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sábado, 9 de janeiro de 2010

Anna Karenina é assim desde menina


Anna Karenina * * * * *

que Deus em sua infinita misericórdia dê paz aos parentes enlutados da chacina de SAO SEBASTIÃO DO PASSÉ, Ba
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a serra distante cobre a bola carmim
em um crepúsculo estonteante
os gritos de dor e terror
foram ensurdecidos pelo vento
somos um povo da terra das mil maravilhas
mas também das mil maracutaias
nada aqui se é descoberto a tempo
nem crimes e seus derivados
a primeira chacina de 2010 levou a vida de quatro pessoas, quatro irmãos brasileiros
inclusive uma adolescente que apenas começava a viver
e um jovem cheio de sonhos
um casal que esperava ver seus netos crescerem
se é que os tinham
mas aí fica a pergunta...será que vai ficar assim?
a Bahia virou terra das chacinas
e não se vê justiça
quatro pessoas foram brutalmente exterminadas sem dó nem piedade
quem serão as próximas vítimas?
seria preciso uma chacina na alta corte pra que as autoridades acordem?
a polícia trabalha em hipóteses
e dependendo das hipóteses
será mais um crime hediondo
nas páginas da história de um país
que todos dizem que
...o Brasil é um pais hospitaleiro...
não há hospitalidade
onde há violência
que se faça justiça e se trabalhe no intuito de evitar mais chacinas
principalmente na Bahia
pois já passou da conta
e hoje pais enlutados choram a morte da filha
e dois pais não choraram a morte do filho porque morreram no crime também
assim como o filho não chorou a morte dos pais porque perdeu-se também nesse terror macabro
breve as famílias vão ter de ser enterradas sem ter quem os chorem porque todos foram brutalmente assassinados

que Deus em sua infinita misericórdia
dê paz aos parentes enlutados
da chacina de
São Sebastião do Passé,Ba



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Anna Karenina, amiga deste Editor-Assaz-Atroz-Chefe, é uma das poucas pessoas que conseguem amaciar este coração osso-duro-de-roer, pela sofisticada simplicidade em sua maneira de dizer as coisas. Quer ler aquilo que somente meninas de zero a sessenta anos sabem dizer? Acesse a página da Anna...

http://depressaoepoesia.ning.com/profile/ANNAKARENINA?xg_source=msg_share_post

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A gente não se despede de Mário Benedetti

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Urda Alice Klueger
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Ele já estava com mais de trinta anos quando eu nasci, mas só fui conhecê-lo em idade adulta. Um ser como ele, único na sua espécie, decerto já andava a espargir o seu pó de pirlimpimpim por sobre sangues, lutas e esperanças lá na altura em que eu nasci, mas muito tempo passou para eu tomar contato com a sua magia – fui criança, fui adolescente, fui jovem, tornei-me madura (será que algum dia a gente, realmente, amadurece?) sem me dar conta que ali, do outro lado da fronteira (fronteiras, pois também viveu como exilado. Como alguém com a espantosa grandeza d’alma que ele tinha não andar exilado em plena Operação Condor, quando os que nos dirigiam eram títeres formatados por algo nefando como a Escola das Américas[1]?) havia aquele homem que era pura luz, e que como nenhum outro até então soube contar e cantar esta nossa América na limpidez lúcida e corajosa dos seus versos ímpares.

Mário Benedetti entrou na minha vida através de um poema de amor que era cheio de erotirmo, e fiquei curiosa com aquele poeta que me chegava do Uruguai (embora os tantos exílios), e tão curiosa fiquei que quis saber mais, e fui mergulhando na sua produção, na sua longa obra de tão longos anos, até o dia em que me deparei com aquele poema único dos únicos: “Te quiero”:

“(...)
Tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada;
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro.

Tu boca que es tuya e mia
tu boca no se equivoca
te quiero por que tu boca
sabe gritar rebeldia.

Se te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo.
Y en la calle codo a codo
somos muchos más que dos.
(...)” [2]

Céus, aquilo era o meu sonho de vida! “...Em la calle codo a codo somos muchos más que dos.” Calou-me tão fundo à alma que fiquei a pensar se haveria para mim este parceiro que me completaria tão completamente, tão completamente... Sonha-se; assim é a vida, e ninguém como Mário Benedetti para nos atirar para dentro do mundo diáfano, colorido e real dos sonhos – depois de se ler um poema assim, a gente passa a ver que tudo é possível. Tomei-me de tal carinho por “Te quiero” que como que o afivelei com toda a força ao meu coração sempre tão solitário, e ele era como um arrimo para a minha solidão, enquanto descobria mais e mais pérolas desse uruguaio único que era capaz de desestabilizar ditadura cruéis com a força da sua palavra, a ponto de estar tendo sempre que ir trocando de país por onde o Condor voava...

A gente querendo ou não, a vida vai passando e muitas coisas vão acontecendo. Em maio de 2009 eu estava convidada para um evento cultural no Mestrado em Letras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai – URI -na cidade de Frederico Westphalen/RS, grande evento internacional, que reunia gente da área de Letras de mais de um país. Lá estavam três uruguaios convidados: o escritor Ignacio Martinez, Mariel Cardozo e Graciela Veiga. Foram dias e noites maravilhosas, onde desfrutamos de inúmeras atividades culturais naquele cursos de Letras que me pareceu, também, único – nunca vi outro com tal qualidade e garra pelos lugares onde até hoje andei – e onde professores e convidados fazíamos as refeições juntos em lindos restaurantes, refeições que acabavam se transformando em tertúlias, e numa dessas noites, à hora da sobremesa, os uruguaios passaram a declamar poemas de sua terra, notadamente de Mário Benedetti, e eu pedi: “Ah, por favor, por favor, declamem Te quiero, aquele que diz: Y en la calle codo a codo somos muchos más que dos!".

Muito vã a minha ênfase! Se eu cá de outro país, de outra língua, sabia tanto do poema para dizer seu nome e aquele pedacinho fascinante, o que esperar de legítimos uruguaios? Então houve o momento mágico: nuestros hermanos passaram imediatamente para o poema, mas não se limitaram a declamá-lo: no Uruguai, ele é música! Ignácio Martinez tomou de um violão, e pela primeira vez na vida eu ouvia, transformados em canção, aqueles versos únicos:

“(...)Te quiero em mi paraíso;
es decir, que em mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permisso (...)” [3]

Aquele foi um dos momentos pelos quais vale a pena viver! Emocionadíssima, coração aos saltos, lágrimas nos olhos, eu esperei o final daquela canção fascinante e então assegurei aos irmãos uruguaios: “Se Mário Benedetti morrer antes que eu, não importa se daqui a um ou a vinte anos, eu vou fazer uma crônica de despedida a ele relembrando este momento ímpar aqui em Frederico Westphalen, na companhia de vocês!”.

Um dia ou dois depois voltei para minha casa – e no terceiro dia depois daquela noite, Mário Benedetti morreu, aos 89 anos. Gastara até o fim a sua vida usando a palavra como carícia e como arma contundente, e deixou para a humanidade um legado que dificilmente poderá ser suplantado. Eu fiquei com aquilo engolido na minha alma como se tivesse um espinho a atravessá-la, e só agora, mais de sete meses depois, é que me sento para fazer a despedida prometida lá em Frederico Westphalen.

Só que não é despedida, porém. Lá do outro lado da vida, Mário Benedetti não nos abandona. Faz um dia ou dois que ele, de repente, reaparece na telinha do meu computador, trazendo toda a esperança e a inquietação que sempre causou ao longo da sua vida:

“Que passaria se un dia
Despertarmos dandonos
Cuenta de que somos mayoría?
(...)
Que passaria?”[4]

Ah! Mestre, Mestre, não há como despedir-me de ti! És como nosso alter ego, nossa consciência mais profunda, nossa esperança mais certa, nossa sensibilidade mais aflorada! Que acontecerá quando na rua, lado a lado, formos muito mais que dois? Ai, Mestre, como me atinges profundamente o coração!

Blumenau, 06 de janeiro de 2010 – Dia de Reis


Urda Alice Klueger
Escritora.

Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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[1] A Escola das Américas, instituição estadunidense que funcionou desde 1946 no Panamá, formando torturadores e outros sádicos para dominarem a América dita Latina, atualmente está funcionando no Fort Benning, estado da Geórgia/EUA, com o nome de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica.

[2] “(...) Teus olhos são meu conjuro/ contra a má jornada/ te quero por teu olhar/ que olha e semeia o futuro// Tua boca é tua e minha/ tua boca não se equivoca/ te quero porque tua boca/ sabe gritar rebeldia.// Se te quero é porque sois/ meu amor, minha cúmplice e tudo. E nas ruas lado a lado/ somos muito mais que dois.( ...)

[3] “Te quero em meu paraíso/ e dizer que em meu país/ as pessoas vivem felizes/ embora não tenham permissão.(...)”

[4] Que aconteceria se um dia/ despertarmos dando-nos/ conta de que somos mayoria? (...) Que aconteceria?

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A JARARACA DO NORTE

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Laerte Braga * * * * * *

Nos tempos do politicamente incorreto jararaca era a sogra. Hoje não. Um cara chamado Steven Austin, ou coisa assim, faz um sucesso imenso na televisão norte-americana procurando cobras por todas as partes do mundo.

Foi até a Costa Rica encontrar a “mais mortal de todas”, a “mais rápida de todas”. Encontrou e teve como espectador um privilegiado macaco, cuja expressão denotava, no duro mesmo, incredulidade. Não quanto à cobra, que ele conhece e bem, mas quanto àquele cara pulando feito um alucinado diante da jararaca, fazendo dela o que bem quis fazer e de quebra tirando fotos para exibir em seu programa.

Segundo ele, isso deve ser vero, uma só picada é suficiente para liberar veneno capaz de matar quatro pessoas de uma vez.

Quinta-feira, sete de janeiro do ano de 2010. Em Saint Louis, EUA (onde mais?) Timothy Hendron, de 51 anos de idade, invadiu uma fábrica de produtos elétricos matou três pessoas, feriu cinco e em seguida suicidou-se. Era um ex-empregado da empresa e fora demitido por motivos ainda não revelados.

A empresa, ABB POWER, é suíça, tem fábricas em vários países e perto de 120 mil funcionários. Um porta-voz do grupo leu um comunicado onde está o seguinte – que “Isto é obviamente uma situação muito séria e estamos trabalhando para reunir mais informações. O bem estar de nossos empregados é de extrema importância para nós”

Não existe bem estar de “nossos empregados” para empresas privadas desse porte em lugar nenhum do mundo.

O serviço secreto dos EUA (onde mais?) prendeu na noite do dia seis de janeiro do ano que começa seu curso, um cidadão correndo nu ao redor da Cervejaria Casa Branca. Temperatura de cinco graus negativos, o cidadão chegou, guardou a roupa numa sacola e pôs-se a correr. Não tinha intenção nenhuma de nenhum ato terrorista, só de correr pelado. Nem suas roupas, depois de “analisadas” pelas equipes do “CSI Miami” e “CSI Vegas” continham qualquer “substância perigosa”.

Azar do nigeriano bêbado que cismou de soltar fogos de artifício dentro de um avião de uma empresa privada em espaço aéreo dos EUA. Virou “terrorista”, membro da Al Qaeda e um deputado republicano, preocupado com a segurança do país pediu que a Venezuela seja incluída na lista dos países suspeitos de “operações terroristas”.

E o Big Brother nem começou ainda, só na segunda.

Por enquanto só ensaio, momentos de glórias passadas de ex-brothers e ex-sisters, anúncio que vai acontecer Twitter no programa, esses trens todos.

Para não ficar atrás a holandesa Maria Mosterd processou a escola de sua cidade, Zwolle, por ter se tornado prostituta. Segundo ela, a escola, Colégio Thorbecke, “falhou” no seu ensino. Não comunicou à sua mãe, que apoiou sua ação, que os “caçadores de talentos” estavam investindo em sua beleza. “Caçadores de talentos” na Holanda é como são chamados os que agenciam moças como Maria Mosterd.

A dita perdeu o processo, mas escreveu um livro narrando suas peripécias, a odisséia que viveu, desde o momento que os “cafetões” a tiraram da escola e a “introduziram” no mundo da prostituição.

O presidente Barack Obama chamou a si a responsabilidade pelas falhas da segurança no “ataque” da Al Qaeda e um general (só podia ser), ficou de fazer revelações “estarrecedoras” sobre o “terrorismo”, assim que o inquérito for concluído, falo do nigeriano.

Na Argentina a presidente Cristina Kirchner mandou que os baús da ditadura militar sejam abertos e as atrocidades cometidas por militares, mais de 30 mil desaparecidos, sejam tornadas públicas, além, evidente, das punições devidas.

No Brasil a expectativa é sobre o anúncio do líder do BBB, que segundo Pedro Bial já sai na terça-feira. Vale dizer, o primeiro “herói” nacional do esquema.

O coronel Brilhante Ulstra, especialista em pau de arara, choque elétrico, estupros, assassinatos, etc, pode ficar tranqüilo que nada vai perturbar sua paz. Ou seu “patriotismo”. Ele e mais um monte de torturadores.

E pela enésima vez um cidadão acordou em sua casa, abriu a janela, olhou para a piscina e tomou um baita susto. Havia um crocodilo ali se banhando. Por coincidência a equipe daquele programa que caça crocodilos mundo afora estava justo a um quilômetro dali.

Onde? Nos Estados Unidos, ora bolas.

Segundo o apresentador do programa se não tivessem tomado as devidas e necessárias providências o crocodilo poderia ter devorado toda a família. Desnecessário dizer que dito apresentador marcou o crocodilo cara a cara até que o azarado fosse preso e levado para um zoológico.

Para não ficar atrás a Polícia Militar de São Paulo, a de José Collor Serra, baixou o cacete em manifestantes que protestavam contra o aumento nas tarifas de ônibus urbanos decretado pelo prefeito serrista Gilberto Kassab.

O preço pulou de 2,30 reais para 2,70, algo em torno de 20% num País de inflação baixa como o nosso. É que ano que vem é ano eleitoral e empresas de transportes coletivos são doadoras pródigas para campanhas políticas.

Quando a PM percebeu que além dos protestos os manifestantes estavam pulando as catracas, quer dizer, não estavam pagando, correram a socorrer a empresa privada, assegurar o pão nosso de cada dia.

AVATAR já é a segunda maior bilheteria na história do cinema, algo em torno de um bilhão e cem milhões de dólares. Há protestos de comentaristas políticos de extrema-direita, parlamentares republicanos, que consideram o filme como sendo “esquerdista”. É que contém críticas ao capitalismo. Ao american way of life.

Por enquanto nenhuma denúncia acusando o Irã de ter financiado o filme, ou o presidente Chávez de ser o responsável pela película de James Cameron.

A CIA está atenta, com certeza e o cara da jararaca do norte deve disputar o Oscar de melhores macaquices. Ganha do macaco. Leva direto. Por unanimidade.

Ah! Um detalhe final. Em tempos idos, não me lembro se na antiga TV RIO, ou na TV TUPI, aos sábados, por volta das vinte e duas horas, quando era arcebispo auxiliar do Rio de Janeiro, D. Hélder Câmara apresentava um programa de dez minutos e num deles promoveu ardorosa e justa defesa das sogras. Foi a primeira que vi em toda a minha vida.

E pensar que o arcebispo de Mariana, um dom qualquer, mandou recolher um jornal da arquidiocese por conter críticas ao governador Aécio Pirlimpimpim Neves.

Já está disponível no mercado um produto que faz mais que aquele que limpa seu vaso sanitário matando germes e bactérias. É um que descobre e mata germes e bactérias invisíveis.

Pode ir sem susto. Obama já reforçou a segurança. Num vai sair nenhum tiranossauro rex lá de dentro.

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Laerte Braga, jornalista, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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Cartoon de Humor Babaca, copiado e 171 aplicado por AIPC. Tem muito mais por lá, é só clicar: http://www.humorbabaca.com/quadrinhos/quadrinhos-adultos/filme-porno

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Praça Castro Alves é do povo, mas ninguém pode defecar na cabeça da estátua do poeta; exceto os pombos

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Fernando Soares Campos - Editor-Assaz-Atroz-Chefe
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Recebi por e-mail um link para acessar vídeo no YouTube. O link vinha acompanhado da informação de que o seu conteúdo “...está deixando o Zéserra louco...”.

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Sob o link, entre parênteses, a informação de que o vídeo fora obtido em determinado blog.
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Pensei cá com meu zíper: “Deve ser mais uma dessas denúncias que a imprensa não divulga, tratando de mais um ato de corrupção no governo Serra”.
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Cliquei, pois confio na fonte que me enviou (há muito tempo não clico em dezenas de links que recebo diariamente).
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O título do vídeo já dissipou parte das dúvidas que eu tinha sobre seu conteúdo: “QUERO DILMA 2”. Bom, não conheço o “1”, mas já sei que não se trata de denúncias contra Serra.
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Abri o vídeo.

Apareceu isso aí:
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E haja legendas: “O Brasil não pode parar”, “Os sonhos não podem morrer”, “O sorriso não pode parar”, “Não quero retrocesso para o Brasil”.
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Fundo musical: a batida de um violão, uma introdução que, de imediato, me pareceu (nordestino que sou) que se desenrolaria numa espécie de “martelo-agalopado” lento, crescendo e explodindo num refrão do tipo “Quero Dilma... laiá lá laá e coisa e tal...”.
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Não deu outra.
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A letra começa com uma sequência de rimas escolhidas a dedo, revelando total isenção de espírito poético:
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“Mulher que trabalha noite e dia, que prazer, que alegria, ir à luta com você. Brasil gigante sul-americano, majestoso, soberano, bota ela no poder. Mulher que enfrenta qualquer baque, ela é a mãe do PAC, o programa nota mil! Ela é mulher forte, é guerreira, ela vai ser a primeira presidenta do Brasil. [Refrão] ELA É DILMA, DILMA... QUERO DILMA, DILMA...”
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Tudo sincronizado com legendas destacando trechos da letra. Uma sucessão de fotos vai desde crianças branquinhas, loirinhas, sorridentes, passando por um vendedor de bandeiras do PT vestindo uma camisa com a inscrição “A direita vai ter que engolir”, até uma paródia da famosa cena dos soldados americanos encravando a bandeira dos EUA no topo de uma montanha depois de vencer batalha contra os japoneses, cena imortalizada por Hollywood.
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Escrevi para o correspondente que me enviou a “peça publicitária”, perguntei se ele não achava que aquilo é ilegal.
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“Não acham que é propaganda eleitoral fora do período regulamentado pela legislação? Se é isso, não estaríamos dando munição ao adversário?”
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Resposta:

“Prezado Fernando
A INTERNET É LIVRE!
Abraço”
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Meu correspondente descobriu que existem terras do outro lado do Atlântico!
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Repliquei:

“A internet é livre, a praça pública é livre, as ruas são livres... tudo isso é livre pra gente caminhar, falar, escrever, cantar... Mas fazer campanha política antecipada, seja na internet, na praça, nas ruas ou em qualquer lugar é crime eleitoral.” (Eu me referi à divulgação em blogs, pois o correspondente informa que retirou o link de um deles. Conferi e verifiquei que o vídeo está sendo divulgado em blogs.)
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Imagino o que essas pessoas diriam se recebessem, antes do jingle político da Dilma, um vídeo com uma campanha antecipada, nos mesmos moldes, do Serra.

Sabe aquela informação de que "o VÍDEO que está deixando o Zéserra louco..."? Acho que ele já não consegue dormir; pois, até o momento em que o acessei, o vídeo registrava 3545 exibições! Nossa, com mais uns cliques, detona a candidatura de Serra! Ou, no mínimo, se a turma do PSDB-DEM descobrir a coisa, vai dizer que Duda Mendonça está por trás de tudo e que recebeu o pagamento pelo trabalho em conta numerada em Miami. Duvida?!
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Relatório Honduras Parte 1

 NO DIA 26 de abril de 2009 os movimentos sociais,culturais e sindicais de Honduras pediram ao presidente do país (HONDURAS) uma audiência , onde solicitaram que o presidente cumprisse alguns pontos do pedido feito pela então comissão de reinvindicações populares:

Uma Constituinte Popular que constasse entre outras as necessarias
REFORMA AGRARIA  ( a maioria das terras do país são de propriedade de grileiros, que em suas terras tem comprovadamente TRABALHO ESCRAV e muitos com plantações de cocaina e maconha)
e
Sustentabilidade Energética ( Que o país detenha ao seu POVO a exploração de Petroleo, água e energia


No dia 28 de Julho de 2009, em Honduras, o presidente do país, Manuel Zelaya, foi deposto


por meio de golpe de Estado , pois queria “abrir uma brecha para que o povo conquiste sua

emancipação” ao propor uma consulta sobre uma Assembleia Constituinte. Em entrevista ao Brasil

de Fato, Wendy , uma das lideres da resistencia em Honduras, conta  por correio eletrônico, esse foi o motivo da reação dos “grupos de poder econômico do país,

monopolizado por 13 famílias”.

Zelaya propunha para o mesmo dia 28 uma enquete sobre a quarta urna: ou seja, nas eleições gerais


de novembro, em que a população escolheria um novo presidente, deputados e autoridades locais,


seria adicionada (caso no dia 28 o povo assim o determinasse) uma consulta sobre a convocação ou

não de uma Assembleia Constituinte.

Abaixo, a Cedula que seria votada na manha do dia 28 , dia em que Zelaya inconstitucionalmente foi preso e mandado para fora do país e instalada ali o periodo tenebroso de DITADURA.




Então taí a prova que desmente os demagogos a serviço dos ditadores terroristas de que Zelaya queria se perpetuar dno Poder.
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Leia, a seguir, a entrevista , ao Jornal Brasil de Fato com a integrante da Via
Campesina Wendy Cruz: E os COMPARSAS aliados a militares ditadores

Por que tiraram o presidente Manuel Zelaya da presidência de Honduras?

Porque ele decidiu consultar o povo hondurenho da possibilidade de se instar uma quarta urna nas
eleições do próximo novembro. Os grupos de poder deste país deram um golpe de Estado porque o
presidente estava dando participação real ao povo.

Quem são os protagonistas do golpe?

Os grupos de poder econômico do país, monopolizado por 13 famílias, como por exemplo os
Kafati, Ferrari, Facuse, Villedas, Larach, Rosental, entre outros. Esse grupo de poder mantém
sequestradas todas as instituições do Estado e, inclusive, têm a suas ordens a Corte Suprema de
Justiça e o Congresso Nacional da República. Para que você veja como isso se evidencia, há uma
hora [cerca de 14hs de Brasília], a Justiça emitiu 25 ordens de captura e ajuizamento paraos
principais líderes populares, entre eles, Rafael Alegría, Carlos H. Reyes, Berta Oliva, Juan Barahona
e Andrés Pavón. Invocamos ao Dr. Ramón Custodio, da Comissão de Direitos Humanos, que, em
vez dele estar defendendo ao golpista Roberto Micheletti Bain deveria estar junto com o povo
hondurenho, e que exigimos que nossa democracia não seja violada.

Pode-se dizer que a justiça hondurenha ajudou a fomentar o golpe? Por quê?

Sim, eles tentaram parar a enquete com ordens judiciais da Corte Suprema de Justiça e por meio de
recursos de amparo do Ministério Público pedindo sua nulidade. Ordens que nosso presidente não
tinha que acatar, já que a enquete é legal, no marco da nossa Lei de Participação Cidadã.

Como se explica o fato de que inclusive membros do partido do presidente tenham apoiado o
golpe?

Porque o Partido Liberal está dividido por vários grupos, e os que se opõem são os que formam os
grupos de poder, como Roberto Micheletti e Elvin Santos, atual candidato [à presidência pelo
Partido Liberal nas eleições de novembro].

A maioria das forças sociais do país está com Zelaya? Por quê?

Todos os movimentos sociais estamos apoiando o presidente Zelaya não porque sejamos de seu
partido, mas sim porque acreditamos que devemos derrotar esse modelo econômico neoliberal que
não permite aos povos a liberdade de decidir suas próprias políticas de desenvolvimento. Se não
pusermos em marcha transformações sociais, isso é impossível de se conseguir. E nosso presidente
quis abrir essa brecha para que o povo conquiste sua emancipação.

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A CONSTITUIÇÃO DE HONDURAS:
 
Sobre a tese golpista que fala de Zelaya ter desrespeitado a constituinte de seu país, faremos aqui constar para que definitivamente demagogos não sigam ou prossigam justificando o injustificavel manipuladoramente :
 
explicamos a constituicao;


http://www.honduras.net/honduras_constitution2.html
CONSTITUCIÓN DE LA REPÚBLICA DE HONDURAS, 1982
TITULO II: DE LA NACIONALIDAD Y CIUDADANIA

DESTACAMOS :
Constitución de Honduras

"Artículo 3.- Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos públicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. El pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional."

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Servindo aos sujos com um serviço sujo

O Marqueteiro contratado e o contrato:





 
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Micheletti e suas relações comprovadas com o CARTEL de CALI e Os Republicanos Norte americanos
 
 
 
erça-feira, 21 de Julho de 2009


http://hondurasurgente.blogspot.com/2009/07/micheletti-vinculado-al-cartel-de-cali.html



Micheletti, vinculado al cartel de Cali, en una lista de narcos del ministerio de la Defensa‏


Publicado el 17 Julio 2009 en Especiales, Jean-Guy Allard

El nombre del cabecilla golpista hondureño Roberto Micheletti aparece en una larga lista de narcotraficantes redactada, en una fecha no precisada, por un alto oficial del Ministerio de la Defensa y Seguridad Pública de Honduras que lo relaciona con el Cartel de Cali, la red colombiana de narcotráfico.

El documento firmado por el Coronel de infantería René Adalberto Paz Alfaro y llevando el membrete del ministerio, señala en el número SN-FF. AA. 060, a ROBERTO MICHELLETI BAIN – con el error de ortógrafo en Micheletti – con la “CONEXIÓN” Cartel de Cali y bajo la mención “LUGAR” la palabra “Yoro”.

Las notas biográficas de Micheletti precisan que empezó su carrera política en los años 80, cuando ocupaba el cargo de presidente del Consejo Local en Yoro donde siempre se hizo elegir de diputado al Congreso Nacional.

Hijo de un ciudadano italiano, Umberto Micheletti y de Donatella Bain, el actual usurpador de la presidencia hondureña nació el 13 de agosto de 1948 en el municipio de El Progreso (Yoro).

Estudio comercio en Estados Unidos para dedicarse luego a su negocio, la Empresa de Transporte TUTSA, en su municipio natal.

La aparición del nombre de Micheletti en tal lista de narcotraficantes no deja duda sobre la presencia de su nombre en los ficheros de la DEA, la agencia norteamericana antidroga.

Sin embargo, nada ha filtrado al respeto de fuente norteamericana, hasta ahora.

Llama la atención que, hace unos días, un grupo de congresistas norteamericanos de extrema derecha encabezados por los representantes de la Florida, Mario y Lincoln Díaz-Balart, intentaron ensuciar el nombre del presidente constitucional Manuel Zelaya al solicitar del presidente Barack Obama que investigue su supuesta “vinculación con el narcotráfico”, a través de la DEA. Obama ni constestó.

Los Díaz-Balart tienen un viejo expediente de relaciones turbias con los círculos colombianos afiliados al narcotráfico.

Por otro lado, entrevistado por Radio Pacífica este 10 de julio, el dirigente por los derechos humanos en Honduras Andrés Pavón afirmó que el general Vázquez Velázquez, jefe del Estado Mayor hondureño, tiene conocidos lazos con el narcotráfico.

“Él es un hombre de la comunidad de inteligencia de América Latina, cercana a las estructuras de la DEA y la CIA”, explicó en una conversación telefónica con el periodista Fernando Velázquez, reportada por Radio Mundial de Venezuela.

Pavón agregó que tiene “evidencias que las misma embajada de Estados Unidos, a través de la DEA, ha sido cómplice para operaciones de narcotráfico”.

(Enviado pelo Colaborador Fernando Yépez Rivas
Assessor do Ministro do Trabalho do Equador e vice presidente da Federação de Periodistas do Equador - JUNTOS SOMOS FORTES)

 
golpistas salvam bancos norteamericanos com o dinheiro do POVO golpeado












viernes 9 de octubre de 2009

Proyecto Censurado: Los bancos salvados por el gobierno sacaron miles de millones a paraísos fiscales



Christine Harper (BLOOMBERG) - Thomas B. Edsall (THE HUFFINGTON POST)

Traducción: Ernesto Carmona (especial para ARGENPRESS.info)





Un estudio de 2008 de la Oficina de Responsabilidad del Gobierno (GAO, por su sigla en inglés) divulgó que 83 compañías “top” de EEUU ejecutaron operaciones de evasión tributaria en paraísos fiscales como Islas Caimán, Bermuda e Islas Vírgenes. Catorce de estas compañías, incluyendo al AIG (American International Group, Inc.), Bank of America y Citigroup, recibieron dinero de la ayuda financiera urgente del gobierno. La GAO también divulgó que las actividades del Union Bank de Suiza (UBS) están directamente conectadas con la evasión tributaria.

...

Durante años, han emigrado a poca distancia de la costa estadounidense billones de dólares en beneficios corporativos y riqueza personal en busca de bajas imposiciones fiscales y de la comodidad de que no hagan preguntas. Este es un factor que contribuyó significativamente al descenso económico internacional en 2008. Las reuniones G20 de abril de 2009 declararon una medida enérgica contra los paraísos de impuesto como el primer paso de la recuperación financiera. Sin embargo, el mundo de las actividades bancarias extraterritoriales ahora alberga 11,5 billones (millones de millones) de dólares solamente en riqueza individual y muchos países continuarán resistiéndose a la regulación e inspección desde fuera de sus fronteras.





Nota:

1) “International Taxation: Large U.S. Corporations and Federal Contractors with Subsidiaries in Jurisdictions Listed as Tax Havens or Financial Privacy Jurisdictions”

GAO U.S. Government Accountability Office, December 18, 2008

http://www.gao. gov/products/ GAO-09-157





*) Fuentes:

Bloomberg, 16 de diciembre de 2008, “Goldman Sachs’s Tax Rate Drops to 1% or $14 Million”, por Christine Harper; The Huffington Post, 23 de febrero de 2009, “Gimme Shelter: Tax Evasion and the Obama Administration”, por Thomas B. Edsall.

Estudiantes investigadores: Valerie Janssen y Aimee Drew.

Evaluadores académicos: BC Franson, J.D., Southwest Minnesota State University (SMSU) y Robert Girling, Ph.D., Sonoma State University (SSU)

Imagen: Humor por Sergio Langer – Wall Street. / Autor: Sergio Langer

http://www.argenpre ss.info/2009/ 10/proyecto- censurado- los-bancos- salvados. html

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Em outro artigo ,como fazem os golpistas:

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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

DE COMO DERROCHAR EL DINHEIRO DO POVO

13/10/09

De como derrochar el dinero de los hondureños

http://hibueras. blogspot. com/2009/ 10/de-como- derrochar- el-dinero- de-los.html















Primero, derroque a un presidente. Después, contrate a un cabildero.









De esta forma se inicia un reportaje publicado por el diario estadounidense The New York Times que da cuenta de cómo el gobierno de facto de

Roberto Micheletti ha gastado hasta US$400 mil en bufetes de abogados y agencias de relaciones públicas cercanas a la secretaria de Estado, Hillary Clinton, y el ex candidato republicano, John McCain.

Ello, según el diario, ha influido en la forma en cómo la administració n de Barack Obama ha enfrentado la crisis, enviando señales que según algunos, no son del todo claras y también han retrasado la aprobación de dos nombramientos clave para Latinoamérica.









La campaña a favor de Micheletti cuenta además con la simpatía de ex funcionarios responsables de fijar la política hacia Centroamérica en los ochenta y noventa –Otto Reich, Roger Noriega y Daniel Fisk–

quienes comparten la visión de que Honduras no es sino un campo de batalla en una lucha en que se juegan los intereses que Cuba y Venezuela tienen en la región. “Lo que ocurra en Honduras podrá ser visto a futuro como el momento en que a Hugo Chávez se le detuvo en su intento por socavar a la democracia en la región”, le dijo Reich en julio al Congreso

. Ello ha ayudado a que un grupo de legisladores republicanos, encabezados por el senador Jim DeMint, apoyen a Micheletti y, a cambio, tengan paralizada la designación de Thomas Shannon como embajador a Brasil.



Fuente:El periódico Guatemala

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DEMOcratas dos EUA em Honduras - Artigo traduzido de site norte americano

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Postado por Fernanda Tardin às 06:50 0 comentários Links para esta postagem

Delegação de dePUTAdos Republicanos ( EUA) em Honduras







agência assaz atroz (pressaa) - redação

Ativismo com atavismo sem saudosismo - mas com um toque de pragmatismo



Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Delegação de deputados Republicanos (EUA) em Honduras e a “Lei Logan”



O mundo às avessas, dos golpistas hondurenhos



Delegação de deputados Republicanos (EUA) em Honduras e a “Lei Logan”[1]



Os Republicanos dos EUA cometem crime em Honduras?



Brendan Cooney - Counterpunch( *)





Como se a direita ainda precisasse de mais itens em seu pedigree antidemocrático, os líderes do Partido Republicano dos EUA voaram em bando para Tegucigalpa, em auxílio à junta golpista.



Nove congressistas Republicanos – sete, só na semana em que a crise esquentou – já se reuniram até agora com Roberto Micheletti, que tomou o poder por golpe militar em Honduras dia 28/6.



É golpe já denunciado por todos, da Organização dos Estados Americanos (OEA) às Nações Unidas (ONU), que aprovaram Resolução que conclama “categoricamente todos os Estados a não reconhecer qualquer governo em Honduras além do governo eleito do presidente Manuel Zelaya. Nenhum Estado no mundo reconheceu Micheletti como presidente. Pois o Partido Republicano dos EUA ‘reconheceu’. ANOTEM OS NOMES DOS REPUBLICANOS QUE DESCUMPRIRAM A LEI DOS EUA. CADEIA PRA ELES.



“Micheletti é o presidente de Honduras” – decretou a deputada Republicana Ileana Ros-Lehtinen( 1-FASCISTA), membro do Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Deputados, na 2ª-feira. “Há quem fale de “governo de fato, mas conforme a Constituição da República, aqui estou, ao lado do presidente de Honduras, o que é grande honra para mim.”



Empurrando os EUA cada vez mais para dentro da goela do lobo, lá está também o Senador da Carolina do Sul, Jim DeMint(2-FASCISTA), membro do mesmo Comitê, que visitou Micheletti e seus asseclas, dia 2/10: “Encontramos um governo que está trabalhando duro para fazer cumprir a lei, defender a Constituição e proteger a democracia para o povo de Honduras.”



Consistente com a posição assumida por todos os demais países do mundo, da Venezuela, à esquerda; à Colômbia, à direita, o presidente Obama dos EUA adotou a política de não reconhecer nem encontrar-se com Micheletti.



Dado que qualquer contato com Micheletti está em conflito direto com a lei e os interesses declarados dos EUA, esses nove Republicanos e o senador líder da minoria Mitch McConnell 3( FASCISTA), que ajudou os demais, parecem estar violando a lei norte-americana.



A Lei Logan declaradamente proíbe que cidadãos não especialmente autorizados negociem com governos estrangeiros: “[cometem crime todos que] “direta ou indiretamente iniciem ou dêem prosseguimento a qualquer correspondência ou relacionamento com governo estrangeiro ou com funcionários e agentes de governos estrangeiros, com intenção de influenciar medidas tomadas ou que estejam sob discussão, ou em qualquer tipo de disputa ou controvérsia que tenham com os EUA. Penas: multa ou prisão por período máximo de três anos, ou ambas as penas.”



Tomas Ayuso, pesquisador do Conselho de Assuntos Hemisféricos, que trabalhou nos relatórios sobre a crise em Tegucigalpa, concorda. Os deputados e senadores Republicanos que se reuniram com Micheletti “claramente violaram a Lei Logan”, disse ele.



Houve três viagens de Republicanos a Honduras, para reuniões com Micheletti: em julho, viajaram os Deputados Connie Mack (R-Florida)4 FASCISTA e Brian Bilbray (R-California) 5 - FASCISTA; semana passada, foram os senadores Jim DeMint (R- South Carolina), Aaron Schock (R-Illinois) , Peter Roskam (R-Illinois) e Doug Lamborn (R-Colorado)FASCISTAS 6,7 e 8; e 2ª-feira foi a vez dos deputados Ileana Ros-Lehtinen (R-Florida), Lincoln Diaz-Balart (R-Florida) e Mario Diaz-Balart (R-Florida).

FASCISTAS

Por mais que ninguém possa alegar ignorância da lei, poder-se-ia supor que esses deputados e senadores Republicanos não soubessem que o governo Obama decidira não promover qualquer contato oficial com Micheletti? Mas, não. Todos eles sabiam da decisão do governo Obama.



O relatório de viagem do deputado Mack, por exemplo, diz claramente: “Depois do almoço, o embaixador tornou a enfatizar que a política do governo Obama não admite qualquer tipo de contato com o presidente Micheletti. Mas o deputada Mack repetiu que todos os lados deveriam ser ouvidos e, assim, insistiu para que a reunião acontecesse.”



Evidentemente houve violação da Lei Logan. E houve crime.



Além de insistir para que a reunião se realizasse, Mack disse que o apoio da OEA a Zelaya seria “perigoso”, esquecendo que Zelaya é presidente eleito e Micheletti é líder de um golpe que o arrancou do cargo (e de casa). Pela lógica do deputado Republicano, todos os países do mundo estariam tendo comportamento “perigoso”.



Que os Republicanos combatam furiosamente qualquer encaminhamento democrático nem chega a ser surpresa. Mas que os mesmos Republicanos ponham-se a sabotar os interesses e as políticas do governo dos EUA é outro assunto; e muito mais grave.



O senador John Kerry, que preside a Comissão de Relações Exteriores tentou impedir a viagem de DeMint a Honduras. Mas DeMint recorreu a McConnell, e chegou a Honduras a bordo de um avião do Pentágono. Como é possível que Obama não tenha sido informado de que seu próprio Departamento da Defesa desobedecia a orientação tão clara (além de contribuir para infringir norma legal)? Por que não há qualquer investigação em curso, sobre a autorização para a viagem e o uso daquele avião?



Obama tem-se mostrado estranhamente blasé em relação ao golpe, talvez porque Zelaya tenha criticado os EUA, na linha de Chavez. A secretária de Estado, Hillary Clinton, chegou a chamar de “imprudente” [ing. Reckless] o retorno de Zelaya a Honduras. Mas Obama já começou a negar vistos a apoiadores de Micheletti e já cortou 30 milhões na ajuda dos EUA a Honduras.



São respostas que só apareceram mais de dois meses depois do golpe. E a hesitação de Obama fortaleceu a posição de Micheletti. “[Funcionários dos EUA] estão fazendo esses pequenos movimentos, para ver como Micheletti reage” – comentou Vicki Gass, do Escritório Washington para a América Latina, um grupo de militantes dos Direitos Humanos. “E cada vez que os golpistas mantêm suas posições, eles sobem um pouco o tom das ameaças. Mas é processo demorado demais.”



Adversários do presidente democraticamente eleito Manuel Zelaya acusam-no de desejar reescrever a Constituição por referendum; de desejar ignorar a limitação constitucional de seu mandato – acusações que o presidente eleito rejeita. Os golpistas invadiram a residência do presidente eleito nas primeiras horas da madrugada, arrancaram-no da cama e, ainda em pijamas, meteram-no num avião para a Costa Rica. Zelaya retornou ao país dia 21/9 e está vivendo na embaixada do Brasil, cercado pelos soldados de Micheletti.



Nada disso impediu os Republicanos de defender que os EUA apoiassem golpe e golpistas, apesar de até um dos líderes golpistas já ter admitido a ilegalidade do golpe.



Em entrevista para o Miami Herald, o principal advogado dos militares hondurenhos, coronel Herberth Bayardo Inestroza, reconheceu que ocorrera crime no golpe liderado por militares: “Houve crime, sim, no momento em que o retiramos do país e no modo como o fizemos.”



Inestroza justificou o movimento, dizendo que se Zelaya tivesse sido mantido preso no país, teria sido impossível evitar a guerra civil e um banho de sangue, porque seus apoiadores organizariam manifestações para exigir a libertação do presidente. “Sabemos que houve crime”, disse ele. “[Mas] O que foi melhor: afastar o Sr. Zelaya do país, ou levá-lo a julgamento, o que provocaria tumulto e nos obrigaria a atirar contra hondurenhos? Se não o tivéssemos mandado para fora do país, estaríamos hoje enterrando montanhas de cadáveres.”



Quanto aos deputados Republicanos dos EUA que apóiam o golpe (e sequer usam a palavra “golpe”) o caso é outro. O que eles temem tem outro nome: socialismo.



“Tudo isso tem a ver com boicotar os esforços do governo Obama na America Latina; é reflexo da obsessão dos Republicanos contra Hugo Chavez e contra a ampliação de sua influência na América Latina, o que entendem que seja uma grave ameaça” – disse à Associated Press Dan Erikson, membro de um think tank suprapartidário, Inter-American Dialogue, em Washington.



Ainda que não se conclua que não houve qualquer ilegalidade nas viagens dos deputados Republicanos, não há dúvida de que contribuem para fortalecer Micheletti e seu grupo. Essa sopa envenenada, pelo que se vê, será deixada fermentando até depois das eleições previstas para 29/11, cujos resultados os EUA e outros países já declararam que não reconhecerão por causa do golpe e do desrespeito às liberdades civis dos hondurenhos.



Enquanto isso os Republicanos não se cansam de falar em democracia e liberdade. “A saída possível para essas dificuldades é oferecer e respeitar as eleições livres e justas que o povo de Honduras terá em novembro” – disse Ros-Lehtinen, cujos serviços prestados à extrema direita incluem ter elogiado a invasão do Iraque e ter agradecido a Israel por bombardear a Síria: “Somos um mundo melhor depois desse feito.”



“Direi aos meus colegas do Congresso dos EUA que venha a Honduras; que não leiam jornais nem deem ouvidos à CNN ou qualquer outra rede. Que venham a Honduras e que se encontrem com o governo legítimo do presidente Micheletti, para ouvir o quanto desejam viver em paz e democracia” – disse Ros-Lehtinen.



As aspirações democráticas do governo golpista incluem fechar jornais da oposição, proibir reuniões e manifestações políticas e meter na prisão mais de mil manifestantes pró Zelaya. O golpe já matou onze pessoas, segundo o Comitê das Famílias dos Presos e Desaparecidos em Honduras, COFADEH. Dia 30/9, Micheletti cercou os 55 fazendeiros que haviam ocupado o Instituto Nacional Agrário, em protesto contra o golpe; e 38 foram condenados por crime de sedição.



Ao lado de Ros-Lehtinen na visita do dia 5/10, estavam o Republicano Lincoln Diaz-Balart e seu irmão mais moço, o também Republicano Mario Diaz-Balart. Esses três são exilados cubanos, que há anos lutam na oposição a Fidel Castro. Os irmãos Diaz-Balarts são filhos de Rafael Diaz-Balart, ministro do Interior no governo de Fulgêncio Batista, governo que os EUA apoiavam e que foi apeado do poder por Fidel Castro, em 1959.



Os instintos antidemocráticos da direita não se limitam a essas dinastias ex-cubanas, que se naturalizaram nos EUA ao longo dos últimos 50 anos.



O Wall Street Journal tem garantido palanque e plataforma a Micheletti, que escreve com frequência na página de “Opinião” e que, dentre outras fórmulas para racionalizar e ‘democratizar’ o golpe de Estado, escreveu: “Quanto à decisão de expulsar de Honduras o Sr. Mr. Zelaya na noite de 28/6, ainda há quem creia que a situação poderia ter sido encaminhada de outro modo.” E os próprios editores do Journal, normalmente equilibrados, não se pejam de apresentar Micheletti como “ex-presidente do Congresso hondurenho, que assumiu a presidência depois da partida de Manuel Zelaya; do Partido Liberal, mesmo partido no qual milita o ex-presidente Zelaya.”



“Partida de Zelaya”? A única partida que houve foi a partida dos golpistas hondurenhos, que embarcaram num golpe e partiram para longe do mundo da razão e da democracia. Só bem longe do mundo da razão e da democracia pode-se defender como legítimo ou como “melhor solução”, o aprisionamento seguido de sequestro de um presidente eleito. Só bem longe do mundo da razão é possível defender um certo tipo de golpe, sob o pretexto de que, se os golpistas preferissem outro tipo de golpe, haveria mais resistência. Em Honduras, para os Republicanos dos EUA e para alguns jornais e redes de televisão, o mundo está às avessas.



Nota de traducão



[1] A “Lei Logan” [ing. “Logan Act”] é lei federal dos EUA, aprovada em 1799; recebeu as emendas mais recentes em 1994 (http://en.wikipedi a.org/wiki/ Logan_Act) .



Brendan Cooney é antropólogo. Vive e trabalha em New York.

Recebe e-mails em itmighthavehappened @yahoo.com



Traduzido pelo coletivo Política para Todos



O artigo original, em inglês, pode ser lido em:



http://www.counterp unch.org/ cooney10072009. html

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

LULA E A CHANTAGEM VERDE-OLIVA

(Clique na imagem para ampliar)
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Celso Lungaretti (*)

O civil Nelson Jobim, fantasiado de soldado. Sonho de infância?

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Em setembro de 2007, o alto comando do Exército lançou uma nota oficial para contestar a disposição do Governo Federal de abrir a caixa preta da ditadura de 1964/85, expressa em discursos e entrevistas de autoridades presentes no lançamento do livro Direito à Memória e à Verdade -- um dossiê oficial sobre como foram assassinadas centenas de resistentes durante o regime militar.

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A preocupação dos fardados era com a aventada possibilidade de revogação da Lei de Anistia.
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Com razão, pois, concertada em plena ditadura, a anistia de 1979 embutiu um habeas-corpus preventivo para os torturadores, tendo esse sapo sido digerido porque era o preço para a libertação de presos políticos e permissão do retorno de exilados.
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Minha avaliação, aliás, coincide com a do veterano analista político Jânio de Freitas, em sua coluna deste domingo (3) na Folha de S. Paulo:
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"Foi uma concessão dos militares e da direita civil em proveito seu, por temor aos tribunais, e aceita pela esquerda e pela demais oposição para aplacar a sua ansiedade, bem brasileira, de ver os exilados e os presos de volta ao ninho".
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O Ministério discutiu em 2007 o assunto e a maioria dos ministros seguiu a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerando intocável aquela anistia que igualara as vítimas a seus carrascos.
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Foi quando o ministro da Defesa Nelson Jobim, que até então tentava impor a autoridade do Governo sobre os comandantes militares, deu uma guinada de 180º, tornando-se porta-voz da caserna no seio do Governo.
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Coerentemente com a decisão tomada naquela ocasião, sempre que é pedido um parecer da Advocacia Geral da União em processos abertos contra antigos torturadores, a AGU afirma que a anistia de 1979 impede a punição desses réus.
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ACUMULAÇÃO DE FORÇAS

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Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), impedidos temporariamente de levar adiante sua cruzada na esfera do Executivo, transferiram-na para o Judiciário, lançando a palavra-de-ordem de que os verdugos deveriam ser acusados de crimes comuns.
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Com isto, a sociedade civil voltou a mobilizar-se, o interesse pelo tema foi reavivado e começaram a surgir novas (e escabrosas) revelações, principalmente sobre a política de extermínio dos resistentes já vencidos, implementada pela ditadura a partir de 1971.
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Como também assinalou Jânio de Freitas, "ao passo que, por ocasião da Anistia, tudo era sabido das ações contra o poder militar, aos militares foi anistiado sobretudo o que deles não era sabido".
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Hoje, entretanto, já se conhece boa parte do festival de horrores por eles encenado, principalmente a partir do momento em que colocaram o Brasil inteiro sob lei marcial (pois esta é a essência do AI-5, embora eles tenham evitado dar nome aos bois).
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Desde 2007, vem ocorrendo uma acumulação de forças no sentido de que seja, de uma vez por todas, revelado aos brasileiros o que eles têm todo direito de conhecer: as ações daqueles que (des)governaram o País em seu nome durante 21 longos anos, com o agravante de que os mandatos eram derivados das baionetas e não conquistados nas urnas.
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Este ascenso se corporificou no compromisso, assumido pelo Governo, de criar uma Comissão da Verdade, principal avanço da terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado no último dia 21.
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Faz todo sentido que tenha novamente havido reação militar contra uma iniciativa de resgate histórico partida do Executivo. É rotina, como ironiza Elio Gaspari em sua coluna dominical:
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"Os comandantes militares aborrecem-se sempre que se ilumina o porão das torturas e assassinatos mantido por seus antecessores nos anos 60 e 70. Pena, porque esse risco era inerente aos crimes que se praticavam".
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Então, embora os lances de bastidores tenham sido vazados para a mídia de forma obviamente orquestrada, é implausível a alegação de que tudo não passaria de invencionice da imprensa.
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A primeira reação de Tarso Genro à reportagem de O Estado de S. Paulo, p. ex., não foi de negá-la por completo, mas sim de minimizá-la:
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"Não há nenhum pedido de demissão e nenhuma controvérsia insanável [grifo meu] entre Defesa e Secretaria de Direitos Humanos. Isso o presidente vai resolver com a sua capacidade de mediação após as férias".
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Ou seja, admitiu que há mesmo uma controvérsia entre a sua Pasta e a de Jobim, a ser mediada por Lula.
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Em seguida, entretanto, foi lançada uma Operação Panos Quentes, à qual até dediquei artigo.

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É HORA DE BAIXAR A GUARDA?

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Pior ainda foi quando se espalhou na internet que tudo não passara de uma conspiração da imprensa golpista, sem que Jobim e os comandantes militares manifestassem a mínima contrariedade com esse novo marco da luta pela transparência histórica.
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Devemos crer que os lobos viraram cordeiros, apenas por ser uma versão menos constrangedora para o Governo?
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E não será muito mais seguro manter a mobilização contra possíveis recuos, do que baixar a guarda? Às entidades, instituições e personalidades que estão manifestando seu apoio ao PNDH e rechaçando as pressões militares, devemos dizer-lhes "deixem pra lá"?
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À vista dos lances anteriores dessa luta de bastidores entre os ministros progressistas e conservadores de Lula -- que, inegavelmente, existe --, parece-me uma opção das mais arriscadas.
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Houve até quem me acusasse de estar sendo ingênuo, por supostamente colaborar com uma armação da imprensa burguesa no sentido de criar áreas de atrito para o presidente.
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A esses respondi que tudo depende da ótica de cada um.
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Para quem tem como prioridade única a defesa da imagem do Governo, convém mesmo negar quaisquer crises e divisões internas. Claque é pra essas coisas.
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Já para um ex-resistente como eu, o imperativo é que não se desvirtue a nova versão do PNDH.
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Que haja mesmo uma Comissão da Verdade, incumbida de levantar o véu que ainda encobre muitas práticas hediondas da ditadura.
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E que nem sequer se cogite a concessão da contrapartida que os militares estariam exigindo: a apuração simultânea dos excessos eventualmente cometidos pelos resistentes.
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Pois há uma diferença fundamental entre o que fizeram agentes do Estado por determinação de um governo golpista e o que fizeram cidadãos no curso de uma luta de resistência à tirania, travada em condições dramáticas e de extrema desigualdade de forças.
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Aliás, outro veterano analista, Clovis Rossi, considera que não passa de "desinformação ou má fé" a alegação de que se estaria, unilateralmente, pretendendo punir apenas os crimes cometidos pelos militares. Sua argumentação fulmina de vez essa falácia:
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"Todos os abusos da esquerda armada foram punidos. Alguns, na forma da lei. Outros, muitos, à margem da lei, por meio de assassinatos, torturas, exílio, banimento, desaparecimentos. Já os abusos praticados pelo aparato repressivo não foram nem investigados, com pouquíssimas exceções".
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O certo é que essa pretensa isonomia vem sendo há muito reivindicada nos sites de extrema-direita como o Ternuma, A Verdade Sufocada e Mídia Sem Máscara; nas tribunas virtuais dos militares, tipo Coturno Noturno; pelos eternos conspiradores do Grupo Guararapes; pelos remanescentes da ditadura (Jarbas Passarinho), da repressão (Brilhante Ustra), etc.
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No fundo, o que os comandantes militares estão querendo é munição propagandística para, contando com a conivência de setores da imprensa, tentarem diminuir o impacto das atrocidades da ditadura que deverão vir à tona.
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Daí ser fundamental que o Governo rejeite cabalmente tal pretensão.
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Se não houver recuo nenhum de Lula nos tópicos que a imprensa lhe atribuiu intenção de apaziguar os militares, poderemos acreditar que as tais chantagens inexistiram ou que nosso presidente sabe manter a autoridade que lhe conferimos.
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Mas, se recuar, não haverá enrolação no mundo que nos impeça de concluir que ele cedeu à chantagem verde-oliva.
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* Jornalista e escritor, mantém os blogues
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
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Texto enviado a esta Agência Assaz Atroz pelo autor, autorizando "livre publicação".

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons
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http://pressaa.blogspot.com/

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PressAA

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bahia: o carlismo vive!

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Ilha do Urubu, o paraíso traído

Por Leandro Fortes (Carta Capital)

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Há um mês, o deputado Emiliano José (PT-BA) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, para tornar pública a descoberta do último legado do carlismo ao povo e ao estado da Bahia. Derrotado nas eleições estaduais de outubro de 2006, em primeiro turno, por Jaques Wagner (PT), o ex-governador Paulo Souto apressou-se em tomar medidas administrativas, fazer ajustes orçamentários e, a pouco mais de um mês de deixar o cargo, abrir mão de um pequeno e ultravalioso paraíso ambiental público, no sul do estado, em favor de uma ação imobiliária nebulosa iniciada por um ainda mais estranho processo de doação.
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A Ilha do Urubu é recanto de beleza natural praticamente intocada na região de Trancoso, próximo a Porto Seguro, no chamado Quadrilátero do Descobrimento, no sul da Bahia. A ocupação do lugar é disputada, há pelo menos três décadas, pela família Martins, de pequenos comerciantes e pescadores. Ainda assim, em 20 de novembro de 2006, depois de derrotado nas eleições, Paulo Souto decidiu doá-la a apenas cinco dos Martins: Maria Antônia, Benedita Antônia, Ivete Antônia, Joel Antônio e Angelina.
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De acordo com a lei, o quinteto só poderia vender o imóvel depois de cinco anos de uso, mas a ilha acabou vendida quatro meses mais tarde, pela bagatela de 1 milhão de reais, para o empresário espanhol, naturalizado brasileiro, Gregório Marin Preciado. Um ano depois, o paraíso baiano foi passado adiante por 12 milhões de reais para o empresário belga Philippe Meeus, especulador imobiliário proprietário de um resort na Praia da Ferradura, em Búzios (RJ).
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Estranhamente, um mês antes de Paulo Souto doar a Ilha do Urubu, a parte da família Martins beneficiária da ação do governador andava às turras com o futuro primeiro comprador da área, Gregório Preciado. Isto porque Preciado alega ter uma escritura de proprietário da ilha. Chegou, inclusive, a apresentar o documento como garantia para obter um empréstimo de 5 milhões de reais no Banco do Brasil. Escalado para apresentar aos Martins um mandado judicial de reintegração de posse impetrado por Preciado, o oficial de Justiça Dílson José Ferreira de Azevedo testemunhou atos de violência perpetrados por capangas do empresário.
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Ao chegar à ilha, em 26 de outubro de 2006, Azeredo encontrou apenas um casal de velhos à sombra de uma árvore. Eram Maria Antônia e Joel Antônio Martins. Os dois foram oficiados, sem nenhum problema ou confusão, mas logo a paz do lugar acabou perturbada pela intervenção de empregados de Preciado. Assim escreveu o oficial de Justiça à Vara Cível e Comercial da Comarca de Porto Seguro: “Prepostos dos autores (além de Preciado, a mulher dele, Vicência Marin) procederam a derruba e queima do barraco ali existente”. Dois meses depois, Maria e Joel- venderiam a mesma terra a quem lhes havia derrubado e incendiado a casa.
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Preciado, ex-arrecadador de campanha do governador José Serra, de São Paulo, também foi casado com uma prima do tucano. Em 2002, o Ministério Público Federal entrou com uma ação de improbidade administrativa contra dezoito pessoas e empresas ligadas ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, outro arrecadador de campanha do PSDB, inclusive de Serra. Entre os implicados estava Gregório Preciado, apontado como sócio do governador em duas empresas, Gremafer Comercial e Aceto Vidros e Cristais.
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De acordo com o processo aberto na Justiça Federal de Brasília, Gregório Preciado se beneficiou de dois contratos irregulares, em 1995 e 1998, num total de 73,7 milhões de reais, durante o processo de privatização de empresas públicas do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas o pulo do gato da vida de Preciado foi dado mesmo em 1996, quando ele se associou à Iberdrola, gigante espanhola do ramo energético, por meio do consórcio Guaraniana, montado por Ricardo Sérgio com a ajuda dos fundos de pensão da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Entre 1997 e 2007, o grupo representado pelo arrecadador de campanha tucano arrematou as empresas de energia elétrica da Bahia (Coelba), Pernambuco (Celpe) e Rio Grande do Norte (Cosern).
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Outro complicador, a briga interna que se desenrola entre os Martins. Na semana passada, a parte da família não agraciada pela doação de Paulo Souto entrou em juízo com uma ação rescisória, em Porto Seguro, contra a outra parte e ameaçou permitir a entrada de 200 índios pataxó da região na Ilha do Urubu, a fim de impedir a tomada de posse do empresário Philippe Meeus. Os Martins excluídos da negociata alegam possuir documentação de posse da terra, datada de 1931.
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O ex-governador alega ter entregue as terras da Ilha do Urubu aos Martins por se tratar de família carente ali residente há mais de 30 anos. Portanto, não havia como ele prever que, menos de um ano depois, o principal beneficiário da caridade governamental seria Meeus, milionário a quem se atribui a propriedade de 36 Ferrari. A cadeia de transmissão de posse da área está sendo investigada pela Polícia Federal, na Bahia, porque se configura em caso clássico de lavagem de dinheiro – ainda mais por envolver um notório arrecadador de campanhas políticas.
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O quiproquó sobre a lha do Urubu foi levantado por um jovem advogado de Porto Seguro, Rubens Luís Freiberger, e se transformou numa ação popular ajuizada por um colega de Salvador, César Oliveira, no Tribunal de Justiça da Bahia. “Os detalhes dessa ‘ação social’ de Paulo Souto são estarrecedores”, afirma Oliveira.
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De acordo com levantamento feito pelo deputado Emiliano José, combatente histórico do carlismo na Bahia, a doação da Ilha do Urubu foi apenas uma das diversas ações de Paulo Souto voltadas, no fim do mandato, para complicar a gestão do sucessor, Jaques Wagner.
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Segundo o levantamento entre 4 de outubro e 31 de dezembro de 2006, após ser derrotado por Wagner, Souto partiu para uma política de terra arrasada. Naquele período de apenas três meses, o Diá-rio Oficial registrou a outorga de dezessete áreas de terras do estado, além de doações feitas por órgãos públicos descentralizados de doze imóveis e 1.043 veículos-. Isso sem falar em atos de alterações orçamentárias, cerca de 1,5 bilhão de reais, uma média de 25 milhões por dia, durante os últimos 60 dias úteis do mandato do ex-governador do DEM.
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Paulo Souto também alterou o prazo e o valor de recolhimentos do ICMS para antecipar a arrecadação de 2007, no afã de produzir receita e, assim, conseguir fechar o caixa de 2006. As medidas, segundo Emiliano José, atingiram as principais empresas arrecadadoras do tributo na Bahia, entre elas as de telecomunicações, energia elétrica e petróleo, num montante superior a 70 milhões de reais-. Como deferência ao chefe derrotado, Souto concedeu remissão parcial de ICMS e dispensa de multas e acréscimos moratórios para empresas de comunicação locais. Beneficiou diretamente, assim, a Rede Bahia, de propriedade da família de Antonio Carlos Magalhães, hoje controlada pelo filho, o senador Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM).
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http://www.emilianojose.com.br/?event=Site.dspImprensaDetalhe&imprensa_id=105
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http://assazatroz.blogspot.com/
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PressAA

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os “Argumentos” contra Battisti

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Carlos Alberto Lungarzo
Anistia Internacional
2152711

Há uma tendência na esquerda, e entre os partidários de tendências iluministas, humanistas e libertárias em geral a identificar a qualidade ética de uma pessoa com sua inteligência, agudeza e informação. Isto parece uma adesão à antiga identidade entre o bem e a razão ou, em termos mais modernos, entre o espírito humanitário e altruísta e a capacidade de argumentação.

Esta identificação está presente nos filósofos gregos, especialmente em Platão, mas também nos hedonistas e nos epicúreos, atravessa a obra de Descartes, vira um assunto central nos cientistas pós-newtonianos, e se torna quase um dogma para a geração Iluminista do século 18. Este intelectualismo está presente nas cartas trocadas por Marx e Engels, que não ocultavam seu desprezo pelos raciocínios grosseiros das elites, pela ignorância de nobres, militares e burocratas e pela barbárie cultural da direita. Inclusive, apesar de sua injusta desconfiança do anarquismo, Marx emocionou-se até chorar ao lembrar o talento de Bakunin, durante o funeral deste em 02/09/1853. (Marx-Engels-Werke, V. 12, p. 284).

Outro fato que reafirma, pela negativa, a relação entre ética e inteligência, é que, durante o forte misticismo ocidental (sec. 4º ao 16º) quando o ser humano foi mais humilhado, ao mesmo tempo a ciência e o conhecimento crítico desapareceram até Galileu.

Entretanto, não é possível tomar a relação moral/inteligência como uma verdade absoluta. Isso criaria uma hierarquia moral das pessoas em função de suas capacidades, o que é uma visão reacionária do mundo. Lembremos, além disso, que simpatizantes do nazismo, como Max Plank e Heisenberg, foram mentes brilhantes em suas especialidade e que Enrico Fermi foi um homem muito inteligente, apesar de ter contribuído a criar a primeira bomba nuclear.

Em minha opinião, a relação precisa entre inteligência e ética é difícil de especificar e talvez precisemos muitas décadas de psicologia para conhece-la num 50%, se tanto. Entretanto, é evidente uma conexão estreita entre ambas, como o mostram os exemplos: é quase impossível encontrar um ditador inteligente, um genocida com algum talento universal, um racista com alguma compreensão do mundo, uma pessoa preconceituosa que impressione por sua racionalidade. Existem muitos casos de pessoas sem escrúpulos com grandes destrezas específicas, mas é difícil encontrar algumas dotadas de inteligência ampla.

Por que toda esta reflexão? Há um ano que, por causa da concessão de seu refúgio/asilo, Cesare Battisti virou conhecido e a opinião pública se dividiu entre os que pediam sua liberdade e os que exigiam sua deportação. Durante este ano, li o equivalente a dúzias de milhares de páginas de jornais, revistas e documentos, e fiquei estarrecido ao fazer uma comprovação:

Nenhum dos argumentos contra Battisti demonstrava a mínima racionalidade, o menor uso de pensamento ou sensibilidade. Como disse antes, não acho que uma cognição apurada implique necessariamente grande estatura moral, nem vice-versa, mas fiquei apavorado pela relação evidente entre pensamento brutal e grosseiro com ódio pelo refugiado.

Acredito, sim, que existam pessoas autocentradas, sem interesse no próximo, que possuam uma visão do mundo bastante ampla. Um destes casos era Leonardo da Vinci, considerado por seus biógrafos mais atuais como egoísta e violento.

Entretanto, as coisas mudam quando aparece um componente de ódio, uma espécie de fanatismo contra tudo o que é diferente, como o que caracteriza o machismo, o racismo, a xenofobia, o imperialismo, o linchamento e todos os sentimentos de direita em geral. Nesses casos, ou a inteligência não é suficiente para evitar a contaminação pelo ódio, ou então, a prevalência do ódio faz aparecer a inteligência como difusa, esvaída, quase inexistente.


Não quero dizer que alguém que sustenta uma posição não-humanitária possua, necessariamente, um entendimento tacanho, embora isso quase sempre acontece. Tenho uma experiência interessante sobre isso. Conheci a Ayres Britto depois de ele ter votado pela extradição, e me surpreendi ao compara-lo com os outros quatro juízes que votaram no mesmo sentido (com os que, afortunadamente, não devi conversar). Britto é um homem cordial, desprovido da empáfia jurídica, um temperamento simples: escreve poesia e gosta de Chico Buarque. Sabe conversar sobre coisas que não estão nos códigos. Aliás, ele não tinha nenhum ódio contra Battisti. Se eu entendi bem, ele achou que não havia motivos para negar a extradição, assim de simples. Se Itália o pedia, saberia por que. Não era submissão à autoridade, apenas rotina. Se alguém morria por isso, não era seu assunto.

Ele não estava contente por entregar uma vítima aos La Russa e os d’Alema da vida. Simplesmente, fez o que parecia mais linear. Afinal, a justiça formal é isso. Então, percebi que era uma pessoa inteligente que não camuflava seus pensamentos: justiça formal nada tem a ver com verdade ou humanismo; é um trabalho.

Mas, não quero referir-me aos que apenas “votariam” contra Battisti, mas aos que estão engajados na causa de triturar uma pessoa para eles desconhecida, que lês estorva por vários motivos:

(1) Porque representa a esquerda. (2) Porque desafia sem temor o terrorismo de estado. (3) Porque não se ajoelha. (4) Porque é uma mente criativa. (5) Porque têm amigos de uma qualidade que seus inimigos nunca reuniriam nem em várias reencarnações. A maior atriz européia dos anos 50, Jeanne Moreau, o Nobel de Literatura Garcia Marques, a talvez maior romancista de enredos policiais das últimas décadas, Fred Vargas, grandes advogados, líderes políticos franceses, e também os melhores amigos brasileiros: Suplicy, José Nery, Luiz Couto e outros.

Essas pessoas que odeiam Battisti não conseguem produzir um argumento bom. Foi por isso que decidi classificar os “argumentos” contra Battisti em várias espécies. Acredito, porém, que esta é uma obra para toda uma equipe e quaisquer enriquecimentos a meu trabalho (muito pretensioso para uma vida só) serão bem-vindos.


Observação: Não gosto de entrar em polêmicas. Se você defende honestamente, de maneira errada ou certa, uma causa, o pior que pode fazer é tornar sua causa um espetáculo de circo. Por isso também não gosto citar ninguém, salvo fontes de mérito que menciono como prova. Neste caso deve ser diferente, mas apenas menciono os autores para que o leitor, se quiser, possa encontrar o assunto mencionado.

A Crítica Através do Elogio


Em alguns casos, o crítico (ou crítica) acha mais confortável elogiar a alguém que ataca Battisti, do que ele próprio fazer sua argumentação. No caso de pessoas ligadas ao direito, uma maneira habitual é tecer uma série mirabolante de elogios a qualquer frase trivial que tenha dito um magistrado inimigo do escritor italiano.

É o caso, entre milhares de outros, do senhor Daniel Bialski, num trabalho intitulado Interesse em Extradição de Battisti é incomum, que me pareceu o mais paradigmático pela bizarrice e servilismo de seus elogios.

“O que se teria visto, na visão do eminente e futuro presidente da Corte Suprema, ministro Peluso, [...] que é atribuição exclusiva da Excelsa Corte.” (Grifos meus)Existem muitos outros casos que não merecem ser citados, porque não são tão grotescos, mas em todos eles se elogia cafonamente, seja o magistrado, seja a “obra da sua lavra” (ou seja, o escrito de sua autoria). Dessa maneira, se dá um tiro por elevação contra Battisti, usando munição alheia.

Este fenômeno faz parte de um fetichismo, pelo qual se transformam em reais, e até em antropomórficas, entidades que são puras abstrações conceituais. Por exemplo, se elogia a cultura italiana, como se toda Itália fosse um organismo homogêneo que atua sempre da mesma maneira, ou se atribui sacralidade a simples funções profissionais de uma pessoa, por exemplo: “o sábio julgador”.

Comparações Sinistras

Às vezes, para descompor Battisti, os autores usam comparações que são simplesmente repugnantes. É o caso de Alon Feuerwerker, em Diversos pesos, diversas medidas, cuja matéria começa assim:

“A operação política para salvar Battisti decorre de ele ter origem na esquerda. Fosse um militar argentino condenado por crimes na ditadura, estariam os mesmos exigindo, já, sua extradição para Buenos Aires.”Essa comparação não mede só o nível ético do autor, mas também o cognitivo. Alguém que compara um acusado qualquer (mesmo se fosse o pior criminal comum do mundo, mesmo se fosse o atual chefe de Al-Qaida), com genocidas patológicos e torturadores insanos do exército argentino, demonstra pouca fineza cognitiva. A maioria dos que concedem algum valor aos genocidas argentinos, chilenos ou brasileiros (ao ponto de comparar-los com outras pessoas), costumam ter a esperteza de ocultar suas intenções.

Uma pessoa melhor dotada teria dito: “fosse um fascista...” Aliás, estaria perto da realidade, porque há um fascista italiano que seu governo “simula” querer extraditar. Aliás, para dar palpite num assunto que parece ser sobre direito, o autor conhece pouco: parece que não sabe que “crimes de lesa humanidade” são uma espécie diferente dos políticos e dos comuns.

A posição dos defensores de DH é que, se o fascista não cometeu crimes contra humanidade, deve receber a mesma proteção que Battisti, caso que realmente a Itália o quisesse extraditar, o que parece ridículo.

A Linguagem Injuriosa

Um terrorista, por definição, é uma pessoa que pratica terrorismo. É difícil que alguém que esteja fechado numa prisão durante o dia todo pratique terrorismo. Entretanto, a Folha de S. Paulo chama Battisti de terrorista desde que caiu preso. Um amigo meu mandou uma carta à Folha e, como jornal aberto e respeitoso da liberdade de imprensa, substituiu “terrorista” por “ex-terrorista” por algumas semanas. (Posteriormente, voltou a usar terrorista, que causa mais impacto).

Além disso, terrorismo é um termo definido numa comunicação das Nações Unidas que, apesar de não estar aprovada por todos os membros, tem ampla credibilidade. Mas, se os jornalistas querem usar uma definição vernácula, podem ler a ementa de Extradição de novembro de 1989 (República Argentina contra Fernando Falco; denegada), onde o relator Sepúlveda Pertence diz claramente, que uma ação violenta só pode ser chamada terrorista “se utiliza armas de perigo comum (como explosivos ou canhões) e coloca massivamente em perigo a população civil”.

Se Battisti tivesse matado essas 4 pessoas, ou ainda, 40 pessoas, uma por uma e usando uma pistola, seria um assassino, mas ainda assim não seria um terrorista.

O Critério de Autoridade

Isto é muito comum no Direito, na vida comum, e em qualquer atividade não científica. Aliás, é típico das crenças políticas fanáticas, as religiosas e as morais, que não tenham base no direito natural. Entretanto, no caso Battisti o abuso aberrante e servil do critério de autoridade chegou às alturas.

Quando o senador Suplicy, num de seus típicos atos se simplicidade, humanidade e grandeza, levou ao Senado um documento redigido pela romancista Fred Vargas, alguns dos gênios togados foram tocados pela histeria. Como era isso possível: “alguém de fora” (que não é juiz, nem mesmo advogado) vai lançar no rosto do relator todas as infâmias cometidas.

De fato, os que assim chiaram eram coerentes. A justiça não é uma coisa pública: é propriedade privada de uma sociedade secreta que decide a contramão da verdade, da lógica e do bom senso, segundo sua conveniência profissional ou... de outro tipo. Esse documento continha 13 perguntas magnificamente colocadas, com impecável referência às fontes, onde a escritora descrevia as fraudes, distorções e omissões dolosas feitas no relatório. Por sinal, a carta de Fred estava redigida num estilo educado, porém respeitoso demais para o que merecem jogadores de cartas marcadas.

Veja o link: http://cesarelivre.org/node/143

Agora, um caso geral: a aceitação de todos os linchadores de que Battisti realmente matou 4 pessoas. Isto não é apenas uma crendice da massa desinformada, mas também uma forma de legalizar uma mentira. Qual é a vantagem? É a de ter um bode expiatório. Todos os que conhecem as religiões monoteístas (a imensa maioria do país) sabem o que isso significa. É alguém para destruir, como a Geni da música de Chico Buarque.

Obviamente, a mesma lei justifica esta aberração. A pessoa pode ser extraditada sem verificar se teve o devido processo. Basta que tenham todos carimbos necessários. Hoje, é óbvio que os crimes atribuídos a Battisti não estão provados por evidências tangíveis, que não há testemunhas que não sejam falsas ou compradas, que não houve advogados e, ainda, que os autores dos quatro assassinatos estão perfeitamente identificados.

Se as pessoas que escrevem em jornais, blogs, etc., que Battisti matou quatro pessoas, afirmassem, com as mesmas provas, que João da Silva deu um cheque sem fundo, seriam imediatamente processados por calúnia.

Finalmente, um caso exacerbado de servilismo com a autoridade, que chega a negar a mesma realidade: é a refutação que o Relator do Caso Battisti faz do terrorismo de estado na Itália descrito, de maneira exageradamente tênue e light por Tarso Genro.

Qualquer pessoa informada, mesmo muito jovem (há muitos exemplos de quase adolescentes que escrevem blogs maravilhosos) sabe que entre 1969 e 1981, houve na Itália um enorme número de atentados a bomba em locais públicos, com milhares de civis mutilados, incluindo crianças e mulheres, e centenas de mortos. Quando o relator escreve isso em seu tóxico libelo, leva o assunto na brincadeira. Numa linguagem muito mais austera, como cabe ao bom juridiquês, disse coisas como estas.

“Vamos, seu Tarso. Não venha com manhas. Essa história de terrorismo fascista, sim, eu também ouvi falar, mas não houve nenhuma condena. Chega de brincadeira”.






Uso de Linguagem Hermética


O recurso ao juridiquês é um dos truques preferidos para que nada se entenda. Seu uso é tão perverso que, às vezes, nem os mesmos colegas daqueles que o usam conseguem entender se seu cúmplice diz A, ou disse não A. Em parte, isto provocou várias confusões no STF, especialmente quando o famigerado julgamento das “células tronco”.

O relatório sobre Battisti está contaminado por juridiquês de alerta vermelho, entremeado ainda por versões bilíngües de textos (sic) e outros elementos confusionais. Entretanto, prefiro citar um texto desconhecido onde se usa um termo em juridiquês que é hermético até para os leguleios mais rançosos. É sempre falando em Battisti:

“A Suprema Corte, então, rejeitou os argumentos da mavórtica defesa do extraditando e deferiu o pedido do governo italiano, fazendo o controle da legalidade necessário, fundamentando-a.”

Bialski, Interesse (mesmo link).

Você sabe o que é mavórtica? Nem eu. Procurei no Google, um buscador que traz milhões de entradas para qualquer termo, mesmo que seja em tamil ou húngaro, mas aqui só tinha 91. A maioria eram perguntas desesperadas (de quem?) pedindo ajuda sobre o significado da palavrinha. Por aí, apareceu alguém que explicou que “mavórtica” é feminino de “mavórtico”, que deriva de Marte, o Deus da Guerra. Então, no contexto de nosso erudito, a defesa dos advogados de Battisti era guerreira ou belicosa. Cuidado. Se vocês conhecem a Greenhalgh ou Barroso, que são dois advogados muito simpáticos, não os chamem de “mavórticos” sem antes explicar qual é a fonte.

Estimulando os Traumas do Leitor

Um fato muito comum na Revista Carta Capital (que foi considerada durante muito tempo, por razões que desconheço, um veículo da centro-esquerda), é atribuir a Battisti, de maneira real ou fingida, atos que impressionam negativamente ao leitor, que se sente amedrontado por ele.

Num dos maiores abismos da baixaria, um dos chefões da revista (não lembro qual de ambos) descreve um fato que não aparece em nenhum auto, e que nem a própria embaixada, com toda sua política suja, colocou em evidência: trata-se de aventuras sexuais da adolescência do escritor!
Outro caso, este muito mais grave, é estimular o medo ao terrorismo. Num operativo de incrível cinismo, uma combinação que envolvia um promotor, um alto oficial da polícia federal, e um juiz, se atribuiu a Battisti uma conexão com a Brigada Vermelha (em singular). Essa organização deve ser muito clandestina, pois ninguém ouviu falar nela, apenas da sua parente em plural. Só que as brigadas se dissolveram faz vários anos. Polícia, juiz e MP atribuem a Battisti propriedades mediúnicas, porque eles dizem que se comunica por computador com os brigadistas.

Pressionados pelo corajoso advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, um daqueles elementos reconheceu que não era nada grave, que houve uma confusão. Finalmente, outro se desculpou, e disse que levou isso a sério porque receberam denúncias da Embaixada Italiana.

Falácias Diversas

Existem falácias puramente formais (semelhantes a erros lógicos) e falácias de conteúdo. Falácia de conteúdo para gente grande, é uma que se encontra num trabalho de Carlos Veloso:

“O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Extradição 232-Cuba, [...] decidiu que “a concessão de asilo diplomático ou territorial não impede, só por si, extradição, cuja procedência é apreciada pelo STF [...]. Na Extradição 524-Paraguai, o Supremo Tribunal decidiu que “não há incompatibilidade absoluta entre o instituto do asilo político e o da extradição passiva”O que sua excelência não diz, é que a extradição 232 é quase 30 anos anterior à lei 9474, e a ext. 524, cerca de 5 anos anterior. Nessa lei, se afirma claramente (art. 33) que a concessão de refúgio elimina qualquer processo de extradição. O ministro não deve pretender, supomos, que dois casos de jurisprudência são mais fortes do que uma lei... mesmo sendo alheio ao mundo do direito, tal conclusão me parece esquisita.

Aqui, muitos poderiam pensar que o ministro demonstrou astúcia (que é uma prima afastada e encrenqueira da inteligência). Mas, não foi bem assim. Qualquer pessoa com mínimo de curiosidade poderia ler os acórdãos dessas duas extradições no arquivo do Supremo, e mandar o escrito do ilustre ministro à lata de lixo, data venia, é claro.

Erros Lógicos

Os erros lógicos são muito freqüentes, porque, como disse acima, verdade, fatos concretos e raciocínios são alheios a um mundo onde vale: convicção suspeita e retórica. Mas encontrei um erro maravilhoso. Ele teria sido ótimo em minhas épocas de professor básico para dar como exercício aos alunos da 5ª. série.

O texto é novamente de Bialski (ibid, nota 1)

“É induvidosa a mencionada exigência de controle, pelo quanto dispõe o artigo 83 da Lei 68215/80 e do artigo 207 do Re­gimento Interno da Suprema Corte Federal: ”Não se concederá extradição sem prévio pronunciamento do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade e a pro­cedência do pedido, observada a legislação vigente” (grifo meu)

Neste caso, não cabe ser muito severo com o jurista, porque nas faculdades de direito os professores de lógica não são matemáticos nem lingüistas, mas, em geral, outros juristas. O erro que comete o autor não é de má fé. Qualquer professor sabe que ele deve acreditar nisso, mas um aluno da 5ª. série dos dias de hoje lhe mostraria onde está a charada.

Dizer “Não se concederá extradição sem prévio pronunciamento”, tem a forma lógica “Não haverá X, sem haver Y” e, portanto significa para que haja X, deve haver Y. Ou seja, Y (prévio pronunciamento) é condição necessária para X. Porém, não é suficiente, já que então teria a forma: “Se houver Y (pronunciamento prévio) então deverá haver X (extradição)”.

Quando uma condição é necessária e suficiente, diz-se: X se e somente se Y, ou coisa que o valha. Por exemplo: “Não haverá extradição sem prévio pronunciamento”, e, reciprocamente, “se houver pronunciamento (positivo) então haverá extradição (a extradição será obrigatória)”.

A lei diz, então, que, se uma pessoa for extraditada, será necessário que sua extradição seja aprovada (autorizada, permitida, etc.) pelo STF. Mas, não diz que: “Se o STF aprova a extradição, então, esta deverá ser realizada”.

A forma lógica de ambos os enunciados, fica bem evidenciada com estes dois exemplos:
“Não se financia a compra de carro Ferrari, sem que o candidato tenha ficha criminal limpa”

Então, um criminoso não pode financiar uma Ferrari. Deve ter ficha limpa para isso. Mas, será suficiente? Certamente não. A empresa deve exigir que você tenha um salário de vários milhares de reais e, além disso, algum avalista. Ou seja, não por você ter ficha limpa, vai conseguir financiamento para uma Ferrari, se você ganhar um salário mínimo.

Este erro trivial pode deixar de DP a um garoto de 12 anos num colégio decente, mas é cometido por pessoas que têm em suas mãos a vida e a liberdade das pessoas!

Esgotamento Mental

Este procedimento consiste em saturar o leitor com um argumento repetido infinitas vezes, até que se torne um automatismo de sua mente. É um equivalente simplório e vulgar daquele ditado de Goebbels, de que qualquer mentira podia ser incutida se for suficientemente “martelada” na mente dos outros. Obviamente, não estou dizendo que os que usam estes argumentos no caso Battisti sejam do nível de Goebbels. Independentemente do mal-estar que produz a imagem do famoso nazista, devemos reconhecer que sua inteligência não era medíocre: foi uma pena que não a usasse para uma finalidade nobre.

No caso de Battisti, o argumento “esmaga cabeça” é o de sempre:

E, aí... e os boxeadores cubanos?

Aqui não preciso mencionar ninguém, porque este argumento foi usado mais de 1000 vezes, pelas figuras mais diversas: linchadores que escrevem comentários em jornais, apresentadores de TV, parlamentares do DEM, advogados de porta de cadeia, etc..

Eu também pergunto: e aí? Porque nunca foi provado, que eu saiba, que os boxeadores realmente queriam refúgio. Os que dizem que o governo não deseja desagradar a Fidel Castro estão no porão da inteligência biológica. Como explicam, então, que mais de 100 cubanos estejam refugiados no Brasil, incluindo outros atletas olímpicos? O será que Fidel só gosta de boxeadores, todos os outros podem ir embora?

Se eles pediram refúgio e foi negado, obviamente foi uma grave falência do governo e deve ser criticado por isso. Entretanto, nenhum deles, que eu saiba, estava ameaçado de morrer linchado numa cela sem luz.

Conclusão

Não sou das pessoas que odeiam seus inimigos. Pelo contrário, acho que muito de meus inimigos são meus grandes marketeiros. Saber que eles me odeiam me faz sentir que estou no caminho certo.

Tampouco tenho nada pessoal contra a direita. Um dos acusadores do sangrento tirano Pinochet, quando ficou retido em Londres, e depois liberado pela politicagem internacional, era um lord, membro do Partido Conservador. Creio que existe uma diferença conceitual definível entre direita e esquerda, mas como toda divisão de propriedades contínuas possui áreas difusas.

O que me deixa mais abismado no caso de Battisti, é o fato de não ter encontrado nem uma pessoa de certo valor humano entre seus inimigos. Há um jornalista que respeito e que é favorável a extradição, mas não parece ter nenhum ódio especial, nem faz disso sua militância. Acredito quê seja uma seqüela do confronto entre setores políticos dos anos 70.

Mas, fora disso, me deprime que todos os que eu tenho lido (deve haver outros que não conheço) são pessoas rançosas, pensamentos tacanhos e medíocres, sádicos frustrados, mentes servis e rotineiras, puxadores de saco das grandes empresas, partidos ou meios de comunicação, propagadores das mentiras mais brutas com a maior naturalidade, e órfãos de qualquer informação séria.

Poderia falar do outro lado, mas isso fica para outro momento. Além do mais nobre e honesto do Parlamento, estão de nosso lado os melhores juristas brasileiros, os quatro ministros que sustentam a honra da justiça brasileira, os jornalistas mais verazes e corajosos, as pessoas da rua que arriscam muito, porque ninguém sabe como se fará sentir a retaliação daquele mundo regido pela máfia, a igreja, o fascismo, e as organizações secretas.


Carlos Alberto Lungarzo foi professor titular da UNICAMP até aposentadoria e milita em Anistia Internacional (AI) desde há muitos anos. Fez parte de AI do México, da Argentina, e do Brasil, até que esta seção foi desativada. Atualmente é membro da seção dos Estados Unidos (AIUSA). Sua nova matrícula na Organização é o número 2152711.

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Texto enviado à nossa Agência Assaz Atroz pelo autor, colaborador unido a JUNTOS SOMOS FORTES
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Ilustração: AISC - Atrocious International Smuggling of Cartoons
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http://santanadoipanema.blogspot.com/
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