Rodoanel de São Paulo
O Serra entregou ontem o trecho Sul do Rodoanel de São Paulo (o trecho em azul marinho, na imagem). Em seu discurso, utilizou omitiu informação relevante e utilizou argumento verdadeiro e um forte argumento falso e eleitoreiro.
1. Omissão
No release do portal do governo de São Paulo, não há uma menção sequer ao fato de que o Rodoanel de São Paulo é uma das grandes obras do PAC – aquele programa que as Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros) insistem em dizer que não sai do papel.
No balanço de três anos do PAC (período 2007-2009) a situação da obra era a seguinte:
RESULTADOS
- Realizados 44% de pavimentação e 66 obras de arte especial
- Lote 1 – realizados 12 km de terraplenagem e executados 67% da pavimentação. Concluídas 20 OAEs e em execução, 2 passagens superiores, 4 viadutos e 12 pontes
- Lote 2 – realizados 7 km de terraplenagem no eixo principal e 2 km nos ramos de acesso na interligação com a Via Anchieta, e 24% da pavimentação. Concluídas 6 OAEs e em execução: 12 passagens inferiores, 5 pontes e 6 viadutos
- Lote 3 – realizados 6 km de terraplenagem e 37% da pavimentação. Concluídas 10 OAEs e em execução 9 passagens superiores, 2 pontes e 5 viadutos
- Lote 4 – realizados 17 km de terraplenagem e executados 49% da pavimentação. Concluídas 30 OAEs e em execução 6 pontes, 12 PIs e 4 passagens superiores
- Lote 5 – realizados 18 km de terraplenagem e 32% da pavimentação. Em execução 1 passagem superior, 7 pontes e 4 viadutos

Segundo as Organizações Serra, via Contas Abertas, essa obra não seria concluída no prazo, dado ao que tinha sido gasto até então. No entanto, está aí.
Do mesmo modo acontecerá com grande parte das obras que têm prazo para o segundo semestre deste ano. As Organizações Serra afirmam que não serão concluídas. Mas é bastante provável que sejam, pelo simples motivo de que não falta dinheiro. Ao contrário das obras do Avança Brasil do FHC e do Serra que tinha 35% das obras paralisadas em 2002 por falta de recursos financeiros.
Dos R$ 3,6 bilhões gastos nessa obra, R$ 1,2 bilhão são recursos do Orçamento da União. Ou seja, a rodovia é estadual e o governo federal entendendo a importância dela para a logística e para a redução do Custo Brasil, aplicou 1/3 do valor da mesma.
Governo federal petista para governo estadual tucano. Mostrem um exemplo que seja de atitude semelhante do FHC ou do próprio Serra para com governos de oposição.
2. Verdade
“Este é um ganho tremendo para o interior, para o litoral e para outros estados do Brasil porque caminhões que vêm para o litoral paulista não vão precisar mais atravessar a cidade de São Paulo”
De fato, qualquer obra de contorno de cidades de médio e grande porte é vital para a logística de passagem. Se o caminhão não vai para a cidade de São Paulo não tem porque entrar no trânsito infernal cultivado pelos tucanos há quinze anos.
Entretanto, muitos caminhões terão que entrar em São Paulo, já que não há Centros de Distribuição (CD) de cargas próximos ao Rodoanel. Se existissem, as carretas iriam para esses CDs, permitindo a desagregação das cargas fracionadas e sua logística em direção à capital em caminhões menores para distribuição das mercadorias para o comércio e a indústria.
3. Falso e eleitoreiro
“A obra também será responsável pela significativa redução dos congestionamentos”
Em alguns sites apareceu a informação de que haveria uma redução de 15% dos congestionamentos.
Como todos sabem, em São Paulo – incluindo a Região Metropolitana – o motivo dos congestionamentos é o volume gigantesco de automóveis circulando, sem restrição alguma. É assim em todas as grande cidades.
O Serra e o Kassab vêm há tempos tentando colocar a culpa dos congestionamentos nos caminhões. O que não faz sentido algum.
São menos de duzentos mil caminhões contra cinco milhões de automóveis.
Para reduzir os congestionamentos tem que fazer como Londres: criar o pedágio urbano e elevar os preços de estacionamento nas áreas de maior fluxo de automóveis. Não há outra alternativa; nem mesmo triplicar a oferta de trens e metrô resolve.
Anotem aí e me cobrem depois: a redução de congestionamento, se houver, será irrisória!