Jaguar
Primeiro de uma série de retratos que, durante anos, fiz de grandes amigos, profissionais do mesmo racket: Jaguar, Ziraldo, Ivan Lessa, Nássara, Fernanda Montenegro, Jô Soares, Fortuna, etc. As palavras e as construções são usadas de modo escorregadio, com sentido às vezes ambíguo, às vezes permitindo o reflexo e a reflexão que o teleitor bem entender.
Jaguar tem dois lados, o lado de lá de tarde bate sol, por isso é que sua fisionomia é toda contra-luz. Movimenta-se em vários sentidos, três deles completamente neutros, nem por isso, porém, impraticáveis. Usa bigode, mas não se vê. É patriota contratado esperando efetivação. Com as suas mãos conseguiu executar uma terceira que usa para os melhores desenhos que faz. É casado mas não acredita no inferno. Às sextas-feiras, às vezes entrando pelo sábado é apocalíptico. Em dias de alegria fica triste mas esconde isso sob tal tumulto que sempre recebe o troféu alegria da festa. Tem uma filha cor de rosa e um filho verde, nascido misteriosamente em Pirassununga, alguns anos atrás, quando um OVNI baixou por lá.
Agora, quanto ao câncer, é a favor. Seus melhores amigos estão nas linhas transversais, mas não se importa; de vez em quando desenha um com aquela espada. Pratica-se diariamente, por isso é que é tanto. Tem degraus, setenta e oito ao todo, mas está pensando em instalar elevatória. Grande coração, as dimensões do qual têm sido até exageradas pois não transplanta. Da ponta do pé ao topo da cabeça vai toda a sua altura, mas nem isso o diminui. Reto quando a prumo, se curva todo ao menor elogio contrário. Tem olhos azuis, com os quais procura disfarçar seus estranhos óculos redondos. Modelo de pai, tem sido escolhido sempre como mau exemplo. Sua diversão preferida é ficar todo torcido diante dos espelhos que distorcem e fundir a cuca dos espelhos. Qualquer balança porém logo o desequilibra. No Banco do Brasil é considerado um funcionário bárbaro porque por onde ele passa não cresce a grana.
Se levanta com o sol: o difícil é ir deitar lá em cima da montanha da Gávea às quatro da manhã, depois de um pifa. Não fuma, mas, zangado, deita fumaça. Túnel Rebouças foi apenas durante quinze dias, pois detesta ar encanado. Quanto a Ipanema, diz sempre com orgulho: "I am a Banda". Tem trinta e seis anos, o que fica muito bem na sua idade. Como o vidro, é eternamente jovem, a não ser que o arranhem. Embaça um pouco, em dias de maresia interior, mas basta uma flanela e de novo ele brilha e reflete. Costumo lhe dizer: "Com teu talento, Jaguar, eu não estaria aqui. Estaria em cana, nos Estados Unidos."
Veja 1969
(Millôr, gênio de direita, em seu saite)
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Drogas Uma Guerra Perdida? Para que esta realidade sujeita a todos nós tenha fim ou redução Assista
A Primeira condição para se mudar a realidade é conhece-la - Eduardo Galeano. -' Só a Participação Cidada é Capaz de Mudar o paí'. Betinho . Não fique fora desta, participe, UM OUTRO MUNDO É POSSIVEL e Juntos Somos Fortes. Este PPS faz parte do PROJETO COMPAIXÃO E Cidadania que agora abraçamos e divulgamos sugerindo a todos repetir o feito.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
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