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sábado, 23 de janeiro de 2010

Lula inaugura portal do Planalto em março

Lula inaugura portal do Planalto em março
Publicado em 23/01/2010 por Paulo Ávila
http://quemtemmedodolula.wordpress.com/2010/01/23/lula-inaugura-portal-do-planalto-em-marco/
Lula inaugura portal do Planalto em março
Por Angela Pimenta | 22/01/2010 – 16:09

Considerado uma prioridade pelo governo em 2010, o novo portal do Planalto deverá ser inaugurado em março em cerimônia oficial pelo próprio presidente Lula.

Concebido por uma equipe chefiada por Ottoni Fernandes Jr., secretário-executivo da secretaria de Comunicação Social do Planalto, a Secom, o novo portal deverá ter três línguas: português, espanhol e inglês.

Para dar conta da empreitada, o governo contratou, no ano passado, a produtora TV1, do jornalista Sérgio Motta Mello, por 11 milhões de reais.

Além de informações turísticas, as páginas estrangeiras vão destacar oportunidades de negócio no país em setores como o de biocombustíveis, aeronáutica, siderurgia e papel e celulose.

Já as páginas em português deverão veicular notícias já produzidas pela máquina do governo, como a Agência Brasil, além de fornecer informações sobre o imposto de renda e obtenção de documentos.

Segundo uma fonte do Planalto, “o objetivo do portal é ser uma ferramenta do Estado e não apenas do governo.”

http://portalexame.abril.com.br/blogs/esquerdadireitaecentro/20100122_listar_dia.shtml?permalink=217342

O torturador que diz não ter medo da verdade - Parte 2


Fernando Soares Campos - Editor-Assaz-Atroz-Chefe

Hoje me enchi de disposição e resolvi “traduzir” mais algumas das garatujas que, apressado, tracei em dezenas de folhas de papel enquanto tentava localizar o sargento Túlio, ex-agente do Cenimar.

Isto pode até quebrar o clima de expectativa que alguns leitores criaram, mas posso adiantar que o encontrei sim, e que ele passou de torturador a torturado pelos inúmeros problemas de saúde (gastrite, pressão alta, desvio de coluna, incontinência urinária, problemas renais, complicações respiratórias e profunda depressão, entre outros), além de enfrentar sérios conflitos com os familiares (está praticamente abandonado pelos filhos). O sargento Túlio chegou a me dizer que se sente um fraco, por não ter coragem de consumar o suicídio que lhe “traria paz”, conforme crê. Mas garante não temer a verdade e promete arrastar muita gente consigo, caso venha a ser indiciado em processo de apuração dos crimes da repressão política dos anos de terror nazi-caboclo, patrocinado pelos jagunços do capitalismo covarde praticado por estas bandas, lambe-botas, escravos da própria mesquinhez, cães fila com complexo de vira-lata.

Mas, que ninguém se engane; pois esses que ele diz que envolveria como acumpliciados com os seus pares, ou superiores hierárquicos, não constam das listas negras dos que, explicitamente, promoveram ou apoiaram o terror. Garante que nem mesmo faria qualquer acordo do tipo delação premiada; entregaria os sujeitos “pelo prazer de vê-los desmascarados”.

O sargento Túlio me falou que, apesar de lotado (na Marinha se diz “embarcado”, mesmo em unidades de terra) no Primeiro Distrito Naval, no Rio de Janeiro, também foi escalado para participar de operações em diversas capitais brasileiras, principalmente em Porto Alegre, Vitória, Salvador, Recife e Belém.

Identifiquei um sopro de ufanismo quando me falou que teria sido considerado um dos mais operantes e competentes entre os agentes do Cenimar.”Cheguei a ser indicado para treinamento na Escola das Américas, no Panamá”, afirmou. E, imodesto e despudorado, como me pareceu, garante: “Se eu fosse pra lá, ia ensinar, e não aprender”.

“Não conheci outro lugar pra ter mais dedo-duro que no Recife! As Ligas Camponesas nasceram e morreram em Pernambuco, pois foi lá que o pessoal sofreu as maiores traições. E com os estudantes do Recife não tinha meio termo: ou o cara se entregava e falava mansinho, ou endurecia e dançava. Muita gente que ainda hoje está aí dando uma de moralista colaborou com a gente, na boa! Em Salvador também teve muito caguete.” Quando o sargento Túlio se exaltava, como dessa vez, era acometido de um violento acesso de tosse, apesar de já ter largado o cigarro há mais de vinte anos.

“Querem a verdade? Pois que venham! Eu não tenho medo da verdade! Todo mundo sabe que a verdade dói, num dói?! Então...”

Não me pareceu tão corajoso e decidido. Notei que apenas tentava me impressionar. Se eu pudesse reproduzir com fidelidade o tom com que falava, seus tiques nervosos, você, leitor, veria que o sargento Túlio (suboficial reformado) pode até chutar o pau da barraca diante de uma comissão de verdade e justiça, mas percebi que tem medo de, antes disso, queimarem um “arquivo vivo”. Por outro lado fiquei pensando naquela insinuação de que está disposto a suicidar-se para se ver livre dos sofrimentos que padece. O camarada vive em permanente conflito com o alterego. Aquela casa lúgubre em Anchieta, subúrbio do Rio, onde vegeta há muitos anos, esconde fantasmas até na caixa d’água.

Não estranhei quando falou que não se lembrava de mim, pois me lembro bem que ele pouco aparecia na praça de máquinas do submarino, e seu alojamento era no compartimento dos torpedos de vante, portanto raramente circulava pelo meu ambiente de trabalho.

Mas isso aí é apenas uma amostra grátis das três horas de conversa que ele me permitiu, sem gravação; pude apenas fazer algumas anotações. Em geral, tudo aqui é reproduzido de memória, cada palavra, cada gesto, o silêncio ou a explosão dos ânimos. E não dá pra esquecer aquele olhar angustiado, ora parecendo suplicar razão, ora vagueando acorrentado a tristes lembranças de um passado nada agradável de evocar.

Na sequência destes relatos retomo a conversa que tive com o sargento Túlio, 74 anos, cinco filhos, mas somente um ainda lhe faz uma visita mensal; é quem controla suas finanças; creio que seja a única pessoa em quem confia, por absoluta falta de opção, mera dependência. Enviuvou duas vezes.

* * *

Dia desses a ministra Dilma Rousseff falou que se orgulhava de ter mentido sob tortura, quando foi presa no final dos anos 1960, por fazer parte de grupo insurgido contra a ditadura civil-militar. “Me orgulho de ter mentido, o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. Aguentar tortura é dificílimo”, disse a ministra.

É preciso coragem para mentir àqueles que estão tentando lhe arrancar informações sob tortura, há que se ter talento para convencer os algozes. Até porque os gorilas, provavelmente, não acreditam nem mesmo quando o torturado está falando a verdade. Evidente, pois devem imaginar que a vítima está apenas querendo se livrar dos suplícios. Coragem ainda porque, se eles acreditarem no que lhes foi dito e em seguida descobrirem que foram enganados, o interrogado será submetido a tratamento ainda mais violento.

Assim como a militante Dilma Rousseff mentiu no momento da apuração dos fatos e formação do processo judicial que viria a condená-la por participar de ações contra o regime ditatorial, eu também menti para os inquisidores de uma auditoria militar, em 1974. Prestei falso testemunho, com o propósito de livrar um amigo que se encontrava preso, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de desacato à autoridade de um oficial da Marinha de Guerra e suspeito de participar de ações contra o modelo político-ideológico vigente.

Mas aquele não era apenas um amigo dentre as inúmeras amizades que conquistei mundo afora. Tratava-se de um companheiro de infância, desses que a gente considera tanto quanto a um irmão consanguíneo.

Ele havia entrado para a Marinha um ano antes de mim, porém já não estávamos na ativa. Ele havia sido reformado por ter apresentado problemas de ordem psiquiátrica; e eu tinha recebido baixa da Armada há bem pouco tempo, mas considerado apto para prover minha própria subsistência, apesar de também ter sido submetido a tratamento psiquiátrico, internado na clínica especializada do Hospital Central da Marinha. No entanto a Marinha registrou no meu documento de isenção do serviço militar um diagnóstico de “insuficiência física”, sem nunca ter-me submetido a qualquer exame que pudesse revelar tal condição. O documento mentiroso que a Marinha me forneceu está comigo até hoje. Foi com ele que me dispensaram sem qualquer forma de indenização, depois de seis anos na ativa e com um contrato vigente.

Naquela ocasião, meu amigo havia feito amizade com um estudante nicaraguense, e juntos faziam um curso técnico em instituição de ensino da Marinha.

O nicaraguense carregava o peso de ser membro da família do sanguinário ditador Anastácio Somoza Debayle, parente distante, como dizemos por aqui, e ele costumava confirmar com: “Más cerca están mis dientes que mis parientes”. Ninguém poderia condená-lo simplesmente pelos laços de família com o déspota; tratava-se de uma ovelha desgarrada do rebanho, um jovem que tinha simpatia pelo movimento de contracultura. Apesar de não podermos considerá-lo propriamente um hippie, vestia-se e agia como tal; exibia uma cabeleira esvoaçante e era chegado a um papo-cabeça.

O curso era noturno, e, numa noite daquelas, os dois saiam da sala de aula quando foram abordados pelo tenente responsável pela disciplina da escola. O oficial chamou a atenção do nicaraguense, informando que, se ele quisesse continuar frequentando as aulas, deveria cortar o cabelo.

Mesmo preferindo ser excluído do curso a ter que se desfazer de um dos seus símbolos de protesto contra os valores tradicionais e, principalmente, de orientação militar, ele assentiu balançando a cabeça e esboçando leve sorriso, que, ao oficial, sugeriu uma expressão de deboche.

“Está zombando de mim?!” Perguntou o tenente. “Não, senhor, eu não faria isso. Mas considero uma exigência excessiva.” Falava em bom português, mas com o inevitável sotaque capaz de confundir pessoas menos acostumadas a ouvi-lo.

O tenente reagiu: “Agressivo, eu?! Ora! moleque, eu até que estou lhe tratando bem...”

“Ele disse ‘excessiva’, tenente.” Aparteou meu amigo.

“Não estou lhe perguntando nada!” Retrucou o oficial. E concluiu dirigindo-se ao nicaraguense: “Não cabe a você ou a qualquer outro aluno julgar o nosso regulamento interno. E se quiser continuar frequentando este estabelecimento, trate de cortar essa juba!” O tenente já se encontrava nas raias da encolerização.

O meu amigo não se conteve e decidiu comprar a briga: “O senhor está abusando da sua autoridade, tenente.” Falou com explícito tom de zanga.

O oficial não estava acostumado a ser contestado por um aluno, menos ainda naquele tom e com aquele tipo de acusação. “O que você está querendo dizer com isso?!” Pareceu não acreditar no que ouviu.

O nicaraguense ainda tentou evitar o acirramento da discussão: “Vamos embora, depois eu decido se corto o cabelo ou se continuo o curso.”

Os dois fizeram menção de se afastar deixando o local. O tenente berrou: “Fiquem onde estão! Eu ainda não dispensei vocês!” O jovem estrangeiro estancou sob os gritos do tenente; meu amigo, porém, continuou caminhando, em claro desafio à autoridade.

Os berros do tenente despertaram a atenção dos funcionários civis e militares que trabalhavam nos setores administrativos da escola. Alguns marinheiros, cabos e sargentos já se encontravam no corredor, ao lado do oficial, prontos para atender ao seu comando.

“Detenham esse sujeito!”

Foi o suficiente para que três de seus subalternos alcançassem o meu amigo e o contivessem.

Imprensado contra a parede, ele reagia com os mais obscenos palavrões. Em poucos minutos uma patrulha do Corpo de Fuzileiros Navais chegou ao local e o levou para a viatura estacionada em frente à escola, sob a sua resistência física (pouco significativa para os bem treinados fuzileiros) e veementes protestos: uma mistura de impropérios e palavras de ordem contra a ditadura militar.

Esse caso ocorreu em meados de 1973, e essa história me foi contada por um dos irmãos do meu amigo.

Eu estava de partida, retornava para minha terra natal, pretendia tirar férias por tempo ilimitado, até que escolhesse novo rumo para as minhas aventuras mundo afora (desde muito jovem, antes de ingressar na Marinha, eu costumava botar o pé na estrada, sem paradeiros preestabelecidos). Antes de viajar, tentei visitar o meu amigo no presídio da Ilha das Cobras, mas não obtive permissão. Viajei.

No início de 1974 ele ganhou o direito de responder ao processo em liberdade.

* * *

Os sertões do Nordeste não são tão isolados do mundo como os que não conhecem a região podem imaginar. Mesmo naquela época, nas cidades mais remotas, lá onde o vento faz a curva, léguas depois donde Judas perdeu as botas, os bailes eram animados por bandas de centros mais desenvolvidos, e os repertórios coincidiam com a moda das discotecas do Rio ou São Paulo. Geralmente com um pequeno atraso em relação aos lançamentos no Centro Sul.

Lá estava eu contando minhas histórias de marinheiro e me divertindo nos bailes do interior.

Certo dia recebi carta do meu amigo. Ele me falava que suas chances de ser absolvido eram mínimas, pois não contava com uma só testemunha a seu favor; enquanto o tenente estava coberto de razão, apoiado nos depoimentos dos subalternos e no registro de ocorrência lavrado pela guarda de fuzileiros navais. Ele me pedia para vir ao Rio depor a seu favor.

“Como assim?!”

Eu só conhecia a história contada por um dos seus irmãos, que também não assistiu aos fatos, apenas ouviu sua versão quando o visitava no presídio.

Meu amigo propunha pagar minha passagem e me hospedar em sua casa aqui no Rio.

Falei com meu pai, contei a situação do amigo preso, pedi sua opinião. Meu pai imediatamente concordou que eu deveria vir. Disse mais: “Não precisa que ele mande o dinheiro da passagem. Eu pago a passagem e lhe dou mais algum dinheiro pra se manter por lá!”

Mas eu não tinha ilusões quanto ao comportamento do meu pai. Ele, na verdade, queria me ver longe daquela terra, pois sabia que, se eu demorasse muito por lá, não estaria hoje aqui contando esta história.

A minha cidade natal é considerada terra de gente irreverente, brincalhona, festiva, mas também, por mais contraditório que possa soar, é um lugar muito violento. Vários amigos meus foram assassinados, geralmente por motivos banais. Ainda hoje é assim. Puro faroeste caboclo.

E por falar em faroeste caboclo, os onze primeiros versos da história do João de Santo Cristo, cantada na voz de Renato Russo, da Legião Urbana, retrata, praticamente fiel aos acontecimentos, uma de minhas aventuras. Vou reproduzir aqui esses onze primeiros versos da música Faroeste Caboclo e fazer observações sobre as pequenas diferenças entre o João de Santo Cristo e eu, até aquele trecho da letra.

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
(deixei a cidade)
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido (como esse cara adivinhou?!)
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu (não, isso não aconteceu comigo)
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu

(O verso a seguir é o retrato fiel do que eu fazia)

Ia pra igreja só prá roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
(eu não juntava, pegava do meu pai e botava o pé na estrada)
De escolha própria, escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade (nem todas, claro, só as que me deram)
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro reformatório
(aos catorze fui mandado pro hospício)
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror

Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
(eu era discriminado por ser bonito e inteligente)
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador
(essa foi uma das minhas muitas viagens)

E lá chegando foi tomar um cafezinho (depois de alguns dias, na rodoviária)
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar (falei com um comerciante em viagem de negócios)
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar

Dizia ele: "Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"
(não, o camarada com quem falei ia para Jequié, onde morava, fui eu quem disse que ia pra Brasília)

E João aceitou sua proposta (ele completou o dinheiro da minha passagem)
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal
(1966, o ônibus em que viajei, despejou os passageiros no Núcleo Bandeirantes)

"Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano Novo eu começo a trabalhar"
(era janeiro, e eu não pretendia trabalhar coisa alguma, só queria me divertir)

Daí em diante a história não tem praticamente nada a ver com a minha. Dois meses depois voltei pra minha cidade natal. Gostava de contar minhas aventuras, me jactava delas, mesmo que a maioria das pessoas achasse que era mentira. Aliás, eu gostavam que dissessem isso, pois assim eu sentia que realmente teria sido muito ousado.
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Breve eu volto para contar como cheguei ao casarão do sargento Túlio, em Anchieta. Aquilo lá é um mausoléu!

Sim, mas esses camaradas que de vez em quando rondam aqui pelas imediações do condomínio, os que dia desses me abordaram ali no portão, já não me parecem sujeitos perigosos, apesar de mal encarados.

Outra hora eu conto a volta que dei neles no dia da abordagem.

Ah! conto também como terminou o caso do meu amigo acusado de “subversão”.

Mas interessante mesmo é a entrevista com o torturador que diz não ter medo da verdade. Pô! o cara tem umas teorias fantasiosas sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3. Não sei de onde ele tirou aquelas idéias malucas.
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Se você chegou até aqui lendo tudo isso aí em cima, mas não leu a primeira parte, então, não entendeu bulhufas, portanto não custa ler a historia desde o começo, é só clicar...

http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/o-torturador-que-diz-nao-ter-medo-da.html

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PressAA

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http://assazatroz.blogspot.com/
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"FOLHA" FAZ NOVA PROVOCAÇÃO

Ives Gandra Martins é um advogado tributarista que ensina a grandes clientes como pagarem menos, ou nenhum, imposto de renda.

Ou seja, presta relevantes serviços à causa da desigualdade social, já que alivia os ricos das mordidas do leão, enquanto os pobres, não contando com assessoria jurídica da mesma qualidade, acabam se sujeitando a tributos injustos e até ilegais.
Houve tempo em que ele era atração exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo, eternamente alinhado com os interesses empresariais.

Agora, a Folha de S. Paulo também lhe concede espaço de articulista. E não na sua área específica, mas para falar sobre o que desconhece e não tem isenção para abordar: ditadura militar x resistência.

Seu artigo de hoje (22), Guerrilha e redemocratização, não passa de uma síntese da propaganda enganosa que os sites fascistas trombeteiam sobre o período de 1964/85 e, mais especificamente, sobre a terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos.

Parece que, ao lecionar Direito na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e na Escola Superior de Guerra, foi ele quem recebeu lições dos alunos: ensinaram-lhe o Torto.

Diz que, ao resistir ao terrorismo de estado implantado pelos golpistas de 1964, "a guerrilha apenas atrasou o processo de retorno à democracia".

Justifica as atrocidades ditatoriais com a falácia de que os verdadeiros responsáveis foram os que não se submeteram a viver debaixo das botas, pois "ódio gera ódio, e a luta armada acaba por provocar excessos de ambos os lados". É a velha piada do brutamontes se queixando de haver machucado a mão ao esmurrar a cara de um fracote...

Minimiza a contribuição dos movimentos de resistência à democratização, que, segundo ele, se deveu principalmente à atuação da OAB e de alguns parlamentares.

Aponta Hugo Chávez como eminência parda do PNDH-3 ("o programa é uma reprodução dos modelos constitucionais venezuelano, equatoriano e boliviano"), o qual estaria sendo "organizado por inspiração dos guerrilheiros pretéritos" (leia-se Paulo Vannuchi).

E insinua que a presidenciável do PT tem esqueletos no armário, pois, se forem apurados também os excessos porventura cometidos pelos resistentes, "isso não será bom para a candidata Dilma Rousseff". [Se tivesse algo consistente para dizer faria acusações concretas, ao invés de servir-se de indiretas para insuflar suspeitas, sem correr o risco de ser acionado por calúnia e difamação.]

Caso essa visão distorcida e tendenciosa da extrema-direita, expressa pelo Gandra Martins, tivesse a mínima relevância à luz dos valores civilizados, seria fácil refutar seu artigo de amador que invade destrambelhadamente a seara dos profissionais.

Mas, nem ele é importante como analista político, nem os artigos de Opinião da Folha são referencial para coisíssima nenhuma atualmente.

O jornal da ditabranda está sempre laçando fascistas acidentais para escreverem textos provocativos, capazes de motivar muitas refutações. Quer dar a impressão de que ainda é um veículo polêmico, trepidante.

Não farei o seu jogo, pois tanto a Folha de S. Paulo quanto o ideário que norteou o artigo de Gandra Martins só merecem de mim o mais absoluto desprezo.

"NO TE METAS COMIGO" ... "não é muito recomendável que um empresário tão rico seja presidente de um país".Uau o Empresario -presidente -eleito "SIFU"


"NO TE METAS COMIGO". ..."não é muito recomendável que um empresário tão rico seja presidente de um país". uauauau GOSTEI MUITO

Esse Post vai para TODO o POVO do Brasil e de Nuestra America:

O que vc. pensaria de um Presidente que estatiza uma rede de SUPERMERCADOS , que funciona em seu país, mas que é de um outro país( não deixa nada , imposto algum , aplicação alguma , NO SEU PAÍS?) por causa de
remarcação ilegal de preços e de violar as leis trabalhistas
. E ainda assegura que os empregados terão seus empregos,  direitos e salários mantidos?


POIS É , esse exemplo foi a ultima ação do "terrorista" Chávez. E os jornais, a grande mídia, tenta desesperadamente abafar o caso, ou incitar os seus “HOME SIMPSONS” contra o “terrorista e ditador” Chávez.


Veja vc. como noticia o "absurdo de Chávez" a mídia golpista, aliada eterna de empresários e governos BANDIDOS:
 -http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1458175-10406,00-CHAVEZ+ESTATIZA+REDE+DE+SUPERMERCADO+FRANCESA.html

- A Exame vai além e na cara de pau coloca: CHAVEZ o INIMIGO dos EMPRESÁRIOS:

 

 E Claro o destaque da mídia foi dado EMPRESÁRIO presidente eleito do Chile( putz... o POVO do Chile não merece isso):

O ESTADAO 19/01  - O empresário Sebastián Piñera, eleito presidente do Chile,criticou o líder da Venezuela, Hugo Chávez, "pela forma como pratica a democracia e pelo modelo econômico" que aplica em seu país..
"Eu tenho muitas críticas à forma como estão sendo tratados os temas públicos na Venezuela e quero dizer isso com muita clareza"... ( fala do Empresario eleito presidente do Chile)

 O que muito bem Chávez  Respondeu:

"Peço respeito ao que foi decidido soberanamente pelo povo da Venezuela, a exemplo do que ocorreu também no Chile", declarou Chávez.

"Faço um chamado para que [Piñera] não se meta com a gente. Governe o Chile e faça o que tem que fazer", afirmou o venezuelano.

"Ele é um empresário muito rico(dono de uma fortuna avaliada em US$ 1,2 bilhão ) e é impossível que esteja de acordo com uma revolução socialista na Venezuela", argumentou.


O governante venezuelano disse ainda que "não é muito recomendável que um empresário tão rico seja presidente de um país".




AGORA É COM VCS. HERMANOS:

-CHAVEZ É REALMENTE TERRORISTA ou DEFENSOR DO POVO?

-POR QUE A MÍDIA GOLPISTA ALIADA AOS EMPRESÁRIOS E GOVERNANTES USURPADORES E GOLPISTAS DETESTA CHAVEZ, FIDEL, EVO, Dilma?


Gostaria muito de ouvir a opinião do "companheiro" Stack da FIESP, amigo de Serra, e o "cara" que recolheu 1 milhão de assinaturas dos BANGUELAS ( como ele chamou os camelôs que assinaram pelo fim da CPMF )
Ou a Opinião do Erminio de Moraes, grande acionista da Aracruz Celulose, que ganhou de governos DITADORES as terras no ES e agora de olho nas Terras Indigenas , coloca essa coisa ( em parceria com o ES em AÇÃO e governo DEMO/Tucano) nas ruas do ES:





Não deixe de pensar  sob pena de virar realmente Home Simpson.

JUNTOS SOMOS FORTES

Nanda Tardin

OPEN HOUSE DO CAPITALISMO – BIG STICK

OPEN HOUSE DO CAPITALISMO – BIG STICK


Laerte Braga


O presidente “eleito” de Honduras, Porfírio Lobo, toma posse dia 27 e “reinaugura” a “democracia cristã e ocidental” em seu país. Vai ter as bênçãos de Washington, do cardeal primaz, de banqueiros, latifundiários, grandes empresários, tudo num open house do capitalismo, sob a batuta dos militares.

Esses se dividirão em dois grupos. Os poderosos chefões vão para o palácio. Os esbirros de menor patente para as ruas. A tarefa é simples. Prender e arrebentar quem se opuser ao “processo democrático”. Vale dizer a maioria do povo hondurenho que continua a luta contra o golpe que depôs Manuel Zelaya.

Janet Napolitano, secretária de Segurança Interna do governo de Barack Obama disse na Espanha que os terremotos que sacudiram e destruíram o Haiti não podem ser “encarados como oportunidade de emigrar para os Estados Unidos”. O termo oportunidade é complicado. Pura presunção de quem parece ser também ou imigrante, ou descendente.

A UNICEF denunciou publicamente o desaparecimento de quinze crianças desacompanhadas e internadas num hospital haitiano. Segundo porta-voz da UNICEF é provável que tenham sido “seqüestradas por traficantes de crianças”.

Na cabeça de Janet Napolitano a decisão do governo dos EUA, tomada antes dos terremotos, de legalizar a presença de haitianos clandestinos no seu país, vai permitir “que eles arranjem empregos e façam remessas de dinheiro para suas famílias”. É outra face da “ajuda” norte-americana.

Num país, os EUA, onde a crise foi apenas atenuada e maquiada por dados oficiais, haitianos clandestinos e agora legalizados, vão entrar para o clube dos desempregados, ou dos subempregados. Vão se juntar a milhões de cidadãos nativos que permanecem nos porões/abrigos, que segundo Barbra Bush, mulher do ex-presidente George pai Bush, têm vida melhor, pois “aqui fazem três refeições por dia”.

Fugir para os EUA não significa que a vida de haitianos vá se transformar. Que estejam querendo sair do inferno e correr para o paraíso. Essa atração dos luminosos de Manhattan acontece em qualquer lugar do mundo. Levas de homens, mulheres e crianças buscando encontrar uma luz no fim do túnel nos países do chamado primeiro mundo, ou o próprio processo migratório em cada país, onde as pessoas do campo fogem para as cidades grandes acreditando piamente que viver em favelas é melhor que a realidade de cada um.

No Brasil, por exemplo, já se observa sinais de um movimento inverso. Boa parte dos 57% de paulistanos que declarou ter o desejo de sair da capital de São Paulo, com toda a certeza, não é nativa.

É óbvio. O CGE – Centro de Gerenciamento de Emergências – do governo de São Paulo (O prefeito é do DEM) não mostra, em seus relatórios diários sobre os efeitos das fortes chuvas que estão caindo, todos os pontos alagados. Para diminuir o impacto de um problema que atinge a cidade, monitora menos de 5% da área do município.

A explicação é simples. O levantamento é feito por “marronzinhos”, definição do CGE, que notificam onde a chuva encheu ou não e apenas no centro da capital e imediações. A periferia dane-se.

Os caras sabem, lógico. Quando acontecem cheias como as que têm sido exibidas pelos noticiários da tevê, conseqüências como corte de luz, falhas no sistema de telefonia são relatadas de imediato às empresas responsáveis, riscos de desabamentos são notificados à Defesa Civil, o problema é maquiar e dizer que o governo trabalha diuturnamente para resolver todas as mazelas provocadas pelas chuvas.

No Haiti existe, segundo a ONU, um conflito entre várias das ONGs que acorreram ao país na missão de ajudar, salvar e reconstruir. Para os funcionários da ONU muitas ONGs disputam a primazia do noticiário internacional e em seus países de origem em puro exercício de exibicionismo. O número de assessores de imprensa costuma ser maior que o de “ajudadores”.

O fato tem causado transtornos e atrapalhado a eficiência dos trabalhos de resgate, distribuição de alimentos, água, socorro médico, etc. Essas ONGs, na prática, estão de olho nos repasses de verbas e contribuições para que possam “funcionar” a pleno vapor, quando não disfarçam ações de potências estrangeiras, ou empresas interessadas em controle do país, no caso o Haiti e dos ”negócios”.

Tem um monte de tantas assim na Amazônia.

O arcebispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, D. José Benedito Simão, acha normal a Comissão Regional de Defesa da Vida do Regional Sul-1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), chamar o presidente da República de “novo Herodes”.

É que o Plano Nacional de Direitos Humanos trata de questões sensíveis à cúpula católica. Aborto, homossexuais e lésbicas, adoção de crianças por casais homo. Lula ou o Secretário de Direitos Humanos, um ou outro se esqueceu de incluir a pedofilia, os “direitos dos pedófilos” e os milhões de dólares gastos pelo Vaticano para manter por baixo dos panos os escândalos envolvendo desde padres a alguns altos dignatários da igreja.

E depois não entendem onde um charlatão como Edir, o Macedo, encontra terreno fértil para os sacos de dinheiro que se amontoam e terminam em Miami. Acham que é só copiar os rituais e trocar de nome, algo como renovação carismática.

Uma coisa é a fé, a convicção religiosa, direito líquido e certo, questão de foro íntimo, outra coisa é a fachada para ações assim que nem a da turma de D. José Benedito Simão. Parece o arcebispo de Mariana que mandou retirar de circulação um jornal que criticou o governo de Aécio Neves.

A mídia nacional deu destaque às vaias aplicadas ao prefeito da cidade mineira de Juiz de Fora e ao secretário estadual de Saúde do governo Aécio Neves, respectivamente Custódio Matos e Marcus Pestana, o que levou o governo de Minas a reagir e prestar solidariedade a seus “correligionários”, digamos assim.

Custódio Matos, o que ajudou Azeredo a captar recursos junto a Marcus Valério, realiza um dos governos mais corruptos dentre todos de todos os municípios brasileiros e Marcus Pestana transformou a Secretaria de Saúde do Estado num grande negócio privado, onde é sócio em tudo através de laranjas. Naquela hora faltaram os marqueteiros, uma espécie de bússola das mentiras tucanas. Aí, desandou, pois os caras estão acostumados a open house fechados, por contra senso que possa parecer. Restrito aos que pagam (propinas), caso Queiroz Galvão e um ou outro lambe botas.

Impávido, tranqüilo na Cervejaria Casa Branca, o presidente Barack Obama, primeiro mutante eleito para o cargo (tem a pele negra e a ideologia branca) manda que se passe por cima de tudo e todos na “ajuda” ao Haiti e no novo governo de Honduras.

Para tanto, nesse open house do capitalismo, atropela a ONU (não foi convidada, fica olhando na entrada da festa), tenta calar reações de governos como o brasileiro e o francês, mantém em alerta os militares que cuidam da “democracia” hondurenha na base de Tegucigalpa (escola de golpes) e ganha um aliado.

O presidente eleito do Chile, Piñera, já insinuou que o governo da Venezuela não é democrático. É que Chávez expropriou uma rede de supermercados que vivia (como vivem todos) de extorsão contra o consumidor. Pinochet, de quem Piñera foi amigo, esse sim, é democrata.

Na opinião de experts da alta costura na Europa, o problema da moda brasileira é o acabamento. Peca no acabamento, no arremate.

O técnico do Corinthians afirma que vai promover um rodízio de gols para evitar que apenas um atacante, no caso Ronaldo, chamado de “o gordo”, tenha destaque. Lembra o técnico Duque instruindo os jogadores do Fluminense sobre como empatar um jogo com o América e virar o resultado. Assentado e ouvindo atentamente a explanação do treinador, Gerson, um dos maiores jogadores de todos os tempos no futebol brasileiro e mundial, perguntou a Duque se ele já havia combinado aquilo com o técnico e o time adversário.

Não existem motivos para preocupações maiores. Porfírio Lobo vai assumir o governo de Honduras no dia 27, a borracha vai cantar em quem for contra, a democracia vai estar salva, como garantidas as instituições cristãs e ocidentais e um grande baile vai marcar a data. O open house será para banqueiros, latifundiários, empresários norte-americanos, generais, elites podres do país e o resto lambe com a testa.  

Ou como poeira nessa farsa de exploração que é o capitalismo. O diabo é que a poeira vem em seguida à borduna baixada pelos militares.

O que é o de menos para eles, em todos os lugares existem CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências). Seja para prender e arrebentar quem não se conforme com a democracia cristã e ocidental, ou quem esteja debaixo de água. Ou pior, soterrado em escombros no Haiti.

Em boa parte do mundo. E com as bênçãos de cardeal, convidado de honra de Porfírio Lobo para sua posse.

No final sai um relatório com os dados “reais”. Não bate com a realidade, mas isso é detalhe. Qualquer dúvida existem versões do JORNAL NACIONAL em todos os lados e BB – Big Brother – para o gáudio da turma

Convocatória para manifestação mundial em 27 de janeiro contra Posse Ditador "eleito" em Honduras

Grande manifestação MUNDIAL dia 27 de janeiro: TODOS PROTESTANDO contra posse PRESIDENTE GOLPISTA ELEITO em HONDURAS

 
O LOBO MAU não pode assumir!



ATENÇÃO TODOS OS MOVIMENTOS SOCIAIS E SINDICAIS de NUESTRA AMÉRICA,


Chamada para manifestação contra a posse do "presidente" "eleito" de Honduras Porfirio Lobo, numa "eleição comprovadamente fraudada e desautorizada por instituições mundiais por viver o páis uma ditadura com Guerra Civil- VIDE FOTOS e denunciar os crimes cometidos em Honduras desde o golpe DITATORIAL. Que a mídia alternativa MOSTRE nesse dia TODOS os CRIMES LESA HUMANIDADE, DESMASCARE os GOLPISTAS, e QUESTIONE SERIAMENTE PRA QUE SERVE A ONU

JUNTOS SOMOS FORTES

Assinam Movimentos de Lutas por Independencia , Democracia e Soberania 
 
 
 

APOIO para RECONSTRUÇÃO De Jornal destruido por GOLPISTAS na DITADURA de Honduras

Companheiros e HERMANOS,

O Jornal del Libertador um dos principais jornais da Resistencia foi em fins de 2009 invadido e destruido por Militares GOLPISTAS.

Por considerar que faz parte da luta , nós do blog JUNTOS SOMOS FORTES, estamos corroborando com o pedido de doação de maquinários, papeis, enfim com o necessário para reconstrir a VOZ DO POVO ou o JORNAL del Libertador

JUNTOS SOMOS FORTES, venceremos .

Abaixo pedido de Ricardo Salgado - Membro da Resistencia Hondurenha, Pesquisador social e periodista

El golpe de estado demostró la importancia que tienen los medios de comunicacion en los procesos politicos que se llevan a cabo en este siglo. Los hondureños nos mal acostumbramos a seguir la opinion de la clase dominante leyendo medios manipuladores y cobardes que solo sirven para esclavizarnos. Desde el 28 de Junio de 2009 esos medios siguen amenazando la verdad, y con ello los intereses del pueblo.

El desequilibrio informativo al que vivimos sometidos nos expone con tremenda facilidad a las falacias, fantasias,calumnias y embustes de gente inescrupulosa, vividora que se jacta de dominar la mente de los hondureños. Hoy el periodismo que predomina es aquel que se renta a quien mejor paga. Los dueños de medios levantan y tiran perfiles y reputaciones todos los dias del año; y tambien sirven para hacer puentes donde no hay rios y pozos donde no hay agua.

Esos medios que dan soporte a los pingues negocios de sus dueños y sus asociados. Basta que hagan una campaña contra un sujeto especifico, para que este o se doble o se vaya al caño. Tan poderosos que hicieron de gente decente pillos y de asesinos heroes. La verdad no importa; es la apariencia que se construye a traves de estos medios la que impulsa las acciones incontrolables de aquellos que despilfarran lo que es nuestro.

Cada seudo periodista es un experto en todo; y si no construyen eruditos que divulgan estupideces o canalladas disfrazadas de verdades "petreas".Son constitucionalistas, economistas, expertos en wall street, en agricultura y pesca;los todologos que nos enseñan a pensar lo que ellos no piensan; los guiones de los dueños. Por eso para estos tipos la verdad no eslo relevante, y por eso gran parte de los hondureñosno conocemos esta verdad.

Son pocos los medios que se han abstraido de esta caracterizacion; todos iniciativas privadas con fines de lucro con algun nivel de compromiso con la patria, con la honestidad y la justicia. Estos medios viven de la publicidad que son capaces de vender, y muchas veces deben sucumbir al control del que paga la cena. Aun asi, es plausible elesfuerzo que muchos hacen,y no los vamos a listar por ahora, aunque respetamos profundamente su papelen lalucha de los hondureños por una vida mejor.

El caso particular del Libertador es muy importante, pues no solo esel unico medio impreso de cobertura nacional que ha hecho suya la causa del pueblo, sino que es el unico dirigido por su propietario y su linea editorial es abierta, firme e incondicionalmente asociada con la verdadd. Ningun otro medio escrito tiene esta caracteristicas.

Sin embargo, el tiraje de este valiente medio es aun limitado, unos 20,000 ejemplares al mes; sus suscripciones unas 3,000, lo que indica que nosotros,los que estamos en resistencia, no leemos lo que se produce desde la resistencia. Mas bien parece claro, que la gran mayoria de nosotros no ha cambiado sus habitos en cuanto a informacion se refiere, y los medios oligarcas mantienen sus tirajes al tope.

La lucha que se avisora en el horizonte cercano requerira de multiplicar nuestra capacidad de divulgacion, tanto impresacomo en linea. en el ambito impreso solo contamos con el Libertador, cuyo valor informativo y formativo para la lucha es invaluable, por lo que deberiamos llevar a cabo actos conscientes por nuestro propio interes. El Libertador necesita apoyo en muchas lineas, pues ha sido victima constante de la agresion de la soldadesca canalla en varias ocasiones,en la que muchos equipos se han perdido.

Se necesita colaborar para restaurar y fortalecer la capacidad del periodico; se necesita subir el tiraje y que este llegue a todos los rincones del pais; se necesitan multiplicar por 10 la cantidad de suscriptores; se requiere llevar a cabo campañas intensivas de fortalecimiento.

Nosotros somos mas, muchos mas,solo necesitamos demostrarlo asumiendo un compromiso con aquello que es nuestro. Seguramente, saltaran preguntas sobre muchas cosas, todas deberan ser contestadas por el grupo de El Libertador,lo que no debemos dejar que pase es que este llamado se quede en el silencio.

Aqui todas las ideas valen; las criticas cuentan porque esa es elalma de la resistencia: el debate.la ejecutoria es critica;aqui es donde demostramos de que estamos hechos.

Hasta la victoria siempre

Ricardo Salgado

Em nome de Deus

EM NOME DE DEUS



Laerte Braga



Samuel L. Jackson em PULP FICTION, filme do diretor Quentin Tarantino (1994), cita versículos bíblicos, salmos, antes de matar “devedores” do seu chefe, um traficante de drogas, um gangster a moda norte-americana. Mas dos tempos atuais. Sem aquela arrogância e pretensão de Al Capone. A de ser um cidadão benquisto pela sociedade cristã, democrática e capitalista.



O Reino Unido, como ainda teimam em chamar a Grã Bretanha, ex-potência imperial onde o sol nunca se punha, tem dez mil soldados no Afeganistão. O mesmo número que Barack Obama pensa mandar para o Haiti em missão de “ajuda”.



Os soldados do Reino Unido receberão fuzis com miras telescópicas que terão referências bíblicas. O cara pega o fuzil, mira e antes de atirar lerá um salmo para reforçar sua convicção cristã, democrática e capitalista.



Segundo o Ministério da Defesa da Grã Bretanha, 400 visores com mensagens bíblicas foram encomendados à empresa norte-americana Trijicon. Quando mirar no adepto do Islã alvo da “ajuda” cristã, democrática e capitalista, o soldado ira encontrar na mira a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João. O versículo é o seguinte – “então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas e sim terá a luz da vida”.



Para a oposição ao governo de Gordon Brown isso reforçará o Talibã. Não vai deixar dúvidas que se trata de uma guerra santa. A diferença na boçalidade entre Saddam, por exemplo, ou Mubarak, ou qualquer governo de Israel, é só de estilo e lado, cada um tem o seu “deus”. O grande “deus” dos EUA começa a funcionar a hora que o sino da bolsa de Wall Street bate, é a catedral sendo aberta. Jorra “ajuda” pelo mundo inteiro.



A empresa norte-americana declarou que usa esse expediente há mais de vinte anos e os resultados têm sido satisfatórios.



A tecnologia da morte, o aperfeiçoamento da boçalidade em nome de Deus.



A “polícia” de Honduras, departamento norte-americano naquele país e que por lá chamam de forças armadas, quando derrubou o presidente constitucional Manuel Zelaya, recebendo ordens do comandante militar norte-americano na base de Tegucigalpa, entrou no palácio do governo para empossar o golpista Roberto Michelleti carregando um grande crucifixo.



No Brasil foi a mesma coisa em 1964. O comandante era um general quatro estrelas dos EUA, Vernon Walthers.



E todos receberam a comunhão das mãos do cardeal do país. Continuam matando opositores, torturando presos por crime de opinião, estuprando mulheres em aldeias, vilas e cidades pequenas, tudo em nome da democracia, do cristianismo e do capitalismo.



A propriedade privada.



João XXIII, o último Papa (João Paulo II foi empregado de Washington, garoto da “propaganda santa”, cruel e vingativo com seus adversários e Bento XVI é integrante decidido do IV Reich), numa de suas encíclicas, afirma que a luta armada pela garantia dos direitos básicos e fundamentais do homem é válida quando todos os outros recursos estiverem esgotados.



Por trás da afirmação existe o reconhecimento da condição básica do ser humano, do outro, da dignidade desse ser e do outro.



Guantánamo é um campo de concentração e o mundo, logo após a guerra e a ocupação do Iraque, viu em imagens que nem a grande mídia (venal) pode esconder, como eram tratados os prisioneiros nas prisões daquele país. Tratados pelos norte-americanos.



Um “louco” matou dez pessoas numa cidade do estado de Virgínia, terça ou quarta-feira dessa semana. Isso é corriqueiro nos EUA. Alerta divino, via de regra todos por lá recebem, por isso Edir, o Macedo, conseguiu ser incorporado.



Os Estados Unidos são uma sociedade doente e exporta essa doença para o resto do mundo na ponta de suas baionetas (que nem usam mais). Agora manda miras telescópicas ou laser com salmos bíblicos.



Quando vejo jornalistas como Lúcia Hippólito ou Miriam Leitão tentando explicar porque é preciso aceitar o poderio dos EUA para que os haitianos sejam ajudados, não tenho a menor dúvida que a honra foi deixada do lado de fora. Ou como diz um amigo cínico, “coisa do tipo você me ajuda e aí pode fazer o que quiser”.



Bêbada, Lúcia Hippólito não conseguiu articular coisa alguma. Se a bebida destrava a língua de uns, trava a consciência de outros. Pode ser. Deve ser.



Sexta-feira, na cidade de São Paulo, as vacas da Cow Parade vão para as ruas homenagear os 456 anos da capital. Isso deve ser em honra ao governador José Collor Serra que em 2002 afirmou que estava vendo uma vaca pela primeira vez, ao vivo, já com mais de cinqüenta, quase sessenta.



Uma das “vacas” é de fibra de vidro e interage com celulares e as chamadas redes sociais.



Cerca de 57% da população de São Paulo, se pudesse, sairia da cidade. É o resultado de uma pesquisa divulgada no início dessa semana. E ainda querem, o esquema FIESP/DASLU, impor esse modelo ao Brasil via tucanos e DEMOcratas.



Contam com as bênçãos do “deus” GLOBO e do profeta William Bonner, sua corte de alexandres garcias, a água é espargida pela sacerdotisa Xuxa e o culto começa à hora que se inicia o BBB.



Quem quiser pode comprar no sistema de tevê fechado e ficar o dia inteiro adorando os bezerros e bezerras confinados no “templo” em nome do cristianismo, da democracia e do capitalismo.



E durma tranqüilo, Barack Obama vela por todos nós. Se necessário for, manda “ajuda” em tempo recorde. E depois é só relaxar.



Breve nos intervalos comerciais do JORNAL NACIONAL, das novelas e do BBB, mensagens bíblicas para o gáudio e satisfação do Homer Simpson.



Pastor William Bonner, tem diferença nenhuma do outro, o Edir, falo do Macedo.



Nem do cara que matou dez em Virgínia, ou da empresa que produz miras telescópicas e/ou laser com mensagens bíblicas. Pode se matar de várias formas.



São doenças cristãs, ocidentais, democráticas e que garantem a propriedade privada. O resto é resto. Vieram do império. Vírus que nem o da gripe suína, mas muito pior. Deixa a turma apatetada, discando o celular para falar com o BBB ou com a vaca interativa.

EM NOME DE DEUS



Laerte Braga

Samuel L. Jackson em PULP FICTION, filme do diretor Quentin Tarantino (1994), cita versículos bíblicos, salmos, antes de matar “devedores” do seu chefe, um traficante de drogas, um gangster a moda norte-americana. Mas dos tempos atuais. Sem aquela arrogância e pretensão de Al Capone. A de ser um cidadão benquisto pela sociedade cristã, democrática e capitalista.

O Reino Unido, como ainda teimam em chamar a Grã Bretanha, ex-potência imperial onde o sol nunca se punha, tem dez mil soldados no Afeganistão. O mesmo número que Barack Obama pensa mandar para o Haiti em missão de “ajuda”.

Os soldados do Reino Unido receberão fuzis com miras telescópicas que terão referências bíblicas. O cara pega o fuzil, mira e antes de atirar lerá um salmo para reforçar sua convicção cristã, democrática e capitalista.

Segundo o Ministério da Defesa da Grã Bretanha, 400 visores com mensagens bíblicas foram encomendados à empresa norte-americana Trijicon. Quando mirar no adepto do Islã alvo da “ajuda” cristã, democrática e capitalista, o soldado ira encontrar na mira a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João. O versículo é o seguinte – “então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas e sim terá a luz da vida”.

Para a oposição ao governo de Gordon Brown isso reforçará o Talibã. Não vai deixar dúvidas que se trata de uma guerra santa. A diferença na boçalidade entre Saddam, por exemplo, ou Mubarak, ou qualquer governo de Israel, é só de estilo e lado, cada um tem o seu “deus”. O grande “deus” dos EUA começa a funcionar a hora que o sino da bolsa de Wall Street bate, é a catedral sendo aberta. Jorra “ajuda” pelo mundo inteiro.

A empresa norte-americana declarou que usa esse expediente há mais de vinte anos e os resultados têm sido satisfatórios.

A tecnologia da morte, o aperfeiçoamento da boçalidade em nome de Deus.

A “polícia” de Honduras, departamento norte-americano naquele país e que por lá chamam de forças armadas, quando derrubou o presidente constitucional Manuel Zelaya, recebendo ordens do comandante militar norte-americano na base de Tegucigalpa, entrou no palácio do governo para empossar o golpista Roberto Michelleti carregando um grande crucifixo.

No Brasil foi a mesma coisa em 1964. O comandante era um general quatro estrelas dos EUA, Vernon Walthers.

E todos receberam a comunhão das mãos do cardeal do país. Continuam matando opositores, torturando presos por crime de opinião, estuprando mulheres em aldeias, vilas e cidades pequenas, tudo em nome da democracia, do cristianismo e do capitalismo.

A propriedade privada.

João XXIII, um dos últimos papas (João Paulo II foi empregado de Washington, garoto da “propaganda santa”, cruel e vingativo com seus adversários, e Bento XVI é integrante decidido do IV Reich), numa de suas encíclicas, afirma que a luta armada pela garantia dos direitos básicos e fundamentais do homem é válida quando todos os outros recursos estiverem esgotados.

Por trás da afirmação existe o reconhecimento da condição básica do ser humano, do outro, da dignidade desse ser e do outro.

Guantánamo é um campo de concentração e o mundo, logo após a guerra e a ocupação do Iraque, viu em imagens que nem a grande mídia (venal) pode esconder, como eram tratados os prisioneiros nas prisões daquele país. Tratados pelos norte-americanos.

Um “louco” matou dez pessoas numa cidade do estado de Virgínia, terça ou quarta-feira desta semana. Isso é corriqueiro nos EUA. Alerta divino, via de regra todos por lá recebem, por isso Edir, o Macedo, conseguiu ser incorporado.

Os Estados Unidos são uma sociedade doente e exportam essa doença para o resto o mundo na ponta de suas baionetas (que nem usam mais). Agora manda miras telescópicas com salmos bíblicos.

Quando vejo jornalistas como Lúcia Hipólito ou Miriam Leitão tentando explicar porque é preciso aceitar o poderio dos EUA para que os haitianos sejam ajudados, não tenho a menor dúvida que a honra foi deixada do lado de fora. Ou como diz um amigo cínico, “coisa do tipo você me ajuda e aí pode fazer o que quiser”.

Bêbada, Lúcia Hipólito não conseguiu articular coisa alguma. Se a bebida destrava a língua de uns, trava a consciência de outros. Pode ser. Deve ser.

Sexta-feira, na cidade de São Paulo, as vacas da Cow Parade vão para as ruas homenagear os 456 anos da capital. Isso deve ser em honra ao governador José Collor Serra que em 2002 afirmou que estava vendo uma vaca pela primeira vez, ao vivo, já com mais de cinqüenta, quase sessenta.

Uma das “vacas” é de fibra de vidro e interage com celulares e as chamadas redes sociais.

Cerca de 57% da população de São Paulo, se pudesse, sairia da cidade. É o resultado de uma pesquisa divulgada no início dessa semana. E ainda querem, o esquema FIESP/DASLU, impor esse modelo ao Brasil via tucanos e DEMocratas.



Contam com as bênçãos do “deus” GLOBO e do profeta William Bonner, sua corte de Alexandres Garcias, a água é espargida pela sacerdotisa Xuxa e o culto começa à hora que se inicia o BBB.

Quem quiser pode comprar no sistema de tevê fechado e ficar o dia inteiro adorando os bezerros e bezerras confinados no “templo” em nome do cristianismo, da democracia e do capitalismo.

E durma tranqüilo, Barack Obama vela por todos nós. Se necessário for, manda “ajuda” em tempo recorde. E depois é só relaxar.

Breve nos intervalos comerciais do JORNAL NACIONAL, das novelas e do BBB, mensagens bíblicas para o gáudio e satisfação do Homer Simpson.

Pastor William Bonner, tem diferença nenhuma do outro, o Edir, falo do Macedo.

Nem do cara que matou dez em Virgínia, ou da empresa que produz miras telescópicas com mensagens bíblicas. Pode se matar de várias formas.

São doenças cristãs, ocidentais, democráticas e que garantem a propriedade privada. O resto é resto. Vieram do império. Vírus que nem o da gripe suína, mas muito pior. Deixa a turma apatetada, discando o celular para falar com o BBB ou com a vaca interativa.

Laerte Braga, jornalista, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

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DESMITIFICANDO LULA - 7

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Raul Longo (*)

Neste comentário final reuni as demais considerações de Príamo sobre o Presidente Lula, porque percebo que eu e meu amigo chegamos a um impasse.

Interessante lembrar já termos passado por este mesmo impasse há muitos anos, quando dirigíamos departamentos de uma mesma instituição pública de comunicação. Trabalhava conosco um rapaz com o qual Príamo tinha mais antigo relacionamento, e certa noite, por um momento de ausência, esse rapaz quase provoca um grande acidente. Na verdade o acidente ocorreu, mas felizmente nenhuma das pessoas nele envolvidas foi afetada.

Como estava ao lado do rapaz, pude testemunhar as razões que produziram a colisão e estranhei que, embora imediatamente se reconhecesse culpado, não pôde perceber o que o levara ao ato imprevidente, conferindo-o a causas injustificáveis. Não foi exatamente uma imprevidência, e, sim, um momento de inconsciência.

No dia seguinte relatei todo o episódio que por pouco não teve conseqüências drásticas para cada um de nós e, preocupado com a probabilidade de futuras ocorrências sem a mesma sorte, recomendei que Príamo o avisasse de seu problema. Concordou, mas considerando a dificuldade de convencê-lo, lembrando que assim como o bêbado nunca aceita a evidência de sua bebedeira, o louco jamais se reconhece como louco.

Claro que era apenas uma força de expressão, bastante exagerada. Sabíamos que nosso amigo não estava louco, apenas portava um problema neurológico. Mas, se não tinha percepção nem consciência da manifestação desse problema, como convencê-lo?

Pois aquele mesmo impasse se reproduz nesta contradição que agora Príamo aponta em Lula:

f) Devemos reconhecer a sua grande capacidade de comunicação, o que acabou criando-lhe, na realidade, uma visão distorcida porque passou a considerar-se o rei da cocada.


Entende-se a expressão “rei da cocada” por alguém que acredite ser o que, na verdade, não é. Por exemplo: se eu afirmar que Dona Zilda Arns tornou-se a rainha da cocada pelo sucesso de seu trabalho na Pastoral da Criança, a estarei acusando de pretensiosa, e a primeira impressão de quem ler ou ouvir tal afirmação é a de que conheci pessoalmente Dona Zilda. Afinal, publicamente, ela nunca assumiu qualquer postura que me autorizasse tal julgamento.

Em busca de alternativas que justificassem tão peremptória constatação, talvez se imaginasse que eu não goste de crianças. Ou pelo menos não das crianças pobres e desnutridas, como as que foram defendidas pela Dona Zilda.

De fato, preferiria que todas as crianças fossem suficientemente nutridas e que o governo Lula não houvesse resgatado apenas 12 milhões de famílias da miséria, mas sim que tivesse erradicado de vez a pobreza do país. Infelizmente, segundo os analistas internacionais, isso só deverá ocorrer em 2015 e se o próximo governo der continuidade às políticas sociais do atual.

Mas enquanto aguardamos por mais 5 anos para solucionar esse problema crônico que acompanha o país desde seu descobrimento, podemos continuar tentando encontrar a verdadeira razão para que eu julgue Dona Zilda a rainha da cocada. E não a encontraremos enquanto eu não assumir que esse meu julgamento provém de um preconceito que alimento contra, se não às crianças, talvez, às mulheres. Ou, quem sabe, à Igreja Católica a que Dona Zilda e a Pastoral eram ligadas.

Se eu quiser me livrar desse preconceito precisarei, primeiro, entender o que o provoca. Se eu for daqueles convencidos de que o lugar da mulher é na pia e no fogão, é aí que terei de trabalhar meu condicionamento.

Já no histórico da Igreja Católica, há muitas motivações para as minhas aversões pela instituição. No entanto, tenho de avaliar ser formada por diversas e diferentes correntes diametralmente opostas. Se me esforçar um pouco, poderei concluir que as mesmas razões que tornam muitas de suas faces execráveis à minha compreensão fazem com que me alie a outras da própria Igreja.

Através desse processo racional, poderei me livrar de meu preconceito contra Dona Zilda Arns, mas a grande dificuldade está em reconhecer que sou preconceituoso, exatamente como acontece com o bêbado e o louco. E o que mais dificulta é que, embora os preconceitos se assemelhem às delimitações de territórios de animais, ele não é instintivo nem natural. Ninguém nasce preconceituoso.

Será o preconceito fruto da observação sincera e do raciocínio? Desde o primórdio das civilizações, aqueles que mais atentamente observaram e raciocinaram sobre o comportamento humano são, ainda hoje, reconhecidos como os que mais combateram os preconceitos humanos.

No entanto, infelizmente, o ser humano continua sendo mais suscetível à inseminação, à implantação do preconceito, do que ao seu próprio raciocínio e mesmo à percepção da própria história, ou, até, de experiências pessoais.

Uma das razões de minhas admirações por Príamo foi pelo relato que me fez de um período muito difícil de sua vida, quando toda a cidade fronteiriça onde nascera passou a julgá-lo pela desonestidade de alguém em quem ele confiou e avalizou. Nos contares de Príamo sobre aqueles maus momentos, a passagem torna-se mais dramática quando outra pessoa, aproveitando-se da ansiedade em sanar a dívida que depunha contra sua imagem perante a comunidade, o convida para duro trabalho nos interiores do país vizinho.

Trabalhou solitário em meio à selva e, só quando o resgataram e ao que ele extraíra, percebe-se perseguido pela polícia até escaparem pela fronteira. Somente na fuga é que Príamo se dá conta de que o envolveram em um ato ilegal.

A história de Príamo termina bem quando, transferindo-se para um centro maior, destacam-se suas qualidades profissionais e de caráter. Há muitos anos retornou ao seu estado onde novamente tornou-se reconhecido e respeitado pelos próprios moralistas que então o condenavam. No entanto, hoje Príamo aponta como contradição do Presidente Lula:

g) Essa questão da ética, em que ele (Lula) se considera o mais ético, é outra distorção, fruto da empolgação e da falta de uma assessoria sincera para demonstrar-lhe o absurdo dessa e de outras manifestações dele. Ele precisa de alguém, com autoridade na sua assessoria mais íntima para chamar-lhe a atenção para determinados excessos. Neste mundo atual, se formos considerar a ética dentro da sua conceituação pura, vamos constatar que ninguém é ético, nem eu, nem você, nem ninguém.


De fato houve um momento terrível em nossa história política, em que a total ausência de ética dos governantes era um escândalo internacional. Basta lembrar que em 8 anos de governo FHC ocorreram apenas 28 operações da polícia federal, enquanto só no primeiro mandato do governo Lula se realizou mais de 500.

Ao acusar este governo de falto no empenho em investigações do que o acusaram - apesar das inúmeras CPIs e estritas atuações da PF, do MP, do STJ e demais órgãos federais - FHC foi calado por um jornalista da BBC. O ex-presidente não imaginava que até em Londres tornara-se famoso seu Procurador da República, Geraldo Brindeiro; mas o entrevistador questionou sua autoridade para qualquer denúncia, lembrando o termo “Engavetador Geral” e os 400 processos contra seu governo que nunca foram sequer avaliados.

Também é verdade que os integrantes do partido do Lula ou de partidos aliados muitas vezes se enalteceram como únicos sem envolvimentos nas amiúdes ocorrências de escândalos de corrupção em quaisquer das esferas políticas: municipais, estaduais ou federais. Mas quando, aproveitando-se dos erros de alguns, a mídia supervalorizou e especulou criando muitas ilações infundadas, o próprio Presidente Lula foi o primeiro a publicamente assumir como erro de seu partido e aliados o se apontarem pela ética, afirmando não ser uma qualidade, e sim uma conseqüência imposta a quem exerça a vida pública.

Portanto, Príamo que me desculpe, mas não prestou atenção à missa e está puxando reza atrasada. Não se fez sequer necessária essa “assessoria sincera” que diz faltar. E se houve alguma “empolgação”, “absurdos” e “excessos” que mais uma vez afirma sem especificar nem exemplificar, poderei reportar em detalhes muitos dos cometidos pelas lideranças do PSDB e do DEM, reconhecidos como corruptos e até envolvidos em crimes de outras ordens. Sem contar os discursos de falsos moralistas da mídia, pregando uma ética pela qual jamais se pautaram. Muito pelo contrário e em histórias que conheço de sobejo!

Chego a ter a impressão que não seja Príamo quem tenha escrito essa alínea “g”, mas, sim, alguém que não me conheça e se considere capaz de me enganar invertendo fatos que ocorreram há apenas 3 ou 4 anos. Se Príamo já se esqueceu quem sou, espero que ao menos recorde o que aqui reporto de nossas conversas e de seus relatos há 30 anos atrás, pois a única forma de se vencer nossos preconceitos é observando-nos através de nossa própria história.

Ninguém tem preconceito contra cavalos ou aviões. Mas por medo de cavalos ou aviões muita gente não sai do lugar onde sempre esteve. O preconceito humano sempre é contra seus semelhantes, mas também é filho do medo.

Talvez não seja a insegurança da inconsciência da bebedeira ou da loucura que dificulte o reconhecimento daqueles a quem afeta, mas não é preciso ser psicólogo para reconhecer o medo e a insegurança no homem que não consegue aceitar sua complementação na mulher. E onde se incrusta na homofobia a evidente insegurança e incerteza na própria sexualidade.

Jean Paul Sartre desvendou, nos temores e inseguranças do branco, a origem do racismo contra os negros. E a pergunta é: quando alguma vez um indivíduo ou grupo de preconceituosos já expressou segurança, serenidade, convincente certeza do que afirma, conseqüência no que pensa, real confiança em suas atitudes? Racionalidade? Realismo? Saudável alegria, ao menos?

Os nazistas? A Klu-Klux-Klan? Os fundamentalistas islâmicos? Os sionistas? Skinheads?

Mas não é preciso ir tão longe. Na tentativa de alguma percepção da realidade, encontramos em Príamo infundado preconceito a lhe impedir a percepção da real paisagem além das inexpugnáveis muralhas de sua Tróia:

h) A sua fala, na presença da Ângela Merkel, demonstra uma coragem que, até hoje, ninguém, nenhum presidente teve, ele foi muito claro, foi direto ao ponto, sem tergiversar, sem dar volta, falando com todas as letras. Eu me senti gratificado ao assistir esse momento, me deu uma alegria muito grande, foi um momento de estadista, que, no meu entender, ele quer ser e poderá chegar a isso; mas, volto a dizer, ele precisa ter um assessor que lhe exponha claramente as contradições do seu comportamento.

No entender de Príamo, Lula quer ser um estadista, mas lhe falta assessoria. Talvez imagine um professor de inglês ou de quaisquer dos tantos idiomas em que nosso infeliz ex-presidente era tão bem versado, embora nunca tenham lhe concedido o prêmio de Estadista do Ano como o que foi conferido a Lula em 2006, na Assembléia Geral da ONU.

No entender de Príamo, Lula se considera do rei da cocada. Já um hóspede argentino estranha que aqui no Brasil tanto se valorize os erros de português do Lula - como os notados pelos gramáticos no português do FHC ao comentar os desconhecimentos lingüísticos de Lula -; embora, lá na Argentina, se considere que Lula se expresse muito bem em espanhol quando entrevistado pela imprensa, ainda que em reuniões oficiais faça questão de se pronunciar em português.

No entender de Príamo, Lula poderá chegar a ser um estadista. Para a UNESCO, quando lhe concedeu o Prêmio Félix Houephouët-Boigny, Lula já é um estadista da Paz para o mundo.

Lula nunca precisou de assessores que o ensinassem a ser sincero. Lembro-me bem ter sido o primeiro a quebrar a formalidade do “Sr. Governador”, “Nobre Deputado”, “Caro Candidato” e que-tais. Sempre tratou a todos por você, sem ofensas nem grosseiras, como as tantas que, até hoje, amiúde lhe dirigem, inclusive pela imprensa. Mas Príamo só notou a sinceridade com que Lula invariavelmente utilizou com todos os governantes de qualquer país do mundo, quando o Presidente se dirigiu à Ângela Merkel.

Para Príamo falta a Lula um assessor que lhe aponte contradições de seu comportamento. No entanto, para o Le Monde, o El País, o Financial Time, diversas universidades e instituições européias e norte-americanas, para Lula ser uma grande personalidade internacional, talvez a mais reconhecida e agraciada em história da política mundial, não falta nada. Já o é.

O que falta para Príamo enxergar o que vê o resto do mundo? Por que ao longo de 7 capítulos tive de desmitificar as infundadas “contradições” percebidas por Príamo em Lula?

Será que já estaria programada para a próxima semana, talvez quando Príamo estiver lendo o que agora escrevo, a entrega do reconhecimento mundial ao Presidente Lula como Estadista Global em Davos, na Suíça, se ele realmente inchasse folhas de pagamento? Se permitisse gastos estratosféricos ou constituísse uma equipe de governo com competências desnecessárias e conflitantes, como convenceram a Príamo? Se despendesse perdulariamente verbas de apoio internacional ou perdoasse dívidas prejudicando seu próprio país?

Se apoiasse governos criminosos, antidemocráticos ou golpistas? Se interviesse em assuntos internos de outras nações, seria reconhecido como Estadista Global pelo Fórum de Davos?

Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial reconheceria que "O presidente Lula é um exemplo a ser seguido pela liderança global" se ele fosse um mero "rei da cocada"? Um dos "meu pai disse que tenho aquilo roxo"? Apenas mais um "homem que sabia falar javanês"?

Não sei se consegui assessorar Príamo com a sinceridade necessária para que possa ultrapassar seus preconceitos a respeito de Lula, mas espero que todos os que por ventura tenham acompanhado essa série possam chegar à conclusão de que o mito real da mídia não é Lula. Não é ele o rei da cocada.

Espero ter conseguido levantar o véu da mídia, para que os tantos Príamos que comigo se correspondem percebam que o verdadeiro mito criado pelos jornalistas e manipuladores de informações não é Hércules.

É sim o próprio Podarge, a quem a mídia faz acreditar-se Príamo, que por seus preconceitos temeu a Hércules e acabou aceitando o presente de grego arquitetado por Ulisses, pondo a perder seu reinado da bela e memorável Tróia.



Raul Longo
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC

(*) Jornalista, poeta e escritor, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

Para quem não leu as postagens anteriores da série DESMITIFICANDO LULA:

1 - http://assazatroz.blogspot.com/2009/12/desmitificando-lula-i.html

2 - http://assazatroz.blogspot.com/2009/12/desmitificando-lula-2_20.html

3 - http://assazatroz.blogspot.com/2009/12/desmitificando-lula-3.html

4 - http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/desmitificando-lula-4.html

5 - http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/desmitificando-lula-5.html

6 - http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/desmitificando-lula-6.html


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

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Haiti - Galeano

A maldição branca
por Admin última modificação 19/01/2010 12:44 Eduardo Galeano
Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo


19/01/2009

Eduardo Galeano

No primeiro dia deste ano a liberdade completou dois séculos de vida no mundo. Ninguém se inteirou disso, ou quase ninguém. Poucos dias depois, o país do aniversário, Haiti, passou a ocupar algum espaço nos meios de comunicação; não pelo aniversário da liberdade universal, mas porque ali se desatou um banho de sangue que acabou derrubando o presidente Aristide.

O Haiti foi o primeiro país onde se aboliu a escravidão. Contudo, as enciclopédias mais conhecidas e quase todos os livros de escola atribuem à Inglaterra essa histórica honra. É verdade que certo dia o império que fora campeão mundial do tráfico negreiro mudou de idéia; mas a abolição britânica ocorreu em 1807, três anos depois da revolução haitiana, e resultou tão pouco convincente que em 1832 a Inglaterra teve de voltar a proibir a escravidão.

Nada tem de novo o menosprezo pelo Haiti. Há dois séculos, sofre desprezo e castigo. Thomas Jefferson, prócer da liberdade e dono de escravos, advertia que o Haiti dava o mau exemplo, e dizia que se deveria “confinar a peste nessa ilha”. Seu país o ouviu. Os Estados Unidos demoraram 60 anos para reconhecer diplomaticamente a mais livre das nações. Por outro lado, no Brasil chamava-se de haitianismo a desordem e a violência. Os donos dos braços negros se salvaram do haitianismo até 1888. Nesse ano o Brasil aboliu a escravidão. Foi o último país do mundo a fazê-lo.

O Haiti voltou a ser um país invisível, até a próxima carnificina. Enquanto esteve nas TVs e nas páginas dos jornais, no início deste ano, os meios de comunicação transmitiram confusão e violência e confirmaram que os haitianos nasceram para fazer bem o mal e para fazer mal o bem. Desde a revolução até hoje, o Haiti só foi capaz de oferecer tragédias. Era uma colônia próspera e feliz e agora é a nação mais pobre do hemisfério ocidental. As revoluções, concluíram alguns especialistas, levam ao abismo. E alguns disseram, e outros sugeriram, que a tendência haitiana ao fratricídio provém da selvagem herança da África. O mandato dos ancestrais. A maldição negra, que empurra para o crime e o caos.

Da maldição branca não se falou.

A Revolução Francesa havia eliminado a escravidão, mas Napoleão a ressuscitara:
- Qual foi o regime mais próspero para as colônias?
- O anterior.
- Pois, que seja restabelecido.

E, para substituir a escravidão no Haiti, enviou mais de 50 navios cheios de soldados. Os negros rebelados venceram a França e conquistaram a independência nacional e a libertação dos escravos.

Em 1804, herdaram uma terra arrasada pelas devastadoras plantações de cana-de-açúcar e um país queimado pela guerra feroz. E herdaram “a dívida francesa”. A França cobrou caro a humilhação imposta a Napoleão Bonaparte. Recém-nascido, o Haiti teve de se comprometer a pagar uma indenização gigantesca, pelo prejuízo causado ao se libertar. Essa expiação do pecado da liberdade lhe custou 150 milhões de francos-ouro. O novo país nasceu estrangulado por essa corda presa no pescoço: uma fortuna que atualmente equivaleria a US$ 21,7 bilhões ou a 44 orçamentos totais do Haiti atualmente. Muito mais de um século demorou para pagar a dívida, que os juros multiplicavam. Em 1938, por fim, houve e redenção final.

Nessa época, o Haiti já pertencia aos brancos dos Estados Unidos.

Em troca dessa dinheirama, a França reconheceu oficialmente a nova nação. Nenhum outro país a reconheceu. O Haiti nasceu condenado à solidão. Tampouco Simon Bolívar a reconheceu, embora lhe devesse tudo. Barcos, armas e soldados lhe foram dados pelo Haiti em 1816, quando Bolívar chegou à ilha, derrotado, e pediu apoio e ajuda. O Haiti lhe deu tudo, com a única condição de que libertasse os escravos, uma idéia que até então não lhe havia ocorrido. Depois, o herói venceu sua guerra de independência e expressou sua gratidão enviando a Port-au-Prince uma espada de presente. Sobre reconhecimento, nem uma palavra.

Na realidade, as colônias espanholas que passaram a ser países independentes continuavam tendo escravos, embora algumas também tivessem leis que os proibia. Bolívar decretou a sua em 1821, mas, na realidade, não se deu por inteirada. Trinta anos depois, em 1851, a Colômbia aboliu a escravidão, e a Venezuela em 1854.

Em 1915, os fuzileiros navais desembarcaram no Haiti. Ficaram 19 anos. A primeira coisa que fizeram foi ocupar a alfândega e o escritório de arrecadação de impostos. O exército de ocupação reteve o salário do presidente haitiano até que este assinasse a liquidação do Banco da Nação, que se converteu em sucursal do City Bank de Nova York. O presidente e todos os demais negros tinham a entrada proibida nos hotéis, restaurantes e clubes exclusivos do poder estrangeiro. Os ocupantes não se atreveram a restabelecer a escravidão, mas impuseram o trabalho forçado para as obras públicas.

E mataram muito. Não foi fácil apagar os fogos da resistência. O chefe guerrilheiro Charlemagne Péralte, pregado em cruz contra uma porta, foi exibido, para escárnio, em praça pública.

A missão civilizadora terminou em 1934. Os ocupantes se retiraram deixando no país uma Guarda Nacional, fabricada por eles, para exterminar qualquer possível assomo de democracia. O mesmo fizeram na Nicarágua e na República Dominicana. Algum tempo depois, Duvalier foi o equivalente haitiano de Somoza e Trujillo.

E, assim, de ditadura em ditadura, de promessa em traição, foram somando-se as desventuras e os anos. Aristide, o cura rebelde, chegou à presidência em 1991. Durou poucos meses. O governo dos Estados Unidos ajudou a derrubá-lo, o levou, o submeteu a tratamento e, uma vez reciclado, o devolveu, nos braços dos fuzileiros navais, à Presidência. E novamente ajudou a derrubá-lo, neste ano de 2004, e outra vez houve matança. E de novo os fuzileiros, que sempre regressam, como a gripe.

Entretanto, os especialistas internacionais são muito mais devastadores do que as tropas invasoras. País submisso às ordens do Banco Mundial e do Fundo Monetário, o Haiti havia obedecido suas instruções sem pestanejar. Eles o pagaram negando-lhe o pão e o sal.

Teve seus créditos congelados, apesar de ter desmantelado o Estado e liquidado todas as tarifas alfandegárias e subsídios que protegiam a produção nacional. Os camponeses plantadores de arroz, que eram a maioria, se converteram em mendigos ou emigrantes em balsas. Muitos foram e continuam indo parar nas profundezas do Mar do Caribe, mas esses náufragos não são cubanos e raras vezes aparecem nos jornais.

Agora, o Haiti importa todo seu arroz dos Estados Unidos, onde os especialistas internacionais, que é um pessoal bastante distraído, se esquecem de proibir as tarifas alfandegárias e os subsídios que protegem a produção nacional.

Na fronteira onde termina a República Dominicana e começa o Haiti, há um cartaz que adverte: o mau passo.

Do outro lado está o inferno negro. Sangue e fome, miséria, pestes…

Nesse inferno tão temido, todos são escultores. Os haitianos têm o costume de recolher latas e ferro velho e, com antiga maestria, recortando e martelando, suas mãos criam maravilhas que são oferecidas nos mercados populares.

O Haiti é um país jogado no lixo, por eterno castigo à sua dignidade. Ali jaz, como se fosse sucata. Espera as mãos de sua gente. (IPS/Envolverde)

Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de "As Veias Abertas da América Latina" e "Memórias do Fogo"*

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Haiti

O legado dos amaldiçoados: uma breve história do Haiti

Por Antonio Lassance - Carta Maior - de Brasília


Ban-Ki-moon visita a cidade destruída
Sob os escombros de sua tragédia, o Haiti carrega o fardo de uma trajetória sabotada. Compreender historicamente como esta região foi sistematicamente arrasada é a única maneira de evitar que se pense, como fez o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que uma maldição se abateu sobre aquele país. Um breve panorama nos permite ver a injustiça contra um povo que tem um legado bendito para toda a América.
A região onde se encontra o Haiti viu, ao longo dos séculos, o massacre de sua população indígena, a escravização de negros trazidos pelo tráfico, a divisão artificial em domínios fabricados ao gosto do colonizador (espanhol e francês), sua separação definitiva em dois – Haiti, de um lado, República Dominicana, de outro –, as tentativas de reconquista colonialista, a permanente intervenção norteamericana e frequentes golpes de Estado, entre eles o que deu origem a uma das ditaduras mais abomináveis que se pode mencionar (de Papa Doc e Baby Doc, de 1957 a 1986).
Esta é a herança que antecipa a extrema dificuldade que haverá para por novamente de pé um país que teve frustradas suas tentativas de construção autônoma e democrática do Estado.
A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica. Trata-se de um legado muitas vezes esquecido, calcado em lutas tornadas inglórias. O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano.
A região onde hoje se localiza o Haiti e a República Dominicana compunha o complexo das Antilhas, que havia se tornado, no século XVIII, o principal concorrente do açúcar brasileiro. Celso Furtado, no clássico “Formação Econômica do Brasil”, mostrou o impacto que causou o açúcar antilhano, mais barato que o brasileiro, para a decadência daquele ciclo.
Ao final do século XVIII, ajudado pelo desenrolar da Revolução Francesa, a ilha (antes unificada sob o nome de Santo Domingo) foi sacudida pela revolta dos escravos. Confrontados com um povo que reclamava os próprios ideais proclamados pelos revolucionários, os franceses se viram obrigados a reconhecer o fim da escravidão. O fizeram como se fosse uma concessão, embora não houvesse outra opção. Para além da moral revolucionária, os franceses estavam diante de um levante de uma população negra organizada e armada para defender sua república. Enfrentá-la demandaria mobilizar forças que eram essenciais para defender a própria França da invasão estrangeira, patrocinada pelas demais monarquias européias, aliadas ao rei deposto (Luís XVI).
Ao criar uma área livre de escravos, Santo Domingo provocou um efeito importante sobre toda a América. Criou o medo de que sua revolução se espalhasse, mostrou que era possível sobreviver sem escravismo e que se podia confrontar e vencer Napoleão (que queria reconquistar aquele território e trazer de volta a escravidão). A Inglaterra, que vivera a experiência de intensas rebeliões de escravos na Jamaica, conjugou razões suficientes que a levaram a capitanear a luta contra o tráfico: o abolicionismo, o liberalismo e a geopolítica de contenção do domínio francês. Em 1815, o Congresso de Viena, que formalizou a derrota napoleônica, trouxe como uma de suas resoluções a da extinção do tráfico de escravos (mesmo que limitada ao norte do Equador).
Os haitianos foram parte importante do processo que transformou o trabalho assalariado em opção mais vantajosa de exploração do trabalho do que a escravidão. Tornaram a abolição não apenas uma questão moral, filosófica e retórica, mas um tema político de primeira grandeza.
O Haiti foi base de apoio a Bolívar em sua luta pela libertação da América espanhola e portuguesa. O país lhe emprestou soldados, armas e munição, com uma única condição: a de Bolívar libertar escravos onde quer que os encontrasse. A mesma generosidade o levou a apresentar-se como opção para receber negros libertos vindos do Sul dos EUA.
No século XIX, o país foi diretamente afetado pelas doutrinas que propugnavam a supremacia dos EUA sobre todo o continente: a doutrina Monroe (“a América para os americanos”) e a do “destino manifesto”. No século XX, tal política se desdobrou em prática de intervenção sistemática, sendo cunhada por Theodore Roosevelt como o “big stick” (“o grande porrete”).
A política colonialista européia e, depois, americana pesaram sobre o Haiti como uma sistemática sabotagem à estruturação de um Estado igualitário, soberano e capaz de servir como alavanca para o desenvolvimento de seu povo. É curiosa a tese de Samuel Huntington (“O Choque de Civilizações), reproduzida por alguns jornais, de que o Haiti isolou-se do resto do mundo. Infelizmente, ele não teve esta chance.
A falta de Estado explica, agora, a falta de estruturas minimamente preparadas para socorrer pessoas diante da atual tragédia. Consequência imediata: um país que, após o terremoto, tornou-se um retrato daquilo que Thomas Hobbes chamou de Estado de natureza: a luta de todos contra todos, pela sobrevivência imediata. Uma situação em que a vida se torna, mais uma vez citando o filósofo inglês, solitária, pobre, suja, brutal e breve.
Bendito seja o Haiti!
Antonio Lassance é cientista político, pesquisador do IPEA, professor do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e assessor da Presidência da República.