Holocausto não passa de uma farsa, não está dizendo que não existiu. Está afirmando que não é privilégio do povo judeu. Morreram nos campos de concentração de Hitler milhões de judeus, ciganos, negros, homossexuais, minorias étnicas e presos comuns, simples adversários do nazismo. Morreram nos campos de batalhas milhões de soldados para impedir o domínio nazista. Em vão. Vinte milhões de cidadãos da antiga União Soviética morreram para garantir a vitória contra o nazismo.


Os EUA e Israel formaram e formam atuando com força total o conglomerado terrorista  EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, sucessora da SPECTRE (James Bond acabou com a organização e a nova preenche esse espaço de terrorismo, extorsão, chantagem e vingança, princípios fundamentais do novo/velho conglomerado).

Qual a diferença entre o regime branco da África do Sul, que manteve Nelson Mandela preso por três décadas e o de Hitler? Ou do massacre imposto ao povo palestino pelo governo sionista de Israel?

Ou o campo de concentração de Guantánamo.

São reedições dos campos de Hitler.

O presidente Chávez da Venezuela baixou decretos para conter a especulação com dólares no mercado paralelo, com ações, toda aquela fantasia de bolsa de valores, onde o sujeito enrique num dia em meio a trampolinagens e doleiros.

Foi o suficiente para as elites se revoltarem e pedirem a renúncia de Chávez e a exigir “democracia”. Mas longe das urnas.

O acordo firmado pelo presidente Lula, o primeiro-ministro turco e o Irã refletiu a vontade do mundo, inclusive da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A nos comerciais entre as notícias mentirosas de cada JORNAL NACIONAL em cada William Bonner (são produzidos em série).

Só não interessava ao conglomerado terrorista (EUA/ISRAEL S/A). Uma coisa é defender a paz, outra coisa é viver da guerra, da barbárie imposta a outros povos. O imperialismo sustenta-se aí. Ou alguém acredita que a fome e toda a sorte de problemas que dizima o continente africano é produto da vontade dos africanos?

São políticas deliberadas. Postas em prática segundo as conveniências dos “negócios”.

A simples hipótese de um bloco político e econômico latino-americano, o que o general Colin Powell chamou de “mercado de um trilhão de dólares”, assusta o terrorismo econômico e militar de EUA e Israel.

Tanto quanto derrubar o governo do presidente Hugo Chávez e assim, no velho efeito dominó, o da Bolívia, do Equador, neutralizar a Argentina, o Uruguai, o Paraguai, recuperar o controle sobre a Nicarágua, El Salvador, destroçar Cuba e acima de tudo, impedir que o Brasil continue de pé, livre, soberano e senhor de seu destino de grande potência, elegendo aqui, em outubro, José Arruda Serra, velho funcionário da empresa com sede em Washington.

Quando Alejandro Peña Esclusa vai à mídia podre e venal controlada do exterior, da matriz e pede a derrubada do presidente Chávez, está apenas fazendo o que elites econômicas brasileiras, colombianas, argentinas, etc, fazem.

Não têm pátria. Não importa a Ermírio de Moraes que o governo tenha sede em Brasília ou em Washington, importa que “os negócios” fluam. Ou por outra, se as ordens vierem de Washington tanto melhor, elimina-se o risco Lula, o risco Dilma, o risco Chávez.

A grande maioria da opinião pública quando escuta falar em Somália, imagina piratas saqueando navios com bandeiras de nações democráticas. Por acaso alguém se pergunta sobre o lixo hospitalar despejado por países europeus em águas somalis? Lixo nuclear? Não fosse um tsunami a revirar o fundo do mar e trazer a tona esse lixo ninguém saberia. Mas os efeitos predadores sobre os somalis e o mundo se faziam e se fazem sentir.

O caminho para isso? Transformar os somalis em “piratas”.

Obama quer mandar mais cem mil homens ao Afeganistão. Está perdendo a guerra. Um atoleiro semelhante ao Vietnã. Neste mês de maio foram duas derrotas militares de vulto uma delas cedendo uma das maiores bases do terrorismo de EUA/ISRAEL S/A aos que lutam pela independência real do Afeganistão.

Os jornais norte-americanos dão conta que o número de mortes por conta do uso de heroína aumentou de forma assustadora nos EUA. A droga chega aos EUA através do Afeganistão. Não são poucos os soldados, oficiais e comandantes destituídos de seus postos por envolvimento com o tráfico, tal e qual na Colômbia, onde o presidente é um dos “filhos” de Pablo Escobar.

Paul Craig Roberts, ex-secretário assistente do Tesouro no governo Ronald Reagan (extrema-direita), em artigo publicado no jornal WASHINGTON TIMES, levanta sérias dúvidas sobre o 11 de setembro, as conclusões a que chegou o governo Bush. Deixa claro que tudo sugere que o atentado não passou de uma farsa e que cada vez aumenta o número dos que assim enxergam, pois pouco a pouco as mentiras do governo vão sendo descobertas.

O artigo pode ser lido em


Setores da chamada sociedade civil organizada nos EUA resistem às “verdades” do governo e vão desde engenheiros e arquitetos peritos (a queda das torres gêmeas) a bombeiros que se autodenominam “bombeiros da verdade”, pela simples constatação que vivem uma grande mentira. Não querem ser partícipes desse terrorismo com sede em Washington.

Craig, um homem do sistema, cita e mostra que os acionistas de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A necessitavam de um novo Pearl Harbour (ataque japonês de surpresa a essa base militar na IIª Grande Guerra) para justificar a guerra do Iraque, a guerra do Afeganistão, a nova onda de golpes na América Latina, a ofensiva contra o Irã e Israel, em si uma aberração se levarmos em conta que o estado judeu virou um estado nazi/fascista que não permite que judeus do porte de Noam Chomsky entrem em seu território por não aceitar as idéias arianas dos genocidas do povo palestino.

Em tempo algum desejaram a paz. Vivem da guerra. Como disse Lula, “tem gente  que não vive sem inimigos, eu prefiro fazer amigos”.

Para as elites econômicas, em qualquer lugar do mundo, o que importa são os “negócios”.

No caso específico da América Latina, a integração dos países da região contraria interesses podres dessa gente que em si e por si é podre. Daí que figuras como Chávez vão ser sempre demonizados. Faz parte do processo de transformação do ser humano em objeto na escravidão que o capitalismo impõe. 

Nos Porões da Ditadura, uma Flor





Os primeiros capítulos do meu romance “Nos Porões da Ditadura, uma
flor..” estão à disposição na minha pagina ( ( http://clubedeautores.ning.com/profile/GeraldoCelioDantasPoderoso ) ) para avaliação dos amigos leitores. Infelizmente não foi possível
postar no formato PDF, o importante é o conteúdo da obra.
Obviamente o objetivo é obter o seu voto ao I Prêmio Clube de Autores de
Literatura Contemporânea. A votação é simples: acesse http://premio.clubedeautores.com.br/ ou clique aqui! Todas as informações necessárias estão lá e a inscrição é feita inteiramente online! Qualquer pessoa pode votar. Conto com o apoio de todos os amigos.

Atenciosamente: Geraldo Dantas Poderoso 

Terrorismo Delivery

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Risco para o Estado de Direito nos EUA: Ordens de Petraeus misturam operações militares e de espionagem no Oriente Médio

Juan Cole, Informed Comment

Memorando de 7 páginas, que foi examinado pelo New York Times, assinado pelo comandante geral das Forças Especiais no Afeganistão-Paquistão general David Petraeus, autoriza os soldados dos EUA a participar de ações clandestinas para obter informações de inteligência do Oriente Médio “estendido’ [ing. “greater Middle East”]. Matéria publicada hoje naquele jornal deixa claro que o memorando autoriza equipes militares a envolver-se em situações de conflito não convencionais, em países inimigos e em países aliados.

Críticos já manifestaram preocupações de que as novas ordens apaguem a linha que separa soldados regulares e espiões, e enfraquecem o direito de todos os soldados de exército regular a receber tratamento humanitário, nos termos das Convenções de Genebra.

Minha opinião é que os EUA somos Estado de Direito, governado por leis, não por homens, e que o canto de sereia das operações clandestinas mina, antes de tudo, o Estado de Direito. Apagar a linha que separa a ação militar e a ação de espiões torna impossível informar a opinião pública sobre tudo, inclusive as ações militares, porque operações clandestinas são secretas, é claro. O mesmo vale para ataques com aviões-robôs não tripulados.

Ações militares que incluam a ação de aviões-robôs armados só podem [se puderem!] ser conduzidas por militares regulares. De modo algum podem ser entregues a agentes da CIA nem – e muito menos – a empresas privadas.

A ação comandada por militares respeita o direito de os cidadãos norte-americanos discutirem o que se faz em seu nome, como é regra nas repúblicas democráticas. Do modo como as coisas passarão agora a ser feitas, pode muito bem acontecer de pilotos a serviço de empresas privadas pilotarem à distância os aviões-robôs, e não haverá como fazê-los responder aos servidores públicos eleitos – nem ao Presidente. No caso de os EUA atacarem países aliados, haverá um acordo pressuposto legal que garantirá o sigilo das ações.

Serviço de espionagem é serviço das agências públicas civis. Quanto mais as capacidades militares passarem a ser usadas pelas agências de espionagem, menos a sociedade saberá o que é uma coisa e outra. Os mais prejudicados, nessa mistura inaceitável, sempre serão os soldados. Já há a tendência clara, em todo o Oriente Médio, de as populações locais verem todos os norte-americanos como espiões da CIA. Nessas circunstâncias, obrigar soldados a participar de missões clandestinas de espionagem agrava a situação de risco, primeiro, para os próprios soldados.

Os EUA ainda podemos ser Estado de Direito? Esperemos que sim. Se já não for tarde demais.

A postagem original, em inglês pode ser lida em:

Informed Comment

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Agência Assaz Atroz

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terça-feira, 25 de maio de 2010

Pedro e os LOBOS - Vi, Li e amei. Indico

 Abaixo um 'papo' com o Jornalista e camarada,

Roberto Laque

autor do Livro Pedro e os Lobos ( retirado do Perfil do proprio em sua página do Orkut:


Sou jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, universidade onde também estudei História.
Durante sete anos estive mergulhado numa tarefa árdua, mas muito interessante: 
escrever a biografia de uma das pessoas mais fascinantes que já conheci - Pedro Lobo de Oliveira - e ainda fazer uma viagem pela luta armada durante os Anos de Chumbo.
E espero que o livro tenha ficado bom. Quem quiser conferir é só me mandar seu e-mail pra receber em PDF as primeiras 60 páginas - mais toda a estrutura da obra e alguns capítulos selecionados - ou entrar no site www.pedroeoslobos.com.
Fascínio
Meu interesse pelas ações da guerrilha começou em outubro de 1971, quando eu tinha ainda 11 anos e vi, aqui na Vila Ema - extrema periferia de São Paulo a época - um ônibus ser queimado por um comando da ALN sob a chefia do estudante de Medicina Gerson Reicher. 
Nunca mais esqueci o depoimento que ouvi do cobrador: "Eram dois moços e uma moça. Eles pediram pra eu tirar a marmita e o dinheiro da féria do dia porque não queriam prejudicar ninguém do povo, só protestar contra o aumento do preço das passagens".
Numa parede próxima ficou a primeira pichação que vi na vida: BRASIL PARA OS BRASILEIROS - COMANDO MARIGHELLA. 
Na adolescência,  a leitura de uma matéria na Folha de S. Paulo narrando a fuga de Lamarca no Vale do Ribeira aumentou meu fascínio pelo tema num período em que era proibidíssimo se tocar no assunto.
Conheci Pedro Lobo em 1982, e muito de passagem, no escritório do Airton Soares (então deputado pelo PT) e ele me disse que pertencera a organização do Capitão da Guerrilha. Aí vi a chance de mergulhar de cabeça neste período fascinante da nossa história escrevendo um livro sobre o assunto.
Mas foi sé em 2003 que consegui localizar o Pedro de novo e iniciar as entrevistas que desaguaram na obra. E ela foi crescendo com a inclusão de todas as ações armadas que consegui apurar, com os fatos decorrentes da renúncia de Jânio, da posse de Jango, do golpe e o perfil de todos os governos militares. 
Procurei fazer capítulos curtos e usar uma abordagem jornalística, pois pretendo que o livro seja lido e entendido por todo mundo.
Agora que ,meu trabalho está prestes a chegar às livrarias - já está a venda no site em primeiríssima mão - espero que tanto empenho tenha dado resultado.
 

Israel

Dilema para Israel: Frota da Liberdade de Gaza se aproxima
A Frota da Liberdade de Gaza, oito navios de vários países, inclusive um de bandeira turca, se aproxima do litoral da Palestina, levando suprimentos para seus habitantes. Isso, segundo o jornalista Ron Forthofer, em http://www.palestinechronicle.com/view_article_details.php?id=15985, em inglês, cria um dilema para Israel. As autoridades israelenses haviam anunciado que não permitiriam o desembarque desses navios. Mas, como a Turquia faz parte da Otan, diz Forthofer, a Otan teria de intervir contra Israel se o navio turco for interceptado. O desenlace deverá ocorrer nos próximos dias.
(Blogue do Renatão)

Liberalização

''A liberalização está entrincheirada. Ela não morreu e, como Fênix, ela ressurge das cinzas''. Entrevista especial com Reinaldo Gonçalves


"As conseqüências são previsíveis. Espera-se o maior esgarçamento do tecido social (via, por exemplo, contração do grau de universalização dos direitos sociais e econômicos), piora nas condições de trabalho, maior exploração do trabalhador, concentração da riqueza e da renda e crescente tensão nas relações, processos e estruturas políticas", afirma Reinaldo Gonçalves, em entrevista concedida à IHU On-Line, por email.
Segundo ele, " a Grécia é um “vagão de 3ª classe” no cenário internacional. Se este país não estivesse na zona do euro, a crise grega não teria um milésimo da repercussão que tem tido. Insisto que não há uma crise na zona do euro". "O que ocorre na Grécia atualmente - continua - é um fenômeno bastante conhecido no Brasil e no restante da América Latina. Ou seja, houve aumento extraordinário do passivo externo que levou a percepção de risco a níveis críticos. Nenhuma novidade para nós, inclusive no passado recente!"
E Reinaldo Gonçalves alerta: "Parte da crise da Grécia é explicada pelos gastos extraordinários provocados pelas Olimpíadas em Atenas em 2004. Em sociedades com frágil institucionalidade, mega-projetos são o fértil campo de cultivo de práticas de corrupção e da incompetência". Tendo em vista a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, "há alta probabilidade que o Brasil cometa os mesmos erros dos gregos (endividamento interno e, principalmente, externo) que quebrarão as finanças públicas e o sistema financeiro brasileiro no pós 2014-16! Fica o alerta porque a conseqüência é o país entrar em mais uma longa trajetória de instabilidade e crise", afirma.
O economista conclui a entrevista com uma descrição do que é ser esquerda no momento atual.
Reinaldo Gonçalves é professor titular de Economia Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entrre outros, ele é autor (em co-autoria com Luiz Filgueiras) do livro “A Economia Política do Governo Lula”. Rio de Janeiro: Editora Contraponto, 2007.
Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em sua opinião, qual o resultado da recente crise do Euro? O que esse episódio revela sobre possíveis mudanças no cenário econômico mundial?
Reinaldo Gonçalves - Não há uma “crise do euro” e, sim, uma crise localizada na zona do euro. A União Européia, bem como o subsistema monetário europeu (zona do euro) é marcado por forte assimetria. A atual crise é, fundamentalmente, financeira e está localizada, principalmente, na Grécia e com risco de atingir de forma mais aguda outros países como Portugal, Irlanda e Espanha. A desvalorização do euro não é, por si só, um problema para os países europeus. Na realidade, esta desvalorização permite aumentar as exportações, ao mesmo tempo em que reduz as importações. Ou seja, a desvalorização do euro é muito útil para promover a retomada do crescimento. O problema das graves crises localizadas em países de pouca importância (como Grécia e Portugal) é que o mercado fica operando num contexto de maior incerteza frente aos cenários futuros de intervenção para enfrentar estas crises. Como estes países estão na zona do euro, os atores protagônicos são a Alemanha e a França. Por um lado, os dirigentes alemães estão focados na proteção dos seus bancos, principalmente, aqueles que fizeram operações de grande risco na periferia da Europa e que, agora, enfrentam problemas. Daí a reação do governo alemão no sentido de maior regulamentação dos seus bancos. Por outro lado, para o governo da Grécia a regionalização da crise é útil visto que seus objetivos são evitar a quebra do seu sistema financeiro (grandes bancos), obter taxas de juros internacionais menores para financiar o serviço do passivo externo e usar os esquemas plurilateral (União Européia) e multilateral (FMI). Estes esquemas permitem a obtenção de recursos externos como também legitimar medidas duras de ajuste que implicam queda do nível de bem-estar da maioria da população.
IHU On-Line - Que tipo de capitalismo surge a partir deste episódio?
Reinaldo Gonçalves - No horizonte previsível o capitalismo não sofrerá transformações importantes. A questão da regulação/intervenção versus livre mercado está na própria origem do sistema. Esta é, de fato, uma questão pendular. Ou seja, em fases ascendentes do ciclo econômico o capital pressiona e obtém maior liberdade de atuação e nas fases descendentes o Estado, atendendo às pressões dos trabalhadores, à própria necessidade de governabilidade e aos interesses do grande capital, passa a ser pró-ativo na intervenção, protecionismo e regulação. No processo de proteção frente ao “moinho satânico” do mercado, o Estado protege o grande capital nacional. Portanto, no horizonte de curto e médio prazo haverá pressão e implementação de medidas de intervenção, proteção e regulação; porém, quando o espectro de crise desaparecer do cenário, retorna a pressão para a liberalização, desregulamentação e privatização. Em outras palavras, o capital tem como um dos seus “pecados originais” a síndrome da privatização dos benefícios (próprios da fase ascendente do ciclo econômico) e da socialização dos prejuízos próprios das crises econômicas.

IHU On-Line - Quais são as conseqüências de um possível desmantelamento do estado de bem-estar social?
Reinaldo Gonçalves - As conseqüências são previsíveis. Espera-se o maior esgarçamento do tecido social (via, por exemplo, contração do grau de universalização dos direitos sociais e econômicos), piora nas condições de trabalho, maior exploração do trabalhador, concentração da riqueza e da renda e crescente tensão nas relações, processos e estruturas políticas. A institucionalidade também sofre abalos em decorrência do acirramento da disputa pelos recursos controlados pelo Estado. Ou seja, aumenta a rivalidade entre grupos e classes sociais. Isto não é, necessariamente, um problema. Ele pode ter resultados positivos. O caso recentíssimo é a tentativa do governo dos EUA de implementar uma reforma socialmente mais justa do sistema de saúde. Outro exemplo, a sociedade grega “pede a cabeça” dos dirigentes políticos que, de uma forma ou de outra, foram responsáveis pela crise recente. Na atualidade, a institucionalidade da União Européia está sofrendo as consequências da crise. Esta pode ser a oportunidade para se questionar se, efetivamente, a estratégia de ampliação do esquema implica benefícios líquidos para os atores protagônicos.
IHU On-Line - Em que medida a crise na zona do Euro pode ser exemplo para as demais economias do planeta?
Reinaldo Gonçalves - A Grécia é um “vagão de 3ª classe” no cenário internacional. Se este país não estivesse na zona do euro, a crise grega não teria um milésimo da repercussão que tem tido. Insisto que não há uma crise na zona do euro. Na Alemanha, por exemplo, há um nítido processo de recuperação. Em 2009 a renda alemã caiu 5%, mas para 2010 e 2011 as previsões são de crescimento de 1,2% e 1,7%, respectivamente. A retomada do comércio internacional é um dos fatores determinantes. A desvalorização do euro dá um reforço à enorme competitividade internacional da Alemanha. No que se refere às lições que podemos aprender com os gregos, vale destacar que não há nada de novo. De fato, o que ocorre na Grécia atualmente é um fenômeno bastante conhecido no Brasil e no restante da América Latina. Ou seja, houve aumento extraordinário do passivo externo que levou a percepção de risco a níveis críticos. Nenhuma novidade para nós, inclusive no passado recente!
IHU On-Line - Como o Brasil pode aprender com o episódio e em que medida a política econômica do governo Lula se relaciona com esta questão?
Reinaldo Gonçalves - Quanto ao presente e ao futuro do Brasil, a questão-chave é, mais uma vez, o passivo externo. A estratégia e a política econômica do governo Lula tem implicado crescimento do passivo externo do país. Déficit de transações correntes de US$ 60 bilhões em 2010 significa aumento não desprezível do passivo externo. Esta é uma cessão de direitos que envolvem fluxos de pagamento de juros, lucros e dividendos. Durante o governo Lula houve crescimento elevado do passivo externo e destes fluxos e, portanto, maiores necessidades de financiamento externo. Este é um problema estrutural e, certamente, fará parte da “herança maldita” do governo Lula. Cabe, ainda, chamar atenção para riscos futuros associados aos megaprojetos de gastos públicos associados a eventos como Copa do Mundo de futebol em 2014 e Olimpíadas em 2016. Parte da crise da Grécia é explicada pelos gastos extraordinários provocados pelas Olimpíadas em Atenas em 2004. Em sociedades com frágil institucionalidade, mega-projetos são o fértil campo de cultivo de práticas de corrupção e da incompetência. Há alta probabilidade que o Brasil cometa os mesmos erros dos gregos (endividamento interno e, principalmente, externo) que quebrarão as finanças públicas e o sistema financeiro brasileiro no pós 2014-16! Fica o alerta porque a conseqüência é o país entrar em mais uma longa trajetória de instabilidade e crise.
IHU On-Line - Qual o futuro da proposta de livre mercado, sem regulação do Estado?
Reinaldo Gonçalves - A liberalização está entrincheirada. Ela não morreu e, como Fênix, ela ressurge das cinzas. A questão central é que livre mercado e intervenção/regulação são os “dois lados da moeda” do capitalismo. É um pêndulo eterno, pelo menos enquanto durar o capitalismo! As experiências, por exemplo, da Alemanha e dos países nórdicos mostram que mais concorrência pode estar associada a mais regulação/intervenção. Nas “transformações genéticas” como o sistema chinês, onde o capitalismo mais dinâmico do planeta é comandado pelo Estado comunista, a extraordinária rivalidade no mercado internacional (no qual a China é “maratonista”) tem como contrapartida, no plano interna da China, um igualmente extraordinário aparato regulatório e interventor. Ou seja, o capitalismo “campeão mundial” é o capitalismo que tem como pilar central o Estado-nacional altamente interventor e regulador pilotado ditatorialmente por um partido comunista que aloca oportunidades de negócios para associados dos grupos dirigentes.

IHU On-Line - O que caracteriza a mudança que temos acompanhado na Europa e no mundo todo, de certa maneira, na forma de viver e trabalhar?
Na realidade, não há nada de muito novo. É a velha história: Plus ça change, plus c´est la même m... Certamente, as tensões próprias às crises implicam piora na qualidade de vida e nas condições de trabalho. Por outro lado, há o lado positivo que é o mecanismo desafio-resposta. Ou seja, frente aos problemas, as sociedades tendem a reagir, de uma forma ou de outra. Estas reações podem ser na direção de um caminho favorável ou não. Cabem aqui duas comparações. A primeira é a Alemanha do pós I Grande Guerra, que escolheu o caminho do nazismo, da guerra, da derrota e do sofrimento. Por outro lado, no pós II Grande Guerra a Alemanha faz escolhas corretas que geraram uma das mais ricas e estáveis sociedades do mundo. A segunda comparação refere-se ao Brasil que, frente à crise do final dos anos 1920, foi capaz de dar um salto quântico e entrou na trajetória desenvolvimentista que durou até 1979. Por outro lado, o Brasil dos últimos 20 anos optou por um Modelo Liberal Periférico de segunda ou terceira classe que implica crescente vulnerabilidade externa estrutural nas esferas comercial (reprimarização), produtiva (internacionalização sem competitividade), tecnológica (ineficiência sistêmica) e financeira (liberalização e desregulamentação).
IHU On-Line - Qual sua opinião sobre programas de renda mínima no cenário econômico e financeiro mundial?
Reinaldo Gonçalves - Programas de renda mínima, transferência previdenciárias, ajustes de salário mínimo e câmbio apreciado são paliativos que mascaram a enorme concentração de riqueza e só marginalmente afetam a distribuição intra-renda do trabalhador e dos grupos de menor renda. Eles são elementos auxiliares em um processo efetivamente transformador da sociedade, mas são entraves caso eles desviem, sufoquem ou inibam os esforços de efetivas mudanças estruturais. Este fenômeno é exatamente o que está acontecendo em países como Brasil, Colômbia, Paraguai e México que seguem variações do modelo liberal periférico. Quem quiser saber mais sobre este modelo no Brasil, recomendo o livro (em co-autoria com Luiz Filgueiras) “A Economia Política do Governo Lula” (Rio de Janeiro: Editora Contraponto).
IHU On-Line - Simplesmente condenar o capitalismo não é a saída. Que caminhos o senhor vislumbra?
Reinaldo Gonçalves - Antes de mais nada precisamos escapar das fortes limitações das visões das “raparigas em flor do keynesianismo” e dos “heróis em sangue do marxismo”. Penso que as escolhas e os caminhos são, sem dúvida, pela esquerda. Insisto que este caminho significa reconhecer que o capitalismo é um sistema irracional que inibe a capacidade do ser humano dar sentido à vida, ou seja, viver com dignidade, felicidade e liberdade. Ser de esquerda é o combate permanente por um projeto de orientação socialista. É ignorância imaginar que ser de esquerda se restringe a defender bandeiras como progresso econômico, reforma social, democracia, integração regional e interesses nacionais. O centro e a direita também defendem estas bandeiras, de uma forma ou de outra. É má-fé imaginar que a distinção entre esquerda e direita se restringe ao ideário econômico via a armadilha binária “estado versus mercado”. Defender um Estado que é capturado por grupos dirigentes corruptos não é ser de esquerda. Ser de esquerda implica combater implacavelmente estes grupos dirigentes e os setores dominantes retrógrados. Ser de esquerda implica compromisso com distribuição de riqueza (maior igualdade possível na distribuição de riqueza, renda e conhecimento), controle social do estado (combater a apropriação do estado por grupos dirigentes e grupos econômicos) e uso social do excedente econômico (tributação, planejamento e propriedade pública dos principais meios de produção). Ser de esquerda implica rejeitar tanto a política externa do “vira-lata” como a do “camaleão falante” baseada em um antiimperialismo retórico, ocasional e superficial. Ser de esquerda é contrariar o agronegócio e procurar o fortalecimento do padrão de comércio e a rejeição da reprimarização do comércio via commodities; ser de esquerda é contrariar o capital internacional e ter uma política seletiva e criteriosa em relação aos investimentos de empresas estrangeiras e não estimular e financiar com recursos públicos todo e qualquer tido de investimento externo direto; ser de esquerda é reduzir as transferências de recursos para os rentistas da dívida pública e procurar investir pesadamente na maior capacitação tecnológica com saltos quantitativos e qualitativos na educação e no sistema nacional de inovações; ser de esquerda é contrariar os bancos nacionais e os estrangeiros e controlar os fluxos financeiros internacionais e não dar tratamento especial a estes fluxos. Ser de esquerda é não fazer aliança com países avançados, como os EUA, para fechar rodadas de negociação da OMC somente para favorecer o agronegócio. Ser de esquerda é não aceitar o pagamento de pedágio para participar de fóruns internacionais de eficácia duvidosa, como o G-20 financeiro. Ser de esquerda é rejeitar reforçar o capital de instituições financeiras multilaterais como FMI e o Banco Mundial cujas políticas tendem a submeter países frágeis a práticas que atendem, principalmente, aos interesses do capital internacional. Ser de esquerda é entender que os principais adversários das transformações estruturais e de modelo estão dentro do próprio país. Ser de esquerda é reconhecer que há um enorme hiato entre o poder potencial e o poder efetivo do Brasil na arena internacional. Ser de esquerda é saber que, com as escolhas certas e as transformações estruturais, o país só terá peso efetivamente relevante no cenário internacional quando reduzir sua enorme vulnerabilidade externa estrutural e suas extraordinárias fragilidades internas, inclusive, as sociais e institucionais.
Para ler mais:
• O momento neoliberal do capitalismo terminou. Qual será o novo momento? Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo
• Um capitalismo cada vez mais regulado pelo Estado. Entrevista especial com Rubens Ricupero
Nota: A crise estará em debate na revista IHU On-Line desta semana com entrevistas com Rubens Ricupero, Luiz Gonzaga Belluzzo, Reinaldo Gonçalves, Fernando Ferrari, James Petras, entre outros.
(Inst. Humanitas Usininos)

Índios

Os Olhos do Jaguar

O Tatu tinha mandado os seus olhos passear a beira do lago.
- Vai, meus olhos, vai para a beira do lago. Vai! Vai! Vai! - tinha dito. E os seus olhos tinham voado na direção do lago como as borboletas.
Ao fim de um minuto, teve vontade de os tornar a chamar.
- Volta, meus olhos, volta imediatamente.
Havia vários dias que o Jaguar observava essa curiosa cena. Não conseguia acreditar no que via. Aproximou-se do Tatu e disse-lhe:
- Como é que fazes isso?
- Olha. Vou-lhes falar. Vai meus olhos, vai para a beira do lago. Vai! Vai! Vai!
E os olhos voaram em direção ao lago.
- Volta, meus olhos, volta imediatamente.
E os olhos voltaram imediatamente.
O Jaguar tinha muita vontade de viver a mesma experiência. Pediu ao Tatu que enviasse também os seus olhos para a beira do lago. O Tatu não quis.
- Não agora não. O monstro vai devora-los.
- Sim, eu quero que tu o envies.
- De acordo - respondeu o Tatu -, mas por sua conta e risco!
E enviou os olhos do Jaguar para a beira do lago. Ao fim de um momento, chamou-os:
- Voltai, olhos do Jaguar, imediatamente.
E eles voltaram às suas órbitas.
- É maravilhoso, eu quero que eles vão mais uma vez à beira do lago - disse o Jaguar.
- Não, agora é muito perigoso, - respondeu o Tatu - o monstro aproxima-se, vai devora-los.
- Sim, por favor, mais uma vez, a última. Seja simpático.
Mas o Tatu tinha razão. O monstro estava lá e comeu os olhos do Jaguar. O Tatu tentou pronunciar as palavras mágicas, mas os olhos não voltaram, o Jaguar estava cego para sempre. Imediatamente o Jaguar quis se vingar e ameaçou o Tatu de o comer, mas este último foi refugiar-se sob a raiz de uma árvore. O Jaguar raspava as raízes da árvore, mas não encontrava o Tatu. Não via nada e, ao tocar a carapaça do Tatu, era como se fosse madeira. Foi depois desse dia que passaram a ter o dorso estriado por causas das garras do Jaguar.
O Jaguar pôs-se a andar pela floresta, sem saber para onde ia. Não podia caçar mais e via-se condenado a morrer de fome. Parou ao pé de uma árvore e deitou-se. Que fazer? Um Gavião-Real veio pousar perto dele e perguntou-lhe:
- Que fazes aí, que se passa, onde estão os teus olhos?
O Jaguar contou-lhe a sua história extraordinária e o Gavião-Real teve dificuldade em acreditar. O que era certo, contudo, é que o Jaguar estava cego. Decidiu então ajuda-lo.
- Fica aí - disse-lhe -. Vou buscar o que preciso para te fazer outros olhos. Se esconderes a cabeça entre as patas, ou outros animais não verão que vós estais cegos e não correra risco algum.Todos têm medo de ti, não ousarão aproximar-se. Vou trazer-te leite de jatobá. - E levantou vôo.
As horas passavam, mas o pássaro não voltava. O Jaguar começava a inquietar-se, quando se ouviu um grande barulho. O Gavião-Real acabava de deixar cair perto de suas patas tudo que havia lhe trazido para lhe fazer outros olhos.
Disse ao Jaguar:
- Estende-te e não se mexas. Isto vai-te queimar, mas é preciso que suportes a dor.
E fez correr o líquido fervente na órbita direita do jaguar. Este nem mesmo gritou. O Gavião-Real encheu então a órbita esquerda. Depois lavou os olhos que acabava de fazer com a seiva de uma outra árvore.
Os novos olhos do Jaguar eram muitos claros, ainda mais belos do que ele tinha antes do seu acidente.
- Como poderei agradecer-te? - disse o Jaguar.
- Basta que mate um tapir para mim, é o meu petisco preferido.
O Jaguar pôs-se imediatamente à caça. Trouxe um enorme tapir, que agradou muito ao seu novo amigo.
Depois desse dia, o Jaguar deixa sempre uma parte da sua caça para o Gavião-Real, em lembrança dessa aventura.
http://artesxamanic as.blogspot. com/2006/ 12/os-olhos- do-jaguar. html
É a mente, somada às atitudes dos inconformados que faz evoluir o mundo... Porque o resto, apenas adapta-se às situações, e vivem eternamente dependentes das circunstâncias. .. Esses serão apenas resto.
Enquanto sua mente estiver presa aos "chavões", você será um eterno escravo dos preconceitos do mundo.. Ter fé não basta! É preciso ampliar a consciência para ter condições de entender o Todo, para poder interagir positivamente com ele e tirar o máximo de proveito de sua própria vida... Como um Todo... Vivendo no Todo, equilibrando seus níveis de consiência para melhor desfrutar da vida... E aprender sempre mais...
Acreditar em sua capacidade é premissa básica para realizar tudo na vida... Porém, somente suas atitudes serão vistas, e "valerão" alguma coisa... E não são nem as atitudes diretas, mas as consequências de suas atitudes que darão a energia ao seu ambiente para que possa "desfrutar" do que plantou para si mesmo..
Estar é uma situação temporária... Ser, faz parte de nossa individualidade. .. Um universo completamente distinto dos outros... Ninguém enxerga o que está em seu coração... As pessoas à nossa volta somente sabem o que dizemos e demonstramos, e a maioria é incapaz de entender que nossa revolta é derivada dessas dores que suportamos calados...
São os inconformados que brigam, que destróem as estruturas arcaicas, que lutam contra a mediocridade, que vencem o medo da morte para viver da melhor forma, que fazem o que ninguém ainda foi capaz de fazer, que inovam, evoluem.. E trazem novas luzes às mentes acomodas e preguiçosas desse mundo que só sabem esperar que alguma coisa aconteça... Mas, as coisas somente acontecem se alguém fizer, ao invés de ficar criticando e esperando que tudo se resolva....
Os inconformados normalmente são rudes... rebeldes, agressivos, petulantes, indecentes, atrevidos, arrogantes.. . Os inconformados não aceitam a mediocridade. .. Questionam tudo e todos que lhe rodeiam... Prezam sempre o benefício da dúvida... Negam-se a aceitar o mundo como lhes foi colocado e transformam o seu próprio mundo em algo melhor...
Os inconformados incomodam os ignorantes que são felizes com o vazio de sua própria futilidade.. . Os inconformados são os únicos seres capazes de evoluir a si mesmos, e acrescentar novos parâmetros na mente dos que só sabem seguir alguém que lhe oriente, por ser incapazes de pensar com a própria cabeça e sentir com seu próprio coração...
Os inconformados são execrados, banidos, perseguidos, ofendidos, punidos, humilhados, desprezados e abandonados. .. Mas aprendem sozinhos a digerir suas dores, assumem a responsabilidade sob sua vida, buscam e esforçam-se por si mesmos para fazer o que ninguém irá fazer... Acreditam em sua capacidade ao mesmo tempo em que desconsideram os "conselhos" dos que têm habilidade para falar sem nunca ter tido competência de melhorar a si...
Enquanto o povo reclama, critica, exige, cobra, reivindica e vive à eterna espera de um milagre na vida.... Os inconformados planejam, buscam, pesquisam, estudam, trabalham, discutem, brigam, pedem, realizam e fazem acontecer "milagres" em sua vida por sua própria capacidade.. . O mesmo milagre que os parazitas "esperam" que aconteça em sua vidas... E nunca acontecerá...
Conforme-se com sua vida e aceite o mundo da maneira que lhe colocaram... Ou, seja um eterno inconformado. .. Levando toda sorte de desgostos que puder sentir... E realizando sozinho o milagre de sua própria vida... Construíndo e materializando as coisas em que acredita...
A decisão é sua.
Amor e alegria em nossos corações... sempre!
Caro irmão,
O Céu não chora por causa dos equívocos dos homens.

Os habitantes dos planos sutis já se libertaram dos grilhões emocionais, há
muito, mediante esforços e provações experimentadas ao longo de seu
progresso.

Com a tranqüilidade característica dos espíritos portadores da paz íntima,
não se deixam levar pelas emoções e opiniões do momento. Não são dados a
flutuações de humor nem se deixam levar pelas influências psíquicas
coletivas, sempre tendenciosas e motivadas pelos contextos temporários dos
jogos políticos e interesseiros, típicos dos homens da Terra.

Quem chora é a humanidade, vítima de seu próprio temperamento.

No entanto, independentemente das energias pesadas às quais os homens se
submetem, os seres de luz continuam trabalhando, sem esmorecer, pois o seu
compromisso não é com as oscilações humanas, mas, com o despertar das
consciências e o progresso de todos os seres.

Mesmo que a maioria da humanidade gritasse: "Nós gostamos de climas pesados,
curtimos a adrenalina que a violência propicia. Caiam fora, não queremos
espiritualidade, queremos mais emoções e contendas!", ainda assim, os seres
de luz continuariam trabalhando, sem titubear, sem esmorecer, sem julgar,
sem deixar de fazer o bem a todos, sempre de forma invisível, de maneiras
secretas, as quais os homens sequer perceberiam, como sempre...

O compromisso deles está em seu próprio nível de consciência e
responsabilidade. É com eles mesmos, não é nada fora. É lucidez, plenitude e
irradiação natural da luz que portam. Eles nem têm como evitar, emanam amor
sereno e paciente; são paz perene e luz consciente; são agentes
transformadores das energias, e o motivo de sua ação sutil está dentro deles
mesmos.

As consciências extrafísicas evoluídas continuam trabalhando pelo bem da
humanidade. E suas ponderações e motivações pacíficas continuarão chegando
aos homens, seja por intermédios de energias sutis, por inspirações secretas
e providenciais, ou mesmo por idéias veiculadas pelos meios apropriados para
tal tarefa.

Do Invisível Imanente, fluindo por todos os planos de manifestação, aos
homens de boa vontade e dispostos a climas melhores na existência,
continuarão a chegar mensagens de paz e lucidez.

Mesmo vivendo nos climas caóticos, gerados pela intemperança dos homens, é
possível refletir e trabalhar sob os auspícios de ideais superiores. Se não
no mundo externo, que seja no coração de cada um.

Mesmo com boa parte da humanidade surda aos apelos do despertar
consciencial, a Espiritualidade Superior continuará tocando a música das
esferas, pois muitos já conseguem escutá-la, ainda que em meio aos ruídos do
ego do mundo.

Pacientemente, muitos seres luminosos, de várias procedências, físicas e
extrafísicas (espíritos, devas*, seres de outros orbes mais evoluídos, com
forma e sem forma), continuarão depositando presentes de luz nos corações,
secretamente, como sempre...

E no mundo, muitos continuarão zombando e gritando com o Céu... enquanto
outros, escutarão a música das esferas e procurarão pautar suas escolhas e
atitudes dentro da ressonância que sentirem em seus corações.

P.S.: O Céu não chora, quem chora são os homens.
O Céu só ama, em silêncio.
Ele continuará depositando os presentes de luz...
Secretamente, na sintonia de cada um, sabendo quem é quem...
Sempre em nome do Grande Arquiteto Do Universo.

(Esses escritos são dedicados aos mestres espirituais, que abraçam
invisivelmente a humanidade).

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(Literatura Indígena)

Política Externa

Viva o Brasil! Viva nossa política externa soberana e independente!


"Onde outros fracassaram ou apostaram que nem valia a pena buscar negociações, o Brasil triunfou", escreve Emir Sader, sociólogo, no seu blog publicada por Carta Maior, 17-05-2010.
Eis o artigo.
Corvos, urubus, tucanos, todos torcendo contra uma negociação pacífica do conflito em torno do Irã, porque é Lula quem conduziu essas negociações, o que fortaleceria ainda mais sua imagem. Enquanto que um eventual fracasso, mesmo que levasse a um novo conflito bélico de proporções, contanto que pudesse ser explorado internamente em termos eleitorais, favoreceria a oposição, nos seus mesquinhos e desesperados cálculos eleitorais.
Não importa o destino do Oriente Médio, do mundo, contanto que Serra possa ter alguma esperança de se eleger. Eleger um candidato que disse que o Mercosul é uma “farsa”, que o Brasil fez “uma trapalhada” em Honduras, que o ingresso da Venezuela no Mercosul era “uma insensatez”, que “não convidaria o primeiro ministro do Irã para vir ao Brasil, nem iria ao Irã”.
Dane-se a paz no mundo, contanto que a candidata de Lula não siga sua curva ascendente, que a faz superar a seu candidato na pesquisa do Vox Populi. Dane-se a paz no Oriente Médio, contanto que se possa consignar alguma “gafe” de Lula na viagem ao Irã. Dane-se o mundo, contanto que os interesses da direita brasileira sejam preservados.
Essa visão estreita, provinciana, se choca abertamente com a importância do acordo conseguido e com suas repercussões internacionais. Ainda mais porque contradiz o ceticismo do governo norteamericano – Hillary mencionou o tamanho da montanha que Lula teria que escalar para conseguir o acordo e dos porta-vozes da militarização dos conflitos em escala mundial. Onde outros fracassaram ou apostaram que nem valia a pena buscar negociações, o Brasil triunfou.
O Brasil soube buscar aliados – Rússia, China, Turquia, França – para abrir um espaço de negociação política, que se revelou possível e correto. A posição brasileira de que os EUA – e outras potências – possuindo imensos arsenais nucleares, não tinham moral para buscar acordos que limitem a disseminação de armamento nuclear, abre caminho para outras iniciativas de paz.
Em Israel e na Palestina, Lula deixou claro que os EUA não são o bom negociador para a paz na região, tanto porque são parte integrante do conflito, ao definir a Israel como seu aliado estratégico, como porque fracassou ao longo do tempo, sem que se tenha obtido a concretização do acordo da ONU de garantir a existência de um Estado palestino nas mesmas condições do Estado israelense.
Faltava que a candidatura de Lula fosse lançada ao Prêmio Nobel da Paz, para que uma imensa grita se estendesse por aqui, para que esse merecido reconhecimento internacional não projetasse de vez o Brasil como um novo sujeito em negociações de paz, projetando-nos como país que contribui efetivamente para sairmos de um mundo unipolar, sob hegemonia imperial de uma única super potência e para a criação de um mundo multipolar.
Devemos sentir-nos orgulhosos da diplomacia brasileira e da política internacional do Brasil, da atuação de Lula e de Celso Amorim. Devemos lutar ainda mais para consolidar essas diretrizes da política exterior brasileira e contribuir para que ela não apenas prossiga, mas se estenda e ajude ainda mais a construir um mundo em que os conflitos não sejam mais objeto de intervenções militares, mas de negociações políticas, pacíficas, que respeitem o direito de todos, especialmente dos que, até aqui, foram oprimidos pelas potências que concentram os maiores arsenais do mundo e pretendem perpetuar seu domínio sobre uma ordem mundial injusta.
(Inst. Humanitas Unisinos)

Colômbia: escândalo esquenta clima político

http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=1&Itemid=2
Publicado em 25-Mai-2010
A acusação de que Santiago Uribe...
Image
Álvaro Uribe
A acusação de que Santiago Uribe, irmão do presidente Álvaro Uribe, financiou e comandou um esquadrão de extermínio de ultradireita - mais um dos vários grupos paramilitares da Colômbia - esquentou o clima político no país a uma semana da eleição presidencial.

Publicada pelo jornal The Washington Post, a acusação contra Santiago foi feita em entrevista por um ex-diretor da polícia colombiana, major Juan Carlos Meneses. Os mais cotados na disputa eleitoral que se avizinha são Juan Manuel Santos - candidato do governo, primo e ex-ministro da Defesa do presidente Uribe e Antanas Mockus (Partido Verde), ex-prefeito de Bogotá.

O major Meneses acusa Santiago Uribe de ter financiado e comandado o grupo paramilitar nos anos 90 e, pior, com o conhecimento do irmão, Álvaro Uribe, na época, senador. Arquivada por falta de provas, a investigação encerrou-se em 1999, mas frente às declarações de Meneses, o Ministério Público colombiano pode reabrí-la.

Defesa pífia


As declarações do ex-diretor de Polícia, tornadas públicas a uma semana da eleição presidencial, caíram como uma bomba sobre o governo. Mas, segundo o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, a denúncia é uma manobra do jornal para prejudicar o candidato da situação, Juan Manuel Santos.

Estranha defesa essa do governo Uribe, porque o jornal que repercutiu a denúncia é norte-americano e os Estados Unidos foram o maior sustentáculo aos seus dois governos. Mesmo quando quase metade dos seus integrantes - ministros e parlamentares de sua base de apoio, inclusive - estavam denunciados como envolvidos com os paramilitares e acusados de terem suas campanhas eleitorais financiadas pelo narcotráfico.

OS EUA nada fizeram, também, quando Álvaro Uribe fez todas as manobras já conhecidas no continente, entre as quais compra de votos no Congresso para aprovar nova reeleição sua para um 3º mandato, o que só não conseguiu porque foi barrado pela Justiça.
Foto: José Cruz/ABr