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sábado, 8 de maio de 2010

Grito da Terra

Grito da Terra, clamor dos povos

Por Frei Betto
Os gregos antigos já haviam percebido: Gaia, a Terra, é um organismo vivo. E dela somos frutos, gerados em 13,7 bilhões de anos de evolução. Porém, nos últimos 200 anos, não soubemos cuidar dela e a transformamos em mercadoria, da qual se procura obter o máximo de lucro.
Hoje, a Terra perdeu 30% de sua capacidade de autorregeneração. Somente através de intervenção humana ela poderá ser recuperada. Nada indica, contudo, que os governantes das nações mais ricas estejam conscientes disso. Tanto que sabotaram a Conferência Ecológica de Copenhague, em dezembro de 2009.
A Terra, que deve possuir alguma forma de inteligência, decidiu expressar seu grito de dor através do vulcão da Islândia, exalando a fumaça tóxica que impediu o tráfego aéreo na Europa Ocidental, causando prejuízo de US$ 1,7 bilhão.
Em reação ao fracasso de Copenhague, Evo Morales, presidente da Bolívia, convocou, para os dias 19 a 23 de abril, a Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra. Esperavam-se duas mil pessoas. Chegaram 30 mil, provenientes de 129 países! O sistema hoteleiro da cidade entrou em colapso, muitos tiveram de se abrigar em quartéis.
A Bolívia é um caso singular no cenário mundial. Com 9 milhões de habitantes, é o único país plurinacional, pluricultural e pluriespiritual governado por indígenas. Aymaras e quéchuas têm com a natureza uma relação de alteridade e complementaridade. Olham-na como Pachamama, a Mãe Terra, e o Pai Cosmo.
Líderes indígenas e de movimentos sociais, especialistas em meio ambiente e dirigentes políticos, ao expressar o clamor dos povos, concluíram que a vida no Planeta não tem salvação se perseverar essa mentalidade produtivista-consumista que degrada a natureza. Inútil falar em mudança do clima se não houver mudança de sistema. O capitalismo é ontologicamente incompatível com o equilíbrio ecológico.
Todas as conferências no evento enfatizaram a importância do aprender com os povos indígenas, originários, o sumak kawsay, expressão quéchua que significa “vida em plenitude”. É preciso criar “outros mundos possíveis” onde se possa viver, não motivado pelo mito do progresso infindável, e sim com plena felicidade, em comunhão consigo, com os semelhantes, com a natureza e com Deus.
Hoje, todas as formas de vida no Planeta estão ameaçadas, inclusive a humana (2/3 da população mundial sobrevivem abaixo da linha da pobreza) e a própria Terra. Evitar a antecipação do Apocalipse exige questionar os mitos da modernidade - como mercado, desenvolvimento, Estado uninacional - todos baseados na razão instrumental.
A conferência de Cochabamba decidiu pela criação de um Tribunal Internacional de Justiça Climática, capaz de penalizar governos e empresas vilões, responsáveis pela catástrofe ambiental. Cresce em todo o mundo o número de migrantes por razões climáticas. É preciso, pois, conhecer e combater as causas estruturais do aquecimento global.
Urge desmercantilizar a vida, a água, as florestas, e respeitar os direitos da Mãe Terra, libertando-a da insaciável cobiça do deus Mercado e das razões de Estado (como é o caso da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu).
Os povos originários sempre foram encarados por nós, cara-pálidas, como inimigos do progresso. Ora, é a nossa concepção de desenvolvimento que se opõe a eles, e ignora a sabedoria de quem faz do necessário o suficiente e jamais impede a reprodução das espécies vivas. Temos muito a aprender com aqueles que possuem outros paradigmas, outras formas de conhecimento, respeitam a diversidade de cosmovisões, sabem integrar o humano e a natureza, e praticam a ética da solidariedade.
Cochabamba é, agora, a Capital Ecológica Mundial. Sugeri ao presidente Evo Morales reeditar a conferência, a exemplo do Fórum Social Mundial, porém mantendo-a sempre na Bolívia, onde se desenrola um processo social e político genuíno, singular, em condições de sinalizar alternativas à atual crise da civilização hegemônica. O próximo evento ficou marcado para 2011.
Pena que o governo brasileiro não tenha dado a devida importância ao evento, nem enviado qualquer representante. A exceção foi o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que representou a Câmara dos Deputados.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de O amor fecunda o Universo – ecologia e espiritualidade (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org
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(C. Amigos)

Chico

“Meu caro amigo, as coisas estão melhorando”
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admin
Published: 29/04/2010Posted in: CapaTags:

Por Daniel Cariello e Thiago Araújo, da revista Brazuca | Foto: Jorge Bispo
“Se tiver bola, eu dou a entrevista”. Essa foi a única exigência do nosso companheiro de pelada, Chico Buarque, numa caminhada entre o metrô e o campo. Uma bola. E eu acabara de informar que o dono da redonda não viria à pelada de quarta-feira. Éramos dez amantes do futebol, órfãos.
Sem saber se esse era um gol de letra dele para fugir da solicitação de seus parceiros jornalistas, ou uma última esperança, em forma de pressão, de não perder a religiosa partida, eu, que não creio, olhei para o céu e pedi a Deus: uma pelota!
Nada de enigma, oferenda ou golpe de Estado. Ele estava ali, o cálice sagrado da cultura brasileira, que sucumbiu ao ver não uma, mas duas bolas chegarem à quadra pelas mãos de Mauro Cardoso, mais conhecido como Ganso. A partir daí, nada mais alterou o meu ânimo e o da minha dupla de ataque-entrevista, Daniel Cariello. Apesar de termos jogado no time adversário do ilustre entrevistado, tomado duas goleadas consecutivas de 10 x 6 e 10 x 1, tínhamos a certeza de que ele não iria trair dois dos principais craques do Paristheama, e sua palavra seria honrada.
Mas o desafio maior não era convencer o camisa 10 do time bordeaux-mostarda parisiense a ceder duas horas de sua tarde ensolarada de sábado. O que você perguntaria ao artista ícone da resistência à ditadura, parceiro de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Caetano Veloso, escritor dos best sellers “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, autor de “A banda”, “Essa moça tá diferente”, “O que será”, “Construção” e da canção de amor mais triste jamais escrita, “Pedaço de mim”?
Admirado e amado por todas as idades, estudado por universitários, defendido por Chicólatras, oráculo no Facebook, onipresente nas manifestações artísticas brasileiras – sua modéstia diria “isso é um exagero”, mas sabemos que não é –, sua reação imediata ao ser comparado a Deus foi “em primeiro lugar, não acredito em Deus. Em segundo, não acredito em mim. Essa é a única coisa que pode nos ligar. Então, pra começo de conversa, vamos tirar Deus da mesa e seguir em frente”.
Enfim, ainda não creio que entrevistamos Deus, quase sem falar de Deus. Mas foi com ele mesmo que aprendi uma lição, talvez um mandamento: acreditar em coisas inacreditáveis. (Thiago Araújo)

Você assume que não acredita em Deus, mas existem trechos nas suas músicas como “dias iguais, avareza de Deus” ou “eu, que não creio, peço a Deus”. No Brasil, é complicado não acreditar em Deus?
Eu não tenho crença. Eu fui criado na Igreja Católica, fui educado em colégio de padre. Eu simplesmente perdi a fé. Mas não faço disso uma bandeira. Eu sou ateu como o meu tipo sanguíneo é esse.
Hoje há uma volta de certos valores religiosos muito forte, acho que no mundo inteiro. O que é perigoso quando passa para posições integristas e dá lugar ao fanatismo. O Brasil talvez seja o pais mais católico do mundo, mas isso é um pouco de fachada. Conheço muitos católicos que vão à umbanda, fazem despacho. E fica essa coisa de Deus, que entra no vocabulário mais recente, que me incomoda um pouquinho. Essa coisa de “vai com Deus”, “fica com Deus”. Escuta, eu não posso ir com o diabo que me carregue? (Risos). Tem até um samba que fala algo como “é Deus pra lá, Deus pra cá – e canta – Deus já está de saco cheio” (risos).
Você já foi em umbanda, candomblé, algo do tipo?
Já, eu sou muito curioso. A mulher jogou umas pipocas na minha cabeça, sangue, disse que eu estava cheio de encosto. Eu fui porque me falaram “vai lá que vai ser bom”. Passei também por espíritas mais ortodoxos, do tipo que encarnava um médico que me receitou um remédio para o aparelho digestivo. Aí eu fui procurar o remédio e ele não existia mais. O remédio era do tempo do médico que ele encarnava (risos).
Já tive também um bruxo de confiança, que fez coisas incríveis. Aquela música do Caetano dizia isso muito bem, “quem é ateu, e viu milagres como eu, sabe que os deuses sem Deus não cessam de brotar.” Eu vi cirurgias com gilete suja, sem a menor assepsia, e a pessoa saía curada. Estava com o joelho ferrado e saía andando. Eu fui anestesista dessa cirurgia. A anestesia era a música. O próprio Tom Jobim tocava durante as cirurgias. Eu toquei para uma dançarina que estava com problema no joelho. Ela tinha uma estreia, mas o ortopedista disse “você rompeu o menisco”. Ela estreou na semana seguinte, e na primeira fila estavam o ortopedista e o bruxo (risos).
Uma vez, estava com um problema e fui ao médico. Ele me tocou e não viu nada. Aí eu disse “olha, meu bruxo, meu feiticeiro, quando ele apertava aqui, doía”. Ele começou a dizer “mas essa coisa de feitiçaria…” e atrás dele tinha um crucifixo com o Cristo. Daí eu perguntei “como você duvida da feitiçaria, mas acredita na ressurreição de Cristo?”. Eu acho isso uma incongruência. Gosto de acreditar um pouco nisso, um pouco naquilo, porque eu vejo coisas inacreditáveis. Eu não acredito em Deus, acredito que há coisas inacreditáveis.
De vez em quando você dá uma escapada do Brasil e vem a Paris. Isso te permite respirar?
Muito mais. Eu aqui não tenho preocupação nenhuma, tomo uma distância do Brasil que me faz bem. Fico menos envolvido com coisas pequenas que acabam tomando todo o meu tempo. Aqui, eu leio o Le Monde todos os dias, e fico sabendo de questões como o Cáucaso, os enclaves da antiga União Soviética, que no Brasil passam muito batidos. O Brasil, nesse sentido, é muito provinciano, eu acho que o noticiário é cada vez mais local.
Meu pai, que era um crítico literário e jornalista, foi morar em Berlim no começo dos anos trinta. Foi lá, onde teve uma visão de historiador, de fora do país, que ele começou a escrever Raízes do Brasil, que se tornou um clássico. A possibilidade de ter esse trânsito, de ir e voltar, eu acho boa. É como você mudar de óculos, um para ver de longe e outro para ver de perto.

Nesse seu vai e vem Brasil-França, o que você traria do Brasil para a França, e vice-versa?
Eu traria pra cá um pouquinho da bagunça, da desordem. Os nossos defeitos, que acabam sendo também nossas qualidades. O tratamento informal, que gera tanta sujeira, ao mesmo tempo é uma coisa bonita de se ver. Você tem uma camaradagem com um sujeito que você não conhece. Aqui existe uma distância, uma impessoalidade que me incomoda.
Para o Brasil, eu gostaria de levar também um pouco dessa impessoalidade. Da seriedade, principalmente para as pessoas que tratam da coisa pública. Não que não exista corrupção na França.
Outra coisa que eu levaria pra lá é o sentimento de solidariedade, que existe entre os brasileiros que moram fora. Isso eu conheci no tempo que eu morava fora, e vejo muito aqui através das pessoas com as quais convivo. Eles se juntam. Como se dizia, “o brasileiro só se junta na prisão”. Os brasileiros também se juntam no exílio, na diáspora.
Falando em exílio, tem uma história curiosa de Essa moça tá diferente, a sua música mais conhecida na França.
É. A coisa de trabalho (N.R.: na Itália, onde Chico estava em exílio político, em 1968) estava só piorando e o que me salvou foi uma gravadora, a Polygram, pois minha antiga se desinteressou. A Polygram me contratou e me deu um adiantamento. E consegui ficar na Itália um pouco melhor. Mas eu tinha que gravar o disco lá. Eu gravei tudo num gravador pequenininho. Um produtor pegou essas músicas e levou para o Brasil, onde o César Camargo Mariano escreveu os arranjos. Esses arranjos chegaram de volta na Itália e eu botei minha voz em cima, sem que falasse com o César Camargo. Falar por telefone era muito complicado e caro. Então foi feito assim o disco. É um disco complicado esse.

Você acabou de citar o Le Monde. Para nós, que trabalhamos com comunicação, sempre existiu uma crítica pesada contra os veículos de massa no Brasil. Você acha que existe um plano cruel para imbecilizar o brasileiro?
Não, não acredito em nenhuma teoria conspiratória e nem sou paranoico. Agora, aí é a questão do ovo e da galinha. Você não sabe exatamente. Os meios de comunicação vão dizer que a culpa é da população, que quer ver esses programas. Bom, a TV Globo está instalada no Brasil desde os anos 60. O fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo. Não se trata de monopólio, não estou querendo que fechem a Globo. E a Globo levanta essa possibilidade comparando o governo Lula ao governo Chavez. Esse exagero.

Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?
Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior.
E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?
Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época, nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença.
O que você tem escutado?
Eu raramente paro para ouvir música. Já estou impregnado de tanta música que eu acho que não entra mais nada. Na verdade, quando estou doente eu ouço. Inclusive ouvi o disco do Terça Feira Trio, do Fernando do Cavaco, e gostei. Nunca tinha visto ou ouvido formação assim. Tem ao mesmo tempo muita delicadeza e senso de humor.
A música francesa te influenciou de alguma maneira?
Eu ouvi muito. Nos anos 50, quando comecei a ouvir muita música, as rádios tocavam de tudo. Muita música brasileira, americana, francesa, italiana, boleros latino americanos. Minha mãe tinha loucura por Edith Piaf e não sei dizer se Piaf me influenciou. Mas ouvi muito, como ouvi Aznavour.
O que me tocou muito foi Jacques Brel. Eu tinha uma tia que morou a vida inteira em Paris. Ela me mandou um disquinho azul, um compacto duplo com Ne me quitte pas, La valse à mille temps, quatro canções. E eu ouvia aquilo adoidado. Foi pouco antes da bossa nova, que me conquistou para a música e me fez tocar violão. As letras dele ficaram marcadas para mim.
Eu encontrei o Jacques Brel depois, no Brasil. Estava gravando Carolina e ele apareceu no estúdio, junto com meu editor. Eu fiquei meio besta, não acreditei que era ele. Aí eu fui falar pra ele essa história, que eu o conhecia desde aquele disco. Ele disse “é, faz muito tempo”. Isso deve ter sido 1955 ou 56, esse disquinho dele. Eu o encontrei em 67. Depois, muito mais tarde, eu assisti a L’homme de la mancha, e um dia ele estava no café em frente ao teatro. Eu o vi sentado, olhei pra ele, ele olhou pra mim, mas fiquei sem saber se ele tinha olhado estranhamente ou se me reconheceu. Fiquei sem graça, pois não o queria chatear. Ele estava ali sozinho, não queria aborrecer. Mas ele foi uma figuraça. Eu gostava muito das canções dele. Conhecia todas.
Falando de encontros geniais, você tem uma foto com o Bob Marley. Como foi essa história?
Foi futebol. Ele foi ao Brasil quando uma gravadora chamada Ariola se estabeleceu lá e contratou uma porção de artistas brasileiros, inclusive eu, e deram uma festa de fundação. O Bob Marley foi lá. Não me lembro se houve show, não me lembro de nada. Só lembro desse futebol. Eu já tinha um campinho e disseram “vamos fazer algo lá para a gravadora”. Bater uma bola, fazer um churrasco, o Bob Marley queria jogar. E jogamos, armamos um time de brasileiros e ele com os músicos. Corriam à beça.

Vocês fumaram um baseado juntos?
Não. Dessa vez eu não fumei.

E essa sua migração para escritor, isso é encarado como um momento da sua vida, já era um objetivo?
Isso não é atual. De vinte anos pra cá eu escrevi quatro romances e não deixei de fazer música. Tenho conseguido alternar os dois fazeres, sem que um interfira no outro.
Eu comecei a tentar escrever o meu primeiro livro porque vinha de um ano de seca. Eu não fazia música, tive a impressão que não iria mais fazer, então vamos tentar outra coisa. E foi bom, de alguma forma me alimentou. Eu terminei o livro e fiquei com vontade de voltar à musica. Fiquei com tesão, e o disco seguinte era todo uma declaração de amor à música. Começava com Paratodos, que é uma homenagem à minha genealogia musical. E tinha aquele samba (cantarola) “pensou, que eu não vinha mais, pensou”. Eu voltei pra música, era uma alegria. Agora que terminei de escrever um livro já faz um ano, minha vontade é de escrever música. Demora, é complicado. Porque você não sai de um e vai direto para outro. Você meio que esquece, tem um tempo de aprendizado e um tempo de desaprendizado, para a música não ficar contaminada pela literatura. Então eu reaprendo a tocar violão, praticamente. Eu fiquei um tempão sem tocar, mas isso é bom. Quando vem, vem fresco. É uma continuação do que estava fazendo antes. Isso é bom para as duas coisas. Para a literatura e para a música.
Tanto em Estorvo quanto em Leite derramado o leitor tem uma certa dificuldade em separar o real do imaginário. Você, como seus personagens, derrapa entre essas duas realidades?

Eu? O tempo todo, agora mesmo eu não sei se você esta aí ou se eu estou te imaginando (gargalhadas).
Completamente. Eu fico vivendo aquele personagem o tempo todo. Entrando no pensamento dele. Adquiro coisas dele. Você pode discordar, mas chega uma hora que tem que criar uma empatia ou uma simpatia. Você cria uma identificação. E alguma coisa no gene é roubado mesmo de mim, algumas situações, um certo desconforto, não saber bem se você é real, se você está vivendo ou sonhando aquilo. Por exemplo, agora que ganhamos de 10 a 1 (referência à pelada que jogamos três dias antes), eu saí da quadra e falei: “acho que eu sonhei. Não é possível que tenha acontecido” (risos).
Você é fanático por futebol?
Não sou fanático por nada. Mas eu tenho muito prazer em jogar futebol. Em assistir ao bom futebol, independentemente de ser o meu time. Quando é o meu time jogando bem, é melhor ainda, pois eu consigo torcer. Agora mesmo, no Brasil, tinha os jogos do Santos.
Mas eu vou menos aos estádios. Eu não me incomodo de andar na rua, mas quando você vai a alguns lugares, tem que estar com o cabelo penteado, tem que estar preparado para dar entrevistas. Aqui, eu estou dando a minha última (risos). Aqui, é exclusiva. Fiz pra Brazuca e mais ninguém. Eu quero ver o pessoal jogar bola. Então eu vejo na televisão. E quando não estou escrevendo, aí eu vejo bastante.

É verdade que um dia o Pelé ligou na sua casa, lamentando os escândalos políticos no Brasil, e disse “é, Chico, como diz aquela música sua: ‘se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão’”?
É verdade (risos). Eu falei “legal, Pelé, mas essa música não é minha”. O Pelé é uma grande figura. Nós gravamos um programa juntos. Brincamos muito. Conheci o Pelé quando eu fazia televisão em São Paulo, na TV Record, e me mudei para o Rio. Os artistas eram hospedados no Hotel Danúbio, em São Paulo. O mesmo onde o Santos se concentrava. Então, eu conheci o Pelé no hotel. E sempre que a gente se encontra é igual, porque eu só quero falar de futebol e ele só quer saber de música. Ele adora fazer música, adora cantar, adora compor. Por ele, o Pelé seria compositor.
E você, trocaria o seu passado de compositor por um de jogador?

Trocaria, mas por um bom jogador, que pudesse participar da Copa do Mundo. Um pacote completo. Um jogador mais ou menos, aí não.

Você ainda pretende pendurar as chuteiras aos 78 anos, como afirmou?
Não. Já prorroguei. Tava muito cedo. Agora, eu deixei em aberto. Podendo, vou até os 95 (risos).
O Niemeyer está com 102 anos e continua trabalhando. Aliás, não só trabalhando como ainda continua com uma grande fama de tarado (risos).
Ele me falou isso. Eu fui à festa dele de 90 anos e ele me disse: “o importante é trabalhar e ó (fez sinal com a mão, referente a transar)”. Aí eu falei “é mesmo?” e ele respondeu “é mesmo”.
Falando nisso, o Vinícius foi casado nove vezes. Você acha a paixão essencial para a criação?
Sem dúvida. Quando a gente começa – isso é um caso pessoal, não dá pra generalizar – faz música um pouco para arranjar mulher. E hoje em dia você inventa amor para fazer música. Se não tiver uma paixão, você inventa uma, para a partir daí ficar eufórico, ou sofrer. Aí o Vinícius disse muito bem, né? “É melhor ser alegre que ser triste… mas pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza, senão não se faz um samba não”.
Quando eu falo que você inventa amores, você também sofre por eles. “E a moça da farmácia? Ela foi embora! Elle est partie en vacances, monsieur!”. E você não vai vê-la nunca mais. Dá uma solidão. Eu estou fazendo uma caricatura, mas essas coisas acontecem. Você se encanta com uma pessoa que você viu na televisão, daí você cria uma história e você sofre. E fica feliz e escreve músicas.
Pra finalizar. Se você fosse escrever uma carta para o seu caro amigo hoje, o que você diria?
Volta, que as coisas estão melhorando!
MAIS
A entrevista foi publicada originalmente na revista Brazuca, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas. A partir de 3 de maio, a degravação completa estará disponível no site de Brazuca. Também lá, é possível baixar em pdf, desde já, a edição completa de março-abril (inclusive com as fotos de Chico…)
Daniel Cariello, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui. A reestreia, em que Daniel fala sobre a entrevista com Chico, aqui.
Thiago Araújo é diretor de Brazuca
.(Boletim Diplô)

Drummond

Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)
(Poembklog)

Poesia

Colombia: memoria, presente y poesía

Daniela Saidman (Desde Venezuela. Colaboración para ARGENPRESS CULTURAL)

Hay una imprescindible poética de la resistencia. Palabras que son capaces de apropiarse del dolor para sanar el mundo, para transformarlo. Hay palabras que sembradas en la tierra fueron abonadas por el dolor y la sangre, por la herida que proviene de lo más injusto, por el poder de la fuerza sobre la razón.

Desplazados, torturados, asesinados y desaparecidos son muchos campesinos e indígenas de Colombia. Víctimas de un conflicto armado que no respeta géneros ni edades, y que va dejando a su paso a cientos de mujeres y hombres que como hace doscientos años buscan un lugar para la paz, para ver crecer a los hijos, para sembrar la tierra, para mirar nacer el futuro.

Tal vez el antecedente más inmediato del conflicto armado colombiano sea el surgimiento de las guerrillas liberales, reacción a la persecución política iniciada por el gobierno del Partido Conservador (1946-1953), entre cuyos puntos de inflexión se encuentra el asesinato del candidato liberal Jorge Eliécer Gaitán, en abril de 1948, suceso que dio origen a "El Bogotazo" y a un largo período de violencia que aún no acaba.

Poesía de la resistencia
La poesía es capaz de abrir sus brazos al encuentro con el otro, la poesía es capaz de ser memoria, de ser tiento y sueño, de ser lucha. Y porque Colombia duele y nos duele, porque es pueblo hermano, porque es grito desgarrado, nos comprometemos también con las voces de sus gentes.

“El prisionero / sólo tiene para protestar / su propio cuerpo”, dice Fernando Vargas, escritor y abogado, especialista en Derechos Humanos de la Universidad Externado de Colombia, quien además trabaja como consultor de CODHES, una organización que promueve la consolidación de la paz en Colombia y la realización integral de los Derechos Humanos, a través del desarrollo de políticas de Estado, poniendo especial atención en personas y comunidades afectadas por el conflicto armado interno.

Asegura Vargas que “en Colombia pareciera que ser sobreviviente no fuese una virtud sino una expresión problemática. Quien lleva consigo la memoria de la contradicción, la tragedia de la muerte y la crueldad erigidas en cotidianeidad impuesta, lleva consigo un estigma”.

Memoria

Es en este sentido que la memoria es imprescindible, porque se busca con ella recuperar la historia de los vencidos para abrir la senda del futuro. Se trata de construir colectivamente una visión del mundo que debe necesariamente tener en cuenta el dolor venido de décadas de barbarie y asombro, porque en Colombia la vida se volvió un acontecimiento extraordinario. Sobrevivir es el signo de los muchos que nada tienen y pasan los días deambulando los impuestos silencios. El lenguaje que no tiene nada de inocente sigue llamando desplazados a los refugiados de una guerra en la que el inocente paga con hambre, miedo y destierro.

“He inventado un país de cuerpo derrochado, / de dinamita mojada por el tiempo, / por la lágrima mortal de los desheredados. / Un país que detenta sus misterios / con golpes de instante e imágenes de victoria, / un país que nace y respira / al compás de una brújula que no marca el Norte” escribe Fernando Vargas, en Épica del desheredado.

Y es que la poesía es también trinchera para la lucha. Espacio para la edificación de otro mañana. Por eso escribe el escritor colombiano, en su trabajo titulado Dimensión colectiva de la reparación simbólica en Colombia: hacia una poética de las víctimas a partir de la jurisprudencia de la Corte Interamericana de Derechos Humanos, que “la reparación simbólica es pues el futuro que sabe para no olvidar, es memoria espermática y verdad transformadora: la posibilidad infinita de realizar la terrible felicidad por la que lucharon los que ahora están muertos”.

Tríptico de la Indignación

La palabra poética se adueña entonces de los ecos para hacerlos grito, para echarnos en cara todo el dolor que callamos y vendemos, todo lo que pensamos que no nos pasa, porque les pasa a otros. Como si el dolor ajeno, no fuera también nuestra propia derrota. Otro poeta colombiano, Fernando Cely, que converge junto con Fernando Vargas y Darién Giraldo en Tríptico de Indignación, una antología poética, escribe “Pero estoy aquí / para gritar / de frontera a frontera / de trinchera a trinchera / lo que la palabra reclama / con poesía o sin ella”.

Palabra justa, honesta, decantada de poses. Poetas que sabiéndose las heridas abiertas encuentran en los versos un estandarte para enumerar las ausencias. Esta poesía colombiana, tan americana, tan nuestra, dibuja los surcos de la vida que es, la que pasa con los ojos en las trastiendas del alma. Y en otro poema canta “Quiero encontrar un verso / que detenga las balas / que inundaron de muerte / aceras y veredas, / las lágrimas perdidas / de madres desmembradas / y huérfanos sonámbulos. / Quiero encontrar un verso / para iniciar un capítulo nuevo / en nuestra historia”.

Colombia

“Si el símbolo más contundente de herida abierta es el país mismo, erigido en los mitos de la deshumanización, en el positivismo del lenguaje del poder, hay que reinventar el país”, afirma Fernando Vargas.

Y le da paso al tercer poeta de Tríptico de la Indignación, Darién Giraldo, cuando escribe “Madre: / Mira los muertos sobre las flores / míralos desnudos en la danza / en el rito del tiempo / bajo el empeine desolado de esta tierra / que va quedando sola”. Y termina Vargas en su trabajo, mostrando y mostrándonos la imagen del dolor más hondo, el que es capaz de fracturar la vida para convertirla en eco eterno. Porque Colombia es también “como la imagen de aquella madre jurídicamente sola que llora su pequeño hijo muerto, voz que recorre las sombras marchitando su ignominia con el fuego pausado de la nostalgia, la dimensión política de la reparación simbólica, supera al sujeto individualmente considerado”.

Colombia arde en la memoria. Incendia el presente con sus desaparecidos, sus refugiados, sus muertos, sus vivos. Colombia, patria hermana, frontera silenciada que vende la imagen de sus costas y esconde lo invisible, es también esperanza y una apuesta a la vida que no muere ni calla.

Colombia y sus desaparecidos

Represión arbitraria e ilegal por parte de terratenientes, narcotraficantes, grupos de ultraderecha y militares en contra de campesinos, indígenas y afrodescendientes, tienen en Colombia, una larga tradición de desapariciones, asesinatos, torturas y expropiaciones de tierras. Estos grupos de poder han logrado incluso que se exilien dirigentes y activistas de grupos de derechos humanos a los que acusan de terrorismo pretendiendo con ello no sólo la deslegitimación de los derechos humanos sino, además, justificar el crimen y el terror en que tienen sumida a gran parte de la población colombiana.

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Publicado por ARGENPRESS en 16:25
Etiquetas: Crítica literaria, Daniela Saidman

Esquivel

“Sou um rebelde permanente diante de todas as injustiças”. Entrevista com Adolfo Pérez Esquivel


Guerra e paz, economia e liberalismo, recursos e multinacionais, governos e direitos humanos. São todos temas sobre os quais Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz 1980, tem posições claras, sem ambiguidades, com confiança na força da fé e da espiritualidade. Nascido em Buenos Aires em 1931, este professor de arquitetura, pintura e escultura, recebeu o reconhecimento do Comitê Nobel norueguês por sua luta durante a ditadura militar argentina (1976-1983), e nunca – já se passaram 30 anos – deixou de lutar para afirmar e defender os direitos humanos no mundo.
A entrevista é de Paolo Moiolo e está publicada no sítio chileno Noticias Aliadas, 06-05-2010. A tradução é do Cepat.
Eis a entrevista.
Cada pessoa é sujeito de direitos próprios enquanto pessoa. Você lutou pelos direitos humanos nos anos da ditadura. Como está a situação hoje?
Os direitos humanos não são somente aqueles pelos quais lutamos na ditadura. São também os econômicos, sociais e culturais. São os direitos à educação, ao trabalho e à informação. São os da chamada “terceira geração”, em que, por exemplo, se fala do direito a um meio ambiente [saudável]. Em suma, os direitos humanos são integrais e indivisíveis. Como a democracia é inseparável dos direitos humanos.
Todos falam de direitos humanos, mas a realidade muitas vezes é diferente.
É certo. Há governos que assinaram, mas que não ratificaram os acordos. Por exemplo, os Estados Unidos, que até agora não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança [da ONU]. Como pode ser que uma grande potência que se assume defensora da democracia se oponha?
Isto vai muito além da vontade pessoa de Obama. É a política dos Estados Unidos que impõe sua própria vontade ao resto do mundo. Mas tudo isto pode terminar, porque nenhuma sociedade é estática. Como os direitos humanos, que são uma dinâmica permanente da vida. Uma declaração não é letra morta. É uma dinâmica na sociedade e na consciência. Creio que nos próximos anos veremos mudanças fundamentais. Hoje há um esvaziamento de valores e conteúdos, mas não devemos desesperar.
Você é Prêmio Nobel da Paz, assim como Obama. O que sentiu quando soube que o presidente norte-americano havia recebido esse prêmio?
Fiquei surpreso, mas lhe enviei uma carta de felicitações. Escrevi a Obama dizendo que me havia surpreendido com sua designação, mas que agora, como Prêmio Nobel, deveria ser coerente, trabalhando e lutando pela paz. Mas, lamentavelmente, Obama sofreu uma metamorfose. Cada dia se mimetiza mais com [o ex-presidente norte-americano] George W. Bush. Não é possível que instale sete bases militares na Colômbia, que esteja de acordo com a reativação da 4ª Frota do Exército, que mande 30.000 soldados ao Afeganistão para uma guerra perdida, acrescentando morte e dor à vida daquela gente. Inclusive à dos soldados dos Estados Unidos e da OTAN que voltam mortos ou imprestáveis para o resto da vida.
Estas são as guerras dos países ricos contra os países empobrecidos. São guerras econômicas e pela apropriação dos recursos naturais. Se esta é a política dos Estados Unidos, não tem nada a ver com a paz. Creio que a paz é outra coisa. A paz é um projeto de vida; Obama tem um projeto de morte.
Por que, então, o Comitê Nobel norueguês outorgou o Prêmio Nobel da Paz a Obama?
Francamente não sei. Para dizer a verdade, também não sei por que o deram para mim. Creio que também no meu caso se equivocaram. Porque eu sou um rebelde permanente diante de todas as injustiças. Sim, um rebelde, mas na esperança.
Mas a eleição de Obama gerou muitas esperanças, sobretudo fora dos Estados Unidos.
Creio que Obama chegou ao governo, mas não ao poder. Uma coisa é o que Obama possa querer como pessoa, e outra, bem diferente, o que possa fazer como chefe de uma potência que lhe impõe condições. É escravo de alguns centros de poder: o complexo militar norte-americano, o Pentágono, a CIA, as grandes empresas multinacionais.
Você sempre insiste muito no papel que as empresas multinacionais têm na situação mundial.
As multinacionais não têm fronteiras e se movem no mundo em função do saque dos recursos dos povos. A ONU lançou um alarme sobre a soberania alimentar. De acordo com a FAO, todos os dias 35.000 crianças morrem de fome. Como se chama isso? Este é o desafio que devemos enfrentar. As grandes multinacionais trabalham na monocultura. Mas a natureza nunca criou monoculturas, mas diversidade para produzir o equilíbrio. Estão destruindo uma criação de Deus. Só semeando a semente da solidariedade e do trabalho se pode produzir a paz e a vida.
Você é um rebelde de base cristã...
Sim, eu tenho uma base cristã, que para mim é fundamental. Minha fonte é o Evangelho. Eu cresci com os franciscanos. E sigo muito essa espiritualidade, assim como a de Charles de Foucauld.
Frequentemente se diz que a Igreja sempre está com o poder. Você concorda com essa afirmação?
Não, não a Igreja, mas a hierarquia, e também não toda. Olhe as paredes deste escritório... Ali está Evaristo Arns, arcebispo [emérito] de São Paulo. Aqui está a foto de Mons. Enrique Angelelli, um mártir, assassinado pela ditadura militar argentina. Pensemos em uma figura como Mons. Óscar Romero...
Eu sou um homem de meditação e oração. Para mim, a ação deve ter um fundo transcendente. Há valores e princípios. Todas as pessoas são irmãos ou irmãs, mesmo que sejam meus inimigos. Quando se diz “ama também o teu inimigo”, o que se está dizendo? Não fazer mal a ele, mas tratar de transformar o coração dele.
Eu sou um sobrevivente e a única coisa que me sustentou naqueles momentos foi a fé. Quando, depois de 32 dias em um calabouço imundo (porque não entrava nem luz nem nada), abriram a porta, vi escrito na parede o que um prisioneiro anterior havia escrito com seu próprio sangue: “Deus não mata”. Este é um testemunho de profunda fé.
Como foi sua prisão durante a ditadura?
Estive 14 meses preso e depois em liberdade vigiada. No dia 5 de maio de 1977 me prenderam [em Buenos Aires] e, algemado, me colocaram em um avião da morte que voou algumas horas sobre o Rio da Prata e o mar. Por fim, decidiram não me jogar por causa das fortes pressões internacionais. Devo agradecer a Deus por ainda estar aqui para trabalhar e dar testemunho. Como não se pode ter fé? Para mim a fé é vida.
Apesar de tudo, você fala sempre de esperança.
Porque, apesar de tudo, temos a capacidade de transformar a realidade. E esta é a esperança.
Como presidente da Academia Internacional de Ciências Ambientais de Veneza, o que pensar da recente Conferência Internacional sobre Mudanças Climáticas de Copenhague?
Creio que a única coisa que se obteve em Copenhague foi que não se aprovou nada. Compreendeu-se que é uma guerra entre os países pobres ou empobrecidos e os países ricos, que querem se apropriar dos recursos e que por isto metem os exércitos, as forças multinacionais, a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial... Isto é trágico.
Através da Academia de Ciências Ambientais de Veneza, da qual sou presidente, propusemos a constituição do Tribunal Penal Internacional para o Meio Ambiente e um Observatório Internacional do comportamento ambiental das empresas multinacionais que são as principais responsáveis pela destruição do meio ambiente. Pense nas empresas mineradoras e nas de soja. Pense nas empresas poluidoras do Norte que são enviadas à América Latina, Ásia e África. São as multinacionais que se apropriam das sementes e se um camponês quiser usá-las é acusado de criminoso.
E aqui, onde vê esperança?
Por exemplo, no movimento de camponeses sem terra da América Latina, que também está se difundindo pela África e Ásia, tratando desta maneira de estabelecer vínculos Sul-Sul. Estes camponeses querem a terra para trabalhá-la, não para explorá-la; para produzir vida, não morte. Ao contrário das multinacionais, que estão destruindo para ganhar mais em pouco tempo. Outra coisa em que é preciso prestar muita atenção é o movimento dos indígenas, que estão recuperando a memória [coletiva] e a língua e que estão se organizando. Outro elemento importante são os movimentos das mulheres, que estão avançando em todos os campos com sua sensibilidade, com seu modo de pensar diferente.
Para ler mais:
• A vida de 3.700 indígenas está em risco, diz ganhador do Nobel da Paz - 12/05/2009
• Carta de Pérez Esquivel ao povo boliviano

(Inst. Humanitas Usininos

Resgatar os mortos

A luta de uma índigena pelo corpo de seu filho


Do blog do Sakamoto, 07-05-2010:
É impossível não lembrar da estilista Zuzu Angel ao ler o depoimento de Tila Ximenes colhido pelos jornalistas Spensy Pimentel e Joana Moncau. Apesar de suas realidades serem bem diferentes, ambas lutaram pelo direito de enterrar seus filhos, mortos por buscarem Justiça em um Brasil que não conhece bem o significado dessa palavra. O triste é que a ditadura militar acabou, mas o Estado brasileiro continua protegendo por ação direta ou sua inação, os que matam por lucro e poder e escondem os corpos pela garantia de impunidade. Reproduzo parte do depoimento colhido por ambos, que são da Repórter Brasil. Spensy, que também é antropólogo, é um dos maiores pesquisadores dos problemas sofridos pelos Guarani-Kaiowa no Mato Grosso do Sul:
O corpo de Genivaldo foi encontrado no último dia 7 de novembro, na beira do córrego conhecido como Ypo’i (rio fino, em guarani), referência de território tradicional para a família Vera. O corpo do primo dele, Rolindo, que também desaparecera na noite do dia 31 de outubro, ainda não foi encontrado. Eles sumiram após conflito com seguranças da fazenda que tinham ocupado, no município de Paranhos, em Mato Grosso do Sul. Os médicos alegaram dificuldade para determinar a causa da morte, mas os ferimentos no tórax de Genivaldo não deixaram dúvidas para os parentes: eram marcas de tiro, de grosso calibre. Os Guarani denominam de tekoha esses territórios tradicionais por cuja posse vêm travando disputas com os fazendeiros em toda a região desde os anos 80.
Tila Ximenes é mãe de Rolindo, cujo corpo permanece perdido. Quer falar, porque é grande a dor que sente. Sua fala em guarani surge na boca do agente de saúde, em meio ao pranto dela. Mas não é ele quem fala, nem ela. É toda uma família que chora:
“A busca parou de ser feita, e eu estou muito triste com isso. Pelo menos o cadáver, os ossos, eu ainda tenho esperança de achar. Nosso maior pedido no momento é esse, é que seja feita a busca. Não sei se meu filho foi jogado em algum rio, se ele foi enterrado. Já faz três meses que ele desapareceu, e a minha esperança é encontrar os ossos. Três meses já é muito.(…)
Nós vamos entrar na nossa terra de novo. Meu filho se perdeu lá, por causa dessa terra. Ele morreu lá por causa dessa terra, então o sonho dele era ter essa terra e os parentes nossos agora vão ter que ir lá para realizar esse sonho que era dele. A gente tem que cumprir isso, nem que a gente morra, mas a gente tem que voltar lá pra realizar esse sonho nosso. A terra não é dos fazendeiros, é nossa aquela terra.
Como os parentes resolveram voltar pra aquela terra que era deles, ele também foi. A gente é assim: aonde o pai for, a gente tem que ir junto, tem que ir atrás. O pai dele foi retornar àquela terra, ele foi também. Ele tinha quatro filhos e nem chegou a conhecer o menorzinho. Quatro dias depois que ele desapareceu, nasceu o último. As crianças que ele abandonou querem ver pelo menos os ossos do pai. Nessa mesma semana que eles morreram também nasceu o filho do primo dele que morreu junto.
Era o meu segundo filho mais velho. Ele era professor aqui, tinha 28 anos, já fazia 6 anos que ele estava dando aula. Ele foi bom professor, os colegas até hoje ainda estão esperando ele, na esperança de ver ele ainda, porque ninguém sabe onde ele está. Tem hora que a gente não acredita que ele esteja morto. Mas tem hora que a gente não tem mais esperança, pensa que ele realmente está morto. O sonho dele era dar aula lá naquela terra. Antes de ir, ele falava: ‘Vou chegar lá e vou dar aula, nem que tenha que ensinar debaixo da árvore, vou dar continuidade ao meu serviço’. Esse ano, ele já ia começar a dar aula lá mesmo. Isso já era um plano dele.
O outro professor morto, eles foram todos juntos, eles eram primos. O governador chegou a falar que um podia ter matado o outro… Acho que ele não tem o que falar, ele sabe que isso não é verdade… Isso nunca ia acontecer, os dois não bebiam, nunca brigavam, eles eram como se fossem irmãos de um pai e uma mãe só. Essa fala do governador é só pra defender o fazendeiro, no meu entender, porque ele nunca é a favor dos índios. (…)
Aqui em Pirajuí tem muita gente, são quase 4 mil pessoas, é muita gente, muitas casas, quase não tem mais espaço pra gente. A gente hoje não tem nem onde trabalhar, pescar, caçar, mais nada. A gente tem que sair fora pra trabalhar, pra produzir dentro da aldeia nem tem mais como. Muita gente está buscando outra vida em outros lugares. Nem só por isso fomos pra aquela terra. Aqui vivem pessoas de outros tekoha que também estão na luta por sua terra.(…)
A gente perdeu duas vidas lá, duas pessoas, a gente não deseja isso pra ninguém. A gente até hoje não sabe bem quem são as pessoas que estavam lá naquele dia. Os Policiais Federais sabem bem quem são as pessoas. A gente sabe quem são os autores, só que até hoje eles estão soltos aí. A vida que a gente perdeu parece que não é nada, parece que não são seres humanos.”
Para ler mais:
• Mais um Guarani é assassinado na luta pela terra
• Etnocídio no Mato Grosso do Sul. Entrevista especial com Egon Heck
• Fazendeiros do Mato Grosso do Sul ameaçam, com tiros, comunidade Guarani Kaiowá
• Guarani Kaiowá ocupam terra tradicional à espera de demarcação em Mato Grosso do Sul
• Corpo do professor Guarani Kaiowá, Genivaldo Verá, é encontrado
• Povo Guarani Kaiowá dá 30 dias para demarcação de terras
• (Inst. Humanitas usininos)

"Ser Mãe Não é Padecer"

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Lou Micaldas

Mulheres avançadas, independentes, livres... Livres? Independentes? É difícil encontrar mães independentes, livres. Consultei o Mestre Aurélio:

Independência quer dizer autonomia, dona absoluta de seus atos!

Livre significa não estar sujeita a algum senhor, ter o poder de decidir e de agir por si mesma, de estar desobrigada, isenta de dívida ou encargo.

A independência e a liberdade que as mães deveriam festejar no dia das mães, quando já têm seus filhos criados, é um sonho, é um estado de espírito, muito difíceis de alcançar. Vamos sair dessa de "padecer no paraíso" que isso não faz bem pra ninguém e vamos optar pela festa, pela alegria de ser Mãe!

Cabe a nós mudarmos aquele almoço cansativo em que a Mãe promove a festa e sai exaurida, segurando as tensões, as pretensões, as brigas dos casais, dos netos, as disputas pelas atenções, o leite derramado... Antes, peço licença pra prometer que no "Dia dos Filhos", (deviam inventar esse dia! Tem filho que sofre!) vou escrever um artigo pra vocês! (Também recebo muitas queixas de filhos cujas mães são egoístas, ciumentas, verdadeiras malas pesadas e sem alça...)

Mas voltemos ao "Dia das Mães!". Analisemos algumas queixas de "Mães-sofredoras" a respeito de filhos, que eu gostaria que fossem a minoria: Eles são implacáveis na arte de fazer, falar e de cobrar das mães submissas: "Meus filhos/as são verdadeiros sanguessugas." "Como são tiranos/as!" "Agora sou eu que devo obediência?"

A nossa geração de mulheres foi habituada, desde que nascemos, a obedecer e a seguir determinados padrões e expectativas dos nossos pais, vizinhos e, mais tarde, dos sogros, cunhados, genros e, por fim, dos nossos filhos/as. Este tempo já passou! Já vencemos muitos preconceitos, já transgredimos muitos dogmas e conquistamos novas leis! Somos uma nova geração de mães e avós. A liberdade que conquistamos vamos entregar assim, covardemente, nas mãos dos nossos amados filhos ditadores? Que o Dia das Mães deixe de ser o dia da choradeira, da purgação coletiva. Muitas famílias se reúnem e acabam se torturando. Cultivam consciente ou inconscientemente sentimentos de culpa, ou de autopiedade.

Trocam presentes, mas também ressentimentos. Alguns filhos aproveitam a ocasião pra misturar manifestações de gratidão eterna e ao mesmo tempo profunda carência. Querem mais, muito mais! E dão um jeitinho de pedir um dinheirinho, porque o presente foi caro. Outros mais sutis, apenas reclamam que estão duros...

O que é isso? É chantagem, cobrança! O que eles querem? Mães perfeitas? Santas e cheias de grana? Disponíveis o tempo todo pra servi-los? Somos mães! Não somos empregadas! As mães - o que querem essas mães submissas, sempre prontas a dizer sim? Pretendem pagar os supostos pecados cometidos? Absolvição por tudo que não conseguiram ser, pelo que não puderam dar? Quanto mais vocês se mostram devedoras, mais serão cobradas! Pensando em sanar os erros, continuam cometendo o erro da submissão que tanto dano causa aos filhos. E os filhos tiranos? Reclamam, cobram, mesmo depois de adultos e até casados, descasados, ficantes ou recasados. Eles dominam, reprimem e muitos ainda assumem o controle das pensões que elas têm direito. São as mães que precisam pedir dinheiro pra suas despesas.

E só será concedido depois de passar por um severo julgamento se ela conseguir explicar tim, tim, por tim, tim... onde vai gastar. "Mamãe está velha, não precisa dessas futilidades de cabeleireiros, cremes e sapatos novos," decretam sem entender que os velhos, não se sentem velhos e que perdem a auto-estima quando são tratados assim. O "Dia das Mães" se "comemora", em muitos lares, com sentimentalismo produzido pela mídia, pelo comércio esganado e sedento de lucro. Tornou-se uma tradição cultivar nessa data o masoquismo coletivo, que é o prazer que se abastece no próprio sofrimento. A festa do Dia das Mães só é bonita quando afogada em lágrimas de gratidão, de arrependimento, de saudade? Dói no coração de todos que entram nesta jogada! Vamos mudar esse jogo? Então, vamos combinar o seguinte: Chega de choradeira! Nós não devemos nada aos nossos filhos. Eles também não têm que nos prestar contas! Fomos - mães e filhos - o que conseguimos ser! Demos o que nos foi possível dar em todos os sentidos.

Mães! O passado já se foi. Não se pode trazê-lo de volta: botar os filhos dentro do útero e recomeçar tudo do início, com a sabedoria e a paciência que adquirimos na maturidade. Os erros que cometemos na maneira de educar foram causados por ignorância. Ninguém aprendeu na escola as fórmulas certas pra conduzir um filho. Se você se sente culpada, escolha um outro dia pra abrir o coração. Peça desculpas. É humano errar. É divino saber pedir perdão. Depois dessa conversa franca e amorosa em que se colocaram os pingos nos iiisss, dê um ponto final nesse assunto. Não basta ser perdoada.

Perdoe-se! Também não se pode mudar os avós, nem os irmãos deles e nem o pai. A tal da genética não fomos nós que botamos no mundo (isso já é outra complicação). Já vi muito filho adolescente reclamando de certos defeitos e semelhanças familiares. Tratem de olhar para o presente e para o futuro. O presente é agora. Procure vivê-lo da melhor forma possível. A oportunidade pode não voltar. O futuro é daqui a alguns segundos e cada qual que trate do seu. Filhos! Larguem das saias de suas mães e tratem de ir à luta! Se as mães não são responsáveis pelos seus sucessos, também não são culpadas pelos seus desacertos.

É muito confortável jogar a culpa em cima dos outros. Mas ninguém chega ao sucesso na base do conforto, começando lá do topo. Não transfiram as suas responsabilidades. Assumam o controle de suas vidas! Vão ralar, suar a roupa pra chegar aqui onde nós chegamos e, se possível, mais acima, pelo seu esforço. Vou contar pra vocês o que todas nós, mães, queremos! Queremos que vocês sejam felizes. Que cresçam e apareçam pra dar e receber afeto, pra festejar as suas vitórias! Queremos a nossa liberdade pra curtir a vida! Porque já cumprimos a nossa missão!

Vocês curtem a liberdade? Nós também! "Viver e deixar viver!" Este é o título do livro que minha mãe começou a escrever e me pediu pra continuar. Este foi o ensinamento que ela me deu e acredito ter aprendido. Venho tentando aplicá-lo. Reconheço que tenho tido umas recaídas... Num dia, que não era o das mães, já pedi a compreensão das minhas filhas pelos erros que reconheço ter cometido, pelos que venha cometer e, de lambuja, ainda incluí os que nem sei se foram erros! Já purguei todos eles. Já pedi desculpas e já me anistiei. Pecar por ignorância deixa de ser pecado. Não carrego culpas.

"Dia das Mães"

Que venham, minhas filhas, quando quiserem vir! Elas serão muito bem-vindas a hora que quiserem, no dia que puderem! Pra isso temos nossas agendas e intimidade pra combinarmos nossos encontros! Sinto-me livre, leve e solta. Como é bom me sentir assim! É tudo que desejo a vocês, mães!

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*Lou Micaldas é professora, formada pelo Instituto de Educação, e jornalista, criada e formada no Jornal do Brasil; administra o site Velhos Amigos (http://www.velhosamigos.com.br/) e colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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Alagoas: Deputados taturanas podem ser afastados novamente da Assembleia Legislativa

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Taturana: Deputados devem ser novamente afastados

Cada Minuto

Diante da eleição que se aproxima, uma preocupação começa perturbar os deputados envolvidos na Operação Taturana, que investigou um esquema de desvio de verbas na Assembléia Legislativa de Alagoas envolvendo 12 deputados e funcionários do local. No total, R$ 300 milhões foram desviados.

O juiz Gustavo Lima retorna ao caso e pode novamente pedir o afastamento, já que o retorno dos deputados aconteceu após uma decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes que suspendeu a liminar que afastava os parlamentares.

Atualmente seis ações estão tramitando no Supremo Tribunal Federal, sendo que cinco delas são civis públicas e uma cautelar que pede o afastamento dos envolvidos. Para Gustavo Lima, toda documentação dos processos devem retornar nos próximos dias já que a relatora realizou a leitura em plenário.

"Os deputados só retornaram após uma decisão monocrática do Ministro Gilmar Mendes, Agora voltando ao processo, vou analisar se concordo ou não com a decisão do ministro", explicou Gustavo Lima.

O acórdão do supremo já foi publicado, na terça-feira (04) e o magistrado espera ter acesso novamente aos processos para recomeçar os trabalhos. "O primeiro que vou analisar é a cautelar, por isso não descarto a possibilidade de afastamentos dos deputados acusados", destacou Lima.

Taturanas

Eram aproximadamente cinco horas da manhã do dia 06 de dezembro de 2007, fazia pouco tempo que a Polícia Federal estava sob nova coordenação e o que parecia ser uma quinta-feira qualquer era na verdade o início de um novo capítulo na história recente de Alagoas

Já na primeira coletiva, o superintendente José Pinto de Luna e o delegado responsável pela operação Janderlier Gomes, começaram a explicar que as investigações apontam desvio de R$ 302 milhões dos cofres do Legislativo.

No final de março de 2008, em decisão inédita e histórica, Antonio Sapucaia determinou o afastamento do mandato de 10 deputados indiciados pela Operação Taturana. O Procurador Geral de Justiça Coaracy Fonseca e o desembargador Antonio Sapucaia passaram então a receber ameaças de morte.

O delegado Janderlier Gomes, em um trabalho desgastante, entregou o inquérito a Justiça, nele está contido, de acordo com a PF, provas irrefutáveis, gravações telefônicas, documentos , todas as comprovações necessárias sobre o esquema.

O inquérito, presidido pelo delegado Jandelyer Gomes, teve como resultado 10 indiciados, entre eles um conselheiro do Tribunal de Contas, 15 deputados, 11 ex-deputados, dois prefeitos, três secretários municipais, cinco candidatos nas últimas eleições, seis bancários, 30 funcionários da ALE e 10 familiares de políticos.

Ao todo são 13 volumes de inquérito policial, 94.325 páginas, 233 laudos produzidos, 399 pessoas ouvidas e 30 carros apreendidos.

Após Quinze meses de afastamento, oito deputados que tiveram seu afastamento decretado, dois já haviam retornado em Janeiro de 2009, retornaram aos cargos no dia 12 de julho deste ano após uma decisão do presidente do STF , Gilmar Mendes.

Os deputados Antonio Albuquerque, João Beltrão, Cícero Ferro, Arthur Lira, Nelito Gomes de Barros, Isnaldo Bulhões Junior, Dudu Albuquerque, Marcos Ferreira, Edival Gaia Filho e Maurício Tavares estão hoje na Assembléia Legislativa e todos são candidatos a reeleição em 2010


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Chico Buarque - Apesar de você - A sociedade não pode parar

O BRASIL EM MOMENTO DE REFLEXÃO: CADA ANO ELEITORAL É PROPÍCIO, ANALISAR A CAMINHADA, OS OBSTÁCULOS SUPERADOS E ALAVANCAR COM FIRMEZA A CONSTRUÇÃO DA PÁTRIA SOLIDÁRIA E IGUALITÁRIA!!!

Geladeira pra esquimó

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Fernando Soares Campos

Google premia iniciativas em prol da liberdade de expressão

Até aí morreu Neves.

Quero mesmo é que o Google homenageie iniciativas como a rede castorphoto, que distribui o que há de mais interessante para se ler na blogosfera política e cultural, como, por exemplo, o Coletivo Vila Vudu de Tradutores, cujos trabalhos deveriam ter um espaço exclusivo para publicação. Não tomo essa iniciativa porque não disponho de tempo pra tudo isso.

Outro grupo que deveria ser premiado é o JIBRA – Jornalistas Independentes do Brasil - LONDON UK, que denunciou a armação golpista contra o Governo Lula, revelando os detalhes de como foi articulada a tentativa de “acabar com a raça do PT” e aplicar um golpe de Estado.

Golpe de Estado em Andamento no Brasil: Revelações Estarrecedoras

Confira:

http://lists.indymedia.org/pipermail/cmi-ssa/2005-June/0607-s5.html

Também vem aí o “Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé”.

“No dia 14 de maio, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Rua Genebra, 25, próximo à Câmara Municipal de São Paulo), ocorrerá o lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”. A nova entidade, que reúne em seu conselho jornalistas progressistas e lutadores sociais, tem como objetivos principais contribuir na luta pela democratização da comunicação, fortalecer a mídia alternativa e comunitária, promover estudos sobre a estratégica frente midiática e investir na formação dos novos comunicadores.”

Leia completo: http://altamiroborges.blogspot.com/search?updated-max=2010-05-03T19%3A35%3A00-03%3A00&max-results=5

Vai ter prêmio do Google? Duvido.

Desde já, os parabéns desta nossa Agência Assaz Atroz.

Prêmio do Google, em casos como esse, não passa de geladeira pra esquimó.

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O Google, em parceria com o grupo Global Voices e a agência Thomson Reuters, divulgou os vencedores do prêmio Breaking Borders, que homenageia iniciativas que utilizem a internet em prol da liberdade de expressão.

Um júri internacional escolheu três ações que serão premiadas com US$ 10 mil. Os vencedores são Kubatana.net, do Zimbábue; BOSCO, de Uganda; e o The Philippines Center for Investigative Journalism, das Filipinas.

O Kubatana.net utiliza a internet, e-mail, SMS, blogs e materiais impressos para disseminar informações sobre direitos humanos. O BOSCO é um projeto iniciado em 2007 que disponibiliza redes de acesso a internet sem fio em comunidades rurais no norte de Uganda.

O The Philippines Center for Investigative Journalism foi criado em 1989 para incentivar o jornalismo investigativo nas Filipinas. Em 20 anos, a instituição produziu 500 reportagens, publicou 24 livros, cinco filmes de longa metragem e vários documentários, além de realizar treinamento com jornalistas locais. A entidade já recebeu mais de 120 prêmios nacionais e internacionais.

Os vencedores receberam os prêmios nesta sexta-feira (07/05), durante o Citizen Media Summit 2010, em Santiago, no Chile.

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D55725%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D119409640249%26fnt%3Dfntnl

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Pesadelo - Paulo Cesar Pinheiro & MPB4 (Legendado)

"VOCÊ CORTA UM VERSO, EU ESCREVO OUTRO"!!!

Terrorismo de estado

Terrorismo de Estado en nombre de la paz

James Petras
Rebelión

Traducido para Rebelión por Ricardo García Pérez


La primera baja del terrorismo de Estado suele ser la corrupción del lenguaje, la invención de eufemismos mediante los cuales las palabras significan lo contrario y los eslóganes encubren delitos graves: Ya no existe consenso universal para condenar los crímenes contra la humanidad. Se debe a que los asesinatos y matanzas masivas garantizan la “confianza” del inversor, pues se despoja a los indígenas de sus tierras para que se puedan explotar las minas; desaparecen los trabajadores de las empresas petrolíferas para que el petróleo corra; y la prensa económica internacional elogia el éxito del Presidente en la “pacificación del país”.
Cuando los dirigentes de Europa y América del Norte abrazan a los narco-presidentes, queda de manifiesto que los delincuentes se han vuelto respetables y las personas respetables, delincuentes.
Pero en otras regiones otras voces han sentado en el banquillo a criminales de guerra del pasado y el presente. En Argentina, los generales responsables de los desaparecidos pasan sus últimos años de vida entre rejas. En España, Dubai y otros lugares se han emitido órdenes de detención contra mandos del ejército israelí. En Malasia, Tony Blair, cómplice de la guerra genocida de Bush en Iraq, debe eludir ser arrestado por los crímenes de guerra cometidos. Colombia, Estados Unidos e Israel, los epicentros del terrorismo de Estado, están solos en la Asamblea General de Naciones; condenados pero, todavía, no sometidos a juicio. Sus días de impunidad se acaban. Las guerras interminables, la corrupción galopante y las estafas económicas a gran escala (la podredumbre interna) están erosionando la fachada de su poderío militar.
Poniendo de manifiesto las mentiras que sustentan las maquinarias de matar, los escritores e intelectuales desempeñan un papel esencial en la aceleración de este proceso. Empecemos:
Las mentiras de nuestra época
La doctrina de seguridad democrática (ni democrática, ni para la seguridad personal):
La corrupción del lenguaje acompaña a todos y cada uno de los grandes delitos políticos. El concepto de “seguridad de la democracia” no es una excepción. En el contexto colombiano actual, asesinar a dirigentes de movimientos sociales para garantizar la reelección de un partido compuesto por asesinos políticos es democrático. “Seguridad” es el eufemismo para aludir a los cementerios clandestinos llenos de sepulturas sin lápida bajo las que hay personas sin nombre. La “libertad de los medios de comunicación” existe cuando proclaman solemnemente otro “triunfo militar importante”… la matanza de campesinos desarmados que estaban labrando sus tierras.
Los economistas son “expertos” cuando anuncian que la economía está creciendo… y sólo las personas sufren. Los políticos son “estadistas” cuando afirman ser “uno con el pueblo”… excepto con los 4 millones de desposeídos por la fuerza y los 300.000 familiares de los muertos y desaparecidos; los muertos y los desposeídos todavía tienen que apreciar a ese Uno que asegura ser tal “con el pueblo”.
Cuando el Presidente afirma que la guerra es la paz, que la militarización es seguridad y que las desigualdades son justicia social, sólo quienes no alcanzan a comprender estas Verdades Oficiales deben temer que llamen a su puerta a medianoche.
La definición oficial de terrorista
Se trata de una persona que no consigue comprender que la senda que conduce a la paz pasa por gastar miles de millones de dólares en aviones de guerra, helicópteros de combate, bases militares y en subcontratar a asesores militares y mercenarios.
Los enemigos de las conversaciones de paz
Según el Presidente, esos grupos de defensa de los derechos humanos que se oponen a la matanza de adversarios y proponen diálogo en lugar de monólogos son los enemigos de la paz; sólo los monólogos garantizan que haya una “verdad oficial”, y no otra.
El precio de la prosperidad
Según el Presidente y el Fondo Monetario Internacional (FMI), la pobreza, el desempleo y los salarios bajos son el precio de la democracia y la prosperidad… pero sólo si son los trabajadores y los campesinos quienes pagan el precio y los ricos los únicos que prosperan.
Una novedosa definición de Soberanía
Según el Presidente, la nueva definición de soberanía es ceder territorio a una potencia extranjera imperialista para que instale siete bases militares que actúen según su propio marco legislativo y ámbito de competencias. Soberanía equivale a ocupación extranjera.
La nueva definición de subversión
Según el Presidente, los acuerdos humanitarios y las iniciativas de paz son pretextos para la subversión; sus defensores saben de antemano que el Estado no los va a aceptar. En cambio, deshumanizar al enemigo y a los defensores de la paz facilita bombardear aldeas subversivas, los “auténticos” enemigos de la paz.
Sobre alabanzas y condenas
¿Qué dice de un Presidente el hecho de que todos los grupos y movimientos sociales que defienden los derechos humanos lo condenen, y que toda la prensa económica y las instituciones militares lo elogien?
Un Presidente con récords mundiales
No cabe duda de que el Presidente Uribe ingresará en el Libro Guinness de los Récords.
El Presidente cuenta con el respaldo de más narco-diputados que cualquier otro Presidente o Primer Ministro del mundo (incluida Afganistán).
El Presidente es responsable del desplazamiento de más personas (4 millones de refugiados) en el plazo más breve (8 años) que cualquier otro Presidente del mundo. (Ha desbancado a Israel en su medio siglo).
El Presidente ha autorizado la instalación de más bases militares estadounidenses que todos los presidentes latinoamericanos juntos. El Presidente es responsable de la matanza de más militantes y dirigentes sindicales que cualquier otro líder mundial (1.500). Por cada primer puesto en muerte y usurpación, el Presidente Uribe merece un nuevo galardón, un premio Innoble.
Pero no es el único. Tres presidentes estadounidenses, tanto demócratas como republicanos (Clinton, Bush y Obama), han suministrado armamento y centenares de asesores por valor de miles de millones de dólares para financiar a 30.000 narco-miembros de escuadrones de la muerte y 300.000 soldados, que desempeñan un papel fundamental en la obtención de los “récords mundiales” de Uribe.
Recordemos y castiguemos los crímenes contra la humanidad del pasado y del presente, pero tomemos la delantera en la búsqueda del diálogo entre quienes están dispuestos a mantenerlo, porque constituyen una mayoría que cree en la paz a través de la justicia.
(Rebelion)

Independência

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1822:
A Independência
escravizada
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Por Mário Maestri, de Porto Alegre


Em janeiro de 1821, no Rio Grande do Sul, Auguste de Saint-Hilaire anotava em seu diário que o Brasil perigava ser “perdido pela casa de Bragança” e que “suas províncias” podiam explodir em nações independentes, “como as colônias espanholas”, considerando-se a tamanha diferença entre elas. Escrevia enfaticamente o arguto naturalista: “Sem falar do Pará e de Pernambuco, a capitania de Minas e do Rio Grande, já menos distanciadas, diferem mais entre si que a França da Inglaterra.”

Desde sua origem, a América portuguesa foi mosaico de regiões semiautônomas, de frente para a Europa e África, de costas umas para as outras. As diversas colônias exportavam seus produtos e importavam os manufaturados e cativos, que consumiam pelos portos da costa. Eram muito frágeis os contatos entre as capitanias e, mais tarde, entre as províncias, inexistindo o que hoje definimos como mercado nacional.

Nas diversas regiões, os grandes proprietários controlavam o poder local e viviam em associação subordinada às classes dominantes portuguesas metropolitanas. Os proprietários luso-brasileiros sentiam-se membros do império lusitano, possuíam laços de identidade regional e desconheciam sentimentos ‘nacionais’, impensáveis devido à inexistência de entidade nacional .

Quando do projeto recolonizador da Revolução do Porto, em 1820, as classes dominantes provinciais mobilizaram-se por independência restrita aos limites das regiões que controlavam. O Brasil seguia sendo entidade sobretudo administrativa, sem laços econômicos e sociais objetivos e subjetivos. A construção do Estado-nação brasileiro esboçou-se no II Império e foi sobretudo produto do ciclo nacional-industrialista dos anos 1930.

Nas províncias atuavam as mesmas forças centrífugas que explodiram a América espanhola em constelação de repúblicas independentes, mesmo tendo, ao menos as classes exploradoras, o espanhol como a mesma língua; o catolicismo como a mesma religião; a Espanha como a mesma metrópole. Porém, todas as províncias do Brasil emergiram da Independência coeridas por monarquia centralizadora e autoritária.

Quando da crise de 1820, as classes dominantes provinciais desejavam pôr fim ao governo absolutista lusitano, nacionalizar o comércio português, resistir às pressões abolicionistas do tráfico inglesas, imperar plenamente sobre suas províncias. No relativo à ordem política, dividiam-se em monarquistas e republicanos; quando à conformação nacional, eram federalistas ou separatistas.

No Norte, Nordeste, Centro-Sul e Sul, eram fortíssimas as tendências republicanas e independentistas. Como assinalado, tudo levava a crer que o Reino do Brasil explodiria em repúblicas, como as possessões espanholas, que sequer mantiveram os laços dos antigos vice-reinados – Nova Espanha, Nova Granada, Peru e Prata.

Um grande problema angustiava os grandes proprietários de todo o Brasil. Realizar a independência e não comprometer a escravidão, base da produção e da sociedade de todas as províncias. Fortes choques militares entre as classes proprietárias provinciais e as tropas metropolitanas, na luta pela independência, e entre as primeiras, na luta pelas novas fronteiras, colocariam em perigo a submissão dos cativos e a manutenção do tráfico.

As classes proprietárias do Brasil sabiam que a guerra levaria ao alistamento e à fuga de cativos, como ocorrera durante a guerra anti-holandeses, em 1630-1654, e em diversas outras ocasiões. Tinham em mente o exemplo aterrorizador da grande sublevação dos cativos, vitoriosa no Haiti, em 1804. Os Estados luso-brasileiros que abolissem a escravidão, por não dependerem da instituição, acolheriam cativos fujões. As pequenas nações negreiras vergariam-se ao abolicionismo britânico do tráfico.

O comerciante inglês John Armitage, que chegou ao Brasil, com 21 anos, em 1828, registrou em sua perspicaz História do Brasil os temores das classes proprietárias do Brasil: "Quaisquer tentativas prematuras para o estabelecimento da república teriam sido seguidas de uma guerra sanguinolenta e duradoura, na qual a parte escrava da população teria pegado em armas, e a desordem e a destruição teriam assolado a mais bela porção da América Meridional."

O Estado monárquico, autoritário e centralizador brasileiro foi partejado e embalado pelos interesses negreiros. A independência deu-se sob a batuta conservadora dos grandes escravistas. Os ideários republicano, separatista e federalista provinciais foram reprimidos.

A independência do Brasil foi a mais conservadora das Américas. Os proprietários brasileiros romperam com o Estado e o absolutismo português e entronizavam o autoritário herdeiro do reino lusitano. Cortavam as amarras com a ex-metrópole e transigiram com os seus interesses mercantis e de sua casa real. Mantiveram-se unidos para garantir, por mais seis décadas, a exploração escravista.

7/9/2009

Fonte: ViaPolítica/O autor

Mário Maestri é professor do Curso e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.

E-mail: maestri@via-rs.net

Leia também, de Mario Maestri, Um dia para celebrar o tráfico, publicado em


08.09.2009

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Índios

Toda a religião é como uma preparação. É uma preparação para ir à terra boa, ou para o lugar de seus antepassados. Nós todos temos que passar por isso. Nós todos sabemos isso.

Axtell Horácio, Nez Perce

Há dois mundos que existem. O mundo visto e do mundo invisível. Às vezes, esses mundos são chamados o mundo físico e o mundo espiritual. Os mais velhos dizem, quando é hora de ir para o outro lado, nossos parentes vão aparecer alguns dias antes para nos ajudar a entrar no Mundo Espiritual. Este é um lugar feliz, a caça é boa, é o lugar do avô, do Criador, do Grande Espírito, Deus, é um lugar alegre.

Avós, hoje, deixem-me olhar para a frente para o mundo espiritual. Abençoe todos os meus parentes
Hoje far-te-ei minha confissão de intenções para contigo.
Confesso que tenho planos;
Confesso que nesses planos envolvem muitas coisas ocultas;
Confesso que nesses planos tem muito de ti neles.

Confesso-te e julgo-me culpada!

Culpada por muito te amar.
Culpada por não policiar-me e deixar-te entrar.
Culpada, mil vezes culpada, por ceder aos teus apelos.
Culpada por querer fazer parte de teus dias.
Duplamente culpada por querer tuas noites só para mim.
“Triplicamente” culpada por querer todos os minutos de tua atenção.

MINHA CULPA, MINHA CULPA, MINHA MÁXIMA CULPA.

Confesso que nas noites a sós meu corpo pediu o teu.
Confesso que não aceitaria ser tua esposa
se, junto ao cargo não me oferecesses o papel de tua amante.

Confesso que tenciono tomar o café da manha entre teus beijos e...Algo mais...

Por fim, confesso-te o que falta:
Em meus planos, tenciono não deixar-te nunca mais,
pretendo ocupar teus espaços, teus braços,
tua vida, tua cama, teus dias, tuas noites...

Meus planos somente têm data de início,
Por esquecimento, não marquei data do fim.
Quem sabe em 2100 resolva parar e pensar em marcar a data final!
Meus planos de encarcerá-lo em meu amor
está se esgotando em sua data inicial.
Vem logo... Preciso de ti!
Teu tempo longe de mim, já venceu!


Vanderli Medeiros
28/03/02
Copyright © 2002





Artes Xamânicas
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Email - nativepipee@ gmail.com
(Literatura Indígena)

Vietnã

Vietnã: agente laranja causou doenças e mutações genéticas
Este produto, que contém grandes quantidades de dioxina, uma substância cancerígena, causou doenças e incapacidades tanto em soldados quanto em civis. Hoje, dois milhões de vietnamitas e dezenas de milhares de norte-americanos veteranos da guerra do Vietnã sofrem seus efeitos no organismo. Durante a Guerra do Vietnã (1964-1975), Washington e seus aliados despejaram 83 milhões de litros de herbicidas altamente tóxicos sobre centenas de milhares de hectares do Sudeste Asiático, a maioria no Vietnã. O artigo é de Breno Altman.
Breno Altman - Opera Mundi
Durante a Guerra do Vietnã (1964-1975), Washington e seus aliados despejaram 83 milhões de litros de herbicidas altamente tóxicos sobre centenas de milhares de hectares do Sudeste Asiático, a maioria no Vietnã, mas também no Laos e no Camboja. Os aviões norte-americanos arrasaram até 25% das florestas do país com um desfolhante conhecido como agente laranja.

Este produto, que contém grandes quantidades de dioxina, uma substância cancerígena, causou doenças e incapacidades tanto em soldados quanto em civis. Hoje, dois milhões de vietnamitas e dezenas de milhares de norte-americanos veteranos da guerra do Vietnã sofrem seus efeitos no organismo.

Filhos e netos das vítimas diretas do bombardeio químico estão afetados por mutações genéticas. Além dos danos causados aos seres humanos, o agente laranja devastou o meio ambiente vietnamita. Os mangues desapareceram totalmente. O solo e as colheitas sofreram envenenamento a longo prazo.

O Vietnã insistentemente cobra dos Estados Unidos uma reparação de guerra. A Casa Branca nega responsabilidade no caso e atribui eventuais malefícios aos fabricantes do produto. Associações de vítimas vietnamitas e norte-americanas entraram, em 2004, com um processo na Justiça Federal de Nova York contra 36 empresas que forneceram o desfolhante. A petição foi negada, em primeira instância, pelo juiz Jack Weinstein.

Indenização
Também o Tribunal de Apelações julgou a causa improcedente, alegando que o agente laranja não foi usado como arma de guerra contra a população, mas para proteger as tropas norte-americanas. A Corte Suprema, em março de 2009, indeferiu recurso das vítimas sem proferir comentários.

As mesmas companhias denunciadas concordaram em pagar, através de acordo extrajudicial assinado em 1984, 180 milhões de dólares a 291 mil veteranos norte-americanos afetados pelo herbicida. Mas contestam que a ciência tenha provado que o agente laranja provoque os horrores médicos atribuídos.

ATENÇÃO: As fotografias relativas a este texto foram publicadas em uma página à parte. Para vê-las, clique aqui. Elas podem ser consideradas chocantes.

O Opera Mundi iniciou no dia 30/4 de abril uma série de reportagens sobre os 35 anos do fim da Guerra do Vietnã. Acompanhe em http://operamundi.uol.com.br.


(Carta Maior)

Imperialismo brasileiro

O imperialismo brasileiro está nascendo? Entrevista especial com Virgínia Fontes


Para a historiadora Virgínia Fontes, estamos vivendo o nascimento do imperialismo brasileiro onde os grandes capitais originados aqui no país “estão se concentrando em uma proporção faraônica” e, assim, passam a fazer investimentos diretos fora do país, além de implantar empresas no exterior. A Petrobras e a Vale são bons exemplos disso. Em entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, a professora explicou como o imperialismo brasileiro está surgindo e se desenvolvendo, e analisa o comportamento dessa exportação de capital a partir da atuação dessas empresas fora do país. “Na canadense Inco, subsidiária da Vale, os metalúrgicos estão em greve há nove meses, porque a empresa está impondo uma drástica restrição de direitos. Isso significa que exportação de capitais brasileiros leva junto uma certa cultura da truculência, características das formas políticas brasileiras”, apontou.

Fontes refletiu ainda sobre o papel de órgãos como o BNDES na reestruturação do capitalismo brasileiro e na vertente imperialista que está surgindo. Além disso, ela fala sobre a atuação dos governos sul-americanos frente à expansão do imperialismo brasileiro. “Há contradições sutis que permitiram certo alívio para um conjunto de países frente à pressão dos EUA. Ao mesmo tempo, isso significa uma penetração maior em setores estratégicos de capitais de origem brasileira e associados. Assim, vão se introduzindo novas formas de relações desiguais e combinadas no interior da América do Sul”, descreveu.

Virginia Maria Gomes de Mattos Fontes é mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e doutora em Filosofia pela Université de Paris X (França). Atualmente, é professora da Universidade de Brasília e da UFF. É autora de Reflexões Im-pertinentes. História e capitalismo contemporâneo (Rio de Janeiro: Bom Texto, 2005) e Dilemas da Humanidade - diálogos entre civilizações (Rio de Janeiro: Contraponto, 2008).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Estamos assistindo ao nascedouro do imperialismo brasileiro, no qual empresas brasileiras se voltam para explorar a força de trabalho em outros países?

Virgínia Fontes – Tenho analisado a questão por dois caminhos: um é o da história contemporânea, do desenvolvimento do capitalismo nos últimos 50 e 60 anos, e o outro são as características específicas da sociedade brasileira. Então, começando pela história brasileira, desde 1960, Ruy Mauro Marini [1] apontava as características de um subimperialismo brasileiro. Isso, em função da industrialização, razoavelmente complexa, já atingida pela economia brasileira, assim como pela relativa autonomia do Estado com relação a cada fração capitalista, o que permitia uma atuação mais ampla e organizadora do conjunto dos capitais, e também pela superexploração do trabalhador e pela escassez de mercado interno.

O termo subimperialismo tinha a ver com o fato do Brasil se expandir, exportando capitais. E, naquele
"Atualmente, diferente da exportação de mercadoria, os grandes capitais brasileiros estão se concentrando em uma proporção faraônica e passam a exportar capital sob forma de investimento direto no estrangeiro, e a implantar empresas no exterior"
momento, principalmente, sob a forma de mercadorias. Houve uma exportação crescente de produtos manufaturados e industrializados para a América Latina. Considero que essa trilha, aberta por Ruy Mauro Marini, é muito importante, mas acho que hoje precisamos averiguar se as condições são exatamente as mesmas. Diria que há vários fatores importantes para se compreender no processo brasileiro contemporâneo.

Atualmente, diferente da exportação de mercadoria, os grandes capitais brasileiros estão se concentrando em uma proporção faraônica e passam a exportar capital sob forma de investimento direto no estrangeiro, e a implantar empresas no exterior. E estes contam com o apoio de entidades públicas, como o BNDES e Banco do Brasil, por exemplo.

IHU On-Line – E qual a diferença dessa fase descrita por Marini para essa que está nascendo?

Virgínia Fontes – Ruy Mauro Marini tinha razão. A interconexão entre capitais de origem estrangeira e brasileiros só se aprofundou. Portanto, hoje é muito difícil distinguir entre um capital genuinamente brasileiro e um capital mesclado com capitais internacionais. O primeiro ponto é de que, no contexto internacional, a expansão do capitalismo contemporâneo só pode ocorrer sobre a forma de imperialismo. Porque o grau de concentração de capitais e de centralização exigido para que as burguesias brasileiras permaneçam capitalistas determina um saldo de exportação de capitais, no sentido de investimento direto no exterior e de extração de mais valor para além das fronteiras.

A segunda diferença, com relação a Marini, é que houve uma expansão do mercado interno, principalmente a partir dos anos 1970, não exatamente em função de melhorias salariais de redução da desigualdade. Ao contrário, as desigualdades se aprofundaram. Porém, expandiu-se, absurdamente, o crédito para todas as formas de consumo, desde o consumo especulativo e produtivo ao imediato, das famílias. Outro ponto importante é uma análise mais ampla do conjunto do processo histórico. Acho que isso irá caracterizar os saltos de etapa da sociedade brasileira.
"A história brasileira só pode ser entendida a partir dos processos de lutas sociais"


A história brasileira só pode ser entendida a partir dos processos de lutas sociais. Temos três grandes momentos dessa história, sintetizando bastante. O primeiro ocorreu nas décadas de 1910 e 1920, quando aconteceu um enorme impulso, sobretudo urbanos, de lutas sociais. Uma industrialização incipiente, ainda originária, convive com formas de organização burguesa-agrária muito forte, já alcançando o âmbito nacional na escalada da organização proprietária de entidades de interesse, como a Sociedade Nacional de Agricultura, Sociedade Rural Brasileira etc.

A continuidade do processo de acumulação de capital, na década de 1920, impunha uma espécie de salto industrializador, através do famoso pacto entre o moderno e o atrasado. Foi uma ditadura contra os movimentos democratizantes, operários, urbanos e rurais, para controlar esse processo de reivindicações democratizadoras e, simultaneamente, um salto para frente na acumulação capitalista com uma expansão acelerada, com apoio do Estado, dos processos de industrialização e monopolização do capital. Isso já ocorreu de maneira integrada com os capitais internacionais.

O segundo momento é, novamente, de extensão das lutas populares no Brasil, entre 1955 e 1964. As reivindicações, além de democratizadoras, já começam a colocar em questão as próprias estratégias clássicas de acumulação no Brasil, já tentando unificar lutas urbanas e rurais. Novamente, este processo termina com a imposição da ditadura civil militar, de 1964, que teve como suporte uma extensão da organização burguesa e um aprofundamento dela no contexto do país como um todo. Essa malha organizadora contou com apoio direto dos Estados Unidos, porém, é preciso esclarecer que houve também um processo de organização interna das burguesias brasileiras, no sentido de impedir esse crescimento democratizante popular. O golpe de 64 configura um novo salto de concentração de capitais, a partir do controle ditatorial direto das massas populares. Este foi um processo de monopolização da economia, através da sustentação do Estado, e de montagem de um sistema bancário e financeiro, abrangendo todo o território.
"O golpe de 64 configura um novo salto de concentração de capitais, a partir do controle ditatorial direto das massas populares"


Temos também a década de 1980, quando houve as mais importantes lutas sociais que já tivemos na história do Brasil. Da segunda metade da década de 1970 e toda a década de 1980, foram 15 anos de importantíssimas lutas de classe no país, com movimentos sociais urbanos e rurais. Há uma complexidade nesta luta, porém, ela já dá no momento de uma crise da burguesia, no sentido da condução dos processos políticos, frente à sua capacidade de acumulação. A burguesia brasileira não tem a configuração do que chamamos de burguesia nacional, com uma autonomia nacional. É uma burguesia cuja implantação cobre o território nacional, cuja associação subalterna ou cresce como burguesia ou recua para uma situação de mera prestadora dos sistemas internacionais. Nesta década, com o esvaziamento da ditadura, os recursos foram à quebra de direitos da população, sobretudo através de um massivo processo de demissão nos setores públicos e privados. Em seguida, houve um salto brutal de concentração e centralização de capitais, de maneira a permitir a inserção, ainda que subordinada, dos capitais brasileiros no processo de expansão imperialista no mundo.

Eu penso que a forma do capitalismo, hoje, no mundo, é imperialista. Só se expande capitalismo sob uma forma imperialista, característica pós Segunda Guerra Mundial. No caso brasileiro, esta forma já está implantada internamente. Portanto, estamos diante de uma situação bastante complexa, porque se trata de um capital imperialista, porém, desigual e combinado, no sentido de que é hierarquizado nos próprios países de capital imperialista.

IHU On-Line – Há evidências de conflitos entre as empresas brasileiras e organizações de trabalhadores de outros países?

Virgínia Fontes – Temos dois casos clássicos. O primeiro é o da Vale. A empresa Vale é contestada por trabalhadores do mundo inteiro. Na canadense Inco, subsidiária da Vale, os metalúrgicos estão em greve há nove meses, porque a empresa está impondo uma drástica restrição de direitos. Isso significa que a exportação de capitais brasileiros leva junto uma certa cultura da truculência características das formas políticas brasileiras. A Vale atua também em Moçambique onde está promovendo uma tragédia ambiental e social, e em vários países da América do Sul, onde se defronta com movimentos sociais, indígenas e de trabalhadores, sem falar na tragédia social que promove aqui mesmo no Brasil.

Além disso, temos o exemplo da Petrobras, que é o mais complexo. A Petrobras é uma empresa pública, mas que vem atuando sob a forma de empresa privada no exterior, através da exportação de capitais em associação a capitais imperialistas do país e do mundo. Já tivemos problemas na Argentina, na Bolívia e em outros lugares. Quanto às demais empresas, como Camargo Corrêa e Odebrecht, precisaríamos de uma avaliação mais profunda. Já tivemos casos de problemas no Peru, na Bolívia e no Paraguai, com relação à atuação dessas empresas, não com relação aos movimentos de trabalhadores, mas sim com próprios governos.

IHU On-Line – A crescente presença do capital brasileiro no exterior significa que o capitalismo brasileiro está passando por uma reestruturação?

Virgínia Fontes – Quando analisamos o capitalismo, percebemos que as burguesias capitalistas seguem nesta corrida frenética por acumulações, e não pela produção de bens necessários para vida. Ou as burguesias seguem nesta corrida, ou elas deixam de existir como burguesia. Tudo vem indicando que a burguesia brasileira entrou nesta corrida frenética sem se importar com o custo social que isso pode representar. Isso não quer dizer que o fato de o Brasil ser um país imperialista, onde as burguesias brasileiras são capitais imperialistas, que irá melhorar a condição de vida da maioria da população, ou que vá reduzir as desigualdades sociais brasileiras. Pelo contrário, essas desigualdades tendem a se aprofundar.

IHU On-Line – Qual é o papel que joga o BNDES na reestruturação do capitalismo brasileiro e na vertente imperialista brasileira?

Virgínia Fontes – O papel do BNDES vem sendo fundamental, mas não só dele, também dos fundos de pensão, do sistema bancário brasileiro altamente concentrado e das grandes corporações de capital, cuja origem pode estar no capital industrial, comercial ou bancário. Porém, estes vêm se entrecruzando de uma maneira que chamo de pornográfica, a tal ponto em que não sabemos quem é quem.

O BNDES vem tendo, sobretudo nos últimos anos, um papel fundamental porque está aportando capital para esse salto. É possível imaginar que haja divergências burguesas com relação a esse apoio do BNDES a um ou outro setor. É possível imaginar que determinados setores estejam querendo participar desse processo de concentração. Mas, aparentemente, não há conflitos maiores, e o processo de concentração e centralização de capitais para o salto da transnacionalização vem sendo substantivamente apoiado pelas entidades empresariais.

IHU On-Line – Como a senhora interpreta, sob a perspectiva do movimento social, os governos dos Kirchner, na Argentina, Evo, na Bolívia, Correa, no Equador, e Chávez, na Venezuela, em relação à expansão do imperialismo brasileiro?

Virgínia Fontes – Essa é a questão mais delicada. Por um lado, a expansão desse imperialismo brasileiro fornece uma espécie de proteção para um conjunto de países latino americanos, frente à devastação direta
"A expansão desse imperialismo brasileiro fornece uma espécie de proteção para um conjunto de países latino americanos, frente à devastação direta que vem do capital imperialismo norte-americano"
que vem do capital imperialismo norte-americano. De um lado, a política externa brasileira, para que consiga expandir os capitais num subterritório mais próximo, como a América do Sul, precisa lidar com mais cuidado com esses países. Porém, de uma maneira diferente da truculência característica da diplomacia norte-americana que sempre opera a América Latina como seu quintal.

Há contradições sutis que permitiram certo alívio para um conjunto de países frente à pressão dos EUA. Ao mesmo tempo, isso significa uma penetração maior em setores estratégicos de capitais de origem brasileira e associados. Assim, vão se introduzindo novas formas de relações desiguais e combinadas no interior da América do Sul.

Estamos vivendo uma situação razoavelmente nova. Os movimentos sociais precisam construir um trato mais cauteloso com os governos populares da América do Sul, e que seja um trato constitutivo da relação do Brasil com o exterior. Porém, não temos nenhuma garantia disso a longo prazo, na medida em que junto com esse trato vai uma série de exportações de capitais de origem brasileira, cuja relação com os movimentos populares é muito truculento. Além disso, temos ainda dificuldades de nos enxergarmos neste papel. Temos de ter a clareza de que nossa solidariedade é de uma luta com todos os trabalhadores latino-americanos.

IHU On-Line – O que há de novo na luta social latino-americana?

Virgínia Fontes – A política latino-americana é riquíssima. Diria que os séculos XX e XXI seguem marcados por uma luta popular e por uma profunda modificação dos rumos da existência social na América Latina como um todo, em especial na América do Sul. Há um profundo desgosto popular com relação às formas de imperialismo externo, sobretudo o imperialismo estadunidense, mas qualquer forma de imperialismo. Isso, às vezes, pode cegar um pouco a expansão do capitalismo brasileiro, por isso devemos estar atentos.
Esse processo encontrou formas de saída de luta popular distintas. Temos um avanço muito grande na Venezuela e na Bolívia, com a procura da consolidação e organicidade dos movimentos populares em formas políticas. Em outros países, temos projetos mais ou menos neodesenvolvimentistas, como os economistas vêm chamando, assim como no Brasil.
"A consolidação institucional contemporânea do governo Lula levou a uma política de duas caras"


A consolidação institucional contemporânea do governo Lula levou a uma política de duas caras. Uma cara na qual se alivia o sofrimento da pobreza, de maneira muito pontual e sem assegurar direitos, enquanto a outra mão impulsiona a concentração de capitais. Hoje, no Brasil, esse formato político de minorar o excessivo sofrimento da pobreza garante a legitimidade eleitoral para o processo da concentração econômica. Porém, as massas populares brasileiras sentiram esse alívio e se sentem gratas.

Elas sabem das experiências de truculências na qual são submetidas no seu cotidiano. As experiências de desigualdade agora vêm se aprofundando, com os 10% mais ricos da população, tomando mais de 70% da renda nacional. É um descalabro de concentração e desigualdade, ainda que tenha sido minorado o sofrimento dos setores mais frágeis e vulneráveis. Novamente, na América Latina, temos aberto o conjunto das lutas. Há uma tentativa, por parte de países como Brasil, de promover uma via neodesenvolvimentista sob a “condução” brasileira, e escoando seus capitais para investimentos diretos no contexto da América do Sul, no qual evitam a entrada de certos países. Acredito que a única condição de uma mudança efetiva é uma luta anticapitalista, contra todos os efeitos da concentração de capitais.

Notas:
[1] O cientista social Ruy Mauro Marini é conhecido internacionalmente como um dos elaboradores da Teoria da Dependência. Embora extremamente conhecido nos países latino-americanos de língua espanhola, sua obra é pouco conhecida no Brasil. Sobre o esforço dos governos militares brasileiros de desenvolvimento industrial e de hegemonia continental, Marini posicionou-se pela criação da categoria sub-imperialismo para designar um processo dinâmico do capitalismo nacional, que expande seus capitais sobre as economias vizinhas, porém sob os limites impostos pelo capital monopólico mundial.

Para ler mais:
• A reestruturação do capitalismo brasileiro é o tema de capa da edição 322 da IHU On-Line
• ‘‘Discutir o BNDES é discutir o Brasil que queremos’’. Entrevista especial com João Roberto Lopes


(Inst. Humanitas Usininos)