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sábado, 22 de maio de 2010

'Vida Artificial'????

''Uma espécie de filha do computador que logo será útil ao homem''


"Essa é a primeira espécie viva no planeta Terra que tem um computador como pai", anuncia, orgulhoso, Craig Venter. Cientista e milionário. Personagem controversa e no centro de milhares de polêmicas. Mas dele não se pode dizer que jamais tenha se isentado de um debate público. Nesta quinta-feira, o pioneiro da "revolução da genética" pegou o microfone para responder às críticas, falando em uma coletiva de imprensa organizada pela revista Science.
A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 21-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis a entrevista.
Acima de tudo, onde se encontra agora a bactéria artificial? Trata-se de um lugar protegido?
Encontra-se nos nossos laboratórios e está completamente sob controle. A bactéria que escolhemos pertence à espécie Mycoplasma mycoides e não tem nenhuma possibilidade de sobreviver sozinha. Ela precisa do rico coquetel de substâncias nutrientes que nós lhe fornecemos. Na natureza, ela coloniza alguns animais como as cabras. Mas se alguém fizesse com que cabras entrassem no laboratório, também não haveria nenhum risco de propagação, porque, ao sintetizar o DNA, eliminamos 14 genes que permitem que a bactéria se ligue ao animal que o hospeda.
Por que escolheram justamente essa bactéria?
Na verdade, havíamos começado com uma outra espécie, a Mycoplasma genitalium. Trata-se do ser vivo com o menor DNA existente, pelo menos entre aqueles conhecidos por nós. Ela nos ajudou a responder à pergunta: qual é o número mínimo de genes necessários para sustentar uma vida? Depois, porém, nos demos conta que o verdadeiro problema não era colocar os vários genes juntos. Éramos capazes de montar cromossomos até maiores do que o da genitalium. Mas não éramos capazes de ativá-los, ou seja, de fazer com que se desencadeasse aquele interruptor que transformava uma simples cadeia de elementos químicos em vida. Essa foi a maior dificuldade.
Quais instrumentos vocês usaram no laboratório?
Um software para analisar o genoma de partida e um aparelho para sintetizar o genoma artificial. Como só conseguíamos montar fragmentos muito pequenos de DNA, usamos uma célula de levedo para ligar todos os pedaços entre si. Extrair depois do levedo o produto final e inseri-lo na bactéria, evitando que o sistema de defesa destruísse o nosso cromossomo, foi um outro obstáculo nada pequeno.
Quais foram as outras etapas de aproximação ao resultado de hoje?
Em 2007, conseguimos transplantar o DNA de uma bactéria de uma espécia ao de uma outra. Retiramos o cromossomo de uma Mycoplasma mycoides e o transplantamos em uma Mycoplasma capricolum. Trata-se de duas espécies diferente em 10% dos seus genes, mais ou menos a distância entre um homem e um rato. Com o nosso experimento, conseguimos, pela primeira vez, converter uma espécie em outra. A capricolum se tornou mycoides porque havíamos modificado o seu genoma como se fosse o "sistema operativo" de um computador.
As suas experiências existem há 20 anos. Mas de agora em diante quanto tempo será preciso para criar outras formas de vida artificial?
Agora que aprendemos, para sintetizar um cromossomo de um ou de dois milhões de bases empregaríamos cerca de três ou quatro meses. Mas queremos ir além e passar das bactérias para as algas, que poderiam finalmente desenvolver funções úteis para o homem.
Para ler mais:
• Grupo nos EUA fabrica 1ª célula sintética
• Façanha de Venter suscita excesso de esperança e medo
• Um passo além de 'Jurassic Park'
• Craig Venter: o futuro e a vida artificial

(Inst. Humanitas Usininos)

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