Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?

Como participar da campanha pela DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA?
LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA KIT COLETA Todo cidadão/cidadã pode buscar voluntariamente as assinaturas para o projeto. Disponibilizamos abaixo um kit com o material necessário para o diálogo nas ruas.

Seguidores

#naovaitergolpe

#naovaitergolpe
Acesse Frente Brasil Popular

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Show de Integração em Nuestra America_ na Venezuela Semana de solidariedade "con el Pueblo Vasco"

Semana Internacional de Solidaridad con el Pueblo Vasco en Venezuela
ABP Caracas


En la República Bolivariana de Venezuela, la Semana Internacional de Solidaridad con Euskal Herria --semana en la que se organizaron volanteos, cineforos y programas de concientización en radio y televisión-- se cerró con un acto político-cultural en la Plaza Bolívar de Caracas, donde se realizó una ofrenda floral al Libertador Simón Bolívar bajo el lema "¡Por el socialismo, libertad para Euskal Herria!" El evento se realizó el viernes 12 de febrero en horas del medio día en este sitio emblemático en el casco histórico de la ciudad, donde hace pocos días el edificio La Francia pasó a manos del pueblo, reivindicando su condición de patrimonio nacional.

En el evento se realizó en un panorama de actividades diversas: se repartió un delicioso marmitako entre los cientos de caraqueñas y caraqueños allá congregados mientras desde la Esquina Caliente, centro de actividad política revolucionaria en la plaza, se hicieron intervenciones en solidaridad con el Pueblo Vasco y su lucha. Durante la jornada, que coincidió con el Día de la Batalla de la Victoria o Día de la Juventud Revolucionaria, se volanteó el comunicado del Colectivo de Solidaridad Pakito Arriaran --comunicado que reivindica el derecho a la autodeterminación de Euskal Herria-- y se entregó el primer número de !Autodeterminación o barbarie!, un boletín del Colectivo que incluye artículos sobre el régimen de opresión al que está sometido el Pueblo Vasco por los Estados imperialistas español y francés, y sobre la dispersión y la tortura de los presos políticos entre otros.

El día jueves 11, en la Universidad Bolivariana de Venezuela, se realizó un videoforo en el que se pasó Euskal Herria: una historia de lucha y resistencia, un documental de Resumen Latinoamericano y Askapena. Tras la proyección los asistentes participaron en una activa e interesante discusión sobre la película, en la que se trató la diferencia entre estado, pueblo y nación, y se profundizó sobre la historia de represión y resistencia en Euskal Herria, vinculando la lucha antiimperialista que hermana los pueblos venezolano y vasco con la lucha por la construcción del socialismo.

Estas jornadas, impulsadas por el Colectivo de Solidaridad Pakito Arriaran, contaron con la participación y apoyo del Movimiento Continental Bolivariano y de la Coordinadora Simón Bolívar entre otras organizaciones.

UAI! "ISSO AQUI NÃO É A VENEZUELA"

UAI! “ISSO AQUI NÃO É A VENEZUELA”


Laerte Braga

Alberto Fraga, secretário de Transportes do governador José Roberto Arruda, é o encarregado de organizar e direcionar a propina paga pelas empresas de transportes da capital. O percentual de cada um, o do governador é maior lógico, o ponto e o dia de entrega, o horário, essas coisas que acontecem em governos tucanos, DEM, PPS e partidos paralelos, digamos assim.

O secretário foi visitar o governador nas dependências da Polícia Federal, onde Arruda se encontra em retiro forçado, naturalmente para orar e agradecer a propina de cada dia e, evidente, saber do chefe como deve continuar a ser operado o “sistema” de propina.

Neste momento todo cuidado é pouco e qualquer deslize só vai fazer aumentar o bloco do retiro na Polícia Federal. Fraga, certamente, não quer ser um deles e deve ter recebido instruções sobre como apagar pistas.

À saída, tentando descaracterizar a prisão de Arruda como sendo a prisão de um bandido, um assaltante de cofres públicos, disse aos jornalistas que a idéia de intervenção em Brasília é “ridícula” e que “eles estão pensando que isso aqui é a Venezuela”.

Uai! Confesso que, levando em conta o noticiário de todos os dias sobre o presidente Chávez, os fatos que “acontecem” na vizinha nação (na ótica enfurecida de Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, etc), não entendi o que o secretário/bandido quis dizer.

Que na Venezuela bandidos como Arruda, Serra, Yeda Crusius, FHC são presos e aqui isso seria uma arbitrariedade?

Só pode. A julgar pelo tom “patriótico” do secretário/canalha não dá para interpretar suas declarações de outra forma.

“Isso aqui não é a Venezuela”. É o que então na cabeça do assaltante de cofres públicos? A casa da mãe Joana?

Um dos argumentos desse tipo de gente é tentar confundir os fatos e levar a opinião a acreditar que mafiosos como Arruda são vítimas de perseguição política e não passam de cândidos inocentes que quando recebem as gorjetas, digamos assim, de empreiteiros, banqueiros, grandes empresários, latifundiários, agradecem a Deus a possibilidade de terem os seus futuros assegurados, garantidos, o leite das crianças.

Transformam criminosos como Arruda e ele próprio Alberto Fraga em “presos políticos”.

A intervenção em Brasília foi pedida pela Procuradoria Geral da República uma instituição autônoma, independente do presidente da República, que designa o Procurador a partir de uma lista tríplice formada pelo conjunto de procuradores, OAB e outros. Não foi o governo Lula que pediu a intervenção.

O pedido foi feito e encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), Poder Judiciário, portanto, nada a ver com Lula e a hipótese, em primeiro momento, foi levantada no próprio tribunal levando em conta a corrupção generalizada na Assembléia Distrital de Brasília, onde Arruda tem maioria (DEM, PSDB, PPS e acessórios).

É uma decisão difícil, última, só tomada em casos extremos (o risco Joaquim Roriz de volta cria o caso extremo). A propósito, Roriz tinha um irmão bispo que só não vendeu a catedral da cidade mineira de Juiz de Fora porque a opinião pública reagiu, no mais vendeu o que pode e embolsou tudo.

O fato do governador Paulo Otávio estar envolvido em corrupção e no esquema Arruda é outro indicativo ao qual se soma a corrupção que permeia a Assembléia Distrital. Vai sobrar o que?

Paulo Otávio, em matéria de corrupção, é anterior a Arruda, a Roriz e é um dos “donos” de Brasília.

O que poucos perceberam nessa sujeirada é que quem trouxe a público toda a bandalheira do governo Arruda foi um ex-secretário de Roriz. Fácil de entender. O dito foi contatado pela máfia rival, a de Roriz, os velhos tempos foram lembrados, o ano eleitoral e Roriz quer voltar a ser governador, um acordo aqui, outro ali, um dinheirinho aqui, outro dinheirão ali e pronto. Como naqueles filmes de gangster que o cara abraça o outro e quando o outro liga o carro...

Buuuuum!

“Não é nada pessoal, são só negócios”.

Só que nesse caso os “negócios” dizem respeito à capital do País e envolvem figuras que se preparavam para disputar as eleições deste ano na tentativa de recuperar a presidência da República, através do poderoso chefão José Collor Serra. O tal que queria Arruda como vice.

Um primor de cretinice e canalhice a declaração do secretário de Propinas, quer dizer, Transportes, sobre “isso aqui não é a Venezuela”.

Acho que nesse e noutros casos então devemos ser a Venezuela correndo, antes que esses caras acabem com o País e inventem modos “patrióticos” de guardar dinheiro na meia, na cueca, em pastas, terminando tudo numa oração de agradecimento.

Os casos de corrupção da governadora do Rio Grande do Sul são tão graves e vergonhosos como os de José Roberto Arruda. Como o disse o ministro Marco Aurélio Mello em sua decisão, “estamos inaugurando uma nova era...”, saindo inclusive da saia justa que Gilmar Mendes criou, tentando atirá-lo num buraco chamado habeas corpus.

Que se prossiga a nova era. Yeda na cadeia. Serra na cadeia. FHC por ter vendido o País na cadeia. Kátia Abreu e mais da metade do Senado na cadeia. Mais da metade da Câmara Federal na cadeia. Boa parte do Judiciário, inclusive Gilmar Mendes na cadeia. E haja cadeia.

Desde o primeiro momento a comentarista Lúcia Hipólito (a que de tão bêbada não conseguiu articular uma palavra quando chamada a comentar sobre os direitos humanos num programa de uma rádio da REDE GLOBO) está tentando implicar o presidente da República nessa história toda. Tentando dar um viés eleitoral à prisão de Arruda.

Só que Lula não prendeu ninguém, quem pediu a prisão foi a OAB e quem prendeu, determinou a prisão, foi o STJ. Quem negou o habeas corpus foi um ministro do STF.

Aí vem o secretário dos Transportes, propineiro, corrupto, venal e afirma que “isso aqui não é a Venezuela”.

Se a Venezuela for o oposto do secretário, e é, que isso aqui seja a Venezuela correndo.

A continuar nessa toada daqui a pouco vai ter gente acendendo vela para que o “mártir” Arruda seja solto em nome da democracia cristã, ocidental e o presidente da CNBB vai recebê-lo à porta da Polícia Federal. É o tal que não gosta que falem mal de corruptos e retirou das bancas um jornal que apontava irregularidades (corrupção mesmo) no governo de Aécio Pirlimpim Neves.   

E minha Bellzinha?

Só depois do carnaval?

Coletânea

DO GOLPE À REDEMOCRATIZAÇÃO
Coletânea resgata história da ditadura
Por Vanessa Lopez, Enrique Serra Padrós, Vânia Barbosa e Ananda Simões Fernandes em 26/1/2010
Apresentação de A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória, 4 volumes, 40 autores, co-edição Escola do Legislativo "Deputado Romildo Bolzan" e Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, 2010

O período entre a Campanha da Legalidade e o Golpe de 64, as experiências de repressão e resistência durante os "Anos de Chumbo", a conexão repressiva da Operação Condor, o fim do regime militar e o processo de redemocratização são os temas abordados na coletânea A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória. Os quatro livros, que reúnem 40 autores e têm prefácio do escritor Luis Fernando Verissimo, serão lançados na quarta-feira (27), às 19h, no Vestíbulo Nobre da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (Praça Marechal Deodoro, 101 – Porto Alegre), dentro da programação do Fórum Social Mundial 10 Anos.
No evento, que contará com a presença já confirmada de 30 autores, haverá homenagem póstuma ao jornalista João Aveline. Na ocasião ocorrerá, também, o lançamento no Rio Grande do Sul do relatório Direito à Memória e à Verdade, elaborado pela Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos Políticos. Às 20h30, acontecerá o Sarau Especial Vozes da Resistência pela Liberdade, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa gaúcha. A entrada é franca, com a sugestão de doação de um quilo de alimento não perecível.
O projeto da coletânea A Ditadura de Segurança Nacional é coordenado pela Escola do Legislativo Deputado Romildo Bolzan da Assembléia gaúcha e foi realizado em parceria com o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa surgiu a partir do evento que aconteceu em 31 de março e 1º de abril de 2009 na Casa, ocasião em que se lembraram os 45 anos do Golpe Civil-Militar. Os quatro livros estarão hospedados na Biblioteca Virtual da Assembleia Legislativa.
O presidente da Escola do Legislativo, deputado Adão Villaverde, afirma: "Esta obra resgata, com uma riqueza de abordagem inédita, a história recente do Brasil que, durante cerca de duas décadas, conviveu com o período de terror da ditadura, seguido pelo processo fundamental de reconstrução da democracia".
A concepção
Participaram do evento que deu origem à obra os historiadores da UFRGS Carla Simone Rodeghero, Caroline Silveira Bauer, Claudia Wasserman e Enrique Serra Padrós, além da historiadora da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida de Aquino. "Após inúmeras reuniões e avaliações sobre o material à disposição, surgiu a idéia de uma coletânea de textos que pudesse apresentar ao público em geral uma visão panorâmica da diversidade de manifestações do que foi o embate político no Rio Grande do Sul, entre 1964 e 1985", explica Vânia Barbosa, diretora da Escola do Legislativo e uma das organizadoras da obra.
O doutor Enrique Serra Padrós, professor do Departamento de História e do Programa de Pós-graduação de História da UFRGS adianta que uma das expectativas dos organizadores é de que este trabalho estimule a produção de outros registros de pesquisadores, de memórias e de trabalhos jornalísticos que, em conjunto, "permitam, num futuro não muito distante, fazer as grandes sínteses necessárias sobre a história recente".
As origens do golpe
O Volume 1, intitulado Da Campanha da Legalidade ao Golpe de 1964, traz o texto da professora do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, Claudia Wasserman, com uma análise aprofundada das contradições e disputas em curso na véspera do Golpe, com um panorama das lutas políticas em curso no país e, especialmente, no Rio Grande do Sul.
O deputado Raul Pont recua no tempo até a morte de Getúlio Vargas, em 1954, para analisar questões significativas para a compreensão do contexto que levou a 1964, como a Guerra Fria, o anticomunismo presente nos meios militares, as tentativas anteriores de golpe no Brasil e a falta de preparação, por parte da esquerda, para enfrentar o golpe. O texto do ex-prefeito de Porto Alegre leva o título de "Ausências e presenças da resistência na ditadura".
No texto "Capitão, vamos trabalhar juntos?" o coronel reformado da Brigada Militar Emílio Neme retrata a Campanha da Legalidade. Ele narra como se constituiu, dentro da brigada gaúcha, a rede de apoio que garantiu ao então governador Leonel Brizola as condições para resistir à tentativa de impedimento da posse de João Goulart, em 1961.
O publicitário e jornalista Sérgio Gonzalez, co-autor de Um brasileiro chamado Brizola: tempos de luta, apresenta no artigo "Grupos dos Onze: lembranças que contam a verdade histórica" reflexões acerca da milícia de inspiração guerrilheira organizada em torno da figura de Leonel Brizola, a partir de 1963. A participação no grande comício na Central do Brasil, em março de 1964, é contada pelo jornalista Wladymir Ungaretti em "Meu primeiro comício". Na época, ele iniciava sua militância no PCB. Ungaretti discorre sobre utopias, memórias de companheiros de militância e suas experiências.
O jornalista João Aveline participa da obra por meio de entrevista concedida meses antes de sua morte, em 2005, à pesquisadora Alessandra Gasparotto. Em "Memórias de um comunista" ele fala sobre diferentes momentos de sua história, passando por sua trajetória política e ingresso no PCB, sua prisão e o posterior processo de abertura política. O texto do doutor em Psicologia Social Pedrinho Guareschi traz, em "Lições de 1964", suas lembranças sobre o período e discute o que significa pensar no Golpe mais de 40 anos depois.
O neto de Jango, Christopher Goulart, apresenta no texto "Sobre João Goulart" considerações a respeito da biografia e da trajetória política de seu avô. Ele procura resgatar a história do presidente, debatendo detalhes de seu governo, sua postura de conciliação e o projeto reformista que foi derrotado em 1964. Encerrando o volume, o jornalista Luiz Cláudio Cunha escreve, em "Máximas e mínimas: os ventos errantes da mídia na tormenta de 1964", sobre o papel desempenhado por setores da grande imprensa no processo que levou ao Golpe de 1964. Cunha também ressalta o envolvimento de jornalistas e intelectuais nas campanhas patrocinadas pelo complexo IPES/IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais/Instituto Brasileiro de Ação Democrática), visando manipular a opinião pública contra Jango.
A memória da violência
O Volume 2, Repressão e Resistência nos Anos de Chumbo, inicia-se com artigo do historiador e deputado estadual Raul Carrion, "A ditadura não foi uma criação de `homens maus´", no qual ele traça um panorama da ditadura brasileira, desde sua implantação até seu término. O autor centra a análise na institucionalização da repressão e nos protagonistas da resistência ao governo imposto, mostrando que a ditadura foi instituída para manter a dominação econômica e sufocar as mobilizações sociais.
"A igreja dos pobres" traz reflexões do irmão Antônio Cechin sobre o papel dos setores progressistas da Igreja no Brasil durante a ditadura. Em seu depoimento, ele conta sua participação na Conferência de Medellín, em 1968, seu envolvimento com a educação – quando passou a ser considerado "subversivo" –, suas duas prisões e seu trabalho com as comunidades populares. O músico e compositor gaúcho Raul Ellwanger fala do cenário cultural e musical no sul durante os "Anos de Chumbo". Clandestinidade, enquadramento na Lei de Segurança Nacional e exílio estão presentes no texto do autor, intitulado "A milonga dos vencidos".
Em "Losada, não olhe para trás", o sindicalista Antônio Losada explica porque não esqueceu o passado. O autor reflete sobre sua militância na luta armada, considerada por ele a única via possível de resistência naquele momento. Ele e seu irmão José foram os últimos presos políticos a serem libertados no Rio Grande do Sul, em junho de 1979.
O papel da Justiça na resistência à ditadura é analisado pelo pesquisador Dante Guimaraens Guazzelli através da trajetória profissional e política de um o advogado, no artigo "Entre o Estado e a oposição: a atuação de Eloar Guazzelli como advogado de presos políticos (1964-1979)". Conhecido como combatente dos direitos humanos, Eloar Guazzelli foi quem mais defendeu os perseguidos políticos no Rio Grande do Sul.
"Na guerra com batom", de Ignez Maria Serpa Ramminger, traz a narrativa dos sonhos e esperanças de uma geração e de como a ditadura tentou quebrá-los. Integrante da VAR-Palmares, Martinha – codinome de Ignez – integrou-se à luta armada no Rio Grande do Sul. Presa pelos órgãos repressivos depois da fracassada tentativa de sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre, Martinha foi levada para o DOPS e submetida a inúmeras sessões de tortura.
Carlos Alberto Tejera De Ré mescla, em seu depoimento, histórias familiares e acontecimentos políticos, contextualizando fatos históricos. Ele passa pelo movimento estudantil até a luta armada na VPR. Em "Você sabe bem o que está fazendo, filho?", De Ré demonstra a utilização da violência como um dos fatores primordiais da ditadura e revela a resistência daquela geração nos "Anos de Chumbo".
"Lembrar, lembrar, lembrar... 45 anos do golpe militar: resgatar o passado para transformar o presente" é o texto de Suzana Keniger Lisbôa, integrante da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos. A autora passa por temas como o funcionamento dos órgãos de repressão, as torturas e a luta dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos. É uma história em busca da verdade, do não-esquecimento, da justiça e do fim da impunidade.
O terror de Estado
Conexão Repressiva e Operação Condor é o título do Volume 3 da coleção. No texto "Conexão repressiva internacional: o Rio Grande do Sul e o Brasil na rota do Condor", o doutor em História Enrique Serra Padrós apresenta informações sobre a colaboração regional dos sistemas de segurança no Cone Sul. O avanço de regimes autoritários, assentados principalmente na Doutrina de Segurança Nacional, anuncia a confluência de interesses que amadureceram as condições históricas para a deflagração da Operação Condor, a partir de 1975.
O economista Ubiratan de Souza relata sua trajetória estudantil e seu envolvimento com a VPR. Em "O povo deve contar sua própria história", fala da guerrilha do Vale da Ribeira e do momento em que foi trocado, junto com mais 69 presos políticos, pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher seqüestrado pela guerrilha.
No depoimento que deu origem a "Trajetórias", o sociólogo e ex-deputado estadual Flavio Koutzii desenha as raízes do golpe de 64, conecta o início das organizações operárias com as reformas de base, a Revolução Cubana e a tradição conspiradora da direita brasileira. Koutzii relata suas experiências em partidos de esquerda – PCB, POC e PRT-ERP –, fala de seu cativeiro na Argentina, a sobrevivência, o exílio e o retorno ao Brasil.
O artigo de Cláudio Gutiérrez, "O fim das fronteiras policiais entre Brasil e Uruguai", trata do grau de colaboracionismo entre a ditadura brasileira e o governo ainda constitucional de Pacheco Areco. Exilado em Montevidéu desde 1969, descortina um passado de perseguição e sequestro de cidadãos brasileiros com os quais dividiu horas de infortúnio.
Ex-guerrilheira do movimento guerrilheiro uruguaio Tupamaro, a brasileira Flávia Schilling propõe, em "Memória da resistência ou a resistência como construção da memória", uma reflexão acerca da questão de gênero, tanto dentro da organização a qual pertencia quanto diante da repressão. No artigo "Todo está cargado en la memória", o historiador uruguaio Universindo Rodríguez Díaz oferece um rico painel dos acontecimentos vivenciados por ele, como protagonista central do chamado "Seqüestro dos Uruguaios" em Porto Alegre, em 1978. Analisa as condições políticas no Brasil da década de 70, quando sua organização política decidiu criar uma base de atuação mais próxima da fronteira uruguaia. Universindo fala da experiência de ter sido seqüestrado pela Operação Condor, na capital gaúcha, e de ter conseguido sobreviver, junto com Lilián Celiberti e os dois filhos dela.
O pesquisador Ramiro José Reis centra o texto "Lilián, Camilo e Francesca Celiberti: uma família uruguaia na mira do Condor em Porto Alegre" na dimensão do drama que envolve uma mãe que deve proteger seus filhos em condições tão adversas. O artigo recupera a iniciativa de Lilián em estabelecer uma estratégia para alertar companheiros da sua organização, para denunciar o sequestro e tornar público de que era vítima em Porto Alegre de uma ação repressiva que militares uruguaios faziam habitualmente em Buenos Aires. Em "O sequestro de Montoneros no Brasil", o jornalista e historiador Nilson Mariano apresenta a trajetória dos cidadãos argentinos desaparecidos em território brasileiro, vítimas de práticas de colaboração entre ditaduras. O artigo traz a história de pessoas desaparecidas por um duplo terrorismo de Estado: o brasileiro e o argentino.
A pesquisadora Carolina Silveira Bauer debate a polêmica sobre a morte do ex-presidente João Goulart. No texto "De Jango, de Silvio Tendler, aos dias de hoje: uma atualização do debate sobre a morte o ex-presidente João Goulart", ela parte da análise do filme e reflete sobre as questões ainda sem resposta sobre o fim do político brasileiro ainda exilado na Argentina, expondo as incertezas que persistem há mais de 30 anos de sua morte.
Luz sobre a treva
O Volume 4, intitulado O Fim da Ditadura e o Processo de Redemocratização, é aberto pelo professor de Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), José Carlos Moreira da Silva Filho. O autor trata da constituição de políticas de memória e de esquecimento em torno do período da ditadura no Brasil, discutindo o papel da Comissão de Anistia, no artigo "Dever de memória e a construção da história viva: a atuação da comissão de anistia do Brasil na concretização do direito à memória e à verdade". A professora de História da UFRGS Carla Simone Rodeghero apresenta discussões sobre o documentário Jango, de Silvio Tendler, analisando o contexto de lançamento da obra ao relacionar o momento do Golpe de 1964 e o ano de lançamento do filme, 1984. Ela mostra, ainda, no texto "O documentário Jango, de Silvio Tendler, e a crença no poder do povo na rua", de que forma as leituras sobre Jango e seu governo se modificaram ao longo do tempo.
Em "Movimento Feminino Pela Anistia no Rio Grande do Sul", a socióloga Lícia Peres apresenta os diferentes personagens e cenários da luta pela Anistia no Rio Grande do Sul e no Brasil. Ex-presidente do Movimento Feminino pela Anistia/RS, a autora conta sobre o processo de formação dos comitês pela Anistia e as dificuldades de atuação de tais movimentos. Deputado federal pelo MDB/PMDB por três legislaturas (1975/1987) e vice-governador entre 1991 e 1994, João Gilberto Lucas Coelho expõe algumas reflexões sobre o precário caminho da redemocratrização. O texto "Depoimento sobre o tortuoso processo de abertura política" traz elementos para pensar a experiência do MDB que, lembra ele, acabou se tornando um dos principais veículos de manifestações contra o regime.
A trajetória do movimento estudantil e da UNE é lembrada pelo deputado Adão Villaverde no texto "Resgate histórico e afirmação do movimento estudantil". O diretor teatral Paulo Flores traz, no depoimento "A tribo da resistência", elementos da cena política e cultural gaúcha no final dos anos 1970 e início dos 1980. Ele mostra um pouco do que significava ser jovem naquele momento e quanto a arte podia ser subversiva aos olhos do regime. A aproximação de um grupo de atores com a preocupação de fundir arte e política é citada pelo exemplo do combativo grupo teatral Oi Nóis Aqui Traveiz.
O jornalista Rafael Guimaraens narra, em "A paranoia do emissário", sua experiência como integrante do Coojornal, o mensário da Cooperativa dos Jornalistas. Reportagens marcantes e episódios que mostram tentativas de controle sobre a imprensa alternativa daqueles anos de ditadura estão presentes no artigo. O ex-governador Olívio Dutra aponta, em "O renascimento da luta sindical: a greve dos bancários de Porto Alegre" fragmentos de sua trajetória pessoal e política ao lembrar a atuação do Sindicato dos Bancários. O depoimento ajuda a compreender o complexo processo de ressurgimento do movimento sindical no final da década de 1970, um momento ainda marcado pela repressão e pela incerteza.
***
Prefácio
Luis Fernando Verissimo (*)
A História, segundo um surrado e cínico adágio, é sempre a versão dos vencedores. Uma mentira oficial se instala e se institucionaliza e com o tempo vira verdade. Mas o tempo nem sempre colabora. Com o tempo vem a resignação e a opção por não turvar águas passadas ou reabrir velhas feridas – mas também vem a distância necessária para reexaminar mentiras estabelecidas. O tempo perdoa ou condena, confirma ou desmente. O tempo traz o esquecimento – ou aguça a memória. E nada ameaça mais a versão dos vencedores do que memórias aguçadas.
Depois do fim do regime militar instaurado em 1964 vivemos, no Brasil, num curioso estado de faz-de-conta, exemplificado pela anistia geral dada a vencidos e vencedores. Buscava-se um "desarmamento dos espíritos" (frase muito usada na época, mas inadequada: não foram exatamente espíritos armados que nos dominaram durante 20 anos), mas o verdadeiro objetivo era fingir que nada tinha acontecido. Assim os militares voltaram para as casernas sem remorso ou desculpas, os civis que os apoiaram continuaram suas carreiras políticas sem atos de contrição, as vítimas sobreviventes do regime refizeram suas vidas e – a idéia era esta – não se falava mais nisso.
Mas havia as memórias. Durante estes últimos anos o país conviveu com duas histórias, a oficial, a do deixa-pra-lá, e a da memória das pessoas. Com o tempo este desencontro se agravou. A memória aguçada – assim como a cobrança dos que reivindicam a verdade apenas para saber onde alguém foi enterrado – exige o fim do faz-de-conta.
E afinal, mesmo aceitando-se a realidade de que são os vencedores que contam a história, a exigência não muda. O fim do regime militar foi uma vitória de uma democracia imperfeita e até agora não consolidada, mas democracia.
O que se quer é a versão democrática da história do Brasil.
(*) Jornalista e escritor
(Observ. Da Imprensa)

Testículo D

O testículo direito do
inferno: História do
holocausto haitiano
.
Por Greg Palast, no Huffington Post






Tradução de Sara Vicente

Segurança em primeiro lugar. Foi essa a lição depois do furacão Katrina. Primeiro os militares, depois a água. Blackwater antes da água potável.

1. Agradeça-se ao presidente por ter colocado de imediato equipes de resgate no ar. Refiro-me ao presidente da Islândia, Olafur Grimsso. Na quarta-feira, a Associação de Imprensa declarou que o presidente dos Estados Unidos prometeu que: "o contingente inicial de 2.000 soldados deve ser enviado para o país devastado pelo terremoto nos próximos dias." Nos próximos dias, sr. Obama?


2. Não existe tal coisa como um desastre "natural." 200 mil haitianos foram chacinados devido à existência de bairros de lata e aos planos de "austeridade" do FMI.

3. Uma amiga ligou-me a perguntar se conhecia algum jornalista que conseguisse medicamentos para o pai dela. E acrescentou, tentando manter a voz: "a minha irmã está debaixo dos escombros. Virá alguém que possa ajudar, alguém?" Deveria dizer-lhe: "Obama vai enviar soldados para lá nos ‘próximos dias’”?

4. A China enviou equipes de resgate com cães farejadores após 48 horas. A China, Sr. presidente. A China está a 8.000 milhas de distância. Miami é só a 700 milhas. Bases dos EUA em Porto Rico: praticamente lá.

5. Robert Gates, secretário da Defesa de Obama afirmou: "Não sei de que forma este governo poderia ter respondido mais rápida e exaustivamente do que o fez." Nós sabemos que Gates não sabe.

6. Do meu trabalho no terreno, sei que o FEMA (Federal Emergency Management Agency, Agência Federal de Gestão de Emergências) tem acesso a água potável, geradores, equipamento médico móvel e mais, para a assistência a furacões na Costa do Golfo. Ainda lá estão. O tenente-general do Exército Russel Honoré, que serviu como comandante nos trabalhos para a resposta imediata à emergência após o furacão Katrina, disse à Christian Science Monitor: "Pensei que tínhamos aprendido com o Katrina a levar comida e água e a começar a evacuar a população." Talvez tenhamos aprendido mas, aparentemente, Gates e o Departamento de Defesa faltaram às aulas nesse dia.

7. Enviar soldados. É essa a resposta da América. É nisso que somos bons. O porta-aviões USS Carl Vinson apareceu finalmente ao fim de três dias. Com o quê? Foi teatralmente enviado - sem quaisquer apoios de emergência. Tem mísseis sidewinder e 19 helicópteros.

8. Mas não se preocupem, a Equipe de Resgate Internacional, totalmente equipada e auto-suficiente para sete dias no terreno, enviou de imediato juntamente com dez toneladas de ferramentas e equipamento, três toneladas de: água, tendas, equipamento de comunicação avançada e equipamento para purificação da água. Eles são da Islândia.

9. Gates não enviaria comida e água porque, segundo ele, não existia uma "estrutura ... que garantisse a segurança." Para Gates, nomeado por Bush e mantido no cargo por Obama, trata-se da segurança em primeiro lugar. Foi essa a sua lição depois do furacão Katrina. Primeiro os militares, depois a água. Blackwater antes da água potável.

10. Os anteriores presidentes dos EUA enviaram tropas para aquela ilha bastante mais rapidamente. O Haiti é a metade direita da ilha Hispaniola. É chamado de testículo direito do Inferno. A República Dominicana é o esquerdo. Em 1965, quando os dominicanos exigiram o regresso de Juan Bosch, o seu presidente eleito, deposto por uma junta, Lyndon Johnson reagiu rapidamente a esta crise, enviado 45.000 soldados dos EUA para as praias para evitar o regresso do presidente eleito.

11. Como é que o Haiti acabou por ficar economicamente enfraquecido, com infraestrutura, desde hospitais a sistemas de água, rebentadas ou inexistentes - existem dois quartéis de bombeiros no país inteiro - e infraestruturas tão frágeis que o país estava simplesmente à espera que a "natureza" acabasse com elas?

Não se culpe a Mãe Natureza por todas estas mortes e destruição. Essa culpa cabe a Papa Doc e Baby Doc, a ditadura Duvalier, que roubou a nação durante 28 anos. Papa e o seu Baby meteram ao bolso cerca de 80% da ajuda mundial - com a cumplicidade do governo dos EUA, satisfeito por ter os Duvalier e as suas milícias, os Tonton Macoutes, como aliados durante a Guerra Fria. (A guerra foi facilmente ganha: os esquadrões da morte dos Duvalier assassinaram cerca de 60.000 opositores ao regime.)

12. O que Papa e Baby não conseguiram roubar, foi acabado pelo FMI com os seus planos de "austeridade". Um plano de austeridade é uma espécie de magia negra orquestrada pelos economistas “zumbificados” por uma convicção irracional que os cortes nos serviços governamentais irão de alguma maneira ajudar a prosperidade da nação.

13. Em 1991, cinco anos após a fuga do assassino Baby para o exílio, os haitianos elegeram um padre, Jean-Bertrand Aristide, que resistiu aos decretos dogmáticos de austeridade do FMI. Após alguns meses, os militares, para júbilo do Papá George HW Bush, depuseram-no.

A História repete-se, primeiro como tragédia, depois com a farsa. A farsa foi George W. Bush. Em 2004, depois do padre Aristide ter sido reeleito presidente, foi raptado e deposto novamente, para júbilo do Bébé Bush.

14. O Haiti já foi uma nação rica, a mais rica do seu hemisfério, valia mais, escreveu Voltaire no século XVIII, que essa colônia rochosa e fria chamada New England. A riqueza do Haiti estava no ouro negro: os escravos. Mas depois os escravos revoltaram-se - e têm pago por isso desde então.

De 1825 a 1947, a França forçou o Haiti a pagar uma contribuição anual para reembolsar os lucros perdidos pelos proprietários franceses de escravos em consequência da revolta dos seus escravos. Em vez de escravizar indivíduos haitianos, a França preferiu simplesmente escravizar a nação inteira.

15. O Secretário Gates diz-nos, "Existem apenas alguns fatos da vida que afetam a rapidez com que se fazem algumas destas coisas." O navio-hospital da Marinha vai lá estar daqui a cerca de uma semana. Grande trabalho, Brownie!

16.
Uma mensagem da minha amiga recebida. A irmã dela foi encontrada, morta; e a outra irmã dela teve de a enterrar. O pai dela precisa dos medicamentos anti-epilépticos dele. Isso também é um fato da vida, sr. presidente.

***
Através da nossa rede de jornalistas, estamos a tentar fazer chegar os medicamentos ao pai da minha amiga. Se algum leitor conhecer alguém que esteja a caminho de Port-au-Prince, por favor contacte haiti@gregpalast.com

Recomenda-se uma leitura urgente – The Black Jacobins: Toussaint L'Ouverture and the San Domingo Revolution, a história da revolta bem sucedida dos escravos em Hispaniola de autoria do brilhante CLR James.

29/1/2010

Fonte: ViaPolítica/Esquerda/The Huffington Post

Traduzido do inglês para o português por Sara Vicente.

http://www.esquerda.net/content/view/15012/121/

Original de 17/1/2010 em http://www.huffingtonpost.com/

Greg Palast é autor de The Best Democracy Money Can Buy. Suas investigações para a BBC TV e Democracy Now! podem ser lidas em http://www.gregpalast.com/.

Haiti

O Haiti no seu day after
Escrito por Luiz Eça
08-Fev-2010

Um dia os haitianos feridos acabarão de ser tratados, os mortos enterrados e Porto-Príncipe reconstruída (ao menos em parte). E, então, o que ficará?

Antes do terremoto, havia 80% da população abaixo da linha da pobreza e 70% de desempregados no país mais pobre da América Latina. O governo não tinha condições de oferecer serviços básicos de qualidade mínima, cabendo a soldados do Brasil e outros países garantirem a segurança pública. A economia achava-se em colapso, com uma dívida externa de 1 bilhão de dólares e uma infra-estrutura totalmente deficiente.

Com o terremoto, tal situação certamente será muito pior. Como uma ilha que, nos tempos da colônia, foi uma das maiores produtoras de açúcar do mundo chegou a isso?

Foi assim

Em 1804, depois da revolução dos escravos que proclamaram a independência, o Haiti sofreu o boicote dos Estados Unidos (que o achavam um exemplo perigoso para seus escravos) e da França, que se prolongou por 60 anos.

Em 1824, tudo se agravou quando a França enviou uma enorme esquadra contra a república haitiana, forçando-a a pagar 150 milhões de francos, a título de indenização.

Era uma importância enorme na época, quase duas vezes o valor da compra da Luisiana pelos EUA. Representava 80% do orçamento nacional haitiano. E o Haiti já começou a existir falido.

Em 1915, tropas americanas invadiram o país para garantir o pagamento de uma dívida com bancos dos EUA. E os americanos ficaram até 1934, administrando o país de fato e gerenciando seu orçamento, o que representou mais despesas para o já combalido tesouro haitiano.

Entre 1957 e 1986, os Duvalier, Papa Doc e Baby, apoiados pelos EUA, impuseram um regime de terror. Seus bandos de paramilitares, os "Tontons", mataram cerca de 50 mil pessoas e estima-se que ambos roubaram centenas de milhões de dólares, obtidos através de empréstimos assumidos pelo país. Estima-se ainda que 40% da dívida externa na época, cerca de 1,3 bilhão de dólares, foram de responsabilidade da dinastia Duvalier.

Eles haviam contado com a ajuda do Banco Mundial, condicionada a reformas comerciais, que cortaram as taxas de importação.

Mais de 75% da população haitiana trabalhava na agricultura, produzindo cereais, especialmente arroz, para o consumo interno e até para exportação.

Com as reformas liberalizantes do Banco Mundial, os excedentes de cereais americanos entraram livremente no Haiti, sem barreiras, a preços subsidiados, inferiores aos dos produtos locais.

Assim, enquanto o pequeno Haiti tornou-se o quarto importador mundial de arroz, os produtores do país, sem condições de concorrer, faliram, migrando em massa para as principais cidades.

Livres dos Duvaliers, os haitianos realizaram eleições em 1990, com a vitória de Jean-Bertrand Aristide, um padre ligado à Teologia de Libertação, posteriormente expulso pela hierarquia local.

Preocupado com a situação dos pobres, Aristide iniciou programas nas áreas de alfabetização, saúde pública e reforma agrária. Além disso, aumentou o salário-mínimo e criou um programa de obras públicas para gerar empregos.

Com isso, antagonizou a elite local. E também o exército. Muitos oficiais de alta patente revoltaram-se diante das ações de Aristide contra o tráfico de drogas e o contrabando, que eles exploravam desde os tempos dos Duvalier.

Nove meses depois da posse, uma rebelião militar derrubou o governo democraticamente eleito.

Nenhum país reconheceu a junta que ocupou o Poder. A ONU e os EUA condenaram o golpe e promoveram um embargo total. E, em 1994, com autorização da ONU, os americanos intervieram e conseguiram que a junta renunciasse.

Aristide voltou para governar nove meses até o término do seu mandato. Para sucedê-lo foi eleito seu ex-ministro, René Preval. Findo o período Preval, Aristide, em 2002, candidatou-se novamente. E venceu.

Encontrou a economia à beira do colapso. As sucessivas dívidas contraídas com bancos americanos e europeus para pagar a indenização exigida pelos canhões da frota francesa, em 1824, pesaram de forma arrasadora no tesouro nacional. Essa dívida só acabou de ser paga em 1947, estimando-se que o total do principal, mais os juros, chegaram a quase 21 bilhões de dólares. A isso se somaram os elevados gastos decorrentes da ocupação americana e dos desmandos dos Duvalier e da junta golpista.

Por sua vez, o Estado achava-se consideravelmente enfraquecido, limitado em suas ações em razão de acordo com o FMI, o qual, para "equilibrar" o orçamento haitiano, forçara a demissão de grande número de funcionários, extinguindo virtualmente serviços públicos essenciais.

Mesmo com recursos minguados, Aristide procurou realizar reformas importantes. Aumentou substancialmente o acesso da população à educação e à saúde pública, reduziu o analfabetismo, aperfeiçoou o treinamento dos juízes, proibiu o tráfico de crianças e mulheres, dobrou o salário-mínimo, instituiu a reforma agrária e a assistência a pequenos produtores rurais, construiu casas populares e combateu a corrupção da burocracia.

Desde seu primeiro mandato, ele foi combatido pela direita americana, que suspeitava de suas idéias consideradas populistas e esquerdistas.

O senador republicano Jesse Helms promoveu a divulgação de um relatório da CIA, que taxava Aristide de psicopata, desqualificado para governar. A prova: passou por internação num hospital para doentes mentais no Canadá.

O jornal Miami Herald investigou o caso e provou que era falso. Na verdade, o político haitiano fora hospitalizado para tratar de hepatite.

Foi apresentado também um vídeo no qual Aristide conclamava seus seguidores a enforcar os adversários. O vídeo havia sido editado. Falseava a realidade. Mas quem causou prejuízos reais ao presidente do Haiti foi o então presidente George Bush.

Ele bloqueou um empréstimo, já autorizado pelo Banco Inter-Americano de Desenvolvimento, no valor de 500 milhões de dólares. Dessa maneira, projetos nas áreas de educação, saúde, conservação de estradas e purificação de água foram para o espaço.

E os programas do governo Aristide começaram a fazer água.

O FMI deu sua contribuição. Em 2002, condicionou empréstimos de que o Haiti desesperadamente precisava à aplicação do chamado "sistema de preços flexíveis dos combustíveis".

A alta decorrente dos combustíveis ocasionou um aumento médio de 40% nos preços dos produtos de consumo.

O FMI exigia também um congelamento dos salários para "controlar as pressões inflacionárias". O governo teve de baixar os salários públicos, além de reduzir o salário mínimo em 25 centavos por hora.

Completando o conjunto de ações desestabilizadoras, os americanos e europeus passaram a canalizar toda a sua ajuda humanitária às ONGs. A justificação foi a corrupção dos funcionários e membros do governo.

Sem esses recursos, que seriam importantes na conjuntura econômica altamente desfavorável, o governo ficou de mãos atadas para prestar os serviços que lhe competia.

Aproveitando o mau momento por que passava Aristide, a chamada oposição civil organizou-se através do chamado Grupo 184, formado por membros da elite local.

Seu presidente, o empresário americano, filho de haitianos, Andy Apaid, era proprietário das Indústrias Alpha, o maior empregador industrial do país, com 4.000 operários. Fundada no período Duvalier, a Alpha exporta produtos têxteis e monta peças eletrônicas para uma série de empresas americanas, aproveitando seus baixos custos: é uma "sweatshop", ou seja, o tipo de fábrica que explora seus operários ao máximo.

As empresas Alpha exigem jornadas de trabalho de 78 horas por semana (Daily News, New York, 24/2/2004) e pagam salários de 68 cents a hora (Miami Times, 26/2/2004). Cite-se que o mínimo atual é 1 dolar e 50 cents.

O Grupo 184 já fazia oposição desde a primeira eleição de Aristide. Passou a atuar com mais agressividade no segundo mandato do presidente, quando ele dobrou o salário mínimo: de 1 para 2 dólares, por dia.

Os empresários do movimento acusaram Aristide de tirano e corrupto, promovendo manifestações públicas de protesto. Apesar de pretenderem representar todas as camadas sociais, só conseguiram atrair a faixa rica da população, além de pequena parte da classe média.

O Grupo 184 estava ligado a militares revoltados com o governo por ter desmobilizado os membros do exército e da milícia Tonton Macoute comprometidos com violências na era Duvalier.

Segundo Mark Weisbrot, o Grupo 184 contava também com o apoio do "business" americano: "A Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional e Instituo Internacional Republicano (braço do partido Republicano) gastaram milhões de dólares para criar uma oposição organizada e tornar ingovernável o Haiti sob Aristide".

Os militares descontentes formaram uma força muito bem armada, a FLRN, acampada na República Dominicana, junto à fronteira com o Haiti.

A FLRN tinha ligações com o Grupo 184 e era integrada por paramilitares da antiga FRAPH, esquadrões da morte, sendo comandada por Guy Philipe, ex-membro do exército haitiano treinado pela CIA (Juan Gonzalez no New York Daily News, 24/2/2004). Outros líderes eram Emmanuel Constant e Jodel Chamblain, antigos Tonton Macoutes.


Deflagrando a revolta, a FLRN cruzou a fronteira, invadindo o país. Aristide procurou organizar a resistência. Mas os EUA foram rápidos.

Militares americanos desembarcam em Porto Príncipe e levaram o presidente para a África Central. Alegaram que o haviam convencido de que sua renúncia era essencial para a pacificação do país.

Do seu exílio, Aristide contestou essa versão, afirmando que fora, na verdade, seqüestrado. Fato confirmado pelo piloto americano do helicóptero presidencial, Frantz Gabriel.

De acordo com a Constituição, o presidente do Supremo Tribunal Haitiano assumiu a presidência, solicitando a ação da ONU para manter a segurança interna e garantir uma transição política pacífica. O Conselho de Segurança atendeu. Foi enviada uma força militar multinacional, sob a liderança do Brasil, posteriormente chamada "Missão das Nações Unidas para a estabilização do Haiti" (MINUSTAH).

Em 2006, René Preval, foi eleito presidente. De lá até o terremoto, o Haiti voltou a ser como era antes de Aristide. Os programas sociais por ele iniciados foram interrompidos.

Mantido o regime de livre importação, a agricultura nacional continuou prejudicada, sem condições de concorrer com as importações de cereais americanos.

O desemprego continuou alto e o PIB per capita mal atinge 1200 dólares. Uma pequena classe rica, formada por exportadores e empresas "sweatshops", paga salários de fome, muito abaixo do mínimo dos tempos de Aristide.

No day after do terremoto, a imprensa internacional divulga a idéia de que o Haiti é incapaz de se governar. Um diplomata, que representou o Brasil numa das conferências sobre o país, fala dos "costumes bárbaros" do povo. Comentaristas da Globo emocionam-se com os 2 milhões de dólares doados pelo povo americano. Os EUA e o Brasil brigam para aparecer como maiores doadores. Sarkozy, cujo país cobrou inexoravelmente o preço extorquido do Haiti pela sua independência, convoca uma reunião de discussão sobre a situação pós-terremoto, que não conclui nada de válido. Estadistas falam que a MINUSTAH ficará ainda muitos anos no país.

E, no entanto, o Haiti precisa apenas que o ajudem, ou pelo menos permitam que ele tenha um projeto para se tornar um Estado de verdade.

Se não for possível aos EUA e à Europa perdoarem a dívida externa de 1 bilhão de dólares, que façam empréstimos ao Haiti, com prazos e juros extremamente suaves, para o desenvolvimento do país

Que os EUA, especialmente, pressionem o FMI para deixar de lado seus princípios e deixar o Haiti cobrar taxas de importação para que a agricultura do país tenha condições de competição e possa sobreviver e crescer.

Que a ONU pressione o presidente Preval a promover no prazo constitucional uma eleição realmente democrática, permitindo a participação, hoje proibida, de Jean Bertrand Aristide (pesquisa do Gallup, em 2002, mostrou grande apoio popular a ele) e seu partido.

Que a força militar do Brasil realize o treinamento de haitianos para formarem uma polícia eficiente e honesta. E se retire depois disso.

Que a Europa e os EUA enviem sua ajuda humanitária ao governo haitiano, ao invés de fazê-lo para as ONGs. Só assim o governo terá condições de oferecer serviços públicos de nível digno à população.

Repetindo uma frase muito sovada, mas aqui muito adequada, "Mais do que caridade, o Haiti precisa de uma oportunidade".

Luiz Eça é jornalista.
(C. da Cidadania)

Drummond

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido,
Sem olhos, sem boa
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

Carlos Drummond de Andrade

OTAN

Los ejércitos secretos de la OTAN
por Daniele Ganser*
En la lucha contra el comunismo, la OTAN cometió actos terroristas en el propio Reino Unido (atentados bajo bandera falsa y asesinatos de republicanos irlandeses), en Europa continental (principalmente en Francia, en los países del Benelux, en los países nórdicos y hasta en la neutral Suiza), así como en África y Asia (por ejemplo, para dirigir la masacre de las poblaciones francófonas que cometieron los Khmers rojos en Cambodia). Los gobernantes siempre supieron de las operaciones clandestinas
________________________________________



25 DE ENERO DE 2010


Acción secreta
Séptima parte
La verdad definitiva sobre la Guerra Fría no se escribirá nunca porque la historia evoluciona constantemente en función de las sociedades que la hacen y la estudian. Los historiadores de numerosos países están de acuerdo, sin embargo, en que el hecho más importante de aquel periodo fue, desde el punto de vista de los occidentales, la lucha contra el comunismo a escala planetaria.
En ese combate, que marcó la historia del siglo XX como pocos sucesos lo han hecho, la antigua superpotencia colonial británica tuvo que renunciar a su hegemonía en beneficio de Estados Unidos. Este último país utilizó la lucha contra el comunismo para acrecentar su propia influencia década tras década. Después del derrumbe de la Unión Soviética, acontecimiento que puso fin a la Guerra Fría en 1991, el imperio estadunidense garantizó para sí mismo un predominio jamás visto anteriormente en toda la historia.
En Gran Bretaña, el establishment conservador experimentó una profunda conmoción en 1917 cuando, por primera vez en la historia de la humanidad, se produjo la aparición de un régimen comunista en un lejano pero extenso país agrícola. Después de la Revolución Rusa, los comunistas asumieron el control de las fábricas y anunciaron que los medios de producción serían en adelante propiedad del pueblo. En la mayoría de los casos, los inversionistas lo perdieron todo.
En su obra Los orígenes de la Guerra Fría, el historiador Denna Frank Fleming observó que muchos de los cambios sociales que aportó la Revolución de Octubre, como la abolición de los cultos y de la nobleza campesina, “hubiesen podido ser aceptados por los conservadores, en el extranjero, con el paso del tiempo, pero nunca la nacionalización de la industria, del comercio y de la tierra”. El ejemplo de la Revolución Rusa no fue seguido en ninguna parte. “J.B. Priestly dijo un día que la mentalidad de los conservadores ingleses se había cerrado en el momento de la Revolución Rusa y no ha vuelto a abrirse desde entonces”.
Ampliamente ignorada en el oeste, la guerra secreta contra el terrorismo comenzó por lo tanto inmediatamente después de la Revolución Rusa, cuando Gran Bretaña y Estados Unidos instauraron ejércitos secretos contra los nuevos países satélites de la Unión Soviética. Entre 1918 y 1920, Londres y Washington se aliaron a la derecha rusa y financiaron una decena de intervenciones militares en suelo soviético. Ninguna de ellas logró derrocar a los nuevos dirigentes. Pero sí dieron lugar a que las elites comunistas y el dictador Stalin albergaran profundas sospechas en cuanto a las intenciones del occidente capitalista.
Durante los años subsiguientes, la Unión Soviética reforzó su aparato de seguridad hasta convertirse en un Estado totalitario que no vacilaba en arrestar en su suelo a los extranjeros sospechosos de ser agentes del oeste. Al hacerse evidente que derrocar el régimen comunista en Rusia no era tarea fácil, Gran Bretaña y sus aliados dedicaron sus esfuerzos a impedir que el comunismo se extendiera a otros países.
En julio de 1936, el dictador fascista Francisco Franco intentó un golpe de Estado contra el gobierno de la izquierda española y, en el transcurso de la subsiguiente Guerra Civil, eliminó a la oposición y a los comunistas españoles. Gozó para ello del silencioso apoyo de los gobiernos de Londres, Washington y París. Si no hubo lucha contra el ascenso de Adolfo Hitler al poder, fue en gran parte porque Hitler apuntaba contra el enemigo correcto: el comunismo soviético. Durante la Guerra Civil Española se permitió que los ejércitos de Hitler y de Mussolini bombardearan libremente a la oposición republicana.
Después de haber desencadenado la Segunda Guerra Mundial, Hitler lanzó contra Rusia tres grandes ofensivas, en 1941, 1942 y 1943, que estuvieron a punto de asestar al bolchevismo un golpe fatal. Entre todas las partes beligerantes, fue la Unión Soviética la que pagó el más alto tributo: 15 millones de muertos entre la población civil, 7 millones de muertos entre los soldados y 14 millones de heridos.
Según los historiadores rusos, haciendo caso omiso a los urgentes pedidos de Moscú, Estados Unidos –país que perdió 300 mil hombres en la liberación de Europa y Asia– se puso de acuerdo con Gran Bretaña para no abrir un segundo frente en el oeste, lo cual hubiese obligado a Alemania a movilizar tropas en esa dirección y, por consiguiente, a disminuir el número de efectivos alemanes en el frente ruso. La correlación de fuerzas no se invirtió sino después de Stalingrado, donde el Ejército Rojo finalmente se impuso a los alemanes y comenzó su avance hacia el oeste. Esto explica, también según los historiadores rusos, que los Aliados, temerosos de perder terreno, abrieran entonces rápidamente un segundo frente y, después de desembarcar en Normandía, salieran al encuentro de los soviéticos en Berlín.
Los historiadores británicos atestiguan la existencia de toda una serie de intrigas sucesivas que han influido en la conformación de los demás países y del suyo propio. “La Inglaterra moderna siempre ha sido un centro de subversión –a los ojos de los demás, pero no a los suyos propios”, observó Mackenzie después de la Segunda Guerra Mundial–. “Lo que determina la existencia de ese espejo con dos caras: de un lado encontramos la percepción que existe en el extranjero de una Inglaterra intrigante, sutil y totalmente secreta, y del otro, una imagen de honestidad, de simplicidad y de indulgencia que comparte la mayoría de los súbditos”. Para Mackenzie, la legendaria guerra secreta que practican los británicos tiene su origen “en la historia de las ‘pequeñas guerras’ que conformaron la historia del imperio británico”.
Antes de la Segunda Guerra Mundial, los estrategas del Ministerio de Defensa británico llegaron a la conclusión de que sus operaciones secretas debían “inspirarse de la experiencia adquirida en la India, en Irak, en Irlanda y en Rusia, es decir, desarrollar una guerrilla con técnicas de combate similares a las del Ejército Republicano Irlandés (IRA, por sus siglas en inglés)”.
En marzo de 1938, poco después de la anexión de Austria por parte de Hitler, se creó en el seno del MI6 (Servicio de Inteligencia Secreto de Gran Bretaña) un nuevo departamento, llamado Sección D y encargado de desarrollar operaciones de subversión en Europa. La Sección D comenzó a formar comandos de sabotaje stay-behind en los países que se encontraban bajo la amenaza de agresión alemana. En 1940, cuando parecía inminente la invasión del sur de Inglaterra, la “Sección D se dio a la tarea de diseminar reservas de armas y agentes reclutadores a través de toda Gran Bretaña, sin informarlo a nadie”.
El reclutamiento y la dirección de los agentes stay-behind por parte de los miembros de la Sección D parecían desarrollarse en el mayor secreto: “La apariencia de aquellos desconocidos [los agentes de la Sección D] con sus trajes y sus autos negros, y la misteriosa impresión que dejaban no tardaron en inquietar a la población”, recuerda Peter Wilkinson, un exagente del Special Operations Executive (SOE). Los agentes secretos enfurecían también a “los responsables militares al negarse sistemáticamente a explicar las razones de su presencia o a hablar del contenido de sus misiones y al afirmar únicamente que todo aquello era altamente confidencial”.
Medio siglo más tarde, la exposición del Imperial War Museum de Londres, dedicada a las “guerras secretas”, reveló al público cómo “la Sección D del MI6, conforme a la doctrina stay-behind, también había creado en Inglaterra ejércitos de resistencia bautizados ‘Unidades Auxiliares’, equipados con armas y explosivos”. Esas primeras unidades Gladio de Gran Bretaña “recibieron un entrenamiento especial y aprendieron a operar detrás de las líneas enemigas según la hipótesis de que los alemanes invadiesen la isla. Gracias a una red de escondites secretos y de alijos de armas, debían realizar acciones de sabotaje y de guerrilla contra el ocupante alemán”.
Como nunca se produjo la invasión, no se sabe si aquel plan hubiese funcionado. Pero en agosto de 1940, “un ejército bastante heteróclito” pudo desplegarse a lo largo de los litorales ingleses y escoceses del Mar del Norte, en los lugares más vulnerables a una posible invasión.
La zona de acción de la Sección D del MI6 se limitaba inicialmente al territorio británico. Así fue hasta julio de 1940, cuando el primer ministro británico Winston Churchill ordenó la creación de un ejército secreto bautizado con la denominación de SOE y destinado a “incendiar Europa, apoyando a los movimientos de resistencia y realizando operaciones de subversión en territorio enemigo”.
Un memorando del Ministerio de Guerra, fechado el 19 de julio de 1940, indica que: “El primer ministro ha decido también, después de consultar a los ministerios interesados, que una nueva organización debe crearse inmediatamente con la misión de coordinar todas las acciones de subversión y de sabotaje dirigidas contra el enemigo fuera del territorio nacional”. El SOE se puso bajo el mando de Hugh Dalton, ministro de la Economía de Guerra.
Cuando los alemanes, después de la invasión de Francia, parecían haberse instalado allí por largo tiempo, el ministro Dalton señaló la necesidad de emprender una guerra secreta contra las fuerzas alemanas en los territorios ocupados: “Debemos organizar, en el interior de los territorios ocupados, movimientos comparables al Sinn Fein en Irlanda, a la guerrilla china que lucha actualmente contra Japón, a los irregulares españoles que desempeñaron un papel nada despreciable en la campaña de Wellington o, por qué no reconocerlo, movimientos comparables a las organizaciones que tan notablemente han desarrollado los propios nazis en casi todos los países del mundo”.
Parecía evidente que los británicos no podían darse el lujo de no prestar atención a la vía de la guerra clandestina. Dalton agregó: “Esta ‘internacional democrática’ debe emplear diferentes métodos, incluyendo el sabotaje contra las instalaciones industriales y militares, la agitación sindical y la huelga, la propaganda constante, los atentados terroristas contra los traidores y los dirigentes alemanes, el boicot y los motines”. Era necesario, por lo tanto, establecer, en el mayor secreto, una red de resistencia, recurriendo a los elementos más aventureros del ejército y de la inteligencia británicos: “Lo que necesitamos es una nueva organización que coordine, inspire, supervise y asista a las redes de los países ocupados que tendrán que ser los actores directos. Para ello tendremos que poder contar con la más absoluta discreción, con una buena dosis de entusiasmo fanático, con la voluntad de cooperar con personas de diferentes nacionalidades y con el apoyo incondicional del poder político”.
Bajo la protección del ministro Dalton, el comando operacional del SOE fue puesto en manos del general de división Sir Colin Gubbins, un hombrecito seco y flaco y con bigote, originario de los Highlands, que desempeñaría en adelante un papel determinante en la creación del Gladio británico. “El problema y su solución consistían en estimular y permitir que los pueblos de los países ocupados perjudicaran en la mayor medida posible el esfuerzo de guerra alemán a través del sabotaje, la subversión, negándose a trabajar, realizando operaciones relámpago, etcétera”, describió Gubbins, “y, al mismo tiempo, preparar en territorio enemigo fuerzas secretas organizadas, armadas y entrenadas que solamente debían intervenir en el momento del asalto final”. El SOE era en realidad el precursor de la Operación Gladio, puesto en marcha en medio de la Segunda Guerra Mundial. Gubbins resume este ambicioso proyecto en los siguientes términos: “A fin de cuentas, aquel plan consistía en hacer llegar a las zonas ocupadas un gran número de hombres e importantes cantidades de armas y explosivos”.
El SOE empleaba gran parte de los efectivos de la Sección D y acabó convirtiéndose en una organización de gran envergadura, que contaba en sus filas con más de 13 mil hombres y mujeres y operaba en el mundo entero en estrecha colaboración con el MI6. Aunque realizó varias misiones en el Extremo Oriente, desde bases de retaguardia situadas en la India y en Australia, el principal teatro de operaciones del SOE seguía siendo el oeste de Europa, donde se dedicaba casi exclusivamente a la creación de ejércitos secretos nacionales.
El SOE estimulaba el sabotaje y la subversión en los territorios ocupados y establecía núcleos de hombres entrenados capaces de prestar asistencia a los grupos de resistencia en la reconquista de sus respectivos países. “El SOE fue durante cinco años el principal instrumento de intervención de Gran Bretaña en las cuestiones políticas internas de Europa”, precisa el informe del British Cabinet Office, “un instrumento extremadamente poderoso” ya que era capaz de ejecutar gran cantidad de tareas. “Mientras el SOE estuviese en acción, ningún político europeo podía creer en la renuncia o la derrota de los británicos”.
Oficialmente, el SOE fue disuelto y su dirección dimitió en enero de 1846, es decir, poco después del fin de la Segunda Guerra Mundial. Pero Sir Steward Menzies, quien dirigió el MI6 desde 1939 hasta 1952, no tenía intenciones de renunciar a un instrumento tan interesante como el ejército secreto, sobre todo teniendo en cuenta que el director del Departamento de Operaciones Especiales del MI6 aseguraba que las acciones clandestinas de Gran Bretaña iban a proseguir durante la Guerra Fría. El informe del gobierno sobre el SOE, documento que se mantuvo en secreto durante un tiempo, concluyó que: “Es casi seguro que, bajo una u otra forma, habrá que reinstaurar el SOE en una guerra futura”.
Los objetivos a largo plazo del SOE y de su sucesora, la Special Operations Branch (SOB) del MI6, aprobados de forma provisional por el Consejo del Estado Mayor británico el 4 de octubre de 1945, preveían en primer lugar la creación del esqueleto que debía sustentar una red capaz de extenderse rápidamente en caso de guerra y, en una segunda fase, la reevaluación de las necesidades del gobierno británico para sus operaciones clandestinas en el extranjero. “Se decidió preparar esas acciones prioritariamente en los países con posibilidades de ser invadidos durante las primeras fases de un conflicto con la Unión Soviética, aunque no [estuviesen] sometidos aún a la dominación de Moscú.”
Después de la Segunda Guerra Mundial, el oeste de Europa siguió siendo por lo tanto el principal teatro de operaciones de la guerra secreta británica.
Tras la disolución del SOE, el 30 de junio de 1956, una nueva sección designada como “Special Operations” se creó dentro del MI6 y se puso bajo las órdenes del general de división Colin Gubbins. Según el especialista holandés en servicios secretos Frans Kluiters, el MI6 promovía la formación de ejércitos anticomunistas secretos, “mientras que los Special Operations comenzaban a construir redes en Alemania occidental, en Italia y en Austria. Esas redes (organizaciones stay-behind) podían ser activadas en caso de una posible invasión soviética, para recoger información y realizar actos de sabotaje ofensivo”.
Gubbins puso especial cuidado en lograr que los efectivos se mantuvieran en Alemania, Austria, Italia, Grecia y Turquía después de 1945. En efecto, el SOE y sus sucesores “tenían otras preocupaciones políticas, aparte de la derrota de Alemania”. La directiva de 1945, particularmente explícita, “establecía claramente que los principales enemigos del SOE eran el comunismo y la Unión Soviética”, ya que se consideraba que los intereses británicos se hallaban “bajo la amenaza de la Unión Soviética y del comunismo europeo”.
Varios años más tarde, con la esperanza de obtener el apoyo de la representación nacional para continuar las operaciones clandestinas, Ernest Bevin, ministro británico de Relaciones Exteriores, se dirigió al Parlamento el 22 de enero de 1948 para pedir con insistencia la creación de unidades armadas especializadas destinadas a luchar contra la subversión y las “quintas columnas” soviéticas. En aquel entonces, sólo unos pocos parlamentarios sabían que en realidad aquella proposición ya se estaba aplicando.
Washington compartía la hostilidad de Londres hacia los soviéticos. Las dos potencias trabajaban en estrecha colaboración en materia de cuestiones militares y de inteligencia. La Casa Blanca puso en manos de Frank Wisner, director de la Office of Policy Coordination (OPC, el Buró de Coordinación Política de las operaciones especiales de la CIA), la tarea de crear ejércitos secretos stay-behind a través de todo el oeste de Europa, con la ayuda de la SOB del MI6, que dirigía el coronel Gubbins.
Roger Faligot y Remi Kauffer, dos historiadores franceses especializados en servicios secretos, explican que la Agencia Central de Inteligencia (CIA) y el MI6 se encargaron primeramente de “neutralizar las últimas unidades clandestinas de las potencias del Eje en Alemania, en Austria y en el norte de Italia”, y reclutaron después a ciertos miembros de las vencidas facciones fascistas, incluyéndolos en sus nuevos ejércitos secretos anticomunistas. “Y fue así, a través del OPC de la CIA y de la SOB del SIS, como los servicios secretos de las grandes democracias que acababan de ganar la guerra trataron después de “reutilizar” algunos de sus comandos contra su antiguo aliado soviético”.
Paralelamente a la del MI6 y la CIA y sus respectivos departamentos de operaciones especiales, la SOB y la OPC, se estableció también una cooperación entre las Fuerzas Especiales de los ejércitos de Gran Bretaña y Estados Unidos. Las fuerzas especiales (Special Air Service, SAS) británicas y los Boinas Verdes estadunidenses, entrenados especialmente para la realización de misiones secretas en territorio enemigo, realizaron de forma conjunta un gran número de operaciones durante la Guerra Fría, entre ellas la formación de los ejércitos secretos stay-behind. Los exoficiales de la Marina Real Giles y Preston, que habían creado el Gladio austriaco, contaron que los reclutas eran enviados a Fort Monckton, un edificio construido durante las guerras napoleónicas y situado frente al mar en Portsmouth (Inglaterra), donde se entrenaban junto a los miembros del SAS bajo la dirección del MI6.
Giles y Preston participaron personalmente en aquellos ejercicios del Gladio y se entrenaron en uso de códigos secretos, manejo de armas y operaciones clandestinas. Decimo Garau fue uno de aquellos reclutas entrenados por el SAS británico antes de convertirse en instructor del Centro Addestramento Guastatori, una base del Gladio italiano situada en Capo Marragiu, en Cerdeña. “Me invitaron a pasar una semana en Poole, Inglaterra, para entrenarme con las Fuerzas Especiales”, confirmó el instructor Garau después de las revelaciones sobre la existencia del Gladio en 1990. “Hice un salto en paracaídas sobre [el canal de] la Mancha. Participé en el entrenamiento de ellos; todo se desarrolló muy bien entre nosotros. Después me mandaron a Hereford para preparar y realizar ejercicios con los [miembros del] SAS”.
En aquella época, los británicos eran los más experimentados en materia de operaciones secretas y guerra no convencional. Sus fuerzas especiales (SAS) habían sido creadas en el norte de África, en 1942, con la misión de golpear en profundidad detrás de las líneas enemigas. Los más peligrosos adversarios del SAS británico eran sin duda las SS alemanas, fundadas desde antes de la Segunda Guerra Mundial y dirigidas por Heinrich Himmler. Como todas las fuerzas especiales, las SS eran una unidad combatiente de elite, con sus propias insignias –portaban un uniforme negro bien ajustado, una gorra con un cráneo de plata y una daga plateada– y convencidas de su superioridad sobre todos los demás cuerpos del ejército regular. Sus miembros adquirieron además rápidamente la reputación de ser “asesinos fanáticos”. Después de la derrota de la Alemania nazi, las fuerzas especiales de las SS fueron consideradas como una organización criminal y el tribunal de Nuremberg las disolvió en 1946.
Después de la victoria, el SAS también fue desmantelado en octubre de 1945. Sin embargo, como la necesidad de asestar golpes bajos y de realizar operaciones peligrosas iba en aumento a medida que disminuía la influencia de Gran Bretaña en el mundo, el SAS fue restablecido y enviado a luchar tras las líneas enemigas, específicamente en Malasia, en 1947. Desde su cuartel general de Hereford, conocido como “la Nursery”, el SAS preparó en el mayor secreto numerosas misiones como, por ejemplo, la efectuada en 1958 a pedido del sultán de Omán, operación durante la cual los miembros del SAS contribuyeron a reprimir una guerrilla marxista que se había revelado contra la dictadura del régimen. Aquella operación garantizaría el financiamiento del SAS en el futuro ya que, como pudo comprenderlo un oficial del SAS, los miembros de este servicio británico probaron entonces que “podían ser aerotransportados rápida y discretamente hacia una zona agitada y operar de forma totalmente confidencial en un lugar apartado, una carta muy apreciada por el gobierno conservador de la época”.
Aunque su acción armada más célebre sigue siendo el asalto a la embajada de Irán, en 1980, el SAS también participó activamente en la guerra de las Islas Malvinas, en 1982. El despliegue más masivo del SAS desde la Segunda Guerra Mundial tuvo lugar durante la guerra del Golfo de 1991. En 1996 colaboraron nuevamente con los Boinas Verdes estadunidenses para entrenar y equipar al Ejército de Liberación de Kosovo antes y después de los bombardeos de la Organización del Tratado del Atlántico Norte sobre el territorio de aquella provincia, que se encontraba entonces bajo control serbio.
El diputado conservador Nigel West subrayó, con toda razón, que, al igual que los Boinas Verdes estadunidenses: “El SAS británico habría desempeñado un papel estratégico en la Operación Gladio si los soviéticos hubiesen invadido Europa occidental”, dando así por sentada la implicación de las SAS junto a los ejércitos stay-behind creados en Europa. Tanto el SAS británico como los Boinas Verdes estadunidenses colaboraron estrechamente. Fue como prueba de aquella colaboración que los miembros de las Fuerzas Especiales estadunidenses comenzaron a portar, a partir de 1953, la famosa boina verde, proveniente del uniforme de sus modelos británicos. El uso de la boina verde, considerada “extranjera”, molestó a muchos altos oficiales del ejército estadunidense.
Fue sólo cuando el presidente Kennedy, gran partidario de las operaciones secretas y de las Fuerzas Especiales, lo aprobó durante una visita a Fort Bragg, el cuartel general de dichas fuerzas, que la boina vino a ser oficialmente adoptada en Estados Unidos para convertirse rápidamente en el emblema del más prestigioso cuerpo de comandos del país. La admiración de los estadunidenses por el ilustre y glorioso SAS perduró por muchos años. Los boinas verdes acostumbraban incluso a referirse al cuartel general de Hereford como “la casa matriz”, y los oficiales formados en Gran Bretaña gozaban de cierto prestigio a su regreso a Estados Unidos. Por su parte, los británicos se esmeraron en mantener esa alianza, al extremo que en 1962 nombraron al comandante de los Boinas Verdes, el general de división William Yarborough, miembro honorario del SAS.
Lady Thatcher envió el SOE a Cambodia donde este servicio secreto británico entrenó y dirigió a los Khmers Rojos. Éstos masacraron entonces a 1 millón y medio de personas, prioritariamente a los intelectuales que hablaban francés.
*Historiador suizo, especialista en relaciones internacionales contemporáneas. Se dedica a la enseñanza en la universidad de Basilea, Suiza

(Voltairenet) Daniele Ganser
Historiador suizo, especialista en relaciones internacionales contemporáneas. Se dedica a la enseñanza en la universidad de Basilea, Suiza.

Los artículos de esta autora o autor
Enviar un mensaje





24 ENERO 2010

Haiti

Perdónanos Haití
Amy Goodman (DEMOCRACY NOW!)

La tragedia del terremoto haitiano continúa desatándose con características como la demora en la entrega de ayuda, el terrible número de amputaciones realizadas por urgencia médica, más de un millón de personas sin hogar, quizá 240.000 muertos, hambre, deshidratación, el surgimiento de infecciones y enfermedades causadas por el agua y, pronto, la llegada de la estación lluviosa, seguida de la temporada de huracanes. Haití sufrió un golpe de gran magnitud, un terremoto para el que su infraestructura no estaba preparada tras décadas – no, siglos- de manipulación militar y económica por parte de gobiernos extranjeros, en particular de Estados Unidos y Francia.

Haití era una plantación de esclavos controlada por Francia. En 1804, inspirados por Toussaint L’Ouverture (en honor a quien lleva su nombre el aeropuerto de Puerto Príncipe, que ahora funciona a duras penas), los esclavos se rebelaron y fundaron la primera república negra del mundo. Bajo la amenaza militar de Francia, en 1825 Haití acordó pagar reparaciones a Francia por pérdida de “propiedad”, entre ella, esclavos que propietarios franceses perdieron en la rebelión. No les quedaba opción: o bien acordaban pagar las reparaciones, o Francia invadiría Haití y volvería a imponer la esclavitud. Muchos haitianos creen que la deuda original, que Haití pagó obedientemente durante de la Segunda Guerra Mundial, comprometió a Haití a un futuro de pobreza del que nunca ha logrado escapar. (Mientras Francia, como parte del acuerdo, reconoció la soberanía de Haití, los políticos dueños de esclavos en Estados Unidos, como Thomas Jefferson, se negaron a reconocer a la república negra, temerosos de que inspirara una revuelta de esclavos en su país. Estados Unidos reconoció formalmente a Haití recién en 1862).

La armada de Estados Unidos ocupó Haití de 1915 a 1934. En 1956, Francois “Papa Doc” Duvalier tomó el poder en un golpe militar y se autoproclamó presidente vitalicio, iniciando un período de dictadura brutal y sangrienta con apoyo de Estados Unidos. Papa Doc murió en 1971, momento en el cual su hijo de 19 años, Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier, asumió el poder y mantuvo el mismo control dictatorial hasta que fue forzado al exilio tras una revuelta popular ocurrida en 1986. Jubileo Estados Unidos, una red que pide la eliminación de la deuda de los países pobres, calcula que solamente Baby Doc desvió al menos 500 millones de dólares de dinero público a sus cuentas privadas, y que el 45 por ciento de la deuda de Haití en las últimas décadas se acumuló durante el régimen corrupto de los Duvalier.

Los préstamos del Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional (FMI) y el Banco Interamericano de Desarrollo (BID) impusieron condiciones de “ajuste estructural” en Haití, abriendo su economía a los baratos productos agrícolas de Estados Unidos. Los agricultores, imposibilitados de competir con esos precios, dejaron de cultivar arroz y se mudaron a las ciudades para ganar salarios bajos, si tenían suerte de conseguir uno de los pocos trabajos disponibles en la maquila. Los pobladores de las zonas montañosas se vieron forzados a deforestar los cerros y convertir la madera en carbón vendible. Esto generó una crisis ecológica que desestabilizó las laderas de los cerros, y que, a su vez, aumentó la destructividad de los terremotos y provocó deslizamientos de tierra durante la estación lluviosa.

El primer presidente democráticamente electo de Haití fue Jean-Bertrand Aristide, un sacerdote católico comprometido con los pobres. Fue electo en 1990 y luego derrocado por un golpe militar en 1991. En 1994, cuando los refugiados haitianos inundaban el estado de Florida, el gobierno de Clinton se vio obligado a restituir a Aristide en el poder, pero solo a cambio de que cumpliera con las nuevas exigencias de los programas de ajuste estructural. Aristide fue reelecto en 2000 y fue depuesto nuevamente por un golpe de Estado respaldado por Estados Unidos en 2004, el año del bicentenario de Haití.

La destrucción de la industria arrocera de Haití, cuya producción fue reemplazada por el arroz de Estados Unidos subsidiado por el gobierno estadounidense, al igual que la venta de empresas públicas fundamentales, como el único molino de harina y la fábrica de cemento, dejaron al país en una situación de dependencia del comercio y la ayuda exterior que condenó a Haití a una desventaja permanente.

Ahora es fundamental cancelar la deuda externa de Haití, para que el país pueda dedicar sus escasos recursos a la reconstrucción, en lugar de al pago de la deuda. Los ministros de economía del G-7 se reunieron en Canadá esta semana y anunciaron el perdón de la deuda bilateral entre los estados miembro y Haití. Pero las deudas con el Banco Mundial, el FMI y el BID continúan. El FMI, incluso, prometió a Haití un préstamo de 100 millones de dólares luego del terremoto, pero esa polémica promesa suscitó una condena generalizada y desde entonces se ha comprometido a convertir ese dinero en un fondo de ayuda.

Los terremotos por sí solos no generan desastres como el de la magnitud que ahora está sufriendo Haití. Las naciones ricas han explotado a Haití durante demasiado tiempo, negándole el derecho a desarrollarse en forma segura, soberana y sustentable. La llegada efusiva de apoyo mundial para los haitianos debe ir acompañada de fondos de ayuda a largo plazo, sin condiciones, y del perdón inmediato de todas las deudas del país. Teniendo en cuenta su responsabilidad en la grave situación de Haití, Estados Unidos, Francia y las otras naciones industrializadas deberían ser quienes busquen el perdón.

Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.

(Argenpress)

Contraceptivo

A pastilha que mudou o Mundo!
Pílula faz 50 anos
2010-02-01
Por Jorge Massada



Foi em 23 de Junho de 1960 que a Food and Drug Administration (FDA) autorizou a comercialização da pílula anticoncepcional, após alguns anos de experiências, nomeadamente em mulheres porto-riquenhas. Talvez este organismo americano não soubesse mas acabava de colocar em marcha aquela que seria, provavelmente, a maior revolução de costumes do século passado. Ciência Hoje assinala os 50 anos com um dossier/ fórum.
(Ciência Hoje)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Resistência da Direita - as aventuras de cristóvan tezza (CF)


Eis, aqui, um artigo que tem muito a nos ensinar, desde que se queira aprender, é claro!  A qualquer pessoa, seja de esquerda, direita, centro, acima ou abaixo...
Vale a pena ler e avaliar de forma isenta, sem prevenções!
Boa leitura a todos!
Safrany.

 
--

as aventuras de cristóvan tezza (CF)


A Resistência da Direita
Escrevo em resposta ao artigo do meu ilustre professor da UFPR Cristovão Tezza, que colocou a sua pena, com todo seu passado, a serviço de um tema motivo de profundas e históricas reflexões que é a distinção entre esquerda e direita. Passando pelo conceito lato de Bobbio (que definiu como sendo de esquerda todo aquele que sente indignação contra qualquer injustiça social), até os debates que acumularam diversas concepções, passando pelos sociais democratas e teóricos mais ortodoxos que reuniram intelectuais de peso e praxis como Rosa de Luxemburgo, Kauski, Lênin, Stalin, Mao, Gramsci, Mencheviques, Bolcheviques, e demais vertentes , por vezes defendendo teses contraditórias, herdeiras do socialismo e da interpretação de Marx, o assunto pode ser tratado de várias maneiras, menos de forma superficial. Digo isto, tranquilamente, tragando reminiscências do meu antigo professor, já escritor famoso, fumando também seus galaxyes no intervalo das aulas, enquanto nos ensinava literatura e português com muita eficiência. Eu, nesta época anarquista, que era até então a concepção ideológica que havia conseguido assimilar como filho de um carroceiro, e serviu-me de entrada ao mundo pensante das ideologias passando por Bakunin e Proudhon da célebre máxima “a propriedade privada é um roubo”. Anarquismo este pelo qual até hoje nutro respeito, pela resistência ao capitalismo, até mesmo aqui em Curitiba, com suas publicações e greves no início do século. Lembro que, ancorado nisto e com toda a minha fragilidade emocional (tímido, detestava falar em público), defendi, em uma de minhas provas numa das aulas do professor, de costas para a turma, uma tese sobre Milan Kundera, da Insustentável Leveza do Ser. À época, não tinha mais nada a apresentar. Hoje, tenho! Assim, com exclamação, para explicitar que tenho orgulho do meu esforço de pelo menos ter tentado me aprofundar no estudo e na prática para construir-me como um ser humano que pretende ter convicções sobre aquilo que escreve, vive e acredita.
Então fui pego de surpresa quando Tezza, com os seus Jabotis e méritos literários incontestáveis, refletiu em artigo publicado na Gazeta do Povo, sua rala concepção de esquerda e a direita. Penso, com meus botões, que julgou-nos pelo óbvio e, sinceramente, esperava mais de um escritor em seu nível. Em determinados momentos lembrou-me o cineasta Arnaldo Jabor, com a sua costumeira vociferação desconexada da história e pedantismo que lhe é peculiar nos jornais da Globo, que soam como que sob encomenda, conforme o assunto. Confunde, através do moralismo barato, a profundidade dos temas sociais, e talvez seja esta mesma sua intenção. Coincidência histórica, com o mesmo discurso lugar-comum que encontrei no texto do meu ilustre professor. Em suma, imagina que nós, de “esquerda”, em seu amplo espectro, porque não nos distinguiu, alinhamo-nos inteiramente com Mahmoud Ahmadinejad, e nos justificamos, por isso, com o argumento de enfrentamento a alguma força inexistente chamada “Direita”, ou por falta de objetivos do que fazer com a vida. Nada mais vulgar. Escusas, ou o "emérito" professor nos toma por alienados, ou alunos de alguma faculdade déspota. Se de fato seremos sempre alunos nestas matérias, pois todo dia aprendemos algo novo, também neste corte ideológico da consciência de classe, somos pessoas que pensam e tiram suas próprias conclusões. Por acúmulo de debates sobre estes temas, não estamos alheios ao que se passa no mundo, tentando exercer nosso papel crítico, tanto àquilo se supõe ser esquerda, quanto aos argumentos daqueles que são de direita e nem imaginam que o são, justamente por lhes faltar a imaginação ou conhecimento ou mesmo caráter, predicados tão caros a quem se pretende um intelectual ou coisa que o valha. Em nossa independência, podemos tecer críticas a falhas nos processos históricos que possam ter havido em Cuba, na União Soviética, na China e recentemente até mesmo na Venezuela. E isto não quer dizer que sejamos imediatamente contrários aos acertos cometidos por estes governos. E, neste sentido, qualquer leitor de um grande jornal merece mais do que isso que nos foi oferecido, para criticar a esquerda, no artigo de Tezza. Ao contrário, pelo seu respaldo intelectual na área literária, nós, de “esquerda”, particularmente, queríamos aprender alguma coisa com alguém que se supõe ter uma vasta compreensão do mundo.
Para esclarecimento, nem de longe tomamos Mahmoud Ahmadinejad por santo. Mas não nos consideramos ingênuos ao ponto de acreditar que os motivos que levam à sabotagem do sistema político daquele país – da guerra midiática até o envio ao envio de SMS, por parte dos EUA, aos iranianos denunciando uma suposta fraude nas eleições passadas - se devam a defesa dos valores “democráticos” e não financeiros. Do mesmo modo que, sendo de esquerda, nos sentimos livres para criticar as falhas no processo democrático do Irã, também nos sentimos livres para criticar uma democracia fajuta, baseada no poder financeiro e praticada por meros 30%do eleitorado norte-americano que elegeu o ditador Bush, com uma recontagem duvidosa de votos que deveria ter sido denunciada com a mesma ênfase que são denunciados os problemas de ausência de democracia em outros países. Ou Bush não merecia ser considerado um criminoso de guerra por invadir um país por motivos infundados? Ou o bombardeio de hospitais e escolas por Israel, que não respeita as resoluções da ONU, não são crimes de guerra? E nos surpreende também que pessoas esclarecidas defendam um sistema que subtraiu de modo escuso (roubou, para ser explícito) mais de 7 trilhões do mundo (ninguém sabe cifra exata), e que isto não signifique matar crianças de fome na África, na América Latina e em todo o Terceiro Mundo pelos seus efeitos corrosivos. Ou a pena só vale para os inimigos do Ocidente, de forma generalizante, onde são adjetivadas preconceituosamente religiões e ideologias considerando-as como o supra-sumo da expressão do mal? Ficamos surpreendidos com pessoas esclarecidas que fazem reflexões tão “fáceis” sobre o que é esquerda e direita, enquanto desgraças como a do Haiti são usadas como subterfúgio para a ocupação militar de um país fragilizado; enquanto se derruba um governo eleito como o de Honduras diante da omissão subliminar da chamada comunidade internacional. Enquanto sete bases militares estão sendo cravadas na Colômbia sob que desculpa? Armas de destruição em massa, como no Iraque? Ah! Era um ditador. Sim, um Ditador que tinha justamente o apoio de quem? Da esquerda? E o ilustre professor colocou a sua pena para refletir sobre isso? Colocou sua pena para refletir sobre o mundo? Como intelectuais orgânicos e militantes, que estudam a vida inteira para entender os processos históricos, acreditamos que o professor deva ter baseado sua opinião em centenas de livros de sociologia e fatos contemporâneos para escrever seu artigo. Mas, sinceramente, não pareceu. Pareceu sim uma destas pessoas de direita ou esquerda que falam de suas concepções ideológicas num boteco. Mas afinal, quem somos nós, para, com tanta veemência, falarmos dos problemas da Venezuela, enquanto esquecemos de que neste imenso e rico país, a beira de um ataque de nervos e crise energética, 60% da população ganhe entre um e dois salários mínimos, e 50% trabalhe na informalidade, com uma vergonhosa distribuição de renda entre as piores do mundo? Nâo seria interessante se um escritor da Venezuela escrevesse sobre o maravilhoso processo democrático de nossas eleições com o vertiginoso e vergonhoso financiamento de candidatos pelo poder financeiro, da ausência de teto para gastos eleitorais, do dinheiro enfiado em cuecas e meias e por ai vai. Que escrevesse sobre um país onde pessoas estão morrendo de lectospirose na cidade com o maior PIB do país, por falta de planejamento e corrupção, que impediram os investimentos em soluções para as enchentes? Que tal lhe parece, professor? Ou fecharemos os olhos para tudo isto porque somos “democráticos”?
Reflexões fáceis sobre o que é esquerda e direita beiram ao fanatismo, o mesmo que se critica em seu artigo. Não existem reflexões fáceis. Existe a nossa consciência sobre o papel que devemos desempenhar no mundo. E este tipo de reflexão, como o meu ilustre professor fez, tendenciosa, mesmo que não se pretenda, insípida, sem profundidade e, não queremos acreditar, “sob encomenda”, com certeza não reflete a sua história, sua defesa intransigente do idioma e sua dedicação à arte de escrever. Se alguma explicação há, talvez se deva ao fato de que a ficção nos proporciona uma maneira mais fácil de fugir da vida, de nos distanciarmos da realidade, de nos alienarmos. Com exceção, claro, de Saramago e muitos outros, cujas obras fazem uma conexão mais nítida com o que de fato acontece no mundo e não a mera fantasia. Não que a arte deva abranger somente a questão social, como no realismo socialista (vide Ernest Fishcer – Ministro da Cultura da extinta URRS, que escreveu sobre a amplitude da arte, mas também do seu dever social. Brilhante), signifique tudo que se espera da literatura, muito pelo contrário. Por isso podemos gostar de Zolá ( afinal, ele era de esquerda ou direita?). De um William Blake, tão alheio a luta de classes, mas que afirmou que “o verme perdoa até o arado que o corta” (afinal, ele era de esquerda ou de direita?). E podemos também gostar da literatura do Tezza.
Como bom leitor, e um péssimo escritor que julgo ser, porque sempre busquei a auto-crítica, sugiro, após ler o artigo do excelente escritor, e, no meu entender, péssimo sociólogo e comentarista político, que se restringisse ao que faz de melhor, a literatura. Ou como podemos concordar com o que o professor diz e, ao mesmo tempo, achá-lo uma pessoa que não entende nada de política, dando-nos a impressão que entrou em um campo que lhe é estranho, sem ter pleno conhecimento. Sei que pode parecer difícil alguém com tantos méritos achar espaço em sua consciência para considerar críticas de ex-alunos, já que o nosso ego, incluo-me, embotam o pensamento. Mas acho que o fato de não saber distinguir as coisas e não se acreditar em nada além de sua própria opinião, também se deva a questões psicológicas. Como um remanescente da década de 1960, deveria procurar resolver isso...talvez lendo algo mais do que ficção, para emitir opiniões mais nítidas, como faz em seus livros. Recomendo o Walmor Marcellino, que apesar de não ter ganho nenhum prêmio, que me lembre, acredito escrever bem melhor, resguardado, claro o seu inegável mérito como um dos melhores escritores paranaenses e nacionais, meu eterno professor. Em um espasmo, considerei a reflexão como mais um aprendizado, apesar dos disparates: com todo respeito, vá estudar sociologia e história, professor.
Publicado em
http://pibloktok.blogspot.com/