INTERNET Banda Larga em Comunidades a custo de 5 reais mês

INTERNET Banda Larga em Comunidades a custo de 5 reais mês
EMPODERAMENTO POPULAR com autonomia CIDADÃ. Saiba Como e pergunte aqui- DEBATE IMPORTANTE, PARTICIPE: http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/12/nossa-opiniao-banda-larga-e-telefone.html

Seguidores

Drogas Uma Guerra Perdida? Para que esta realidade sujeita a todos nós tenha fim ou redução Assista

Drogas Uma Guerra Perdida? Para que esta realidade sujeita a todos nós tenha fim ou redução Assista
A Primeira condição para se mudar a realidade é conhece-la - Eduardo Galeano. -' Só a Participação Cidada é Capaz de Mudar o paí'. Betinho . Não fique fora desta, participe, UM OUTRO MUNDO É POSSIVEL e Juntos Somos Fortes. Este PPS faz parte do PROJETO COMPAIXÃO E Cidadania que agora abraçamos e divulgamos sugerindo a todos repetir o feito.

Forum Permanenteem Defesa da Democracia, Contra os Erros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Julga

Forum Permanenteem Defesa da Democracia, Contra os Erros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Julga
Inscrição e adesao no Forum Fórum Pró-Verdade e Justiça

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pensamentando

A Noite
.
Por Luiz Rosemberg Filho & Sindoval Aguiar, do Rio de Janeiro


O cinema de Antonioni continua cristalino e necessário, ao revelar nossos muitos horrores numa espécie de nostalgia do que deixamos morrer.

Veja um trecho desta obra-prima:



Para Isabel Lacerda

O tempo que aparentemente não passa e ao mesmo tempo marca cada rosto. Cada corpo. Cada enraizamento nosso na solidão e na dor. Descoberto de suas certezas o ser humano vaga por uma teatralidade labiríntica entre ausências e silêncios. Sua presença são ausências de algum sentido ou sentimento mais profundo na sua constituição do humano. É só uma visualização de vazios sem significação alguma. Sua compreensível mundanidade de ser no mundo, é a nossa desumanização subordinada aos vazios da política e aos meios de comunicação. A grosso modo, somos todos parte dessa estranha relação de angústias, como a presença do mundo apreendida por todos nós. E, no que nos falta substância amorosa, realização alguma nos satisfará.

Digamos que o cinema de Antonioni é a exteriorização dos fantasmas vivos da solidão de todos nós. Uma teatralidade expressiva dos nossos muitos fracassos enquanto seres humanos. E numa espécie de labirinto-visual nos acolhe a todos, fechando-nos em nossas muitas angústias e sofrimentos. Em que somos diferentes dos seus personagens de Crônica de um Amor ao Deserto Vermelho, passando pela sua trilogia? Até poderia não ser assim. Poderia ser diferente e melhor. Mas somos preenchidos por muitos espaços vazios onde nem a palavra mais chega. Nada mais seduz a esta civilização que vai se esgotando na sua própria sombra.

O que interessa a Antonioni é uma intervenção indireta e simbólica instrumentalizada pelo requinte do seu olhar, o que nos transforma em formas irreconhecíveis de fragmentos, pois só somos isto: pedaços de algumas coisas que não se realizaram. Seus personagens vagam entre vazios e banalidades incorporados num sistema doído de silêncios e repetições onde representam nada. Herdeiros de um sistema de vacuidades e solidão.

Estão juntos numa longa festa que continua a de o magnífico O Leopardo no passado, só que brutalmente vazios, ofuscados e humilhados diante do que poderia ter sido a vida e não foi, pois a deixaram passar sem relação alguma com o saber e o prazer. Foram apenas espectadores dos seus vazios. Agora já estão mortos ou morrendo como o amigo no início do precioso filme.

Seu cinema continua cristalino e necessário. Absolutamente moderno, nos vemos revisitando nossos muitos horrores numa espécie de nostalgia do que de nós deixamos morrer. O ser humano tornou-se sem vida, ainda vivo. Representa o empresário, o escritor de sucesso, o político, o religioso fanatizado e a puta. Aparentemente satisfeito em representar, move-se no seu hábito frígido sem voz alguma. A Noite, de Antonioni, é a vida dos que esqueceram de si mesmos. O indizível das suas muitas monstruosidades onde o amor tornou-se apenas descrições visuais do seu mal-estar. E está só para morrer, do mesmo modo como sempre viveu: sem encantamento algum. Daí, a não-essência em nada no crepúsculo de suas muitas ausências, pois é apenas um sonâmbulo. Livro lido pela filha do empresário.

Carlos Drummond de Andrade, em um de seus poemas sobre instantes e eternidades, diz mais ou menos assim: “As coisas que podemos tocar tornam-se imperceptíveis, insensíveis à palma da mão; mas as coisas que acabam fugazes, coisas que terminam e que gostaríamos de eternizar, estas não, são coisas lindas, muito findas e que não temos poder para fazê-las ficar em nossas mãos. Mas ficarão como inseparáveis do nosso viver e do nosso sentir.” Este é o tema de A Noite, de Michelangelo Antonioni.

Alguns mestres do cinema são excepcionais na literatura do cinema, das imagens, na descrição e captação de um mundo assim: perceptível e imperceptível. Um deles, sem dúvida, é Antonioni. Um cineasta do isolamento, da solidão, de universos tangíveis e intangíveis. Suas tomadas são verdadeiras escrituras da expressão, da compressão e descompressão. Íntimas e universais! Da angústia à beleza e ao desespero. Tempos de vivência ou de ausências, tempos de invenção e de extrema idiotice, cinismos e fingimentos.

Antonioni é um cineasta historiador de uma Itália histórica e moderna, de vidas singulares, ativas ou banais. Em nenhuma delas a vida lhe escapa em sentido tão profundo quanto o de Hegel, mas em perspectivas, planos e paisagens tão díspares e distantes. Pelo fervor, pelo calor e pela poesia. A de uma poesia invadente e só dela, como entendimentos. Observador apaixonado, respeitoso, íntimo e presente. O que Drummond soube muito definir e expressar.

E como tem sido difícil captar o ser humano neste cenário das metrópoles, onde o presente se fixa e se rompe em verdadeiras viagens ao infinito de nós mesmos e da própria história, e dessa modernidade, que nos atropela sem reservas e sem paixões. Quase tragédias que o encantamento dissimula como algum sinal de vida. A Noite é filme para ser visto, filosofado, gostado ou não; e não para ser contado. Porque a noite é a de cada um e de toda humanidade. Numa narrativa que não somente encanta, preocupa e nos fecha abrindo perspectivas e esperanças, porque a utopia não morre. Muito menos o sentido da eternidade do amor. Esta coisa tão linda que o filme aborda. E amor como prisão, entrega, prazer, dor e solidão. Muito íntima, sensível e intangível.

Filme surpreendente pela presença, distâncias e nostalgias. Com o peso de cada existência sob a força de uma não existência em seus múltiplos aspectos, até nos das reinversões, quando a vida quer se impor sobre ruínas, necessidades e submissões. Onde qualquer resistência se torna um martírio pela lógica das razões e imposições, nos desdobramentos de tempos, de viveres e do sentir; de cada um e do universo circundante. Onde tudo é tão presente e, ao mesmo tempo, parece inútil consequência de um destino transparente e fugaz.

Alguns momentos deste filme são absolutamente antológicos como referências e como verdades. Em um deles, o casal, já no final, são próximos e íntimos como num último recurso. Quando o escritor fala: “A juventude possui uma arrogância como se nada fosse terminar.” Numa imersão no tempo, ele continua: “Parece que a gente só é feliz quando deu alguma coisa a alguém...”

Na cena final, Antonioni arrisca uma síntese. Sentados em um jardim amplo, sob a imensidão solitária da noite, a esposa retira da bolsa uma folha de papel e lê. É uma longa carta, como uma página de um livro. Com a carta terminada, só resta um silêncio entre ambos. O de um instante de grandes intensidades; o maior em todo o filme como uma presença e, talvez, a única entre ambos. Esta carta, coisa de tanto tempo, mas de universo findo e infinito, portanto, ainda presente, e que ficou. Foi o que definiu, pelo menos uma vez, aquele casal. Diante do silêncio do marido e de um encontro dele consigo mesmo, ou de ambos, na vida, ela o olha friamente e revela secamente a autoria:

“ É tua!” Então, abre-se para um final indescritível! Só Antonioni!

28/8/2010

Fonte: ViaPolítica/Os autores

Mais sobre Luiz Rosemberg Filho

rosemba1@gmail.com

Veja, em ViaPolítica, dois recentes curtas metragens de Luiz Rosemberg Filho:

Nenhum comentário:

Postar um comentário