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sábado, 13 de março de 2010

A Onda

A Onda, de Dennis Gansel Ana Seffrin + de 200 Acessos Imagine um professor indagando seus alunos a respeito da possibilidade de uma ditadura novamente tomar os holofotes da política na Alemanha. Um dos pupilos responderia, na estranheza de uma averiguação iconoclasta, que tal advento não poderia sequer ser imaginado; ademais, enfatizaria: "estamos acima disso". Imagine o desinteresse precípuo de uma turma escolar, o desinteresse em assuntos que digam respeito à história política, econômica e social da humanidade. O esforço imaginativo, sem dúvida, não seria de difícil envergadura; se estamos em vigília à própria capacidade de abstração, compreendemos o desinteresse de alguns, a falta de credibilidade de outros, realidade educacional pesarosa condizente não apenas com os patamares estudantis da Alemanha, mas com a de inúmeros países ― nesse caso, o Brasil poderia ser incluído. Agora, imagine um professor predisposto a "revolucionar" o ensino ― à sua própria maneira ―, criando um método pedagógico de simulação; imagine uma aula sobre "autocracia". Autocracia não significa corrida de carro em crateras. De origem grega, a palavra deriva dos radicais gregos "autos" ― por si próprio ― e "cratos" ― governo ―, havendo, de igual modo, derivações secundárias de significantes, com proximidades inefáveis às primeiras constituições de sentido ― "auto" de próprio e "kratia" de poder. A convergência de capacidades discursivas da matéria infiltra a exploração de um terreno histórico amplo. Com a parcimônia acostada aos olhos, autocracia denota um tipo particular político, onde o indivíduo ou grupo na liderança tem poder ilimitado para mudar as leis, se achar necessário. Imagine um professor perguntando a algum aluno um exemplo factível de "autocracia"; o Terceiro Reich, à primeira vista, é a resposta que está na ponta da língua, mas tratar-se-ia de uma temática repassada de modo reiterado nos bancos escolares, uma história de holocausto e deflagração de todo o tipo de horrores, menção de erros e culpas de "outros", não das gerações presentes. Alguém poderia salientar: "não é questão de culpa, é questão de responsabilidade histórica". Então outra indagação viria à tona e não calaria: outra ditadura seria possível na Alemanha? Para além dos acontecimentos que possivelmente poderiam desenrolar-se num país que há vinte anos dividia-se ideologicamente, pergunte-se: outra ditadura seria possível no Brasil? Achar-se diante da necessidade de discutir a questão é um tema por si só pesaroso e complexo; muitos responderiam que já vivemos em um Estado Democrático de Direito e que tal possibilidade não passa de uma petrificada constatação passada, não mais presente e atual, tendo em vista que "estamos acima disso". De outro modo, há a substancialidade decisiva em refletir sobre o que uma ditadura, para estruturar-se, necessita. Um Führer? Há títulos históricos equivalentes à nomenclatura de Adolf Hitler: Mussolini fora chamado de "Il Duce"; Francisco Franco de "Caudilho"; Getúlio Vargas de "Chefe Nacional". Em termos resumidos, precisaríamos, para a composição de uma autocracia, de um Duce, um Führer, um Caudilho ou um Chefe Nacional? O emblema autocracia e ditadura delimitam a existência de líderes? Tais proximidades levam-nos ou não a pensar em ideologia, controle, vigilância, nacionalismos ou insatisfação? Todos esses elementos são trazidos, com brilhantismo e astúcia, na produção cinematográfica alemã A Onda (Die Welle). O filme, dirigido por Dennis Gansel e estrelado por Jürgen Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich e Cristina do Rego, dentre outros ― atualmente, a jovem vanguarda geração talentosa de atores alemães ―, é um esboço de questionamentos sociais de pertinência absoluta e atemporal. É também um aprendizado sobre como podemos nos tornar guerreiros solitários. Rainer Wegner ― interpretado por Jürgen Vogel ―, professor de Ensino Médio, tem o dever de ensinar seus alunos sobre autocracia. Para tanto, seu curso irá se desenrolar no período de uma semana. Do desinteresse inicial daquela classe com características diferenciadas e peculiares ― desde o "nerd" inquestionável, passando pelo galanteador loiro até o "autista" ausente ― o professor lança um desafio, o desafio da união, recorrendo às fórmulas de ordem e disciplina enquanto padrões de vivência. Os alunos decidem que o próprio professor será o líder do grupo. A classe, em vista das ordens e instituições comportamentais, aos poucos consegue compreender o significado de unidade e união ― o sombrio poder da união. Raça, religião, cor de pele ou qualquer outra individualidade perdem categoricamente o interesse e os parâmetros de igualdade ensaiam-se como regras de vivência. Decidem, também, usar um uniforme ― concordando veemente na assertiva do quanto uniforme militares são grotescos ―, utilizando, todos ― com exceção de uma personagem que haverá de se rebelar contra esse sistema aparentemente deturpado ―, camiseta branca e calça jeans ― a fim de eliminar as diferenças sociais ou, até mesmo, comportamentais. Rainer consegue conquistar a simpatia dos alunos, tentando fazer valer um experimento com capacidade de explicar os mecanismos do fascismo e do poder. Seu movimento recebe o nome de "A Onda". Tal qual aquela constância marítima endurecida e relativizada pelos movimentos das marés, a experiência das águas desaba em um choque sem retorno. A produção é recheada de observações contundentes; desde jovens sobrecarregados em um exercício de autoindagação a respeito de possíveis infortúnios da vida ― "nada mais, aparentemente, vale a pena" ―, até os que percebem que o desejo da juventude contemporânea gira essencialmente em torno da diversão. O fio condutor dos personagens também permeia orientações em pensamentos próprios: o que "falta nas gerações é, nada mais, nada menos, do que um objetivo comum para uni-los". Em meio a uma série infindável de transtornos existentes dentro dos muros escolares ― desde casos de bullying (agressões verbais) até agressões físicas sorrateiras ―, e fora deles ― como, por exemplo, a palavra "Paris Hilton" ser a mais procurada no Google ―, o que parecia ser uma completa impossibilidade diante das circunstâncias ― um professor estimulado com os alunos, alunos discutindo amplamente questões de política ― torna-se o frenesi de uma energia surreal de "força pela disciplina" deflagrada. Não apenas por se tratar de uma produção única, o filme compensa pela belíssima fotografia e pelos jogos nos focos da câmera que, embora raros, consubstanciam o enredo em um relógio de proveniência distinta; você não sente o filme passar e os ponteiros são um jogo decisivo de vida ou morte. Como fenômeno de transcendência, denota a irracionalidade do poder nas discursivas contaminações de qualquer tipo de fascismo nos tempos passados, presentes e futuros. Rainer tentará romper com a propagação do poder e do fascismo disciplinar quando o jogo ficar sério, mas aí poderá ser tarde demais. O enredo é baseado em uma história real ocorrida na Califórnia, em 1967, em Palo Alto. Um professor norte-americano chamado William Ron Jones resolveu realizar um experimento em sala de aula: reproduziu estratégias utilizadas por ditadores ― sobretudo Hitler ― para demonstrar o quanto o poder de dominação das massas era de simples engrenagem. O resultado dessa experiência está traduzido em um conto literário de William, que foi capaz de tornar essa experiência uma completa orientação de violência. Também vale relembrar que o filme alemão contemporâneo é uma espécie de refilmagem americana de apenas 45 minutos, dirigida por Alex Grasshof, de 1981, também denominada The Wave (A Onda). Não é à toa que a música de abertura da produção alemã é justamente "Rock'n'Roll High School, dos Ramones ("Well I don't care about history, rock, rock, rock'n'roll high school, 'cause that's not where I wanna be, rock, rock, rock'n'roll high school (...)/ hate the teachers and the principal, Don't wanna be taught to be no fool (...) Fun fun rock'n'roll high school, Fun fun, oh baby"); uma atenção maior a essa composição leva a crer o quão emblemático o ambiente escolar pode ser e o quanto essa engrenagem é, naturalmente, emblemática. De todos os tipos de fascismos e pregações ideológicas existentes, é inquestionável a importância dessa produção cinematográfica, simetria daquilo que não podemos nos omitir enquanto labores da academia universitária. Essa conexão, em torno dos grupos ideológicos comumente tingidos e reconhecidos nas páginas da história ― Ku Klux Klan, apartheid, macarthismo, ditaduras latino-americanas, Hamas, Farc, nazismo, fascismo, marxismo, comunismo, anarquismo e a infinidade de "ismos" e "ias" antiprovidenciais ―, é uma conexão que, sobre a insígnia do ódio e da violência, torna seres humanos ventríloquos de discursos omissos de caracteres minimamente éticos e adequados à realidade social humanitária. Na medida em que se assume a tarefa de mostrar esse retrato, A Onda possivelmente é uma excelente averiguação desse flagelo. (Digestivo Cultural) Ana Seffrin Porto Alegre, 18/3/2010

Cuba exibe série sobre as supostas mais de 600 tentativas de assassinar Fidel Castro

Rio de Janeiro - 13 de março de 2010
Cuba exibe série sobre as supostas mais de 600 tentativas de assassinar Fidel Castro

A TV de Cuba iniciou a exibição de uma série sobre algumas das mais de 600 tentativas de assassinato de Fidel Castro ao longo dos últimos 50 anos.

Em oito capítulos, a série intitulada "Aquele que deve viver" é apresentada nas noites de domingos, em um horário geralmente destinado a programas policiais e com grande audiência. O especial tem um elenco de 240 atores, além de centenas de figurantes.

A produção, produzida pelo Ministério do Interior, conta como os agentes da CIA (Central de Inteligência Americana) e dissidentes teriam tentado acabar com a vida de Fidel. Na série, o líder agora recluso escapa de emboscadas em vias públicas, operações suicidas, sorvete de chocolate envenenado, granadas dispostas em bolas de beisebol, bombas em tubulações de esgoto, fuzis de grande distância, bombardeios na praia, bazucas em aeroporto e outros meios.

Juntar toda essa história foi muito difícil, porque são muitos planos. O que fizemos? Fazer com que não se repitissem as modalidades (de atentados) e ir relatando a história da revolução a partir desses capítulos e dos personagens - disse a diretora da série, Nilda Rodríguez.

fonte : Jornal O Globo
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Leia mais: http://ousarlutar.blogspot.com/2010/03/cuba-exibe-serie-sobre-as-supostas-mais.html#ixzz0hzntmzui
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Política se faz com diálogo




Quando um jornal de Israel vem a público para dizer que o presidente do Brasil é um “profeta do diálogo”, isso não só arde os olhos dos viúvos do AI-5 como deve apontar que vivemos um processo que não merece ser calado.




Por Ana Helena Tavares


“Política não se faz com o fígado, conservando o rancor e ressentimentos na geladeira”. Começar um texto citando Ulysses Guimarães, confesso, é receita covarde. Fazia política como quem não precisa de receitas. Respirava o que sentia. E sentiu o Brasil. Um homem de diálogo que só teve sua voz calada pelo mar.




Mas não é do velho timoneiro que quero falar aqui. É do ano em que o mundo respirou política. Tantos sonhos sentidos, tantos sonhos calados.




1968 - um ano que, como poucos, soube dialogar com a história e, até hoje, parece conversar com aqueles que têm alma transformadora.




Transformação dentro das universidades; uma luta pela quebra do distanciamento aluno-professor. Transformação de todo o sistema educacional; uma luta contra o ensino pago. Transformação da vida; uma luta por mudá-la, não por tomar o poder.




Dentro de uma ditadura militar que estava no auge, o movimento estudantil fervilhava. A cavalaria militar na rua era alvejada por centenas de bolas de gude. Cada um lutava com as armas que tinha e, mesmo quem não as tinha, “fazia a hora, não esperava acontecer”. Foi com esse espírito que estudantes reuniram-se clandestinamente naquele que ficou conhecido como o “Congresso de Ibiúna”, no qual todas as lideranças estudantis presentes foram presas.




A realidade do Brasil de 1968 era um sistema bipartidário: o MDB, do Dr. Ulysses, conhecido como o “partido do sim”; e a Arena, o “partido do sim-senhor”. A censura do AI-5 calou vozes, cerrou cortinas de teatro, escureceu telas e escolheu as letras a serem ditas e impressas. Mas, muitas vezes, a proibição aguça a criação, e não se conseguia proibir tudo.




E nesse ano, tão marcado pelo paradoxo, é interessante observar que nunca houve no Brasil uma efervescência tão grande no mundo das artes. Havia um sentimento cultural no ar. Um vigor artístico sem precedentes.


As celebridades naquele momento eram os expoentes da cultura. Se muitos dizem que “hoje somos apenas ‘caras’”, naquela época as celebridades de fato tinham algo a dizer – não eram vazias. Tinham conteúdo e consistência.




Foi um tempo, enfim, de humanismo. O movimento feminista (inserção da mulher no mercado de trabalho), os direitos dos homossexuais, a militância pelo meio-ambiente, a luta pelos direitos civis e as muitas lutas de esquerda foram algumas das causas que ganharam força em 1968.




Um ano em que se fazia a hora sabendo-se o alto preço que isso poderia custar – a liberdade e talvez a vida. Em meio a um descontentamento geral com o mundo – e mesmo sem saber qual pôr no lugar – “comprava-se” esse preço.




O que importava era a utopia. Sonhava-se em chegar a “lugar nenhum” para a partir daí ser criada uma nova realidade.




Quarenta e dois anos depois, muito solicitado por um mundo que ainda clama pelo realismo dos que exigem – e concretizam – o impossível, recentemente, Lula foi parar aos cuidados de seu médico e ouviu Dilma, gaiatamente, lembrar Ulyssses: “Política não se faz com o fígado...”




Quando um jornal de Israel vem a público para dizer que o presidente do Brasil é um “profeta do diálogo”, isso não só arde os olhos dos viúvos do AI-5 como deve apontar que vivemos um processo que não merece ser calado.




13 de março de 2010,

Ana Helena Tavares, jornalista por paixão, escritora e poeta eternamente aprendiz.

ADESTRAR A MERCADORIA

ADESTRAR A “MERCADORIA”


Laerte Braga


A escritora norte-americana Amy Sutherland descobriu um método considerado infalível para “adestrar maridos”. Basta usar as mesmas técnicas que treinadores de cães usam com esses animais. A cara metade de início define a raça do marido/cão e em seguida começa os exercícios de adestramento.

Os Estados Unidos são uma sociedade doente e irrecuperável. O cidadão médio norte-americano chegou ao estado máximo de alienação e boa parte já ultrapassou os limites da imbecilidade, muitos chegaram a um ponto de primitivismo tal, que ficar à porta da escola, ou do escritório, praticar tiro ao alvo em colegas é corriqueiro.

Fazem isso historicamente. Começaram adestrando mexicanos e anexando o Texas, a Califórnia e outros pedacitos, mas estenderam esses exercícios à América Central e hoje pontificam em todos os cantos do mundo, com tecnologia de ponta e predadora. Organizações internacionais revelaram ontem, que os níveis de contaminação no Iraque são altos e isso se deve ao uso de balas de urânio empobrecido e agentes químicos semelhantes ao agente laranja (o que a MONSANTO usa no cultivo de transgênicos, o que você come todos os dias)

Os resultados, segundo a escritora, “foram fantásticos”. Em pouco tempo é possível treinar o marido/cão a pegar os jornais à porta de casa e colocar os chinelos aos pés da cama sem roê-los.

Uma das técnicas consiste em oferecer brindes. São comuns também a domadores de cavalos e feras. Fez direitinho, leva um torrão de açúcar e um afago.

Já outro conselheiro, ou conselheira, ou conselho de conselheiros, ensina como a mulher deve se recolocar no “mercado”, ao término de um relacionamento. Um breve período de luto, algumas cautelas para evitar gravidez no início de um novo caso e toda a produção do mundo, para estar dentro das tendências da moda, das tendências do modo de ser e disposta a aceitar as regras. Segundo o parecer de eminentes especialistas no assunto, o período de “entressafra” é assim mesmo. Todo cuidado é pouco e observadas algumas regras básicas, logo você estará embrulhada para presente e esticada numa cama qualquer, pronta a ir para vitrine sem medo de ser olhada como alguém incapaz de estar no “mercado”.

Feito isso coloque no vidro traseiro do carro um adesivo, “eu venci”.

Generais norte-americanos, bispos, arcebispos, cardeais e agora o papa, têm mania de pedir desculpas por erros cometidos. Assim do tipo matei por engano. Era para acertar Maria e acertei José.

Tudo em nome da democracia cristã e ocidental, que a GLOBO aqui traduz em “liberdade de expressão”. Uma das técnicas usadas para adestrar telespectadores e transformá-los em dóceis animaizinhos prontos a obedecer tudo o que o mestre mandar.

É o mestre manda tudo.

A OMC (Organização Mundial do Comércio) é uma invenção dos Estados Unidos para melhor adestrar os países do resto do mundo. Funciona mais ou menos como um estádio com cadeiras numeradas para alguns, numeradas especiais para outros, arquibancadas para um tanto e geral para países como Afeganistão, Iraque e que tais, alvos preferidos dos norte-americanos. Você compra toda a porcaria que por lá é produzida e entrega seu petróleo, seus minerais estratégicos, o controle do seu território (sua casa) e pelas manhãs leva os jornais ao senhor, além evidente de colocar os chinelos macios e limpos para que os pés brancos e arianos possam de deslocar até a mesa do café.

Lá vão estar os acepipes indispensáveis ao povo campeão de obesidade e a ração aos povos campeões de jejum e privações outras. Dependendo da manhã um latido um pouco mais alto pode significar um safanão em forma de míssil, se o humor de Obama estiver num bom dia, num senta aí, come e não me atrapalha que tenho que pensar como liquidar com o Irã.

Os Estados Unidos foram pegos de surpresa com a decisão da OMC de autorizar o Brasil a retaliar produtos norte-americanos em algo em torno de meio bilhão de dólares, por conta de abusos que absolutamente não conseguiram encobrir, visíveis demais e que se jogados para baixo do tapete podem trazer prejuízos maiores mais à frente.

É que, na verdade, malgrado todo o esforço das agências norte-americanas de mídia/comunicação que operam no Brasil e em países vários, alguns dos “cãezinhos” ainda resistem àquela ração diária de segunda categoria, sempre a mesma, pela manhã, à tarde e a noite.

E nem mesmo cardeais apoiando golpes militares em Honduras, como na Venezuela em 2002 conseguem silenciar determinados “animaizinhos” que tentam manter seus narizes empinados e caminhar por suas próprias pernas.

Nem todo governo tem cãezinhos chamados Lampreia, ou Celso Láfer. E nem todo presidente da República se chama Alan Garcia, Álvaro Uribe, ou Sebastián Piñera.

Os adestradores norte-americanos quando falha por exemplo um William Bonner, ou uma Miriam Leitão (pitbull convertida em treinadora), costumam usar especialistas chamados “mariners”. O nível de um mariner é mais ou menos semelhante ao de uma ameba (na verdade e pior) e o cãozinho induzido a entre outras coisas, aceitar resignado que é necessário voltar a andar de quatro e no caso do Brasil, para isso, eleger José Collor Arruda Serra, o do ”vote num careca e leve dois”. O outro careca já está preso.

Se necessário chicote for, o dublê de falso intelectual e me dá o meu aí Arnaldo Jabor, cai em dilema atroz sobre “o que fazer com essa velha esquerda”, no afã de ouvir os gritos dos gorilas (que nada têm a ver com os verdadeiros gorilas, apenas uma espécie que se veste de verde oliva e tem convulsões orgásticas quando ouve a expressão patriotismo, ou o ordinário marche, no sentido de ordinário mesmo) sob a batuta de um general qualquer dos EUA.

Aí exercem seu papel preferido. Pegam os jornais e chinelos dos donos, entregam um país inteiro e enchem as prisões de quem ousar desrespeitar a ordem unida, democrática, cristã e ocidental, transformando-as em câmaras de treinamento através de técnicas como pau de arara, choques, estupros, assassinatos e desova de cadáveres com a colaboração da FOLHA DE SÃO PAULO (entra com os caminhões) e no fim de tudo a culpa é do piloto. VEJA garante. VEJA usa o esquema de Pavlov. À hora que o indigitado sai para comer a ração toma um choque e vai assim até aprender que é preciso ser obediente.

Pronto. A escritora Amy Sutherland não descobriu técnica alguma para amestrar ou domesticar maridos, apenas adaptou o processo maior, o big stick que seu país usa para dominar no velho conceito político “a América para os americanos”.

O governador da fazenda ARACRUZ/SAMARCO/CST, antigo estado do Espírito Santo, foi convocado a comparecer às Nações Unidas para explicar o estado de barbárie e boçalidade do sistema carcerário no latifúndio a que me refiro. Muitos presos/cães são mantidos acorrentados em corredores, ou em containers chamados de “microondas” tal o calor ali.

Segundo Paulo Hartung, corrupto in totum, pleno, absoluto, indivíduo de má catadura como se dizia e sem escrúpulo algum, não há nada de errado em seu “governo” e todo o esforço está sendo feito para humanizar o tratamento dado a humanos/cãezinhos infratores da lei.

Repetiu ipsis literis o que norte-americanos falam sobre os campos de concentração que montaram em Guantánamo, no Iraque, no Afeganistão e nos navios prisões criados no governo de George Bush que Obama faz de conta que não existem, pois não apita nada mesmo, é pau mandado.

A culpa de tudo isso, neste momento, é do governo de Cuba que mantém um criminoso preso em sua própria residência, amparado e assistido de todas as formas possíveis, porque decidiu entrar em greve de fome (direito líquido e certo seu, tanto quanto responsabilidade sua).

Transfere-se todo o comportamento bárbaro, imbecil, brutal, dos donos do mundo, em maior ou menor escala para uma nação que sobrevive há mais de 50 anos a um bloqueio imundo e vergonhoso imposto pelo adestrador maior.

E pela simples razão que entendeu que é dona de seu nariz.

Há muitas formas de caminhar. Nossas elites rastejam diante do capital estrangeiro, das maravilhas do capitalismo, lambem botas e caem de quadro, mas são pródigas em fustigar os “cãezinhos” trabalhadores com chicotes tal e qual a concepção de um primata que ocupa uma cadeira no Senado, o tal Demóstenes Torres.

Para ele, os africanos foram os culpados pela escravidão, pois exportar negros era um “item da economia africana”.

Não sei se Demóstenes é vacinado, não deve ser, nem ele e nem Kátia Abreu, mas devem ser e com urgência, antes que contaminem o Brasil com o vírus José Collor Arruda Serra. Dá uma baita dor de barriga, fome, traz de volta toda aquela noite sombria e desesperadora de seu guru, o ex-presidente FHC.

Fora isso estenda-se ao sol, imagine-se integrante das elites e não se esqueça dos chinelos e dos jornais do banqueiro nosso de cada dia.

E acima de tudo esteja pronto/a para reinserir-se no “mercado” se for o caso.

Mandela

Mandela e os 30 anos do PT

Por Eduardo Suplicy

Coincidentemente, comemoramos na mesma semana os 20 anos da libertação de Nelson Mandela (em 11 de fevereiro de 1990), e os 30 anos da fundação do Partido dos Trabalhadores, em (10 de fevereiro de 1980).

Na segunda metade dos anos 70, como professor de economia na EAESP-FGV e redator de artigos de economia da Folha de S.Paulo, recebi a recomendação de amigos: “Seus artigos são muito lidos, seria bom você defender suas ideias no parlamento”. Considerei, então, eleger-me deputado e, assim, em 1978, fui eleito deputado estadual pelo MDB. Já interagia com os movimentos sociais e sindicais, como o dos metalúrgicos de São Bernardo, de professores, motoristas de ônibus, garis e outros em São Paulo. Observava que os responsáveis pela política econômica deviam ouvir não apenas os empresários, mas também os trabalhadores, diretamente afetados por suas decisões. Em 1979, com a extinção da Arena e do MDB pelo presidente Ernesto Geisel, vários líderes sindicais e intelectuais resolveram fundar o PT. O objetivo era dar voz e vez aos que, por séculos, estavam à margem das decisões sobre a vida pública brasileira e construir uma nação solidária, igualitária e justa. Fui convidado para participar da fundação do PT na histórica reunião do Colégio Sion, com outros cinco deputados estaduais: Irmã Passoni, João Baptista Breda, Geraldo Siqueira, Marco Aurélio Ribeiro e Sérgio Santos. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ali estavam Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Freire, Perseu Abramo.

Assim como Nelson Mandela, que presidiu a África do Sul de 1994 a 1999 com apoio do Congresso Nacional Africano (CNA), o presidente Lula e o PT continuam a dar passos importantes para o avanço dos direitos à cidadania. Entre as ações bem-sucedidas de Mandela está a criação da Comissão da Verdade e da Reconciliação, presidida pelo Bispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz. Essa comissão percorreu a África do Sul, ouviu as pessoas e familiares das vítimas de atrocidades cometidas durante o Apartheid, bem como os responsáveis pelos abusos. Na medida em que esses reconheciam terem cometido tais desmandos, estabeleceu-se a verdade e pôde haver a anistia. Conforme mostra o excelente filme Em minha terra, o triunfo da verdade colaborou para a reconciliação e a democratização daquele país, propósito semelhante ao que a Comissão de Verdade e Reconciliação, prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos, deseja realizar no Brasil.

Eduardo Suplicy é senador
(Caros Amigos)

sexta-feira, 12 de março de 2010

IRÃ: A HISTÓRIA QUE A MÍDIA NÃO CONTA

IRÃ: A HISTÓRIA QUE A MÍDIA NÃO CONTA!! (YouTube)

O golpe ocorreu em um período de grande efervescência da história iraniana e no auge da guerra fria. Mossadegh ( ler nessa edição ) era então chefe da Frente Nacional, organização política, fundada em 1949, que militava pela nacionalização da indústria petrolífera, na época sob dominação britânica, ... O golpe ocorreu em um período de grande efervescência da história iraniana e no auge da guerra fria. Mossadegh ( ler nessa edição ) era então chefe da Frente Nacional, organização política, fundada em 1949, que militava pela nacionalização da indústria petrolífera, na época sob dominação britânica, bem como pela democratização do sistema político [3]. Essas duas questões empolgavam a população, e a Frente Nacional tornou-se rapidamente o principal ator da cena política iraniana. Em 1951, o xá Mohammed Reza Pahlevi foi forçado a nacionalizar a indústria petrolífera e a nomear Mossadegh primeiro-ministro, provocando um confronto aberto com o governo britânico. O Reino Unido reagiu organizando um embargo geral ao petróleo iraniano e iniciou manobras de longo prazo visando derrubar Mossadegh.

Adicionado em: 21:34(30 minutos atrás)
Duração: 06:20


Enviado Por ROSA PAZ

Os royalties do pré-sal

POR Urariano Mota

Esta discussão é muito, muito importante - fundamental -, e mais uma vez passa pelo governo de Pernambuco. Sem qualquer ufanismo besta de província ("ufanismo besta de província" = redundância da redundância) acompanhem, por favor. Em http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/12/os-royalties-do-pre-sal-por-eduardo-campos/#more-51283

12/03/2010 - 12:19

Os royalties do pré-sal, por Eduardo Campos
Por Graça
Interessante ver os comentários do governador de Pernambuco sobre o assunto. Para ele a aprovação da emenda é resultado da radicalização imposta pelos estados produtores no começo do debate sobre a partilha do pré-sal. “Tal postura terminou por inflamar a base e ninguém se sentiu à vontade para buscar o caminho do entendimento, que era a sugestão inicial”, ponderou. Disse ainda que ” Agora, o Rio não pode perder R$ 7 bilhões. Então, temos que sentar à mesa com o governo federal e encontrar uma saída”.

Vamos evoluir para um ganha-ganha. Só assim o processo será bem-sucedido.

Ver :

Vitória dos estados
do Diario de Pernambuco
Governador se mostrou satisfeito com a divisão dos lucros do pré-sal com os estados, mas acredita que o Rio não pode sair no prejuízo

Ao comentar ontem a decisão da Câmara dos Deputados sobre a redistribuição dos royalties do pré-sal, o governador Eduardo Campos (PSB) se mostrou satisfeito com a aprovação da proposta, mas também reconheceu o prejuízo que será causado ao Rio de Janeiro.



Na noite da última quarta-feira, os parlamentares aprovaram por 369 votos a favor e 72 contra a emenda dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que determina a divisão igualitária dos recursos. A medida prevê que 40% dos royalties sejam destinados à União e os 60% restantes distribuídos entre estados e municípios, usando os critérios do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).

Para o socialista, a aprovação da emenda é resultado da radicalização imposta pelos estados produtores no começo do debate sobre a partilha do pré-sal. “Tal postura terminou por inflamar a base e ninguém se sentiu à vontade para buscar o caminho do entendimento, que era a sugestão inicial”, ponderou. O governador foi o primeiro gestor a levantar a questão da divisão dos recursos do pré-sal. “Tentamos reparar uma injustiça. A maioria venceu a minoria e isso gerou um problema. Agora, o Rio não pode perder R$ 7 bilhões. Então, temos que sentar à mesa com o governo federal e encontrar uma saída”, afirmou referindo-se à projeção de que, com a mudança nas regras de distribuição dos royalties, aquele estado deverá perder cerca de R$ 7,2 bilhões.

Eduardo acredita, inclusive, na tese de que o país não abandonará o debate sobre o pré-sal diante da polêmica criada em torno do caso. “No Senado, vamos tentar construir uma visão com mais equilíbrio”. Na concepção do governador, a distribuição estava desequilibrada para o lado dos estados dito produtores, agora se equilibrou com o conjunto do país. “Mas se gerou ocasionalmente um desequilíbrio no Rio de Janeiro, temos que buscar uma saída”.

Ao ser questionado se faltou o sentimento de federalismo aos governadores dos estados produtores, Eduardo enfatizou que “faltou federalismo” quando a lei dos royalties foi elaborada de forma que excluiu o Brasil. “Quando o Brasil viu que estava excluído, indignou-se. Os parlamentares não iam votar contra seu povo, seus estados, sobretudo em se tratando de um ano eleitoral. Como eles iam chegar em suas bases e dizer que votou contra seus interesses, que viram uma injustiça e não tentaram repará-la?”, destacou, ao justificar o posicionamento da Câmara.

O governador criticou, ainda, a atitude de alguns governistas que levantaram a possibilidade de o presidente Lula (PT) vetar o projeto. “Precisamos produzir um texto que seja equilibrado para que o presidente possa sancionar uma lei, que seja a lei do entendimento. Agora, ficar dizendo que Lula vai vetar é jogar o presidente em uma disputa que ele não está envolvido”.

chanceler disse:
12/03/2010 às 12:40
Sóbrio! Esse Eduardo tem o DNA de um dos homens mais valorosos que o Brasil já teve na política, MIGUEL ARRAES DE ALENCAR.
O Eduardo não é nehuma BRASTEMP (ARRAES), mas tem suas qualidades como administrador.
Espero que no processo de encaminhamento das discussões sobre a sucessão ele não falte à LULA, uma vez que sua boa administração em nosso Estado está diretamente relacionada com a tabelinha de craque governo federal-Pernambuco.
Respeitosamente, CIRO tem de buscar o melhor caminho para consolidar DILMA como candidata da aliança situacionista.
Parabéns, dudu!



Barral disse:
12/03/2010 às 13:39
Me parece que a proposta original dos governadores, liderados por Eduardo Campos, era alterar a regra de partilha dos royalties apenas para os pré-sal, mantendo, portanto, o ganho atual dos estados produtores. Devido a radicalização do governador Cabral se levou à votação uma proposta mais radical que revê toda a partilha, impondo perdas pesadas ao Rio… quem tudo quer, nada consegue…
Agora, depois dessa demonstração de força, a conversa no Senado vai ser outra…



Jean disse:
12/03/2010 às 13:09
Quem mora em Macaé, Rio das Ostras e Campos do Goytacazes sabe muito bem como será bom a redistribuição dos royalties. Só quem está achando ruim é quem, de certa forma, se aproveitou desses recursos para outros fins. A principal pergunta está passando em branco e até agora não ouvi ninguém fazer e ninguém responder. O QUE FOI FEITO COM TODA ESSA DINHEIRAMA (ROYALTIES E IMPOSTOS DEVIDO A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO), nas cidades beneficiadas?? A partir desta, têm-se mais e mais perguntas!! Quem souber responder pode começar.

Abraços!



Bernardo Galheiro disse:
12/03/2010 às 13:19
O comentário do Eduardo Campos joga luz no estilo de fazer política do Governador Sérgio Cabral. Apesar de se aliar pragmaticamente ao Governo Federal, proporcionando entrada de recursos para infra-estrutura no Estado (após quase 30 anos, desde o fim do Governo Chagas Freitas ainda na ditadura militar), Sérgio Cabral faz política baseando-se principalmente no confronto, muitas vezes com toques exagerados de agressividade, com seus adversários.

Sérgio Cabral se aliou a diferentes setores da sociedade na eleição de 2006. Apesar de pertencer à base de apoio do casal Garotinho, era um dos poucos que buscava o diálogo com o empresariado e setores do funcionalismo. Vale lembrar que o casal Garotinho, quando se promovia na propaganda partidária, dava como exemplo do desempenho da economia a alta de produção…da Petrobras!!! E dava para si os créditos sobre a modernização da indústria naval…que cabia à Petrobras também. Os funcionários públicos, policiais e estudantes, quando faziam greve, sequer eram recebidos por Garotinho. Cabral ganhou espaço com eles, apesar de não ser de esquerda, porque tentava intermediar o diálogo. No pós-eleição, conseguiu conquistar o apoio do PT, PC do B PSDB, seu principal adversário político nas eleições.

Tudo isso, de certa forma, acabou após as eleições. Ao defender a privatização do Aeroporto Tom Jobim (ex-Galeão), por exemplo, impediu de todas as formas que David Neeleman, que tinha acabado de lançar a Azul, utilizasse o Santos Dumont como sua base principal. Chamou-o de “gringo, lobista e mentiroso”. Quando a ANAC liberou o Santos Dumont para receber vôos além da Ponte Aérea, Cabral e Paes chamaram a Solange Vieira com adjetivos que nunca deveriam ter saído da boca de uma autoridade pública. Afinal, chamar a presidente da ANAC publicamente de “arrogante e petulante” soa, sem querer entrar no mérito de ser verdadeira ou não a afirmação, uma descortesia absurda. Sua política de segurança pública, baseada no enfrentamento direto contra os traficantes, é defendida utilizando argumentos do tipo “não discuto direitos humanos com traficantes”, tentando jogar defensores de direitos humanos do mesmo lado de bandidos. Isso porque muitos civis tem morrido na guerra ao tráfico.

O caso do pré-sal acabou por ser mais um exemplo. O Rio de Janeiro poderia ter utilizado como moeda de troca a histórica questão do ICMS sob o petróleo, onde o Rio não ganha nada por produzir, em detrimento dos que vendem o petróleo. A simples condenação da Emenda Ibson jogou o Rio contra 23 Estados da Federação, um Fla-Flu muito desvantajoso.

Aliás, Nassif, você poderia escrever uma coluna sobre o estilo neocon de fazer política. As atitudes de Cabral lembram as de Collor, ao afirmar que “eu tenho aquilo roxo”.

Eduardo CPQ disse:
12/03/2010 às 13:40
Caro Luna,

a cada informação que vejo, em relação ao governador de Pernambuco, cresce meu respeito por ele.

Oa “estados produtores” foram burros e arrogantes e agora, “chorando” feitos crocodilos, tiveram que aceitar o revés.

O caminho indicado por Campos é, sem dúvida, o melhor a ser trilhado.

Abraços e bom fim de semana a todos.

Luiz Pereira disse:
12/03/2010 às 14:15
Olha, eu sou carioca da gema, nasci, fui criado e moro no Rio de Janeiro capital. Amo minha cidade e meu estado. Porém, ainda que leigo no assunto em matéria legal e constitucional, concordo que os frutos do petróleo sejam repartidos entre todos os estados, com ênfase nos mais carentes, não entre os estados produtores. O petróleo é da União, então a União tem que aplicar os recursos nas áreas mais carentes com o intuito de diminuir as desigualdades regionais.

Uma coisa que me irrita muito é a dependência do PIB fluminense em relação ao petróleo. O Estado do Rio tem que investir na expansão da indústria, dos serviços e da infraestrutura. O parque industrial do Rio, comparado aos de São Paulo e Minas, é medíocre. Aliás, essa disputa entre os PIBs fluminense e mineiro é ilusória. Tire a produção de petróleo do cálculo e veja o que sobra no Rio. O Rio se acomodou com a renda do petrróleo. Comparando com o futebol, como gosta de fazer o Lula, a situação é parecida com a construção do Maracanã. Com exceção do Vasco, que já tinha um bom estádio, os outros clubes se acomodaram. É ridículo o Flamengo, clube mais popular do país, não ter um estádio próprio.

Outra coisa: além do petróleo ser da União, a Petrobrás é uma estatal federal. O Governo do Estado do Rio nunca investiu um centavo nela, então como pode exigir ganhar mais do que os outros?

Dito isto, não acho que seja justo o Rio perder 7 bilhões de uma hora para outra, pois o orçamento e o planejamento de longo prazo contam com esta verba. Há de haver uma solução, talvez uma redução progressiva dos royalties do Rio, para que ele tenha tempo de se preparar para a nova realidade.

Comentario e analise : BP entra fundo no Pré-sal - A transação lhe custou US$ 7 bilhões.

BP entra fundo no Pré-sal
.
A notícia mais quente circulando hoje e que acaba de sair. Depois de algumas pesquisas concluí o seguinte:

A BP comprou todos os direitos da Devon Energy para explorar petroleo na camada do Pré-sal. A transação lhe custou US$ 7 bilhões.

Ao todo serão 10 blocos no Brasil cobrindo uma superfície de 1,4 milhoes de acres. A BP já tem parceria com a Petrobrás em 5 desses blocos.

A transação envolve todas as explorações de aguas profundas da Devon Energy no globo incluindo o Golfo do México e o Mar Cáspio na área do Azerbajão.

Segundo os interesses da Devon a companhia deverá se concentrar nas operações norteamericanas apenas em terra. Mas, segundo pude saber, a Devon no ano passado sofreu prejuízos de US$ 2,84 bilhões, e a Petrobras em janeiro desse ano comprou da Devon os 50% restantes dos direitos de explorar no Golfo do México. Logo, usando da reciprocidade de direitos, a BP fez uma movida contra a Devon para entrar fundo no Pré-sal.

Em novembro de 2009 a Devon deu início a perfuração de um poço exploratório no BM-C-32 na área ao norte da Bacia de Campos arrematada na na sexta rodada de licitação da ANP. Essa perfuração atingiria pela primeira vez a zona de Pré-sal do bloco. Esse seria o segundo poço exploratório perfurado na área. A primeira perfuração foi feita em 2006, em zona de pós-sal. Do BM-C-32 a sonda seria remanejada para o bloco BM-C-34 tambem operado pela Devon Energy. Segundo o programa exploratório estipulado pela ANP a petroleira teria que perfurar quatro poços para cumprir o contrato do programa exploratório.

Alguem no Brasil deu uma piscada muito demorada.

Agora, a BP é a maior exploradora de petróleo no Golfo do México e tudo indica que tambem será no Pré-sal. No Golfo do México a BP conta com mais de 650 blocos produzindo 400,000 barris de petroleo ao dia. A Devon tem interesses em mais de 450 blocos no Golfo que produzem @ 7% da producão de petroleo e gas da Devon Energy. Só isso?

Burrice da Petrobrás? Ou tem coelho nessa moita?

Por Marcos Rebello

A PETROBRAS VERSUS DILMA

A PETROBRAS VERSUS DILMA


Laerte Braga


O jornal THE GLOBE, um dos departamentos de uma agência de comunicação norte-americana voltada para a América Latina e, neste momento, porta-voz da candidatura José Collor Arruda Serra, editado no Brasil sob o título O GLOBO, estampou em sua primeira página da edição de hoje, 10 de março, que a ministra chefe do Gabinete Civil inflou os números dos investimentos da PETROBRAS neste ano. Dilma falou em 85 bilhões e a empresa, em nota oficial posterior, “corrigiu” para baixo, 79 bilhões de reais.

Pedro Bial, apresentador do BBB, capa da revista ROLING STONE do mês de março, disse em entrevista àquela publicação que

“Esse papo de credibilidade...quem quer isso é pastor, padre. Não vou fundar igreja, não quero que acreditem em mim. Os jornalistas em geral se levam muito a sério”.

É um dos golden boys da organização norte-americana. Ao fazer uma declaração desse jaez assume publicamente que pouco importa a veracidade do que diz, ou deixa de dizer (isso é muito importante) a agência para a qual trabalha ou os próprios jornalistas desse enclave estrangeiro na comunicação no Brasil.

Empresas públicas, estatais (de economia mista, como a PETROBRAS) são empresas construídas a partir dos contribuintes brasileiros, tomando por contribuinte todos os cidadãos deste País. Têm deveres o obrigações com o Brasil e os brasileiros. Não são feudos de grupos corporativos, montados em privilégios que não se justificam e nem têm nada a ver com a luta popular, no caso específico, a luta pela volta do monopólio estatal do petróleo.

Muito menos a PETROBRAS, resultado de uma história de lutas que deixou sangue escorrendo nas páginas de nossa História e abrigou figuras do porte de Monteiro Lobato, a campanha do PETRÓLEO É NOSSO…

Uma das dificuldades do presidente da Venezuela foi a de obter de um sindicalismo comprometido com as elites, compromissos com políticas públicas da PDEVESA. No documentário “A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA” o principal desses líderes aparece ao lado dos golpistas.

Setores estratégicos da economia de um País como o Brasil devem ser dos brasileiros, logo, estatizados. O governo FHC levou a cabo um processo de privatizações que, ao largo da corrupção que o caracterizou, entregou vários desses setores a grupos estrangeiros, abrindo mão de parte da soberania nacional, do próprio território no caso da privatização da VALE e das perspectivas de avanços tecnológicos já visíveis à época, para além desse conjunto de empresas, na EMBRAER por exemplo.

Da mesma forma que o sucateamento da IMBEL e da ENGESA é um crime de lesa pátria.

Empresas estatais qualquer que seja a sua natureza diferem de empresas privadas exatamente por aí.

Se o monopólio do petróleo é fundamental, de ponta a ponta, como no decreto assinado por João Goulart pouco antes do golpe e uma das razões do golpe desfechado pelos EUA contra àquele governo (comandando e através da maioria das forças armadas brasileiras), é exigência mínima que esse monopólio sirva aos interesses nacionais e não a corporações de funcionários, sindicatos, ou conjunto de forças aos quais se agrega parte das elites políticas e econômicas.

O presidente Lula ou chama o diretor, ou responsável pela “correção” e determina que a verdade seja dita, ou manda de vez, que esse cidadãos, ou esses se for o caso, peçam o boné e instalem-se de vez onde deveriam estar. No esquema FIESP/DASLU, enclave territorial estrangeiro em nosso País, uma espécie de Mônaco dentro do Brasil, levando-se em conta que o principado europeu é o paraíso de sonegadores, mafiosos, o de sempre.

É claro que nem todos os setores sindicais da PETROBRAS (está citada aqui por conta do fato, a discrepância entre o que foi dito pela ministra e o que foi dito pela empresa, subordinada ao presidente da República, à própria ministra) têm esse compromisso pelego e anti-nacional, corporativo. Mas é evidente que muitos deles têm a estatal como propriedade privada e geradora de privilégios que nada têm a ver com o povo brasileiro.

Dessa deformação surgiram argumentos capazes de iludir os brasileiros à época de FHC, que privatizando estaríamos tomando o caminho do futuro. Nos afundamos na irresponsabilidade criminosa do ex-presidente que, pelo visto, mantém bastiões dentro da empresa.

Empresa privada em setores estratégicos da economia, capazes de gerar tecnologias de ponta e manter preservadas e intactas a soberania nacional e a integridade de nosso território são uma aberração. Uma contradição, não existe isso.

É o caso da VALE, da EMBRAER, dos setores de mineração, da produção e distribuição de energia elétrica e telecomunicações. Do setor bancário.

Ficamos com as privatizações como que uma nação torta, senhora de parte do seu destino e governada de fora para dentro de outra parte. Há pouco mais de três anos o governo venezuelano desejava comprar aviões da EMBRAER e o governo dos EUA que têm participação na empresa vetou a operação.

Há bem mais que recuperar o monopólio estatal do petróleo. É fundamental reestatizar esses setores básicos da economia. E dar-lhes transparência e caráter popular, do contrário acabam apoiando golpes, ou trazendo a público declarações como a contida na nota oficial que “desmente” a ministra, com claros e notórios interesses políticos de corporações pelegas que se alojam nas estatais, escondidos na bandeira do Brasil brasileiro, mas com a roupa de baixo pronta para ser mostrada ao BRAZIL dos EUA.

O que foi construído por FHC e que agora espera que José Collor Arruda Serra conclua a “obra”.

O sindicalismo brasileiro, em boa parte, perdeu suas características de instrumento de luta da classe trabalhadora, para transformar-se parceiro das elites políticas e econômicas, mesmo quando empunha bandeiras públicas de defesa do interesse nacional.

O episódio envolvendo a PETROBRAS e a ministra Dilma Roussef mostra que ou o governo age como Chávez agiu na Venezuela, dá transparência a estatal de petróleo, compromete-a com políticas populares (há setores do sindicalismo na empresa que têm essa visão, não mergulharam no corporativismo pelego e nem na visão estritamente técnica/cega), ou vai ser tragado pelo peleguismo, pelo tecnicismo dos que entendem que ser popular é só aparecer na camisa do Flamengo.

E outra vez o discurso privatizante que tanto prejuízo causou e causa ao Brasil e brasileiros vai ganhar força.

THE GLOBE e todo o conjunto chamado grande mídia está aí cheio de gente como Pedro Bial, para os quais credibilidade é irrelevante. Bial só tornou mais clara a declaração de William Bonner que o telespectador do JORNAL NACIONAL é “Homer Simpson”, um nível abaixo do leitor contumaz de VEJA, a tal classe média.

O episódio é em si, por si, ilustrativo dessa situação. Defensores da privatização, tucanos/DEM e pelegos sindicais precisa ser afastados e enquadrados.

Do contrário a PETROBRAS não é do Brasil e nem dos brasileiros, mas de uma pequena corporação de privilegiados.

A ministra não mentiu, quem agiu de maneira solerte e deliberada foram setores da empresa comprometidos com o que quer que seja, mas certamente não o são nem com o Brasil e nem com a PETROBRAS como empresa estatal.

A grande frustração do esquema FIESP/DASLU, é que a princesa de Mônaco era Grace Kelly, agora Caroline, enquanto a de cá ou é Miriam Leitão, ou Lúcia Hipólito ou o terror da Amazônia, miss desmatamento, a senadora corrupta do DEM que atende pela alcunha de Kátia Abreu.

Sábado resistente: AS REFORMAS DE BASE DO PRÉ-1964 E A SUA ATUALIDADE

Sábado Resistente

13 de Março 2010, das 14h às 17h30

Memorial da Resistência de São Paulo – Largo General Osório, 66 – Luz

AS REFORMAS DE BASE DO PRÉ-1964 E A SUA ATUALIDADE

Às vésperas do golpe de Estado de 1964, o Brasil vivia um processo de importantes transformações sociais modernizadoras e democratizantes. Durante a curta existência do governo João Goulart (de setembro de 1961 a março de 1964), um novo contexto político tinha se aprofundado no país, sendo marcado por propostas governamentais de cunho popular, as quais acirraram ainda mais a luta social, política e ideológica já movimentada do período. De um lado uma crescente mobilização das classes populares (com destaque para a ampliação do movimento sindical operário e dos trabalhadores do campo), que se confrontava cada vez mais, de outra parte, com uma organização e ofensiva política dos setores empresariais e militares alinhados com os interesses do imperialismo norte-americano. Sabe-se quem levou a melhor na história...

Um dos eixos centrais daquela polarização, ainda que pouco debatido atualmente, foram as chamadas “Reformas de Base” propostas pelo presidente Jango, as quais de certa forma sintetizavam algumas das principais reivindicações dos setores populares e se transformaram num dos estopins utilizados para a direita civil-militar consumar o seu golpe. Um dos episódios-marco deste contexto foi o “Comício da Central do Brasil”, realizado por Jango justamente em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, durante o qual o presidente anunciou importantes avanços das Reformas, incluindo a desapropriação de grandes latifúndios, re-nacionalização de refinarias em favor da Petrobrás, e importantes medidas para a reforma urbana. O comício viria a acelerar, por parte das elites civis-militares, a consumação do golpe.

Para debater este importante momento da história brasileira, os projetos políticos ali em jogo, seus desdobramentos e sua atualidade, o Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência de São Paulo convidam para um debate dentro da programação do “Sábado Resistente”.

A atividade deverá também ser transmitida ao vivo pela internet, com o apoio da VIATV (www.viatv.com.br).

Programa:

14h - Boas-Vindas Katia Felippini – Museóloga - Memorial da Resistência de São Paulo

14h15 - Apresentação/Coordenação Ivan Seixas – Jornalista, ex-preso político – Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política e do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo

14h30 – DEBATE: “AS REFORMAS DE BASE DO PRÉ-1964 E A SUA ATUALIDADE”

João Vicente Goulart – Filósofo, filho do ex-presidente deposto João Goulart (Jango) – Presidente do Instituto Presidente João Goulart.

Maria Aparecida Aquino – Historiadora – Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e Professora Adjunta da Universidade Presbiteriana Mackenzie

Rafael Martinelli – Ferroviário, ex-preso político – Presidente do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo


Os Sábados Resistentes são promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência de São Paulo. Trata-se de um espaço de discussão entre militantes de diversas causas, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados em geral no debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados têm como objetivo central estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação.

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura da 2ª Conferência Nacional de Cultura

Discurso do Presidente da República,

Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de abertura da

2ª Conferência Nacional de Cultur
a



Teatro Nacional Brasília-DF, 11 de março de 2010





Olha, o pessoal que estava com uma faixa, com uns cartazes, aí, PEC 150, se esqueceram de uma coisa: poderiam ter levantado a faixa quando a Dilma estava falando. É importante atentar para o momento de levantar a faixa. Isso também é cultura.

Bem, eu quero cumprimentar minha companheira Marisa,

Nossa querida companheira, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff,

O ministro Juca Ferreira,

O ministro Patrus Ananias,

O nosso companheiro, ministro interino da Ciência e Tecnologia, nosso companheiro Luís Antônio Rodrigues Elias,

O nosso querido homem olímpico, aqui, o nosso companheiro Orlando Silva, que teve um papel extraordinário na conquista da Olimpíada em Copenhague, no ano passado,

Nosso querido companheiro Luiz Dulci, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República,

Nosso companheiro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social,

Companheiro Paulo Vannuchi, Direitos Humanos,

Senador Augusto Botelho, que estou vendo ali sentado vocês também deveriam mostrar a PEC para quem é deputado e senador,

Deputado Evandro Milhomen,

Companheiro Magela,

E companheiro Zezéu Ribeiro, que estou vendo aqui na minha frente, que tem uma música de campanha horrível na Bahia: Zezé, eu vou votar em você. A música dele é só isso. Mas já está com cinco mandatos nas costas.

Quero cumprimentar a nossa querida Silvana Meireles, coordenadora da 2ª Conferência Nacional de Cultura,

A nossa querida companheira Anita Pires, presidente do Fórum de Dirigentes de estados [Estaduais] de Cultura,

Quero cumprimentar a nossa companheira Jandira Feghali, presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Cultura das regiões metropolitanas,

Meu querido Gog, representante dos membros do Conselho Nacional de Política de Cultura [Cultural],

Nossa querida Zezé Motta e Murilo Grossi, por meio de quem cumprimento todos os companheiros e todas as companheiras presentes e adjacentes aqui. Pegue o meu discurso aqui.



Eu, a esta hora da noite, a esta hora da noite, quando eu vou falar, eu fico preocupado porque a Marisa fica me controlando, e ela acha que quando eu falo demais não é prudente. Ela fica... A minha... a maior censura que eu recebo é ela controlando o meu tempo. Eu tinha um moleque que quando ele tinha sete anos de idade, eu estava em Mauá fazendo um discurso, daqueles eloquentes sabe quando a gente é incipiente na política, muito novinho, acredita em tudo? , e o discurso era uma verdadeira apoteose revolucionária. Eu tinha um moleque de sete anos, que subiu na escada do palanque e falou: Ô pai, o senhor não quer parar de encher o saco? E eu não parei, continuei falando.

Eu queria dizer para vocês o seguinte. Nós... nós, não. Eu estou muito agradecido. Eu também te amo. Eu estou muito agradecido pela presença... Ô Dilminha, isto aqui não é tudo conferencista, não; são delegados. Isto aqui são... Conferencista, deve ter meia dúzia aqui na frente. O resto é tudo delegado, tudo delegado. Delegados e delegadas. Eu quero, do fundo do coração, agradecer a presença de vocês aqui. Sessenta por cento das pessoas aqui, companheiro Juca você sabe disso , companheira Dilma, são companheiros que vêm de cidades do interior deste país, que nunca tiveram a chance de participar de uma conferência para discutir a política cultural do País, e muito menos de estarem diante do Presidente da República e de tantos ministros.

Parece pouco, mas se a gente for olhar a quantidade de degraus que nós já subimos nessa nossa trajetória de conquista de liberdade, vocês vão perceber que nós caminhamos para caramba. E caminhamos sem preocupações de agradar a quem quer que seja, de ofender a quem quer que seja

, mas de [para] construir uma relação entre o Estado e a sociedade em que a gente possa consagrar, definitivamente, a democracia no nosso país. Há muito tempo, eu dizia: democracia não é apenas o direito de a gente gritar que está com fome. Democracia é, sobretudo, o direito de comer. Democracia não é apenas a gente reclamar; é a gente ter direito às coisas.


E eu lembro que, muitas vezes, a gente joga a responsabilidade da falta de democracia apenas num governante quando, na verdade, tem uma estrutura maior do que os governantes, que emperra o exercício da democracia. O quanto que este menino, Juca de Oliveira... Juca Ferreira e o Gilberto Gil apanharam porque resolveram pegar um tiquinho do dinheiro da Cultura deste país e levar para o Norte, para o Nordeste e para o Centro-Oeste brasileiro. Como eles foram massacrados, porque as pessoas entendiam que todo o dinheiro da Cultura deveria ficar onde sempre esteve, que nós entendíamos que onde sempre esteve se produz muita cultura. Mas é importante que onde sempre esteve o dinheiro saiba que tem outros lugares do Brasil que produzem tanto ou mais cultura do que eles, embora não seja mostrada ao Brasil.


Eu, esses dias, estava vendo que tem um filme chamado... que ganhou... que não ganhou o Oscar, mas que ganhou uma quantidade de dinheiro extraordinária. Foi o filme que mais bilheteria teve; custou US$ 400 milhões para fazer, o Avatar. Quatrocentos milhões de dólares! Vocês imaginem que os artistas, nas reuniões, devem comer caviar, champanhe da melhor qualidade. O coitado do Barreto, para fazer o filme, aí, Lula, o filho do Brasil, teve que colocar, no começo do filme, quase pedindo desculpas: Pelo amor de Deus, não teve empresa pública que deu dinheiro, foi essa daqui que deu.... Porque a pressão era de tamanha ordem, que a gente tinha que ficar se explicando antes de fazer. E isso, o Brasil é assim, o Brasil é assim.

Eu lembro quanta curiosidade desperta o ministro Franklin Martins quando resolveu diminuir o gasto com publicidade nas TVs, pagando apenas a mídia técnica, ou seja, você vai ganhar pelo que você vale e não pelo que você pensa que vale. As pessoas não acreditam e as pessoas não acham normal.

Aliás, neste país, eles não estavam acostumados a ter um presidente da República que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar este país. É por isso que esta aqui, com esta aqui nós já fizemos 67 conferências nacionais, 67 conferências nacionais, e muitas delas muito polêmicas. As pessoas estabelecem as polêmicas achando que este que vos fala tem medo de polêmica. Eu sou o resultado da polêmica. Eu só cheguei à Presidência da República porque eu sou isso.

Pois bem, mais recentemente nós fizemos a Conferência de Comunicação, e resolvemos trazer empresários, todos, televisão, rádio, telefonia, tudo que é gente da área de Comunicação, todo mundo nós convidamos. Um grupo de empresários não quis comparecer, outro grupo compareceu, e foi um debate extraordinário. As pessoas perceberam que ninguém, mesmo com pensamentos e visões diferentes, saiu arranhado porque participou da Conferência. Mas as pessoas também perceberam que não é ser radical ou xiita, ou querer que o Estado seja mais forte do que qualquer outra coisa ou qualquer outro momento, a gente querer discutir política de Comunicação para este país, porque a revolução que a Comunicação está tendo a cada santo dia não pode continuar com uma lei que data de 1962. Tem que ser atualizada para os momentos que vivemos.

A Dilma falou de banda larga. Vocês não sabem como é difícil, companheiros e companheiras. Há seis anos, nós descobrimos que este país tinha uma empresa chamada Eletronet, que era uma empresa que tinha sido privatizada quando privatizaram o sistema elétrico brasileiro, e que aquela empresa canadense, a AES, tinha quebrado e, portanto, a Eletronet tinha que voltar para o governo. Eu achei que era fácil, era do governo, a empresa quebrou, tem fibras óticas para tudo quanto é lado, vamos fazer... levar internet para este povo, porque senão a internet vira uma coisa de bacana, e nós queríamos que o povo tivesse acesso, até para o povo também virar bacana, fazer um país onde todo mundo fosse bacana. Se o cara não pode pegar um avião e viajar, viaja na internet, viaja e vai ganhando o mundo.

Meus filhos, nós demoramos cinco anos na Justiça para ganhar o direito de ter essa empresa de volta. E quando tivemos, começaram a dizer: Ah, porque o Estado quer se meter, porque o Estado quer mandar, porque o Estado quer estatizar. E aí começaram a dizer, as privadas: Nós fazemos, nós fazemos, nós fazemos. Eu dizia para os companheiros no governo: eles podem fazer, acho que devem fazer, mas só vão fazer na hora em que eles perceberem que o Estado está preparado para fazer, e se eles não fizerem o Estado fará, porque se o Estado não estiver preparado, eles não farão. Ninguém quer levar internet banda larga para o rio Solimões, para o rio Tocantins, lá para a periferia de Osasco (incompreensí vel). As pessoas querem levar internet onde tem público. É como o telefone fixo, é como o Luz para Todos. É melhor fazer ligações na Avenida Copacabana, mesmo que tenha alguns gatos, mesmo que tenha alguns gatos, do que fazer lá no sertão de Pernambuco, lá nos cafundós da Bahia, lá no... na Paraíba, porque as pessoas só pensam no lucro.

E como Deus escreve certo por linhas tortas, aconteceu uma crise internacional, que era o que faltava para que os meus opositores dissessem: Acabou a sorte do Lula. Agora, agora, como diria o nordestino ele vai se ferrar, porque com essa crise não tem sorte. E nós provamos para eles que, para lidar com a crise, nós não queríamos sorte. Nós tínhamos acumulado competência e tínhamos acumulado compromissos neste país.

Bem, então, o País está andando e vocês estão percebendo.. . prestem atenção, gente. Se vocês são como eu, que não gostam muito de ler notícia ruim, comecem a prestar atenção no noticiário, porque política e eleição também são cultura, sobretudo o resultado, sobretudo o resultado. Então, prestem muita atenção daqui para a frente, fiquem atentos, leiam editoriais de jornais, que a gente pensa que só o dono lê. De vez em quando é bom ler para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles fosse a única voz pensante no mundo. Se não querem acreditar em mim, peguem alguns editoriais de 1953, quando se pensou em criar a Petrobras, o que eles falavam: Que o Brasil não precisava fazer prospecção de petróleo. Aqui não tinha petróleo. O Brasil tinha que se enxergar. Porque o Brasil, ele foi criado com mania de pequenez. A gente esteve sempre muito subordinado, subordinado, aquela coisa de... sabe, de segunda classe?

Quando eu era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, uma vez nós colocamos um carpete amarelo na minha sala, está lembrada, Marisa? Um carpetão, daquele bem grosso, bem rústico. Mas o peão, quando trabalha na fábrica, que ele trabalha com o sapato, o sapato dele enche de cavaco aqui. Cavaco é uma coisa de ferro que sai das máquinas e gruda. E gruda mesmo. Aquilo sai quente, ele pisa em cima e gruda. E quando ele vai andando, se ele pisa num lugar limpo, vai ficando o rastro de óleo. Então, um dia um cara chegou na minha sala e foi tirar o sapato para entrar na minha sala. Eu falei: o que é isso, companheiro? E aí, ele falou: Ô Lula, é que eu vou sujar de graxa. Eu falei: mas foi você que pagou isto aqui, meu filho. Você não é sócio do Sindicato? Entra. Aí, quem sabe, a gente troca e coloca um melhor. Porque, também, se não tiver uma rápida manutenção, a economia não gira. Pois bem...

Vocês, ao participarem das conferências municipais, das conferências estaduais. Vocês viram que eu estou ficando com o jeitinho do Antônio Nóbrega, aqui? Daqui a pouco eu começo... (incompreensí vel). Falta... Bem, vocês, que participaram dessas conferências, vocês, possivelmente não tenham dimensão da contribuição inestimável gostaram do inestimável? Eu, quando ganhei as eleições, eu falava menas laranja. Agora estou falando inestimável. A evolução é visível! Bem, então... Possivelmente, possivelmente, vocês não tenham dimensão da contribuição que vocês estão dando ao país ao saírem das suas cidades, muitas vezes, da tranquilidade da casa de vocês, assistindo esses filmes extraordinários, desses enlatados, dessas TVs a cabo, que às vezes o mesmo filme passa 80 vezes por dia! Eu não entendo uma palavra em inglês, mas já decorei (incompreensí vel), já aprendi aquela tal de leitura labial, porque eu já vi... é impressionante! Lelé, tem filme que passa 90 [vezes], você já não aguenta mais, os artistas já viram íntimos da gente! Eu ligo a televisão e o cara fala: Oi, Lula! A Marisa já acha que são parentes dela os artistas que passam lá, porque...Entã o...

Quando a gente defende o fortalecimento da cultura brasileira, a gente mexe com interesses de pessoas que não estavam acostumadas a ver o posso sonhar, como disseram aqui, antes de mim. É muito difícil, gente, aguentar um povo que sonha, um povo que quer reivindicar, um povo que conhece os seus direitos, é difícil! Ah, como é bom a gente... se a gente governasse um país onde ninguém pudesse falar nada, ninguém! Mas nem bater palma e nem vaiar, era silêncio! Eu acho... pois é, tem gente que gosta que é assim, tem gente que gosta porque, veja, nós temos um meio de comunicação em que a gente, a gente tem acesso à cultura passiva, a gente não ajuda a criar. O que nós queremos é que a sociedade ajude a criar as coisas neste país, porque será mais bonito, porque será mais rico! Eu fico imaginando, companheiras e companheiros, uma pessoa que mora em Tarauacá, no Acre. Tem alguém do Acre aqui? Tarauacá, no Acre; ou Maués, no Amazonas; ou na minha Caetés, na Grande Pernambuco. Vocês sabem, vocês sabem que Pernambuco está tão chique, que em Caruaru teve um terremotozinho! Vocês viram nos jornais. Não é mole, Pernambuco!

Então, vocês imaginem, vocês imaginem se a gente tivesse os meios de comunicação com produção local. Imaginem, imaginem se as pessoas que se apresentaram aqui pudessem se apresentar às três horas da tarde em um programa de televisão no Maranhão, no Amazonas, em Pernambuco, no Piauí, no Acre, em Rondônia, no Amapá, no Mato Grosso, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro. Imaginem se as pessoas, em vez de ficarem vendo aqueles filmes da década de 40, estivessem assistindo a um programa feito ali na sua região, com os seus artistas, com debate local, discutindo as coisas locais, como este país seria mais rico! E aí, a televisão nacional iria chamar essas pessoas de outros estados para se apresentarem. O Pará! Meu filho, imagine se a televisão mostrasse a dança do carimbo. Imagine! As pessoas não sabem, as pessoas não sabem. Imaginem, imaginem se o frevo fosse uma coisa que o brasileiro conhecesse mais fortemente! Eu, eu... O Ceará, meu filho! Imaginem, com a quantidade de artistas cearenses contando piadas da desgraça do Presidente, como seria bom!

Bom, então, o que nós sonhamos e o que nós queremos é isso: é tentar, ao mesmo tempo em que a gente quer alargar a possibilidade de participação da sociedade numa comunicação globalizada, internacionalizada, a gente quer regionalizar para que a gente possa também despertar a cultura local, regional. Seria extraordinário isso.

Então, ô Dilma, se você veio aqui conferir se está tudo nos conformes, eu vim aqui dizer para vocês que o importante é o principal, o resto é secundário.

Parabéns! Um grande abraço e boa Conferência.

Enviado por Carlos Caridade
http://www.carcari. com/

DEM e PSDB planejavam privatizar a Petrobras e Banco do Brasil

DEM e PSDB planejavam privatizar a Petrobras e Banco do Brasil


Oposição Mentirosa: DEM e PSDB planejavam sim, privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil
Adicionado em: 18:23(2½ horas atrás)
Duração: 02:12

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EUA

Os EUA estão doentes

Por Boaventura de Sousa Santos - de Coimbra, Portugal


Milhares morrem todos os anos por falta de plano de saúde nos EUA
Em sentido metafórico, a sociedade norte-americana está doente por muitas razões. Há mais de trinta de anos passo alguns meses por ano nos EUA e tenho observado uma acumulação progressiva de "doenças", mas não é delas que quero escrever hoje. Hoje escrevo sobre doença no sentido literal e faço-o a propósito da reforma do sistema de saúde em discussão final no Congresso. As lições desta reforma para o nosso país são evidentes. Os EUA são o único país do mundo desenvolvido em que a saúde foi transformada em mercadoria e o seu provimento entregue ao mercado privado das seguradoras. Os resultados são assustadores. Gastam por ano duas vezes mais em despesas de saúde que qualquer outro país desenvolvido e, apesar disso, 49 milhões de cidadãos não têm qualquer seguro de saúde e 45 mil morrem por ano por falta dele. Mais, a cada passo surgem notícias aterradoras de pessoas com doenças graves a quem as seguradoras cancelam os seguros, a quem recusam pagar tratamentos que lhes poderiam salvar a vida ou a quem recusam vender o seguro por serem conhecidas as suas — condições pré-existentes“, ou seja, a probabilidade de virem necessitar de cuidados de saúde dispendiosos no futuro.

A perversidade do sistema reside em que os lucros das seguradoras são tanto maiores quanto mais gente da classe média baixa ou trabalhadores de pequenas e médias empresas são excluídos, ou seja, grupos sociais que não aguentam constantes aumentos dos prémios de seguro que nada têm a ver com a inflação. No meio de uma grave crise econômica e alta taxa de desemprego, a seguradora Anthem Blue Cross - que no ano passado declarou um aumento de 56% nos seus lucros - anunciou há semanas uma alta de 39% nos preços na Califórnia, o que provocaria a perda do seguro para 800 mil pessoas. A medida foi considerada criminosa e escandalosa por alguns membros do Congresso.

Por todas estas razões, há um consenso nos EUA de que é preciso reformar o sistema de saúde, e essa foi uma das promessas centrais da campanha de Barack Obama. A sua proposta assentava em duas medidas principais:criar um sistema público, financiado pelo Estado, que, ainda que residual, pudesse dar uma opção aos que não conseguem pagar os seguros; regular o sector de modo que os aumentos dos planos não pudessem ser decididos unilateralmente pelas seguradoras. Há um ano que a proposta de lei tramita no Congresso e não é seguro que a lei seja aprovada até à Páscoa, como pede o Presidente. Mas a lei que será aprovada não contém nenhuma das propostas iniciais de Obama. Pela simples razão de que o lobby das seguradoras gastou 300 milhões de euros para pagar aos congressistas encarregados de elaborar a lei (para as suas campanhas, para as suas causas e, afinal, para os seus bolsos). Há seis lobistas da área de saúde registrados por cada membro do Congresso. Lobby é a forma legal do que no resto do mundo se chama corrupção. A proposta, a ser aprovada, está de tal modo desfigurada que muitos setores progressistas (ou seja, setores um pouco menos conservadores) pensam que seria melhor não promulgar a lei. Entre outras coisas, a leib "entrega" às seguradoras cerca de 30 milhões de novos clientes sem qualquer controle sobre o montante dos planos. Os EUA estão doentes porque a democracia norte-americana está doente.

Que lições? Primeiro, é um crime social transformar a saúde em mercadoria. Segundo, uma vez dominantes no mercado, as seguradoras mostram uma irresponsabilidade social assustadora. São responsáveis perante os acionistas, não perante os cidadãos. Terceiro, têm armas poderosas para dominar os governos e a opinião pública. Em Portugal, convém-lhes demonizar o SNS só até ao ponto de retirar dele a classe média, mais sensível à falta de qualidade, mas nunca ao ponto de o eliminar pois, doutro modo, deixariam de ter o "caixote do lixo" para onde atirar os doentes que não querem.Os mais ingênuos ficam perplexos perante os prejuízos dos hospitais públicos e os lucros dos privados. Não se deram conta de que os prejuízos dos hospitais públicos, por mais eficientes que sejam, serão sempre a causa dos lucros dos hospitais privados.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
(C. do Brasil)

Mulheres

O preço da igualdade de gênero no Irã
Por Sabina Zaccaro, da IPS
Nações Unidas, 12/3/2010 (IPS/TerraViva) – “O Islã é mal interpretado. Nenhuma lei islâmica diz ‘reprimam as mulheres e violem seus direitos’”, afirmou a iraniana Shirin Ebadi. “A democracia, os direitos humanos e a liderança das mulheres não são de modo algum hostis à doutrina islâmica”, e as mulheres iranianas estão muito conscientes disso, acrescentou.

Por mais de 35 anos, Ebadi, Nobel da Paz em 2003 e cofundadora da Iniciativa das Mulheres Prêmio Nobel, trabalha como advogada e ativista dentro do Irã e no mundo, em defesa dos direitos de mulheres, crianças, refugiados, minorias religiosas e prisioneiros políticos em seu país.

Desde as disputadas eleições presidenciais iranianas do ano passado, foi obrigada a ficar no exterior. “Mas, apesar do uso da força e da violência para dispersar multidões, e das terríveis imagens de abusos que todos vimos em Teerã, as mulheres estiveram presentes em grande número nas ruas, porque querem ser ouvidas”, afirmou.

A IPS conversou com Ebadi por ocasião da 54ª Sessão da Comissão sobre o Status da Mulher, que termina hoje na sede da Organização das Nações Unidas.

IPS: Nos últimos anos, as ativistas pelos direitos das mulheres trabalharam duramente para conseguir a igualdade perante a lei iraniana. A enorme presença feminina nas ruas é parte desta batalha?

SHIRIN EBADI: Cerca de 63% dos estudantes universitários no Irã são mulheres, e uma enorme quantidade de professores universitários também. Muitas mulheres são médicas, advogadas, presidentes de empresas e engenheiras no Irã. As mulheres têm direito ao voto há cerca de 50 anos. Integraram o parlamento. Entretanto, depois da Revolução (Islâmica de 1979) foram aprovadas leis muito ruins, discriminatórias contra as mulheres. Darei alguns exemplos. A vida de uma mulher vale metade da de um homem. Isto significa que se uma mulher e um homem saírem à rua e forem feridos por qualquer motivo, os danos que serão pagos a ela serão metade do que se pagará ao homem. O testemunho de duas mulheres em tribunais equivale ao de um único homem. Um homem pode casar com quatro mulheres e se divorciar quatro vezes, mas para uma mulher é muito difícil se divorciar. Estas leis geraram insatisfação entre as mulheres e com o governo, e por isso protestam cada vez que há oportunidade. E uma dessas ocasiões que surgiram para que o povo se opusesse foi o resultado eleitoral. Nos vídeos e nas imagens dos protestos são vistas muitas meninas e mulheres nas ruas. O vídeo do assassinato de Neda (Agha Soltan de 27 anos, vítima da violência posterior às eleições presidenciais de 12 de junho) se converteu em um símbolo destes movimentos. Neda significa “voz” em persa, e isto é como a voz deste movimento que sai da garganta desta mulher.

IPS: É possível reconciliar o progresso social e político das mulheres com a doutrina islâmica?

SE: Sim, as muçulmanas podem ser líderes, e não digo isso sozinha. Vários clérigos de alto nível no Irã reiteram isto, como por exemplo o aiatolá Sane. E não esqueçamos os exemplos dados por outros países islâmicos, como Indonésia, onde há 25 anos houve uma presidente, ou Bangladesh, ou Paquistão com Benazir Bhutto (duas vezes primeira-ministra, 1988-1990 e 1993-1996). Essa não é a situação no Irã, onde, segundo a lei, o presidente e também o líder supremo têm de ser homens.

IPS: Em comparação com seus vizinhos, o movimento feminista do Irã parece muito vibrante.

SE: O movimento feminista é mais forte no Irã do que nos países vizinhos, e o motivo é a atividade social histórica das mulheres no Irã, e o trabalho da sociedade civil. O movimento feminista está nas casas de todos os iranianos que acreditam na igualdade. A grande quantidade de mulheres que vão às universidades mostra que elas estão melhor educadas do que os homens. Você acredita que nesta sociedade as mulheres podem aceitar o fato de sua vida ser considerada metade da de um homem?

IPS: Algumas mulheres que vieram a Nova York para participar da Comissão sobre o Status da Mulher para depor sobre a violência e os abusos que ocorrem em seus países – como as que vieram da Birmânia – colocam suas vidas em perigo para isso. A senhora está fazendo o mesmo. Qual a maior motivação?

SE: Tudo tem um custo. E a liberdade e a democracia têm seu próprio preço. Se uma mulher pensar apenas em sua própria segurança ou na de sua família, então não teremos sociedades democráticas.

IPS: A senhora clama incansavelmente por uma ação internacional para frear a ofensiva do governo contra a oposição em seu país, inclusive no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Quais suas expectativas?

SE: Que os direitos humanos não sejam ofuscados pela questão nuclear no Irã. IPS/Envolverde


(IPS/Envolverde)

Gays e Igreja Católica

As polêmicas relações entre gays e a Igreja Católica. Entrevista especial com Francis DeBernardo
Por Redação IHU
Criada há mais de trinta anos, a associação americana New Ways Ministry trabalha na luta pela “reconciliação” entre a Igreja Católica e a comunidade homossexual. Em fevereiro deste ano, a organização recebeu duras críticas do cardeal Francis George [1], de Chicago, e presidente da Conferência Episcopal dos EUA, que questionou a sua verdadeira identidade católica.

É sobre essa temática que Francis DeBernardo, diretor executivo do New Ways Ministry, conversou, por e-mail, com a IHU On-Line. Decepcionado com as declarações de George, DeBernardo afirma que as opiniões emitidas na declaração do cardeal não impedirão o trabalho da instituição. ”Nós sempre apresentamos uma interpretação autêntica do ensinamento católico sobre a justiça social e ética sexual. Também apresentamos a interpretação de especialistas em teologia moral que discordam do ensinamento dos bispos sobre a sexualidade. Cremos que os católicos têm o direito de conhecer a plenitude do pensamento católico”, diz.

Sobre as relações entre o catolicismo e os homossexuais na contemporaneidade, DeBernardo afirma que, apesar da questão ser relativamente nova dentro da Igreja, é preciso que as experiências das pessoas sejam escutadas e respeitadas. “Historicamente, a tradição católica sempre escutou a fé do povo, e não apenas as opiniões da hierarquia. Precisamos aplicar esta tradição antiquíssima às novas questões surgidas em torno das lésbicas e dos gays. A única maneira pela qual chegaremos à verdade nesses assuntos é dando ouvidos a todo o mundo”, frisa.

Francis DeBernardo é ativista pelos direitos dos homossexuais na Igreja e na sociedade dos Estados Unidos e diretor executivo do New Ways Ministry. É mestre em retórica e composição pela Universidade de Maryland e publicou diversos artigos e livros. Conferencista muito requisitado, fez um dos discursos principais da Conferência sobre Religião e Homossexualidade, na primeira World Pride Week (Semana do Orgulho Gay), em Roma.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como você recebeu as críticas do presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o Cardeal Francis George, que disse que sua organização não oferece "uma interpretação autêntica da doutrina católica" sobre a homossexualidade?

Francis DeBernardo - Fiquei muito decepcionado com o fato de o cardeal George não ter feito contato com o New Ways Ministry [2] para obter algumas informações sobre o trabalho que fazemos. Quando os líderes tomam decisões sem investigações, eles podem, muitas vezes, ser enganados por rumores e relatos de segunda mão. Não creio que tenhamos sido tratados com justiça ou respeito.

Nós sempre apresentamos uma interpretação autêntica do ensinamento católico sobre a justiça social e ética sexual. Também apresentamos a interpretação de especialistas em teologia moral que discordam do ensinamento dos bispos sobre a sexualidade. Cremos que os católicos têm o direito de conhecer a plenitude do pensamento católico. Entretanto, a declaração do cardeal George não nos impedirá, nem retardará o nosso trabalho. Pretendemos seguir em frente com nossos programas e recursos.

IHU On-Line - Qual é o principal objetivo do New Ways Ministry como um ministério católico?

Francis DeBernardo - O principal objetivo do New Ways Ministry é ajudar a construir pontes de justiça e reconciliação entre os(as) católicos(as) gays/lésbicas e a comunidade eclesial mais ampla. Queremos que as lésbicas e os gays saibam que são bem-vindos na igreja e queremos que a igreja saiba que lésbicas e gays são verdadeiramente pessoas de uma fé profunda. Queremos facilitar um grande diálogo sobre essas questões em nossa igreja.

IHU On-Line - No site do New Ways Ministry, você diz que o ministério "está num ponto crítico em seus 33 anos de história". Quais serão as ações do ministério após as declarações do cardeal Francis George?

Francis DeBernardo - O New Ways Ministry se encontra num ponto crítico atualmente porque só teremos condições de seguir em frente se tivermos o apoio pleno dos indivíduos e organizações que ajudaram a nos manter por mais de três décadas. Com base no que as pessoas estão nos dizendo, sabemos agora que temos esse apoio. Continuaremos a fazer nosso trabalho de construção de pontes da mesma maneira como sempre fizemos. Não achamos que a declaração do cardeal George vá prejudicar nosso trabalho, porque muitos católicos não acreditam que a declaração dele reflita com exatidão o New Ways Ministry.

IHU On-Line - O que a Igreja Católica fez para ir ao encontro de gays e lésbicas e de suas necessidades nos últimos anos? Existe espaço para gays e lésbicas na Igreja Católica hoje?

Francis DeBernardo - Nos Estados Unidos, centenas de paróquias e dioceses católicas começaram a estabelecer programas de apoio para lésbicas e gays e suas famílias. Um terço das instituições católicas de ensino superior estabeleceu políticas, cursos e organizações de apoio para alunos/as e professores/as gays e lésbicas. As ordens religiosas iniciaram programas de discussão e educação sobre a presença de membros lésbicas e gays em suas comunidades. Embora o movimento pela inclusão de lésbicas e gays esteja crescendo, ele não existe em toda parte. Mas, lenta e seguramente, muitas instituições católicas estão criando espaço para lésbicas e gays.

IHU On-Line - Como o senhor analisa o ensino moral e teológico da Igreja Católica sobre gays e lésbicas?

Francis DeBernardo - Creio que há muitas ideias positivas no ensinamento oficial da Igreja Católica sobre lésbicas e gays. Por exemplo, quando se analisam os documentos, encontra-se uma forte conclamação a incluir as lésbicas e os gays como parte da comunidade cristã. De modo semelhante, há também uma forte condenação de ações e atitudes preconceituosas contra as lésbicas e os gays. Infelizmente, muitas pessoas na igreja deixam inteiramente de perceber esses pontos e se concentram simplesmente na condenação da expressão sexual entre duas pessoas do mesmo gênero por parte da igreja. As lésbicas e os gays se definem por mais coisas do que apenas por seu desejo de fazer sexo; portanto, os ensinamentos morais da igreja também deveriam enfatizar esse contexto maior da vida delas e deles.

IHU On-Line - É possível mudar as atuais estruturas da Igreja Católica em relação aos homossexuais? O que é necessário para isso?

Francis DeBernardo - Em muitas áreas da Igreja Católica, temos pessoas ocupando posições de liderança que não acolhem lésbicas e gays. Infelizmente a homofobia tem uma presença forte na igreja. O que é necessário para mudar essas atitudes e práticas é a educação e o diálogo. Os líderes pastorais precisam se informar sobre as vidas dos/das católicos/as lésbicas e gays e precisam ter uma compreensão melhor da natureza da homossexualidade. De modo semelhante, nossos bispos precisam ter abertura para escutar as histórias que as lésbicas e os gays têm a contar. Muitos bispos não se dão conta de quão ofensivas muitas das declarações da igreja soam aos ouvidos das lésbicas e dos gays. Se os bispos escutassem, em vez de apenas emitir declarações, eles aprenderiam muito.

IHU On-Line - Em relação à questão do casamento gay, qual é a posição do New Ways Ministry? Quais são as discordâncias e as conexões entre o seu movimento e a Igreja Católica sobre esse assunto?

Francis DeBernardo - Essa é uma pergunta difícil de responder com brevidade, porque a questão é complexa. Em primeiro lugar, é importante dizer que o casamento civil e o casamento religioso têm muitas diferenças. O New Ways Ministry vê a questão da igualdade no tocante ao casamento civil como uma questão de justiça social. Se as pessoas heterossexuais têm o direito civil de casar, é injusto que um governo negue esse direito às lésbicas e aos gays. Além disso, abrir o casamento para casais de lésbicas e gays seria uma contribuição significativa para o bem comum de todas as pessoas. Muitos teólogos e leigos na igreja concordariam com essas posições, mas a maioria dos bispos não.

IHU On-Line - Como podemos reler a Bíblia para melhor compreender o lugar de gays e lésbicas em nossa Igreja? Ou precisamos de uma nova base para isso?

Francis DeBernardo - Santo Agostinho de Hipona disse que nós sempre deveríamos seguir a Regra da Caridade ao lermos a Escritura. Ele queria dizer que deveríamos ler o texto sempre em busca de orientação sobre como podemos amar melhor a Deus e nosso próximo. Acho que esta é uma boa forma de enfocar tanto a Escritura quanto a tradição. Se olhamos essas fontes, e elas nos dizem que Deus fez algumas pessoas inferiores ou defeituosas, então não as estamos lendo corretamente e precisamos repensar nossas ideias.

Dar ouvidos às experiências das pessoas é igualmente importante. As questões referentes às lésbicas e aos gays são relativamente novas em nossa igreja e em nossa sociedade. Historicamente, a tradição católica sempre escutou a fé do povo, e não apenas as opiniões da hierarquia. Precisamos aplicar esta tradição antiquíssima às novas questões surgidas em torno das lésbicas e dos gays. A única maneira pela qual chegaremos à verdade nesses assuntos é dando ouvidos a todo o mundo.

Notas:
[1] Francis Eugene George é um cardeal estadunidense e arcebispo de Chicago. É também o Presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos.

[2] New Ways Ministry é uma organização que oferece ministério positivo e suporte aos gays e lésbicas católicos dos Estados Unidos.

(Envolverde/IHU-OnLine)

Vargas Llosa

Los insultos de Vargas Llosa al presidente Lula Carlos Angulo Rivas (especial para ARGENPRESS.info) Después de leer el extenso artículo de Mario Vargas Llosa, publicado en El País de España y reproducido en la prensa latinoamericana, me queda clara la impresión de que este escritor profesional, peruano de nacimiento, no sale de la diatriba enfermiza de cualquier libelo de folletín universitario. Por ejemplo nos dice en su virulenta mercancía para satisfacción de los poderosos del continente: “Esta mañana he vivido una vez más esa sensación de asco e ira, viendo al risueño presidente Lula del Brasil, abrazando cariñosamente a Fidel y Raúl Castro.” No podía ser de otra manera, la alegría de quienes defienden a los pobres resulta hiriente para quienes defienden a los ricos. Una fotografía de los seres humanistas revolucionarios, sonrientes y abrazados, admirados por su obra socialista de reivindicación social en lo educativo, cultural, sanitario, alimenticio, en maternidad e infancia, debe irritar a los déspotas dueños de la riqueza o a sus propagandistas. Eso queda claro. Decenas de millones de ciudadanos latinoamericanos, la gran mayoría, sabemos como piensa este conspicuo merecedor de los réditos editoriales. La pregunta es ¿a quién le importa la ira de Mario Vargas Llosa? A esta gran mayoría de ciudadanos latinoamericanos, siguiendo con los ejemplos, no nos dan ira sino repugnancia las fotografías de abrazos y sonrisas de Mario Vargas Llosa con José María Aznar, el ex presidente del gobierno español que, confabulado con George W. Bush y Tony Blair, propició y ejecutó la invasión armada a Irak bajo el pretexto de las “armas de destrucción masiva” que nunca existieron; y nos dan asco y repugnancia porque esta guerra ilegal ha generado más de un millón de muertos inocentes, desapariciones y torturas. Muertes que pocos denuncian y, por supuesto, no indignan al escritor profesional de marras. Nos dan repugnancia, a su vez, las fotografía de Vargas Llosa defendiendo a los terroristas cubano-americanos de Miami, entre ellos a Luis Posada Carriles, Carlos Alberto Montaner y Orlando Bosch y a otros, sus amigos, en cuanta junta contrarrevolucionaria, a manera de conferencias “democráticas del mundo libre” se organizan a fin de derrotar el grito liberador de los pueblos. Nos repugnan las fotografías del escritor profesional con los pinochetistas redivivos con Sebastián Piñera en Chile, con el demócrata narco-paramilitar Álvaro Uribe y con un hombre como Alan García, acusado de enormes latrocinios y los genocidios de su primer gobierno y la siniestra matanza de Bagua en la región amazónica. Dentro del montaje del muerto útil de la Fundación Nacional Cubano Americana de Miami, no podía faltar la historieta chilindrina de Mario Vargas Llosa, jefe de redacción del grupúsculo de los Jorge Castañeda, Enrique Krause, César Hildebrandt, Fernando Rospigliosi o Carlos Alberto Montaner; y de los editorialistas de El País, el ABC, el Mundo, La Razón, etc. de la prensa española. En el tinglado de la prensa reaccionaria contra la revolución cubana y de paso la venezolana, el suicidio del delincuente cubano, ex obrero, Orlando Zapata, sigue la línea de acción trazada, difundir mentiras, armar falsificaciones y embustes, sin importar, en realidad, la muerte de un ser humano equivocado que bien es utilizado sin llorarlo ni sentirlo. Y no podía faltar el ditirambo porque este escritor profesional es el principal encumbrado de la entente reaccionaria internacional para asuntos de América Latina. La decadencia de Mario Vargas Llosa es irreversible, lástimapor él en su enfermedad terminal. Da pena ver a un individuo creyéndose la conciencia moral de Latinoamérica cuando desposeído de escrúpulos y de principios básicos de decencia y ética, ha perdido toda credibilidad y sólo los medios de comunicación masiva patronales lo acogen como a todos los escribas, polizontes monetaristas de la contrarrevolución continental. Hoy se vive en América Latina una época de cambio social, intentos de liberación del yugo imperialista neocolonizador y el derrotado escritor profesional no puede asumir su derrota ideológica de cuando por intereses crematísticos se alejó de la revolución cubana y por consiguiente de los pobres del continente y el mundo. Siendo un hombre instruido, enterado y culto, nos inspira tristeza verlo defender una democracia inexistente y una libertad sólo de los ricos, es decir, cuando lo vemos perderse en la sinrazón de su causa. Y como buen provocador que es, Mario Vargas Llosa intenta, en medio de su rabieta, tal vez senil, una luz de clarividencia argumentativa esponjosa y falaz, típica de los embaucadores y sofistas, pues pondera y ataca a la misma vez al presidente Lula mediante los siguientes juicios: “Pero de Luiz Inácio Lula da Silva, gobernante elegido en comicios legítimos, presidente constitucional de un país democrático como Brasil, uno esperaría, por lo menos, una actitud algo más digna y coherente con la cultura democrática que en teoría representa, y no la desvergüenza impúdica de lucirse, risueño y cómplice, con los asesinos virtuales de un disidente democrático, legitimando con su presencia y proceder la cacería de opositores desencadenada por el régimen en los mismos momentos en que él se fotografiaba abrazando a los verdugos de Orlando Zapata Tamayo.” Aquí la temeraria acusación del escritor profesional cae por su propio peso, ya que eleva a la categoría disidente democrático a un probado delincuente común, a un criminal agresivo que le partió el cráneo a un ciudadano cubano de un certero machetazo, a un condenado, desde 1990, por los delitos de estafa, tenencia de arma blanca, daños a la propiedad pública y lesiones a los ciudadanos pacíficos. Así el terrorista cubano, Posadas Carriles, que voló en mil pedazos un avión de Cubana de Aviación con la delegación completa de jóvenes deportistas, asesinando a 73 personas, resulta también un héroe de la “democracia y el mundo libre” en la naturaleza mezquina de este escritor enriquecido por difundir sus mentiras. Así también llega al colmo de llamar “asesinos virtuales y verdugos” a los gobernantes cubanos por no ceder al chantaje de un convicto suicida financiado desde Miami. Después de las barbaridades que escribe, no me queda claro si Mario Vargas Llosa, producto de su derrota ideológica de neoliberal extremista, ahora que la economía capitalista está de regreso a las regulaciones del estado, llega al resentimiento social o a la desadaptación personal que ocurre a los sujetos con tendencia a la agresividad, el cinismo, la conspiración y la impostura. Parecería una exageración de mi parte apreciarlo de esta manera, pero mis dudas se disipan cuando leo de su parte lo siguiente: “Pero, cuando se trata del exterior, el presidente Lula se desviste de los atuendos democráticos y se abraza con el comandante Chávez, con Evo Morales, con el comandante Ortega, es decir, con la hez de América Latina.” Allí reside el problema del desequilibrio o la enajenación temprana en este escritor profesional, porque se puede discrepar de los líderes latinoamericanos citados pero de ahí a llamarlos “la hez de América Latina” no armonizar con el discurso de un hombre o intelectual que se pretende serio y creíble. El ALBA representa una corriente de integración latinoamericana democrática y solidaria, donde el individualismo, el egoísmo, la deslealtad, el enriquecimiento, la especulación, la usura y el lucro desorbitado, en medio de la indigencia de más de la mitad de los habitantes de la tierra del sistema capitalista-imperialista, no tienen cabida. ¿Será esta creación de ALBA la que despierta la ira santa de Vargas Llosa? Pues, parece que sí, ¿qué otra explicación puede darse al insulto descomedido respecto a tres líderes elegidos abrumadora y democráticamente por sus pueblos y respaldados en la continuidad de las consultas populares, a las que no se atreven otros presidentes envueltos en la corrupción, el atropello, el crimen y el enriquecimiento ilícito. No crea la prensa patronal masiva que engaña a los pueblos latinoamericanos con desatinos como los de su escritor estrella, seguido de otros por un salario y las sinecuras de sentirse periodistas. Mario Vargas Llosa ha perdido la noción del significado de las palabras: moral, honestidad, honorabilidad y decencia, porque para él los héroes de la democracia no la “hez” son sus amigos con quienes se retrata sonriente y abrazado, tales como José María Aznar de España, Carlos Menem de Argentina, Sánchez de Losada de Bolivia, Carlos Andrés Pérez de Venezuela, Alan García de Perú, Álvaro Uribe de Colombia, Carlos Salinas de Gortari de México, es decir, con quienes comparte la mesa mirando la caja de caudales de cada uno de ellos, multimillonarios hechos a razón de expoliar los recursos naturales de sus países y someter a la pobreza extrema a sus pueblos. Entonces, no estamos ya frente a un problema ideológico, discutible y controvertido, sino frente uno sin solución: el de los valores humanos invertidos. Valores humanos invertidos, elevados por los escribas, gratificados con buenas pagas, a verdades de Perogrullo, con la finalidad de salvar y fortalecer el sistema de dominación capitalista imperante. Sujetos sin principios siempre ha existido, seres sin escrúpulos de ninguna clase también, por ello mismo llaman la atención los hombres con ideales, los hombres capaces de sacrificar su bienestar personal en función de los demás. Sin ideales a defender no existirían en la historia universal nombres como Montesquieu, Rousseau, Marx, Lenin, Mao, Bolivar, Martí, Ho Chi Minh, Mariátegui, Che Guevara y otros tantos luchadores sociales cuyos valores humanos y morales estuvieron por encima del beneficio individual. La búsqueda de la justicia social significa crear una moral distinta, verdadera. Significa llevar a la práctica los valores humanos declarativos, jamás implementados. El esfuerzo de la revolución cubana es descomunal y ejemplar en este sentido; y el reconocimiento al comandante Fidel Castro es universal desde hace cincuenta años, por todos los líderes mundiales vivos y muertos y por los intelectuales de mayor renombre, le guste o no le guste a Mario Vargas Llosa y sus escribas alrededor. Cuba ha obtenido resultados innegables, los índices comparativos de los organismos especializados de las Naciones Unidas, publicados por PNUD, en cuanto a desarrollo humano, abolición del racismo, educación, salud, nutrición, mortalidad infantil, protección a los ancianos, acceso a la cultura, emancipación de la mujer, medicina, protección del medio ambiente, etc. sitúan a esta pequeña nación en niveles superiores, junto a los países más eficientes del mundo. ¿Molestan estos resultados al escritor profesional? ¿Le produce una ira irremediable el avance de la revolución bolivariana, el triunfo abrumador de Evo Morales en Bolivia, la alfabetización masiva de los pueblos indígenas y de los pobres, la curación de la ceguera y la atención médica (Operación Milagro) a un millón y medio de ciudadanos desprotegidos y abandonados en doce países de Latinoamérica y el Caribe? ¿Y le da rabia que el gasto social en Venezuela se haya multiplicado por diez con postas médicas, escuelas, educación universitaria y alimentación y que ladrones como Carlos Andrés Pérez y sus amigos no se puedan levantar el dinero en costalillos?¿Y le da cólera el triunfo del tupamaruPepe Mújica en Uruguay? ¿Y le da alegría el triunfo de Augusto Pinochet resurrecto en la persona de Sebastián Piñera? La cuestión de fondo señor Vargas Llosa es que el mundo vive de espaldas a la realidad del hambre y la desigualdad, de espaldas al infortunio de millones de millones de seres humanos, y usted lo sabe muy bien; sin embargo, usted se alinea con los ricos y los sirve, nosotros con los pobres y luchamos por la dignidad, la educación, la salud y el bienestar de quienes no tienen nada. En conclusión, señor Vargas Llosa, Usted defiende a los ricos y poderosos porque disfruta de ellos y con ellos; además, piensa como ellos: que los analfabetos son necesarios al sistema de dominación porque de ese modo no conocen las palabras democracia ni libertad; y que los ignorantes son útiles porque desconocen sus derechos; y que los pobres son inevitables a fin de manejarlos de acuerdo a sus necesidades y su hambre; y que los trabajadores son piezas de recambio sin dignidad, reemplazables en cualquier momento porque deben mendigar trabajo; y que los indígenas y campesinos deben quedarse tranquilos esperando la usurpación de sus tierras y los recursos naturales a favor de la inversión; y que los enfermos deben seguir enfermos porque ya no sirven para trabajar y nada producen; y que el Estado es propiedad de los ricos porque el resto de la ciudadanía no sabe gobernar. Este es el mundo ideal que preconiza ¿verdad, señor Vargas Llosa? Y si no es así como usted dice, porque le viene en gana, todos los líderes de oposición al sistema de la falsa democracia que defiende son unos infecto-contagiosos a ser odiados con furia, son la “hez” que según usted le “revuelven las tripas”. Carlos Angulo Rivas es poeta y escritor peruano residente en Canadá. Haga click aquí para recibir gratis Argenpress en su correo