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sábado, 6 de março de 2010

Sábado Resistente- 13 de março - AS REFORMAS DE BASE DO PRÉ-1964 E SUA ATUALIDADE



Memorial da Resistência
Pinacoteca do Estado de São Paulo
www.pinacoteca.org.br
Largo General Osório, 66 - Luz
CEP 01213-010 - São Paulo, SP
Telefone: 55 11 3335 4996

      
AS REFORMAS DE BASE DO PRÉ-1964 E SUA ATUALIDADE
Sábados Resistentes - 13 de Março 2010, das 14h às 17h30
Para debater este importante momento da história brasileira, os projetos políticos ali em jogo, seus desdobramentos e sua atualidade, o Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência de São Paulo convidam para um debate dentro da programação dos “Sábados Resistentes”.



A atividade deverá também será transmitida ao vivo pela internet, com o apoio da VIATV (www.viatv.com.br).

Sobre o Pré-64
Às vésperas do golpe de Estado de 1964, o Brasil vivia um processo de importantes transformações sociais modernizadoras e democratizantes. Durante a curta existência do governo João Goulart (setembro de 1961 a março de 1964), um novo contexto político tinha se aprofundado no país, sendo marcado por propostas governamentais de cunho popular, as quais acirraram ainda mais a luta social, política e ideológica já movimentada do período. De um lado uma crescente mobilização das classes populares (com destaque para a ampliação do movimento sindical operário e dos trabalhadores do campo), que se confrontava cada vez mais, de outra parte, com uma organização e ofensiva política dos setores empresariais e militares alinhados com os interesses do imperialismo norte-americano. Sabe-se quem levou a melhor na história...

Sobre as Reformas de Base
Um dos eixos centrais daquela polarização, ainda que pouco debatido atualmente, foram as chamadas “Reformas de Base” propostas pelo então presidente Jango, que de certa forma sintetizavam algumas das principais reivindicações dos setores populares e se transformaram num dos estopins utilizados pela direita civil-militar para consumar o seu golpe. Um episódio-marco deste contexto foi o “Comício da Central do Brasil”, realizado por Jango justamente em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, durante o qual anunciou importantes avanços das Reformas, incluindo a desapropriação de grandes latifúndios, renacionalização de refinarias em favor da Petrobrás, e importantes medidas para a reforma urbana. O comício viria a acelerar, por parte das elites civis-militares, a consumação do golpe nos dias seguintes.
Os Sábados Resistentes são promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo em parceria com o Memorial da Resistência de São Paulo. Trata-se de um espaço de discussão entre militantes de diversas causas, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados em geral no debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo central estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação.


Enviado por Safrany

Avatar Real

A metáfora da luta contra um povo invasor e militarmente superior, mote do
filme Avatar, de James Cameron, inspirou ativistas palestinos em um protesto
na vila Bil'in, na Palestina. Dezenas deles se pintaram de azul e marcharam
até a barreira montada pelo Exército israelense, que limita a cidade,
gritando palavras de ordem. Foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo.
O vídeo do protesto inusitado teve mais de 100 mil acessos.
http://www.youtube.com/watch?v=Chw32qG-M7E
Abraço grande,
Paulo Celio
(Mensagem coletiva)
Enviada por Paulo Célio - Grande companheiro do RJ

sábado, 6 de março de 2010

DE FIDEL CASTRO SOBRE LULA!!!

Fidel Castro

O último encontro com Lula
Tradução: ADITAL
O conheci em Manágua (Nicarágua), em julho de 1980, há 30 anos,
durante a comemoração do primeiro aniversário da Revolução Sandinista,
graças a meus contatos com os partidários da Teologia da Libertação,
que começaram no Chile, quando, em 1972, visitei o presidente Allende.
Por Frei Betto, eu sabia quem era Lula, um líder operário em quem os
cristãos de esquerda colocavam suas esperanças.
Tratava-se de um humilde operário da indústria metalúrgica que se
destacava por sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na
grande nação que emergia das trevas da ditadura militar imposta pelo
império ianque, na década de 60.
As relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder
dominante no hemisfério fez com que elas sucumbissem. Passaram-se
décadas até que voltassem lentamente a ser o que são atualmente.
Cada país viveu sua história. Nossa pátria suportou inusitadas
pressões nas etapas incríveis vividas desde 1959, em sua luta diante
das agressões do império mais poderoso que já existiu na história.
Por isso, a reunião que acaba de acontecer em Cancun e a decisão de
criar uma Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe é de
grande transcendência para nós. Nenhum outro fato institucional de
nosso hemisfério durante o último século reflete transcendência
similar.
O acordo é alcançado em meio a mais grave crise econômica que já
aconteceu no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de
catástrofe ecológica de nossa espécie e também com o terremoto que
destruiu Porto Príncipe, capital do Haiti, o mais doloroso desastre
humano da história de nosso hemisfério, no país mais pobre do
continente e no primeiro onde a escravidão foi erradicada.
Quando escrevia essa reflexão, a seis semanas da morte de mais de
duzentas mil pessoas, de acordo com as cifras oficiais, chegaram
notícias dramáticas dos danos causados por outro sismo no Chile, que
ocasionou a morte de pessoas cujo número se aproxima a mil, segundo
cifras das autoridades, e enormes danos materiais. As imagens do
sofrimento de milhões de chilenos atingidos material ou emocionalmente
por esse duro golpe da natureza comoviam. Afortunadamente o Chile é um
país com mais experiência frente a esse tipo de fenômeno, muito mais
desenvolvido economicamente e com mais recursos. Se não pudesse contar
com infraestruturas e edificações mais sólidas, um incalculável número
de pessoas, talvez dezenas ou centenas de milhares de chilenos teriam
perecido. Fala-se de dois milhões de danificados e possíveis perdas
que oscilam entre 15 e 30 bilhões de dólares. Em sua tragédia, conta
também com a solidariedade e a simpatia dos povos, entre eles, o
nosso, cujo governo foi um dos primeiros a expressar ao Chile
sentimentos de solidariedade quando as comunicações ainda estavam
avariadas e apesar de que podemos fazer pouco diante do tipo de
cooperação que estão necessitando no momento
O país que hoje põe à prova a capacidade do mundo para enfrentar a
mudança climática e garantir a sobrevivência da espécie humana é, sem
dúvida, o Haiti, por constituir um símbolo da pobreza que hoje padecem
milhares de pessoas no mundo, incluída uma grande parte dos povos de
nosso continente.
O que aconteceu no Chile com o terremoto de incrível intensidade (8,8º
em escala Richter e a mais profundidade do que o que atingiu o Haiti),
me obriga a enfatizar a importância e o dever de estimular os passos
de unidade alcançados em Cancun; mesmo que não me iluda sobre o
difícil e complexa que será nossa luta de ideias frente ao esforço do
império e de seus aliados dentro e fora de nossos países para frustrar
a tarefa unitária e independentista de nossos povos.
Desejo deixar constância escrita da importância e do simbolismo que
para mim teve a visita e o último encontro com Lula, desde o ponto de
vista pessoal e revolucionário. Ele disse que, perto de finalizar seu
mandato, desejava visitar seu amigo Fidel; qualificativo honroso que
recebi de sua parte. Creio conhecê-lo bem. Conversamos várias vezes
fraternalmente dentro e fora de Cuba.
Uma vez tive a honra de visitá-lo em sua casa, situada em um modesto
bairro de São Paulo, onde residia com sua família. Para mim, foi um
encontro emotivo com ele, sua esposa e seus filhos. Não esquecerei
nunca a atmosfera familiar e saudável daquele lar e o sincero afeto
com que seus vizinhos falavam com ele, quando Lula já era um líder
operário e político de prestígio. Ninguém sabia naquele momento se
chegaria ou não à presidência do Brasil, pois os interesses e forças
que se opunham eram muito grandes; porém, me agradava falar com ele.
Lula não se importava muito com o cargo; o satisfazia o prazer de
lutar e o fazia com grande modéstia; a mesma que demonstrou quando,
tendo sido vencido por duas vezes por seus poderosos adversários,
somente aceitou a postulação do Partido dos Trabalhadores por uma vez
mais devido á forte pressão de seus amigos mais sinceros.
Não contarei quantas vezes nos falamos antes que chegasse à
presidência; uma delas, nos primeiros tempos, na década de 80, quando
lutávamos em Havana contra a dívida externa da América Latina, que,
naquele tempo ascendia a 300 bilhões de dólares e havia sido paga mais
de uma vez. Lula é um lutador nato.
Como disse, por duas vezes seus adversários, apoiados em enormes
recursos econômicos e midiáticos, o derrotaram nas urnas. Seus
colaboradores mais próximos e amigos sabiam, no entanto, que havia
chegado a hora daquele humilde operário ser candidato do Partido dos
Trabalhadores e das forças da esquerda.
Certamente, seus oponentes o subestimaram; pensaram que não poderia
contar com maioria alguma no órgão legislativo. Já não existia a URSS.
O que Lula poderia significar na presidência do Brasil, uma nação de
grandes riquezas; porém, de escasso desenvolvimento em mãos de uma
burguesia rica e influente?
No entanto, o neoliberalismo entrava em crise, a Revolução Bolivariana
havia triunfado na Venezuela; Menem estava em queda vertical; Pinochet
havia desaparecido de cena; e Cuba resistia. Porém, Lula é eleito
quando Bush triunfa fraudulentamente nos Estados Unidos, despojando da
vitória ao seu rival Al Gore.
Iniciava-se uma difícil etapa. Impulsionar a carreira armamentista e,
com ela, o papel do Complexo Militar Industrial, e reduzir os impostos
aos setores ricos, foram os primeiros passos do novo presidente dos
Estados Unidos.
Com o pretexto da luta contra o terrorismo, reiniciou as guerras de
conquista e institucionalizou o assassinato e as torturas como
instrumento de domínio imperialista. São impublicáveis os fatos
relacionados com as prisões secretas, que delatavam a cumplicidade dos
aliados dos Estados Unidos com essa política. Desse modo, acelerou-se
a pior crise econômica dentre as que, de maneira cíclica e crescente,
acompanham ao capitalismo desenvolvido; porém, desta vez, com os
privilégios de Bretton Woods e sem nenhum de seus compromissos.
O Brasil, por sua parte, nos últimos oito anos sob a direção de Lula,
vencia obstáculos, incrementava seu desenvolvimento tecnológico e
potencializava o peso da economia brasileira. A parte mais difícil foi
seu primeiro período; porém, teve êxito e ganhou experiência. Com seu
incansável batalhar, serenidade, sangue frio e crescente consagração à
tarefa em condições internacionais tão difíceis, o Brasil alcançou um
PIB que se aproxima aos dois bilhões de dólares. Os dados variam
segundo as fontes; porém, todas o situam entre as 10 maiores economias
do mundo. Apesar disso, com uma superfície de 8 milhões de quilômetros
quadrados, frente aos Estados Unidos que apenas possui algo mais de
território, o Brasil alcança somente cerca de 12% do PIB desse país
imperialista que saqueia o mundo e desloca suas forças armadas em mais
de mil bases militares em todo o planeta.
Tive o privilégio de assistir à sua posse, no final de 2002. Também
esteve Hugo Chávez, que acabava de enfrentar o golpe de Estado
traidor, de 11 de abril desse ano e, posteriormente, o golpe
petroleiro organizado por Washington. Bush era presidente. As relações
entre o Brasil, a República Bolivariana e Cuba sempre foram boas e de
respeito mútuo.
Eu tive um sério acidente em outubro de 2004, que limitou seriamente
minhas atividades durante meses e fiquei gravemente enfermo no final
de julho de 2006, em virtude do qual não vacilei em delegar minhas
funções à frente do Partido e do Estado, na proclamação de 31 de julho
desse ano, em caráter provisório, porém, em seguida, em caráter
definitivo, quando compreendi que não estaria em condições de
assumi-las novamente.
Quando à gravidade de minha saúde me permitiu estudar e meditar, me
consagrei a isso e a revisar materiais de nossa Revolução e, de vez em
quando, a publicar algumas Reflexões.
Depois que fiquei enfermo, tive o privilégio de ser visitado por Lula
por quantas vezes veio à nossa pátria e de conversar amplamente com
ele. Não direi que sempre coincidi com toda sua política. Por
princípio, sou oposto à produção de biocombustível a partir de
produtos que possam ser utilizados como alimentos, consciente de que a
fome é e poderá ser cada vez mais uma grande tragédia para a
humanidade.
No entanto, o expresso com toda franqueza, não é um problema criado
pelo Brasil e muito menos pelo Lula. Faz parte inseparável da economia
mundial imposta pelo imperialismo e por seus aliados ricos que,
subsidiando suas produções agrícolas, protegem seus mercados internos
e competem no mercado mundial com as exportações alimentares dos
países do Terceiro Mundo, obrigados a importar em troca dos artigos
industriais produzidos com as matérias primas e os recursos
energéticos deles mesmos que herdaram a pobreza de séculos de
colonialismo. Compreendo perfeitamente que o Brasil não tinha
alternativa frente à competição desleal e os subsídios dos Estados
Unidos e da Europa do que incrementar a produção do etanol.
A taxa de mortalidade infantil no Brasil, todavia é de 23,3 por cada
mil nascidos vivos e a mortalidade materna de 110 por cada 100 mil
partos, enquanto que nos países industrializados e ricos é menos de 5
e 15, respectivamente. Poderíamos citar outros dados similares.
O açúcar de beterraba, subsidiado pela Europa, arrebatou nosso país do
mercado açucareiro, derivado da cana de açúcar, trabalho agrícola e
industrial precário e eventual que mantinha aos trabalhadores
açucareiros no desemprego por grande parte do tempo. Os Estados
Unidos, por seu lado, se apoderou de nossas melhores terras e suas
empresas eram donas da indústria. Um dia, abruptamente, nos despojaram
da quota açucareira e bloquearam nosso país para esmagar a Revolução e
a independência de Cuba.
Hoje, o Brasil desenvolveu o cultivo da cana de açúcar, da soja e do
milho com máquinas de alto rendimento que podem ser empregadas nesses
cultivos com altíssima produtividade. Um dia, quando observei a
filmagem de uma extensão de 40 mil hectares de terra em Ciego de Ávila
dedicada ao cultivo da soja em rotação com milho, onde tentavam
trabalhar durante todo o ano, exclamei: é o ideal de uma empresa
agrícola socialista, altamente mecanizada com elevada produtividade
por home/por hectare.
Os problemas da agricultura e suas instalações no Caribe são os
furacões que, em número crescente, arrasam seu território.
Também nosso país elaborou e assinou com o Brasil o financiamento e
construção de um moderníssimo porto em Mariel, que será de enorme
importância para nossa economia.
Na Venezuela, estão utilizando a tecnologia agrícola e industrial
brasileira para produzir açúcar e utilizar o bagaço como fonte de
energia termoelétrica. São equipamentos de tecnologia avançada que
trabalham também em uma empresa socialista. Na República Bolivariana
utilizam o etanol para melhorar o efeito ambientalmente nocivo da
gasolina.
O capitalismo desenvolveu as sociedades de consumo e também o
desperdício de combustível que engendrou o risco de uma dramática
mudança climática. A natureza tardou 400 milhões de anos em criar o
que nossa espécie está consumindo em apenas dois séculos. A ciência
não resolveu o problema da energia que substituirá a que hoje é gerada
pelo petróleo; ninguém sabe quanto tempo requererá e quanto custaria
resolvê-lo a tempo. Disporá dele? Isso foi discutido em Copenhague, e
a Cúpula foi um fracasso total.
Lula me contou que quando o etanol custa 70% do valor da gasolina, já
não é negócio produzi-lo. Expressou que o Brasil, ao dispor do maior
bosque do planeta, reduzirá progressivamente o desflorestamento em 80%
Hoje, possui a maior tecnologia do mundo para perfurar o mar e pode
extrair combustível situado a uma profundidade de sete mil metros de
água e fundo marinho. Há 30 anos isso soaria a ficção científica.
Explicou os programas educacionais de alto nível que o Brasil se
propõe a levar adiante. Valoriza o papel da China na esfera mundial.
Declarou com orgulho que o intercâmbio comercial com esse país se
eleva a 40 bilhões de dólares.
Uma coisa é indiscutível: o operário metalúrgico converteu-se
atualmente em um estadista destacado e prestigiado, cuja voz é
escutada com respeito em todas as reuniões internacionais.
Está orgulhoso por ter recebido a honra dos Jogos Olímpicos a ser
realizados no Brasil em 2016, em virtude do excelente programa
apresentado na Dinamarca. Também será sede do Mundial de Futebol, em
2014. Tudo isso foi fruto dos projetos apresentados pelo Brasil, que
superaram os de seus competidores.
Uma grande prova de seu desprendimento foi a renúncia à reeleição, e
confia que o Partido dos Trabalhadores continuará governando o Brasil.
Alguns invejosos de seu prestígio e de sua glória, e, pior ainda, os
que estão a serviço do império, o criticaram por visitar Cuba.
Utilizaram para isso calúnias vitais que há meio século são usadas
contra Cuba.
Lula sabe que há muitos anos em nosso país jamais ninguém foi
torturado; jamais se ordenou o assassinato de um adversário; jamais se
mentiu para o povo. Tem a segurança de que a verdade é companheira
inseparável de seus amigos cubanos.
De Cuba partiu rumo a nosso vizinho Haiti. A ele informamos nossas
ideias sobre o que propomos com relação a um programa sustentável,
eficiente, especialmente importante e muito econômico para o Haiti.
Ele sabe que mais de cem mil haitianos foram atendidos por nossos
médicos e pelos graduados na Escola Latinoamericana de medicina de
Cuba após o terremoto. Falamos de coisas sérias; conheço seus ardentes
desejos de ajudar a esse nobre e sofrido povo.
Guardarei uma inabalável recordação de meu último encontro com o
Presidente do Brasil e não vacilo em proclamá-lo.
1º de Março de 2010

Estado deve criar grupo para identificar ossadas de desaparecidos , defende procurador

O Estado precisa ter um grupo permanente de trabalho – e com tecnologia - para identificar ossadas de desaparecidos políticos, defende o procurador da República Marlon Weichert. Ele é o responsável pela ação civil pública que pediu que a União Federal, por meio da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, e o estado de São Paulo, por intermédio do Instituto Médico Legal, examinem as ossadas de desaparecidos políticos encontradas no Cemitério de Perus, em 1990, e que atualmente se encontram no Cemitério do Araçá, em São Paulo.

O procurador disse que setores do Ministério Público Federal defendem que a União crie um grupo permanente de trabalho, que seja capacitado para realizar a identificação de corpos de desaparecidos durante a ditadura militar e até mesmo de vítimas de qualquer outro tipo de violência. A ideia é que isso possa ocorrer em todo o território nacional e não somente com as ossadas encontradas no Cemitério de Perus, em São Paulo.

A liminar concedida pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Federal Cível de São Paulo, que atendeu a ação civil pública movida pelo Ministério Público, determina que a União e o estado de São Paulo se responsabilizem pela identificação de pelo menos mais três desaparecidos políticos cuja ossadas podem estar numa vala comum em Perus: Grenaldo de Jesus Silva, Dimas Antonio Casemiro e Francisco José de Oliveira.

“A questão, no fundo, é muito simples. Existe uma responsabilidade do Estado brasileiro que provocou essas mortes de modo ilegal. Agentes estatais praticaram graves crimes e o mínimo que se espera do Estado brasileiro é que faça esforços para que as famílias dessas pessoas possam dignamente enterrar seus familiares”, disse o procurador.

A decisão do juiz exige, entre outras coisas, que a União reestruture em até 60 dias a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, instituída por lei em 1995.

“A Comissão de Mortos e Desaparecidos não tem um centavo de orçamento e não tem um único funcionário que possa fazer esse trabalho. Ela é composta de uma série de pessoas notáveis e brilhantes que trabalham de graça, mas que não são do braço operacional”, criticou o procurador. A liminar do juiz determina que a União destine um orçamento anual de R$ 3 milhões à comissão, para que possa suprir suas necessidades financeiras e materiais.

Em setembro de 1990, uma vala clandestina foi descoberta no Cemitério de Perus. Nela foram encontradas ossadas de desaparecidos políticos da ditadura, indigentes, crianças vítimas de um surto de meningite (caso que foi abafado pelas autoridades públicas na época) e de outras vítimas de violência policial.

“Eram 1.574 ossadas e, descontadas mais de quinhentas que eram de crianças até 12 anos de idade e cujos ossos tinham sido destruídos, sobraram 1.049. Entre essas havia desaparecidos políticos”, explicou Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. O pai dele, Joaquim Alencar de Seixas, foi morto durante a ditadura militar e enterrado no Cemitério de Perus. “Meu pai foi torturado e assassinado. Ele foi o primeiro preso político a ser enterrado em Perus. O corpo dele foi identificado.”

Três corpos de desaparecidos políticos já foram identificados entre essas ossadas: Dênis Casemiro, Frederico Eduardo Maiyr e Flávio Carvalho Molina.

fonte : Agência Brasil

Lula nega licenciamento e critica imprensa

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(Clique na imagem para ampliar)


Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista concedida a rádios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), negou que irá se licenciar do cargo para se dedicar à campanha de Dilma Rousseff. De quebra, criticou a imprensa.

“Só tem um jeito de as pessoas serem respeitadas: é as pessoas serem sérias, as pessoas falarem a verdade e as pessoas não ficarem inventando coisa para preencher páginas de jornais”, disse.

Sem citar nomes, Lula se dirigiu diretamente ao jornal O Globo, que publicou a informação na edição de quinta-feira (04/03), na coluna Panorama Político, do jornalista Ilimar Franco.

“Eu não sei se o objetivo era me atacar, se o objetivo era atacar o Sarney, mas eu acho que no fundo, no fundo quem foi atacado foi o jornal, que vai perdendo credibilidade. Foi o jornalista que fez a manchete que contou a mentira para os seus leitores”, afirmou.

De acordo com o presidente, “não teria lógica” se licenciar da presidência para fortalecer a campanha de Dilma. “Achar que eu me afastando possa ajudar mais um candidato do que estando na Presidência seria também diminuir o mandato. Se fosse assim, quem não tivesse mandato teria mais força política do que eu que tenho um”, disse.

http://www.comuniquese.com.br/conteudo/newsshow.asp?menu=JI&idnot=55138&editoria=8


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

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http://santanadoipanema.blogspot.com/

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Bolsas

BOLSAS (CUIDADO C/A SAÚDE)
Você já notou que as mulheres colocam suas bolsas em pias e pisos de banheiros públicos, então vão diretamente para suas mesas de jantar e colocam-nas sobre a mesa?
Acontece muito! Nem sempre é o "alimento do restaurante" que provoca angústia no estômago. Às vezes, 'o que você não conhece vai feri-lo'!

Leia até o fim .............

Mamãe fica tão chateada quando os convidados chegam na porta e jogam suas bolsas no balcão onde ela cozinha ou prepara os pratos. Ela sempre disse que as bolsas são realmente sujas, por conta de onde estiveram antes.

É algo que apenas sobre cada mulher carrega consigo. Embora possamos saber o que está dentro de nossas bolsas, você tem alguma idéia do que está do lado de fora?
As mulheres carregam bolsas em todo lugar, do escritório a sanitários públicos ao chão do carro. A maioria das mulheres não vivem sem suas bolsas, mas você já parou para pensar onde vai sua bolsa durante o dia?

'Eu dirijo um ônibus escolar, por isso a minha costuma ficar no chão dele ", diz uma mulher. 'No piso do meu carro, e nos banheiros'.
"Eu coloquei minha bolsa em carrinhos de compras e no chão do banheiro", diz outra mulher 'e, claro, na minha casa, que deveria ser limpa. "
Para descobrir se bolsas portam uma grande quantidade de bactérias, decidimos testá-las no Nelson Laboratories, em Salt Lake, e, em seguida, partimos para testar a bolsa comum da mulher média.
A maioria das mulheres nos disse que elas não param para pensar sobre o que estava no fundo da sua bolsa. A maioria disse que em casa eles costumam deixar as suas bolsas em cima de mesas e balcões de cozinha onde o alimento é preparado.
A maioria das senhoras com quem conversamos disseram-nos que não ficariam surpresas se suas bolsas tivessem pelo menos um pouco de sujeira.
Acontece que bolsas são tão surpreendentemente sujas, que mesmo os microbiologistas que testaram ficaram chocados.

A microbiologista Amy Karen, do Nelson Labs, diz que quase todas as bolsas que foram testadas não só apresentarm níveis elevados em bactérias, mas ricos em espécies de bactérias nocivas. Pseudomonas que podem causar infecções oculares, Aurous Staphylococcus que podem provocar infecções cutâneas graves, e as salmonelas e E-coli encontradas nas bolsas podem causar doenças sérias. Em uma amostragem, quatro dos cinco bolsas testou positivo para as salmonelas, e isso não é o pior. "Há coliformes fecais nas bolsas", diz Amy. Bolsas de couro ou vinil tendem a ser mais limpas do que bolsas de pano, e o estilo de vida parece desempenhar um papel. As pessoas com filhos tendem a ter bolsas mais sujas do que aqueles sem, com uma exceção. A bolsa de uma mulher solteira que freqüentava boates tinha uma das piores contaminações de todos. "Algum tipo de fezes, ou, eventualmente, vômito", diz Amy.

Assim, a moral desta história é que sua bolsa não vai matá-la, mas ela tem o potencial de fazer você ficar muito doente se você mantê-la em lugares onde você come. Use ganchos para pendurar sua bolsa em casa e banheiros, e não coloque-a em sua mesa, uma mesa de restaurante, ou em sua bancada de cozinha. Especialistas dizem que você deve pensar em sua bolsa da mesma forma que um par de sapatos. "Se você pensar em colocar um par de sapatos em sua bancada, que é a mesma coisa que você está fazendo quando você colocou sua bolsa sobre a bancada."

Sua bolsa foi onde as pessoas antes andaram, sentaram, espirraram, tossiram, cuspiram, urinaram, defecaram, etc! Você realmente quer trazer tudo isso para casa com você?
O microbiologista no Nelson Lab disse ainda que a limpeza de uma bolsa vai ajudar. Lave as bolsas de pano e use limpa-couro para limpar o fundo de bolsas de couro.

(De um emeio recebido)

68

1968, cuarenta años después: la degeneración político-cultural de los intelectuales mediáticos de la derecha
Elmar Altvater • • • • •

17/02/08

A quien quiera saber por la prensa del año 2008 qué acontecimientos y qué personas marcaron hace 40 años la "época del 68", el intenso perfume del espíritu de nuestro tiempo le desorientará inevitablemente. Las coordenadas se trazan de forma tal, que los respondones sesentaiocheros quedan ubicados así: tendieron al terrorismo, y por añadidura, estaban empecinados en abolir lo que es de todo punto inabolible, a saber: el capitalismo. Al sesentaiochero se le asigna un papel análogo al del Schmürz de la pieza teatral homónima de Boris Vian: siempre está ya ahí, y los personajes en el escenario, llámense Aly, Kraushaar o Bohrer,//1 no dejan de escupirle en el rostro cada vez que se topan con él.
Si no estuviera uno ya tan hecho a encajar, podría sumirle en la perplejidad la miseria de la reflexión actual sobre lo que pasó hace 40 años, sobre por qué pasó y sobre sus consecuencias hasta el día de hoy. También porque refleja la decadencia de los medios de comunicación críticos. Aquellos cuyos textos sobre 1968 sirven ahora, años después, para documentar el reportaje de la Frankfurter Rudschau//2 sólo pueden reaccionar con queda cólera a la grosería periodística que equipara el movimiento del 69 con los criminales nazis, sólo porque éstos se calificaban también a sí mismos como "movimiento". ¡Qué monstruosa banalización de los nazis 75 años después de su "toma del poder", preludio de los subsiguientes asesinatos en masa! ¡Y qué demonización totalmente injustificada del 68! No hace tanto tiempo, en el año 1988, un presidente del Parlamento federal [Philipp Jenninger] tuvo que dimitir tras haber hecho la gracia de calificar al movimiento nazi como "faszinante". Ahora, en cambio, el politólogo Götz Aly puede manifestar como si tal cosa en un diario otrora liberal su "faszinación" con los "treintaitreseros" y con el viejo nazi Karl Georg Kiesinger, al tiempo que da rienda suelta a su desprecio por los "sesentaiocheros".
Pero que Aly no mueva ahora la indignación que suscitó hace veinte años el desdichado Philipp Jenninger, sino que, al contrario, las elites de este país lo honren con mimos, muestra la decadencia de la cultura política en la Alemania reunificada.
Qué desafortunado resulta el paralelismo, se ve bien por el carácter internacional de 1968. En París no fueron sólo estudiantes, también los obreros se rebelaron en "mayo del 68". En Praga imperó, hasta su aplastamiento por las tropas del Pacto de Varsovia, la "Primavera de Praga" de escritores, científicos y políticos. En la californiana Universidad de Berkeley, los estudiantes opusieron su flower power [poder de las flores] a la violencia militar del ejército de los EEUU en Vietnam. Y en Berlín, Francfort, Munich y Colonia formaban los estudiantes en rebelión también contra la violencia policial en las manifestaciones.
Ello es que ese movimiento, con su oposición a la guerra desarrollada por EEUU en Indochina, no sólo estaban en lo moralmente justo; también en lo históricamente justo, y ciertamente, en la misma medida en que los otrora propugnadores alemanes de la agresión estaban en lo moral e históricamente injusto. También las circunstancias de la República del oeste alemán movían a protesta. Desde 1966 gobernaba una Gran Coalición bajo el canciller Karl Georg Kiesnger, quien fue miembro del partido nazi desde 1933 e hizo carrera en el Ministerio de Asuntos Exteriores de Ribbentrop. A este Kiesinger se refiera Aly con simpatía en su necio "análisis de los movimientos" treintaitreseros y sesentaiocheros.
Al dominar hoy en los medios de comunicación la imagen del sesentaiochero subversivo y presto a la violencia, se oculta que en 1968 hicieron denodados esfuerzos por comprender el presente como historia. Eso llevó a que los estudiantes críticos se pusieran a estudiar El Capital de Karl Marx, con pretensión teórica, sí, pero también con intención práctica. Un movimiento quemó El Capital; el otro lo hizo suyo con atenta lectura. Tal vez debería Aly meditar próximamente sobre esa diferencia, antes de que su mirada a 1933 y 1968 alucine con los mismos fantasmas.
NOTA T.: //1 Se trata de intelectuales mediáticos prêt à penser al estilo de los Levi o los Glucksman en Francia, o sus imitadores españoles y latinoamericanos. // 2 Es un rotativo francfortés que defendía tradicionalmente posiciones liberales mas o menos abiertas a la izquierda.
Elmar Altvater, miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO, es profesor emérito de Ciencia Política en el Instituto Otto-Suhr de la Universidad Libre de Berlín. Perteneció entre 1999 y 2002 a la Cimisión de Investigación sobre Globalización de la Economía Mundial del Parlamento federal alemán (Bundestag) y es miembro del Consejo Científico de attac. Su último libro traducido al castellano: E. Altvater y B. Mahnkopf, Las Limitaciones de la globalización. Economía, ecología y política de la globalización, Siglo XXI editores, México, D.F., 2002.
Traducción para www.sinpermiso.info: Amaranta Süss
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Freitag, 15 febrero 2008

Índios

EEUU: los apaches defienden sus tierras
Brenda Norrell • • • • •

24/02/08


Los propietarios apache de tierras en Río Grande le dijeron a la Agencia de Seguridad Nacional el 7 de enero de 2008 que detuviese la confiscación de sus tierras para el muro fronterizo entre EE.UU. y México. Fue el mismo día en que expiró el aviso de treinta días de la Seguridad Nacional junto con la amenaza de confiscar las tierras mediante el derecho a expropiación para construir el muro fronterizo entre EE.UU. y México.
La Agencia de Seguridad Nacional (ASN) declaró que utilizará el derecho de expropiación para tomar posesión de las tierras que ahora tienen propietarios privados. ASN también ha presentado exoneraciones exigiendo que los propietarios de las tierras garanticen al personal de ASN el acceso a su propiedad durante un periodo de doce meses con tal de llevar a cabo estudios para el proyecto de construcción propuesto. Los propietarios fueron informados de que si no permiten voluntariamente el acceso de los agentes federales a sus tierras, el gobierno de EE.UU. entablará una demanda para garantizar a las autoridades de la seguridad nacional el acceso irrestricto a las tierras privadas, a pesar de la oposición de los dueños. Seguridad Nacional ha afirmado que si es necesario expropiará propiedades incluso sin el consentimiento de los propietarios de las tierras, con el fin de completar la construcción de la valla fronteriza.
Muchos propietarios de tierras, como también líderes civiles y activistas de derechos humanos, se oponen a los planes del gobierno de EE.UU. de permitir el acceso de agentes federales de seguridad del estado a propiedades privadas. Las exigencias del gobierno y la estrategia agresiva entran en conflicto con los derechos de propiedad privada y son particularmente desconcertantes para las comunidades indígenas afectadas por esta situación.
Raíces profundas de resistencia
Las comunidades tejanas que se encuentran en la zona de la frontera internacional consisten principalmente de nativos americanos y de herederos de concesiones de tierras que han residido en estas propiedades heredadas durante cientos de años. La Seguridad Nacional tiene previsto completar las porciones tejanas de la valla antes del final del 2008.
“Hay dos tipos de personas en este mundo, los que construyen muros y los que construyen puentes,” dijo Enrique Madrid, miembro de la comunidad apache Jumano, propietario de tierras en Redford, y administrador arqueológico de la Comisión Histórica de Tejas.
“El muro en el sur de Tejas es militarización,” dijo Madrid acerca del aumento de las patrullas fronterizas y la presencia militar. “Estarán armados y dispararán a matar.”
En 1997, un marine de los EE.UU. emplazado en la frontera disparó y mató a Esequiel Hernández de 18 años, que estaba cuidando a sus ovejas cerca de su hogar en Redford. “Tuvimos la esperanza de que sería el último ciudadano de EE.UU. y el último nativo americano asesinado por las tropas,” dijo Madrid durante una conferencia de prensa el siete de enero con apaches de Tejas y Arizona. En lugar de eso, el número de personas disparadas y matadas o atropelladas por patrullas fronterizas y otros agentes estadounidenses ha aumentado bruscamente al continuar la militarización.
La doctora Eloisa Garcia Tamez, una profesora apache lipán que vive en Río Grande, describió como los oficiales estadounidenses intentaron presionarla para que les permitiese acceder a sus tierras privadas para realizar inspecciones para el muro fronterizo entre EE.UU. y México.
“Les he dicho que no está a la venta y que no pueden entrar en mis tierras.” Tamez es una de las propietarias y propietarios de las tierras sobre las que la Agencia para la Seguridad Nacional planea erguir setenta millas de valla doble e intermitente en el valle de Río Grande.
Tamez dijo que el gobierno de EE.UU. quiere acceso a todas sus tierras, que está a ambos lados de un dique. “Después decidirán donde construir el muro. Podría ser sobre mi casa.” Tamez dijo que puede tener sólo tres acres, pero que es todo lo que tiene.
La hija de Tamez, Margo Tamez, poeta y académica, dijo: “No somos gente de muros. Va en contra de nuestra cultura tener muros. La Tierra y el Río van juntos. Tenemos que estar con el río. Tenemos que estar con esta tierra. Hemos nacido de esta tierra.”
Margo Tamez añadió que la recientemente aprobada Declaración de las Naciones Unidas sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas garantiza el derecho de los pueblos indígenas a sus territorios tradicionales.
Rosie Molano Blount, apache chiricaucha de Del Río señalo que muchos de los apaches chiricauchas habían servido en el ejército estadounidense. “Estamos orgullosos de ser americanos,” dijo Blount, añadiendo que los Chiricahua siempre han apoyado al gobierno estadounidense. Ahora, con el creciente hostigamiento a la gente en la zona fronteriza, la actitud local hacia el gobierno federal está cambiando.
“¡Ya Basta!” dijo Blount, repitiendo la frase que se convirtió en el grito de guerra de los zapatistas luchando por los derechos de los pueblos indígenas.
Blount dijo que hace falta un diálogo acerca de los asuntos de la frontera, pero no una militarización o un muro fronterizo. También lanzó un mensaje al secretario de la Seguridad Nacional Michael Chertoff. “No venga aquí a dividir nuestras familias, Chertoff. Usted cree que esa es la única manera de hacer las cosas.”
Michael Paul Hill, apache San Carlos de Arizona, describió como agentes fronterizos de EE.UU. violaron y abusaron sus objetos sagrados mientras cruzaba la frontera, incluyendo una piedra sagrada, pluma de águila, y un tambor utilizado en las ceremonias.
Después de participar en una ceremonia apache en México, cuando Hill y otros apaches volvieron a entrar en EE.UU. un equipo SWAT totalmente equipado estaba esperándolos y los interrogó. “Me llamaron extranjero”, dijo Hill, añadiendo que los agentes fronterizos maltrataron sus objetos ceremoniales y le advirtieron de que quizá podía conseguir cruzar la frontera sin inspecciones exhaustivas en Nogales, Arizona, “pero no en Tejas.”
“Daba mucho miedo,” dijo Margo Tamez, que también estaba ahí. Señaló cómo la creciente militarización está aterrorizando a la gente que intenta seguir con su vida, trabajando, cuidando a sus familias y manteniendo sus ceremonias tradicionales.
Isabel Garcia, co-presidenta de Derechos Humanos en Tucson, Arizona, dijo que Arizona ha sido un laboratorio sobre los efectos de criminalizar la frontera. Señalando que la frontera de Arizona es la tierra ancestral de los tohono o’odham (también llamados pápagos), dijo: “En estas fronteras ha sido donde ha vivido la gente desde tiempos inmemoriales.” Garcia describió el clima de militarización y abuso de los agentes de las patrullas fronterizas, recordando que en 2002 agentes fronterizos “cowboy” atropellaron y mataron al tohono o’odham Bennet Patricio Jr. de dieciocho años. Su madre, Angie Ramon, todavía busca justicia por la muerte de su hijo.
Garcia también describió las muertes por deshidratación y calor en el desierto de Sonora en el sur de Arizona, donde las fallidas políticas fronterizas han empujado a los inmigrantes, que sólo buscan una vida mejor, hacia los traidores desiertos. “Dos cientos treinta y siete cuerpos fueron encontrados en un año y la mayoría estaba en las tierras tribales de los tohono o’odham.”
Cuestiones legales y retos
La Seguridad Nacional ignoró 22 leyes federales para construir el muro fronterizo en el área salvaje de San Pedro, en Arizona, señalo Garcia. El abogado Meter Schey, director del Centro de Derechos Humanos y Ley Constitucional en Los Ángeles, dijo que América no necesita un “muro de Berlín”.
Schey, conocido abogado de derechos de inmigrantes, dice que la Sección 564 del proyecto de Ley Ómnibus para las apropiaciones de la Seguridad Nacional sustituye la legislación anterior. Ahora a la Seguridad Nacional se le exige que consulte con las comunidades. Schey dijo que ésto quiere decir una consulta real y una verdadera consideración de las aportaciones y los datos de la comunidad. Schey emprendió su primera acción al notificar al secretario de Seguridad Nacional, Michael Chertoff, por carta enviada por fax de parte de la propietaria de Tejas, la doctora Tamez, el lunes, el mismo día en que expiró el aviso de la Seguridad Nacional que amenazaba con confiscar en treinta días las tierras mediante el derecho de expropiación. Schey pidió a Chertoff que detuviese las inminentes expropiaciones de tierras privadas. Schey dijo que la sección 564 va en contra de las disposiciones de la anterior “ley valla segura” y requiere que la Seguridad Nacional consulte con los propietarios como la doctora Tamez para “minimizar el impacto sobre el medio ambiente, la cultura, el comercio, y la calidad de vida” en áreas sobre las que se planea la construcción de la valla fronteriza.
“Además, creemos que las nuevas disposiciones establecidas por la ley invalidan el Borrador de la Declaración del Impacto sobre el Medio Ambiente de la construcción de la valla publicada por el Departamento el 16 de noviembre de 2007, hasta que se hayan completado las consultas locales exigidas, y otros requisitos que aparecen en la Ley Ómnibus,” le dijo Schey a Chertoff.
La Seguridad Nacional ya ha construido muros en gran parte de la frontera internacional de California y Arizona con México, a pesar de la oposición del gobierno de México.
Los apaches en la frontera tejana han formado una coalición nacional de partidarios, abogados, y colegas apaches y otros pueblos indígenas para resistir ante la expropiación de sus tierras, la profanación de sus lugares sagrados y la militarización de sus comunidades. En solidaridad, la red se opone a la expropiación de las tierras privadas por parte de la Seguridad Nacional gracias al derecho de expropiación, a la militarización de la frontera, y a la construcción del muro fronterizo.

Brenda Norrel es una escritora freelance y analista del Programa Político de Fronteras de América
Traducción para www.sinpermiso.info: Sebastián Porrúa
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www.americaspolicy.org, 10 de enero 2008

Eu quero ser de novo amigo de Adriana Tasca!

Minha Adrianinha!

Buñuel

“Buñuel fue siempre muy parco al hablar de esta etapa de su vida, como responsable de propaganda en París y agente de inteligencia.” Entrevista
Román Gubern • • • • •

28/02/10






Román Gubern (Barcelona, 1934), pionero de los estudios de Comunicación audiovisual en el Reino de España, catedrático de Comunicación audiovisual en la Universidad Autónoma de Barcelona, ha sido investigador en el Massachusetts Institute of Technology (MIT), profesor de Historia del cine en la University of Southern California (Los Ángeles) y el California Institute of Technology (Pasadena) y presidente de la Asociación Española de Historiadores del Cine. Gubern es asimismo autor de Historia del cine(1969), El cine español en el exilio(1976), El cine en la II República (1977), La censura: función política y ordenamiento bajo el franquismo (1981), La caza de brujas en Hollywood (1987) y Proyector de luna. La Generación del 27 y el cine (1999), entre muchos otros. Àngel Ferrero entrevistó para Sin Permiso a su antiguo maestro sobre su último libro, coescrito con Paul Hammond, "Los años rojos de Luis Buñuel" (Cátedra), en el que aporta luz a una de las etapas más desconocidas del cineasta aragonés.

AF ¿Por qué "los años rojos" de Luis Buñuel?

RG Porque fueron los años en que Buñuel militó en el Partido Comunista, como muchos de sus compañeros de generación y amigos suyos (Rafael Alberti, Juan Piqueras, etc.).

AF En el momento en que Buñuel entra en el grupo surrealista, éste se encontraba a punto de comenzar su transición hacia la militancia política en el movimiento comunista. ¿Qué posturas políticas tomaron sus miembros y qué postura tomó Buñuel con respecto a ellos?

RG Entre 1930 y 1932 el movimiento surrealista vivió una fractura ideológica, pues una parte de sus miembros pasó a militar en el Partido Comunista. Y aunque André Breton había querido convertir a su grupo en un movimiento revolucionario, en sintonía con la Komintern (su segunda revista se tituló El surrealismo al servicio de la revolución), las posiciones conservadoras en materia de sexualidad, psicoanálisis, arte, etc., en el movimiento estalinista condujo a varios desencuentros y a su alejamiento definitivo en 1935. Buñuel (como Louis Aragon, Georges Sadoul y otros) ingresó en el Partido Comunista en el invierno de 1931-32. Pero lo hizo en Madrid, en el Partido Comunista de España, pero al residir en Francia su militancia en los primeros años fue en el PCF. En mayo de 1932 se decidió a comunicar a Breton por carta su abandono del surrealismo debido a su militancia política.

AF Cuando se habla del escándalo que causó La edad de oro se acostumbra a reproducir solamente los hechos que sucedieron durante la proyección del 3 de diciembre de 1930, cuando un grupo de alborotadores fascistas interrumpió la proyección y destruyó las obras expuestas en el foyer. En el libro, sin embargo, además de precisar la afiliación política de los atacantes, se recogen las reacciones posteriores de comunistas y conservadores franceses y aún de los fascistas italianos. ¿Podría explicarnos brevemente la historia del que sea posiblemente uno de los mayores escándalos de la historia del cine?

RG La edad de oro fue un manifiesto audiovisual de las posiciones revolucionarias e iconoclastas del surrealismo, en contraste con el aspecto “privado” y “poético” que había ofrecido antes Un perro andaluz. Su irrupción, sorteando la censura, provocó una reacción violenta de gentes de extrema derecha, con el consiguiente eco mediático en la prensa conservadora. Acabó siendo prohibida y sus copias confiscadas por el prefecto de policía de París. Y Buñuel, ya comunista, se atrevió a montar luego una versión “reducida” de su film, más acorde con su nueva ideología, pero no llegó a ver la luz. De todos modos, cuando yo residí en París en 1958-59, la Cinemateca Francesa solía proyectar provocativamente La edad de oro el Viernes Santo.

AF Y sin embargo, Buñuel se encontraba en Hollywood supervisando la producción en lengua francesa de la MGM. ¿Por qué la estancia de Buñuel en los EE.UU. fue un fracaso?

RG Buñuel se negó a insertarse en la maquinaria comercial conservadora de la MGM, aunque más tarde en España –en Filmófono– y en México tendría que dedicarse a producir o dirigir cine comercial, que él había llamado en su juventud “cine antiartístico”, como un elogio.

AF Otro lugar común de la historiografía buñueliana es que Las Hurdes fue financiado por Ramón Acín después de tocarle un billete de lotería. En el libro se aporta documentación en otro sentido. ¿Cómo se gestó Las Hurdes? ¿Qué reacciones provocó la película?

RG El proyecto Las Hurdes fue heredado por Buñuel de un intento frustrado de Yves Allégret de realizar un documental en esa región. Y se financió con un billete de lotería premiado que compró Ramón Acín, tal vez con dinero prestado por Buñuel. Tras un pase en Madrid de su copión mudo, acogido con frialdad, el documental fue prohibido por el gobierno conservador durante el “bienio negro”. Resucitó durante el Frente Popular y fue sonorizado en París en 1936, con un texto que servía como arma de propaganda para la guerra antifascista. Fue muy influyente en el movimiento documentalista mundial, incluyendo a Robert Flaherty.

AF Una de las facetas más desconocidas de Buñuel es la de productor de cine popular durante la II República. ¿En qué consistió el proyecto de Filmófono?

RG Filmófono fue una distribuidora que en 1935 extendió sus actividades a la producción de películas comerciales. El empresario Ricardo Urgoiti, cabeza del proyecto, puso al frente de las tareas de producción a Luis Buñuel, quien se protegió con un riguroso anonimato. Buñuel supervisó estrechamente, y a ratos dirigió personalmente, las cuatro comedias populares que surgieron de la productora, hasta que el estallido de la Guerra Civil yuguló su próspera iniciativa. Aunque fueron comedias comerciales y populares, su ideología era progresista para su época.

AF Un capítulo especialmente neblinoso en la biografía de Buñuel es el de su papel en la Guerra Civil como agregado cultural en la embajada de París, en la que participó en labores de espionaje y contraespionaje como el episodio “de las tres bombas”. ¿Qué hay de cierto en todo ello?

RG Buñuel fue siempre muy parco al hablar de esta etapa de su vida, como responsable de propaganda en París y agente de inteligencia. En el libro se aportan muchos datos inéditos de tal actividad, gracias a la consulta de archivos oficiales españoles y franceses. Y se aclara su intervención en dos documentales de propaganda realizados en París, el segundo de los cuales fue prohibido por la censura francesa y no exhibido en España.

Román Gubern es Catedrático de Comunicación audiovisual de la Facultad de Ciencias de la Comunicación en la Universidad Autónoma de Barcelona.

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www.sinpermiso, 28 febrero 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUE TU VOZ, SANTO DE AMERICA SEA OIDA Y LA JUSTICIA APLICADA ¡NI OLVIDO, NI PERDÓN!

Compañeras y compañeros de la Heroica Resistencia Hondureña:

Es impresionante, por la dramática actualidad de su mensaje, escuchar las últimas palabras que expresara Monseñor Óscar Arnulfo Romero Galdámez hace ya 30 años, antes de ser cobardemente asesinado. Aquí pueden escuchar su último sermón ( http://www.goear.com/listen/a47ab3e/cese-la-represi%C3%B3n-monse%C3%B1or-oscar-romero ) El mercenario contratado para disparar contra ese hombre de paz nunca entendió la atrocidad que cometía. 

Se puede, o no, ser católico; se puede, o no, creer en Dios, pero jamás se podrá dejar de darle la razón a Monseñor Óscar Arnulfo Romero Galdámez, digno sacerdote que lleno de pundonor, verdad y coraje desafió frontalmente al mal en El Salvador.

Monseñor Romero es la antítesis de Oscar Rodríguez Maradiaga, monstruo ensotanado, endemoniado odiador del género humano, hermano putativo de Micheletti y Lobo, engendro del diablo que funge en Honduras como "cardenal". Uno que festeja, aplaude y justifica el asesinato de más de 150 niños, mujeres y hombres de hondureños de la Resistencia. 

Igor Calvo.

A continuación un sencillo homenaje a Romero, 30 años después de su cobarde asesinato en pleno altar donde oficiaba. 
 


EL FOGÓN IDEOLÓGICO
PARA LOS LECTORES Y LECTORAS REVOLUCIONARI@S DEL MUNDO

EL VIA CRUCIS DE MONSEÑOR ROMERO

Comienza con tu conversión al lado de los humildes, esa fue tu prueba de fuego y con los humildes cumpliste tu destino.  A treinta años de tu martirio nuestro pueblo empuja contra la impunidad por la justicia y ya, a esta hora el Estado Salvadoreño se ha declarado culpable de tu asesinato y ha pedido perdón; pero será ello suficiente? no, desde ningún punto de vista, de ninguna manera si no se castiga a los culpables de todos los crímenes de lesa humanidad a priori y a posteriori de tu martirio.

En Monseñor Romero  se sintetiza el amor hacia nuestro pueblo, el respeto a nuestras hermanas y hermanos, el cuidó de nuestra niñez y de nuestr@s ancianos, exigió la apoliticidad de los cuerpos armados, la constitucionalidad del gobierno y la aceptación de las normas del Derecho Internacional por los Tres Poderes del Estado Salvadoreño. Ello hubieran pensado los sicarios: que asesinando a Santoamérica,  tarde o temprano se les revertiría y que la justicia salvadoreña e internacional llegaría más allá de donde ahora estamos. Sin embargo, no es sólo Monseñor el caso común, sino la de más de cien mil masacrados a mansalva por los sicarios, casos como el de los jesuitas, las monjas Maryknoll, los más de doce sacerdotes, las decenas de maestros,  médicos, en fin de todo nuestro ensangrentado pueblo que  es quien no sólo demanda  perdón, sino justicia de parte del estado salvadoreño y si las Cortes de Justicia de los Estados Unidos encontraron culpables a Vides Casanova, Sarabia, Carranza y García,  por crímenes de Lesa Humanidad, significa también que hay una infinidad de militares y políticos de esos tiempos que son culpables tal como lo demuestran los documentos desclasificados del Departamento de Estado de Los Estados Unidos.

La Ley de Amnistía que ha salvado a estos criminales pierde su legalidad y objetividad  porque el estado que la decretó lo hizo  bajo presión nacional e internacional y porque ese mismo estado mintió a la ciudadanía salvadoreña a sabiendas que mentía,  por lo cual demandamos, debido a la conducta inapropiada    de estado falástico de esos días,  la derogación por el estado de derecho actual de la inapropiada y anti jurídica Ley de Amnistía.

El perdón lleva implícito de forma tácita que se dio un crimen y  el estado tiene la obligación de castigarlo, aquí no hay  caso a discusión, se cometió un crimen, se ha aceptado y por ello  el pueblo demanda que se aplique la ley.

La sociedad salvadoreña quiérase o no,  vive un momento coyuntural diferente, el pueblo ha elegido democráticamente al actual gobierno y como tal, el actual gobierno tienen que oír al pueblo que lo eligió,  este pueblo pide justicia y que se castigue a los asesinos de Santoamérica y  se derogue la Ley de Amnistía, de otra forma no estaremos en paz y no podremos poner esa parte oscura de nuestro pasado en el baúl del olvido y del perdón.

No es cosa del presidente o del partido, es deber del estado salvadoreño si es que queremos salir del oprobioso oscurantismo medievalista de las últimas décadas del siglo pasado cuando  a nuestro pueblo se le dio caza como animal salvaje y donde bastaba la voluntad de un sicario para asesinar a miles de indefensos.

No es tampoco el odio y la revancha lo que nos mueve, es sencillamente la persecución de la justicia para hacer de nuestra nación un hábitat donde todos podamos vivir en paz cumpliendo cada cual con nuestras obligaciones ciudadanas.

La reciente captura del ex presidente de Guatemala, el enjuiciamiento y condena de cuatro criminales militares salvadoreños por Cortes Norteamericanas, la extradición de dos ladrones (Carlos Perla y Monteagudo), el juicio a los diputados traficantes, el enjuiciamiento en España por el asesinato de los Jesuitas,  y la llegada de nuevos magistrados a la CSJ y a la Procuraduría de Derechos Humanos, así como la depuración de los cuerpos policiales y probablemente en un futuro próximo el esclarecimiento de las verdaderas causas y de los autores  intelectuales del asesinato de tres diputados salvadoreños y su motorista en Guatemala, la demanda del verdadero esclarecimiento sobre la muerte de nuestro líder histórico Schafik,  dan signos claros de que vamos en camino de la justicia por el bienestar de las mayorías,  la cual a gritos pide paz y seguridad en esta nación marcada por la violencia y la impunidad.

El presidente tiene razón en llamar a todo el pueblo a unirse en la campaña contra la violencia y como pueblo respondemos que el estado que es el mejor juez, derogue las leyes draconianas que en nada ayudan a la búsqueda de paz, dignidad  y  justicia social 

QUE TU VOZ, SANTO DE AMERICA SEA OIDA Y LA JUSTICIA APLICADA 

¡NI OLVIDO, NI PERDÓN!
Ponciano Montañés y Ermitaño
Monje Trapense

Enviado popr Igor Calvo 

segunda-feira, 1 de março de 2010

Homenagem às mulheres do Brasil e aos 30 anos do PT

De Mulheres para A MULHER: A Luta Continua - Juntos somos Fortes

MULHERES DO BRASIL (YouTube)






Belas mulheres.Guerreiras,femininas,maes,avós,amigas,amadas,amantes,trabalhadoras,profissionais de todas as áreas,donas de casa,militantes por um pais melhor para seus filhos.

Uma homenagem das mulheres, para A MULHER: 8 de Março de conquistas e de lutas. Em 2010 A LUTA CONTINUA, companheiras 

Enviada por Nana Lopes/ Helen- Brasilia 

" Reunião de bacana": Segredos e intrigas, amigos e inimigos no almoço de Aécio. "E Se gritar pega...quem vai ficar?

Sexta, 5 de março de 2010, 14h15 Atualizada às 14h56

Segredos e intrigas, amigos e inimigos no almoço de Aécio

Bob Fernandes

Aécio Neves conversa com os senadores Agripino Maia (DEM)
e Tasso Jereissati (PSDB) (foto: Leo Drumond)

Ciro Gomes, PSB, pré-candidato a presidente da República, passa rente a José Serra, PSDB, pré-candidato a presidente da República. Ambos não se cumprimentam, sequer se olham.
Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais abraça José Alencar, PRB, vice presidente da República, e lhe sussurra algo.
Geraldo Alckmin, PSDB, ex-governador e pré-candidato a governador de São Paulo, conversa com Rodrigo Maia e ACM Neto, o presidente e o deputado do DEM, enquanto Sérgio Guerra, presidente do PSDB, cochicha com os senadores Tasso Jereissati, possível candidato a vice-presidente pelo PSDB, e Agripino Maia, líder DEM. Antonio Anastasia, vice-governador de Minas e candidato a suceder Aécio, aproxima-se do governador e do vice-presidente da República.
Os garçons servem champanhe a ministros dos tribunais superiores, o cantor Fagner gargalha, o senador Wellington Salgado escreve uma mensagem no Livro dos Convidados.
Os ternos, quase todos em azul marinho. As gravatas, quase todas vermelhas.
É o bailado da sucessão presidencial de 2010.
O segundo grande ato da sucessão, este executado na tarde da quinta-feira 4 de Março no Palácio da Liberdade, construção de 1897 encravada no coração de Belo Horizonte.
O primeiro ato se deu, semanas antes, na Convenção do PT que ungiu Dilma Rousseff candidata à presidência República.
Nesta quinta-feira, o PSDB pretendia iniciar o seu ATO I, com o anúncio da chapa puro-sangue José Serra-Aécio Neves. Não conseguiu fazê-lo, e no almoço oferecido por Aécio as coxias fervilham.
Ainda ecoa, repercute entre os convivas, o coro de milhares de pessoas na Cidade Administrativa Tancredo Neves, inaugurada instantes atrás:
- Aécio presidente! Aécio presidente!

Coro entoado na presença de José Serra, o pré-candidato tucano à sucessão de Lula.
Aécio Neves recebe seus convidados à porta do elevador interno do Palácio ou à beira da escadaria art nouveau fundida na Bélgica.


Os governadores de Minas e São Paulo, Aécio Neves e José Serra,
o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e o senador Casildo Maldaner (DEM/SC) (foto: Wellington Pedro)
Mesas postas em três salões por onde se formam e desmancham rodas de conversas e cochichos.
Ciro Gomes, provocado, diz que ele e Serra acabaram de se cumprimentar:
- Nos cumprimentamos cordialmente como deve ser com dois rapazes educados...

(pausa)
-... uns mais educados do que outros.
Ciro e Serra não se falam, não se olham nos primeiros passos do dueto.
Serra, à soleira da porta que leva à sacada do Palácio da Liberdade, onde confabulam ACM Neto e Rodrigo Maia.
Ciro, a menos de dois metros do governador de São Paulo, conversa com o irmão, Cid, governador do Ceará. Cid recorda o pai José Euclides Ferreira Gomes e filosofa:
- Como meu pai dizia, às vezes os prognósticos são apenas a expressão dos nossos desejos...

Ciro expõe o seu prognóstico. Ou desejo, como diria o velho José Euclides:
- Serra está vivendo um drama humano, isso é profundamente humano: a dúvida, a angústia de saber se vai ou não vai, e ele...

Ciro acha, ao menos diz de público, que Serra não vai.
Fiel ao seu estilo, o pré-candidato do PSB aproxima-se de Rodrigo Maia e ACM Neto e brinca:
- Como é que vocês, dois jovens, ficam com "O Coiso" e não comigo?

Sorrisos amarelos dos jovens DEM. Cara de paisagem de uma involuntária testemunha da cena; Geraldo Alckmin gostaria de não estar ali, mas Ciro aponta para o ex-governador enquanto dirige-se à dupla DEM:
- Ele fica p... da vida quando eu faço isso.

Mãos cruzadas abaixo da cintura, Alckmin vê-se obrigado a abandonar a paisagem. Sorri, discretamente.
Aécio passa por Serra e chega à sacada. Cumprimenta Maia e ACM Neto, puxa Ciro para o lado e com ele confabula por minutos.
Os garçons enchem taças. Segue o bailado da sucessão 2010.
Cabe a José Alencar a primeira mensagem no Livro dedicado ao dia, data do Centenário de Tancredo, da inauguração da Cidade Administrativa que leva seu nome, e data da chapa que não nasceu, a puro-sangue do PSDB.
Sucessão à tucanos. Com dois candidatos e ainda sem nenhum.
Horas antes, sob o arco desenhado por Oscar Niemeyer para a Cidade Administrativa, o coro:
- Aécio presidente! Aécio presidente!

Não uma, mas duas vezes. No segundo ensaio do coro, já no palco, capacete na cabeça e ladeado por alguns dos 13.048 operários da obra monumental, Aécio sorriu e com as mãos fez o gesto de "manera, manera". Foi atendido e o coro se esvaziou.
E Serra, o que teria pensado ao ouvir o estrondoso clamor de Minas à sua volta?
Ele não ouviu:
- ... Gritos? Eu estava ocupado na hora, não prestei atenção, nem percebi...

Segue o bailado.
Serra exercita a arte da abstração. Por exatos 8 minutos escreve uma mensagem para Aécio Neves.
No Livro, a ele oferecido por Dona Jovi, funcionária do Cerimonial, o governador de São Paulo constrói a mensagem. Caneta na mão direita, pensativo, por exatos seis minutos e 45 segundos Serra escreve o que a história registrará:
-
Ao governador Aécio, sua equipe e os mineiros e mineiras, meu abraço e meu contentamento pela "Cidade" Tancredo Neves e por todo o notável avanço de Minas Gerais na direção do desenvolvimento, da justiça social, do equilíbrio regional, na contribuição maior ao Brasil,
José Serra
Antes dele, Ciro Gomes ocupa a segunda página do Livro. Com o estilo de sempre. Direto. Em dois minutos e meio:
-
Aos mineiros do tempo do grande governador Aécio Neves. O Brasil tem uma dívida com Minas e seu povo. A cada transe, sempre Minas é quem acode o Brasil. De Felipe dos Santos a Itamar Franco, passando por Juscelino - de todos o maior - e Tancredo. Privilégio meu sua amizade,
Ciro.
Aécio se desloca, circula entre os convidados, os grupinhos, faz as honras da casa. Instigado, comenta notícia de que Lula pretenderia se licenciar por dois meses para mergulhar na campanha:
- Ele tá confiante, hein?

Serra, ao lado, ouve e mantém o silêncio.
Num pequeno púlpito, Dona Jovi de guardiã, avança o ritual das mensagens no Livro.
Wellington Salgado, senador do PMDB de Minas, expoente da tropa de choque governista alcunhado de "Cabelo" pela oposição, descreve o que lhe vai n'alma:
-
Governador, duro é ter tudo que se imagina de um grande político da minha geração e por questões políticas ter que admirá-lo comportadamente e sem tê-lo no meu partido,
Wellington Salgado.
Um tucano se aproxima do Livro. Passa os olhos pelas mensagens, detém-se na página com a confissão de Wellington e murmura a sua confissão:
- ...está todo mundo doido pra trair...

Murmura, mas nada escreve no Livro.
Quem quer trair? E a quem?
Wellington Salgado, por exemplo, deixa escapar para um amigo:
- Na verdade, no PMDB ninguém está feliz, feliz mesmo, com a Dilma.

E no PSDB?
Segue o bailado.
João Almeida, da Bahia e líder do PSDB na Câmara, vê Serra passar. Analisa:
- Ele tá demorando muito...

Sérgio Guerra, presidente do PSDB expressa (prognóstico ou desejo?):
- E agora? O Serra é candidato. Não tem mais "e agora?", ele é candidato...

Aécio e Serra se despedem, um diz algo no ouvido do outro. Aécio provoca:
- ...e todos os dias os jornalistas perguntam se falamos, o que decidimos, o que falamos nas nossas conversas...

Serra sorri, Aécio sorri e emenda:
- ...nossos destinos estão traçados... nossos destinos já estão traçados.

Serra e Aécio têm conversado, dias e dias de conversas telefônicas, encontro reservado na noite-madrugada de terça para quarta, em Brasília.
Aécio já comunicou, e repetiu, e repetiu, e repetiu:
- Eu não serei vice!

Conversaram também sobre mais, muito mais do que isso, sondaram até o inimaginável.
Aécio e Serra se despedem no Palácio que já abrigou, já assistiu à urdidura do poder feita por Juscelino, Tancredo, Milton Campos, Benedito Valadares...
Serra se vai. Aécio murmura, como se fosse pra si mesmo:
- ...nossos destinos já estão traçados...

Fim do bailado tucano, ATO I.
Veja também:
» Com Serra presente, milhares gritam em MG: "Aécio presidente!"
» Presidente do PSDB-MG: Aécio Neves não é pneu estepe
» Chance de ser vice de Serra é "zero", diz Aécio; assista » Após telefonema para Serra, Aécio desiste da presidência


ARNALDO JABOR E EU: QUEM É O BOÇAL?

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Raul Longo*

Eu, claro. Afinal, ainda que filho de operária, me tornei um classe-média. E o Arnaldo Jabor conhece muito da contumaz boçalidade da classe média.

A meu ver Jabor fez um único filme realmente notável: "Tudo Bem". Mas é tão bom que apesar da produção posterior do que chamou “trilogia do apartamento” ser de enredo paupérrimo e péssima direção, “Tudo Bem” justifica o longo aprendizado de Jabor sobre a classe média brasileira.

“Tudo Bem” é um verdadeiro tratado sobre a incapacidade de raciocínio e de percepção da realidade que o circunda, pelo cidadão comum de classe média. Mas a concepção farsista de nossa pequena-burguesia sobre o país e sobre si mesma, já despertara a atenção do Jabor há muito mais tempo, como se verifica em seu primeiro longa-metragem de 1967: “A Opinião Pública”. Um documentário onde, através de um mosaico de depoimentos, Jabor possibilita à própria classe média a exposição de seu empedernido atrasismo fascistóide e moralista, ao apoiar a ditadura militar instaurada pelo golpe de 64.

Em sua primeira produção ficcional, “Pindorama” de 1970, através de alegórica representação da irracionalidade e alienação da classe média através de uma personagem feminina viciada e manipulada pela Igreja, Militares, Políticos e o poder econômico dos verdadeiros burgueses; Jabor transpõe a atualidade dos anos 60 ao Brasil do século XVI.

Todo esse interesse e análise desenvolvida ao longo de uma década de críticas mordazes e profundas, em 1978 se concretizam em um dos mais atilados tratados sociais já produzidos sobre o segmento médio dos estratos sociais brasileiro, o “Tudo Bem”.

Nem da Casa Grande nem da Senzala, sempre excluída e menosprezada pelos clãs dos Donos do Poder, a classe média nunca mereceu maiores atenções de nossos mais destacados historiadores, cientistas e analistas sociais. Até mesmo os modernistas que dela se originaram, não dedicaram mais do que breves ironias. E os que alguma vez tentaram enaltecê-la, nunca superaram as rimas pobres como aquelas das “bandeiras de 13 listas que marcam conquistas de paulistas trabalhistas”.

Além de Machado de Assis no início do século passado e de Nelson Rodrigues nos meados, só Roberto Carlos e sua turminha da jovem guarda buscaram interpretar as pequenezes e comezinhas vicissitudes desta classe que nunca se destacou por nenhum maior envolvimento com o país e seu povo. Apenas deixaram se enganar por duas campanhas promovidas por Assis Chateaubriand, entregando relíquias familiares e acreditando no Ouro Para o Bem do Brasil (que o Brasil nunca viu) e a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em prol da ditadura militar.

Interessaram somente aos publicitários e estrategistas comerciais que chegaram a contratar os irmãos Paulo e Marcos Vale para compor um hino ao “Corcel cor de Mel e o Mustang cor de sangue”, e ao marketing da ditadura que versou o “America love or leave” para “Brasil ame-o ou deixe-o”, ao que seus integrantes que ainda preservavam algum senso crítico completavam com “E o último a sair apague a luz do aeroporto”.

Ridicularizada por si mesma e menoscabada pelas esquerdas, mais interessadas nas classes produtivas em cultura ou em contribuições ao desenvolvimento da civilização brasileira; é essa pobre classe média que Jabor denuncia em “Tudo Bem” como sintoma de um capitalismo tardio; cruelmente tratando-a como bocas inúteis a serem alimentadas pelos que ela despreza e ocupante de espaços adaptados para conter o vácuo, o vazio, o nada.

O filme resgata de Lima Barreto a ironia às inócuas boas intenções de um Policarpo Quaresma adaptado e reinterpretado por Paulo Gracindo em anacrônica preservação do Integralismo, contracenando com a divina Fernanda Montenegro reproduzindo uma patética esposa incapaz de incluir-se na própria realidade, mas ridiculamente disposta a ensinar sobre o que não consegue ver e sequer ter qualquer noção do que seja.

Antes da instalação da primeira indústria automobilística brasileira Noel Rosa já reclamara da operária que atendia ao apito da fábrica, embora surda à buzina de seu carro. E Newton Mendonça fotografou numa alemã Roleiflex a ingratidão composta pelo Jobim e cantada pelo João Gilberto; mas analisar, estudar, descobrir os medos, os segredos, inseguranças, vazios... Os pequenos engodos que utiliza para enganar-se a si mesma e as vãs fantasias cotidianas, ninguém antes reproduziu tão bem quanto o Jabor.

Se alguém descobrir alguma razão para conhecer em profundidade essa grande falácia que é a pequena burguesia urbana brasileira, não terá como fugir. Obrigatoriamente haverá de consultar a obra do cineasta, pois assim como não se conhece o sertanejo sem ler Guimarães Rosa, não é possível conhecer nossa classe média sem Jabor.

Mas a questão que resta é que enquanto o sertanejo continua sendo uma matéria riquíssima, seja para o teatro e a literatura de um Ariano Suassuna, para a música de um Elomar, ou o espetáculo de um Antônio Nóbrega; qual a utilidade de todo o conhecimento que Jabor reuniu sobre a classe média?

Para o próprio Jabor não teve nenhuma, pois quando se deu conta das restrições de conteúdo de seu objeto de estudo e resolveu tirar proveito com algum retorno financeiro, é que acabou quebrando a cara.

Ao explorar as emoções baratas da classe média através de suas típicas crises existenciais e conseqüentes reflexos sexuais, tudo o que fez foi produzir dois fracassos brochantes: “Eu te Amo” em 1980 e “Sei que vou te amar” em 1986.

Tim Maia, emérito frasista, dizia que o Brasil é o único país onde traficante se vicia e prostituta se apaixona pelo freguês. Quando Chico Anísio casou com a Zélia Cardoso, o Macaco Simão da Folha de São Paulo completou a relação com o humorista que casa com a piada. No caso do Jabor, podemos adicionar o intelectual que se tornou tão estúpido quanto a estupidez que ironizou. Como Jabor foi cometer a burrice de tentar ganhar dinheiro com a classe média brasileira reproduzindo a própria nulidade desse grupo social, é incompreensível. Como, apesar de duas décadas de estudos e análises, não percebeu que a colonizada classe média brasileira desconhece e despreza a si mesma, apenas reconhecendo e valorizando sua congênere estadunidense, por mais idênticas que sejam.

O vazio é o mesmo, o mesmo nada, mas com uma diferença fundamental: a classe média norte-americana, conhecida como “maioria silenciosa”, ainda que silenciosa é muito orgulhosa de si: do seu chiclete, da sua coca-cola, dos seus carros, do seu sanduíche e de sua calça jean. A brasileira tem o mesmíssimo orgulho, mas do chiclete, coca-cola, carros, sanduíches e jeans deles, dos norte-americanos.

Difícil imaginar de onde o Jabor tirou que os brasileiros médios dariam o mesmo valor para uma porcaria de filme produzido aqui, que dão às porcarias de filmes produzidos lá; mas nem por isso se pode dizer que Jabor seja um boçal.

Não! Pois apesar do fracasso como cineasta, Jabor logo descobriu outra forma de utilizar seus conhecimentos sobre a boçalidade da classe média brasileira, colocando-os a serviço do maior grupo de comunicação do país. Deu um pouco de azar, coitado, pois resolve fazer isso justo quando o tal grupo inicia um processo de decadência e perda de público, mas isso Jabor não tinha como imaginar, porque apesar de seu convívio com Glauber Rocha, de povo ele entende muito pouco ou praticamente nada.

Ainda assim, e graças as suas pontas no jornalismo da Globo, as madeixas do Jabor conseguiram algum sucesso entre as senhoras da mesma classe que ele tanto desprezou, ironizou, satirizou e menoscabou através de seus longa-metragem.

Foi o também cineasta César Cavalcanti quem me chamou a atenção para o detalhe da cor da gravata diária no Jabor na TV: vermelha! E vermelha continuou cotidianamente desde a vitória eleitoral de Luís Ignácio Lula da Silva, até o anúncio da indicação de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura. Talvez um pouco mais, na esperança de biscoitar algum alto cargo de confiança, mas a medida que o estafe se definiu em todo o Ministério, Jabor mudou de vez a cor da gravata e, de lá pra cá, não há o que o faça perdoar Lula. E nem deve! Pois se não for o que recebe dos Marinhos pra falar mal do governo Lula, vai viver do quê?

Difícil a situação do Jabor! Mas não se pode dizê-lo boçal, afinal está tirando algum proveito de tantas décadas de áridas análises e estudos sobre a classe média. Boçal sou eu que tento demonstrar a essa mesma classe média quanto o Jabor a trata como fruto da mais pura e refinada boçalidade.

Reconheço que sou boçal, pois jamais o típico pequeno-burguês do Brasil será capaz de enxergar algum valor em sua gente, em seu país, em sua história e em si mesmo. Muito pelo contrário! Sente-se afagado pelo William Bonner quando confessa que faz jornal para Hommer Simpsons, o personagem idiota do famoso seriado animado dos norte-americanos. Idiotas, sim, mas idilicamente idiotas norte-americanos!

Lembrando disso é que me contive quando vi o Jabor comentando a notícia do outro, o William Waack, culpando o Presidente Lula – evidentemente! – pela morte do prisioneiro cubano. Dizia a notícia que o presidente brasileiro negligenciara um pedido por sua intervenção, emitido pelo grupo do Orlando Zapata Tamayo de dento da prisão.

Aí aparece Lula negando ter recebido tal pedido, afirmando que se houvesse recebido até conversaria a respeito com os mandatários cubanos, mas que não fora protocolado. E então, para meu espanto, surge o Jabor especulando sobre a desumanidade do Lula ao exigir que o moribundo Zapata, fraco e com fome, ainda protocolasse o tal pedido.

Naquele momento não me contive e considerei o Jabor um boçal por desconhecer que qualquer pessoa que pretenda se dirigir por escrito a uma autoridade de onde for no mundo, terá de fazê-lo através de um registro protocolar, exatamente para preservar o direito de comprovar a intenção de se comunicar com a autoridade.

Se sou mal atendido por um assessor de serviço público e pretendo me queixar com seu titular, não adianta pôr uma cartinha no correio, pois o secretário, diretor ou o que seja, simplesmente poderá alegar que a missiva não lhe foi entregue. Jabor pode até cogitar que o governo cubano não entregou o pedido ao protocolo da embaixada brasileira, mas em meu imediato entender proferiu evidente boçalidade ao cogitar sobre desumana exigência burocrática a um moribundo em greve de fome. Afinal quem protocola não é o que emite o comunicado e, sim, o órgão que o recebe. Assim se atesta o recebimento de qualquer documento ao longo da história.

Muito fácil qualquer um dizer que entregou um documento a Lula, mas somente aquele que apresentar o protocolo de recebimento desse documento pela chancelaria de Lula poderá prová-lo. Qualquer pessoa com um mínimo de informação sabe disso e só o ignoram os muito desinformados ou boçais.

Mas então me lembrei da filmografia do Jabor. Lembrei quanto conhece bem de seu público, quanto sabe de suas fantasias e da facilidade de sugestioná-lo. Jabor sabe com o que e com quem está lidando, afinal passou quatro décadas analisando, documentando e ridicularizando a pasmaceira daqueles que hoje o adoram.

Não! Sem nenhuma sombra de dúvida, Jabor não é um boçal. Está ganhando para fazer o que faz.

Boçal sou eu que, sem ganhar coisa alguma, fico aqui perdendo meu tempo na tentativa de impedir que a classe média seja tratada tal qual é afeita, acostumada, e com tanto gosto e enrosco.


Raul Longo é jornalista, escritor e poeta, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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