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sábado, 16 de janeiro de 2010

BRASILIA TEM JEITO!!!

BRASILIA TEM JEITO!!!

Luiz Aparecido*

Muita gente ainda esta atarantada com os acontecimentos que abalaram as estruturas da política de Brasília. O chamado “mensalão do DEM”, denunciado por gente do próprio governo Arruda, flagrou do governador a secretários de Estado e deputados distritais da base governista, recebendo dinheiro de propina pelas mãos de Durval Ferreira, então secretario de Relações Institucionais do governador Arruda. O escândalo mobilizou quem faz política a serio no Distrito Federal, o Ministério Publico, a OAB e entidades da sociedade civil e partidos oposicionistas.

Mas quem fez barulho mesmo e foi para a rua mobilizar o povo foi a juventude, principalmente as ligadas aos partidos de esquerda como PCdoB, parte do PT, Psol, PSTU, UNE, UJS e outras. A mobilização “Fora Aruda” arrefeceu um pouco com as festas de fim de ano, mas parece que voltam mais acirradas e organizadas agora. Considero que essas manifestações devem ser ampliadas e procurar envolver as massas que decidem, esclarecendo o povo pobre da periferia das cidades satélites, principal base popular de apoio governista. Sem este povo na luta não se vai a lugar nenhum, porque será uma minoria nas ruas gritando “Fora Aruda”, mas nas eleições que se aproximam, o “povão vai lá e vota no ex-governador Joaquim Roriz ou num candidato apoiado por Arruda.

O que fazer!

È preciso copiar milhões de vídeos/DVDs das imagens do escândalo, distribuir ao povo pobre das periferias e realizar mutirões de visitas a estes lugares para conversar com a população e explicar as causas do escândalo. Só uma mobilização massiva e permanente, pode criar as condições de se articular uma base política forte para derrotar essa corja de corruptos populistas que domina a cena política brasiliense há décadas. Não se pode esquecer, que a corrupção agora denunciada tem origem no governo Roriz e Arruda e seus aliados, são filhotes do mesmo ovo da serpente.

Não é hora para exclusivismo nem dogmatismo. Quem esta nas ruas protestando é que deve ser a base da aliança política que pode derrotar o populismo de Roriz/Arruda e seus asseclas. Ficara na mente do povo, exemplos vacilantes e covardes como do ex-ministro e ex-deputadoAgnelo Queiroz, que oportunisticamente deixou o PCdoB( onde construiu sua vida política) para ir para o PT, onde lhe prometeram a vaga de candidato a governador. Dois meses antes do escândalo vir a tona, ele já sabia de tudo, havia visto os vídeos mostrando a corrupção e ficou calado. Isto é grave e desqualifica numa figura que se dispõe a derrotar o esquemão que domina o Distrito Federal.

Somar forças e ir ao povo!

Se a mobilização continuar, se ampliar incluindo parcelas significativas das massas das periferias e ter a coragem de costurar alianças com quem esta na luta e escolher o nome certo, que una estas forças, é possível ganhar as eleições de outubro e construir um governo democrático e popular no Distrito Federal. Pode parecer loucura, mas acredito que possa daí surgir uma aliança pela base( que arrastara as cúpulas), envolvendo PCdoB, parcelas significativas do PT, gente do PDT e do PSB e principalmente, do Psol. PSTU e PV.

Só assim, o sistema montado há décadas no DF para iludir o povo, destruir o projeto arquitetônico/humanista e roubar dinheiro publico, poderá ser derrotado nas urnas. Projetos exclusivistas como o PT sempre quer montar com a cabeça, tronco e membros da chapa, aventuras individuais de partidos nanicos e sem base social, ou alianças de cúpulas dos partidos oposicionistas tendem a fracassar. A direita corrupta vai se unir e novamente enganando o povo pobre e carente das periferias, de novo ganhara as eleições.

Por isso é preciso desprendimento, clareza de objetivos e se inserir no seio do povão, para derrotar a corja populista e corrupta. E volto a sem medo de errar, indicar que há um político em Brasília capaz de derrotar o DEM e o demo. `E Orlando Carrielo, que já foi candidato a governador, é um homem de esquerda honesto e desprendido e pode, se não houver preconceito em nenhuma das forças envolvidas neste projeto de salvação do Distrito Federal, ganhar as eleições e expulsar de vez esta corja que domina o cenário político e de poder da capital do Pais. E se houver outro nome no seio da esquerda combativa de Brasília, capaz de desempenhar esta tarefa hercúlea, que apareça. A hora é agora.

Pode ser o nascimento de uma nova força política inserida no povo e com grandeza suficiente para acabar com o preconceito, que há tanto tempo internamente derrota a própria esquerda. Mas tem que mergulhar no seio das massas despossuidas, carentes e que se transformaram em reféns dos populistas de direita. Vamos construir esta aliança imbatível com quem esta hoje nas ruas combatendo Arruda e sua corja!

*Jornalista e Cientista Social - Ex Preso Político
Grande amigo




ODETE HOITMAN, MARLON BRANDO, TORTURADORES/TERRORISTAS – “BRASIL MOSTRA A TUA CARA” – VALE TUDO

ODETE HOITMAN, MARLON BRANDO, TORTURADORES/TERRORISTAS – “BRASIL MOSTRA A TUA CARA” – VALE TUDO


Laerte Braga


Sexta-feira, dia 15 de janeiro, no auditório da Caixa Econômica Federal, à rua Almirante Barroso, 25, centro da cidade do Rio de Janeiro, estava sendo exibido o documentário do cineasta Sílvio Tendler sobre o ex-deputado e militante revolucionário Carlos Marighella e haveria um debate sobre a COMISSÃO DA VERDADE, constante do PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS (vai revelar os documentos secretos da ditadura militar sobre tortura e óbvio, os nomes dos torturadores), quando uma ameaça de bomba no prédio fez com que o evento fosse encerrado e a Polícia chamada a uma “geral”.

Ao final de longa e deliberada verificação (a Polícia é cúmplice desse tipo de atividade, por ação ou omissão, mas é sempre cúmplice), constatou-se que não havia bomba alguma. O vereador Marcelo Santa Cruz, da cidade de Olinda, lembrou-se da bomba explodida por militares ao tempo da ditadura na sede da OAB do Rio de Janeiro e que matou a secretária Lídia Monteiro. O crime permanece impune até hoje e à época foi atribuído a forças que resistiam à barbárie militar.

O senador republicano Joe McCarthy, no final da década de 40 e início da década de 50, século passado, desfechou uma ação contra supostos comunistas nos EUA, chamados de traidores. Os estúdios de Hollywood foram virados de cabeça para baixo e centenas de roteiristas, diretores, atores e atrizes foram acusados de práticas “anti-norte-americanas, banidos do trabalho, dentre eles Charles Chaplin. Saiu do país para não ser preso.

A ação de McCarthy estendeu-se a todos os setores sociais dos Estados Unidos, gerou uma histeria coletiva e muitos cidadãos foram presos por delação movida por razões ou motivos pessoais. Vizinho chato? Com certeza comunista. McCarthy mandava intimar. Era parceiro de J. Edgard Hoover, diretor do FBI por décadas e especialista em chantagens. Grava os seus adversários e em qualquer situação adversa chantageava.

Em 1954, desmoralizado e beirando a loucura plena e absoluta, o inquisidor acabou sendo banido do Senado e demitido de um cargo que ocupava de embaixador pelo então presidente Eisenhower.

O esquema era simples. Quer criar uma situação que complique seu inimigo, seu adversário, alguém que tenha lhe desagradado? Pegue um capitão do exército brasileiro, um sargento, dê-lhes um carro com placa fria e coisa e tal, mande-os ao RIO CENTRO. Levarão uma bomba a um local onde estava ocorrendo um show de música e lógico, com músicos “esquerdistas”. Colocam a bomba, explode a bomba, morrem muitas pessoas e pronto. É o cenário ideal para que os boçais saiam dos quartéis e venham para as ruas garantir a pátria contra o “terrorismo”.

O diabo é que a bomba, por um defeito qualquer, explodiu no colo do sargento e caiu num outro colo, o da extrema-direita alucinada das forças armadas brasileiras, acabou tirando o fôlego para novas ações terroristas, aquele história de momento desfavorável.

O sargento morreu e o capitão salvou-se depois de muitas intervenções cirúrgicas, permaneceu na vida militar, o caso foi abafado, evidente e valeu ao jornal O PASQUIM uma de suas primeiras páginas mais jocosas, acima de tudo, das mais contundentes exibições de imprensa livre e digna contra a ditadura. Tratou da genitália do sargento, decepada pela bomba.

Em Bakersfield, a cem quilômetros de Los Angeles, o aeroporto foi fechado, evacuado e os vôos desviados. Francisco Ramirez, um jardineiro de 31 anos de idade estava com cinco garrafas de “gatorade” contendo um “líquido estranho”.

Preso, levado a interrogatório, já imagino o interrogatório padrão campo de Guantánamo, tudo porque os líquidos fizeram disparar o alarme do aeroporto.

FBI, cães farejadores de explosivos, corpo de bombeiros, uma força tarefa conjunta contra o “terrorismo”, a busca por cúmplice de Ramirez e dois agentes de segurança internados às pressas num hospital. Ao tentar abrir as garrafas, os frascos, sentiram náuseas.

Fim da neurose, os frascos continham mel. As análises comprovaram isso.

Deve ser duro viver num país com a missão divina de salvar o mundo e derrotar o “terrorismo”.

E um detalhe. Os agentes queriam que Ramirez os informasse se o mel que levava era de abelhas muçulmanas.

Um general torturador chamado Geraldo Almendra, desses que vomita “patriotismo” no conceito do pensador inglês Samuel Johnson – “o patriotismo é o último refúgio do canalha –, mandou uma carta a Lula descendo o bambu no presidente da República, acusando-o de comunista, de anarquista, de sindicalista desqualificado, de incitar o País à violência e ao ódio contra as forças armadas e vociferando e rugindo contra o Plano Nacional de Direitos Humanos que vai revelar os documentos da ditadura.

Tipo assim mostrar que ao tempo em que Almendra, Brilhante Ulstra, Romeu Tuma, Sérgio Paranhos Fleury, prendiam os tais “terroristas” que resistiam à ditadura norte-americana implantada no Brasil sob comando do general Vernon Whalters, disfarçada de defesa da “democracia” e escoimada no tal “patriotismo, as mulheres “terroristas”, para serem “libertadas” do demônio comunista, eram estupradas sistematicamente pelos bravos patriotas.

Exorcismo patriótico. Choque elétrico, pau de arara, estupro e por fim, morriam atropelados/as nas ruas de São Paulo. Os caminhões do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, entre outras empresas, pegavam os corpos nos quartéis da tortura e os deixava numa via pública. A família era informada do “atropelamento” e os corpos entregues em caixões lacrados. O doutor Harry Shibata, banido da medicina pelos órgãos específicos da categoria, dava os atestados de óbitos ao sabor das conveniências da ditadura e seus patriotas.

Registre-se que essas pessoas foram brutalizadas, torturadas e assassinados quando estavam indefesas, sem condições de lutar pela própria vida, na “bravura” dos Almendras da vida.  Medalha de “heróis da covardia”.

Não querem que a História do Brasil registre esse momento de canalhice e subserviência, de barbárie e terrorismo real dos militares que deram o golpe de 1964 a mando e a soldo dos EUA e das elites econômicas do País.

São patriotas, estão à margem da lei. Não percebem que cometeram crime de lesa humanidade, definidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Os filmes de Hollywood, os western principalmente, tinham uma lógica simples. Mocinho e bandido e no fim o clássico beijo do mocinha na mocinha. Essa sofria o filme inteiro até que John Wayne conseguisse eliminar os rancheiros (latifundiários) que roubavam terras e água (que nem Israel na Palestina) dos pequenos produtores.

De McCarthy para cá essa cultura simples de mocinho e bandido começou a mudar. Começaram a surgir filmes onde o bandido vencia e no final das contas, confundindo a cabeça do incauto espectador, afinal, quem era o bandido? O mocinho? Ou o bandido mesmo?

Hoje é regra geral o bandido vencer.

Chegou (óbvio ululante) a GLOBO e suas novelas. Odete Hoitman (acho que é isso), a mais célebre vilã das novelas. No final, o bandido representado pelo excelente ator Reginaldo Farias, foge com a grana do crime cometido e de dentro de avião, ao som da música de Cazuza, dá uma banana para toda a bela paisagem do Rio vista do alto, debaixo ou do meio.

Brasil, mostra a tua cara...” Tem cara de Almendra, de José Collor Serra, de FHC, de Yeda Crusius, de Nelson Jobim, de Reinold Stephanes, de Gilmar Mendes, de José Roberto Arruda...

Mas... O culpado é o Protógenes que cismou de prender o bandido. Ora como prender o bandido, Daniel Dantas, se a bandidagem está aí firme e forte espalhada como câncer por todo o tecido das instituições públicas? Do Estado?

A maior parte dos críticos considera que Marlon Brando foi o maior ator cinematográfico de todos os tempos. Se não foi, com certeza é um dos maiores. Ele, Roberto de Niro, Gene Hackman e outros evidentes. Os “blues eyes de Beth Davis”.  As fantásticas pernas de Marlene Dietrich. Carregavam e faziam andar o talento, a genialidade. Se fossem só pernas Cid Charisse terminaria empatada com La Dietrich.

Marlon Brando em 2 de maio de 1960 postou-se com milhares de pessoas e muitos deles atores, à frente do “açougue” de San Quentin, chamado penitenciária, para protestar contra a execução de Caryl Chessman na câmara de gás. Quinze anos após a sua condenação. Quando recebeu o “Oscar” mandou sua namorada índia ir buscar a estatueta, trazendo para o centro do espetáculo a causa indígena nos EUA.

E pouco antes de sua morte denunciou que os estúdios de Hollywood estavam fechados a atores como ele, pois eram controlados por grupos de judeus sionistas. Execrado pela mídia, podre como sempre, acabou se desculpando e custaram a perceber que a desculpa dizia respeito ao povo judeu e não aos judeus sionistas.

A “suposta” bomba durante a exibição do documentário de Tendler, a lembrança de Marighella, a ação terrorista dos militares golpistas de 1964, Operação Condor, OBAN, a reação dos militares ao Plano Nacional de Direitos Humanos, tudo isso e mais muitas coisas servem para mostrar que paira sobre o Brasil o mesmo perigo que pairava em 1964 até a consumação do golpe.

As elites não admitem que lhes seja tirado o modelo FIESP/DASLU.

O jogo em 2010 vai ser pesado e muito.

Já imagino quantas vezes Nelson Jobim vai aparecer de “general da banda” nesse enredo tétrico e que precisa ser mostrado para que se saiba que os boçais estão ainda com o porrete nas mãos e continuam boçais.

Quanto ao incauto cidadão, esse precisa aprender que aquele negócio de mocinho matando bandido e terminando com a mocinha é coisa do passado, saudosismo besta. E levar a sério aquele aviso que volta e meia aparece na telinha para que não se tente fazer o mesmo que o caçador de crocodilos ou de serpentes, pois ele é treinado para isso. Inclusive fazer o incauto cidadão de bocó.

No mais, todos atentos vem aí a primeira eliminação do Big Brother e para evitar maiores problemas a GLOBO dessa vez botou na casa uma PM (policial militar) que além de bater, diz que gosta de apanhar.

Está dando uma baita banana para o Brasil e os brasileiros.

Vem aí o general Almendra em seu alazão branco, ao lado do “general da banda” Nelson Jobim para nos “libertar” a todos dos males do anarco/comunismo/sindicalismo/terrorismo, tudo pago em dólares e em “patriotismo,” moeda dessa gente. Cunhada nos porões da tortura, dos estupros e assassinatos de presos políticos indefesos. Os que resistiam à boçalidade da ditadura no tal golpe de 1964.

Continuam aí. Deram um golpe em Honduras sob as bênçãos do cardeal, entraram em palácio carregando a imagem de Cristo, na canalhice típica da exploração barata e consentida da Igreja Católica.Têm 13 bases militares na Colômbia do narcotraficante Álvaro Uribe e agora brincam de presidente garçom com o branquelo Obama.

O Haiti, já dizia a música, é aqui. É toda a América Latina.   

          
      

A Mudança do Empresario Odebrech : é "amor" ou interesse?

Putzzzzzzzz Depois de ser ENQUADRADO por Correa e Evo, o empreiteiro corrupto Enquadra seus pares num chamamento absolutamente Consciente.
 
Ufaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa vendo esses RAROS exemplos, me animo: " A Esperança vence o Medo".
 
Será essa mudança fruto do enquadramento sofrido ou será que o empreiteiro tá de olhop nas alianças com o PAC2?
 
De qq forma, guarde aí o artigo, isso é HISTORIA, rs , e raridade. Olho nele.... nenhuma mudança acontece assim da noite pro dia.
 (comentários NT)

Publicado na Folha de São Paulo em 10/01/2010

A imprensa e o novo Brasil

por Emílio Odebrecht

No final do ano passado, a revista "The Economist" brindou-nos com uma matéria de capa cujo título era: "O Brasil decola". A reportagem chama nosso país de maior história de sucesso da América Latina. Lembra que fomos os últimos a entrar na crise de 2008 e os primeiros a sair e especula que possamos nos tornar a quinta potência econômica do globo dentro de 15 anos.

Não é apenas a revista inglesa que vem falando dos avanços aqui obtidos nos campos institucional, social e econômico nas últimas décadas. Somos hoje referência no mundo e um exemplo para os países em desenvolvimento, vistos como uma boa-nova que surge abaixo da linha do Equador.

Diante disto, me pergunto se a imprensa brasileira está em sintonia com a mundial - que aponta nossos defeitos, mas reconhece nossos méritos.

Tal dúvida me surge porque há um Brasil que dá certo e que aparece pouco nos meios de comunicação. Aparentemente, o destaque é sempre dado ao escândalo do dia.

Isso deixa a sensação de que não estamos conseguindo explicar aos brasileiros o que a imprensa internacional tem explicado aos europeus, norte-americanos e asiáticos.

Tornar públicas as mazelas é obrigação da imprensa em um país livre. Mas falar somente do que há de ruim na vida nacional, dia após dia, alimenta e realimenta a visão negativa que o brasileiro ainda tem de si.

Se as coisas por aqui caminham para um futuro mais promissor, é porque, em vários âmbitos, estamos fazendo o que é o certo.

Para líderes políticos, empresariais e sociais dos países que precisam encontrar o caminho do progresso, conhecer nossas experiências bem sucedidas pode ser o que buscam para desatar os nós que ainda os prendem na pobreza e no subdesenvolvimento.

O fato é que, ficando nos estreitos limites do senso comum, a sensação é de que a imprensa, de uma forma geral, considera o que é bem feito uma obrigação - não merecedor, portanto, de ocupar espaços editoriais, porque o que está no plano da normalidade não atrairia os leitores.

Ocorre que o que acontece aqui, hoje, repercute onde antes não imaginávamos. Por outro lado, há uma mudança cultural em curso na sociedade brasileira e a imprensa tem um papel preponderante nesse processo.

O protagonismo internacional do Brasil e nossa capacidade de criar novos paradigmas impõem que a boa notícia seja tão realçada quanto são os fatos que apontam para a necessidade absoluta de uma depuração de costumes que ainda persistem em nossas instituições.

Emílio Odebrecht, 63, engenheiro civil, empresário, presidente do Conselho de Administração da Odebrecht S.A., colunista da Folha de São Paulo.

Artigo enviado Por Sonia Montenegro ( amiga e companheira)
 
 

HAITI – SÉRIO DEMAIS PARA JOBIM BRINCAR DE GENERAL

HAITI – SÉRIO DEMAIS PARA JOBIM BRINCAR DE GENERAL


Laerte Braga


O jornalista Gilberto Scofield, do jornal THE GLOBE – no Brasil O GLOBO – em contato telefônico com o noticiário EM CIMA DA HORA, edição das 20 horas de quinta-feira, dia 14 de janeiro, disse, entre outras coisas, que não viu as forças “humanitárias” das Nações Unidas coordenando qualquer operação de resgate de vítimas, socorro a desabrigados, feridos, distribuição de alimentos, água, remédios, que o caos é absoluto.

E um detalhe. Segundo o jornalista as forças “humanitárias” estavam guardando propriedades privadas. Não de trabalhadores haitianos, mas de banqueiros, empresários, figuras do governo e latifundiários.

O ministro da Defesa – presidente B do Brasil – Nelson Jobim, desceu de um avião da FAB vestindo um uniforme de campanha. A única campanha que o ministro conhece é a eleitoral. A chegada de Jobim, uma figura repugnante, foi documentada pela TV BRASIL como se fosse a descida de um messias a um país atingido por mais uma tragédia e com centenas de milhares de pessoas entre mortos, feridos e milhões de desabrigados.

Jobim quer ser vice de alguém, ou quer ser, se chance tiver, um eventual candidato a presidente da República. Foi lá para se exibir, ser filmado e não fazer coisa alguma.

O Haiti tem cerca de nove milhões de habitantes, é dominado por potências estrangeiras desde sua descoberta, em 1492 por Cristóvão Colombo e já foi a mais próspera colônia francesa na América.

Marcado por lutas pela independência, que nunca aconteceu na prática, é tratado como quintal pelos norte-americanos. Desde a posse de Lula o Brasil participa com o mais numeroso contingente de soldados que formam as chamadas “forças humanitárias da ONU”. E tem o comando dessas forças.

Os motivos para essa atual força de ocupação foram os de sempre. “garantir a paz mundial” e assegurar a construção de uma “democracia”.

 A rigor não existem empresas haitianas, mas laranjas de companhias norte-americanas numa economia primária, onde os principais produtos de exportação são o açúcar, a manga, a banana, a batata doce e alguns poucos mais.

O projeto real de “reconstrução” do Haiti formulado no governo do presidente Bush implicava num centro têxtil com mão de obra barata – escrava – para concorrer com os produtos da indústria têxtil da China. O Brasil é parte desse projeto.

Na segunda metade da década de 50 do século passado o médico François Duvalier foi eleito presidente e instalou no país uma feroz ditadura, com apoio dos EUA (manteve intocados os privilégios de empresas daquele país) e governou até a sua morte em 1971, sendo substituído por seu filho Baby Doc. O pai ficou conhecido como Papa Doc.

Jean Claude Duvalier, o filho, ficou no poder de 1971 a 1986, quando foi deposto em conseqüência de revolta popular e interesses contrariados de militares haitianos. No regime de Papa e Baby Doc ficaram conhecidos os Tonton Macoutes (bichos papões), guarda pessoal dos dois ditadores e ligados ao culto Vudu.

É o país mais pobre das três Américas, um dos mais pobres do mundo e agora é hora dos show internacional humanitário.

O terremoto, evidente, ninguém pode evitar, escapa ao controle do homem, pelo menos por enquanto, mas a pobreza, a fome, as doenças, os altos índices de analfabetismo, toda a miséria poderia ter sido extirpada se as tais intervenções norte-americanas (agora de brasileiros também) tivessem de fato realizado aquilo a que se propunham e que era apenas o pano de fundo de um saque sistemático a um povo dilacerado em todos os sentidos, preservação de poderes e privilégios de elites econômicas estrangeiras.

Uma única guerra dessas que os EUA fazem a cada mês para “libertar” o mundo do “eixo do mal” daria, falo de recursos, para modificar a realidade haitiana.

Evo Morales e Hugo Chávez acabaram com o analfabetismo em seus países em menos de dois anos de programas sérios e vontade política. 

Mas não é esse o propósito nem dos EUA e nem dos militares brasileiros. As tropas do Brasil apenas garantem a “ordem”, a propriedade privada, enquanto fazem de sua presença naquele país uma espécie de laboratório para novos métodos de repressão e brutalidade.

É sintomático, não é por acaso isso não existe, a presença de uma figura repulsiva como o ministro Nelson Jobim vestido de “general” e brincando de socorrer milhões de pessoas que sempre foram tratadas como escravas, gado, ao sabor das conveniências de colonizadores, norte-americanos e agora brasileiros.

O sorriso do ministro ao ser filmado em seu desembarque, imaginando-se um general Patton chegando a Berlim, é um escárnio diante de tanta dor e sofrimento imposto a um povo inteiro em toda a sua história por figuras como Jobim.

Causa asco imaginar que integra o governo Lula. Um Gilmar Mendes com um pouco mais de erudição (Gilmar não tem nenhuma).

A perda de Zilda Arns é dolorosa e traz um grande prejuízo ao Brasil e ao mundo. Irmã do cardeal Paulo Evaristo Arns (resistente contra a ditadura militar) foi responsável pela Pastoral da Criança, surgida nos tempos da teologia da libertação.  Quando do governo FHC todos os recursos carreados pelo poder público federal ao grupo – Pastoral da Criança –, responsável entre outras coisas por acentuada queda nos índices de mortalidade infantil no Brasil, o eram via a mulher do ex-presidente, Rute Cardoso. FHC chegou a dizer publicamente que “A Zilda é uma chata com esse negócio de querer dinheiro para a Pastoral”.

O Haiti é sério demais para que um político desqualificado e sem caráter como Nelson Jobim fique brincando de general. Em seguida às informações do jornalista Gilberto Scofield para o noticiário EM CIMA DA HORA, inclusive de “venda” de sacos de água a cidadãos famintos e sedentos pelas ruas da capital Porto Príncipe, logo após o sorriso de Nelson Jobim, a notícia que sete mil corpos haviam sido enterrados em valas comuns.

E com destaque, o show de Obama, numa das salas da Cervejaria Casa Branca, ao lado de seu vice-presidente e “principais” assessores e secretários. O dinheiro gasto numa guerra para controlar o petróleo do Iraque teria transformado o Haiti num país menos miserável e dado condições ao povo haitiano de construir seu futuro em cima de estruturas políticas, econômicas e sociais dignas.

As tropas estão, no entanto, garantindo a propriedade privada.   

Jobim é o “general da banda”.

Pior que isso só o pastor Pat Robertson, republicano que disputou e perdeu as prévias – primárias – do seu partido. Disse na terça-feira, 12 de janeiro, que o Haiti é um “país amaldiçoado”, pois “fez um pacto com o diabo para se ver livre dos colonizadores franceses e o diabo aceitou”. Falou numa “propriedade privada”, sua rede de tevê. Nem William Bonner chegou a tanto, ficou só nas ranhuras das pistas do aeroporto de Congonhas.
 
Só falta o vereador Tico-Tico para "me ajuuuuudeeeem para que eu possa ajudaaaaar."

ITÁLIA JÁ SE CONFORMA COM A CONFIRMAÇÃO DO ASILO DE BATTISTI

Sábado, Janeiro 16, 2010

ITÁLIA JÁ SE CONFORMA COM A CONFIRMAÇÃO DO ASILO DE BATTISTI

A notícia da Folha de S. Paulo deste sábado (16) fala por si: Itália negocia condições da permanência da Battisti.

Os perseguidores do escritor já nem se preocupam mais em pressionar o governo brasileiro, pois sabem que será inútil. A decisão soberana que, em seu nome, o ministro da Justiça Tarso Genro tomou há um ano vai ser confirmada.

Agora, os italianos pedem apenas que a derrota não seja apresentada de forma humilhante para eles; e negociam com as nossas autoridades a melhor maneira de se dourar a pílula.

Eis os principais trechos da notícia de Eliana Cantanhêde:
"O governo italiano mandou um recado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: seria 'agressivo e deselegante' se ele acatasse a sugestão do Ministério da Justiça de fundamentar a não extradição do terrorista Cesare Battisti no temor de que ele ficaria sujeito a 'perseguição política' no seu país.

"Na avaliação italiana, isso seria mal visto pelo governo, pela Justiça e pela opinião pública da Itália...

"Sendo assim, a argumentação de Lula deverá evitar qualquer tipo de ataque ou suspeição sobre três aspectos: a lei, as instituições e o Estado Democrático italianos. Deve, portanto, se concentrar no interesse brasileiro e/ou em 'questões humanitárias'.

"Outro item que já vem negociado entre os governos dos dois países, para reduzir o impacto e os atritos com a não extradição de Battisti, é de ordem prática: o governo italiano pede que o anúncio oficial da decisão não seja feito de um mês antes até um mês depois da visita a Brasília do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, prevista para 18 de fevereiro.

"Isso joga o anúncio para a segunda quinzena de março e sinaliza a disposição de Lula de manter Battisti no Brasil. Se ele quisesse extraditá-lo, o melhor momento para dar 'a boa notícia' ao governo italiano seria imediatamente antes da viagem de Berlusconi ao Brasil.

"O objetivo da exigência, portanto, é evitar que a não extradição provoque constrangimentos em Berlusconi, que seria compelido a reagir e reclamar publicamente da posição de Lula, para atender às pressões de setores internos italianos que exigem a extradição".

A bêbada, o terrorista e o cafajeste

A bêbada, o terrorista e o cafajeste


O brasileiro incauto liga o rádio em mais uma estação de golpistas comediantes. Aí, o vetusto locutor de voz grave convoca a infanta do Jô para, mais uma vez, malhar o Presidente da República.

E a referida dispara:

Olha, lolito (?), eu eu, particularmente acho
uma coisa muito complicada.

Acho que o presidente cometeu um erro... pulítico,
no sentido de cor... de cometer monte di di
di di erros di di di

De criar um monte de empresas (?)
um monte de brigas...
nesse programa
agora, eu acho o seguinte...

Ah desse ponto de vista ixclusivo
das das ah ah ele num
das das dos Direitos Humanos
do ponto de vista dos Direitos Humanos

Eu vou dizer uma coisa a você...

O locutor tenta desesperadamente calar a ninfeta do Gordo. Diz que vai refazer o contato. E ela inventa a razão do nonsense discursivo:

É esse a... o telefone tá tá tá piscando, tá cortando a linha...
piscando.gif

Motivo? Mais nobre seria o consumo exagerado da “mardita”. Parece mais, no entanto, um curto-circuito neuroemocional, coisa de quem já não sabe como justificar o dinheirinho ganho para, diariamente, distorcer a verdade.

Vale lembrar que a sujeita se diz “cientista política”, mas desconhece o basicão da teoria marxista, ignora a natureza dos escritos de Adam Smith e pronuncia barbaridades, por exemplo, ao discorrer sobre o getulismo.

Certa vez, no programa de seu protetor, admitiu em tom jactante que obtivera seu diploma em Comunicação de forma pouco convencional. Ou seja, não estudou de verdade. Deu seu jeitinho gersônico para descolar a titulação.

De olhos bem abertos

Os profetas previram bombásticas revelações nos anos que antecederiam a catástrofe de 21 de Dezembro de 2012. Considerada a análise científica, o mundo provavelmente não vai acabar nesta data.

Muitas máscaras, porém, estão caindo. E almas sinistras, antes ocultas, vão sendo exibidas ao público.

Pois o ano virou sob o impacto das declarações do terrorista do CCC que se fingia de paladino da moral e dos bons costumes.

Flagrou-o um microfone do bem, subversivo, disposto a mostrar o lado sombrio do valentão-covarde que – revólver na cinta - passou boa parte da juventude perseguindo atores, agredindo estudantes e entregando nomes aos t-rex que torturavam e assassinavam os amantes da liberdade.

O ex-garotão alegrinho de Médici apresentou ao Brasil sua sincera opinião sobre dois humildes trabalhadores do setor de limpeza pública. Expôs ali, ironicamente, o odor repugnante do preconceito e da arrogância.


O homem melancia

Mas não para por aí... No Estadão oitentista, as moças jornalistas reclamavam do assédio descarado de um editor que dispensava desodorante. O “cara de melancia” usava de chantagem para conseguir alguns sorrisos e afagos das subordinadas.

Não lhe faltava coerência. Era esse tipo de troca ilícita que lhe garantia mimos da milicada e da parcela mafiosa do empresariado paulista.

Então, no 2010 ainda menino, reaparece o carudo para revelar seu desconhecimento acerca do Programa Nacional de Direitos Humanos e sugerir uma quartelada bananeira para derrubar o governo do metalúrgico. Parece que não vai dar certo. E, desta vez, não vai cair nenhum avião.

Pronto! Mais um cafajeste exposto e (des) classificado.
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O horror bandeirante

Vivemos, pois, um tempo de signos expostos. As elites mesquinhas e estúpidas, por exemplo, manifestam-se diariamente em episódios de inveja, ressentimento, ignorância, hipocrisia e incompetência. E, curiosamente, um símbolo as aglutina.

No Palácio dos Bandeirantes, reside um dublê de gestor que prima pela preguiça dorminhoca e a incompetência caduca. Foi diante deste prédio, aliás, que policiais guerrearam contra policiais, num exemplo assustador da periculosidade do desgoverno paulista.

Na Universidade Bandeirante, assistimos a uma tentativa de linchamento ao estilo medieval. Em seguida, vimos a condenação pública da vítima e a apologia do crime. Os bárbaros foram convertidos em defensores da moral e dos bons costumes.

Não fosse o alarme do marketing, a loura jamais receberia o “perdão” do reitor, antigo Sancho Pança de Paulo Maluf.

E, note-se, qual emissora de TV acolheu o terrorista do Mackenzie? Qual cerra fileiras, obsessivamente, em defesa dos coronéis ruralistas? Qual se estende em editoriais barrocos de golpismo explícito? Qual? A Bandeirantes!

Ora, essa gente esfolava, matava e escravizava índios. Essa gente mercenária foi contratada para destruir o sonho de justiça do Quilombo dos Palmares. Essa gente...

As cartas estão na mesa. Abertas. Só não vê quem não quer.

Mauro Carrara
 
Enviada por ESQUERDOPATA

O TERRORISMO DA DIREITA em evento de homenagem a Marighela no RIO

A DIREITA TERRORISTA :



Ontem (15/01) seria realizado um evento no Centro Cutural da Caixa, no Rio, em memória de Carlos Marighella, organizado pelo Grupo Tortura Nunca Mais RJ, porém uma ameaça de bomba fez com o prédio fosse evacuado.

A polícia esteve no local e nada encontrou, mas isso mostra que a direita reacionária não está tão aposentada e de pijamas assim.

Enviado por Mario Marsilac

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Forum Social Mundial Programação


DIA 26 DE JANEIRO
09h às 10h30
1º PANEL ABERTURA: A crise econômica mundial e os “problemas” atuais do Direito do
Trabalho

Tarso Genro – MJ • Cezar Brito – OAB • Ophir Cavalcante Junior – OAB • Márcio Pochmann – IPEA
• Luiz Salvador – ALAL – ABRAT • Paulo de Andrade Baltar – CESIT/IE • Beinusz Smukler – AAJ
• Márthius Sávio – JUTRA •Antônio Castro – AGETRA

10h45 às 12h15
2º PAINEL: Propostas para a regulação material e processual do trabalho: Comissão de
Alto Nível do Ministério da Justiça

Rogério Favreto e Roger Lorenzoni– MJ • Comissão de direitos individuais – representante
• Comissão de direito processual do trabalho – representante • Comissão de Direito Coletivo – representante

14h às 15h45
1º PAINEL: O mercado de trabalho brasileiro e suas implicações para pensar a regulação
social do trabalho – CESIT/IE
Prof. Dr. Anselmo L. Santos ou Prof. Dr. Paulo Eduardo Baltar; a crise e seus impactos na estruturação
do mercado de trabalho • Prof. Dr. José Dari Krein: a crise e seus nas relações capital/trabalho
• Prof. Dra. Magda Biavaschi: as transformações na economia e seus reflexos sobre o direito do
trabalho, com foco na terceirização

16h às 17h45
2º PAINEL : Precarização do Trabalho x trabalho decente e dignidade do trabalhador: saúde, acidente,
condições de trabalho – RET/IPEA. Palestrantes: Prof. Dr. Giovanni Alves • Dr. Daniel Pestana Mota
• Dr. Luiz Salvador • Prof. José Celso – IPEA

18h
DEPOIMENTOS – Os avanços na Legislação Social na Argentina: a questão da despedida imotivada:
Dr. Luís Ramires (Lucho); e, Perspectivas para uma legislação supra nacional inclusiva e libertária –
Lídia Guevara [Cuba].

DIA 27 DE JANEIRO
Pela Manhã – Painel organizado pelo Conselho Federal da OAB

9h às 10h30
1º PAINEL: Direitos Individuais
• Presidente: Claudio Lamachia • Relator: Maria Cristina Carrion Vidal de Oliveira • Palestrantes:
O Judiciário e as Mudanças do Direito e do Estado – Raimar Machado: Terceirizar, uma Polêmica
Permanente – Luiz Carlos Moro • Direito a Jurisdição e Jus Postulandi – Nilton Correia

10h45 às 12h15
2º PAINEL: Questões Sindicais
• Presidente: Clea Carpi da Rocha• Relator: Regina Adylles Guimarães • Palestrantes: Liberdade
e custeio sindical no Direito Internacional dos Direitos Humanos – A proteção pelo Sistema Interamericano
de Direitos Humanos e pela Organização Internacional do Trabalho – Roberto Caldas
• Antonio Castro: Autonomia Negocial, Valores e Limites • Márthius Sávio: Interditos Proibitórios
e Direito de Greve.

14h às 15h45
1º PAINEL: Painel organizado pela AAJ e pela União Nacional dos Juristas Cubanos
Responsáveis – as respectivas entidades • Tema – escolhido pelas respectivas entidades •Palestrantes
– indicados e custeados pelas respectivas entidades

16h às 17h45
2º PAINEL: Painel organizado pela JUTRA e OPINIO IURIS
Responsáveis – as respectivas entidades • Tema – definido pelas respectivas entidades
• Palestrantes
– indicados e custeados pelas respectivas entidades

18h
DEPOIMENTOS – dois depoimentos de convidados definidos pelas respectivas entidades

“Um tremor dessa magnitude no Japão não seria tão devastador”


ENTREVISTA – HAITI
“Um tremor dessa magnitude no Japão não seria tão devastador”
15 de janeiro de 2010

Por Maria Mello
Da Página do MST

Desde janeiro de 2009, a Brigada Internacionalista Dessalines – composta por quatro militantes brasileiros da Via Campesina - atua no Haiti com as organizações camponesas do país para contribuir com o desenvolvimento de agricultura no país, buscando saídas coletivas para o povo, por meio da solidariedade internacional. Lá, os militantes brasileiros atuam em quatro frentes de cooperação: produção de sementes, reflorestamento e produção de mudas, captação de água da chuva e escolas técnicas de nível médio.

José Luis Patrola, militante do MST e integrante da Brigada, está no Brasil desde dezembro e se preparava para voltar ao Haiti na próxima semana. Ele acredita que “o descaso social, acompanhado das precárias condições econômicas vividas pela população e de um Estado que verdadeiramente abandonou seu povo oferecem condições favoráveis para desastres como o ocorrido”.

Segundo ele, os problemas estruturais do país caribenho - que já eram graves - se agravaram enormemente com o terremoto, e avalia a possibilidade de retorno rápido da Brigada para oferecer solidariedade e articular medidas para a reconstrução das áreas atingidas. “No curto e no médio prazo, o problema alimentar afetará gravemente a população, e deveremos buscar formas de ajudar nesse aspecto. Acreditamos ainda que deveremos reforçar a presença de recursos humanos no Haiti, prestando a solidariedade e ajudando a reconstruir um país que há muito necessita da solidariedade internacional que deverá ser construída junto àquele povo”, afirma.

Leia a entrevista .

Qual é a proposta e as atividades de cooperação desenvolvidas pela brigada internacionalista Dessalines no Haiti até agora? Há quanto tempo?

A Brigada se instalou no Haiti em janeiro de 2009. Neste primeiro ano de trabalho, os quatro membros se dedicaram a andar o país em articulação com as organizações camponesas na perspectiva de instalar as bases para o programa de cooperação. Nesse período de diagnóstico da realidade haitiana identificamos quatro áreas de ação. Estas seriam trabalhadas neste ano de 2010. Entre elas se encontram a produção de sementes, reflorestamento, construção de cisternas e construção de uma escola técnica.

Existe uma expectativa muito grande de que o programa de cooperação possa ajudar as frágeis organizações camponesas do Haiti. Nossa brigada se relaciona com todas as organizações camponesas.

Quais as características do meio rural haitiano? Em que aspectos ele pode ser comparado ao Brasil?

O meio rural haitiano é muito pobre. A população pobre daquele país é mais pobre do que todos os países do continente. 65% da população habita o meio rural fazendo com que parcela importante da economia do país dependa da agricultura. No entanto, os camponeses, dentro de seu nível de pobreza, conformam o grupo social mais abandonado da população se localizando em zonas montanhosas e de difícil acesso. Alem de tudo, recursos disponibilizados abundantemente em quase todo o Brasil como água e energia elétrica são raridades no interior do país.

Os camponeses haitianos comercializam seus produtos em grandes feiras instaladas na zona rural e urbana. Ao mesmo tempo, sofrem as dificuldades da abertura comercial que inundou o país de gêneros alimentícios importados. Caso prossiga essa política os problemas dos camponeses que já são terríveis tendem a se agravarem ainda mais.

As consequências do terremoto podem ser consideradas um reflexo do descaso social e político com o povo haitiano? Se os riscos de terremoto sempre foram conhecidos, por que nenhuma providência foi tomada para evitar tantas mortes?

Terremotos ocorrem sem muita previsibilidade. A região onde o Haiti se encontra é suscetível a esses fenômenos. Seguramente, o descaso social, acompanhado das precárias condições econômicas vividas pela população e de um estado que verdadeiramente abandonou seu povo oferecem condições favoráveis para desastres como o ocorrido.

Assim que chegamos ao Haiti, constatamos a ausência de infra-estrutura e recursos básicos na maior cidade do país. Porto Príncipe, onde ocorreu o terremoto, possui em torno de dois milhões de habitantes e a absoluta maioria vive amontoada em bairros pobres. Um tremor dessa magnitude em Tóquio, no Japão, não seria tão devastador devido a preparação e as condições oferecidas pelo Estado à sua população.
Talvez agora, após a catástrofe anunciada, a comunidade internacional faça valer o quarto objetivo das Nações Unidas para aquele país: “formar o desenvolvimento institucional e econômico do Haiti”.

Como a Brigada pretende se mobilizar para ajudar na reconstrução do país e na solidariedade ao povo haitiano a partir de agora?

Após o terremoto, que surpreendeu a todos, teremos que reavaliar nossa estratégia para o médio e longo prazo já que o problema urbano se agravou. Existe, desde agora, um fluxo migratório da capital, afetada pelo tremor de terra, ao interior. Muitos problemas estruturais do Haiti já eram graves antes do terremoto. Agora a situação se agravou enormemente. No curto e no médio prazo, o problema alimentar afetará gravemente a população e deveremos buscar formas de ajudar nesse aspecto. Além disso, a falta de água potável é um grave problema no qual deveremos trabalhar. Ao mesmo tempo a população morre de enfermidades consideradas superadas em países desenvolvidos. Com os desastres naturais elas se agravarão e deveremos pensar com cuidado o aspecto da saúde do povo haitiano. Acreditamos ainda que deveremos reforçar a presença de recursos humanos no Haiti prestando a solidariedade e ajudando a reconstruir um país que há muito necessita da solidariedade internacional que deverá ser construída junto àquele povo.

Qual a proposta da Alba para o desenvolvimento do Haiti?

A Alba significa uma nova política de integração desde as necessidades dos povos. Acreditamos que é a partir desse marco que deveremos pensar o desenvolvimento estrutural do Haiti. As contribuições dentro da Alba já se notam por toda a parte naquele pobre país. Deveremos fortalecer ajudando a desenvolver uma integração justa e solidária.


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Igor Felippe Santos
Assessoria de Comunicação do MST
Secretaria Nacional - SP
Tel/fax: (11) 3361-3866
Correio - imprensa@mst.org.br
Página -  www.mst.org.br

ANISTIA SEM MEMÓRIA

Publicada em:13/01/2010

ANISTIA SEM MEMÓRIA - POR URARIANO MOTA

http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=4921

Recife (PE) - Este começo de 2010 trouxe pela imprensa uma feroz turbulência. Quando se julgava que tudo era paz, Os anos da ditadura militar voltaram à lembrança dos brasileiros. Isso porque o 3º. Programa Nacional dos Direitos Humanos ameaçou criar uma Comissão da Verdade, de verdade, para os crimes que a repressão política cometera. Absurdo. 25 anos depois do fim oficial da ditadura, esse é um programa tão avançado para o presente, que pretende responsabilizar criminosos por atos cometidos há 45 anos.

Não pode. Começam assim, disseram os alcançados pelas denúncias. Primeiro, as ideologias alienígenas mudaram “revolução de 31 de março” para “golpe de 31 de março”. Depois, de 31 de março foram para golpe de 1º. de abril. Depois, de patriotas nos fizeram golpistas. De golpistas querem dizer agora que somos criminosos. Nesse passo, vão pedir nossas cabeças. E reagiram, pelo ministro Nelson Jobim. Aquele, que adora exibir o garboso peito-de-pombo com verde-oliva, e com razão, porque não há soldado mais gordo e pomposo no Brasil. Então Nelson declarou, em glorioso off: “ou muda, ou eu e meus chefes militares...”. No que foi apoiado pelas armas de tevês e jornais assinalados.

Estes começo de 2010 seria uma ópera-bufa, se não houvesse tanto sangue e canalhice encobertos. Mas a sorte do Brasil, e da humanidade, é que em momentos assim crescem a resistência, os movimentos, fora dos jornais e da televisão. Em todo o Brasil, estudantes, intelectuais, militantes políticos, acordados, protestam contra o esquecimento da história. Manifestos rondam e assombram a reação contra o futuro, dentre os quais destaco trechos de um, assinado por judeus progressistas:

“No Brasil, não é de hoje que se tenta bloquear o acesso aos arquivos dos aparelhos de repressão. Mais do que isso: uma espécie de solidariedade corporativa cria obstáculos para esconder todos os detalhes operacionais daqueles aparelhos e fazer com que permaneçam desaparecidos corpos de suas vítimas.

O artigo 5º, inciso XLIII, da Constituição brasileira considera a prática da tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. O Brasil é signatário da Convenção de San José, de 1969, que declara a tortura crime contra a humanidade. Assim sendo, quando agentes do Estado torturam prisioneiros que estão sob sua responsabilidade, cometem crime que não pode ser perdoado por qualquer lei deste país”.


Enquanto escrevo, as últimas notícias querem dar a entender que o desentendimento entre militares e a área de direitos humanos em torno da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos foi resolvido, com um novo decreto assinado pelo presidente Lula que retira a expressão "repressão política" e mantém o termo "violação aos direitos humanos”.

Os jornais, revistas e televisão não veem nem querem ver o que se passa bem à sua frente. Agora mesmo, enquanto escrevo, ocorre uma sessão histórica da Anistia em Brasília. Nela, são julgados entre outros os processos de filhos de João Goulart, Brizola, Prestes, Bacuri e Soledad Barrett. Soledad, aquela que foi mulher do Cabo Anselmo. Aquela sobre a qual a advogada Mércia Albuquerque declarou para toda a eternidade:

“Soledad estava com os olhos muito abertos com expressão muito grande de terror, a boca estava entreaberta e o que mais me impressionou foi o sangue coagulado em grande quantidade que estava, eu tenho a impressão que ela foi morta e ficou algum tempo deitada e a trouxeram, e o sangue quando coagulou ficou preso nas pernas porque era uma quantidade grande e o feto estava lá nos pés dela, não posso saber como foi parar ali ou se foi ali mesmo no necrotério que ele caiu, que ele nasceu, naquele horror”.

Esses mortos da ditadura são imortais. Eles ainda rondam e metem medo.

o a Haiti - Como ajudar? 3 Modos de auxiliar e doar: Escolha uma: Seu pouco JUNTO com OUTROS poucos ajudarao MUITOS OUTROS

Esta e mais alguns milhões de haitiano dependem da nossa solidariedade
O Banco do Brasil abriu uma conta corrente especificamente para doações da população aos atingidos pelo terremoto ocorrido no dia 12/01/10, no Haiti. Os recursos recebidos serão administrados diretamente pela Embaixada do Haiti no Brasil.
Os dados da conta corrente, em nome de SOS Haiti, são (clique aqui se quiser confirmar no site do Banco do Brasil):
***
Embaixada da República do Haiti,
CNPJ: 04.170.237/0001-71
Agência: 1606-3
C/c 91.000-7
***

Os depósitos podem ser feitos de qualquer parte do Brasil e também do exterior.
Vamos ajudar doando o máximo possível e fazendo circular essa mensagem para que outros façam, também, suas máximas doações
Pessoas como essa da imagem acima aguardam atos de solidariedade humana da blogosfera, ou seja, de todos e todas nós
Se você ainda não está suficientemente sensibilizado, clique aqui e veja imagens da destruição após terremoto no Haiti
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SOLIDARIEDADE COM HAITI - AVAAZ e REDNOTIC - Para esses eu vou doar ao Haiti

ATUALIDADE HUMANÍSTICA
(RESENHA da Revista Pan-AmazônicaREDNOTIC em parceria com a OnG Social Mundial AVAAZ.ORG)
Solidariedade com o Haiti
Luis Morago - Avaaz.org para mim 20:07 (0 minutos atrás)
Caros amigos,
O pior terremoto dos últimos 200 anos atingiu o Haiti esta semana. A capital do país foi devastada, matando milhares de pessoas e ameaçando mais de 3 milhões neste país já desesperadamente pobre.
Os haitianos estão pedindo ajuda urgente ao mundo. Nós já estamos em contato com organizações locais que estão mobilizando esforços comunitários de alívio e resgate. Vamos apoiar estes grupos locais enviando uma onda de doações do mundo todo para apoiar o seu trabalho na linha de frente da tragédia. O dinheiro será usado agora para salvar vidas e, depois, para recuperar e reconstruir suas comunidades. A Avaaz irá trabalhar com parceiros para garantir que a ajuda chegue aos que mais precisam.

Clique abaixo para doar:
https://secure.avaaz.org/po/stand_with_haiti


Com base na opinião de especialistas das principais ONGs humanitárias que trabalham no Haiti há mais de 30 anos, nós vamos oferecer doações a organizações locais confiáveis, incluindo: Honra e Respeito por Bel Air - uma grande rede comunitária sediada na capital do Haiti, Porto Principe, que é também apoiada pela Viva RioCoordination Régionale des Organisations de Sud-Est (CROSE) - que reúne alguns dos grupos comunitários mais ativos no sul do Haiti, onde o terremoto foi mais forte. Esses grupos incluem: grupos de mulheres, escolas e redes de cooperativas locais. Em 2008, os membros da Avaaz doaram mais de US$ 2 milhões para monges birmaneses depois que o ciclone Nargis devastou a Birmânia. O nosso dinheiro fez uma diferença incrível, justamente porque ele foi enviado diretamente para a população local na linha de frente dos esforços humanitários.
Momentos de tragédias dolorosas podem despertar o melhor de nós, unindo as pessoas pela solidariedade. Vamos apoiar o povo do Haiti e ajudá-los a resgatar suas comunidades desta catástrofe brutal - aja agora no link abaixo:
https://secure.avaaz.org/po/stand_with_haiti
Com esperança pelo Haiti,
Luis, Paul, Graziela, Paula, Ricken, Pascal, Alice, Benjamin, Milena e toda a equipe Avaaz
Mais informações:
Catástrofe abala a frágil recuperação do Haiti: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5in3RF6P-Fziv1ft0EgFCoDEYO83A
Mortos por terremoto no Haiti podem ser dezenas de milhares: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE60D02I20100114
Haiti é país marcado por catástrofes: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/01/100113_haiti_tragedias_pu.shtml
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Gracias!

otra de la cruz roja USA (y no me interesan ni las corrupciones ni cualquier opinión acerca de la burocracia de las ayudas económicas, como tampoco alimentar morbos)

PARA DONACIONES

Visita la página www.cruzrojaamericana.org "International Response Fund" (Fondo de Ayuda Internacional) para obterner información de cómo hacer tu contribución
.A través de tu celular también podrás ayudar enviando la palabra "Haiti" al 90999 y $10.00 serán cargados a tu cuenta para el Fondo de Ayuda Internacional.En español 1 800 257 7575 1 800 257 7575 American Red cross International Response FundP.O. Box 37243Washington, D.C. 20013

Essa enviada por Hermano que confio: Salvador Ti

O torturador que diz não ter medo da verdade - Parte 1


Fernando Soares Campos - Editor-Assaz-Atroz-Chefe

Escrevi meu último artigo de 2009 exatamente no dia 31 de dezembro: "Reparação"- o vídeo que vem a ser a “preparação” de (in)consciências para o golpe que se anuncia. http://assazatroz.blogspot.com/2009/12/reparacao-o-video-que-vem-ser.html

Postei-o aqui no blog e, a partir de então, decidi tentar localizar o velho sargento Túlio, da Marinha de Guerra, uns 15 anos mais velho que eu, provavelmente reformado. Talvez já tivesse morrido, pois me lembro bem de que, quando o conheci a bordo do Submarino Bahia, o S12, no qual estive embarcado entre 1969 e 1971, o sargento Túlio era um inveterado tabagista, desses que acendem o cigarro com a brasa daquele que estava acabando de fumar.

“Se não largou o vício, deve estar ardendo num dos caldeirões das profundas”.

Mas esse pensamento não me tirou o ânimo de procurá-lo, preferi acreditar que estava vivo e que seria possível localizá-lo.

Telefonei para ex-colegas da Marinha, alguns ainda meus amigos, apesar de raramente fazer contato com eles. Nada. Ninguém tinha notícias do sargento Túlio. Nenhuma pista.

Já estava quase desistindo, quando encontrei o telefone de um ex-sargento reformado como suboficial. Liguei.

– Alô... – voz de mulher.
– Bom dia. Eu gostaria de falar com o Paulo...
– Com o Paulo?!

A mulher imprimiu um tom de surpresa tão acentuado que logo imaginei que havia errado a ligação.

– Sim, com o Paulo Damasceno, suboficial Damasceno. Não é da casa dele?!
– Sim, é... É da casa dele, sim, mas... quem gostaria de falar com ele?
– Meu nome é Fernando, Fernando Soares Campos. Eu servi com o Paulo no Submarino Bahia. Isso já faz muitos anos, claro. Mas nós nos encontramos tempos atrás em Madureira. Foi por acaso, numa fila de banco...
– E o senhor continuou mantendo contato com ele?
– Eu liguei uma vez pra ele... Já faz algum tempo...
– Sim, deve fazer mesmo!

De cara, desconfiei que o Paulo já tivesse batido as botas, mas não quis perguntar. Ela notou meu embaraço.

– É verdade, já faz uns três anos que não tenho notícias dele – arrisquei o período.
– Acho que bem mais!
– É?!
– Sim, bem mais! O Paulo morreu em 2001, então, no mínimo, faz uns oito anos, não é?

“Bem mais!”

Só tenho o telefone dele porque costumo guardar agendas antigas. Acho que nos encontramos em 93 ou 94. E a única vez que liguei para ele foi uma semana depois, desejando feliz Natal, boas festas e um novo ano abonado . Disso me lembro.

– A senhora não imagina como sou desligado! Às vezes eu penso que certas coisas aconteceram há muito tempo, quando nem faz tanto tempo assim. Outras vezes imagino que certas passagens ocorreram há bem pouco tempo, e na verdade já se passaram décadas...
– Entendo, eu também sou assim. Mas, no caso da morte do marido, a gente não esquece a data ou, pelo menos, o ano. Mas o que o senhor queria falar com ele? Posso saber?
– Sim, não há nenhum segredo, eu apenas gostaria de obter uma informação, se ele pudesse me dar, claro. Mas infelizmente o Paulo já não se encontra entre nós.
– Se eu puder ajudar...
– Acho que não... Quer dizer, creio que a senhora não teria a informação que pretendo obter. É sobre o paradeiro de um ex-colega de bordo.
– Conheço alguns deles, os que vinham aqui em casa.

Não custava arriscar.

– A senhora conheceu um sargento chamado Túlio?
– Túlio? Sargento? Huuummm... Não, não... Com esse nome, não. Pode até ser que tenha conhecido, mas com outro nome. Eles costumavam se tratar por apelidos.

Eu já estava agradecendo a atenção e me despedindo, quando ela me perguntou:

– O senhor conhece o tenente Sousa?
– Tenente Sousa? Não, não me lembro desse.
– Pois ele era sargento no tempo do Paulo e também serviu no Bahia.

“Sargento Sousa! Claro que conheci!”

A questão é que ela falou tenente, e eu não relacionei a pessoa com a patente.

– Sim! conheci o sargento Sousa. Estatura mediana, moreno claro. Um camarada muito brincalhão, tinha sempre uma boa piada pra contar. Se não me engano, era escriturário.
– É esse mesmo. Ele foi reformado como segundo-tenente.
– A senhora poderia me dar o telefone dele?

Silêncio na linha.

– Alô!
– Ah! o senhor me desculpe, mas eu não tenho autorização de fornecer o telefone dele. O senhor, que também é militar, sabe como são os militares, são todos assim... digamos... desconfiados, não é mesmo?

Não sou militar. Fiquei na Marinha apenas por seis anos. Dei baixa, não me reformei. Mas deixei que ela pensasse que ainda sou um deles, imaginei que isso poderia facilitar as coisas.

– É verdade! Mesmo não tendo nada a temer, nós nos acostumamos a desconfiar de tudo. A doutrina militar deixa a gente assim.
– Então, vamos fazer o seguinte: o senhor me dá seu telefone, eu ligo para o Sousa, explico que o senhor quer falar com ele, e ele liga para o senhor. Tá bem assim?
– Sem problema! Anote aí, por favor, dona...
– Marilane.
– Eu agradeço a sua atenção e disposição em me ajudar a encontrar antigos colegas de farda, dona Marilane.

Ela anotou. Agradeci, e nos despedimos.

No dia seguinte, por volta das três da tarde, o telefone chamou. Atendi. Um sujeito rouco perguntou por mim.

– É ele – respondi.
– Seu Fernando, aqui é um amigo do falecido suboficial Damasceno. A viúva dele me falou que o senhor gostaria de falar comigo.
– É o sargento Sousa?
– Tenente Sousa.
– Desculpe, eu me lembrava de você ainda como sargento e esqueci que a dona Marilane me falou que havia se reformado como tenente...
– Não tem problema, eu entendo.
– Tenente Sousa – acentuei a patente com um tom firme, muito apreciado pelos militares –, eu servi com você no Submarino Bahia. Cheguei a bordo em 69 e desembarquei em 71. Eu me lembro que você era o sargenteante, o homem que cuidava de muita coisa, mas principalmente do nosso soldo, acrescentava as horas de mergulho na nossa caderneta e, a partir daí, a gente passava a ganhar um pouco mais. Confere?
– Tem boa memória! Mas eu não me lembro de você. A Marilane me deu seu nome completo. Eu lidava com toda a tripulação, mas você sabe, faz muitos anos, e a gente acaba esquecendo, não dá pra lembrar de todos. Qual era seu posto?
– Eu trabalhava nas máquinas, era marinheiro do serviço de máquinas, sou do tempo do cabo Cleber, do Martins, do Edivan...

Súbito, o tenente Sousa me cortou:

– Peralá! não vá me dizer que você é aquele marinheiro que deu calote numa boate na zona de Santos, no dia da final da Copa de 70!

Eu preferia ser lembrado por alguma coisa mais relevante, ou mais honrosa. Em todo caso, fiquei satisfeito por ter sido lembrado por um feito qualquer, mesmo que nada edificante.

– Você também tem boa memória – com isso, confirmei que era o tal que ele acabara de se lembrar.

O tenente Sousa caiu na risada, gargalhadas dobradas. Tomou fôlego e falou:

– Rapaz, eu já contei essa história pros meus netos – continuava rindo, agora mais moderado –. Você estava na boate, os colegas iam chegando, você convidava pra mesa, mandava servir os drinques. Depois foi dançar com uma das garotas e sumiu – os risos novamente passaram a gargalhadas –. Na hora da dolorosa, o pessoal falou pro garçom: “Nós não temos nada com isso! Foi o marinheiro quem pediu as bebidas, aquele que estava com a loirinha. Cadê ele? Cobre lá dele?!” – e tome gargalhadas.

Eu mesmo contei o final da história. Falei que o garçom acabou me localizando a bordo, queixou-se ao oficial de plantão. Este adiantou o pagamento da conta com dinheiro do caixa de bordo e registrou a queixa no Livro de Contravenções Disciplinares, mais conhecido como Livro de Castigo. E foi ele mesmo, o sargento Sousa, quem me encaminhou para a audiência com o comandante. Fui punido com cinco dias de impedimento, que consiste em não poder ir para terra naquele período. Cumpri dois dias em Santos e três no Rio.

– Mas tem também aquele outro caso que acho que foi com você... – continuou o tenente Sousa.

Pelo visto, ele estava disposto a levantar todas as babaquices que cometi enquanto estive a bordo do Bahia. E não foram poucas. Eu nem perguntei “qual?”, pois poderia suscitar lembranças outras. Preferi dissimular com:

– É, acho que teve outro caso interessante.
– Rapaz! Esse outro caso foi muito engraçado. Foi em Recife. Você levou pra bordo aquelas garotas de um bordel da Rio Branco, apresentou uma delas como sua namorada e as outras como cunhadas, primas, amigas – o filho da mãe explodia de rir.

Só não desliguei o telefone porque precisava de informações sobre o paradeiro do sargento Túlio, e aquele seria, sem dúvida, o mais importante contato para chegar a ele. O cara havia exercido as funções de sargenteante, o homem que lidava com toda a tripulação, conhecia cada um de nós. Unidades maiores têm mais de um sargenteante, mas num submarino um só dá conta do serviço.

Continuou com as gozações:

– Dali em diante todo mundo tirava sarro contigo: “E aí, marujo, como é que tá a família da noiva?”, “Boy, ontem à noite estive lá na casa da tua sogra”. A sogra era a cafetina... – gargalhadas enchendo meu saco.

Mas foi naquele momento que tive a certeza da existência de Deus! Sim, Deus existe sim! Quem mais poderia me fazer lembrar de uma passagem muito engraçada na ilha da Martinica?

“Só pode ter sido um anjo que me soprou essa!”

– Sargento...
– Tenente.
– Ah! desculpe, esqueci. Tenente, você também conta pros seus netos aquele caso do sargento que, na Martinica, pegou uma garota no escurinho, em cima de uma ponte, encostou a vítima na balaustrada, transaram, e, quando ela foi embora, ele saiu assoviando, feliz, pelas ruas de Fort-de-France, sem entender nem ligar pra todos que olhavam pra ele e sorriam ou faziam gestos estranhos?

Silêncio. Pensei que a linha tivesse caído, até que o Sousa tossiu, falou alguma coisa para alguém bem próximo dele, pareceu cochichar; mas, apesar de eu não ter entendido o que falou, me pareceu que não tinha nada a ver com o que conversávamos.

– Desculpe aí, meu caro Fernando... É Fernando, não é?
– Sim.
– Ah! você se lembra daquele caso na Martinica? Pois é, rapaz, nem eu mesmo me lembrava daquilo – interrompeu e novamente falou alguma coisa com alguém; retomou a conversa informando: – É o meu filho que está com um problema no carro. Mas, sim, a Marilane me passou o seu telefone, mas não soube dizer o que você está querendo falar comigo.

Claro que o tenente Sousa não estava mais interessado em minhas trapalhadas nos portos. Menos ainda em falar do sargento Sousa, que transou com uma garota no escuro, apenas com o zíper aberto, sem nem mesmo arriar um pouco as calças, e somente quando chegava a bordo notou a mancha de sangue na barguilha. Até Chiquita Bacana deve ter rido dele naquela noite, distraído pelas ruas da capital da colônia francesa.

Não voltaria a curtir com a minha cara.

– Estou tentando encontrar um sargento do nosso tempo no submarino.
– Sargento é mais fácil de lembrar, pois eu também era sargento. Quem você tá procurando?
– É o sargento Túlio. Acho que ele era telegrafista.

Ficou mudo. Mais alguns segundos e o telefone deu sinal de ligação encerrada.

“O filho da mãe desligou!”

Se a ligação tivesse caído por problemas na linha, o sinal teria sido imediato, mas aquele silêncio que precedeu o sinal de encerramento da conexão indicava que ele pensou um pouco antes de desligar.

“Assustou-se?”

Por que achei que ele se assustou? Porque o sargento Túlio era um conhecido agente do Cenimar. Todo mundo sabia disso. Mas, se ele se assustou por isso, então, no meu entender, deu bandeira. Talvez o sargento, agora tenente, Sousa tivesse sido um dos poucos “secretas” do Cenimar que conseguiam esconder a identidade. Sim, porque a maior parte dos alcaguetas plantados a bordo depois do golpe de 64, vigiando cada gesto e palavra do pessoal subalterno, fazia questão de exibir seus estreitos relacionamentos com o oficialato. Só faltavam vestir camisetas com a inscrição: “Agente Somos do Cenimar”.

Mas talvez ele apenas não quisesse se envolver falando desse tipo de indivíduo, principalmente agora, quando a questão dos crimes cometidos nos porões da ditadura estão sendo questionados, e os torturadores ligaram as antenas, firaram apreensivos. Mas de uma coisa tive certeza: o sargento Túlio está vivo, e o tenente Sousa sabe de seu paradeiro. Tudo indica que tem algum relacionamento com ele.

Fui à cozinha tomar um pouco d’água. Voltei para a sala, me sentei à mesa, onde dispunha de papel e esferográfica. Rascunhei os quatro primeiros parágrafos destes relatos. Fiquei por algum tempo pensando na atitude do tenente Sousa. Estava convicto de que ele bateu o telefone na minha cara. Não foi a linha que caiu.

* * *

O sargento Túlio desembarcou do submarino alguns meses antes de eu ter sido transferido para o CAM – Centro de Armamento da Marinha –, em Niterói, a fim de fazer o curso de especialização. Metalurgia.

Correu o boato de que ele teria sido transferido para um departamento do Primeiro Distrito Naval, com o propósito de atuar junto aos agentes “mão na massa”. Isso quem me contou foi o cabo Valney.

Certo dia, estávamos ocupados com a manutenção de um dos velhos motores Fairbanks Morse. Eu limpava algumas peças mergulhadas num balde com nafta. O cabo Valney usava uma chave especial para apertar e calibrar válvulas. Sem mais nem menos, Valney me disse: “Túlio foi pra Holllywood”. Nessa eu voei, não entendi patavina. “Tu num sabe o que é isso, não, boy?”

Eu estava pouco interessado em saber da vida dos secretas, pois minha vida se resumia em pegar o pagamento no final do mês e torrá-lo nos inferninhos da Praça Mauá, Copacabana ou nas zonas portuárias onde atracávamos. Também não perdia os melhores bailes nos clubes suburbanos. Se o anúncio informava que Lafayette estaria animando baile em Irajá, Campo Grande, Ilha do Governador ou em qualquer outro canto da cidade, então, qualquer pessoa já sabia onde poderia me encontrar naquele dia e hora.

Não gostava das festas na Casa do Marinheiro. Só ia lá quando uma namorada insistia muito. Aí, sim, era a namorada de verdade, acompanhada das irmãs, primas e amigas. Mas, quando me pediam para conhecer o submarino, eu dava um jeito de sair fora. Dizia que as visitações estavam suspensas, inventava um motivo qualquer, por mais esdrúxulo que fosse: “Deu uma praga de barata a bordo, e o comandante suspendeu a visitação”. Essa era infalível, nunca me perguntaram se as baratas já haviam sido exterminadas. Depois daquela bobeira que aprontei no Recife, eu jamais levaria uma namorada de verdade para conhecer as instalações do submarino.

“Acorda, marujo!”

O cabo Valney notou que eu estava desligado, distante. “Ir pra Hollywood é quando o secreta passa a trabalhar direto nas ações de campo. Virou 007. Sacou?”

Achei a expressão meio boba; mas, já que ele insistia em me esclarecer, tudo bem, falei que entendi. Valney também me contou que havia visto o sargento Túlio e uns fuzileiros escoltando prisioneiros numa lancha que vinha da Ilha das Flores e atracou no cais do Arsenal. Deveriam estar sendo encaminhados para a Auditoria Militar.

* * *

Já passava das seis da tarde. Juntei os rascunhos espalhados sobre a mesa (aproveito cadernos usados dos meus filhos, arranco folhas em branco ou meio rabiscadas, faço uma bagunça com as anotações, de tal forma que só consigo juntar o quebra-cabeça porque numero tudo). Coloquei as folhas dentro do caderno e guardei numa gaveta da estante da sala.

Tomei banho, troquei de roupa e fui ao supermercado aqui próximo do condomínio em que moro. Fiz pequenas compras e voltei apreciando o maciço da Tijuca. Já era noite. O clarão da cidade do outro lado da montanha contrasta com a escuridão do bloco e delineia suas curvas. Com o céu limpo, fica bonito, mas prefiro a paisagem de dia, com uma névoa pairando sobre o pico da montanha. Moro na faixa do Itanhangá, no sopé do maciço da Tijuca.

Naquela mesma noite, aproveitei para fazer postagens de textos dos colaboradores da nossa Agência Assaz Atroz. Não conseguia me concentrar na elaboração de uma charge ilustrativa. Geralmente acesso publicações internacionais, principalmente o New York Times, visualizo uma série de cartoons, copio o que mais se aproxima da idéia que quero retratar, apago o que não me interessa, retoco personagens e construo nova mensagem. É o que passamos a chamar de AIPC – Atrocius International Piracy of Cartoons –. Daquela vez acabei fazendo uma charge que não me agradou muito. Mesmo assim, postei.

* * *

Dez da manhã. Como sempre acontece, me acordo quando não tem mais ninguém em casa. Estou só. Depois da higiene pessoal, tomo um café puro e saiu para uma pequena caminhada pelas margens da floresta. Se não fosse o barulho de carro, ônibus ou moto que passa de vez em quando, o passeio seria mais interessante, mais prazeroso ouvir o canto da passarada e ver os sagüis atravessarem a pista correndo, vão para os condomínios onde as pessoas costuma deixar algumas frutas nos terraços. Se não deixarem, eles invadem as casas e furtam o que puderem.

Também surrupio alguma coisa, geralmente charutos de despacho. Não preciso disso, pois até que não estou tão mal financeiramente, mas de vez em quando pego um charuto ao lado de flores e de um alguidar cheio de farofa, acendo e dou umas baforadas. Só evito fazer isso quando tem animal sacrificado.

Outro dia parei no meio do círculo traçado em volta de um despacho. Fiquei ali sem saber por quê. Tive a estranha sensação de que alguém estava me observando, apesar de que, no ponto em que eu estava, não havia nenhuma residência por perto. Mas havia sim alguém me observando, era um gavião pousado num galho da copa de uma árvore. O olhar do rapineiro me deu a impressão de que ele estava censurando a minha invasão do espaço consagrado, era como se estivesse exigindo que eu saísse dali. Teimei em ficar, encarei o bicho. Mas, não demorou muito, passou um carro e me deu um banho com a água lamacenta empoçada na beira da estrada. Chuá! Olhei pro gavião. Ele ria. Juro!

Voltei pra casa. Depois do banho e do café do meio-dia, me reanimei ouvindo Ode à Alegria, a sinfonia n° 9 de Beethoven.

Voltei a rascunhar este texto, mesmo sem ter certeza de concluí-lo, pois, se não encontrasse o sargento Túlio, não alcançaria meu principal objetivo, que seria tentar arrancar dele algumas informações sobre sua própria atuação no Cenimar, o mais eficiente órgão de informação militar a serviço da “Redentora”.

Liguei novamente para dona Marilane, a viúva do suboficial Damasceno. Ela atendeu, mas, quando me identifiquei, notei considerável diferença em relação ao tratamento que ela me dispensou da primeira vez. Frieza. Indisposição. Nem arrisquei pedir a ela que falasse com o tenente Sousa pedindo para ele me ligar novamente. Apenas contei que “a ligação caiu e ele não voltou a ligar”. Ela fez muxoxo, deixando claro que aquele assunto já não lhe interessava. Desculpou-se dizendo que estava de saída. Desligou.

Consultei as velhas agendas, não havia mais a quem recorrer. Estava decidido a ir ao Primeiro Distrito Naval, mesmo sabendo que seria muito difícil obter alguma informação. Precisaria de concretas justificativas para que me informassem o endereço ou mesmo o telefone de um militar reformado. Mas sabia que, em se tratando de um elemento que supostamente teve participação direta nas atividades do Cenimar durante os anos de chumbo, não me diriam nem se o cara estava vivo ou não.

“Melhor desistir. Vou perder tempo e posso até criar maiores dificuldades de chegar a ele.”

Eu acreditava que o sargento Túlio ainda vivia. A atitude do tenente Sousa me fez ter a certeza disso. O tratamento da dona Marilane na segunda ligação também reforçou a minha convicção. Sousa deve tê-la aconselhado a não falar mais nada comigo.

Mas não sou investigador profissional, não posso sair por aí procurando pessoas desaparecidas. E aquilo poderia esperar, não havia necessidade de apressar as coisas, tudo nos chega no momento certo. Acredito nisso. Além do mais, tenho outros afazeres.

Dois dias depois, eu ainda não conseguia esquecer o sargento Túlio, tudo por causa das notícias sobre a tal crise política gerada pelo Programa Nacional dos Direitos Humanos, o PNDH 3.

Há quem acredite que, se o Programa virar lei, vamos assistir aos julgamentos dos figurões que comandaram os centros de tortura. Podem esquecer essa coisa. No Brasil só quem vai pra cadeia é pobre, ou rico que nasceu em manjedoura, enriqueceu ilicitamente (fui redundante?), tentou passar a perna em raposa política e acabou enquadrado em crime que tenha provocado comoção nacional orquestrada pela mídia.

Se o sujeito tiver pedidree, não vai.

Se hoje ocorresse um golpe militar no Brasil, e daqui a 40 anos estivéssemos apurando os crimes da repressão, aí sim, poderíamos colocar alguns oficiais de alta patente no banco dos réus, porque grande parte dos oficiais de hoje são filhos de militares do quadro subalterno, é gente que tem origem na classe média baixa. Esses podem hoje assumir postos de comando, mas seus pais, mesmo que alguns tenham alcançado posto de oficial, não podiam comandar nada, a não ser grupos de recrutas fazendo ordem unida.

Em 64, eram raros os oficiais que não fossem “herdeiros de altas patentes”. Do almirante ao guarda-marinha se podia identificar os laços de sangue do avô ou bisavô ao neto ou bisneto.

No decorrer do período ditatorial, muitos filhos e netos do generalato perderam o estímulo pela carreira militar. Foi aí que os sargentos e oficiais cascas-grossas começaram a preparar seus filhos e os fizeram ingressar nas academias militares. Por isso temos hoje coronéis-aviadores, capitães-de-fragata e outros mais ou menos graduados, nascidos e criados nas casinhas mais chinfrins das vilas militares.

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Semana que vem eu volto para contar mais. Não perca os emocionantes momentos em que neguei que eu seria eu mesmo.

Eu estava saindo ali no portão, um sujeito mal encarado, em pé ao lado de um carro, tendo outro ainda mais feio ao volante, me perguntou:

– O senhor é o jornalista Fernando Soares?

Fernando Soares eu sou, mas como não sou jornalista neguei tudo:

– Jornalista Fernando Soares?! Ah, meu Deus! vou acabar odiando aquele cara. Já passei por situações difíceis porque me acham parecido com aquele maluco! – e fui andando.
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