DO A DE ALGARAVIA AO T DE TRAIDOR – OU O O DE OPORTUNISTA
Laerte Braga
A resistência ao golpe militar em Honduras divulgou documento em que denuncia que as práticas repressivas do “governo” Michelleti continuam no “governo” Porfírio Lobo. Com toda a certeza a Anistia Internacional (sic) vai interferir e denunciar as violências praticadas por militares e governo daquele país, principalmente agora que o dublê de cervejeiro e comentarista esportivo Barack Obama reiniciou o envio de recursos através da várias agências que chamam de fomento e ajuda e são na verdade de recolonização.
O COFADEH – Comitê de Familiares de Detenidos Desaparecidos em Honduras – divulgou documento em que afirma que “El terrorismo de Estado implementado desde El 28 de junio contra el pueblo hondureño continúa con la selectividad de los crimenes, persecución politica y outras violacones de derechos humanos, contradice el discurso de reconciliación y la instalación de uma Comisión de la Verdad”.
É que quando foram procurar no dicionário o A de algaravia deveriam ter chegado ao T de traidor. É possível encontrá-lo, o T, no documentário
http://www.adorocinema.com/filmes/tempo-de-resistencia/
O filme de hoje é com o O de oportunista, mas pode ser também, naquelas salas, uma ao lado da outra, de M de mau-caratismo.
O Comitê denuncia que embora o governo Pepe Lobo tente mostrar ao mundo que busca “limpiar una imagem inundada de sangre y terror”... sin embargo la realidad es outra, mientras se toman vinos en elegantes hoteles para escuchar la misma historia de los que perpetraron el golpe de Estado y echar a andar sus órdenes entorno a la confirmación de La Comisión de la Verdad, afuera hay secuestros, asessinatos e el afinamiento de estratégias perversas para desmantelar la resistência , que se há mantenido desde el mismo dia del golpe de Estado y que avanza para lograr la instalación de uma Asamblea Nacional Constituyente para elaborar una nueva Constitución”.
Como se vê, de A de algaravia Celso Lungaretti entende. de T de Traidor. O O de oportunismo disfarça.
E prossegue a nota do Comitê, emitida em 5 de fevereiro – “en el país hay uma situación gravísima de violaciones a los derechos humanos, estos casos solo son una muestra de la emergência que estamos viviendo em relación al respeto de los derechos fundamentales”.
Maiores informações podem ser vistas em
http://voselsoberano.com
E se a Anistia Internacional estiver interessada, através do email
fian-honduras@googlegroups.com"
Pode obter informações detalhadas sobre os assassinatos desde o dia do golpe até os seqüestros acontecidos a partir de dois de fevereiro já com Porfírio Lobo presidente. Há uma diferença entre o Comitê e a Anistia Internacional
"Mañana se podrá discutir, hoy lo más honrado es luchar".
Julio Antonio Mella
Os nomes dos assassinados desde o golpe, dos seqüestrados, dos desaparecidos, dos presos já no governo dito “legítimo”, podem ser obtidos junto ao Comitê.
A base militar norte-americana em Tegucigalpa é fundamental para os Estados Unidos buscar manter o controle sobre nações centro-americanas e tal e qual o motivo de sua instalação, hoje, novamente, é o de impedir que o povo da Nicarágua mantenha o governo eleito de Daniel Ortega e que governos da região escapem ao controle de Washington. Em Honduras já garantiram a “democracia.”
Ali são treinados oficiais de forças armadas de todos os países da América Latina – Brasil inclusive – na mentalidade golpista que é prática corriqueira do império norte-americano.
Como dizia minha avó, um doce para quem descobrir ou tentar entender as explicações do presidente Obama sobre outras bases, as treze na Colômbia, o acordo entre o governo anterior do Paraguai e os EUA que exclui os soldados dos EUA de punições por crimes quaisquer que sejam, praticados em territórios da Colômbia ou do Paraguai.
Uma das condições dos EUA para “ajudar” é essa. Excluir os bravos mariners de punições ou processos caso roubem, trafiquem drogas, estuprem, assassinem, coisas assim também usuais na sociedade do USA, doente e imperialista. Ou terrorista como queiram.
Participação decisiva do MOSSAD, uma espécie de centro criador e irradiador de tecnologias de barbárie, de boçalidade, com sede em Israel.
No Brasil, o processo tem como objetivo o controle da Amazônia, da água na região Meridional, o aqüífero Guarani, dos minerais estratégicos – nióbio por exemplo –, motivo pelo qual apostam, por enquanto, em eleger o governador de São Paulo José Collor Serra para suceder Lula.
A hipótese que isso não aconteça, ou que outro acostumado aos recursos democráticos, cristãos e libertadores de Washington não seja eleito, começam, como sempre fazem, a apertar o torniquete.
Sobre os cadáveres dos resistentes mortos em Honduras e na presença de uma delegação especial do Vaticano, o cardeal hondurenho celebrou missa na posse de Porfírio Lobo. Tem sido difícil segurar a mão direita de Bento XVI quando em público. Há uma tendência revelada desde a juventude de erguê-la e gritar Heil Hiltler. Está sendo orientado a gritar Heil Obama.
Em breve nas telas e telinhas do JORNAL NACIONAL “documentos” e “dossiês” provando que por trás de tudo isso está o governo do Irã. E que se não derem um jeito no MST demônios estarão invadindo e controlando o Brasil.
Já o petróleo do Haiti foi assegurado na ajuda portentosa do porta-aviões que encantou Dona Miriam Leitão por conta de sua capacidade operacional, além, claro, dos dez mil soldados enviados para “reconstruir” o país devastado por um terremoto.
Sobre os quarenta médicos e vários pára médicos cubanos, além de dois hospitais de campanha com condições de atender a mais de 70% de vítimas na sua área de atuação, inclusive com cirurgias, nem uma palavra. Nem sobre o silêncio imposto a funcionários dos EUA que imaginaram poder contar com a medicina de ponta de Cuba no processo haitiano.
É algaravia demais.
BLOG VOLTADO PARA A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA, A DISCUSSÃO E O DEBATE SOBRE O BRASIL QUE QUEREMOS, ARTIGOS, COMENTÁRIOS DIÁRIOS SOBRE ESSES ASSUNTOS. A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO POPULAR NO PROCESSO POLÍTICO, A LUTA POR TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS. SE SOMOS A BASE DA PIRÂMIDE NOS CABE O DIREITO LEGÍTIMO DE DEFINIR O QUE VAMOS CARREGAR. VAMOS DISCUTIR E DEBATER, POIS JUNTOS SOMOS FORTES
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
A tentação de Aliócha Karamazov

Urariano Mota
Alguma vez se justifica a tortura?Essa é a suja e secreta pergunta que alguns se atrevem a fazer, em meio à repugnância e vergonha com que a humanidade respondeu às fotos que mostravam soldados norte-americanos atormentando indefesos prisioneiros no Iraque.
É uma pergunta que foi formulada de maneira inesquecível e temerária há mais de 130 anos por Dostoiévski em Os Irmãos...
Paremos, cessemos agora esta imitação, porque de tanto imitar acabaríamos por repetir a retórica do artigo “La tentación de Iván Karamazov”, de Ariel Dorfman. Nesse artigo, relaciona-se uma possível ética da tortura a um trecho de Os Irmãos Karamazov. “Naquele romance”, escreve Dorfman, “o beatífico Aliócha Karamazov se vê tentado por seu irmão Ivan, confrontado com um dilema intolerável. Suponhamos, diz Ivan, que seja necessário, para que os homens sejam eternamente felizes, que seja inevitável e essencial torturar durante uma eternidade uma pequena criatura, tão só a um menino, não mais que um. Tu o consentirias?”
De passagem, anotemos que causa espanto, em um escritor que se quer digno do nome, a confusão, a identificação feita entre criador e personagem. Tal equívoco acreditávamos ter deixado de existir desde a Arte Poética, de Aristóteles. O artista, que imita o real, não é bem esse real imitado. A sua arte, vale o velho exemplo, não é a toalha de Verônica, até mesmo quando ele narra na primeira pessoa. Ora, quando Dostoiévski escreve o capítulo O Grande Inquisidor em Os Irmãos Karamazov, os argumentos ali narrados não são os da pessoa física de Dostoiévski, ainda que nos pareçam muito eloqüentes, estão mais próximos de Ivan. A opinião do romancista por vezes não está nem no conjunto orgânico do romance. A criação, ao atingir a sua felicidade, é uma vitória do gênio humano, até mesmo contra a opinião da pessoa civil do criador. Daí o espanto que nos causa uma pergunta-provocação de Ivan Karamazov ser confundida com uma pergunta de Dostoiévski.
De passagem ainda, anotemos um desacerto mais básico. Não há na fala de Ivan, “Imagina que os destinos da humanidade estejam entre tuas mãos e que para tornar as pessoas definitivamente felizes, proporcionar-lhes afinal a paz e o repouso, seja indispensável torturar um ser apenas, a criança que batia no peito com seu pequeno punho, e basear sobre suas lágrimas a felicidade futura. Consentirias tu, nestas condições, em edificar semelhante felicidade? Responde sem mentir!”, não há, nessa fala de Ivan, uma tentação de Ivan. A tentação é de Aliócha. A tentação é de quem a sofre. Desde o Novo Testamento, onde se escreve que o demônio tentou Cristo no deserto, que se diz que a tentação foi de Cristo. O paciente é o dono do seu sofrimento.
Em última visão passageira, anotemos nossa estranheza diante disto: “Uma verdade incômoda: os soldados norte-americanos e britânicos no Iraque, como os torturadores em outros lugares, não se consideram a si mesmos como malvados, mas como os guardiões do bem comum, patriotas que mancham as suas mãos para libertar da violência e da ansiedade a maioria ignorante e cega”, do artigo de Ariel Dorfman. Os torturadores, e pedimos perdão ao leitor por essa tortura, porque tão óbvio é o fato, os torturadores não se alimentam de ideais nobres. Os seus comandantes, os fascistões do gênero Franco, Bush, Pinochet, em falsa consciência, talvez. Mas o torturador de baixo e médio escalão, os soldados, os oficiais.... mais uma vez, solicitamos o nosso perdão por essa tortura. Por favor, esses caras de gente são profissionais. Trabalham para qualquer ordem, independentemente dos objetivos proclamados. No caso desses que aparecem a sorrir nas fotos do Iraque, não, eles não se julgam maus sujeitos, indivíduos tenebrosos, não. Mas se sabem muito longe de guardiões da moral e do bem comum. O que dizer da militar norte-americana que zomba da nudez envergonhada, humilhada, dos soldados presos? O que dizer dela, enquanto posa e arrasta um grande cão pelo solo do cárcere? Vamos além das fotos. Entrevistados, os torturadores dizem que cumpriam ordens, e as ordens eram fazer a vida desses prisioneiros um inferno. Daí a direção ordenada para quebrá-los, no corpo, nos costumes, na religião, na alma. Daí a exibição da grande pornografia, à americana: amontoados de carnes e músculos, como fartura de mercadorias em liquidação.
E agora, de um modo menos ligeiro, permitam-nos entrar no mérito mesmo do artigo. Nele há um apoio básico nos pontos: 1) a pergunta de Ivan Karamazov, a que não saberíamos bem responder até hoje; 2) mais perguntas, ou situações-problema, que poderiam justificar, de um ponto de vista ético, a tortura de um prisioneiro. Comecemos pelo romance amputado. Mas com um brevíssimo preâmbulo. Os cidadãos ingleses sabem muito bem que as obras de Shakespeare servem para qualquer situação: para glorificar Blair e para condená-lo; ou para elogiar a subserviência, e para maldizer a subserviência. Os cidadãos italianos devem sentir isso com Dante, os alemães, com Goethe, os espanhóis, com Cervantes. E todo o mundo, em um nível de menor exigência, deve sentir isso com as fábulas de Esopo. Dito isto, cheguemos mais perto: ainda que o romance dostoievskiano tenha sido tão pobre e estreito na compreensão de conspiradores revolucionários, como em Os Demônios, deveríamos poupá-lo de ter uma citação para justificar um ato sujo. Deveríamos guardá-lo para as muitas e fundamentais iluminações que legou, e, no caso de Os Irmãos Karamazov, deveríamos tê-lo em nossa companhia, na dor que sentem os torturados, como neste ponto:
Gritavam-lhe: - “Arrastaram teu pai pela barba para fora do cabaré; tu corrias ao lado dele pedindo misericórdia”...
– Não faças as pazes com ele, papai, de modo nenhum. Os meus colegas na escola dizem que ele te deu dez rublos por isso.– Não, meu pequeno, por coisa alguma do mundo aceitaria dinheiro dele, agora. (O meu pequeno se pôs a tremer, agarrou minha mão nas suas, beijou-a)– “Papai, provoca-o a um duelo, na escola eles me infernam dizendo que és um covarde, que não te baterás, mas que aceitarás dele dez rublos”.
Sabe você que quando os meninos são taciturnos e altivos retêm por muito tempo as lágrimas, mas quando elas brotam, por motivo de um grande pesar, não correm, mas jorram? Suas lágrimas ardentes inundaram-me o rosto. Ele soluçava, convulsivamente, apertava-me contra ele. “Papai – gritou ele -, meu querido papai, como ele te humilhou!”. Então os soluços dominaram-me e nos abalavam, enlaçados sobre esta pedra.
A cena acima dispensa qualquer retórica de moldura. Melhor, rejeita-a. Ela é mais eloquente, ao falar da dor dos humilhados, que a pergunta de Ivan, ao insinuar uma ética em quem humilha.
Intelectuais de seguro e sereno juízo crítico vêem no artigo de Dorfman um deslocamento do conteúdo político da tortura para uma abordagem moral. Ainda que se reconheça a repercussão moral de qualquer ato humano (e estamos supondo que as sevícias a outro sejam um ato feito por homens), a discussão da tortura a presos de guerra passaria antes pelo desrespeito à Convenção de Genebra, e à Declaração Universal dos Direitos do Homem. É fato, a crítica é procedente. Mas queremos dizer, é aqui, exatamente aqui nesta esfera moral, que Ariel Dorfman mais fracassa. A começar, num primeiro passo, pela busca de robustez intelectual para uma prática vulgar, acanalhada, das delegacias de polícia às prisões orientadas pela CIA. Jamais uma obra de Dostoiévski mereceria uma citação como legenda de foto de um homem arrastado como um cão. O pensamento escrito de Dostoiévski não se mistura à pornografia de corpos nus, sodomizados. Mas Ariel Dorfman tenta, e tentar, nesse artigo, é uma palavra que lhe é cara.
No passo seguinte, reconhecemos a sua perícia de escritor, que antes fracassara no primeiro passo. Nesse movimento, Dorfman levanta a voz, é certo que num deserto da verdade, mas levanta-a, e clama contra a tortura, retoricamente (alguém se lembra do discurso de Bruto em Júlio César?). No entanto, eis o que ele faz: constrói possibilidades, “morais”, que justifiquem a tortura. Todas, as possibilidades, como se fossem consequências extraídas da primeira pergunta de Ivan Karamazov. O recurso retórico é conhecido: e se, e se... Seria algo como:
• Você é capaz de matar uma criança?
• Não, claro que não.
• E se a criança fosse uma terrorista?
• Crianças não são terroristas.
• E se ela estivesse domesticada, com lavagem cerebral, que a tornasse uma terrorista?
• Ainda assim, de modo algum eu a veria como uma terrorista.• E se essa criança trouxesse o corpo cheio de bombas?
• Eu preferiria morrer a matá-la.
• E se essa criança, com o corpo de bombas, entrasse para explodir uma creche?
• Não sei.
• E se nessa creche estivessem os seus filhos e as pessoas que você ama?
• Neste caso
E nesse caso estariam justificados os fuzilamentos de meninos que atiram pedras em tanques de Israel. E nesse caso, num desenvolvimento natural, estaria justificado até o assassinato dos que aceitam passivamente o domínio do Estado de Israel, porque mais cedo ou mais tarde se tornarão terroristas. E para que não vejam nisso um exagero, citamos as palavras de Kenneth Roth, da Human Rights Watch: “Os defensores da tortura sempre citam o cenário da bomba-relógio. O problema é que tal situação é infinitamente elástica. Você começa aplicando a tortura em um suspeito de terrorismo, e logo estará aplicando-a em um vizinho dele”.
É este cenário que Ariel Dorfman pinta, enquanto desloca os nossos olhos dos crimes de guerra, porque tais crimes seriam justificados por nosso pavor, por nosso medo: “E se o preço do Éden fosse a tortura? Ou a pessoa a quem se tortura soubesse onde se esconde uma bomba que está a ponto de explodir e matar milhões? Responderíamos que não (torturaríamos)? Responderíamos que a tortura, seja qual for a nossa ameaça ou nosso medo, é sempre absolutamente inaceitável? ...”.
Se não somos iraquianos, se não somos prisioneiros em Guantánamo, se não somos muçulmanos, se não somos palestinos em Gaza, se não somos um desses suspeitos de portar uma bomba, em resumo: se não estamos sob as botas da civilização norte-americana, ah, então poderemos ganhar um sereno distanciamento da retórica viciosa de Dorfman. E só então, tranquilos, ponderados, compreenderemos o título do seu artigo. Ele tem razão em chamá-lo de “A tentação de Ivan Karamazov”. Há razão robusta nisso. O seu artigo é a própria tentação de Ivan, que Dostoiévski jamais escreveu.
Urariano Mota, escritor e jornalista, autor de “Soledad no Recife” (Boitempo – 2009) seu último romance, indicado como um possível livro do ano pelo conceituado site Nova Cultura, elaborado e administrado na Alemanha, com os destaques literários da CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa. É colunista do site Direto da Redação.
Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA
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____________________
http://assazatroz.blogspot.com/
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Épico - A Realidade em Verso do CENTENARIO e ativo Revolucionario e Mestre Roberto Menezes que nos Alerta
ÉPICO
RobertoMenezes
Não me interessa mais cantar o perfume da mulher
Com as pétalas macias das flores das palavras
Nada de cantos de seduções e encantos vãos
Na minha garganta crescem germes e larvas
Um navio chamado Haiti
(que maldade!)
Vem por mares sempre antes navegados
Parece o zepelim da Geni
E nos pegará descuidados
E antes de terminar a frase”eu te amo”
Seremos todos levados
Para a prisão de Guantánamo
Alguns partirão antes que aconteça
Em busca das florestas por não ter onde ir
Com um só obsessão na cabeça
Descobrir como se faz Irene rir
Irene é mulher diferente
Traz a morte como alvo
Guardada num comprido pente
Um pente que cospe fogo
Como os mísseis do navio
O Haiti seja aqui
Disse o poeta inocente
Que poetou sem profecia
O Haiti será aqui
Pra marcar nossa agonia
De gente apática,fraca,indolente
Que irá visitar o navio
Deslumbrada e demente
Querendo aprender inglês
Para se entregar de vez
Se temos shopping,internet, celular sofisticado
Multiplex, TV plasma,Tv Globo,
Por que não tudo isso gozar ?
Mas esse gozo não é orgasmo
É pranto, é fome, é espasmo
É ocupação de um país,invasão
Mas nós temos Zeca Pagodinho,
Seu Jorge e Zé Bonitinho
Big Brother ,mulata e carnaval
Gente boa sempre a sorrir
Bem comportada, cordial
Que nem de longe quer ver
E muito menos aprender
Como se faz Irene rir
Tudo começa de novo
A serpente vem no ovo
De um grande peixe no mar
E antes dos nossos românticos
Dizerem pra sua amada “eu te amo”
Seremos todos levados
Para a prisão de Guantánamo
Assim se cumpre o destino
A sina covarde e inglória
Do Brasil e sua falsa história
Buscando viver pela mídia
Com a vida a se extinguir
E que nunca vai aprender
A libertação,o prazer
De fazer Irene rir
O passado que revivo fazendo o roteiro revive no presente das notícias. Coágulo que não se dissolve nunca e se repete de geração em geração.”Soledad no Recife”, o filme, vem aí. Tirei o foco exclusivo na beleza da guerrilheira paraguaia ,como está na bela obra de Urariano Mota, e fiz crescer os heróis anônimos para compor a epopéia cinematográfica trágica de uma das faces da luta armada no Brasil.
Um filme para as novas gerações entenderem que o buraco é mesmo mais embaixo...embaixo da terra. Este poema e o filme são dedicados a Soledad Barrett,, Pauline Reichstul, Eudaldo Gomes, Jarbas Pereira, José Manoel, e Evaldo Ferreira, torturados e mortos na farsa da Chácara São Bento em janeiro de 1973, e que é o tema do meu filme. E aos companheiros e companheiras que querem continuar a luta. Sim ,antes que esqueça : o canalha delator Cabo Anselmo continua vivo , conspirando com a direita, e pedindo indenização pelos crimes que cometeu,inclusive contra a mulher grávida de um filho dele (Soledad). Tanta bala perdida pegando corpos desatentos. E nenhuma atinge o anjo exterminador.
RobertoMenezes
Não me interessa mais cantar o perfume da mulher
Com as pétalas macias das flores das palavras
Nada de cantos de seduções e encantos vãos
Na minha garganta crescem germes e larvas
Um navio chamado Haiti
(que maldade!)
Vem por mares sempre antes navegados
Parece o zepelim da Geni
E nos pegará descuidados
E antes de terminar a frase”eu te amo”
Seremos todos levados
Para a prisão de Guantánamo
Alguns partirão antes que aconteça
Em busca das florestas por não ter onde ir
Com um só obsessão na cabeça
Descobrir como se faz Irene rir
Irene é mulher diferente
Traz a morte como alvo
Guardada num comprido pente
Um pente que cospe fogo
Como os mísseis do navio
O Haiti seja aqui
Disse o poeta inocente
Que poetou sem profecia
O Haiti será aqui
Pra marcar nossa agonia
De gente apática,fraca,indolente
Que irá visitar o navio
Deslumbrada e demente
Querendo aprender inglês
Para se entregar de vez
Se temos shopping,internet, celular sofisticado
Multiplex, TV plasma,Tv Globo,
Por que não tudo isso gozar ?
Mas esse gozo não é orgasmo
É pranto, é fome, é espasmo
É ocupação de um país,invasão
Mas nós temos Zeca Pagodinho,
Seu Jorge e Zé Bonitinho
Big Brother ,mulata e carnaval
Gente boa sempre a sorrir
Bem comportada, cordial
Que nem de longe quer ver
E muito menos aprender
Como se faz Irene rir
Tudo começa de novo
A serpente vem no ovo
De um grande peixe no mar
E antes dos nossos românticos
Dizerem pra sua amada “eu te amo”
Seremos todos levados
Para a prisão de Guantánamo
Assim se cumpre o destino
A sina covarde e inglória
Do Brasil e sua falsa história
Buscando viver pela mídia
Com a vida a se extinguir
E que nunca vai aprender
A libertação,o prazer
De fazer Irene rir
Desculpem as mocinhas românticas, meu desabafo irritado, esse épico quadrado, depois de tantos dias dedicado a reviver num roteiro de cinema os crimes da ditadura CIVIL-MILITAR. E ainda receber notícias que nos roubam a água e o minério da Amazônia ( qual a novidade,cara pálida,me pergunto), que os marines estão chegando pra instalar bases no Nordeste.
O passado que revivo fazendo o roteiro revive no presente das notícias. Coágulo que não se dissolve nunca e se repete de geração em geração.”Soledad no Recife”, o filme, vem aí. Tirei o foco exclusivo na beleza da guerrilheira paraguaia ,como está na bela obra de Urariano Mota, e fiz crescer os heróis anônimos para compor a epopéia cinematográfica trágica de uma das faces da luta armada no Brasil.
Um filme para as novas gerações entenderem que o buraco é mesmo mais embaixo...embaixo da terra. Este poema e o filme são dedicados a Soledad Barrett,, Pauline Reichstul, Eudaldo Gomes, Jarbas Pereira, José Manoel, e Evaldo Ferreira, torturados e mortos na farsa da Chácara São Bento em janeiro de 1973, e que é o tema do meu filme. E aos companheiros e companheiras que querem continuar a luta. Sim ,antes que esqueça : o canalha delator Cabo Anselmo continua vivo , conspirando com a direita, e pedindo indenização pelos crimes que cometeu,inclusive contra a mulher grávida de um filho dele (Soledad). Tanta bala perdida pegando corpos desatentos. E nenhuma atinge o anjo exterminador.
UM BEIJO AMARGO. RobertoMenezes.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
"O Brasil é do USA e quem USA sou EEUU." BASTA, né?
A partir dessa informação postada por Deus: http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/02/indigenas.html, nós do Blog ( inclusive Deus) , queremos saber se esse encontro vai tratar e FOMENTAR/DIVULGAR/EXPLICAR e ESCLARECER esses assuntos importantes e não divulgados abaixo:
O companheiro amigo Paulo Ávila envia essa notícia
Navios-tanque traficam água de rios da Amazônia
http://www.vermelho.org.br/blogs/outroladodanoticia/
“Para o capital, a Amazônia é a última fronteira a ser aberta para a exploração”
http://quemtemmedodolula.wordpress.com/
UM OUTRO CAMARADA ENVIA UM PEDIDO PARA DIVULGAR ESSE MANIFESTO E DIVULGAR ESSE ALERTA:
Manifesto contra a "Privatização da FUNAI"
http://www.youtube.com/watch?v=W-NlW6fWT
Petição Contra a Reestruturação da FUNAI
A alteração estatutária atenta contra a impessoalidade dos atos administrativos quando permite a terceiros praticarem atos distintivos dessa fundação, o que se configura – na prática – numa verdadeira “privatização da FUNAI”.
Ao alterar a finalidade da FUNAI, ou seja, ao deixar de identificar, inventariar e dar destinação de forma impessoal ao patrimônio indígena, o Governo Federal expõe os Povos Originários às mais variadas formas de violência, pois se exime dessa responsabilidade - deixando essa obrigação constitucional para iniciativa privada -, permitindo assim que “as raposas tomem conta do galinheiro”, como se a cultura do capital fosse aliada dessas culturas humanas.
http://www.abaixoassinado.org/ab
Já a Red de Comunicadores Interculturales Bilingües Ec
envia o comunicado também Preocupante
Indígenas de la Amazonia ecuatoriana solicitaron el miércoles apoyo a la Corte Interamericana de Derechos Humanos (CorteIDH) para apresurar el retiro de toneladas de explosivos colocadas en su territorio hace ocho años por una petrolera argentina.
Compañía General de Combustible (CGC)...(leia mais no site da RED)
E o que falar dessas pautas?
(Essa informação chega via um Amigo ( não é companheiro, mas luta a nossa luta, a luta do POVO)
E o que falar dessas pautas?
(Essa informação chega via um Amigo ( não é companheiro, mas luta a nossa luta, a luta do POVO)
"Nanda, Em relação à água:
No Brasil há várias empresas estrangeiras comprando minas de água, principalmente americanos e franceses.
No Paraguai o ex-presidente Bush comprou muitas terra na região do Chaco, esta região ao chegar no Brasil tem o nome de Pantanal. Possui uma das maiores reservas de água potável do mundo.
Os americanos sabedores disto, já fizeram um acordo com o governo paraguaio e instalaram uma base militar americana naquela área com a desculpa de missão humanitária e há uma cláusula que choca a todos que diz o seguinte: Nenhum militar norte americano poderá ser preso na Paraguai, mesmo cometendo crimes de estupro e outros... Em contra partida os paraguaios são isentos de visto para entrarem nos EUA.
No Brasil há várias empresas estrangeiras comprando minas de água, principalmente americanos e franceses.
No Paraguai o ex-presidente Bush comprou muitas terra na região do Chaco, esta região ao chegar no Brasil tem o nome de Pantanal. Possui uma das maiores reservas de água potável do mundo.
Os americanos sabedores disto, já fizeram um acordo com o governo paraguaio e instalaram uma base militar americana naquela área com a desculpa de missão humanitária e há uma cláusula que choca a todos que diz o seguinte: Nenhum militar norte americano poderá ser preso na Paraguai, mesmo cometendo crimes de estupro e outros... Em contra partida os paraguaios são isentos de visto para entrarem nos EUA.
E quanto ao nióbio ele ( o amigo Eduardo) segue alertando:
"Estamos sendo cercados e os americanos estão chegando...
Paraguai: Pentágono espiona a partir da Tríplice Fronteira
A questão do Nióbio é uma vergonha...
O Brasil é o maior produtor mundial, porém não tem o controle desta produção...
O Nióbio é indispensável para a fabricação de aviões de caça, foguetes, etc. É um metal estratégico e ninguém faz nada...
Li uma vez uma frase pixada no banheiro da escola de Educação Física do Exercito (1976), que dizia o seguinte:
"O Brasil é do USA e quem USA sou EEUU."
"O Brasil é do USA e quem USA sou EEUU."
E sobre o XINGU? A Hidrelétrica do Xingu?
Essa foi mandada por companheiro,
http://www.youtube.com/watch?v=XlEQgtNkFTs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=XlEQgtNkFTs
E eu pergunto: Que progresso é esse, que não considera nosso POVO, nossa cultura, mata nossa floresta e nosso rio?
E eu pergunto: Que progresso é esse, que não considera nosso POVO, nossa cultura, mata nossa floresta e nosso rio?
Esses OUT-DOORS faziam parte de uma campanha de criminalização social , mascarada com a demagoga "Sustentabilidade" feita pela Aracruz Celulose, quando em 2005 ela invadiu e reivindicou para si mais esse pedaço de terras capixabas : as terras demarcadas ( RESERVA INDIGENA)
Agora falaremos também dos Quilombolas e das Terras a serem titularizadas. Como ficará esse assunto se os ruralistas aliados a mídia (dos ruralistas) destorcem fatos e assim encurralam o governo ? Gente. Precisamos ir a luta e assim forçar ou dar condições e força ao governo de fazê-las.
SIM, esse encontro de grupos indígenas pode ser um fato legal, desde que esses assunto sejam levantados e DIVULGADOS. E principalmente . Se não, é apenas estratégia de propaganda empresarial com a cumplicidade do governo. Mesmo que seja um governo incurralado.
Que acham vcs? Que nos falará o Governo?
SOMOS OS PROTAGONISTAS dessa HISTÓRIA. Tomemos nosso espaço nessa luta e entremos em cena, COBRANDO, REIVINDICANDO, LUTANDO.
SIM, esse encontro de grupos indígenas pode ser um fato legal, desde que esses assunto sejam levantados e DIVULGADOS. E principalmente . Se não, é apenas estratégia de propaganda empresarial com a cumplicidade do governo. Mesmo que seja um governo incurralado.
Que acham vcs? Que nos falará o Governo?
SOMOS OS PROTAGONISTAS dessa HISTÓRIA. Tomemos nosso espaço nessa luta e entremos em cena, COBRANDO, REIVINDICANDO, LUTANDO.
JUNTOS SOMOS FORTES
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Indígenas
Índios em reunião histórica
03/02/10 • Comente
Índios de quatro países se reúnem hoje (3) na cidade paranaense de Diamante do D’Oeste para discutir sobre o fortalecimento de intercâmbio cultural entre a comunidade guarani desses países: Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Serão 800 índios representando as diversas comunidades da América do Sul. Só no Brasil, eles são 60 mil índios, presentes em sete Estados. O encontro histórico está sendo promovido pela Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, com o apoio da Itaipu Binacional.
03/02/10 • Comente
Índios de quatro países se reúnem hoje (3) na cidade paranaense de Diamante do D’Oeste para discutir sobre o fortalecimento de intercâmbio cultural entre a comunidade guarani desses países: Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina. Serão 800 índios representando as diversas comunidades da América do Sul. Só no Brasil, eles são 60 mil índios, presentes em sete Estados. O encontro histórico está sendo promovido pela Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura, com o apoio da Itaipu Binacional.
A NAVE DOS INOCENTES - Fernando e Urda numa postagem pelo MST, alias : Pelo POVO
E não pode faltar o Fernando Soares ( kd vc compa?)
E se ele mesmo não posta.... posto e registro ( aff, rsrs):
Tendo em vista as ações fascistas que andam acontecendo no Estado de Santa Catarina/Brasil, criminalizando os Movimentos Sociais (leia-se: prisões arbitrárias de lideranças do MST em Imbituba/SC), achei que é momento de fazer circular mais uma vez o texto abaixo, escrito em 2004. Urda.
Urda Alice Klueger
A estrada era de barro e de pedra e de pó, mas tudo isso desaparecia numa baixa nuvem de bruma, bem rasinha com o chão, a ponto de a gente se esquecer de pensar se os velhos pneus da Kombi iriam resistir aos pedregulhos pontudos ou não – na Kombi velha, que já deveria estar aposentada se cá não fosse o mais legítimo terceiro mundo (e está cheinho de gente que acha que o Sul é diferente, pitéu de primeiro mundo), um bando de pequenos anjos como que agitavam suas tênues asas em forma de sorrisos, e ao olhar para eles, quem é que ainda ia pensar em coisas como pneus e pedregulhos?
Ela viajava adiante do carro aonde eu estava, a Nave dos Inocentes, e apesar de ser mais de três horas da madrugada e da estrada inóspita, cada pequeno anjo daqueles sorria e abanava para nós, e a Kombi tinha as luzes internas acesas, decerto para que nenhum anjinho chegasse a sentir medo, e eles eram tantos, mas tantos, que não sei como cabiam todos ali, meninos e meninas de 3, de 4, de 6 anos, talvez, anjinhos com carinhas caboclas, com carinhas italianas, com carinhas alemãs, verdadeiros anjinhos brasileiros flutuando na névoa dentro daquela Nave que os levava em direção do Futuro, e sua alegria e farra eram coisas impressionantes! No carro onde eu viajava alguém lembrou que se tratavam de anjinhos que raras vezes andavam de carro, que decerto dali vinha sua alegria – e nós abanávamos e eles nos abanavam e riam, e aquela Nave dos Inocentes era como que uma coisa irreal a flutuar na noite, como se fosse um sonho lindo que alguém estivesse tendo, e na verdade, era um Sonho.
Quando eu contar qual era o Sonho, diversos leitores não vão mais querer ler o resto da crônica, mas, vá lá: eu seguia a Nave dos Inocentes, e nos dirigíamos todos, num comboio que só aumentava, em direção de uma das fazendas de terras arrasadas (há fotos para comprovar o arrasamento das terras) que fazia parte do maior latifúndio do meu Estado, para ocupá-lo. E, diante de nós, como numa irrealidade, a Nave dos Inocentes navegava em direção ao Sonho e ao Futuro.
Andei quebrando um braço e ele ainda não está bem bom; assim, sabia que apesar de estar fazendo parte de uma equipe de apoio, pouco poderia ajudar a carregar e fazer outras coisas para aquelas 500 famílias que seguiam para a ocupação. Então pensei nos anjinhos que abanavam na velha Kombi – e se, na hora em que a Kombi parasse, seus pais não estivessem a postos? Quatro horas da manhã é um horário muito tardio para meninos e meninas tão pequenos estarem naquela farra toda – havia que se pensar no que aconteceria se algum sobrasse na Nave. E já que estava sem muita força física, pensei em usar a força do coração, e ficar de guarda para quando a Nave dos Inocentes parasse, amparar junto ao peito algum anjinho que começasse a chorar. E foi o que fiz.
Assim que chegamos à área que estava sendo ocupada, tratei de sair do carro onde estava e ir ver o que acontecia na Kombi. Como eu, um magote de adultos seguiu para a mesma porta, e todos eram casais, e muitos tinham bebezinhos ao colo, e quase todos eram feios, mal-vestidos, judiados pela vida, envelhecidos prematuramente, sem nada de seu além daquelas crianças que começaram a sair da Nave. E então eles gritavam coisas assim:
- Segura na mão do Luizinho, e tu na mão do Antonio, não se soltem!
E cada casal arrebanhava alguns anjinhos, às vezes três, às vezes quatro, e os colocavam numa enfiada de mãos dadas, preciosos colares de crianças que eram as suas jóias mais preciosas, as únicas jóias das suas vidas sofridas. Em coisa de um instante a Nave dos Inocentes estava vazia – não sobrara nenhum anjinho para eu acalentar junto ao coração. E então eu soube que aquela gente jamais sairia dali a não ser por algum acordo feito por um bom juiz; que não haveria soldado, cachorro ou canhão que enfrentasse gente que tinha colares de tais preciosidades, gente determinada a tudo para garantir as suas jóias.
Blumenau, 20 de abril de 2004.
Urda Alice Klueger [escritora e historiadora, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz ]
Leia também:
Polícia catarinense prende líderes do MST em "ação preventiva"
http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/policia-catarinense-prende-lideres-do.html
Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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PressAA
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E se ele mesmo não posta.... posto e registro ( aff, rsrs):
Quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A NAVE DOS INOCENTES
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Tendo em vista as ações fascistas que andam acontecendo no Estado de Santa Catarina/Brasil, criminalizando os Movimentos Sociais (leia-se: prisões arbitrárias de lideranças do MST em Imbituba/SC), achei que é momento de fazer circular mais uma vez o texto abaixo, escrito em 2004. Urda.
Urda Alice Klueger
A estrada era de barro e de pedra e de pó, mas tudo isso desaparecia numa baixa nuvem de bruma, bem rasinha com o chão, a ponto de a gente se esquecer de pensar se os velhos pneus da Kombi iriam resistir aos pedregulhos pontudos ou não – na Kombi velha, que já deveria estar aposentada se cá não fosse o mais legítimo terceiro mundo (e está cheinho de gente que acha que o Sul é diferente, pitéu de primeiro mundo), um bando de pequenos anjos como que agitavam suas tênues asas em forma de sorrisos, e ao olhar para eles, quem é que ainda ia pensar em coisas como pneus e pedregulhos?Ela viajava adiante do carro aonde eu estava, a Nave dos Inocentes, e apesar de ser mais de três horas da madrugada e da estrada inóspita, cada pequeno anjo daqueles sorria e abanava para nós, e a Kombi tinha as luzes internas acesas, decerto para que nenhum anjinho chegasse a sentir medo, e eles eram tantos, mas tantos, que não sei como cabiam todos ali, meninos e meninas de 3, de 4, de 6 anos, talvez, anjinhos com carinhas caboclas, com carinhas italianas, com carinhas alemãs, verdadeiros anjinhos brasileiros flutuando na névoa dentro daquela Nave que os levava em direção do Futuro, e sua alegria e farra eram coisas impressionantes! No carro onde eu viajava alguém lembrou que se tratavam de anjinhos que raras vezes andavam de carro, que decerto dali vinha sua alegria – e nós abanávamos e eles nos abanavam e riam, e aquela Nave dos Inocentes era como que uma coisa irreal a flutuar na noite, como se fosse um sonho lindo que alguém estivesse tendo, e na verdade, era um Sonho.
Quando eu contar qual era o Sonho, diversos leitores não vão mais querer ler o resto da crônica, mas, vá lá: eu seguia a Nave dos Inocentes, e nos dirigíamos todos, num comboio que só aumentava, em direção de uma das fazendas de terras arrasadas (há fotos para comprovar o arrasamento das terras) que fazia parte do maior latifúndio do meu Estado, para ocupá-lo. E, diante de nós, como numa irrealidade, a Nave dos Inocentes navegava em direção ao Sonho e ao Futuro.
Andei quebrando um braço e ele ainda não está bem bom; assim, sabia que apesar de estar fazendo parte de uma equipe de apoio, pouco poderia ajudar a carregar e fazer outras coisas para aquelas 500 famílias que seguiam para a ocupação. Então pensei nos anjinhos que abanavam na velha Kombi – e se, na hora em que a Kombi parasse, seus pais não estivessem a postos? Quatro horas da manhã é um horário muito tardio para meninos e meninas tão pequenos estarem naquela farra toda – havia que se pensar no que aconteceria se algum sobrasse na Nave. E já que estava sem muita força física, pensei em usar a força do coração, e ficar de guarda para quando a Nave dos Inocentes parasse, amparar junto ao peito algum anjinho que começasse a chorar. E foi o que fiz.
Assim que chegamos à área que estava sendo ocupada, tratei de sair do carro onde estava e ir ver o que acontecia na Kombi. Como eu, um magote de adultos seguiu para a mesma porta, e todos eram casais, e muitos tinham bebezinhos ao colo, e quase todos eram feios, mal-vestidos, judiados pela vida, envelhecidos prematuramente, sem nada de seu além daquelas crianças que começaram a sair da Nave. E então eles gritavam coisas assim:
- Segura na mão do Luizinho, e tu na mão do Antonio, não se soltem!
E cada casal arrebanhava alguns anjinhos, às vezes três, às vezes quatro, e os colocavam numa enfiada de mãos dadas, preciosos colares de crianças que eram as suas jóias mais preciosas, as únicas jóias das suas vidas sofridas. Em coisa de um instante a Nave dos Inocentes estava vazia – não sobrara nenhum anjinho para eu acalentar junto ao coração. E então eu soube que aquela gente jamais sairia dali a não ser por algum acordo feito por um bom juiz; que não haveria soldado, cachorro ou canhão que enfrentasse gente que tinha colares de tais preciosidades, gente determinada a tudo para garantir as suas jóias.
Blumenau, 20 de abril de 2004.
Urda Alice Klueger [escritora e historiadora, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz ]
Leia também:
Polícia catarinense prende líderes do MST em "ação preventiva"
http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/policia-catarinense-prende-lideres-do.html
Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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O AMOR NOS TEMPOS DO BIG BROTHER
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A NAVE DOS INOCENTES
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Tendo em vista as ações fascistas que andam acontecendo no Estado de Santa Catarina/Brasil, criminalizando os Movimentos Sociais (leia-se: prisões arbitrárias de lideranças do MST em Imbituba/SC), achei que é momento de fazer circular mais uma vez o texto abaixo, escrito em 2004. Urda.
Urda Alice Klueger
A estrada era de barro e de pedra e de pó, mas tudo isso desaparecia numa baixa nuvem de bruma, bem rasinha com o chão, a ponto de a gente se esquecer de pensar se os velhos pneus da Kombi iriam resistir aos pedregulhos pontudos ou não – na Kombi velha, que já deveria estar aposentada se cá não fosse o mais legítimo terceiro mundo (e está cheinho de gente que acha que o Sul é diferente, pitéu de primeiro mundo), um bando de pequenos anjos como que agitavam suas tênues asas em forma de sorrisos, e ao olhar para eles, quem é que ainda ia pensar em coisas como pneus e pedregulhos?Ela viajava adiante do carro aonde eu estava, a Nave dos Inocentes, e apesar de ser mais de três horas da madrugada e da estrada inóspita, cada pequeno anjo daqueles sorria e abanava para nós, e a Kombi tinha as luzes internas acesas, decerto para que nenhum anjinho chegasse a sentir medo, e eles eram tantos, mas tantos, que não sei como cabiam todos ali, meninos e meninas de 3, de 4, de 6 anos, talvez, anjinhos com carinhas caboclas, com carinhas italianas, com carinhas alemãs, verdadeiros anjinhos brasileiros flutuando na névoa dentro daquela Nave que os levava em direção do Futuro, e sua alegria e farra eram coisas impressionantes! No carro onde eu viajava alguém lembrou que se tratavam de anjinhos que raras vezes andavam de carro, que decerto dali vinha sua alegria – e nós abanávamos e eles nos abanavam e riam, e aquela Nave dos Inocentes era como que uma coisa irreal a flutuar na noite, como se fosse um sonho lindo que alguém estivesse tendo, e na verdade, era um Sonho.
Quando eu contar qual era o Sonho, diversos leitores não vão mais querer ler o resto da crônica, mas, vá lá: eu seguia a Nave dos Inocentes, e nos dirigíamos todos, num comboio que só aumentava, em direção de uma das fazendas de terras arrasadas (há fotos para comprovar o arrasamento das terras) que fazia parte do maior latifúndio do meu Estado, para ocupá-lo. E, diante de nós, como numa irrealidade, a Nave dos Inocentes navegava em direção ao Sonho e ao Futuro.
Andei quebrando um braço e ele ainda não está bem bom; assim, sabia que apesar de estar fazendo parte de uma equipe de apoio, pouco poderia ajudar a carregar e fazer outras coisas para aquelas 500 famílias que seguiam para a ocupação. Então pensei nos anjinhos que abanavam na velha Kombi – e se, na hora em que a Kombi parasse, seus pais não estivessem a postos? Quatro horas da manhã é um horário muito tardio para meninos e meninas tão pequenos estarem naquela farra toda – havia que se pensar no que aconteceria se algum sobrasse na Nave. E já que estava sem muita força física, pensei em usar a força do coração, e ficar de guarda para quando a Nave dos Inocentes parasse, amparar junto ao peito algum anjinho que começasse a chorar. E foi o que fiz.
Assim que chegamos à área que estava sendo ocupada, tratei de sair do carro onde estava e ir ver o que acontecia na Kombi. Como eu, um magote de adultos seguiu para a mesma porta, e todos eram casais, e muitos tinham bebezinhos ao colo, e quase todos eram feios, mal-vestidos, judiados pela vida, envelhecidos prematuramente, sem nada de seu além daquelas crianças que começaram a sair da Nave. E então eles gritavam coisas assim:
- Segura na mão do Luizinho, e tu na mão do Antonio, não se soltem!
E cada casal arrebanhava alguns anjinhos, às vezes três, às vezes quatro, e os colocavam numa enfiada de mãos dadas, preciosos colares de crianças que eram as suas jóias mais preciosas, as únicas jóias das suas vidas sofridas. Em coisa de um instante a Nave dos Inocentes estava vazia – não sobrara nenhum anjinho para eu acalentar junto ao coração. E então eu soube que aquela gente jamais sairia dali a não ser por algum acordo feito por um bom juiz; que não haveria soldado, cachorro ou canhão que enfrentasse gente que tinha colares de tais preciosidades, gente determinada a tudo para garantir as suas jóias.
Blumenau, 20 de abril de 2004.
Urda Alice Klueger [escritora e historiadora, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz ]
Leia também:
Polícia catarinense prende líderes do MST em "ação preventiva"
http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/policia-catarinense-prende-lideres-do.html
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CONFECON: Deliberações e Capacitações para debates. Rumo ao PROTAGONISMO POPULAR
Teca Notari
A Agentes da Cidadania pede passagem:
e Pedro Luiz S. Osório
Enviam informações sobre a CONFECOM que abaixo destacamos (leia integra no site indicado):
Notícias
Confecom capacitou a sociedade nos debates sobre a comunicação
03/02/2010 |
Ana Rita Marini
FNDC
Mesmo aqueles que não acreditavam – e até os que não queriam – a realização da conferência, tiveram a oportunidade e a liberdade de defender suas pautas e a sua lógica durante a Iª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que culminou com o encontro em Brasília, de 14 a 17 de dezembro de 2009.
O grande debate público aconteceu e permanece ativo, comprovando que a mobilização nacional valeu a pena e, longe de ter-se esgotado, deverá se multiplicar. De acordo com a psicóloga Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) na Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a luta continua com militantes agora mais capacitados.
A questão da democratização da comunicação no Brasil entra definitivamente na pauta nacional, após a realização da Conferência Nacional de Comunicação, ou ainda é um assunto que corre pelas marginais?
Roseli – A mobilização nacional não para de se expressar na mídia hegemônica, maniqueísta como sempre, evitando de forma radical a possibilidade de pensamento. Somente neste domingo, 31 de janeiro de 2010, o Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, pautou a Confecom em dois editoriais, e na segunda feira reproduziu o editorial do jornal O Estado de São Paulo, atacando o processo de Conferências e a criação de Conselhos comprometidos com a fala popular.
Os ataques partem sempre dos setores conservadores e seus arautos, defensores incansáveis da manutenção do status quo das elites brasileiras. É preciso relembrarmos sempre as alianças que levam nossos políticos ao poder, de forma a identificar com clareza os princípios e as táticas que são utilizadas.
O silêncio tácito sobre a Comunicação após a Constituição Federal de 1988, o limbo a que foram relegados os Movimentos pela Democratização da Comunicação – que só na Lei do Cabo, nos anos 90, puderam voltar ao debate público – reforçam a necessidade de se construir urgentemente um novo marco histórico, que mostrou seu vigor na Confecom.
Num momento em que nosso país caminha na direção de melhores possibilidades econômicas, com reconhecimento internacional, temos como tarefa imediata a diminuição das diferenças sociais.
Neste objetivo, não é possível compartimentar as ações das áreas de Comunicação, Cultura e Educação, que estão imbricadas no processo de distribuição de informação de forma igualitária, e é preciso fazer frente ao desafio que representa a questão da Educação no Brasil.
Se todas essas políticas públicas se alinharem em busca de uma melhoria na Educação, estaremos desenvolvendo e estimulando o pensamento, a participação e a expressão. Não pode ser negado o papel relevante das Conferências como distribuidoras de informação, educação e cultura.
Como os profissionais da Psicologia foram envolvidos pela Conferência Nacional de Comunicação?
Roseli – Em 2007, foi realizado pelo CFP e o Sistema Conselhos o seminário Mídia e Psicologia no Rio de Janeiro, aonde tivemos a oportunidade de expandir e divulgar, através de uma publicação também denominada Mídia e Psicologia a luta pela Democratização da Comunicação.
Após este evento, constituímos o Coletivo de Comunicação do CFP e do Sistema Conselhos, e realizamos dezenas de atividades de mobilização, sempre na importante parceria com o FNDC e com a Campanha Ética na TV.
Tivemos também um importante encontro de capacitação para a Confecom em julho de 2009, que deu origem também a uma segunda publicação, denominada “Contribuições da Psicologia para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação”.
Também utilizamos um site específico para a pauta da Comunicação (http://comunicacao. pol.org.br/), aonde se encontram as nossas teses e as publicações mencionadas. Os vídeos usados para a mobilização da categoria no processo da Confecom estão disponíveis no canal do CFP no youtube (http://www.youtube.com/user/confederalpsicologia#g/u ).
As questões levantadas pela Psicologia foram bem encaminhadas nos debates da Confecom? Como o CFP pretende acompanhar o prosseguimento das demandas?
Roseli – A Psicologia esteve presente na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) pautando discussões e apresentando propostas. A categoria foi representada por 30 delegados, que se dividiram entre os Grupos de Trabalho que tinham temas relacionados às propostas da Psicologia para a Conferência.
Os profissionais da Psicologia contribuíram com os debates ao levar subsídios da área para as questões que estavam em pauta, mostrando que temos amadurecido no processo de discussão de políticas públicas.
O Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais lutam continuamente pelo controle social da mídia, que acreditamos ser instrumento essencial para a promoção de uma comunicação democrática no Brasil.
A posição da Psicologia em relação ao debate sobre comunicação destaca as consequências para a população, da concentração da propriedade dos meios de comunicação em poucas empresas, determinantes na formação de subjetividades de grande parte das famílias brasileiras.
Das cinco teses propostas pelo CFP e Sistema Conselhos foram sistematizadas e aprovadas as seguintes:
1- Fim da publicidade dirigida às crianças,
2- Criação de um Conselho Nacional de Comunicação tripartite no âmbito do Executivo;
3- Obediência aos critérios de controle sobre Publicidade de Bebidas Alcoólicas;
4- Obediência aos critérios de controle sobre utilização da imagem das mulheres, homens, crianças, adolescentes, etc.
5- Ampliação da Classificação Indicativa para a TV por assinatura.
O CFP continuará formulando em articulação com seu Coletivo de Comunicação que está presente nos 18 Conselhos Regionais de Psicologia, cobrindo as 27 unidades da Federação, aonde expandiremos e continuaremos com o debate, capacitando os Psicólogos para a interferência necessária nos conteúdos midiáticos, em busca da afirmação da regionalidade e da produção de subjetividades diversificadas, sempre na luta pelo “não aos estereótipos” em todas as suas formas.
Qual a avaliação do CFP sobre o processo de construção da Confecom e o diálogo entre os três setores que lá estiveram representados (sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público)?
Roseli – Mesmo dentro de um critério de correlação de forças entre os representantes das mídias privadas e os militantes pelo Movimento pela Democratização da Comunicação, das cerca de 6 mil teses encaminhadas pelas Conferências Estaduais de Comunicação, realizadas ao longo de 2009 em 27 unidades da Federação, mobilizando mais de 30 mil pessoas, a 1ª Confecom, realizada em Brasília, de 14 e 17 de dezembro de 2009, sistematizou 1.418 teses para o debate, aprovando 654, entre as quais, 601 por maioria absoluta, em surpreendente consenso alcançado entre empresariado, governo e movimentos sociais.
Como você avalia a cobertura da mídia sobre a Confecom?
Roseli – A Confecom foi boicotada pela grande mídia. A cobertura da Conferência ficou por conta da NBR – televisão estatal – e dos veículos de comunicação pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), como a TV Brasil, Agência Brasil, a Rádio Nacional e outras emissoras de rádio. A Confecom ganhou espaço em blogs e rádios comunitárias, utilizando a internet como meio de divulgação e debate das notícias sobre a Conferência.
Quais os reflexos já percebidos do grande debate sobre a comunicação no Brasil após a Confecom?
Roseli – Como sintoma do complexo processo de democratização da comunicação social no Brasil, temos acompanhado as ações que vem sendo realizadas, em especial pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), que visam desqualificar os avanços obtidos nesta Confecom.
As seis representações empresariais que saíram da Confecom, capitaneadas pela Abert e ANJ, não conseguiram impedir a permanência neste debate – amplamente democrático – a Associação Brasileira de Telecomunicaçõ es (Telebrasil) e a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), que representam cerca de 85% do capital econômico da Comunicação de Massa no Brasil de hoje.
A imprensa televisionada, os editoriais jornalísticos que representam interesses privados, assim como o Conar – que se mantém como entidade de controle da publicidade financiada pelos anunciantes – usam do mesmo escudo protetor de sempre, com a velha cantilena de que controle democrático seria uma forma de censura. Atacam, incansavelmente, os avanços obtidos, desta feita através da histérica crítica ao Plano Nacional de Direitos Humanos-3 (PNDH3), que de uma proposta de plano de ação é desqualificado como sendo um “ataque” à Carta Magna brasileira.
Juntam-se, neste pleito, as demais forças conservadoras, garantindo seu território soberano, afirmando um sonoro não ao aborto; não à verdade sobre a tortura; não à conciliação entre partes na ocupação da terra; fazendo-nos presenciar um novo coro midiático, como nos idos anos 60 assistimos à Marcha pela Tradição, Família e Propriedade.
Ora, sabemos que Planos de Ação ou mesmo decretos do Executivo demandam a construção de alianças políticas no Congresso Nacional para serem implementados. A maledicência, os erros propositais de interpretação têm como alvo a opinião pública, que elege os deputados responsáveis pelos projetos e apenas – somente apenas – em absoluta maioria seriam capazes de aprovar as emendas constitucionais.
As forças conservadoras tecem seu plano de rejeição às pautas democráticas, tão vigorosamente demonstradas por um governo que está na 1ª Conferencia, pautando os anseios da população engajada através dos movimentos sociais e demais representações da sociedade civil brasileira.
Confunde-se, assim, através de uma mídia hegemônica e extremamente tendenciosa em defesa de seus interesses, a democracia participativa com a censura, procurando respaldar os apoios políticos de uma elite conservadora através da construção do medo do autoritarismo no imaginário social, misturando intencionalmente liberdade de expressão popular com censura.
É preciso ressaltar que a concentração de propriedade dos meios de comunicação no Brasil quer cooptar como apenas seu o discurso da Liberdade de Expressão, fazendo do legítimo direito inalienável que o constitui, um direito de caráter privado, separando-o estrategicamente do direito de resposta e do direito à voz que todos temos em nossa existência. É apenas mais um simulacro da “Sociedade do Espetáculo”, que em nome da democracia, quer calar o protagonismo do povo brasileiro.
Quais devem ser as bases para um novo marco regulatório da comunicação brasileira?
Roseli – Ao longo dos últimos 20 anos, nosso país acompanhou as mudanças tecnológicas que transformaram a sociedade em todo o mundo. É preciso que o novo marco regulatório seja a construção pactuada democraticamente, de instrumentos regulatórios e políticas públicas que estendam a todos os brasileiros os benefícios da era da informação.
Deve ser contemplada a garantia de direitos coletivos que, na diversidade de sujeitos, confiram às comunicações a necessária dimensão humanizadora e a plena liberdade de expressão.
É necessário o imediato equilíbrio de sistemas de radiodifusão nas dimensões estatais, pública e privadas, preconizados no artigo 223 do Capítulo V da Constituição Federal.
É preciso que sejam estabelecidas as diretrizes para o uso dos recursos financeiros acumulados pelo estado brasileiro para o fomento, a sustentação e a acessibilidade com a consequente universalizaçã o dos meios de comunicação.
Como você avalia a participação do FNDC na Confecom?
Roseli – Lembramos que muitos dos que não acreditavam na Conferência tripartite tiveram a liberdade de defender suas pautas e a sua lógica, quer do movimento social, quer dos representantes das Empresas, e numa sociedade legitimamente democrática, todos devem ter a oportunidade de expressar suas convicções, ainda que seus pleitos fracassem.
O FNDC, em seu 18º ano de existência, deu provas cabais da maturidade alcançada no processo da Democracia Participativa, não deixando em nenhum momento que fosse reprimida e amordaçada a participação popular alcançada com muito esforço de todos os movimentos pela democratização da comunicação.
O FNDC alinhou-se com movimentos sociais, confederações de trabalhadores e não recuou em nenhum momento diante de propostas de quorum que tinham como claro propósito o adiamento e a derrocada da participação popular na Conferência.
Esta posição, atacada, inclusive em diversos momentos por nossos próprios aliados, mostrou-se adequada pela qualidade das 654 propostas aprovadas pela Confecom, que serão decisivas na implementação das políticas necessárias para uma Comunicação no Brasil, que poderá, finalmente, ingressar no século XXI.
Secretaria Executiva
(51) 3213-4020 r.217
03/02/2010 |
Ana Rita Marini
FNDC
A questão da democratização da comunicação no Brasil entra definitivamente na pauta nacional, após a realização da Conferência Nacional de Comunicação, ou ainda é um assunto que corre pelas marginais?
Roseli – A mobilização nacional não para de se expressar na mídia hegemônica, maniqueísta como sempre, evitando de forma radical a possibilidade de pensamento. Somente neste domingo, 31 de janeiro de 2010, o Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, pautou a Confecom em dois editoriais, e na segunda feira reproduziu o editorial do jornal O Estado de São Paulo, atacando o processo de Conferências e a criação de Conselhos comprometidos com a fala popular.
Os ataques partem sempre dos setores conservadores e seus arautos, defensores incansáveis da manutenção do status quo das elites brasileiras. É preciso relembrarmos sempre as alianças que levam nossos políticos ao poder, de forma a identificar com clareza os princípios e as táticas que são utilizadas.
O silêncio tácito sobre a Comunicação após a Constituição Federal de 1988, o limbo a que foram relegados os Movimentos pela Democratização da Comunicação – que só na Lei do Cabo, nos anos 90, puderam voltar ao debate público – reforçam a necessidade de se construir urgentemente um novo marco histórico, que mostrou seu vigor na Confecom.
(...)
Se todas essas políticas públicas se alinharem em busca de uma melhoria na Educação, estaremos desenvolvendo e estimulando o pensamento, a participação e a expressão. Não pode ser negado o papel relevante das Conferências como distribuidoras de informação, educação e cultura.(...) Como os profissionais da Psicologia foram envolvidos pela Conferência Nacional de Comunicação?
Roseli – Em 2007, foi realizado pelo CFP e o Sistema Conselhos o seminário Mídia e Psicologia no Rio de Janeiro, aonde tivemos a oportunidade de expandir e divulgar, através de uma publicação também denominada Mídia e Psicologia a luta pela Democratização da Comunicação.
Após este evento, constituímos o Coletivo de Comunicação do CFP e do Sistema Conselhos, e realizamos dezenas de atividades de mobilização, sempre na importante parceria com o FNDC e com a Campanha Ética na TV.
Tivemos também um importante encontro de capacitação para a Confecom em julho de 2009, que deu origem também a uma segunda publicação, denominada “Contribuições da Psicologia para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação”.
Também utilizamos um site específico para a pauta da Comunicação (http://comunicacao. pol.org.br/), aonde se encontram as nossas teses e as publicações mencionadas. Os vídeos usados para a mobilização da categoria no processo da Confecom estão disponíveis no canal do CFP no youtube (http://www.youtube.com/user/confederalpsicologia#g/u ).
Das cinco teses propostas pelo CFP e Sistema Conselhos foram sistematizadas e aprovadas as seguintes:
1- Fim da publicidade dirigida às crianças,
2- Criação de um Conselho Nacional de Comunicação tripartite no âmbito do Executivo;
3- Obediência aos critérios de controle sobre Publicidade de Bebidas Alcoólicas;
4- Obediência aos critérios de controle sobre utilização da imagem das mulheres, homens, crianças, adolescentes, etc.
5- Ampliação da Classificação Indicativa para a TV por assinatura.
(....)
É preciso ressaltar que a concentração de propriedade dos meios de comunicação no Brasil quer cooptar como apenas seu o discurso da Liberdade de Expressão, fazendo do legítimo direito inalienável que o constitui, um direito de caráter privado, separando-o estrategicamente do direito de resposta e do direito à voz que todos temos em nossa existência. É apenas mais um simulacro da “Sociedade do Espetáculo”, que em nome da democracia, quer calar o protagonismo do povo brasileiro.
Quais devem ser as bases para um novo marco regulatório da comunicação brasileira?
Roseli – Ao longo dos últimos 20 anos, nosso país acompanhou as mudanças tecnológicas que transformaram a sociedade em todo o mundo. É preciso que o novo marco regulatório seja a construção pactuada democraticamente, de instrumentos regulatórios e políticas públicas que estendam a todos os brasileiros os benefícios da era da informação.
Deve ser contemplada a garantia de direitos coletivos que, na diversidade de sujeitos, confiram às comunicações a necessária dimensão humanizadora e a plena liberdade de expressão.
É necessário o imediato equilíbrio de sistemas de radiodifusão nas dimensões estatais, pública e privadas, preconizados no artigo 223 do Capítulo V da Constituição Federal.
É preciso que sejam estabelecidas as diretrizes para o uso dos recursos financeiros acumulados pelo estado brasileiro para o fomento, a sustentação e a acessibilidade com a consequente universalizaçã o dos meios de comunicação.(...)
Leia Integra aqui:
Secretaria Executiva
(51) 3213-4020 r.217
UMA GUERRA PARA O IMPÉRIO – MAIS UMA
UMA GUERRA PARA O IMPÉRIO – MAIS UMA
Especial para O REBATE
Laerte Braga
Treze bases militares na Colômbia para que? Combater o narcotráfico? A perspectiva de bases militares no Chile com o novo presidente Sebastian Piñeira é real e da parte do empresário eleito já ficou claro que não haverá obstáculos se os Estados Unidos entenderem que tal se torna necessário para o combate ao “terrorismo”.
Um antigo sonho dos EUA é o de unificar as forças armadas de todas as Américas. Quando acertou os ponteiros da ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas) com o presidente Bil Clinton, o brasileiro Fernando Henrique ouviu de seu colega o desejo de fundir as forças armadas de seu país com as do Brasil.
Cínico e sem nenhuma reação de protesto, o então presidente do Brasil, afirmou que para isso era necessário esperar mais um pouco, naquele momento não haveria clima e as reações poderiam atrapalhar outros “negócios”.
A ALCA não se materializou com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva e em contrapartida surgiu a ALBA (Aliança dos povos Bolivarianos), liderada pela Venezuela. De saída contou com apoio dos governos da Bolívia, do Equador, da Nicarágua e de Cuba.
O presidente de Honduras, Manuel Zelaya foi deposto, entre outras coisas, por ter aderido a ALBA. Em Tegucigalpa, capital de Honduras, está uma das maiores bases militares dos EUA no continente. Foi instalada para organizar, treinar e dar apoio logístico a chamada guerrilha dos contra, que lutou contra o governo revolucionário de Daniel Ortega, na Nicarágua.
Hoje, transformou-se em escola de golpes militares e absorve oficiais de forças armadas de quase todos os países latino-americanos. Cumpre o mesmo papel que o War College (Escola de Guerra), integrado à história das ditaduras militares na América Latina nas décadas de 60 e seguintes.
Os EUA incorporaram a essa política de “grande porrete” para disciplinar governos e países considerados hostis a “tecnologia” terrorista do estado de Israel, fundamental noutra parte do mundo, o Oriente Médio. Não bastou comprar os governos do Egito, da Arábia Saudita, da Jordânia ou retirar do governo líbio parte de sua característica revolucionária, presente apenas no Irã.
É alto o preço pago pelo Irã e pelo povo iraniano para sustentar sua independência.
O jornal THE GLOBE, em sua versão em português, O GLOBO, noticiou que o exército de Israel admitiu o uso de fósforo branco contra palestinos nos ataques realizados à Faixa de Gaza no princípio do ano passado. São bombas proibidas por convenções internacionais, armas químicas e serviram para garantir o caráter de povo superior dos reich sionista.
Israel pode.
Os oficiais, a notícia veio a público, torna-se necessário dar uma satisfação qualquer a opinião pública, foram punidos. É mais cômodo ter bodes expiatórios que admitir que a decisão foi do próprio governo terrorista de Tel Aviv.
Um negócio assim como se Israel não tivesse esse tipo de armamento. Os oficiais resolveram ir a um mercado qualquer de armas e compraram as tais bombas para ajudar na “libertação” do povo “eleito”.
As treze bases militares na Colômbia prestam-se a treinar e formar soldados/terroristas com o objetivo de uma guerra contra a Venezuela. Não há a menor intenção de combater o narcotráfico. O presidente da Colômbia Álvaro Uribe foi eleito pelo narcotráfico para gerir entre outras coisas os “negócios” e assegurar impunidade e crescimento.
Os documentos que mostram as ligações de Uribe com o tráfico de drogas foram divulgados pelo governo dos EUA, à época de Bush e depois sumiram para não complicar os ideais de liberdade e justiça do país.
Terça-feira, dois de fevereiro, integrantes de tropas de elites da Colômbia entraram em território venezuelano com o claro intuito de promover provocações que sirvam de pretexto a uma invasão do país. São treinadas por especialistas dos EUA e agentes do MOSSAD de Israel.
Dias antes o presidente Álvaro Uribe, em discurso, ameaçou líderes de movimentos contrários ao seu governo e integrantes de movimentos bolivarianos de buscá-los e eliminá-los em qualquer parte do mundo, onde quer que estejam, citando nominalmente os que estão asilados na Suécia.
Uma nova Operação Condor. Esquema que no século passado juntou os serviços de repressão das ditaduras militares sul americanas. Prendiam, torturavam e matavam em qualquer parte do mundo (inclusive New York, onde foi assassinado Orlando Letelier, ex-chanceler do governo de Allende). Ou apenas uma nova fase da Operação Condor como costuma denunciar a professora Neuzah Cerveira, que trata do assunto em sua tese de mestrado. Planejada, montada e treinada pela CIA.
Não é e nem vai ser a última tentativa de provocação ao governo do presidente Chávez da Venezuela. Uribe é instrumento dos EUA e aí não há que ter dúvidas, para que o narcotráfico não seja incomodado além das aparências, o país, a Colômbia, é transformada em colônia, território ocupado por norte-americanos. Não é só o petróleo da Venezuela, é a Amazônia como um todo.
Pelo sim e pelo não, diante das incertezas sobre quem será o próximo presidente do Brasil, país chave nesse tabuleiro, se organizam na Colômbia. Previnem-se para a hipótese de derrota de José Collor Serra, candidato de Washington.
O que é preciso entender é que uma guerra não significa problema algum para o império norte-americano. Vive disso desde os tempos em que foi tomando territórios mexicanos como a Califórnia, o Texas, até chegarem ao tratado de livre comércio, o NAFTA, que, definitivamente, transformou o México em protetorado dos EUA.
Os altos custos das guerras travadas pelos EUA afetam o contribuinte do país, mas geram lucros fantásticos aos que controlam os “negócios”. Tem sido inclusive prática dos governos daquele país dividir esses custos com outros países a pretexto de operações de forças internacionais pela democracia, pela liberdade, contra o terrorismo.
Envolveram a Grã Bretanha (colônia européia) na guerra do Iraque, na do Afeganistão, a Austrália, o próprio Brasil, na intervenção no Haiti, uma espécie de “toma conta aí enquanto eu cuido de arrumar o resto, depois eu venho e fico com o petróleo”.
Não admitem que países latino-americanos tenham seus caminhos decididos pelos povos latino americanos. É preciso que se submetam ao império, aceitem as regras do império por bem e se assim não o for, por mal, pela via das armas.
Querem uma guerra por aqui a todo custo. Se isso significar a morte de milhares de pessoas, situações de terror, de instabilidade, o que quer que seja, o problema não é deles. Importante é assegurar o petróleo, tomar conta da Amazônia e cuidar da democracia a moda deles. Como fazem nas prisões de Guantánamo, do Iraque, do Afeganistão, onde torturadores enquadram os inferiores.
Para atenuar esse caráter bélico/terrorista, dispõem de um porta aviões espetáculo que faz cirurgias de qualquer porte, mas carrega armas nucleares também.
Há um prelúdio de guerra na América Latina, de nova onda de golpes e ditaduras, Honduras foi como que um laboratório e perceber esse quadro é fundamental para os brasileiros. Em última instância somos o principal pólo de resistência ao avanço do império norte-americano por aqui. Se capitularmos capitula toda a América Latina.
Retrocedemos ao século XIX, à condição de colônia, no máximo de protetorado.
E não adianta contar com a Anistia Internacional e aqueles que distribuem experiência em fatos consumados, na linguagem cândida das ovelhas que acreditam na bondade dos lobos. É que não é tão cândida assim, é linguagem de espertos.
É uma luta de sobrevivência.
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