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sábado, 15 de maio de 2010

UAI! É AÉCIO NEVES DA CUNHA OU É KFOURY

UAI! AÉCIO É NEVES DA CUNHA OU É KFOURY?


Laerte Braga


Bem informado em matéria de trampolinagens tucanas, parte da coligação que apóia José Arruda Serra, o jornal THE GLOBE, em sua edição brasileira, O GLOBO, anuncia que o ex-governador Minas Aécio Neves da Cunha está inclinado a ceder às pressões do tucanato paulista e acabar sendo o vice de Arruda Serra.

Há cerca de dois meses, mais ou menos, o então governador de São Paulo Arruda Serra encomendou ao jornalista Juca Kfoury, um dos seus boys na mídia, algo que pudesse tirar Aécio Neves da Cunha do páreo na disputa presidencial. É que Aécio estava começando a seduzir as bases tucanas e defendia a tese de uma prévia entre os filiados do PSDB para a indicação do candidato.

Dileto servidor de Arruda Serra, parceiro de Arruda Serra nos jogos do Palmeiras, o jornalista Juca Kfoury executou o “serviço” às raias da perfeição. Em nota em sua coluna num dos jornais da grande e podre mídia brasileira, deu conta que o ex-governador de Minas, em visível estado de “alteração”, havia dado um tapa em sua namorada, num evento no Rio de Janeiro. E para fazer jus aos mimos de Arruda Serra foi mais além.

Disse que os brasileiros deveriam pensar bem antes de escolher seus candidatos para evitar a repetição de fatos como os acontecidos com a eleição de Fernando Collor de Mello em 1989.

Insinuação mais clara, mais contundente sobre o suposto uso de drogas pelo ex-governador mineiro não poderia ter aparecido na mídia que essa feita por Kfoury.

Sabedor do caráter de Arruda Serra, quer dizer nenhum, da absoluta falta de escrúpulos do governador paulista e do que viria a seguir, seja via Juca Kfoury ou outros prepostos, matadores a serviço de Arruda Serra, Aécio tirou o time de campo e anunciou que não iria disputar a convenção do seu partido, que seria candidato ao Senado e num discurso na grande BH, na inauguração do centro administrativo do estado, com Arruda Serra presente, disse alto e bom som para o paulista (vaiado desde a sua chegada a Minas) que “o meu primeiro compromisso é com Minas e com os mineiros”.

Aécio Neves da Cunha é neto do ex-presidente Tancredo de Almeida Neves, cresceu ao lado do avô e filho de Aécio da Cunha, ainda vivo, deputado por vários mandatos pelo antigo Partido Republicano, o do ex-presidente Artur Bernardes.

Mas precisa explicar a Minas Gerais qual é esse “primeiro compromisso com Minas e os mineiros”. Se é manter-se Neves da Cunha, ou virar Arruda Serra, de joelhos diante de FHC que o chamou de “moleque”, quando percebeu que o mineiro estava atrapalhando Arruda Serra e poderia, lógico, atrapalhar os “negócios” que Arruda Serra representa e dos quais FHC é patrono. O tal virado paulista.

Se o compromisso foi firmado com cuspe e retórica de político menor ou se é um negócio com selo de sobrenome?

Aécio, até agora Neves da Cunha, deve ser eleito senador por Minas Gerais com cerca de 70% dos votos segundo indicam as pesquisas e pode arrastar o ex-presidente Itamar Franco de volta ao Senado, na segunda vaga.

Com a conhecida rejeição ao ex-ministro e senador Hélio Costa (larga sempre à frente e no final manca, perde), tem chances de eleger o governador do estado, o atual chefe do executivo, o professor Anastasia, como o próprio Aécio o chama.

Nas análises do grupo de Aécio, ainda Neves da Cunha, a tarefa é simples. Basta levar as eleições para o segundo turno que Hélio Costa se enrola, se lasca, perde como perdeu duas. Ou ganha no primeiro, ou não ganha (as chances são maiores agora por conta do apoio do presidente Lula).

Como um dos pontos que serviu para que o grupo chegasse a essa conclusão, está a eleição de 2006 do atual senador Eliseu Resende. O candidato, que sozinho não ganha para síndico de prédio, estava atrás em todas as pesquisas, bem atrás e numa semana correndo Minas com o ex-ministro da ditadura, construtor propineiro da ponte Rio__Niterói, Aécio levou-o ao Senado, onde dormita em sua ineficiência absoluta.

Se isso foi possível, Eliseu não fala e anda ao mesmo tempo, eleger Anastasia que fala e anda ao mesmo tempo é um técnico competente dentro daquilo que se propõe a fazer (fazer errado é outra história, mas é competente até na corrupção) não é tão difícil assim.

Servir a cabeça em bandeja de prata para um político corrupto e sem escrúpulos como José Arruda Serra aí é outra história.

Deixa de ser Aécio Neves da Cunha, vira Aécio Kfoury, pratica suicídio político, vai terminar seus dias como Marco Maciel, uma dessas múmias que por não abrir a boca para nada dá a impressão de significar ou saber alguma coisa (quando foi ministro de Sarney e depois de Collor, Maciel teve que sair correndo tamanhas as besteiras que fez, descobriram que o silêncio era para esconder além da venalidade, a burrice).

O compromisso com Minas e os mineiros vai para o espaço, acaba sendo balela de retórica, atrela o estado aos interesses FIESP/DASLU, viramos colônia do esquema, da mesma forma que Arruda Serra vai nos transformar, se eleito (cada vez mais difícil) em colônia dos EUA.

Aécio, que continua sendo até segunda ordem Neves da Cunha, corre o risco de jogar por terra todo o prestígio construído em Minas, mesmo que a custa de um governo de fantasia.

Na hora agá vira cavalo paraguaio, sem qualquer ofensa aos paraguaios.

THE GLOBE não iria publicar a notícia assim tirada ao léu. A edição brasileira do jornal, O GLOBO, ou está armando para o mineiro, ou está pressionando tipo Juca Kfoury, ou seja chantagem pura a mando de Arruda Serra, ou o pior, o ex-governador de Minas Gerais acaba de trocar de nome.

Deixa de ser Aécio Neves da Cunha e vira Aécio Kfoury. Cãozinho amestrado de José Arruda Serra. Nesse caso vai ter que ir a Sampa e beijar as mãos de FHC (que era detestado por seu avô Tancredo. Considerava FHC um falso profeta).

E vai passar os próximos quatro anos sem mandato. Ou dois, pode ser que queria ser vereador ou prefeito em BH.

A eventual troca de nomes do ex-governador Minas não tem nada a ver com a política antiga chamada café com leite. É cair de quatro mesmo se acontecer.

E nem é bom falar que vice em campanha é aquele negócio de agüentar o inaguentável. Tipo assim, entrevista no programa da Ana Maria Beltrão com palpites da Lúcia Hipólito. Ou uma receita para a Ana Maria Braga, coisas do gênero.

No máximo uma entrevista com Miriam Leitão, atualmente em baixa com o chefe Arruda Serra (tomou uma bronca pública por ter feito uma pergunta fora do script).

A ÚLTIMA CHANCE – A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA

A ÚLTIMA CHANCE – A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA


Laerte Braga


O Departamento de Estado do governo dos EUA – Ministério das Relações Exteriores – através de um dos seus porta-vozes, disse a jornalistas na quinta-feira que a visita do presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, ao Irã será a última chance do governo daquele país aceitar as regras impostas pelas grandes potências, Estados Unidos à frente, contra o seu programa nuclear.

É simples entender isso. O presidente Barack Obama não preside uma nação, ou uma federação de estados associados como pressupõe a constituição dos EUA. É uma espécie de gerente de um conglomerado que envolve grupos sionistas (judeus radicais, não haveria exagero algum dizer judeus/nazistas), empresários de setores estratégicos (armas e petróleo principalmente) e banqueiros.

O bi-partidarismo vigente nos EUA (existem mais de mil partidos regionais, de bairros, etc, mas dois com presença nacional, Democratas e Republicanos) não traz em si nenhuma contradição no que diz respeito à postura imperialista e terrorista desse conglomerado.

É só olhar, com o mínimo de atenção, o que aconteceu e acontece no Iraque, no Afeganistão, na Colômbia, como antes na Coréia, no Vietnã, na antiga Iugoslávia, ou antes ainda, na América Latina.

Nos Estados Unidos vivem 320 milhões de seres humanos. Tomando como referência uma família considerada padrão, quatro pessoas, temos 80 milhões de famílias na maior potência do mundo. 

Um relatório do Departamento de Agricultura – Ministério da Agricultura – afirma que os números da fome nos EUA são maiores em 2009 que em 1985. Perto de 15% das famílias de cidadãos daquele país não têm acesso “a um abastecimento de comida adequado”. Isso significa que perto de 12 milhões de norte-americanos vivem em estado crônico de fome.

A população de Cuba é de 11 milhões de habitantes. Ninguém passa fome. Um documentário do cineasta Michael Moore mostra que, além disso, idosos e veteranos de guerra nos EUA, além de negros, latinos, asiáticos, não têm a menor assistência de saúde pública. Um dos planos do presidente Obama é diminuir esse número com um novo modelo de saúde pública. Mas, ainda assim, exclui imigrantes, mão de obra literalmente escrava.

Quando o furacão Katrina destruiu a cidade de New Orleans, importante centro cultural no país, o presidente George Bush – texano – levou 72 horas para tomar medidas de socorro e assistência às vítimas da tragédia. Em Cuba, a cidade de Holguin foi totalmente destruída pelo furacão, nenhuma casa ficou de pé e uma única morte foi registrada.

A mãe de Bush, Barbra Bush, esposa de um também ex-presidente, George Bush, chegou a declarar de forma debochada que as vítimas do Katrina em New Orleans estavam melhores nos acampamentos de emergência “pois aqui comem pelo menos três vezes por dia”.

É a síntese das elites que dirigem esse conglomerado e nem as mudanças no plano de saúde pública que Obama conseguiu aprovar no Congresso, atenuam ou mudam essa situação.

A rede de supermercados WAL-MART anunciou que vai doar dois bilhões de dólares contra a fome nos EUA.  Um comunicado da empresa afirma que durante cinco anos a venda de quase 500 milhões de quilos de alimentos em suas lojas vai financiar um programa de distribuição de alimentos através da Sam’s Club, divisão de lojas especializadas em negócios atacadistas.

O anúncio foi feito por Eduardo Castro-Wright, vice-presidente da rede WAL-MART.

Uma única dessas guerras estúpidas e bárbaras calçadas em mentiras (como a das armas químicas e biológicas de Saddam Hussein), mas voltadas para o controle de petróleo, minerais estratégicos e interesses geopolíticos do império, seria o suficiente para que os doze milhões de norte-americanos saíssem da zona da miséria, da fome, por muito mais que os cinco anos do projeto da rede WAL-MART.

E é bem mais simples ainda entender isso. Nem Bush, nem Obama, nenhum deles, antes, o que está, ou os que virão, têm a menor preocupação com o problema. Não afeta aos “negócios”, pelo menos por enquanto.

A decisão do governo do Irã de ter acesso a tecnologia nuclear para fins pacíficos – nem importa que sejam para fins militares, Israel é o agressor na região e dispõe de armas nucleares fornecidas pelos EUA – transforma-se num risco não para norte-americanos, mas para o conglomerado que transformou a nação naquilo que o general – um general – Dwight Eisenhower chamou de “complexo industrial e militar”.  Constatação que o escritor John dos Passos havia feito anos antes.

Ao colocar nas mãos do presidente do Brasil e sua viagem ao Irã uma pretensa negociação para que o governo de Ahmadinejad aceite as regras impostas pelos senhores do mundo, o governo de Obama, mais que isso, constrange o presidente Lula, pois não é esse o objetivo da visita de Lula.

Uma declaração feita pelo brasileiro frente à primeira-ministra da Alemanha, quando em visita àquele país e em resposta a uma declaração da senhora Merkel sobre o Irã (também tentando pressionar o Brasil) foi fulminante sobre o assunto – “para que se possa exigir que um país não tenha armas nucleares é preciso não ter armas nucleares, ter moral para isso” – .

Os Estados Unidos por sua história de potência intervencionista, imperialista, por sua postura diante do genocídio perpetrado pelo governo sionista de Israel contra o povo palestino, suas políticas golpistas e terroristas contra governos independentes, por tudo o que representa como império de um dos mais estúpidos modelos políticos e econômicos da história da humanidade, não tem moral, vale dizer fundamentos na verdade, para tentar sanções contra o Irã ou qualquer país livre do mundo (livre do jugo de Washington).

O campo de concentração de Guantánamo, as prisões secretas agora reveladas pela imprensa norte-americana (inclusive porta-aviões usados como tal), os assassinatos de líderes oposicionistas em outros países (um líder do Hamas em Dubai por agentes israelenses com passaportes falsos e confeccionados na Grã Bretanha), os seqüestros, as mortes de contingentes e contingentes de civis nas guerras que travam, toda a sorte de terrorismo travestido de defesa da liberdade e da democracia, é farsa, encobre o mais violento e brutal império – pelo poder brutal de destruição que querem manter exclusivo – de toda a trajetória da humanidade.

Nós, os povos latino-americanos, somos um alvo preferencial dos EUA. Países da América Central e da América do Sul têm importância capital para os negócios do conglomerado. O general Colin Powell, quando das articulações com o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso para a ALCA –ASSOCIAÇÃO DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – chamou essa parte do mundo de “mercado de um trilhão de dólares”.

Negócios, só negócios. Seres humanos nesse jogo são meros adereços.

As grandes potências da Europa hesitam no ventre da Comunidade Européia em assumir as responsabilidades por países que vivem crises econômicas decorrentes do modelo neoliberal. A perspectiva é que além da Grécia, Portugal, Espanha e Itália venham a necessitar de socorro para evitar a débacle, ao mesmo tempo em que a Bélgica, dissolvida entre duas forças populacionais – flamencos (língua holandesa) e valões (língua francesa), se desintegra como nação (é a sede da Comunidade Européia).

EUA (que inclui México e Canadá como sub-nações) e Comunidade Européia (sustentando Alemanha, Grã Bretanha e França) sobrevivem falidos na exploração de países asiáticos, latino-americanos, africanos, em políticas e guerras de terra arrasada.

São potências, maiores ou menores, que buscam pela força, pela aliança econômica e principalmente militar, manter o mundo de joelhos, submisso aos seus interesses.

O Brasil tem um papel muito maior do que se possa imaginar nesse contexto. E a sobrevivência do nosso Pais como nação soberana, independente, não depende de um porta-voz determinar (a mando de superiores evidente) que Lula seria como que um preposto a dar um ultimato ao Irã.

Não importa nem que nossos militares pensem como norte-americanos, sujeitem-se a norte-americanos (num acordo militar ultrajante para o Brasil e os brasileiros).

Ou que José Collor Arruda Serra tenha tentado privatizar a PETROBRAS em manobra de anos atrás. E o que pretende fazer agora se eleito.

Importa que a integração latino-americana, por conta de nossas histórias, nossos caminhos, nossos ideais, nossos sentimentos de liberdade, seja um fato concreto e efetivo nos próximos anos, sob pena de como o México e o Canadá, ou o Paquistão, ou a Colômbia, virarmos sub-nações, protetorados das grandes potências.

A história conta que a Inconfidência Mineira se deu como conseqüência dos altos impostos, o quinto, cobrado pela coroa portuguesa. Foi uma reação de elites, mas um movimento de independência.

Não é diferente hoje. É o quinto é do passado. EUA querem o Brasil inteiro e o Brasil é chave na América Latina.

Como?  Apostam tudo em militares comandados por controle remoto a partir de Washington, elites econômicas podres e apátridas (FIESP/DASLU/CNA, etc), no latifúndio do transgênico nosso de cada dia e materializam essa aposta em José Collor Arruda Serra, funcionário da Fundação Ford, braço do império.

Eleições não vão nos levar ao paraíso. Eleições são instrumentos para conquistas efetivas de um povo, dentre elas maior participação popular no processo de decisões e isso implica em consciência da realidade.

Vivemos a escravidão da mídia controlada pelos EUA. O espetáculo da desintegração do ser humano.

A questão é de sobrevivência e um retrocesso com Arruda Serra vai nos colocar no tempo das diligências.

A própria questão nuclear. Se não houver um desarmamento de países imperialistas e detentores do poder de destruição total, não há porque, a despeito dos nossos militares em sua maioria prestarem continência à bandeira dos EUA, não buscarmos a nossa bomba atômica.

Ou somos uma nação e continuamos a ser, ou seremos de novo colônia.

Se isso acontecer, a eleição de José Collor Arruda Serra, breve nova corte com nova d. Maria a Louca, ou outra Carlota Joaquina passeando por jardins e terras nacionais enquanto carregamos liteiras para sustentar impérios.

Yes, we cant foi o slogan de Obama. “Sim nós podemos mais” é a adaptação de Arruda Serra.  

Lula não vai dar a última chance ao Irã e nem pode sob pena de trair seus próprios princípios, ao que tem dito sobre o assunto. E a integração latino-americana tem que ser a nossa resposta a um império onde 12 milhões de pessoas não têm o que comer. Mas é capaz de destruir o mundo duzentas vezes se preciso for.

Ou comprar a mídia podre (GLOBO, VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO, etc), partidos inteiros (PSDB, DEM, PPS, etc) e se fartar em elites corruptas, venais, sintetizadas na ostentação FIESP/DASLU.

É uma questão de sobrevivência.


Nota NT: E nunca é demais: PRO BRASIL CONTINUAR A CRESCER DILMA 2010

Dandaras: o 13 de maio de 2010

From: Passa Palavra


Dandaras: o 13 de maio de 2010

14 de Maio de 2010  

Para os manifestantes, depois de 122 anos de abolição da escravidão, sendo o povo negro apenas transferido das senzalas para as favelas, não há muito o quê comemorar. Por Passa Palavra

Durante toda a tarde de ontem, 13/05, dia em que se celebrararm 122 anos da abolição da escravatura no Brasil, diversos movimentos sociais e entidades ligadas à luta pela igualdade racial realizaram um ato no centro da cidade de São Paulo. A iniciativa foi diferenciada, pois os milhares de pessoas que circulam diariamente pelo centro da cidade tiveram a oportunidade de assistir a variados tipos de manifestações artísticas, como música, poesia e dança, e participar do rebatismo da Praça do Patriarca, que teve seu nome mudado para Praça da Matriarca Dandara pelos manifestantes, em homenagem à escrava guerreira que durante o século XVII lutou ao lado de Zumbi.
debora1Dentre as principais entidades que organizaram o protesto estavam as Mães de Maio, uma associação de mães e familiares de vítimas da violência estatal. A entidade se formou em 2006, depois que a Polícia Militar do estado de São Paulo, numa contra-ofensiva ao que se chamou ataques do PCC [Primeiro Comando da Capital, grupo acusado de liderar presos e presas e coordenar ações criminosas], promoveu uma verdadeira carnificina em várias cidades paulistas, em particular na região da baixada santista. Nunca é demais lembrar que, no período de 12 a 20 de maio daquele ano, pelo menos 446 pessoas apareceram, misteriosamente, mortas por balas de fogo, segundo a própria Secretaria de Segurança Pública. Embora já houvesse na época fortes indícios de que estes assassinatos tivessem sido cometidos por policiais, quase todos os casos foram arquivados por falta de provas.
Para Débora da Silva, uma das mães que teve o filho executado neste contexto, o ato é “uma oportunidade muito importante, é a possibilidade de o transeunte ter o conhecimento desta história”. A principal reivindicação de Débora e suas companheiras é que estes casos não sejam mais de competência das autoridades estaduais, mas que passem a ser investigados por órgãos federais.
Ela lembra que 2006 também era ano de Copa do Mundo e que a relevância que se dá a este tipo de evento no Brasil acabou ofuscando a tortura e a matança que corria solta pelas periferias de São Paulo àquela época. “Este ano tá tendo matança na baixada santista e a copa vem aí, né? Mas nós, Mães de Maio, estamos atentas, e esse ato aqui vem para agregar mais mães.”
Infelizmente, mães a se somarem à luta de Débora é o que não falta, Dandaras do século XXI. Um exemplo disso foi a presença de Elza Pinheiro dos Santos que, há pouco mais de um mês, teve o filho Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, de 30 anos, espancado e morto pela polícia dentro de um quartel militar. Ele trabalhava como motoboy e era morador de bairro periférico da zona norte de São Paulo.
marciaEm solidariedade, também estiveram no ato representantes da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, grupo que reúne moradores de comunidades pobres, sobreviventes e familiares de vítimas da violência policial no estado do Rio de Janeiro. De acordo com Marcia Jacintho, outra mãe lançada à vida política pela perda dolorosa de um filho, “Eles têm que respeitar os direitos humanos. E o primeiro direito humano é o direito à vida.” Segundo ela, apesar da impunidade e das constantes ameaças e intimidações a que estão submetidos os militantes da sua entidade, todos se esforçam por dar amparo às famílias-vítimas, estabelecer contatos e criar condições “para que as pessoas possam lutar, sem medo”.
A indignação diante da violência contra os mais pobres, que no Brasil em sua maioria são negros, foi o ponto chave do ato. Para os manifestantes, depois de 122 anos de abolição da escravidão, sendo o povo negro apenas transferido das senzalas para as favelas, não há muito o quê comemorar. Passa Palavra
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Ao final do ato, velas foram acendidas em homenagem aos mortos que forma vítimas da violência policial.
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Vejam também um vídeo sobre a manifestação:


Enviado Por Alípio Freire

A HARMONIOSA RELAÇÃO ENTRE ELLA FITZGERALD E O BOLSA FAMÍLIA

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Raul Longo

Tenho ouvido e lido, inclusive de amigos, gente séria e inteligente, que se autoproclamam humanistas e que deveras se têm pautado como tal, constantes acusações ao programa Bolsa Família como demagogia eleitoreira.

Quando esse tipo de crítica parte dos políticos da oposição, me é muito compreensível. Afinal, foi o governo que eles apoiaram quem criou o programa que, atrelado a outros, não surtiu efetivos efeitos como Bolsa Escola, Auxílio Gás ou Cartão Alimentação. [Nota Assaz Atroz: Recentemente, a ministra Dilma falou: “Não basta criar programas, têm que transformá-los em benefício para a população”.]

Dado que em todas comparações entre os períodos 1994 – 2002 e 2003 – 2010, os números inviabilizam e ridicularizam o argumento de que atual governo se limita às políticas econômico/sociais do anterior; há de se convir que algo, ou preferencialmente tudo, os oposicionistas têm de criticar. Sobretudo, em face da absoluta e notável falta de projetos e propostas para um futuro plausível, as soluções dos problemas humanos do Brasil.

Mas me dói aos ouvidos, tão quanto seria dolorido uma nota desafinada pela garganta de Ella Fitzgerald, o ouvir esses amigos insistirem em afirmar que o Bolsa Família é um programa demagógico e eleitoreiro.

Senhores: o que é ser humanista se não dedicar-se à promoção de oportunidades para que a condição humana prospere e evolua? Por que essa dedicação, quando assumida por um governo, se desautoriza? Dentro dessa lógica, o lógico seria apoiar governos despóticos, voltados somente aos interesses de classes já privilegiadas. É por aí?

Peço que se lembrem de que não basta ser inteligente. Graciliano Ramos, sabemos, era um homem muito inteligente e honesto, que produziu das mais notáveis páginas da nossa literatura. No entanto, quando Charles Miller trouxe as regras do futebol para o Brasil, Graciliano escreveu que jamais o povo brasileiro se adaptaria e se estimularia por aquele esporte.

Se houvesse usado a inteligência de que era dotado, para pensar, ponderar e avaliar melhor, não teria chegado tão secamente a tal conclusão, quanto chegou à esplêndida interpretação literária da vida de seus personagens. Pensem, por favor, amigos! O que eram as bolsas esmolas eleitoreiras? Quando e quem as distribuía? Em que meses do ano? Às vésperas de quais eventos?

É possível imaginar que os candidatos visitassem as casas de seus eleitores mês a mês, ao longo de todos os anos, independentemente de serem períodos eleitorais ou não? É o presidente Lula, ou a candidata Dilma Roussef quem visita família por família para doar um botijão de gás, uma cesta básica, algum dinheirinho, um saco de cimento e alguns tijolos?

Vamos nos informar melhor? Então, lá vai: Para cadastrar-se no Programa Bolsa Família, as famílias com renda mensal per capita de até R$140,00 devem procurar a prefeitura de seu município e informar seus dados no Cadastro Único dos Programas Sociais (CadÚnico), de forma a ficarem aptas para inclusão no Programa Bolsa Família. O benefício é liberado de forma impessoal, por um processo de seleção da CEF para minimizar as possíveis influências do 'governante do turno' no programa, tentando impedir, assim, a provável interferência de políticos. O PBF busca priorizar as famílias de menor renda [20][21].

Essa informação se encontra em Bolsa Família, mas antes de consultarem esse endereço peço que atendem para o fato de que nem todas as prefeituras e nem todos os governos de estado são exercidos por correligionários ou aliados ao partido do governo federal. Aliás, sequer a maioria.

Agora, se realmente tiverem interesse em melhor se informar sobre o que reiteradamente opinam, ainda ali naquele mesmo endereço poderão conhecer todo o histórico do Bolsa Família, desde sua idealização pelo Herbert de Souza, o saudoso Betinho, até as influências que hoje exerce sobre experiências similares em todo o mundo, inclusive nos países desenvolvidos. Encontrarão, inclusive, o que sobre o programa se referem os principais organismos e instituições internacionais voltadas a programas de promoção humana, ou erradicação da miséria no planeta. Claro que, como qualquer outra informação, venha de onde vier, sempre há que se conferir, checar a veracidade, pois não haveremos de divulgar que João é bom ou mau, sem antes conhecermos João, para não passarmos a impressão de que razões escusas nos movem a denegrir ou exaltar João, não é verdade? Muitos também dizem que João é a cara de José, mas antes de afirmarmos que o Bolsa Família é mera cópia do Bolsa Escola, nos informemos um pouco mais, na mesma página: Em 2002 já havia no Brasil uma multitude de programas sociais que já beneficiava cerca de cinco milhões de famílias, através, entre outros, de programas como o "Bolsa Escola", vinculado ao Ministério da Educação, "Auxílio Gás", vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e o "Cartão Alimentação", vinculado ao Ministério da Saúde. Cada um desses gerido por administrações burocráticas diferentes.

“E daí?” – considerarão: “Isso eu já sabia! Mas qual a vantagem do Bolsa Família sobre os programas anteriores”.

Se voltarmos um pouco na página, vamos encontrar ali: Desde os anos 80 há um debate sobre prover assistência a famílias pobres e miseráveis. A concessão de benefícios e ajuda era então feita pontualmente e de forma indireta, geralmente com a distribuição de cestas básicas em áreas carentes principalmente do Norte e Nordeste, algumas vezes seguidas de denúncias de corrupção devido à centralização das compras em Brasília, além do desvio de mercadorias pela falta de controle logístico.

Aí vem aquela crítica lamentável do Senador Cristovam Buarque, magoado pelo governo não ter ficado satisfeito com seu desempenho no Ministério da Educação, onde se discute questões semânticas entre Escola e Família, embora a condicionalidade de filhos em frequência escolar e acompanhamento de saúde, seja ainda a exigência sine qua non para o recebimento do benefício. É da falta de exercício da inteligência que, sem dúvida alguma, Cristovam é privilegiado, que se originou o ruído que tanto me dói aos ouvidos quanto uma inadmissível nota desafinada por Ella Fitzgerald, quando afirmam que muitos pais mandam os filhos para as escolas para ficarem em casa sem fazer nada e tomando cachaça à custa do Bolsa Família.

Ora, ora meus amigos humanistas e socialistas! O que querem os senhores? Que esses pais mantenham os filhos em casa para assisti-los a tomar cachaça? Ou prefeririam que os mandassem ao trabalho infantil para o troco da cachaça e dos cigarros na venda mais próxima?

Raciocinemos queridos! Raciocinemos! E um pouco de informação (ainda naquela mesma página acessível pelo mesmo computador em que me leem) nunca é demais: Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco, entre os beneficiários residentes na área rural, inferiu que 87% do dinheiro recebido é utilizado para comprar comida[6]. Pesquisas promovidas pelo Banco Mundial indicaram que houve uma significativa redução na exploração do trabalho infantil dentre as crianças beneficiadas pelo Programa Bolsa Família [23].

Precisarão de algo mais desumano do que a fome, para melhor compreensão do que aqui se demonstra?


Além disso, vejamos o se diz ali, no item daquela página sobre Controle e Monitoramento: Foi inaugurado, em dezembro de 2006 [24], um sistema de controle e monitoramento do Programa Bolsa Família, que utiliza satélites e internet via ondas de rádio, o que permite a troca de dados com as Prefeituras de localidades mais remotas, mesmo em regiões em que não há energia elétrica ou telefone. O Brasil já está exportando essa tecnologia que desenvolveu para programas similares de transferência de renda... [25]. A presença dos alunos às aulas é acompanhada bimestralmente pelo MEC e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). A família que descumprir a condicionalidade por cinco vezes consecutivas tem seu benefício definitivamente cancelado.

Sei bem que não é fácil desconstruirmos uma convicção que formulamos sobre alguma coisa e estarão dizendo que nada disso impede que haja pobres se beneficiando do Bolsa Família para continuar na vagabundagem, mas nesse caso, me desculpem meus admiráveis acadêmicos, escritores, intelectuais, humanistas, psicólogos, sociólogos, advogados, filósofos e amigos de tão admiráveis ideologias defendidas ao longo de todas as suas vidas, mas vocês estão se igualando aquelas pessoas mesquinhas e preconceituosas que adotam o reles raciocínio de que pobre e faminto é quem não quer trabalhar.

Nesse caso, sou obrigado a lhes perguntar: a que conceitos de esquerda e humanismo adotam?

Primeiro, peço que façam uma simples analogia com a existência de uma legislação universal que determina, a todo o mundo, uma específica cor para parar e outra, igualmente específica, para prosseguir um veículo automotivo. Há quantos anos essa legislação foi introduzida em cada cidade do planeta? No entanto, ainda hoje ela impede que a cada segundo, em algum lugar do mundo, alguém avance um sinal vermelho?

Segundo, tenho de lhes confessar que prefiro aqueles que, por mesquinhas razões pessoais, não conseguem imaginar que quanto maior a miséria social do país, mais se expõem à violência, ao tráfico e consumo de drogas, à prostituição de seus próprios filhos, à degradação da própria família; por maiores e aparentemente seguros que sejam os muros de suas casas e condomínios.

Àqueles posso perdoar a estupidez, por não serem dotados dos conhecimentos, culturas e raciocínios que os elevam perante a maioria. Mas como justificar uma nota tão desafinada em Ella Fitzgerald?

Para aqueles menos providos, reproduziria outro parágrafo daquela página: Nesse sentido o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou, em 20 de novembro de 2008, a cassação dos mandatos do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice, José Lacerda Neto (DEM), acusados de utilizar programas sociais para a distribuição irregular de dinheiro, via cheques, em um processo denominado Caso Fac (Fundação de Ação Comunitária). "Uma das testemunhas disse que recebeu um cheque e uma mensagem: "Esse é um presente do governador, lembre-se dele. Com os cumprimentos, Cássio Cunha Lima, governador".

Mas a vocês, meus amigos inteligentes e informados, cultos e ponderados, peço desculpas por tentar, aqui, lhes passar essas informações mínimas como se tentasse ensinar Ella Fitzgerald a cantar sem desafinação. Perdoem a pretensão desse longo texto que justifico no fato de que, como sabem, para explicar o óbvio sempre necessitamos de mais palavras.

Portanto, queridos, ainda que eu saiba que as futuras gerações de aposentados não poderiam contar com a Previdência se o governo atendesse suas mágoas. Ou que eu não considere necessário, para presidir o país, os diplomas daqueles que tão mal nos governaram por 500 anos. Ou que me pareça mais importante a realização de programas como o Bolsa Família do que inviabilizar tais realizações por manutenção de animosidades político/ideológicas em nome de uma ética tão questionável quanto, a meu ver, todas são perante a fome e a desumanidade dos poderes que não se diluem a canetadas tal qual se possa, puerilmente, desejar. Até mesmo que me orgulhe de termos um governante operário e nordestino, como me orgulharei de ter uma governante mulher... E ainda que não me pareça justificável tampouco viável a ideia de que, para ser realmente popular e de esquerda, um governo deva mandar os patrões para o paredão e confiscar todo o capital privado do país; me é possível, sim, compreender todas essas suas indisposições com o governo Lula da Silva.

O que não me é compreensível nem possível de levar a sério são seus discursos contra o Bolsa Família.

De seus discursos e mensagens, sempre espero a limpidez da voz da Ella Fitzgerald e me dói ouvir a desafinação ébria da Vanuza assassinando o Hino Nacional, tal qual assassinam o que apregoam como ideal.

Para evitar, a mim e a vocês, tal dissonância, é que indico o texto do Marco Weissheimer: O impacto positivo do Bolsa Família na educação. Foi o que me motivou a pedir-lhes que, nas próximas vezes que queiram me escrever qualquer coisa a respeito do Bolsa Família, usem alguma informação como diapasão para afinar seus discursos e argumentos.

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Assaz Atroz recomenda:

Ella Fitzgerald em One note Samba





Em seguida, assista Tom Jobim em Samba de uma nota só.





Ou, como nós aqui da Agência Assaz Atroz apreciamos, assista aos dois vídeos simultaneamente. Um show!
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*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA
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Agência Assaz Atroz

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Preparando a TRINCHEIRA - Juntos Somos Fortes

Compas e Hermanos,
 
Juntos Somos Fortes. Acessem o site e participem . Sugestões, criticas, artigos, videos. Também pedimos auxilio de representantes ( periodistas ou movimentos de luta) de Toda NUESTRA AMERICA para termos a renovação diaria de noticias de todos os países hermanos e dos movimentos 
Abaixo o comunicado do Hermano Ricardo Salgado ( Resistencia Honduras)
Estimados amigos de Latinoamerica y el mundo:
 
En un esfuerzo singular hemos creado el sitio web Union de los Pueblos de America Latina y el Caribe. El mismo pretende convertirse en un espacio de interaccion entre todos los movimientos sociales de este continente, y ahora, en su etapa de prueba, lo abrimos para que, todos y rodas podamos opinar sobre la construccion del mismo y las opciones que quisieran encontrar.
 
Por ahora presentamos funciones simples como noticias, que tomamos de otros medios pero que esperamos que muy pronto vengan de fuentes de todos los rincones de nuestra america como forma de canalizar nuestros problemas y nuestras opciones de solucion particulares e inherentes a nuestra diversidad. Presentamos un foro donde se pueden plantear nuevos topicos de discusion el mismo puede ser modificadode acuerdo a nuestras necesidades, ademas hemos puesto a disposicion un Libro de Visitas que nos gustaria firmaran con su solidaridad a esta inciativa multinacional de los pueblos latinoamericanos.
 
Trabajamos intensivamente en crear nuevas opciones; pronto tendremos acceso a videos y audio, por lo que todos y todas estan invitados a hacernos llegar sus materiales. Esperamos reproducir pronto un programa piloto de radio y Television originado en Honduras, peo que pretende obtener fuentes desde cada pais, y movimiento.
 
No buscamos competir con sitios hermanos especializados en otros temas, sino prestar un espacio de interaccion intensiva entre nuestros pueblos. Para comunicar sus valiosas opiniones y contribuciones favor, escribir por favor a contacto@uniondelos pueblos.org y visitar nuestro sitio en www.uniondelospuebl os.org .
 
Ademas les pedimos que hagan circular este mensaje, ya que nuestros contactos con pocos, pero con su accion multiplicaremos este esfuerzo exponencialmente.  
 
Ricardo Arturo Salgado Bonilla

Algumas notícias sobre política no Brasil

Algumas notícias sobre política no Brasil
 
"Lula, você deu o que há de mais importante ao povo: esperança. O Brasil alcançou todos os objetivos do Milênio (Metas do Milênio de redução da fome e da pobreza) ...; demonstrou ao mundo que lutar contra a fome tem um significado econômico. O Fome Zero custa menos de 2% do orçamento nacional. Programas de combate à fome são um bom negócio, criam empregos e crescimento
(Josette Sheeram, do Programa de Alimentos da ONU, na entrega do título de Campeão Mundial na Luta Contra a Fome" ao Presidente Lula, 10-05)
 
Rússia apoia esforço do Brasil pela paz no Irã; Sarkozy endossa tentativa brasileira de um acordo que evite sanções contra o Irã; alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano reconhece: 'Lula é a última chance para que o Irã retorne negociações". O embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, ao Financial Times:  ' À medida que o Brasil se torna mais afirmativo globalmente e começa a afirmar sua influência, vamos trombar com o Brasil em novos temas - como o Irã, o Oriente Médio, o Haiti; embora positiva de uma maneira geral esta postura brasileira está nos desafiando porque significa que temos de repensar a forma como entendemos nosso relacionamento". E Serra? Aspas para sua declaração  em entrevista à RBS essa semana: 'Como presidente, não receberia nem visitaria Ahmadinejad'. 
(Carta Maior e o confronto entre duas visões de mundo e soberania; 14-05)
 
Não esqueçam: A candidatura que representa a continuidade e o avanço de Lula é DILMA, não é Serra.

Enviado PorMarcelo Dorneles Michel

LIBERDADE PARA NUESTRA GENTE!


13 DE MAIO: DIA DO QUE!?

Em1983, em foto de capa intitulada TODOS NEGROS, via-se policiais cariocas
levando grupo de favelados negros atados pelo pescoço por uma corda.
Semelhante a pinturas do séc. XIX (capataz com chicote ao lado de escravos
amarrados), da foto, de Luiz Morier, atualíssima, questiona-se:
Por que a data-referência da "libertação dos negros"?
Qual é seu exato significado?
Ora, ainda viva na população brasileira a crença da "democracia racial",
um só olhar e se nota a profunda discriminação de etnias. São dos negros
os empregos socialmente inexpressivos. Evidência a derrubar
o imaginário de 2 séculos.Nem com o Dia da Consciência Negra aboliu-se
a reverência aoritual do 13 de maio. A elite contrária a políticas de cotas
e ao Estatuto da Igualdade Racial, hipócrita, finge ignorar:
só com reforma agrária e iguais oportunidades haverá liberdade!

(Caos Markus)
 Pense sobre isso.
 Conheça a luta para titularização de Terras no ES (A Luta nos QUILOMBOLAS )
1- Quando acabou a escravidão (no famoso 13 de maio) para onde foram mandados os escravos agora libertos?
2 - Quem inventou as favelas no Rio, no Brasil, na América Latina, no mundo?
3 – Se tivesse sido feita, desde há 120 anos atrás, a Reforma Agrária, quantos milhões de pessoas morariam no campo ao invés dos morros ou lixões do Rio?


4 – Por que ¼ da população do Rio “quer” morar em favelas?
5 – Quais alternativas foram apresentadas, nos últimos 50 anos para deixar a favela? Qual plano de construções populares, construídas a menos de um quilômetro da favela a ser removida? Qual o valor da mensalidade a ser paga até resgatar o total do valor da casa em 30 anos? Qual a relação deste valor com o salário do morador removido?
6 – Por que as pessoas “escolhem” morar em barracos em cima de barrancos ou na beira de córregos poluídos e em situação de risco?
7 – Por que as pessoas das favelas teimam em não querer mudar de lugar de moradia?
Deixe a sua resposta, ou então, suas conclusões.

(Caos Markus) Enviada Por Meio Ambiente com a colaboração de Nanda Tardin

DILMA 2010 - PRO BRASIL CONTINUAR A CRESCER.

Da-lhes DILMA

discurso eleitoral de Dilma


A chave do discurso de Dilma
“O debate a ser posto na mesa pela petista trata de estabelecer o seguinte: em qual momento o Brasil tomou seu atual rumo de desenvolvimento econômico com estabilidade, crescimento da classe média e do consumo interno, com um papel de maior inserção no cenário internacional?” As últimas inserções comerciais do PT – as que foram proibidas pela Justiça Eleitoral e as duas outras colocadas no ar substituindo-as – contêm a chave do que será o discurso eleitoral de Dilma Rousseff na disputa pela sucessão do presidente Lula em outubro. ..o programa do partido na quinta-feira, 13 de maio (houve também uma ação dos partidos de oposição tentando suprimi-lo), um pouco mais poderá ser visto pelo eleitor.
Não se trata simplesmente de buscar estabelecer uma comparação entre o governo Lula e o governo Fernando Henrique. Não se trata simplesmente de um mero campeonato de números entre Dilma, representando a continuidade, e Serra, representante da era FHC. É um pouco mais complexo. Mas, se for bem explorado pelos responsáveis pela campanha de Dilma, pode vir a ser mesmo a diferença a marcar a opção de voto nela.
O debate a ser posto na mesa por Dilma trata de estabelecer o seguinte: em qual momento o Brasil tomou seu atual rumo de desenvolvimento econômico com estabilidade, crescimento da classe média e do consumo interno, com um papel de maior inserção no cenário internacional?
São dados da realidade que o país atingiu um patamar de estabilidade econômica talvez nunca visto.
Que uma imensa parcela da população menos favorecida foi inserida na classe média.
Que essa nova classe média fez aquecer a economia, aumentar o consumo interno e melhorar o desempenho das indústrias.
Que esse aumento da economia interna não se deu em detrimento das exportações. E que o Brasil hoje não desempenha apenas um papel de mero coadjuvante tímido no cenário internacional.
É claro que o Brasil não resolveu todos os seus problemas. Ainda possui um dos quadros mais graves de desigualdade social do mundo. Ainda possui um sistema educacional lamentável e uma taxa alta de analfabetismo muito alta.
Mas é inegável o quanto o país avançou. Um bocado da tese do pós-Lula, lançada por Aécio Neves e encampada por José Serra vem disso, da necessidade de construção de um discurso alternativo que não pode simplesmente negar o atual estágio do país.
A discussão proposta por Dilma e pelos responsáveis pela sua campanha quer estabelecer qual foi o conjunto de situações, escolhas e decisões que levaram à construção dessa realidade. Serra dirá que é tudo consequência do Plano Real e da condução da economia durante o governo Fernando Henrique. Que o único mérito de Lula foi ter tido a sabedoria de não alterar esse rumo como prometeu na campanha de 2002 com a Carta aos Brasileiros. E que mais não foi feito pela ineficiência da máquina petista. E que, assim, portanto, ele deve ser eleito porque conseguirá tornar mais eficaz o modelo acelerando o desenvolvimento.
O que Dilma prepara-se para dizer com relação a isso é que o estágio atual do país é fruto das escolhas e decisões que foram tomadas pelo governo Lula. E que provavelmente não teriam sido tomadas por um governo de conformação mais conservadora.
Ao resumir o governo Lula, os formuladores da campanha de Dilma o dividem em duas etapas: na primeira, que durou um pouco mais da primeira metade do primeiro mandato, foram criadas as condições para a aceleração da economia, característica da segunda etapa.Segundo Dilma dirá, quando Lula assumiu o governo, a situação econômica do país era de estagnação e desigualdade.
Ao longo dos seus oito anos de governo, Lula conseguiu, então, imprimir ações que derrubaram alguns tabus.
O primeiro: aumento de salário gera inflação.
O segundo: não dá para crescer distribuindo renda (a velha idéia de que primeiro é preciso crescer para distribuir depois). Na verdade, a campanha de Dilma prepara-se para tentar mostrar que foi justamente por melhorar salários e distribuir renda – aumentando o mercado consumidor interno – que Lula fez o país o crescer. Hoje, 60% do país estão acima da classe D, ou seja, pelo menos na classe média.
Na tal primeira etapa, era necessário um vôo mais conservador para fazer com que o país recuperasse as condições para a etapa seguinte. O Brasil saneou suas dívidas e recuperou suas reservas. Dilma não dirá – porque, é claro, agora não lhe convém – que divergiu muito do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na intensidade e na extensão da sua ortodoxia naquele momento. Ou seja: se dependesse de Dilma, a primeira etapa talvez tivesse sido mais curta. Mas, se o doutor Palocci, na época, overdosou ou não o paciente, isso hoje importa menos, acredita-se no comando da campanha de Dilma. O importante é que foram criadas as condições para a segunda etapa.Para o surgimento da nova classe média – que, não sem razão, se tornou o principal esteio eleitoral de Lula –, conjugou-se uma forte política social com uma forte política de crédito. Enquanto a política social garantia às famílias mais pobres o básico, o crédito, associado à estabilidade, assegurou o acesso a bens duráveis e a outros produtos que antes estavam a milhares de quilômetros de distância da possibilidade de consumo dessas pessoas. Em 2003, o crédito disponível no sistema brasileiro girava em torno de R$ 380 bilhões. Em março deste ano, o valor disponível era de R$ 1,4 trilhão. É crédito consignado, crédito para bens duráveis, crédito agrícola, etc. Consumindo, essa população aqueceu a economia e fez o país crescer. E melhorou substancialmente a sua própria qualidade de vida.Na eleição em 2006, essa realidade já se verificava. E foi principalmente essa nova classe média, essa nova população mais diretamente beneficiada com a condução do governo Lula, que pendeu a balança para fazer com que ele se reelegesse na disputa com Geraldo Alckmin. Agora, Lula não será o candidato. E eis aí o desafio de Dilma: sua tarefa é mostrar ao eleitor que a continuidade dessa situação naturalmente é ela.
O que ela dirá, então, é que Lula a escolheu como sucessora exatamente porque foi ela a operadora dessa segunda etapa do governo, em que, postas as condições básicas, operou-se a tal mudança.
Da Casa Civil, era Dilma quem criava – é o que ela pretende demonstrar – as condições para que acontecesse a tal etapa de crescimento econômico com estabilidade e igualdade social. Se era ela, então, quem materializava esse discurso no governo Lula, é ela a melhor escolha de quem quer manter as coisas no mesmo rumo.Em síntese, esse é o discurso construído. Algumas atitudes da oposição mostram a existência talvez de um certo desconforto em aceitar o debate nesses termos propostos por Dilma e pelo PT. É um sinal de que o discurso pode colar. Se, em outubro, o eleitor sentir-se bem com a sua situação, se entender que ela é fruto das decisões tomadas por Lula, e que a continuação dessas decisões faz mais sentido que venha de alguém ligado a ele, então Dilma terá vencido a parada.(*Rudolfo Lago, no Congresso em Foco).

*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão.( Rudolfo Lago, no Congresso em Foco).
Maria da Penha Neles reforça:
Foi no governo Lula que o Brasil tomou seu atual rumo de desenvolvimento econômico com estabilidade, crescimento da classe média e do consumo interno, com um papel de maior inserção no cenário internacional.
Da Casa Civil, era Dilma quem criava as condições para que acontecesse a etapa de crescimento econômico com estabilidade e igualdade social.
Se era ela, então, quem materializava esse discurso no governo Lula, é ela a melhor escolha de quem quer manter as coisas no mesmo rumo.

Lula, o líder mais influente do mundo

Lula, o líder mais influente do mundo - Legendado Lula, o líder mais influente do mundo(YouTube)



Enviado por 
Paulo Roberto Silva Filho "betovix"

Vamos manter viva a universidade dos trabalhadores!


por José Arbex Jr. (texto originalmente publicado na revista Caros Amigos)  

Caros(as) amigos(as): 

A Escola Nacional Florestan Fernandes pede a sua ajuda urgente para se manter em funcionamento (veja como contribuir, no final deste texto). 

Situada em Guararema (a 70 km de São Paulo), a escola foi construída, entre os anos 2000 e 2005, graças ao trabalho voluntário de pelo menos mil trabalhadores sem terra e simpatizantes. Nos cinco primeiros anos de sua existência, passaram pela escola 16 mil militantes e quadros dos movimentos sociais do Brasil, da América Latina e da África. Não se trata, portanto, de uma “escola do MST”, mas de um patrimônio de todos os trabalhadores comprometidos com um projeto de transformação social. Entretanto, no momento em que o MST é obrigado a mobilizar as suas energias para resistir aos ataques implacáveis dos donos do capital, a escola torna-se carente de recursos. Nós não podemos permitir, sequer tolerar a ideia de que ela interrompa ou sequer diminua o ritmo de suas atividades. 

A escola oferece cursos de nível superior, ministrados por mais de 500 professores, nas áreas de Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política da Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social, Educação do Campo e Estudos Latino-americanos. Além disso, cursos de especialização, em convênio com outras universidades (por exemplo, Direito e Comunicação no campo). 

O acervo de sua biblioteca, formado com base em doações, conta hoje com mais de 40 mil volumes impressos, além de conteúdos com suporte em outros tipos de mídia. Para assegurar a possibilidade de participação das mulheres, foram construídas creches (as cirandas), onde os filhos permanecem enquanto as mães estudam.


A escola foi erguida sobre um terreno de 30 mil metros quadrados, com instalações de tijolos fabricados pelos próprios voluntários. Ao todo, são três salas de aula, que comportam juntas até 200 pessoas, um auditório e dois anfiteatros, além de dormitórios, refeitórios e instalações sanitárias. Os recursos para a construção foram obtidos com a venda do livro Terra (textos de José Saramago, músicas de Chico Buarque e fotos de Sebastião Salgado), contribuições de ONGs europeias e doações. 

Claro que esse processo provocou a ira da burguesia e de seus porta-vozes “ilustrados”. Não faltaram aqueles que procuraram, desde o início, desqualificar a qualidade do ensino ali ministrado, nem as “reportagens” sobre o suposto caráter ideológico das aulas (como se o ensino oferecido pelas instituições oficiais fosse ideologicamente “neutro”), ou ainda as inevitáveis acusações caluniosas referentes às “misteriosas origens” dos fundos para a sustentação das atividades. As elites, simplesmente, não suportam a ideia que os trabalhadores possam assumir para si a tarefa de construir um sistema avançado, democrático, pluralista e não alienado de ensino. Maldito Paulo Freire! 

Os donos do capital têm mesmo razões para se sentir ameaçados. Um dos pilares de sustentação da desigualdade social é, precisamente, o abismo que separa os intelectuais das camadas populares. O “povão” é mantido à distância dos centros produtores do saber. A elite brasileira sempre foi muito eficaz e inteligente a esse respeito. Conseguiu até a proeza de criar no país uma universidade pública (apenas em 1934, isto é, 434 anos após a chegada de Cabral) destinada a excluir os pobres. 

Carlos Nelson Coutinho e outros autores já demonstraram que, no Brasil, os intelectuais que assumem a perspectiva da transformação social sempre encontraram dois destinos: ou foram cooptados (mediante o “apadrinhamento”, a incorporação domesticada nas universidades e órgãos de serviços públicos, ou sendo regiamente pagos por seus escritos, ou recebendo bolsas e privilégios etc.), ou os poucos que resistiram foram destruídos (presos, perseguidos, torturados, assassinados). 

Apenas a existência de movimentos sociais fortes, nacionalmente organizados e estruturados poderia fornecer aos intelectuais oriundos das classes trabalhadoras ou com elas identificados a oportunidade de resistir, produzir e manter uma vida decente, sem depender dos “favores” das elites. Ora, historicamente, tais movimentos foram exterminados antes mesmo de ter tido tempo de construir laços mais amplos e fortes com outros setores sociais. 

A ENFF coloca em cheque, esse mecanismo histórico. A construção da escola só foi possibilitada pela prolongada sobrevivência relativa do MST (completou 25 anos 2009, um feito inédito para um movimento popular de dimensão nacional), bem como o método por ele empregado, de diálogo e interlocução com o conjunto da nação oprimida. Esse método permitiu o desenvolvimento de uma relação genuína de colaboração entre a elaboração teórica e a prática transformadora. 

É uma oportunidade histórica muito maior do que a oferecida ao próprio Florestan Fernandes, Milton Santos, Paulo Freire e tantos outros grandes intelectuais que, apesar de todos os ataques dos donos do capital, souberam apoiar-se no pouquíssimo que havia de público na universidade brasileira para elaborar suas obras. 

Veja como você pode participar da Associação dos Amigos da Escola Florestan Fernandes 

Em dezembro, um grupo de intelectuais, professores, militantes e colaboradores resolveu criar a Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, com três objetivos bem definidos: 1 – divulgar as atividades da escola, por todos os meios possíveis, incluindo sites, newsletter e blogs; 2 – iniciar uma campanha nacional pela adesão de novos sócios; 3 – promover uma série intensa de atividades, em São Paulo e outros estados, para angariar fundos, com privilégios especiais concedidos aos membros da associação. 

O seu Conselho de Coordenação é formado por José Arbex Junior, Maria Orlanda Pinassi e Carlos Duarte. Participam do Conselho Fiscal: Caio Boucinhas, Delmar Mattes e Carlos de Figueiredo. A sede situa-se na Rua da Abolição n° 167 - Bela Vista - São Paulo – SP – Brasil - CEP 01319-030. 

Existem duas modalidades de associação: a plena e a solidária. A única diferença entre ambas as modalidades consiste no valor a ser pago. Ambas asseguram os mesmos direitos e privilégios estendidos aos associados. 

Para ficar sócio pleno, você deverá pagar a quantia de R$ 20,00 (vinte reais) mensais; para tornar-se sócio solidário, você poderá contribuir com uma quantia maior ou menor do que os R$ 20,00 mensais. Esses recursos serão diretamente destinados às atividades da escola ou, eventualmente, empregados na organização de atividades para coleta de fundos (por exemplo: seminários, mostras de arte e fotografia, festivais de música e cinema). 

Para participar e contribuir, clique aqui , faça o download da Ficha de Adesão (PDF), imprima, preencha e envie por email para associacaoamigos@enff.org.br . Caso você seja do Rio de Janeiro, envie uma cópia do email para amigosdaenff.rj@gmail.com

Para obter mais informações, procure a secretaria executiva Magali Godoi através dos telefones: (11) 3105-0918; (11) 9572-0185; (11) 6517-4780, ou do correio eletrônico: associacaoamigos@enff.org.br 

DOLSA FAMILIA SIM. O POVO não espera ( após 50 anos de falcatruas (seguida fielmente por tucanos) para comer.

A HARMONIOSA RELAÇÃO ENTRE ELLA FITZGERALD E O BOLSA FAMÍLIA
                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Raul Longo

Tenho ouvido e lido, inclusive de amigos, gente séria e inteligentes que se reivindicam como humanistas e que deveras se têm pautado como tal, constantes acusações ao programa Bolsa Família como demagogia eleitoreira.
Quando esse tipo de crítica parte dos políticos da oposição, me é muito compreensível. Afinal, foi o governo que apoiaram quem criou o programa que, atrelado a outros, não surtiu efetivos efeitos como Bolsa Escola, Auxílio Gás ou Cartão Alimentação.
Dado que em todas comparações entre os períodos 1994 – 2002 e 2003 – 2010, os números inviabilizam e ridicularizam o argumento de que atual governo se limita às políticas econômico/sociais do anterior; há de se convir que algo, ou preferencialmente tudo, os oposicionistas têm de criticar. Sobretudo em face a absoluta e notável falta de projetos e propostas para um futuro plausível as soluções dos problemas humanos do Brasil.
Mas me dói aos ouvidos, tão quanto seria dolorido uma nota desafinada pela garganta de Ella Fitzgerald, o ouvir esses amigos insistirem em afirmar que o Bolsa Família é um programa demagógico e eleitoreiro.
Senhores: o que é ser humanista se não dedicar-se a promoção de oportunidades para que a condição humana prospere e evolua? Porque essa dedicação, quando assumida por um governo, se desautoriza? Dentro dessa lógica, o lógico seria apoiar governos despóticos, voltados somente aos interesses de classes já privilegiadas. É por aí?  
Peço que se lembrem de que não basta ser inteligente. Graciliano Ramos, sabemos, era um homem muito inteligente e honesto, que produziu das mais notáveis páginas da nossa literatura. No entanto, quando Charles Miller trouxe as regras do futebol para o Brasil, Graciliano escreveu que jamais o povo brasileiro se adaptaria e se estimularia por aquele esporte.
Se houvesse usado a inteligência de que era dotado, para pensar, ponderar e avaliar melhor, não teria chegado tão secamente a tal conclusão, quanto chegou à esplêndida interpretação literária da vida de seus personagens.
Pensem, por favor, amigos! O que eram as bolsas esmolas eleitoreiras? Quando e quem as distribuía? Em que meses do ano? Às vésperas de quais eventos?
É possível imaginar que os candidatos visitassem as casas de seus eleitores mês a mês, ao longo de todos os anos, independentemente de serem períodos eleitorais ou não? É o presidente Lula, ou a candidata Dilma Roussef quem visita família por família para doar um botijão de gás, uma cesta básica, algum dinheirinho, um saco de cimento e alguns tijolos?
Vamos nos informar melhor? Então, lá vai:    Para cadastrar no Programa Bolsa Família, as famílias com renda mensal per capita de até R$140,00 devem procurar a prefeitura de seu município e informar seus dados no Cadastro Único dos Programas Sociais (CadÚnico), de forma a ficarem aptas para inclusão no Programa Bolsa Família. O benefício é liberado de forma impessoal, por um processo de seleção da CEF para minimizar as possíveis influências do 'governante do turno' no programa, tentando impedir, assim, a provável interferência de políticos. O PBF busca priorizar as famílias de menor renda.[20][21]
Essa informação se encontra em http://pt.wikipedia.org/wiki/Bolsa_Família., mas antes de consultarem esse endereço peço que atendem para o fato de que nem todas as prefeituras e nem todos os governos de estado são exercidos por correligionários ou aliados ao partido do governo federal. Aliás, sequer a maioria.
Agora, se realmente tiverem interesse em melhor se informar sobre o que reiteradamente opinam, ainda ali naquele mesmo endereço poderão conhecer todo o histórico do Bolsa Família, desde sua idealização pelo Herbert de Souza, o saudoso Betinho, até as influências que hoje exerce sobre experiências similares em todo o mundo, inclusive nos países desenvolvidos. Encontrarão, inclusive, o que sobre o programa se referem os principais organismos e instituições internacionais voltadas a programas de promoção humana ou erradicação da miséria no planeta.
Claro que, como qualquer outra informação, venha de onde vier, sempre há que se conferir, checar a veracidade, pois não haveremos de divulgar que João é bom ou mau, sem antes conhecermos João, para não passarmos a impressão de que razões escusas nos movem a denegrir ou exaltar João, não é verdade?
Muitos também dizem que João é a cara de José, mas antes de afirmarmos que o Bolsa Família é mera cópia do Bolsa Escola, nos informemos um pouco mais, na mesma página: Em 2002 já havia no Brasil uma multitude de programas sociais que já beneficiava cerca de cinco milhões de famílias, através, entre outros, de programas como o "Bolsa Escola", vinculado ao Ministério da Educação, "Auxílio Gás", vinculado ao Ministério de Minas e Energia e o "Cartão Alimentação", vinculado ao Ministério da Saúde, cada um desses geridos por administrações burocráticas diferentes. 
“E daí?” – considerarão: “- Isso eu já sabia! Mas qual a vantagem do Bolsa Família sobre os programas anteriores”. Se voltarmos um pouco na página, vamos encontrar ali: Desde os anos 80 há um debate sobre prover assistência a famílias pobres e miseráveis. A concessão de benefícios e ajuda era então feita pontualmente e de forma indireta, geralmente com a distribuição de cestas básicas em áreas carentes principalmente do norte e nordeste, algumas vezes seguidas de denúncias de corrupção devido a centralização das compras em Brasília, além do desvio de mercadorias pela falta de controle logístico.
Aí vem aquela crítica lamentável do Senador Cristovam Buarque, magoado pelo governo não ter ficado satisfeito com seu desempenho no Ministério da Educação, onde discute questões semânticas entre Escola e Família embora a condicionalidade de filhos em frequência escolar e acompanhamento de saúde, seja ainda a exigência sine qua non para o recebimento do benefício. É da falta de exercício da inteligência que, sem dúvida alguma, Cristovam é privilegiado, que se originou o ruído que tanto me dói aos ouvidos quanto uma inadmissível nota desafinada por Ella Fitzgerald, quando afirmam que muitos pais mandam os filhos para as escolas para ficarem em casa sem fazer nada e tomando cachaça as custas do Bolsa Família.
Ora, ora meus amigos humanistas e socialistas! O que querem os senhores? Que esses pais mantenham os filhos em casa para assisti-los a tomar cachaça? Ou prefeririam que os mandassem ao trabalho infantil para o troco da cachaça e dos cigarros na venda mais próxima?
Raciocinemos queridos! Raciocinemos! E um pouco de informação (ainda naquela mesma página acessível pelo mesmo computador em que me leem) nunca é demais: Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco dentre os beneficiários residentes na área rural, inferiu que 87% do dinheiro recebido é utilizado para comprar comida.[6]Pesquisas promovidas pelo Banco Mundial indicaram que houve uma significativa redução na exploração do trabalho infantil dentre as crianças beneficiadas pelo Programa Bolsa Família[23]
Precisarão de algo mais desumano do que a fome, para melhor compreensão do que aqui se demonstra?
Além disso, vejamos o se diz ali, no item daquela página sobre Controle e Monitoramento: Foi inaugurado, em dezembro de 2006.,[24] um sistema de controle e monitoramento do Programa Bolsa Família, que utiliza satélites e internet via ondas de rádio, o que permite a troca de dados com as Prefeituras de localidades mais remotas, mesmo em regiões em que não há energia elétrica ou telefone..[25] O Brasil já está exportando essa tecnologia que desenvolveu para programas similares de transferência de renda... A presença dos alunos às aulas é acompanhada bimestralmente pelo MEC e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome(MDS). A família que descumprir a condicionalidade por cinco vezes consecutivas tem seu benefício definitivamente cancelado
Sei bem que não é fácil desconstruirmos uma convicção que formulamos sobre alguma coisa e estarão dizendo que nada disso impede que haja pobres se beneficiando do Bolsa Família para continuar na vagabundagem, mas nesse caso, me desculpem meus admiráveis acadêmicos, escritores, intelectuais, humanistas, psicólogos, sociólogos, advogados, filósofos e amigos de tão admiráveis ideologias defendidas ao longo de todas as suas vidas, mas vocês estão se igualando aquelas pessoas mesquinhas e preconceituosas que adotam o reles raciocínio de que pobre e faminto é quem não quer trabalhar.
Nesse caso, sou obrigado a lhes perguntar: a que conceitos de esquerda e humanismo adotam?
Primeiro, peço que façam uma simples analogia com a existência de uma legislação universal que determina, a todo o mundo, uma específica cor para parar e outra, igualmente específica, para prosseguir um veículo automotivo. Há quantos anos essa legislação foi introduzida em cada cidade do planeta? No entanto, ainda hoje ela impede que a cada segundo, em algum lugar do mundo, alguém avance um sinal vermelho?
Segundo, tenho de lhes confessar que prefiro aqueles que, por mesquinhas razões pessoais, não conseguem imaginar que quanto maior a miséria social do país, mais se expõem à violência, ao tráfico e consumo de drogas, à prostituição de seus próprios filhos, à degradação da própria família; por maiores e aparentemente seguros que sejam os muros de suas casas e condomínios.
Àqueles posso perdoar a estupidez, por não serem dotados dos conhecimentos, culturas e raciocínios que os elevam perante a maioria. Mas como justificar uma nota tão desafinada em Ella Fitzgerald?
Para àqueles menos providos, que também os tenho entre meus correspondentes, reproduziria outro parágrafo daquela página: Nesse sentido o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou, em 20 de novembro de 2008, a cassação dos mandatos do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), e de seu vice José Lacerda Neto (DEM), acusados de utilizar programas sociais para a distribuição irregular de dinheiro, via cheques, em um processo denominado Caso Fac (Fundação de Ação Comunitária). "Uma das testemunhas disse que recebeu um cheque e uma mensagem: "Esse é um presente do governador, lembre-se dele. Com os cumprimentos, Cássio Cunha Lima, governador".
Mas a vocês, meus amigos inteligentes e informados, cultos e ponderados, peço desculpas por tentar, aqui, lhes passar essas informações mínimas como se tentasse ensinar Ella Fitzgerald a cantar sem desafinação. Perdoem a pretensão desse longo texto que justifico no fato de que, como sabem, para explicar o óbvio sempre necessitamos de mais palavras.
Portanto, queridos, ainda que eu saiba que as futuras gerações de aposentados não poderiam contar com a Previdência se o governo atendesse suas mágoas. Ou que eu não considere necessário, para presidir o país, os diplomas daqueles que tão mal nos governaram por 500 anos. Ou que me pareça mais importante a realização de programas como o Bolsa Família do que inviabilizar tais realizações por manutenção de animosidades político/ideológicas em nome de uma ética tão questionável quanto,a meu ver, todas são perante a fome e a desumanidade dos poderes que não se diluem a canetadas tal qual se possa, puerilmente, desejar. Até mesmo que me orgulhe de termos um governante operário e nordestino, como me orgulharei de ter uma governante mulher... E ainda que não me pareça justificável tampouco viável a ideia de que, para ser realmente popular e de esquerda, um governo deva mandar os patrões para o paredão e confiscar todo o capital privado do país; me é possível, sim, compreender todas essas suas indisposições com o governo Lula da Silva.
O que não me é compreensível nem possível de levar a sério são seus discursos contra o Bolsa Família.
De seus discursos e mensagens, sempre espero a limpidez da voz da Ella Fitzgerald e me dói ouvir a desafinação ébria da Vanuza assassinando o Hino Nacional, tal qual assassinam o que apregoam como ideal.
Para evitar, a mim e a vocês, tal dissonância, é que mantenho aí abaixo o texto do Marco Weissheimer. Foi o que me motivou a pedir-lhes que, nas próximas vezes que queiram me escrever qualquer coisa a respeito do Bolsa Família, usem de alguma informação como diapasão para afinar seus discursos e argumentos.       



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O impacto positivo do Bolsa Família na educação



O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o Ministério da Educação divulgaram novos dados revelando que o Bolsa Família tem um impacto positivo na trajetória educacional dos beneficiários do programa. Ao observar os índices de aprovação e abandono escolar dos estudantes da rede pública de ensino, o Ministério da Educação verificou que a exigência da freqüência às aulas por parte do Bolsa Família faz toda a diferença. Segundo pesquisa realizada pelo ministério, no ensino médio, a aprovação dos beneficiários do Bolsa Família é maior do que a média nacional (81,1% contra 72,6%). No ensino fundamental, os números são similares (80,5% de beneficiários aprovados contra 82.3% da medida nacional). Os indicadores de abandono no ensino fundamental também revelam um impacto positivo: 3,6% dos beneficiários deixam a escola, contra 4,8% da média nacional. Já no ensino médio, o índice de abandono é de 7,2% entre os beneficiários, enquanto a média nacional é de 14,3%.
Esses números se referem a domicílios identificados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2006, pelo Censo Escolar Inep/Educacenso, pelo Sistema Presença de freqüência escolar do Bolsa Família e pelo Núcleo de Opinião e Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Trata-se do primeiro retrato do impacto do programa nos resultados da educação. Até então, o acompanhamento se limitava ao registro de frequência às aulas, condição para a permanência das famílias no programa. Na avaliação do professor Denílson Bandeira, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, o Bolsa Família impacta, de fato, mais do que as outras variáveis, seja por exigir a presença, seja por implicar mudança de comportamento dos alunos, que melhoram até o vestuário. (Clique aqui para ler mais)
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Etiquetas: Bolsa Família

Governos e trabalhadores europeus pagam custo de orgia do sistema financeiro


O governo espanhol anunciou a redução de 5% dos salários dos funcionários públicos, o congelamento de salários e o corte de investimentos públicos para enfrentar a crise econômica que afeta o país. Na Grécia, sindicatos convocam quinta greve geral contra corte de pensões anunciado pelo governo. Para analista do Financial Times, origem da crise da dívida dos governos é a prodigalidade de amplos segmentos do setor privado, e do setor financeiro, em particular. “Os mercados financeiros financiaram a orgia e, agora, em pânico, estão se recusando a financiar a faxina resultante”, diz Martin Wolf.
Agora os governos se empenham em lidar com as seqüelas, escreve ainda Wolf. “Ao insistir em afirmar que não haverá calotes, porém, estão protegendo o setor financeiro da sua estupidez. Em vez disso, espera-se que os povos dos países endividados paguem. Será que esse trato comprovará ser aceitável, na ausência de um retorno ao crescimento nos países afetados? Dificilmente”, conclui o analista. Para ele, a orgia do setor financeiro também traz como conseqüência a necessidade de uma profunda reforma na zona do euro. Mas é impossível pensar em um retorno às moedas nacionais, adverte, pois isso provocaria a implosão do sistema financeiro. O fato é que a Europa ingressou numa zona de forte turbulência e, para variar, quem está pagando a conta é o setor público e os trabalhadores. (Clique aqui para ler mais)
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Começa Feira Nacional da Agricultura Familiar


O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, abre nesta quinta-feira (13), em Porto Alegre, a Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária – Brasil Rural Contemporâneo. A Feira inicia oficialmente às 16h, no Cais do Porto. Antes, às 15h30min, o ministro receberá convidados em um coquetel oferecido pelas cooperativas de agricultura familiar do Rio Grande do Sul. Com entrada franca, a Feira será realizada de quinta a domingo (13 a 16 de maio), no Cais do Porto, devendo reunir 350 empreendimentos familiares de todo o Brasil.
O Rio Grande do Sul é um dos Estados que têm a agricultura familiar mais forte do país. O setor corresponde a cerca de 86% dos estabelecimentos rurais produtivos no Estado, sendo responsável por 54% do valor bruto da produção gaúcha e 81% das pessoas ocupadas no meio rural. Na edição deste ano da Feira Nacional da Agricultura Familiar, mais de 200 toneladas de produtos deverão ser comercializados.
O evento ocupará três armazéns do Cais do Porto (A4, A5 e A6). Nesses espaços estarão à disposição do público produtos como os queijos do Rio Grande do Sul e a cracóvia do Paraná; o bombom de buriti do Cerrado, o tacacá da Amazônia e a tapioca do Nordeste; roupas e acessórios de lã de ovelha e crina de cavalo do Rio Grande do Sul e bolsas de couro de peixe do Mato Grosso do Sul, entre outros achados que refletem a diversidade dos produtos da agricultura familiar.
A Feira contará também com uma intensa programação cultural. No Palco Multicultural, ocorrerão shows com Gilberto Gil, Otto, Teatro Mágico e Monobloco, além dos gaúchos Richard Serraria, Nei Lisboa, Frank Jorge, Julio Reny e Wander Wildner. Já np Tablado de Raiz estarão presentes grupos como o Maracatu Estrela de Ouro (PE), Zambiapunga (BA), Coco Raízes de Arco Verde (PE), Congada Maçambique de Osório (RS) e Cantadores do Litoral (RS).
Foto: Eduardo Monteiro/MDA
Postado em: Agricultura.
Etiquetas: MDA

Herança e alegoria



Por Adão Paiani (*)
Entendo importante a manifestação do cineasta Jorge Furtado, na entrevista ao Sul 21; discordo dela em alguns aspectos, mas concordo no fundamento da crítica. Nossa realidade atual não permite que possamos nos considerar exemplo positivo para rincão nenhum desse país; ao contrário. Importamos mazelas que julgávamos exclusividade de outros Brasis, e ainda tivemos a capacidade de aprimorá-las.
No entanto, convém lembrar que a valorização do nosso legado cultural; luso, hispânico, com todas as nuances dadas pela imigração posterior e pela raiz ameríndia e africana; iniciada pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho representou, na sua origem, uma resposta ao colonialismo cultural do pós-guerra; que nos colocava num patamar de inferioridade frente ao american way of life que nos enfiavam goela a baixo.
Historicamente, o movimento foi importante para resgatar a base sobre a qual, bem ou mal, se construiu nossa sociedade. Apesar de todas as críticas que possamos ter aos valores e à tradição que nos foram legados, eles são as bases de nossa identidade. E seria injusto avaliar essa herança cultural por uma perspectiva histórica descontextualizada.
Ocorre que esses mesmos valores foram apropriados por uma pseudo-elite, atrasada e reacionária e que apenas faz de conta valorizar o passado de lutas desse povo meridional, usando em seu proveito somente os aspectos que lhe convêm. E que não se dá ao trabalho, por não interessar ao seu projeto, de buscar inspiração nos exemplos libertários de um Bento Gonçalves da Silva, de Giuseppe Garibaldi, Antônio de Souza Neto ou Luigi Rossetti. Interessa-lhes tão somente o culto asséptico a um passado idealizado; como se lá não houvesse exemplos de revolta e insubmissão que deveriam ser seguidos ainda hoje.
Isso pode perfeitamente ser observado, atualmente, no apoio de segmentos importantes do tradicionalismo a um grupo hegemônico que ainda têm a pretensão de querer governar o Rio Grande e seu povo como se fosse uma estância do século XIX. Esse gauchismo de bravatas e fachada só consegue enxergar o que existe de ruim do Mampituba para cima, ignorando coisas iguais ou piores que acontecem por aqui; e com isso só consegue desconstruir a identidade de um povo.
Rasgando os bons exemplos do passado, transformam as pilchas que vestem em meras alegorias, sem o valor e fundamento que realmente deveriam ter; contentando-se com cavalgadas, desfiles, músicas e poesias, onde o auto-elogio fácil, geralmente de gosto pra lá de duvidoso, beira com facilidade o ridículo.
as isso não pode servir de motivo para deixarmos, dentre outras coisas, de cantar, com emoção e respeito, um hino de letra e música simples e tocante, motivo de admiração por todos os que nos visitam, e que diz muito da herança verdadeira que recebemos. É algo que nos cabe preservar, e transformar na base sólida do futuro que queremos construir para o povo riograndense.
(*) Advogado
Postado em: Rio Grande do Sul.