quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
A PRESIDENTE DILMA VAI INCUBAR O OVO DA SERPENTE?
Celso Lungaretti
A primeira foi ao reabilitar Antonio Palocci que, além de ter sido o ministro da Fazenda dos sonhos do Itaú e do Bradesco, passou com o rolo compressor do Estado em cima dos direitos de um coitadeza, fazendo exatamente o contrário do que os revolucionários devem fazer (defender os fracos dos abusos dos poderosos).
A segunda foi ao confirmar como ministro da Defesa o representante dos militares reacionários e dos interesses estadunidenses no seio do governo, Nelson Jobim.
A terceira será se sua intenção for mesmo a que lhe atribui esta notícia de O Estado de S. Paulo:
"Baía de Guanabara patrulhada pela Marinha. Envio de tropas e equipamentos militares para cercar e livrar outras comunidades fluminenses do tráfico e garantir investimentos sociais nesses lugares. Repetição da parceria entre polícias e Forças Armadas em outras capitais com problemas de segurança. O sucesso da invasão no Complexo do Alemão, no domingo, deixou a presidente eleita, Dilma Rousseff, entusiasmada e vai servir de modelo a novas ações em seu mandato......O tema foi debatido na noite de anteontem em Brasília durante reunião entre o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, a presidente eleita e o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.Segundo o vice-governador, o modelo de parceria entre Exército e polícia deve nortear a política de segurança pública da presidente eleita..."
Na nossa visão de homens de esquerda, há mais um forte motivo para se rechaçar firmemente esta hipótese, o de que, ao envolverem-se com as questões sociais, os milicos tendem a tentar resolvê-las com os métodos característicos do seu ofício:
- tratando criminosos e mero suspeitos como inimigos a serem esmagados custe o que custar, mandando direitos humanos e direitos civis às favas e fazendo áreas habitadas de campos de batalha, sem a mínima consideração com os inocentes colhidos no fogo cruzado;
- começando a elocubrar soluções mais definitivas para o problema, o que geralmente desemboca em estado policial.
Fico pasmo com a possibilidade de a companheira Dilma ter esquecido tal obviedade -- isto, repito, se o relato do Pezão, no qual o Estadão se baseou, for algo além da reiteração lobbista do desejo várias vezes expresso pelo patético governador Sérgio Cabral.
Torço para que não o seja, ou para que Dilma reconsidere.
Nós, os que sobrevivemos ao extermínio dos anos de chumbo, temos o compromisso de não relaxar a vigilância sobre os eternos golpistas, subestimando a possibilidade de um novo 1964.
Se o preço de uma Copa do Mundo e de uma Olimpíada for arriscarmo-nos a incubar o ovo da serpente, é melhor abrirmos mão do circo, concentrando-nos no dever maior dos revolucionários: garantir ao povo pão... e liberdade.

Prezada Nanda,
ResponderExcluirpor motivos diversos, até mesmo falta de tempo, às vezes eu não posto nos meus outros espaços o que coloquei no blogue Náufrago da Utopia.
Este artigo aqui, como não consegui postar na própria 4ª feira, eu me contentei em dar o link no final da minha postagem de ontem.
Mas, sempre que você ou qualquer outro quiser aproveitar, aqui ou no espaço que lhe aprouver, algum texto do meu blogue, pode fazê-lo à vontade, com minhas bençãos.
Um abração!