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sábado, 20 de março de 2010

Mariátegui

Obra recupera análises de Mariátegui sobre o fascismo Quando o fenômeno fascista surgiu, originalmente na Itália, depois da Primeira Guerra Mundial, não era fácil definir sua natureza. Seu líder Benito Mussolini procedia das fileiras do socialismo e, mais precisamente, de sua ala maximalista. No começo, o fascismo se apresentou como um movimento revolucionário, inserido no contexto de turbulências sociais que afetaram a Europa nos anos que sucederam o conflito bélico. Entre os que souberam detectar prematuramente a autêntica posição social dos “fasci di combattimento” se destaca, com grande lucidez, o jornalista e teórico marxista peruano José Carlos Mariátegui. A partir de sua posição privilegiada de observador, em sua estadia na Itália nos anos 1920-1922, elabora sua impressionante “Biologia do fascismo”, publicada mais tarde em La escena contemporánea. Ao lado das inclinações de restauração do tipo tradicional do Estado autoritário, também enfatiza agudamente os aspectos ideológicos do fascismo. Assinala, neste sentido, o papel antecipador do poeta Gabriele D’Annunzio dentro das correntes irracionalistas do pós-guerra. Ao mesmo tempo destaca sua marginalização no momento em que o fascismo revela seu conteúdo violentamente classista. No caminho entre o céu da retórica poética e a terra firme, o movimento conserva apenas os elementos exteriores do d’annunzianismo e se propõe como núcleo de agregação de todas as forças reacionárias. Por outro lado, Mariátegui intui também os limites das forças que se opõem ao fascismo, antes e depois do triunfo mussoliniano. Na fase anterior, destaca as divisões profundas das forças democráticas e do próprio Partido Socialista, cindido entre uma alma reformista e outra revolucionária. Daí o surgimento do Partido Comunista, ao que Mariátegui assiste pessoalmente em Livorno, saudando-o como uma possível alternativa e chegando até mesmo a lançar a previsão de um enfrentamento final entre o fascismo e a nova força revolucionária. Depois da experiência do regime autoritário e da incapacidade de organizar uma autêntica oposição, conclui que não resta espaço para as forças demoliberais tradicionais. (Leia o artigo "A imprensa italiana", que faz parte do livro) O fenômeno fascista é enfocado sempre dentro de seu contexto europeu. Os traços peculiares de sua manifestação italiana, portanto, não o impedem de perceber uma tendência mais geral à agregação das forças reacionárias que abarca, de formas diferentes, em vários países do velho continente. Oitenta anos depois, as análises do marxista peruano conservam sua vigência. Não só por seus acertos na definição da substância profunda de um fenômeno contemporâneo, mas também porque oferece um modelo, ainda atual, de interpretação das classes sociais, livre de todo dogmatismo. Antonio Melis Publicado originalmente pelo site HistóriaNet (Opera Mundi)

O amor é grande...

Bellzinha...

Che

El nacedor


¿Por qué será que el Che
tiene esta peligrosa
costumbre de seguir naciendo?
Cuánto más lo insultan, lo manipulan,
lo traicionan,
Más nace.
El es el más nacedor de todos
¿No será porque el Che decía lo que
pensaba y hacía lo que decía?
¿No será que por eso sigue siendo tan
extraordinario, en un mundo donde
las palabras y los hechos muy rara vez
se encuentran, no se saludan,
porque no se reconocen?


Eduardo Galeano
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

Crenças

Não acredite em tudo
o que você lê nos jornais
.
Por Silvio Fernando, de São Paulo




Jornalões à la carte
Fonte:

Uma leitura dos jornais pode render mais do que notícias.

Internacional

1. A Bolívia emitiu ontem nota divulgando que procura por engenheiros com flatulência para a construção de novo gasoduto.

2. O ex-presidente americano George W. Bush escapou no fim do mandato, de ser atingido por um sapato tamanho 40. Com aprovação cada vez mais em baixa, o então novo presidente, Barack Obama, também vem tomando seus cuidados. Semana passada, por exemplo, recusou fazer um discurso na Associação de Lésbicas. (Agência Reuters)



3. O governo de Hugo Chávez, presidente “eterno” da Venezuela, anunciou ontem não haver clima para um golpe de Estado no País. Segundo a imprensa local – já devidamente encarcerada – a notícia provocou um surto de depressão na bancada chavista; diversos generais tentaram o suicídio mesmo após o presidente haver dito que “era só brincadeira, chicos”.

Economia

4. Depois de atingir as Bolsas de Tóquio, Londres e Estados Unidos a crise econômica atinge agora as bolsas francesas. Segundo informações, devido à alta dos preços, as bolsas Gucci e Victor Hugo encalharam nas prateleiras.

5. Arábia Saudita – O Xeque Olhe-Ali-Babá estava só esperando o presidente Bush encerrar seu governo para anunciar ao mundo sua nova invenção: combustível sintético. Segundo ele, a única substância viável para o futuro, uma vez que nossas reservas naturais estão se esgotando. Infelizmente, tal combustível terá que ser feito à base de petróleo.


O fabuloso mundo dos esportes

6. O atual campeão e ainda invicto jogador de damas, Sir Winston Chess, nega-se a participar do torneio internacional deste ano se, de acordo com ele, os demais participantes não usarem vestimentas adequadas durante a disputa. Segundo o campeão, um de seus adversários usou ano passado uma acintosa camisa xadrez.

7. Futebol brasileiro – Ronaldo desentende-se com a diretoria do Corinthians quanto ao novo salário, alegando quantia inferior a combinada. O time alega estar pagando muito bem ao craque que, com o atual salário pode-se dar a vários luxos, inclusive o de ser processado diariamente por até três travestis sem sofrer golpes severos em sua poupança.

Páginas de polícia

8. Não se sabe ao certo ainda quem foi o misterioso autor do assalto à famosa adega de vinhos chilena El Borrachón. Segundo nosso correspondente estrangeiro, Clark Kent, a polícia descobriu uma testemunha ocular, Raul Gonzales, frequentador assíduo do local. No entanto, o testemunho do senhor Gonzales parece vago e inconcluso, uma vez que tudo aconteceu rapidamente e o ladrão estava mascarado. Entre um arroto e outro, a testemunha informou a polícia que o meliante usava uma máscara do tipo “irmãos metralha” sobre os olhos. Consultando os arquivos da polícia, o senhor Gonzales não conseguiu identificar um só membro do bando. Apressada, a polícia chilena cometeu um engano e prendeu o Zorro.

9. Preso ontem pela polícia de Londres, o suicida mais distraído do mundo, Sir Charles Ogden Spencer. Segundo os policiais que o prenderam, ele foi denunciado pelos vizinhos ao tentar atentar pela 47º vez contra sua vida. Talvez a falta de prática tenha levado Sir Spencer a fazer alguma confusão: a polícia o encontrou abrindo as janelas e fechando o gás. Felizmente, Sir Spencer conseguiu livrar-se do processo judicial impetrado aos suicidas, mas não de uma multa da companhia de gás. Chateado, ameaçou matar-se mais uma vez, mas ninguém lhe deu crédito.

10. Rio de Janeiro: Dançarina de streap-tease pega friagem e morre!

Caderno de variedades

11. A Lorota de Ipanema! Descoberto livro apócrifo de versos de Vinícius de Moraes. Segundo alguns críticos literários, a razão da obra ter se mantido tanto tempo oculta no baú do poeta deve-se ao fato de algumas emendas terem saído piores que os sonetos.

12. Segundo a Universidade de Música de Viena não foi apenas o compositor clássico Ludwig Van Beethoven que no fim da vida acabou surdo. Todos aqueles que viviam a sua volta também padeceram deste mesmo mal. Uma comitiva de intelectuais foi designada para investigar o estranho fenômeno.

13. No ano de 1859, o inglês Charles Darwin publicou seu famoso ensaio sobre a Evolução das Espécies. A tese provocou polêmica nos meios acadêmicos ao afirmar um estreito componente evolutivo entre homem e macaco. Curiosamente o cientista não gostava de banana.

14. Segundo estudiosos da História Antiga, a situação econômica na Grécia, ao contrário do que supúnhamos, era calamitosa. A ponto de os gregos desdobrarem-se em vários trabalhos. Um deles, Hércules, teve 12.

15. Zíbia Gasparetto psicografa Gasparzinho!

Cidades

16. Pânico no zoológico! Girafa fica com torcicolo e recebe auxílio médico!

17. Gravidez congestionada! Devido ao tráfego, mulher de taxista não consegue chegar ao hospital e tem o filho dentro do táxi. A criança, um bebê do sexo masculino, com 1,700Kg, foi batizado como Rodovaldo (modelo 2009).

Saúde

18. Acaba de ser realizada com sucesso uma delicada cirurgia no Jardim Zoológico da cidade. A equipe médica transplantou com absoluto sucesso as córneas de um elefante recém falecido para outro mais jovem. Infelizmente o animal morreu de infecção bacteriana após a cirurgia.

19. Nasce em Minas Gerais o incrível bebê de duas cabeças! O pai, orgulhoso, garante que o menino será um intelectual.

16/8/2009

Fonte: ViaPolítica/O autor

Silvio Fernando é jornalista e psicólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Formou-se também em roteiro e dramaturgia pelo Núcleo do Teatro de Arena paulista. Entre outros veículos, foi colunista e crítico de cinema do site Bibliaworldnet, repórter da rádio baiana Brasil FM e atualmente é redator e roteirista das rádios Terra AM e Musical FM. No teatro, integrou as companhias Quarteto em Rir Maior e Os Terroristas do Riso. Escreveu e dirigiu peças de cunho educativo encenadas por populações em desvantagem social e jovens em situação de risco.

Do mesmo autor, leia também “Sacrifício em megahertz” e “O quanto você é sedutor?”

E-mail: sfernandor@hotmail.com

Woodstock

Woodstock – 40 anos
O poder do som
.
Por Jorge Sanglard, em Liberatinews




Woodstock

A pobreza, a injustiça, o racismo e o belicismo estavam à solta na “terra da liberdade” e no “lar dos bravos”. E, então, surgiu a Nação Woodstock com seu grito
libertador.

A utopia libertária de Woodstock, 40 anos depois, permanece viva. E volta e meia é reativada pela celebração daqueles três dias de paz e muita música que entraram para a história do século XX. O poder do som e a força das imagens do maior festival de todos os tempos transcenderam as terras da fazenda de Max Yasgur, em White Lake, na cidade de Bethel, Condado de Sullivan, Nova York, e ganharam impulso com os lançamentos de discos e de um documentário. A cada reedição comemorativa, os ritmos e as imagens da Feira de Arte e Música de Woodstock ampliam a reflexão sobre a transformação de costumes desencadeada nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969.

No livro Back to the garden – no Brasil, Woodstock –, lançado pela editora Agir, o radialista norte-americano Pete Fornatale mergulha nas impressões de mais de uma centena de personagens que estiveram lá, nos bastidores, no palco, na produção, na grama, na lama, e abre um diversificado leque de opiniões sobre o evento que sacudiu a América. E dá voz a alguns analistas do fenômeno Woodstock.

Também marcando as quatro décadas do evento, Woodstock - 3 Days of Peace & Music é uma nova edição, em quatro DVDs pela Warner, do documentário Woodstock - Onde Tudo Começou, de Michael Wadleigh, a síntese visual e sonora do maior ícone do movimento hippie. Uma série de CDs ainda joga mais lenha na fogueira, despertando o interesse na música que abriu alas para eternizar Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Richie Havens, Joan Baez, Janis Joplin, Sly & The Family Stone, Country Joe And The Fish e muitos mais.

A Rhino Records - Warner lançou a caixa de seis CDs, Woodstock - 40 Years On: Back to Yasgur’s Farm, com 77 músicas, sendo que 38 estavam inéditas em disco. As trilhas sonoras Music From the Original Soundtrack and More: Woodstock e Woodstock 2 também foram remasterizadas e relançadas. E a Legacy / Sony Music articulou a coleção de cinco CDs duplos Woodstock Experience, reunindo álbuns originais de 1969 de Janis Joplin, Johnny Winter, Santana, Jefferson Airplane e Sly & the Family Stone e as performances completas de cada um no festival. E, nos Estados Unidos, o Bethel Woods Center for the Arts e o Museum at Bethel Woods ocupam parte da fazenda de Max Yasgur, reúnem a memória do festival e trabalham para que a “volta ao jardim” continue viva.

Pete Fornatale assegura que o festival, sem qualquer intenção prévia, se tornou um manifesto, um símbolo das mudanças que borbulharam na primeira metade e transbordaram durante a segunda metade dos anos 60 nos Estados Unidos. No livro, ele levanta a questão sobre tudo o que rolou durante as 65 horas de som no evento que redefiniu a cultura e os valores de toda uma geração e lançou sementes para além de seu tempo: “Woodstock foi, sem dúvida, o marco principal da grande revolução jovem da época, uma onda de transformação musical, política e social”. A empreitada idealizada por Michael Lang, Artie Kornfeld, John Roberts e Joel Rosenman nasceu de um encontro a partir de um anúncio de jornal e transformou a música e o comportamento do século XX.

O músico Graham Nash sintetizou: “A lenda e o mito de Woodstock se tornaram maiores do que a sua realidade. Foi inegavelmente um tremendo evento social. Muita música de qualidade. Muita diversão para muita gente. Acho que, à medida que o tempo passou, a lenda, o mito de Woodstock, se tornou maior do que a realidade”. A antropóloga Margaret Mead viu tudo como um fenômeno sociológico e assegurou na revista Red, na época, que foi uma confirmação de que esta geração tem, e compreende que tem, sua própria identidade. E David Crosby, em seu livro Stand and Be Counted, deu uma pista: “não foi um evento político no sentido tradicional do termo, mas foi tão grande que teve um impacto político semelhante”.

Muitas controvérsias marcaram o festival. Talvez a maior delas é quanto ao número de gente que conseguiu reunir, 400 mil, 500 mil. Pouco importa, era um mar de gente. O certo é que às 17h7min da sexta-feira, 15 de agosto de 1969, uma onda humana como nenhuma outra nos anais da história, como descreve Pete Fornatale, ouvia os primeiros sons de Richie Havens, que fora escolhido na hora para abrir o festival num vôo solo ao violão.

Quase três horas depois, já exausto, o músico continuava no palco, a pedido da produção, e não sabia mais o que cantar, já cantara tudo, quando veio a inspiração: “Olhei para a platéia e não conseguia ver o fim dela porque, como se vê no filme, é gente até onde se consegue enxergar. Então olhei para cima e disse ‘liberdade não é o que eles fazem a gente pensar que é, nós já a temos. Tudo que devemos fazer é exercê-la, e é isso que estamos fazendo bem aqui’. Então comecei a tocar umas notas procurando alguma coisa e a palavra saiu, ‘freedom’, e aí, claro ‘Motherless child’, que eu não cantava há uns seis, sete anos, surgiu. Depois apareceu uma parte de uma canção que eu costumava cantar quando tinha 15 anos e entrou no meio. Foi assim que juntei tudo”.

Fornatale esclarece que a performance de Richie cristalizou e iluminou a verdadeira razão subjacente para que aquele meio milhão de pessoas se reunisse ao toque de uma única palavra, repetida mil vezes e ecoada pela multidão: “Freedom, freedom, liberdade, liberdade”. A performance de Havens hipnotizou e seduziu a massa e o músico, segundo Fornatale, parece em transe, transformado, transportado: “ele ainda é a maior encarnação viva do ethos de Woodstock”.

Para o escritor e crítico Bob Santelli, Havens salvou o dia do festival. Mas ainda no primeiro dia nasceu uma inesperada estrela solo, Country Joe McDonald, uma inclusão tardia no elenco. O Fish estava escalado só para o domingo, Joe chegou cedo para curtir a abertura do festival, na sexta, e dava bobeira na lateral do palco, quando o apresentador e gerente de produção, John Morris, resolveu convocá-lo. E Joe soltou logo uma adaptação de um grito de guerra que usara antes e soletrou a palavra fuck no lugar de fish. Segundo o coordenador artístico, Bill Belmont, quando soou “Me dá um F!”, todo mundo sabia o que ia acontecer. O que veio depois está no filme, a multidão inteira gritando fuck, uma palavra proibida na América até então. “E, claro, não é só a palavra, mas o significado por trás dela”, esclarece Santelli: “todas as regras e leis tinham ficado do lado de fora dos portões”.

Na opinião de Santelli, “quando se pensa em Woodstock e nas canções da Guerra do Vietnã, se pensa na apresentação de Joe. Foi lendária e importante. Ele se impôs. Foi uma das poucas vezes em que a política foi realmente convidada ao palco e realmente aceita. De modo geral, Woodstock não foi sobre política. Não foi sobre o que estava acontecendo no mundo, as coisas ruins. Foi sobre a criação de um novo mundo, uma nova identidade, uma nova nação, a Nação Woodstock. Não foi sobre tentar resolver a Guerra do Vietnã ou sobre se manifestar e mandar uma tremenda mensagem ao mundo careta e ao governo americano de que queríamos que a guerra parasse. Ainda assim, Joe, da única maneira que ele podia fazer, conseguiu adicionar um elemento político que foi aceito”.

A pobreza, a injustiça, o racismo e o belicismo estavam à solta na “terra da liberdade” e no “lar dos bravos”, assegura Fornatale; afinal, nenhum tema revelou mais o crescente abismo nos Estados Unidos do que o Vietnã: “ao mesmo tempo em que esta geração estava abraçando sexo, drogas e rock’n’roll, aprendia a suportar o choque e o trauma dos assassinatos, os distúrbios e a brutalidade policial. Eram essas as nuvens que pairavam sobre Woodstock, e nada tinham a ver com o tempo”.

A crítica de rock, Ellen Sander, aponta uma pista: “o ano anterior tinha sido muito tumultuado, com muita violência no país e muitos distúrbios. Havia um grande descontentamento no ar, e ele acabou achando um lar em Woodstock. Acho que os assassinatos de Martin Luther King e Robert Kennedy e os distúrbios na Convenção Nacional Democrata criaram o clima e as condições para algo assim. Nós, boomers, crescemos em circunstâncias únicas e fomos atingidos por um monte de coisas que não atingiram as gerações anteriores. A Guerra do Vietnã, todos achávamos ser um conflito injusto e não declarado. Houve muitos protestos contra a guerra. Não creio que alguém jamais saberá a resposta do mistério de Woodstock não ter degringolado em caos e violência – porque todos os elementos estavam a postos – mas, em vez disso, foi muito pacífico. Na época, a gente sentiu que era uma espécie de destino, que seria um caminho para o futuro – de cooperação pacífica, espírito de comunidade, tribalismo, essas coisas. Não saiu bem do jeito que a gente esperava (risos), mas pelo menos existiu naquele fim de semana”.

O diretor Michael Wadleigh aponta Sly Stone como o músico que conquistou a maior reação da platéia no festival. “Quando Sly disse, ‘I wanna take you higher’ (Quero te levar mais alto), a multidão ficou frenética, quando falou, ‘Dance to the music’ (Dance para a música), não havia como deixar de dançar. A música era mais do que poderosa. Sly & the Family Stone capturaram a essência do festival”. E Fornatale conseguiu de Roger Daltrey, do The Who, uma emocionada lembrança: “O sol nascendo em ‘See me, Feel Me’ é a melhor. Quer dizer, foi uma experiência incrível. Assim que as palavras ‘see me’ saíram da minha boca no final de ‘Tommy’, aquele enorme e vermelho sol de agosto começou a surgir no horizonte sobre a multidão. É um show de luz imbatível”. Daltrey ainda esclareceu: “o sucesso e a importância de Woodstock é que foi um triunfo humanista. A platéia foi a estrela”. E Pete Townshend também arrematou: “O que aconteceu depois do show de Woodstock foi milagroso. Todo mundo foi em frente e a América é um país melhor por conta disso”.

Por sua vez, o músico e editor Stan Schnier argumentou: “nada naquele filme se aproxima da energia de Carlos Santana. Foi uma espécie de experiência fora do corpo ver esses caras. Eles eram muito jovens e incendiários. É uma dessas convergências maravilhosas, existia alguma coisa sobre Carlos Santana na época que parecia de outro planeta”. Joe Cocker também ganhou notoriedade depois “do rolo compressor da pièce de résistance que fechava sua performance, uma recriação única de ‘With a Little Help from My Friends’, a canção de John Lennon e Paul McCartney”. Para Michael Wadleigh, “Cocker faz tudo, está dentro daquilo. Ele é um bom exemplo de porque a música dos anos 60 e a década de 60 duraram e presumivelmente vão durar para sempre. São performances e músicas verdadeiramente emotivas, comoventes e fundamentais”.

O encerramento do festival, já na manhã da segunda-feira, 18 de agosto, foi apoteótico, apesar do público reduzido que ficou para ouvir Jimi Hendrix e o grupo experimental Electric Sky Church. Depois de tocar por cerca de duas horas, Hendrix deu o golpe final e tocou a Guerra do Vietnã nas cordas da sua guitarra branca, com direito a toque de recolher, estouro de bombas, metralhadoras disparando e o barulho de helicópteros no céu. Sua interpretação visceral do hino norte-americano Star-Spangled Banner simbolizou toda a essência de Woodstock. A Nação Woodstock, enfim, dava seu grito libertador. Daí em diante, é história.

No Brasil, pai e filho avaliam o fenômeno. O psicanalista Jacob Pinheiro Goldberg e o analista da arte anarquista Leonardo Goldberg refletem sobre o festival. Para Jacob, “no imaginário e no simbólico, Woodstock foi a resposta do inconsciente coletivo da humanidade à repressão que culminou com o nazi-fascismo e as ondas conservadoras em todo o mundo (inclusive da esquerda stalinista). Foi o dia em que o superego dançou. A liberação do Id abriu os territórios do prazer, rompendo com os tabus e inaugurando a liberdade enquanto esperança. Embora, posteriormente, cooptado e desfigurado – pelo capitalismo e pela droga – historicamente, o indivíduo num instante épico e dramatizado levou a imaginação ao teatro existencial”. E, segundo Leonardo, "sob um viés piagetiano, se a espécie humana pudesse ser concebida como um único indivíduo, o festival de Woodstock seria sua fase rebelde, a adolescência, o divisor de águas que marcaria a concepção de liberdade num caráter macro”.

16/8/2009

Fonte: ViaPolítica/Liberatinews

http://liberatinews.blogspot.com/

URL: http://liberatinews.blogspot.com/2009/08/...

Jorge Sanglard é jornalista, pesquisador, produtor cultural e organizador da antologia Poesia em Movimento.

Visite o Blog do Liberati:
http://youpode.com.br/blog/liberati/

Santana - Soul Sacrifice (Woodstock 1969)

Emir Sader

Emir Sader entrevistado por el Director del CIM Luís Bonilla
Por: Prensa CIM
Fecha de publicación: 28/02/10
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28 de febrero de 2010.- Luis Bonilla, Director del Centro Internacional Miranda entrevistó a Emir Sader, secretario ejecutivo del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), a continuación se presenta la transcripciòn y el video de la misma:

Luís Bonilla: En esta oportunidad estamos conversando con Emir Sader, secretario ejecutivo de CLACSO y uno de los cooperantes internacionales permanentes del Centro Internacional Miranda. Estás en el país para participar en unas jornadas del Banco Central de Venezuela y nos gustaría aprovechar la oportunidad para saber tus opiniones sobre el proceso que se viene dando en América Latina, de impulso del pensamiento socialista, de avanzada en los gobiernos y, en ese marco como podemos valorar los resultados electorales de Chile.

Emir Sader: Creo que tuvimos dos décadas completamente distintas, la del 90 de hegemonía neoliberal y la primera de este siglo de hegemonía progresista y ahora en la segunda década digamos de este siglo.
Uno consolidación de lo que se ha hecho en la primera década de lo que se ha hecho en este siglo. Por una parte con la victoria de Mujica en Uruguay con la consolidación de Evo Morales en Bolivia. Y por otra parte una recomposición de la derecha, de la cual la victoria Piñeyra hace parte, la derrota de Zelaya hace parte. Con lo cual vamos transitando de un momento en donde había dos hegemonías muy consolidadas al presente donde habrá enfrentamientos más claros.
Creo que las elecciones en Brasil y Argentina van a ser momentos en que se van a expresar más claramente estos enfrentamientos. Cuál va a ser la resultante en esos dos países, cuyos resultados son importantes porque los dos están en procesos de integración regional. Entonces creo que los resultados en esos dos países van a mostrar más claramente que va a pesar en la década que viene.

Creo que Chile, es distinto, justamente porque nunca se impuso una derrota clara a la derecha neopinochetista. Ellos siempre estuvieron por encima del 40% hasta el 48% y ahora justamente por desgaste en el tiempo, por errores de la Concertación que no logró movilizar a la juventud, lo que podría haberle dado la victoria, entonces terminó ganando la derecha. Pero hay que decir que yo no computaría a Chile, hasta ahora entre los países progresistas, porque firmó TLC con los Estados Unidos, su gestión está basada en un modelo exportador central. Por eso no tuvieron políticas sociales que podrían haberle dado un respaldo más profundo o una victoria a la Concertación.


Luís Bonilla: El triunfo de Obama generó expectativas en sectores de la izquierda latinoamericana. Expectativas que se han ido diluyendo con el paso del tiempo. Cuál es tu valoración de la administración Obama en el presente.

Emir Sader: Bueno, lo planteo en tres niveles. Se sabía que donde podría haber significado un cambio importante era en la opinión pública interna de Estados Unidos que desde Nixon tuvo un viraje a derecha. Eso puede que se consolide o no. Pero es donde los demócratas tienen más capacidad de maniobra para hacer políticas sociales. Esta peleando por ejemplo en tema de la salud. Pero recibe un déficit fiscal muy grande como para que pudiera tener margen de recursos para implementar una política así.
En papel imperial norteamericano yo creo que se consolida lo cuál era previsible. Estados Unidos no va a salir de Afganistán, no va a salir de Irak, tiene las manos atadas.
En América Latina podría haberse jugado más, tenía más margen de maniobra, con el tema cubano, no poniendo las bases militares en Colombia, teniendo una actitud más coherente con lo de Honduras, que creo que muy tempranamente debilitó su imagen. Claro que en Honduras es una victoria de Obama y de Hilary Clinton en particular, pero no creo que lo puedan reproducir más, y si van por esa onda tendrán una agenda negativa y no positiva en la región. Entonces yo creo que si ha bajado el perfil de Obama muy tempranamente hacia América Latina.

Luís Bonilla: Emir tú has sido uno de los estudiosos de la experiencia del socialismo del siglo XX. Hoy en día los procesos de transformación en América Latina enarbolan la bandera del Socialismo del Siglo XXI. Para ti que no debe ser el socialismo del Siglo XXI revisada la experiencia del Siglo XX.

Emir Sader: Bueno, ¿qué no debe ser? La experiencia de la Unión Soviética se concentró en estatizar los medios de producción y no socializarlos, con eso los trabajadores no se volvieron sujetos del nuevo proceso histórico. Segundo se impusieron modelos centralizadores de partido único, de falta de democracia interna. Esos para mi son dos temas importantes. Yo diría que heredamos un tema que viene de la Revolución Soviética, el socialismo no apareció en los países del centro capitalista como lo preveía Marx sino en la periferia. Lenín y Trotsky apostaban que vendría la revolución en Europa y que rescataría a la Revolución Soviética, eso no pasó. Entonces quedó un tema que Preobashensky llamaba de acumulación socialista primitiva.

Podemos decir de palabra que hay que dar un salto de una etapa histórica a otra, pero sin bases materiales no se da. Y el tema era como acumular para poder dar ese salto. Stalin buscó una solución violenta, expropiando al campesinado. Consiguió una industrialización acelerada pero tuvo un problema agrario y campesino eterno. China tenía detrás de si dos experiencias negativas, el igualitarismo en la miseria, Kampuchea y Albania. Entonces para buscar dar un salto fue a buscar los recursos en el mercado, puede que no nos guste la dosis, puede que el estilo de industrialización y consumo no nos guste, pero es un tema incontrastable. Cuba busca normalizar sus relaciones con Estados Unidos porque necesita esos recursos; tiene buenos acuerdos con China, con Venezuela, con el Alba, con Brasil pero no son suficientes. Entonces ese tema queda pendiente: los recursos para dar un salto económico significativo y además con que modelo hacerlo. En el Siglo XX era la industrialización. Pero la industrialización estilo cepalino llegó a sus límites. La internacionalización de la economía va en contra de eso.
Estoy seguro que no le gusta a Chávez, a Evo Morales negociar con Repsol, si lo hacen es porque no hay recursos. No basta que Bolivia nacionalice, tiene que tener recursos y un estilo de dirección que sea socializador. Pero ese tema queda pendiente. América Latina es un avance importante pero estamos aislados en el mundo. Entonces el tema de los recursos materiales es un tema serio a resolver. Que no se hace solamente con recursos pero es un tema serio para todos nuestros países. Negociar con el capital internacional, en qué condiciones negociar. Qué significa, qué concesiones hay que hacer. ¿Es posible avanzar al socialismo negociando con el capital internacional? O, qué etapas habría que pasar para llegar efectivamente a una socialización de la economía.

Luís Bonilla: Y el tema del debate y la crítica pública siempre fue un tema central de debate de los socialistas sobre las experiencias del socialismo del Siglo XX. Quienes apostamos por un modelo de democracia participativa y protagónica entendemos que el debate y la crítica es inmanente al concepto de Socialismo de Siglo XXI. Cuál es tu opinión al respecto.

Emir Sader: Los grandes dirigentes son críticos a sus propios procesos. No solo Fidel y Hugo Chávez, sino también el Che y Gramsci. Porque no podemos estar contentos con lo que estamos haciendo. Tenemos mejores ideas que la derecha, pero si no logramos cuajar mayorías en nuestros países entonces tenemos que hacernos permanentemente balances autocríticos. Procesos como los que tenemos en América Latina tienen que debatir eso. Tiene que debatir con el movimiento popular, tienen que debatir internamente en los partidos, no solo hacer balance sino para formar cuadros. Hay que dar casi un salto generacional. Entre una vieja generación revolucionaria y otra que fue victima de la caída del muro de viraje a la derecha de cierto desaliento. Yo creo que esa nueva generación tiene que formarse con una perspectiva crítica sino no aportará, sino no será creativa. Si no es así, y aún diciendo lo contrario, vamos a repetir modelos que están agotados, la socialdemocracia lo está el socialismo soviético lo está. Y la crítica no es solamente por las ideas, sino por crear espíritus creativos que es lo que más necesitamos.

Luís Bonilla: Cuál es tu valoración de la actual coyuntura de la Revolución Bolivariana.

Emir Sader: Yo en realidad vine más a conocer. No se puede conocer la situación venezolana por la prensa, sino sería una visión catastrófica. Yo vi ayer una experiencia importante con las comunas y me impresionó mucho. La construcción del poder popular creo que es una conquista significativa una experiencia de poder popular, pluralista, democrática que otros procesos no han tenido hasta ahora. Ahora claro, el Estado, debido a la crisis del capitalismo, del remanente del capitalismo venezolano, lleva al Estado a nacionalizar empresas, pero preocupa la idea de la capacidad que tenga el Estado para dirigir esas empresas, hay que tener cuadros que haga una gestión que sea a la vez eficaz, pluralista, democrática. El socialismo soviético fracasó en todos los planos, también en el tema de la tecnocracia que no funcionó. No lograron innovación tecnológica, socializadora de la economía. Lo cual por si solo ya era una dificultad en la competencia con el imperialismo.
Como lo ha hecho Bolivia pareciera que avanza por un camino innovador. Da la impresión de que Venezuela no ha definió todavía claramente ni el modelo económico que debe tener en la transición al socialismo ni el Estado que debe tener de acuerdo a eso. Lo digo muy modestamente como alguien que apoya, pero entonces son los dos temas que vine a preguntar un poco, como andamos con la construcción del modelo económico para la transición y que tipo de Estado se debe construir, justamente también para que otros procesos puedan aprender de la revolución venezolana.

Luís Bonilla: En otro orden de ideas CLACSO acaba de terminar un proceso de discusión interna, de modificación de sus cuadros directivos. El propio Centro Internacional Miranda esta tramitando todo el proceso de incorporación a CLACSO. Cuál es balance y cuales son las perspectivas de CLACSO.

Emir Sader: Hicimos nuestra Asamblea General en Cochabamba, que fue abierta por Evo Morales y Cerrada por Álvaro Lineras, fuimos a un segundo mandato. Creemos que este segundo mandato es básicamente consolidación de lo que hemos desarrollado. Estamos construyendo una extraordinaria red de más de quinientos cursos de Post Grado en América Latina. Estamos difundiendo más las cosas latinoamericanas. La Enciclopedia Latinoamérica va salir en fascículos semanales en La Jornada, Página 12, en una revista brasileña, Carta Capital. Multiplicamos la edición de libros, pasamos de veinte y algo a más de cien. Estamos editando con editoriales y con centros nuestros. Estamos multiplicando el trabajo de formación de cuadros. La Escuela Latinoamericana de Políticas Públicas. Estamos trabajando con gobiernos, con movimientos sociales para multiplicar la formación. Y estamos haciendo una convocatoria a la intelectualidad latinoamericana para que se vuelque más activamente a los procesos políticos. Un drama de la izquierda es la ruptura entre la elaboración teórica y la práctica política sigue pesando fuertemente, entonces la elaboración teórica tiende a volverse intelectual, o liberal por una parte o ultraizquierdista porque la teoría nuestra es muy linda la práctica no lo es. Entonces prefieren encerrarse en la teoría pero la teoría en si misma distanciada de la práctica, resulta sin efectividades concretas. La práctica se vuelve pragmática, casi oportunista porque abandona reflexiones autocríticas, reflexiones estratégicas, reflexiones programáticas. Entonces es importante que Álvaro Lineras sea un intelectual, que Rafael Correa lo sea. Es importante que Hugo Chávez empuje la elaboración teórica. Porque hay que reaproximar la práctica a la elaboración teórica. Creo que un gran problema de la izquierda latinoamericana. Avanzamos en integración regional en contraposición a los TLC, en políticas sociales en contra de ajustes fiscales, eso está bien. Pero ahora estamos llegando a topes. Nos toca ahora enfrentar temas pendientes, que hacemos con la hegemonía del capital financiero, con el modelo de agro negocios, dictadura de los medios privados. Son grandes temas en los que tenemos que construir alternativa. Y esto no hace solo con la práctica ni solo con la teoría. Y esto es lo más importante que debemos superar. CLACSO pretende humildemente contribuir con eso en los próximos tres años.

Luís Bonilla: ¿Hay planes en Venezuela de publicación de la enciclopedia latinoamericana?

Emir Sader: Queremos una vez más entregar al comandante Chávez, ahora la edición en castellano, de Akal, y buscar una edición no solo venezolana, sino para el ALBA. Porque esta edición de Akal sin ser cara comparativamente, es cara para una distribución más amplia, para jóvenes, estudiantes, periodistas. Entonces vamos a ver si logramos hacerle llegar la enciclopedia al comandante. Porque el lo dijo en un programa Aló Presidente, queremos ver si ahora lo reitera cuando tenemos el CD listo con la Enciclopedia en Español, para entregarlo para que lo haga Venezuela o el ALBA de la manera que le parezca mejor.

Luís Bonilla: Finalmente Emir, hay una generación de jóvenes en Venezuela que se acercan a las ideas socialistas. Cuál es tu mensaje a esas jóvenes generaciones que se acercan a un ideal de transformación.

Emir Sader: Este es un diferencial muy importante. Porque ustedes no saben como la izquierda tradicional ha envejecido en otras partes. Aquí hay jóvenes acercándose a la práctica política. Hay entusiasmo. Yo creo que hay que pensar que un militante es un teórico de la práctica política y es un teórico que actúa en lo político. No es simplemente alguien que lee o se interesa. Esa es la invitación hacia ellos. Que partan de lo que se ha elaborado hasta ahora. Pero todo lo que se ha elaborado hasta ahora no ha construido un mundo nuevo, el marxismo es un método. El método dialéctico. Utilizar ese método para construir la nueva realidad y América Latina es un gran laboratorio para eso. La historia esta abierta, esa nueva generación encuentra una disputa hegemónica no decidida, que va a ser decidida con la articulación de teoría y práctica por las nuevas generaciones de la izquierda.







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sexta-feira, 19 de março de 2010

LULA E O ORIENTE MÉDIO – ENFIM, EXISTE NO MUNDO “ALGO” CHAMADO BRASIL

LULA E O ORIENTE MÉDIO – ENFIM, EXISTE NO MUNDO “ALGO” CHAMADO BRASIL


Laerte Braga


O que a grossa e esmagadora maioria dos jornalistas da grande mídia não enxergou nas críticas que fez, ou até nas ironias à viagem do presidente Lula a países do Oriente Médio, é que Lula não foi fazer mágica, solucionar um conflito milenar, tampouco assumir responsabilidades pela paz naquela região do mundo.

Foi deixar claro, sobretudo ao governo de Israel, que existe um país chamado Brasil, com cerca de oito milhões de quilômetros quadrados, o maior país da América Latina, que emerge como potência política e econômica na configuração da chamada nova ordem econômica mundial e entende que o povo palestino está sendo lesado em seus direitos legítimos de um Estado (reconhecido pela ONU). Por tabela, mostrar a esse mesmo estado de Israel e aos EUA, que o Irã, como qualquer país do mundo, tem direito a buscar seu desenvolvimento na forma determinada pelo seu povo.

O presidente do Irã foi eleito e reeleito pelo voto direto dos iranianos, ao contrário dos aliados árabes dos norte-americanos no Egito, na Arábia Saudita, na Jordânia, ditaduras sustentadas por Washington.

A intolerância no Irã parte dos vencidos. Só vale a democracia quando vencem.

Ao não colocar flores no túmulo do fundador do sionismo, doutrina nazi/fascista (muitos colaboraram com o regime de Hitler contra o próprio povo judeu) procedeu como o fizeram o presidente da França e outros, que não reconhecem em Israel o poder de determinar como deve ser o Oriente Médio. Ou suas políticas terroristas e expansionistas. A violência e a barbárie do sionismo montado nas armas nucleares que não querem que o Irã tenha. Mas têm.

Ao deixar a região Lula deixou também registrado, que ali está presente um país de oito milhões de quilômetros quadrados, com quase 200 milhões de habitantes, que, na avaliação dos próprios “donos do mundo” em quatro anos estará ultrapassando economias mais poderosas e em vinte anos, mantidos os rumos do atual governo, ampliadas as conquistas populares, será uma das quatro grandes potências do mundo.

Isso desagrada profundamente à grande mídia brasileira. É venal, é instrumento de ação de governos e empresas estrangeiros, com cumplicidade de nossas elites econômicas, notadamente os EUA.

O embaixador Sérgio Amaral, ex-ministro de FHC, foi a um programa de televisão para com sua linguagem untuosa, servil, dizer que o Brasil está muito aquém de poder participar de processos políticos mais intrincados de negociações, quaisquer que sejam elas, que o presidente estava apenas procurando palco. Refletiu sua característica submissa, medíocre de pau mandado.

Sérgio Amaral é um dos implicados no primeiro escândalo do governo FHC, o da concorrência para o SIVAM (SISTEMA DE VIGILÂNCIA E MONITORAMENTO DA AMAZÔNIA). A concorrência fora vencida por uma empresa francesa e subornados pelo governo e empresa dos EUA, FHC, Sérgio Amaral e o embaixador Júlio César Gomes, o projeto foi parar em mãos da concorrente americana. É o Brasil que essa gente concebe, o BRAZIL, o deles e dos EUA.

Existem gravações das conversas para a marmelada e o ato de submissão. FHC foi chantageado pelos que gravaram. Nomeou para a chefia da Polícia Federal, num acordo, nem a grande mídia conseguiu esconder quando dos fatos, o irmão do autor das gravações. Mas comprou jornais, redes de tevê e revistas com uma verba extra, para ficar no silêncio, até porque, já havia entrado nessas organizações o dinheiro dos EUA.  

O mesmo procedimento crítico teve o governador José Collor Arruda Serra, aproveitando-se da discussão dos royalties do petróleo. Como tem o controle da mídia (“o PT é um partido sem mídia e o PSDB é uma mídia com partido”), deu apoio ao governador do Rio Sérgio Cabral, sabendo que a maioria dos seus deputados, os deputados federais paulistas do seu partido, não votaria, como não votou, no projeto que publicamente ele defende. De catorze deputados federais tucanos, apenas quatro votaram como Serra disse que pensa, os outros dez votaram contra o que Serra pensa. O controle é dele, se tivesse determinado os deputados votariam como ele gostaria, ou diz gostar.

Mentiroso, cínico, só de olho nas eleições. Fala uma coisa e faz outra. Não tem caráter e nem tem dignidade ou compostura. É venal e as investigações do caso Arruda mostram as ligações de Arruda Serra e o caixa dois de sua campanha com o ex-governador de Brasília, por isso a frase “vote num careca e leve dois”.

Para essa gente não importa que o Brasil seja um país livre e soberano, senhor do seu destino e segundo a vontade de seu povo. Não querem isso, são subordinados aos EUA. 

À época dos fatos até a FOLHA DE SÃO PAULO, em matéria assinada por Roberto Candelori, fala da inauguração do SIVAM, conta rapidamente a história da corrupção (pode ser vista na íntegra no blog de Paulo Henrique Amorim) e ao final escreve textualmente assim – “Documentos oficiais levantados pela Folha confirmam que, para os EUA, o Sivam significou uma vitória geopolítica. Suspeita-se de que, por ser um instrumento útil ao seu programa de combate ao tráfico, o sistema venha a tornar-se extensão do Plano Colômbia. Nesse caso, a "lei do abate", que permite a derrubada de aeronaves, sugere, no mínimo, cautela”.  

E essa a característica dos críticos da diplomacia brasileira.

Outro funcionário norte-americano nos quadros da diplomacia brasileira, o embaixador Júlio Cesar Gomes, segundo a mesma FOLHA DE SÃO PAULO, à época do governo FHC, produziu o seguinte fato.

“O embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, foi informado na noite da quinta-feira de que será substituído. O mais cotado para assumir seu lugar é o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, diplomata de carreira. O presidente Fernando Henrique Cardoso planeja, ainda, transferir Júlio César Gomes para o consulado de Nova York. Embaixador na FAO, organismo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, com sede em Roma, Júlio César Gomes foi assessor de FH até a divulgação de grampos telefônicos em que ele se mostrava atuante nos bastidores da concorrência do projeto Sivam. A temporada de trocas nos postos mais cobiçados no Exterior terá seqüência com a definição do embaixador na Inglaterra, em substituição a Sérgio Amaral, convocado para assumir o ministério do Desenvolvimento”.

A presença de Lula no Oriente Médio cria um fato político de suma importância para todo o processo de paz naquela parte do mundo, desloca o eixo das negociações trazendo-o de volta as Nações Unidas e assim contraria interesses norte-americanos no petróleo, no controle da região, levando-se em conta que, quando derrotados na ONU os norte-americanos agem unilateralmente, como fez Bush no Iraque, desprezando solenemente a opinião de outros governos.

Esse concerto de nações, como se costuma dizer, só vale quando diz amém, ou aleluia. Se não disser tem sempre um Sérgio Amaral subalterno e a serviço de potência estrangeira, para ir a um veiculo de comunicação – GLOBO – controlado por grupos estrangeiros e a serviço deles, dizer besteiras e vender mentiras.

O “boicote” do chanceler Von Ribentrop de Israel à presença de Lula no parlamento daquele país foi exatamente o temor da presença do Brasil, do peso do Brasil e das conseqüências que o fato gera.

A imprensa norte-americana tem dito que se o Irã fabricar artefatos nucleares a aviação de Israel ou a própria aviação dos EUA, vão lá e bombardeiam as instalações e usinas nucleares daquele país.

E quem vai explodir as de Israel e dos EUA?

É preciso remontar ao acordo de paz assinado entre Yasser Arafat e o primeiro ministro de Israel Itzak Rabin, mediado por Bil Clinton. Rabin foi assassinado por um fundamentalista judeu no dia da comemoração da paz. A paz foi por água abaixo.

Ali surge a figura do carrasco de Auschiwtz Ariel Sharon, extrema-direita, dando início a escalada da violência e da barbárie sionista contra palestinos em função dos “negócios”.

A paz não interessa aos sionistas. O próprio povo judeu ao aplaudir Lula, segundo os jornais de Israel “ovacioná-lo”, mostra o que todo mundo sabe. Quer a paz. Quem não quer são os “donos do poder”. O IV Reich. Tem sede em Tel Aviv, em Washington e em New York (Wall Street). A bandeira dessa gente traz ao meio a suástica e as torres de petróleo.

O que Lula fez foi azedar o leite do terrorismo sionista. A propósito, nem Obama agüenta mais o governo de Israel, é o que dizem jornais norte-americanos. Exagerou na estupidez e na boçalidade.

Quando da visita do presidente do Irã ao Brasil, uma ou duas semanas antes e sem ser convidado, veio aqui o presidente de Israel, Shimon Peres. Desceu em São Paulo, reuniu-se com o esquema FIESP/DASLU (controlado por sionistas) e foi visitar José Collor Arruda Serra. Só depois de conferenciar com os funcionários de potência estrangeira e empresas estrangeiras é que foi a Brasília visitar o ministro Celso Amorim e o presidente Lula. Ou seja depois de deixar as ordens aos subalternos.

E convidou Lula a visitar Israel.

Ao contrário do que disse o meloso e asqueroso embaixador Sérgio Amaral.

O ponto culminante da diplomacia desses caras foi quando o ministro das relações exteriores do Brasil, no governo FHC, Celso Láfer, retirou os sapatos, para ser revistado, no aeroporto de New York, obedecendo a ordens de agentes da imigração dos EUA, mesmo depois de ter se identificado.

É essa a diferença. O Brasil não era nada àquela época e agora é. Isso diminui o lucro desses caras, correm o risco de ficar “desempregados”. Apostam tudo na eleição de Serra para voltar a ser como dantes. De quatro e descalços.







Pensamentando - II

Caro diário . Por Myrian Beck, de Porto Alegre Foto de Jorge Pinheiro A pobre... se tivesse olhado dentro dos olhos da cascavel, por um mísero instante que fosse, teria visto o perigo! Sinto-me quase imortal ao encher a boca com a carne delas. Tem uma textura tão fibrosa e um sabor tão adocicado a carne delas que é difícil explicar. À noite rabisco caminhos semelhantes. Com o zíper meio aberto, ainda dou outra pista do quanto são obscuras as minhas redondezas. Mas elas não querem ver. Acabo sempre encontrando, em algum lugar, uma mocinha de temperamento otimista e receptivo. No fundo, bem lá no fundo mesmo, isso me magoa. A facilidade com que se deixam emaranhar na minha voz flexível, ao invés de estarem atentas. Cabecinhas ocas. Só pensam porcarias. Hoje foi igual. Uma morena de mãos miúdas. Rezei, até, por algum recato, mas acabou feito as outras. Com os joelhos fincados no estofamento do banco de trás se expôs o mais que pode, e repetia “vem”... A pobre... se tivesse olhado dentro dos olhos da cascavel, por um mísero instante que fosse, teria visto o perigo! Mas não, ficou cacarejando “beija, beija” numa agitação mal contida das cadeiras, as mulheres sempre querem dar ordens, “faz assim”, e quando a gente está fazendo assim elas mandam “agora faz assado”, elas sempre querem dizer ao homem como ele deve conduzir as coisas “morde!”, me pôs na obrigação. Então arranquei dela gritos de satisfação e dor. Muita dor. Depois, toquei para o Parque Marinha. Quando chove forte o mundo fica tão limpinho. Desligo o motor. Silêncio no campo santo. Apago os faróis. Milhares de gotas perfeitas, em queda livre no breu, se esborracham no parabrisa. Espirram como o sangue espirra. Incerto. Sem rumo. E ainda que eu aprecie a destreza matemática das cirurgias, nada se compara à arte primitiva de rasgar a presa. Sinto-me eletrizado ao andar sobre a terra molhada. Fácil de cavar. Procuro o melhor ponto entre as árvores; cada qual com uma silhueta particular. Sorvo a passividade de seus troncos inertes, de sua mudez lapidar, de suas cabeleiras verdes que a tempestade, enfim, domou... Encho os pulmões com o cheiro do barro fresco – de onde vieram e para onde estão voltando. Cabeças ocas. Precisam aprender, de uma vez por todas, quem é que reina no topo da cadeia alimentar. Vejo tantas portas. A porta da minha casa. Sinto-me respeitável ao retornar para casa. Na geladeira, muita, mas muita água com gás. Zelo pela qualidade da digestão, cada coisa tem seu tempo e lugar, por isso registro tudo, te-u-de-ó, em detalhes. 27/2/2010 Fonte: ViaPolítica/A autora Myrian Beck é colaboradora permanente de ViaPolítica em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Mais sobre Myrian Beck
15 de março de 2010 – 30 anos sem Octávio Brandão
Escrito por Raymundo Araujo Filho
18-Mar-2010


É corrente a frase que o Brasil não cultiva a sua memória. Hoje, infelizmente constato que as esquerdas brasileiras também sofrem deste mal, ou melhor, apenas divulgam e incensam aqueles que em algum momento foram vitoriosos dentro de disputas ideológicas internas (e não faço aqui nenhum juízo de valor sobre seus conteúdos, a priori), como é o caso das homenagens prestadas à memória de Luis Carlos Prestes, recentemente feitas, com tantos louvores.



No entanto, neste 2010, mais precisamente no dia 15 de março, é a data que nos lembra os vinte anos da morte do bravo e verdadeiramente revolucionário Octávio Brandão, que lamentavelmente não foi lembrada em nenhum artigo, homenagem ou alusão por ninguém, erro este que tento aqui reparar, com toda a humildade e sem saber se estou à altura, ou mesmo autorizado a isso.



Mas, agora já fazendo um juízo de valor político, afirmo que Octávio Brandão é completamente merecedor de homenagens e avivamento da memória de sua vida dedicada à militância política, em franco combate à exploração capitalista. Também sem se esquivar de se contrapor às políticas equivocadas e colaboracionistas de classe tão bem encarnadas por outro guerreiro comunista, Luis Carlos Prestes, muito corajoso e que protagonizou eventos memoráveis das lutas do povo brasileiro. Mas, politicamente a meu ver, errou muito mais do que acertou e teve em Octávio Brandão um crítico contumaz e corajoso, a ponto de ser alijado, vilipendiado e politicamente agredido pelos próceres da colaboração de classes do PCB - a partir dos fins dos anos 40, acentuadamente na década de 50 (com o Documento de Março de 56), mais profundamente nos anos 60, e que gerou as terríveis políticas do PCB nos anos 80 e 90, que quase causaram o seu fim como partido.



Hoje, ao menos acredito que o PCB, sem jogar a criança fora junto com a água do banho, isto é, sem queimar seus heróis em fogueira inquisitorial, faz uma política que está muito mais próxima do que Octávio Brandão preconizava do que de qualquer outro comunista de sua história.



E penso que o PCB, se quiser não apenas aparentar esta sua nova política, mas sim afirmá-la e aprofundá-la, deve reverenciar a pessoa e a história de Octávio Brandão, assim como a de sua esposa Laura Brandão, que em 1931 foram também enviados para a Alemanha Nazista, de onde fugiram para a União Soviética, onde ela faleceu em 1942.



Octávio Brandão, ainda muito jovem, em Alagoas (nasceu na cidade de Viçosa, entre Palmeiras dos Índios e Quebrangulo), iniciou sua militância como anarquista, como quase todos que originaram o Partido Comunista Brasileiro. Tal origem, a meu ver, ainda dotou o PCB de grande vigor, mesmo quando a política colaboracionista, ordenada por Stalin, Kruschev e seus sucessores, já tomava conta do Partido.



Muito cedo se interessou e se dedicou, vanguarda que era, pelas causas ambientais, que hoje nos são tão caras. Assumiu também como suas as bandeiras nacionalistas da defesa do petróleo brasileiro, que foi um dos primeiros a afirmar existir, e em quantidades, inclusive no Nordeste. Estes dias, tivemos a notícia de que, no Maranhão, Piauí e em seu Alagoas, pesquisa-se a presença de petróleo no subsolo, coisa que ele afirmava ainda antes, bem antes da metade do século passado. Em viagem memorável "de canoa e a pé", ainda em 1917, registra a presença de 14 sítios prováveis de existência de petróleo, tendo sido agraciado com a afirmativa do próprio Monteiro Lobato de que "Octávio foi o primeiro nesta questão do petróleo brasileiro!". Este registro está no livro ‘Canais e Lagoas’, editado no Rio em 1919.



Ainda antes dos anos vinte, e ainda no Nordeste, sofre a generosa influência de seu tio Alfredo Brandão, que o criou a partir da morte prematura de seu pai, ainda com 11 anos. Tio este que o direcionou para as Artes e Ofícios que exerceu tão bem e revolucionariamente. A partir desta influência interessou-se para a questão do que hoje chamam de biocombustíveis, já alertando para as possibilidades de plantas abundantes em sua região, como a mamona, servirem para tal fim. Trabalhou como farmacêutico, aprimorando-se em conceitos de saúde pública e coletiva.



Viveu e conviveu entre os pobres da cidade e do campo, extraindo daí a sua revolta pelas injustiças sociais. E sempre incitando todos a aderirem à Revolução Brasileira, sob a égide da igualdade. E sempre primou por se desenvolver nas artes e nas intricadas estradas da intelectualidade, que nunca dispensou como instrumento de engrandecimento pessoal e coletivo.



Em escritos e reportagens de e sobre Octávio Brandão que privo ter em mãos, através de meu pai (já falecido) e de minha mãe (que prepara com carinho a entrega dos escritos e reportagens originais sobre Octávio Brandão em breve a quem de direito), identifico um profundo amor pelo seu país de nascimento, em clara alusão nacionalista, mas não este nacionalismo de fachada e exclusivista que tanto mal faz à união dos povos, mas mesclado ao seu claro internacionalismo solidário.



Muito jovem, mas já perseguido pelos brutamontes das elites da época, e sem poder garantir a sua segurança pessoal, muda-se para o Rio de Janeiro, em 1919. Em 1921 casa-se com Laura Brandão, mulher delicada, mas firme em suas convicções e, como Octávio, adepta das artes e da poesia que tão bem escreveram. Estão imortalizadas em belo livro editado por sua filha Dyonisa Brandão, o qual mantenho como livro de cabeceira e viagens, e do qual retiro alguns destes dados biográficos que apresento.



Em 1928, junto com Minervino de Oliveira, foi eleito deputado pelo Rio de Janeiro e causou grande rebuliço pela sua atuação basista e agitada. Em 1929, em Niterói (cidade hoje tão distante e sem memória do berço esplêndido que já foi da esquerda brasileira), é preso após discurso efervescente na Manufactora Fluminense, em que os patrões lhe atribuíram o elogio de "endiabrado".



Após o exílio, é eleito novamente em 1948. Mas a sua relação com o Partido Comunista Brasileiro, do qual nunca se desfiliou, pois sabia de seu direito inalienável à disputa política, foi sempre muito angustiante e tensa, sendo Octávio Brandão muitas vezes repreendido, afastado e censurado, quando não alvo de tentativas de achincalhe, o que seus detratores nunca conseguiram. Conseguiram, sim, levar o PCB para políticas inadmissíveis sob o ponto de vista revolucionário.



Outro dia, meu irmão lembrou-me da figura física de Octávio Brandão com seu terno branco amarrotado a visitar nossa casa, onde se sentava confortavelmente na cadeira da sala. Mesmo clandestino nos anos 50, visitava meus pais e batia na janela da casa do Méier e dizia baixinho "é o tio José"... Foi grande e dileto amigo de minha tia avó Emilie Kamprad, comunista, sufragista e feminista, ainda nos anos 20, a qual deixou-nos farto material sobre ele, que estará sendo disponibilizado por minha mãe, Therezinha Britto de Araujo, como já escrevi.



Assim, lembro que muitos legaram elogios a Octávio Brandão, como Monteiro Lobato, Lima Barreto, José Oiticica, Jorge de Lima, Monsenhor João Leite Neto, Viriato (seu grande amigo e espírita), Tarsila do Amaral, Nise da Silveira, Emilie Kamprad, além de teses sobre sua vida e obra, como a da professora Esther Kupermann, entre outros.



Abaixo, transcrevo uma nota de Maria Helena Bernardes, mostrando que não se fala mal de Octávio Brandão impunemente. "Ao contrário de Astrojildo Pereira, não acho que o silêncio a que Laura (e Octávio, por lateralidade) foi condenada seja a melhor forma de ‘respeitar’ a sua memória". Nota: Astrojildo Pereira, sob o codinome de Natalino Coelho, escreveu de forma grosseira uma crítica negativa à bela poesia do casal Brandão, destilando todo o seu veneno e ódio político contra o casal Octávio e Laura Brandão.



Lamento que, já aos 55 anos, por mais que eu faça em prol da Revolução Brasileira, nunca chegarei aos pés de Octávio e Laura Brandão.



Este artigo é dedicado "in memorian" a Emile Kamprad, Raymundo Araujo e Viriato e, em vida, a Dyonisa Brandão e sua família; também a minha mãe Therezinha Britto de Araújo, que sempre soube nos fazer amar e reverenciar Octávio Brandão (e Laura, por conseguinte).



Raymundo Araujo Filho é médico veterinário, homeopata e devoto da obra e memória de Octávio e Laura Brandão.
(C. Da Cidadania)

As FARC

A vida nos acampamentos das FARC
(Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)
Nestor Kohan entrevista o historiador Ezequiel Rodríguez Labriego
Um dos principais feitos da fabricação industrial do consenso consiste no cancelamento a priori de toda dissidência radical. Trata-se de eliminar de antemão qualquer pensamento crítico e até a menor possibilidade de oposição séria ao sistema.
Mesclando em uma mesma colagem as imagens mais obscuras das novelas anti-utópicas clássicas (Um mondo feliz de Aldous Huxley, 1984 de Goerge Orwell ou Fahrenheit 451 de Ray Bradbury) com as histórias mais truculentas de terror infantil, as usinas comunicacionais do imperialismo têm fabricado um novo fantasma, macabro, tenebroso e ameaçador. Trata-se do suposto “narco-terrorismo”, que ocupou o lugar do antigo espantalho conhecido como “conspiração comunista”, típico do cinema da guerra fria.
Assim foi fabricado um novo demônio, completamente amorfo, onipresente, incomensurável, impensável e, inclusive, inimaginável.
Esse novo Lúcifes é o que persegue a caça às bruxas contemporânea, esporte preferido do neo-macartismo, pois assume diversos nomes e rostos, segundo a conveniência do momento. Um dos mais célebres é o das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), inimigo mortífero em todas as hipóteses de conflito que manejam os yankees.
Por trás das telas desinformativas do poder, além do labirinto de manipulação dos cabos, agências e comunicados oficiais, do outro lado das operações da guerra psicológica, campanhas midiáticas e totalitarismo cultural, como serão realmente as FARC-EP? Que rosto terão na intimidade estes guerrilheiros sem documento, sem rastro e sem nome? Que costumes têm em sua vida cotidiana? O que sonham a cada noite, cada manhã, cada aniversário e cada dia 31 de dezembro?
Para imaginar a vida das guerrilhas, contamos com aqueles relatos épicos do Che Guevara (Passagens da guerra revolucionária), de Omar Cabezas (A montanha é algo mais que uma imensa estepe verde) ou o já clássico de Jorge Ricardo Masetti (Os que lutam e os que choram). Trata-se de histórias, em todos esses casos, sobre Cuba e Nicarágua. Não obstante, até onde sabemos, excetuando duas excelentes biografias de Manuel Marulanda escritas pelo historiador Arturo Alape (As vidas de Pedro Antonio Marin, Os sonhos e as montanhas) e os diários de campanha de Jacobo Arenas e Manuel Marulanda (que são ilustrativos do início da insurgência), a revolução colombiana não possui relatos que mostrem o mundo cotidiano da insurgência. As FARC esperam essas histórias, tarefa que começou a ser realizada no cinema pelo recente filme Guerrillera Girl (do diretor norueguês Frank Piasecki Poulsen, disponível na internet). Excelente documentário que dá um rosto cotidiano ao espectro itinerante e clandestino da guerrilha. Fantasma temido, odiado ou admirado, mas sempre desconhecido.
O historiador uruguaio Ezequiel Rodrígues Labriego teve, este ano, o privilégio de conhecer ao vivo e diretamente a vida cotidiana das guerrilhas colombianas, o suposto “monstro”, segundo o imaginário inquisitório do Pentágono, a CNN, Uribe e a extrema direita troglodita.
Junto a um sacerdote francês, dois sociólogos italianos e uma jornalista norte-americana, Rodríguez Labriego visitou nas montanhas da Colômbia os acampamentos das FARC. Ali pôde observar, dialogar e conviver com os combatentes deste exército do povo que, em pleno século XXI segue incomodando o imperialismo yankee e suas prepotentes bases militares com as bandeiras intrínsecas de Simón Bolívar, Che Guevara e Manuel Marulanda.
Em seguida reproduzimos parte da entrevista que fizemos a Rodríguez Labriego, focalizando o interesse nos aspectos mais cotidianos de sua experiência, aqueles que humanizam a todos e todas combatentes comunistas, os resgatam do retrato gótico e monstruoso que a CIA debulhou para demonizá-los, devolvendo-os ao simples, porém belo, terreno da construção do homem novo e a mulher nova do século XXI.
A entrevista ao historiador uruguaio, que muito amavelmente respondeu a nossas perguntas, foi realizada na Universidade do Rio de Janeiro em 28 de outubro de 2008, ocasião em que tivemos a honra de conhecer e dialogar com a historiadora brasileira Anita Prestes, filha de outro legendário combatente revolucionário da América Latina, Luis Carlos Prestes.
Néstor Kohan: Por que decidiu ir conhecer as FARC-EP?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Por múltiplas razões, mas principalmente por duas. Em primeiro lugar, por uma curiosidade que me surgiu ao ler o livro Rebeldes do célebre historiador marxista britânico Eric Hobsbawm, que analisa diversas rebeldias camponesas e disse, referindo-se às FARC (Hobsbawm as conheceu em primeira mão), que o caso colombiano constitui “a maior mobilização camponesa do hemisfério ocidental”. Em segundo lugar, porque me surpreende, me incomoda e me indigna o brutal silêncio –muitas vezes próximo à cumplicidade com o poder- que hoje rodeia e encobre a Colômbia. Então me pergunto: devemos dar crédito de veracidade ao terrorista e guerreirista Uribe? Vamos acreditar nele? Vamos calar a boca sobre o genocídio que hoje padece o povo colombiano? Por estas razões, algumas históricas, outras presentes, queria conhecer de forma direta as FARC, sem “filtros” macartistas. Por isso fui. Lhe asseguro que não me arrependo.
Néstor Kohan: Como viajou até os acampamentos?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Bom, através de uma longa travessia. Não é fácil chegar. Vários dias de ônibus, caminhão, camionete, lombo de mula, muitos penhascos, encostas íngremes, vales agressivos, travessias de riachos e finalmente caminhadas na montanha, no barro e debaixo de chuva, enquanto os combatentes que nos guiavam iam contando histórias sobre a luta de Simón Bolívar. Era realmente emocionante sentir que Bolívar nos acompanhava, que não era uma figura meramente decorativa ou um frio objeto de estudo, como acontece na Academia quando se estuda a história da América Latina.
Néstor Kohan: Que imagem esses jovens guerrilheiros tinham de Bolívar?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Tive a impressão que eles, os jovens das FARC, sentia Bolívar como mais um de seus companheiros, como maus um de seus próprios combatentes. Eles imaginavam, por exemplo, que Bolívar, apesar de aparecer em todas as estátuas das praças esculpido ou retratado a cavalo e com um gesto napoleônico, de conquistador, na realidade andaria de mula, já que nessas montanhas onde lutou o Libertador, o cavalo mal consegue marchar enquanto a nobre mula, talvez menos elegante e majestosa, pode subir e descer facilmente as ríspidas, molhadas e lamacentas encostas. Se perguntavam também se Bolívar gostava de dançar, se escaparia para ver mulheres (diziam, rindo, que quando o Libertador ia ver a noiva não podia ir na mula, tinha que ir a cavalo, para ter mais ‘presença’ como galã [Risos]). Também se perguntavam se Bolívar, por acaso, não teria a pele escura e o cabelo crespo, em lugar de parecer um branquelo... Para estes combatentes, Bolívar era um ser humano de carne e osso, com uma vida cotidiana como qualquer um deles, não um pedaço de bronze, não uma estátua morta e petrificada.
Néstor Kohan: Como foi a chegada?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Todos cheios de barro! [Risos]. Caímos diversas vezes. Os combatentes nos ajudaram solidariamente a nos levantar. Tratavam de nos ajudar. Nos apoiavam. Ali descobrimos um detalhe prático, nenhum calçado da cidade serve para esses lugares. Os revolucionários insurgentes estão acostumados a caminhar por lamaçais de 20 ou 30 centímetros de barro como algo “normal”. Como chovia muitíssimo, nos emprestaram capas impermeáveis. Foi então que escutei a primeira de muitas piadas. Chamaram a mim e o sacerdote francês de “Batman e Robin da primeira geração, antes que inventassem o automóvel, quando ainda andavam de mula” [Risos]. O primeiro vínculo com os guerrilheiros comunistas abriu-se então, com uma piada. Outra piada marcou o final da experiência. Quando fomos nos despedir, nos disseram: “Esta terra os saúda e despede-se com orgulho... Não é qualquer um que a dá tantos beijos com a bunda...”, fazendo alusão a todas as nossas quedas no barro [Risos]. O humor esteve na ordem do dia o tempo todo.
Néstor Kohan: Então o pessoal das FARC não estavam derrotado, desmoralizado e cabisbaixo?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não! Pelo contrário! Os encontrei alegres, com uma moral muito alta, com uma convicção muito forte e seguros de que vão triunfar. Não era uma pose ou uma encenação. Dava para ver que estavam seguros. Por isso todo o humor e as piadas (entre eles e com os visitantes, sempre em um tom de cordialidade, de amizade solidária e camaradagem). Se estivessem derrotados, como o presidente Uribe e a inteligência militar colombiana apresentam, assim como os grandes meios de comunicação que difundem os comunicados das Forças Armadas e sua visão da guerra, se eles se sentissem vencidos, pensando que vão ser aniquilados –sobretudo por um exército tão selvagem e impiedoso como o colombiano, assessorado e dirigido no terreno pelos próprios yankees- não ficariam fazendo graça e contando piadas. Isso é óbvio, certo? O humor expressa algo. Acredito que é produto de uma moral combativa alta e de uma forte convicção no triunfo popular.
Néstor Kohan: O acesso aos acampamentos era direto?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não, havia que dar antes muitas voltas. Mas o que mais me surpreendeu foi o contato prévio com as populações que os apóiam e sustentam. A propaganda oficial, da qual fazem eco os grandes meios de comunicação, os pintam como bandoleiros, como um grupo de foragidos armados e sem ideologia, isolados do povo ou presos no tempo. Eu vi outra coisa bem diferente. Não li, não me contaram, vi com meus próprios olhos. Gente comum dos povoados e vilas que os apóiam, trabalhadores em sua maioria, camponeses, vestidos com roupa muito humilde. Mulheres do povo com muitos filhos (lembro, por exemplo, de uma senhora, muito jovem, muito humilde, com uma mula onde iam três crianças e ela ia a pé grávida de um quarto filho...). Toda essa gente dos povoados, civis, falam deles, dos combatentes das FARC e de seus acampamentos na montanha, dizendo “lá em cima”, “o pessoal lá de cima”, “os camaradas”... (na Colômbia quase não se utiliza a palavra “companheiro”, todo o mundo se chama “camarada”, que é muito mais comum”. Essas expressões eram referências elípticas aos acampamentos na montanha das FARC. As pessoas dos povoados lhes dão comida, cigarros, várias coisas. Um grupo revolucionário que não tivesse apoio popular não contaria com essa simpatia e essa colaboração. Por isso os militares e paramilitares da Colômbia assassinam tantos civis, porque estes últimos apóiam a guerrilha. É evidente o apoio que dão às FARC. Eu vi. As FARC e suas frentes de trabalho político fazem trabalho social com as pessoas, com as populações: vacinam os guris (quer dizer, as crianças), constroem escolas, postos de saúde, estradas, pequenas represas para os rios, registram as crianças que ainda não possuem documentos. Em síntese, vi muitas famílias e muitas crianças rodeando as FARC. Definitivamente é uma guerrilha popular.
Néstor Kohan: Como os receberam nos acampamentos?
Ezequiel Rodrígues Labriego: O primeiro contato foi com os postos de guarda. Tínhamos que caminhar olhando para o chão de barro, para que não tropeçássemos e, ao levantar os olhos um momento, surpreendentemente nos encontrávamos com os guardas do acampamento a meio metro [Risos]. Cuidavam do acampamento contra as incursões do Exército. O primeiro que dissemos foi “não podemos cumprimentá-los porque estamos todos cheios de barro” [Risos]. Cruzamos com eles sem tê-los visto. Logo seguimos subindo e chegamos ao posto de comando. Ali os comandantes nos receberam. Foram muito amáveis. Nos sentamos ao redor de uma mesa cheia de livros. Logo trouxeram a comida. Haviam muitos livros e, repito, muito bom humor. Riam o tempo todo, o que me surpreendeu. Eu esperava encontrar gente muito séria, como nos filmes e me encontrei com algo muito diferente. Muitas piadas. Ao longo de toda essa experiência, em várias ocasiões, quando fazia perguntas tinha que perguntar várias vezes, porque é certo que as primeiras respostas eram piadas. Não demoramos para nos acostumar, também começamos a devolver as piadas (ainda que demorasse um pouco para os visitantes europeus compreenderem as ironias). Nada mais distante desses combatentes, desses garotos e garotas, que a tristeza, a sensação de derrota ou desânimo.
Néstor Kohan: Chegaram de noite ou de dia?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Era plena noite, não se via nada. A selva é muito escura. As árvores são altas, muito altas. A vegetação é espessa. Às vezes tem até neblina.
Néstor Kohan: Tinha iluminação com tochas ou velas, como fazemos no campo, onde não há luz elétrica?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não! [Risos]. É muito diferente do campo que nós estamos acostumados a ver. Havia pouquíssima luz, porque os aviões do exército colombiano contam com uma nova tecnologia militar proporcionada pelos Estados Unidos. Essa nova tecnologia de controle, que facilita a repressão do exército, está formada pelo uso de satélite, de globos espiões e até aviões não-tripulados, que contam com instrumentos que detectam em tempo real concentrações de fumaça, calos e luz na selva e assim, automaticamente, vêm os aviões militares e começam a bombardear. Portanto, de noite há pouquíssima luz. Mas nesse primeiro encontro vimos os rostos. Havia um pequeno fogo e lanternas. De repente um combatente alertou “Avião...” e todo mundo apaga a lanterna. O acampamento inteiro fica no escuro e não se vê absolutamente nada. E mesmo ali aparece uma piada nova. Como na guerrilha não se sabe se o barulho é de um avião comercial ou avião militar, ou seja, bombardeiros das forças armadas, simplesmente se referem ao avião como “o jato”. Então depois especificam, rindo, que se trata do “jato... o cheio de bombas...”. Um humor muito apurado.
Néstor Kohan: Escutavam música?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Na realidade havia muito silêncio, escutava-se apenas os sons da selva, os grilos, a chuva, as folhas que se moviam quando ventava, às vezes o correr da água de um rio, e sempre escutavam as notícias. O que acontece é que “a guerrilheirada”, como eles se referem às pessoas da guerrilha, estavam escutando as notícias... Ainda que nos fizessem escutar música das FARC, escrita e interpretada pela própria guerrilha, com letras revolucionárias e música em diferentes ritmos: rock, merengue, tango, salsa, ballenato e etc. A escutamos em um computador. Aos domingos há música, interpretada por eles. Os jovens tocam violão, sanfona e também cantam.
Néstor Kohan: Quais foram os primeiros relatos e as primeiras conversas?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Obviamente, tudo começou com diálogos políticos. A situação na Colômbia, a violação aos direitos humanos de Uribe sobre a qual ninguém fala, quando semana a semana são seqüestrados e assassinados dirigentes sindicais, camponeses, padres, monges, estudantes, etc. Também se falou do terrível tratamento que recebem os combatentes capturados pelo exército, a necessidade da solidariedade internacional, os debates atuais do marxismo, etc. Mas na hora de dormir também aparecem outros tipos de histórias. Histórias de ursos, tigres (os tigres que comem os animais domésticos das pessoas), as cobrinhas... Por sorte, só depois fiquei sabendo que o que eles, os colombianos, chamam de “cobrinhas” são as víboras. Eu pensei que falavam de cobrinhas pequenas de 10, 15 ou 20 centímetros de comprimento e, afinal de contas, falavam de cobras de até dois ou três metros [Risos]. Menos mal que só descobri isso na hora de ir embora! [Risos]. Me contaram uma história, uma das tantas histórias dessa oralidade mágica onde a selva cobra a vida desses habitantes das montanhas, sobre um guerrilheiro que capturava as víboras com a mão, falava com elas e não as matava, as soltava. Então as cobras iam serpenteando... Porque estavam humilhadas! Moviam-se assim pela humilhação diante do homem, do guerrilheiro, do camponês [Risos]. Nós começamos a brincar, esperando que as familiares dessa não viessem se vingar por sua parente... [Risos]. Também nos contavam a história de outro guerrilheiro que falava com os bichos do bosque, o chamavam carinhosamente de “o louco”. Parece que era um dos melhores guerrilheiros, por sua mística, por sua entrega e sua disciplina, mas riam quando contavam que era “louco” porque não parava um segundo de contar piadas e falava com os animais do bosque.
Néstor Kohan: Onde dormiam?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Em barracas. Haviam camas de bambu, madeira, folhas. Haviam colchões. Plásticos para se cubrir da chuva. Barro. Devo destacar o esforço que essa gente fazia para que os convidados se sentissem acomodados. A chuva, por momentos, era torrencial. Não passou um dia sequer sem chover nos acampamentos. O barro era onipresente. Sentia-se o tempo todo o aroma da terra molhada no meio da chuva ou da neblina. Nesse panorama, se esforçavam para brindar nos com a maior comodidade possível. Nos contaram que os guerrilheiros devem dormir com grande parte de suas coisas preparadas caso se apresente uma situação de “ordem pública”, combate ou assédio militar iminente.
Néstor Kohan: A que hora se levantavam?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Cedíssimo. Antes das 5 am. A vida na montanha e no campo é muito diferente da cidade. Tudo começa antes e termina antes. Tanto que teve um dia em que os comandantes queriam ler, discutir e debater as teses de um livro que falava sobre a Colômbia e a América Latina, parece que era muito polêmico, e se levantaram ás 3 da manhã. Ali tudo se escuta. Desde longe,. Onde estava nossa barraca, escutávamos o debate. Deve-se estar muito politizado e ter muita vontade de polemizar para acordar às 3 da manha... para debater um livro! Não é verdade? Nada mais longe da realidade que eu vivi do que a imagem oficial de “bandoleiros narcotraficantes sem ideologia”.
Néstor Kohan: O que comiam no café da manhã?

Ezequiel Rodrígues Labriego: A primeira coisa que tomam, cerca das 5 da manhã, é um “tinto”. Não é vinho! [ Risos] Eles chamam de o café negro de “tinto”. Mais tarde, por volta das 7 am, comem muita comida, arepas (comida feita com farinha de milho), ovos, etc. Muita comida, não apenas para os convidados ou as visitas internacionais. Um velho guerrilheiro nos explicou que as FARC brindam aos seus combatentes com boa alimentação, entre outras coisas, para prevenir doenças. Um guerrilheiro mal alimentado pode ficar doente mais fácil. Inclusive, em termos econômicos, é melhor comer bem que ficar doente. Cada combatente tem também uma escova de dentes e sua pasta para prevenir enfermidades na boca.
Néstor Kohan: Como é a vida durante o dia? Praticavam tiro ou pontaria o tempo todo?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não, são atiradores muito bons (os militares chamavam o comandante Marulanda de ‘Tirofijo’, ou seja, ‘tiro certeiro’) mas, na realidade, a maior parte do dia, todo o acampamento é um gigantesco coletivo de trabalho. Trabalham muito durante o dia! Há grupos de trabalho por esquadra de combate. Cortam lenha, serram, trabalham a madeira, lavam cozinham, constroem, transportam distintos materiais. Os acampamentos se parecem mais com enormes coletivos de trabalhadores do que qualquer outra coisa. Por isso nos explicavam a necessidade de uma boa alimentação: muito trabalho físico. As mulheres trabalhavam ao lado dos homens, em todos os serviços. Na marcha pela selva, as mulheres e os homens carregam mochilas de 30 quilos aproximadamente (eles medem em libras) com roupa, armas, munição, comida, etc.
Néstor Kohan: Haviam mulheres na guerrilha?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Muitas! Carregavam armas longas (diversos tipos de fuzis), uniforme das FARC e, ao mesmo tempo, lixas de unha, espelhos e esmalte. Elas levavam as mesmas cargas que os homens e todo mundo trabalhava por igual.
Néstor Kohan: Quem cozinhava?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Haviam várias cozinhas, com fornos fabricados por eles mesmos, ao estilo vietnamita ou cubano, segundo nos explicavam. Eles os denominavam “ranchas”. Vi gente cozinhando, tanto mulheres como homens, ambos por igual.
Néstor Kohan: Todos se vestiam igual?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Sim, com uniforme verde-oliva e as insígnias das FARC-EP. Tinham todos, homens e mulheres, um asseio tremendo. Se nos viam sujos de barro por conta das caminhadas, faziam piadas, sugerindo que trocássemos de roupa. Cada combatente tem mais de um uniforme, que eles mesmos confeccionam. A limpeza dos combatentes está regulamentada. No meio desse lamaçal, tudo estava limpo. Incrível! De alguma forma sentiam-se orgulhosos, se minha percepção não me enganou, de saber caminhar longas jornadas de barro sem se sujar. Sentiam-se de estarem assim, limpos no meio da selva. Inclusive nos perguntavam com ironia porque estávamos cheios de barro, dizendo: “Vocês não estão acostumados a caminhar no barro, certo?” Ainda que, ao mesmo tempo, com a maior naturalidade, alguns combatentes também nos perguntavam: “É verdade que é a primeira vez que visitam acampamentos guerrilheiros?”... como se fosse a coisa mais normal do mundo... [Risos]. Vestiam-se igual, mas as pessoas eram as mais variadas possíveis. Vimos combatentes brancos, mestiços, indígenas, afro descendentes, homens e mulheres. Dava para perceber que eram integrados, em um coletivo integrado. Por exemplo, vi gente branca cozinhando e servindo gente mestiça ou afro descendente. Tudo ao contrário do capitalismo racista e da discriminação a qual nossa sociedade nos tem acostumados.
Néstor Kohan: Durante o dia todo só trabalhavam?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não, além de comer, trabalhar e descansar, também vi reuniões e discussões que transcorriam a tarde. Essas reuniões eram chamadas “a hora cultural”. Na realidade, duravam uma hora e meia ou duas. Juntavam-se e escutavam as notícias, primeiro, para analisá-las depois. Logo debatem em uma espécie de assembléia sobre a notícia do dia.
Néstor Kohan: Notícias de que tipo?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Notícias da Colômbia e da América Latina, principalmente. Mas também de outras partes do mundo.
Néstor Kohan: De onde obtém as notícias na selva e em plena montanha?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Da rádio e da TV. Assistem TV em uma hora do dia. Principalmente noticiários, como TELESUR. Também obtém notícias de Caracol, etc. mas também viam uma série de TV, jogos de futebol, etc. Lembro uma das tantas piadas que faziam: “Fulano é um leninista estrito, porque primeiro de tudo vem o partido... o partido de futebol” [Risos]. Esta pessoa não perdia um jogo por nada no mundo.
Néstor Kohan: Como debatiam?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Por grupos, por esquadras. As esquadras são as menores estruturas de combate, mas, ao mesmo tempo, são células políticas [na tradição do pensamento leninista, as “células” constituem-se na menor forma de organização de todo partido político] . O interessante é que cada esquadra tem seu comandante mas também possui seu secretário político. Os dois cargos não podem ser exercidos pela mesma pessoa. Dessa maneira fica garantida a democracia interna nas FARC e a possibilidade de debate. Então nas horas culturais dedicadas à informação, à educação e ao debate, cada esquadra é responsável por transmitir uma notícia. Quando todas as esquadras disserem a sua, começa o debate coletivo sobre as notícias. Ali elas são analisadas criticamente. Todos e todas falam, a palavra circula. Participam desde os que tem melhor oratória, mais fluida, até aqueles que penam mais em falar ou ler em público. O chamativo é que falam e debatem no escuro ou com pouquíssima luz. Ao presenciar essas cenas vêm à memória os relatos do marxista norte-americano John Reed quando escrevia a história da revolução bolchevique. John Reed, aquele jornalista dos EUA, se espantava pelo fato dos soldados bolcheviques de Lenin, ainda que estivessem com fome e no meio da guerra, se desesperavam por receber notícias ou livros no front de batalha... As horas culturais na selva colombiana me fizeram lembrar aquele livro.
Néstor Kohan: Por que as horas culturais aconteciam no escuro?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Pela possibilidade de bombardeios dos aviões militares. A ausência de luz estava destinada a esconder dos aviões as posições dos acampamentos guerrilheiros. Os combatentes nos contavam que essas horas culturais antes eram feitas com toda a luz, dando para ver as caras, mas como Uribe recrudesceu a guerra –tudo em nome da “paz” e da “democracia”... – têm recebido ultimamente tecnologia militar yankee de última geração, dedicada a aniquilar a insurgência com o chamado “Plano Patriota”, então já não se podia continuar desenvolvendo essas atividades com luz. Essa tecnologia militar yankee inclui globos espiões ou informação por satélite, destinada a detectar concentrações de luz, fumaça ou calor na selva. Isso motiva os debates no escuro. É muito raro para alguém que vive na cidade assistir a essa espécie de assembléias no escuro, no meio do barro, onde se discute a informação de conjuntura. É um sacrifício muito grande viver assim! Mas todo mundo participa com entusiasmo, com “mística”, com alegria nas discussões. O que conheci é, realmente, uma força político-militar muito informada, muito politizada e muito atualizada no dia a dia.
Néstor Kohan: Não são então uns loucos soltos, perdidos na selva, que não foram enterrados quando caiu o Muro de Berlim...
Ezequiel Rodrígues Labriego: [Risos] Não! Estão muito, mas muito informados mesmo. E não apenas da Colômbia, mas também de outros países. Recebem visitas. Conversam sobre a luta popular de outros países. São internacionalistas convencidos. Além do que, a maioria dos combatentes que conheci ingressou nas FARC após a queda do Muro de Berlim. Não são “dinossauros nostálgicos”. São marxistas leninistas, guevaristas e bolivarianos, com um projeto político atual, pensado para a América Latina no século XXI. Este projeto bolivariano não está pensado apenas para a Colômbia, mas para a Grã - Colômbia e a Pátria Grande, ou seja, para toda a América Latina. As FARC constituem uma organização guerrilheira muito conectada com o mundo.
Néstor Kohan: Não haviam diferenças de formação entre seus integrantes?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Na verdade, pelo tempo que passei não poderia afirmar. Mas acredito que sim. Haviam trabalhadores, camponeses, estudantes. Alguns tinham oratória fluida, outros custavam a ler em voz alta. Mas todos e todas participavam por igual. A palavra era rotativa! Até os mais tímidos tinham que falar. Os papéis de organização das “horas culturais” (espécie de assembléias culturais) trocavam e se alternavam todos os dias. Sinceramente, os vi muito informado e muito interessados no que acontecia na Colômbia (por exemplo as mobilizações urbanas, crise política, etc.) e em outros países.
Néstor Kohan: Isso se referindo aos combatentes. E os comandantes?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Bom, devo reconhecer que me surpreenderam. Ainda que tivesse lido a historiografia sobre as guerrilhas e tenha entrevistado alguma vez dirigentes políticos e guerrilheiros de outros países, estes comandantes me fizeram rir muito [Risos]. Como já te contei, viviam fazendo piadas, entre eles e com os visitantes (os visitantes europeus demoravam um pouco para captar as piadas, mas também contavam algumas). Além disso, discutiam poesia e literatura. Estavam metidos em uma discussão, entre eles, sobre a obra e o pensamento do escritor Vargas Vila [modernista, da geração de Rubén Dario]. Na mesa de comando tinham a Crítica da razão pura de Kant!... Ali também vi livros do poeta e revolucionário salvadorenho Roque Dalton, escutei conversas sobre Mariátegui, Nietzche, Habermas, os manuais soviéticos de Konstantinov, polêmicas sobre Saramago, entre outros. Os escutei conversar também, com erudição e devoção sobre Simón Bolívar, se morreu de morte natural ou se foi morto. Também falavam sobre o pensamento de Che Guevara. Me pareceu, em suma, gente muito instruída, muito lida e preparada. Sobretudo muito sensível. Inclusive, quando um dos visitantes perguntou sobre as recordações sobre o comandante Marulanda, percebi uma lágrima rodando por aí. Também vi rostos de nojo, indignação e muita raiva quando se falavam dos crimes dos “paracos” (os paramilitares colombianos), o uso que fazem da moto-serra para mutilar gente, a tortura, o aniquilamento de dirigentes populares, indígenas, sindicais, camponeses, jovens estudantes. Um dos comandantes que conheci, de evidente origem camponesa, tinha seis irmãos mortos. Ao conhecer esse comandante camponês, antigo lugar-tenente de Marulanda, recordamos os relatos histográficos sobre a guerra civil e a revolução da Espanha, com seus generais operários e camponeses. Mas em todas as conversas predominava o humor, as piadas e a falta de cerimônia. Sobre todas as coisas, muita ironia e muito humor. Não é, por acaso, o humor o melhor gesto de saúde mental, imprescindível para levar adiante qualquer luta radical em condições tão difíceis?
Néstor Kohan: Como se levava a vida na selva?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Era difícil. Muito sacrifício! Apesar de ninguém se queixar e todo mundo encará-lo com “naturalidade”, esta gente vive com muito sacrifício. Em primeiro lugar, nuvens inteiras e permanentes de mosquitos. Complicado viver assim todos os dias, certo? Eles o chamam “a praga”. Diziam, por exemplo, “hoje há muita praga”, como quem diz “está nublado”, com naturalidade. Nas zonas onde não há tantos mosquitos...tem carrapatos! Nesses outros lugares também há vespas. Depois estão as víboras... Enfim, a vida das guerrilhas das FARC é uma vida tremendamente abnegada e sacrificada. Só pode ser encarada, eu imagino, se houver um projeto político claro, realista e viável, que lhe dê sentido e se tenha intimamente fé no triunfo. Senão, não entendo como poderiam viver assim cotidianamente. As FARC estão certas de que vão vencer.
Néstor Kohan: Como as pessoas fazem para ir ao banheiro?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Fazendo as necessidades fisiológicas em um poço (homens e mulheres), rodeado de folhas, sem teto, no meio da chuva permanente... Dizem que as FARC vivem como “magnatas”, cheios de luxo e dólares, e como “milionários narcos”... Por favor! Que infâmia! Te asseguro que tudo isso não passa de uma mentirosa e absurda propaganda militar, destinada a deslegitimá-los e isolá-los de possíveis apoios, seguramente elaborada pelos assessores em guerra psicológica dos yankees.
Néstor Kohan: Que balanço geral você faz de tudo o que viu e conheceu nos acampamentos das FARC-EP?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Quando me lembro do que conhecemos nos acampamentos, penso em tanto acadêmico medíocre bancado por alguma ONG, ou nesses jornalistas ignorantes pagos pelos grandes monopólios, que vivem insultando e depreciando estes jovens guerrilheiros e guerrilheiras, afirmando que são “narcos” e não sei quantas outras besteiras do tipo. Me causa muita indignação ver esses submissos e medíocres caluniarem as FARC. Entendo se alguém não compartilha da estratégia política da insurgência comunista e bolivariana. É lógico e compreensível. Cada um tem direito a seu ponto de vista e a opinar a respeito. Mas me parece que, qualquer um que opine, deveria antes tirar o chapéu. Ou seja, falar com sumo RESPEITO [Rodríguez Labriego faz o gesto para que sublinhe a palavra] diante de tanta dignidade, diante de tanta abnegação, diante de tanto sacrifício.
Como conclusão pessoal, queria enfatizar o tremendo RESPEITO, a sincera admiração que sinto e que me geram estas pessoas, as pessoas das FARC. Os vi muito sérios, muito esforçados, principalmente muito convencidos da causa do socialismo. Não apenas do socialismo na Colômbia, mas em toda a Pátria Grande latino-americana e no mundo. Me parece que necessitam de muita solidariedade internacional. Além das anedotas ou as impressões, acredito que isso seja o fundamental. A solidariedade.
Néstor Kohan: Por que acredita que se fala tão pouco de Colômbia? Por que pensa que a esquerda mundial hesita em levantar como própria a bandeira insurgente das FARC?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Talvez por muitas causas. Em primeiro lugar, pela impressionante campanha macartista contra as FARC. A esquerda, reconheçamos, não permaneceu alheia nem à margem dos efeitos desse macartismo oficial que obriga a todos que se “afastem” das FARC (e outros grupos radicais) para obter um certificado de “boa conduta”. Não é verdade? Ou estou errado? Em segundo lugar, as FARC e o Partido Comunista Clandestino da Colômbia (PC3 ou PCCC) marcam uma continuidade com a esquerda revolucionária de outras décadas, mantendo a centralidade da luta pelo poder, apesar de várias décadas de domínio pós-moderno e/ou social-democrata. Não se coloca a Colômbia no centro da agenda latino-americana (onde habitualmente se fala de Bolívia e Venezuela sem sequer mencionar a Colômbia) porque isso implicaria automaticamente em discutir a pertinência da luta armada. Apesar de milhares e milhares de mortos e desaparecidos, isso provoca medo. Muito medo. Devemos reconhecê-lo...eles têm medo, apesar de não o confessarem publicamente ou o encobrirem com falsas elaborações “teóricas”. Deve-se vencer de uma vez esse medo!
Então trata-se de recuperar a solidariedade. Não podemos abandoná-los! Não devemos continuar cedendo à chantagem macartista. Não podemos cair no silêncio cúmplice nem na comodidade da indiferença.
Néstor Kohan: Quando você fala de solidariedade, você se refere exclusivamente à esquerda?
Ezequiel Rodrígues Labriego: Não necessariamente. Não apenas a esquerda. As FARC se definem antiimperialista e bolivarianos. O arco de solidariedade vai muito além da esquerda. Toda pessoa que se oponha ao guerreirismo de Uribe e a violação dos direitos humanos deveria se solidarizar. Da mesma forma que se apoiaram no sandinismo na Nicarágua, no FMLN em El Salvador, a Fidel e Che em Cuba, à URNG na Guatemala, ao zapatismo no México, ao MST no Brasil ou a Chávez na Venezuela. Hoje deve-se apoiar as FARC. As FARC são parte insubstituível e fundamental desse conjunto latino-americano. Não podemos continuar nos fazendo de distraídos frente à luta do povo colombiano. O apoio às FARC-EP deve estar na ordem do dia na esquerda latino-americana e mundial.
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