Parece
.
Por Sergio Santeiro, de Niterói
Estranho, curioso e injusto mundo, o do mando. Obedecer? Tenho para mim que obedecer é sinistro.
Até parece que em tudo é assim: um bando de espertos que se investe de poder e favorece um bando de neófitos que, em reconhecimento, rende-lhe homenagens. Para alguns, nessa ou naquela posição, sua carreira é longa e, apesar das flutuantes condições, sempre dão um jeito de retornar aqui e ali no exercício do mando.
Estranho, curioso e injusto mundo, o do mando. Claro que ninguém pode exercer todas as funções na vida, e tanto mais complexos e numerosos somos na terra, a grande, o universo ou o planeta, e a pequena, em que efetivamente cada um de nós vive, cada um deve procurar mover-se com suas habilidades e, ao exercitá-las, crescer com elas.
Mas havia que hierarquizar as infindáveis funções, quando parece que, a cada dois, um há de querer mandar. Cá entre nós, entre o lixeiro e eu, qual o mais indispensável à vida? Como posso imaginar que a mim caberia o mando sobre o lixeiro. Nesta inacreditável sociedade nossa de mais consumo e mais lixo, melhor o lixeiro que nos livra da peste.
E, mais inacreditavelmente, porque essa nossa sociedade mais lixenta não transforma os lixeiros em operários da reciclagem do lixo, diminuindo o prejuízo evidente que o lixo nos causa. Industrializá-lo a cada bairro, a cada região, a cada cidade, conforme a razoabilidade.
Nem sei como é ou pode ser essa sociedade sem mando, parece que é assim nas ditas primitivas, ou seja, nem sempre imperou o mandonismo. Atualmente diriam que cairia na anarquia. E no que vivemos senão uma anarquia controlada pelo mando do poder e do dinheiro?
Ora, sabeis que o dinheiro não existe, é uma mera convenção social como dar bom dia ao cachorro. O dinheiro compra tudo, só não compra o pleno exercício da função de cada um para o bem-estar de todos. Sem ninguém querer mandar em ninguém, acredito que seria um mundo melhor e perfeitamente possível.
Entre mais velhos e mais novos, há um certo mandar, digamos, natural, que visa a não repetirmos os erros, tipo, se botar a mão no fogo, queima. Embora também se diga que é com os erros que melhor se aprende. E o aprender é na verdade buscar o que desperta a nossa atenção, daí deriva o progresso da humanidade, por incrível, há um progresso, que, infelizmente, não beneficia igualmente a todos.
Cada um que aprende e descobre soma a sua descoberta num enorme acervo de acertos, melhor é seguirmos com eles, ao invés de insistirmos sempre em inventar a roda. Seguir exemplos é uma boa medida, seguir os bons é melhor, apesar de tantas vezes e na história do mundo o que mais se faz é seguir os maus. Vejam as guerras, por exemplo, será que não se aprende que não pode, não dá certo?
O pior de tudo é que geralmente os mandões, que já são um erro em si, padecem de outro erro fundamental: pouco ouvem, pouco veem e muito falam, ou mesmo que pouco falem. Sua voz, no entanto, no alto a que indevidamente chegaram, soa como forte em cima de nós outros, não só porque somos naturalmente humildes, mas porque sabemos que não somos os bilhões melhores que ninguém e, portanto, não nos cabe mandar. Também não deveríamos obedecer, é um erro.
Obedecer? Tenho para mim que obedecer é sinistro. Se não reconhecemos o mando não temos por que reconhecer o obedecer. Se a palavra é justa e correta devemos concordar e agir conformemente. Se não, não. Sem combatermos e acabarmos com o mandonismo, eventualmente a começar por nós mesmos, pouco poderemos gozar nesta vida. Nem sim, e muito menos, senhor.
23/2/2010
Fonte: ViaPolítica/ O autor
Mais sobre Sergio Santeiro
E-mail: santeiro@anaterra.mus.br
BLOG VOLTADO PARA A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA, A DISCUSSÃO E O DEBATE SOBRE O BRASIL QUE QUEREMOS, ARTIGOS, COMENTÁRIOS DIÁRIOS SOBRE ESSES ASSUNTOS. A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO POPULAR NO PROCESSO POLÍTICO, A LUTA POR TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS. SE SOMOS A BASE DA PIRÂMIDE NOS CABE O DIREITO LEGÍTIMO DE DEFINIR O QUE VAMOS CARREGAR. VAMOS DISCUTIR E DEBATER, POIS JUNTOS SOMOS FORTES
Drogas Uma Guerra Perdida? Para que esta realidade sujeita a todos nós tenha fim ou redução Assista
A Primeira condição para se mudar a realidade é conhece-la - Eduardo Galeano. -' Só a Participação Cidada é Capaz de Mudar o paí'. Betinho . Não fique fora desta, participe, UM OUTRO MUNDO É POSSIVEL e Juntos Somos Fortes. Este PPS faz parte do PROJETO COMPAIXÃO E Cidadania que agora abraçamos e divulgamos sugerindo a todos repetir o feito.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário