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sábado, 26 de dezembro de 2009

DESMITIFICANDO LULA – 3

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Raul Longo

É recorrente um deslize fonético que inverte o sentido do verbo empregado como título desta série sobre as contradições do governo Lula, encontradas pelo meu amigo Príamo. A diferença é sutil na pronúncia, mas gigantesca no significado, pois se isso de DES-MITIFICAR dá um trabalho danado, DES-MISTIFICAR é coisa só pra iniciados e esotéricos, gente de alguma autoridade e correspondência com os universos metafísicos e paralelos.

Eu não me meto nessa seara porque é coisa que me assusta e não tenho conhecimentos para tal. Portanto vou ficando aqui pelas bordas, explicando apenas que segundo o bibliógrafo e arabista português José Pedro Machado (autor do Dicionário Onomástico e Etimológico da Língua Portuguesa) o prefixo DES, tal qual se o usa em ambos os casos, indica negação. Como em “DESconfiança”: falta ou ausência de confiança.

MITIFICAR, segundo o filólogo Antonio Houaiss, tanto pode ser transformar algo ou alguém em MITO, quanto atribuir, de maneira exaustiva, atributos exagerados a algo ou alguém “de modo a mascarar a realidade”.

Como se faz isso? Nada tão assombroso ou que requeira maiores poderes ocultos. Siga as instruções:

1 – Se não há nada que possa depor contra seu vizinho, vá prestando atenção em uma por uma das pessoas que com ele se relacionam, pois, como todo mundo, haverá de ter algum amigo, parente, funcionário ou conhecido que alguma vez já fez coisa errada na vida.

Duvida? Acha que todos os amigos do seu vizinho são santos só porque ele não sai da Igreja? Não se esqueça de que o ex-governador do Rio de Janeiro, Antonio Garotinho, também é de Igreja e tinha um funcionário que se metia com o jogo do bicho. Tá lembrado, ou já se esqueceu do Waldomiro Diniz?

Pois é... Assim se começa a construir um mito. Não é difícil. Por menor que seja a casa do seu vizinho, ele precisa de eletricista, encanador, jardineiro, faxineira, etc. Pesquisando a vida pregressa de cada um que ali entra e sai, você descobrirá alguém que já se meteu em alguma coisa errada. Aí o resto é fácil. Anote o próximo passo:

2 – Alie-se à fofoqueira da vizinhança. Sabe aquela que todo mundo chama de Gazeta do Bairro? Essa mesma! Você vai ter de oferecer alguma vantagem a ela, claro! Suponhamos que seu interesse é o de comprar a casa do vizinho, então você oferece uma comissão, um pedaço do terreno, os lustres, as cortinas... Qualquer negócio! E faça com que ela não se esqueça de dizer pra todo mundo que o infrator é carne e unha com o seu vizinho, por mais remota que, em verdade, seja a relação. Pois, por mais santo seja, o que funciona é o velho ditado do “me diz com quem tu andas, que já te conto quantos vão saber a boa bisca que és”.

E não se preocupe se o verdureiro chutou cachorro uma única vez e quando trabalhava de carteiro em outra cidade. Se o vizinho comprou alface do homem, é assassino de cachorro e pronto!

3 – Até aqui você já conseguiu criar uma desconfiança contra seu vizinho, mas ainda não é o suficiente. Des-confianças não fazem um mito que só se torna verdadeiro mito quando se tem certeza de que ele realmente exista, por mais fantástico que seja.

Então, continue de olho. Você conhece o bairro, sabe como são e funcionam as coisas em sua comunidade. Logo, logo o vizinho cairá na armadilha. Se não ele, um dos filhos, sobrinhos ou cunhados.

Quando qualquer um da família chegar às altas horas, entrando de mansinho pra ninguém perceber, solte aquele cachorrinho chato que você tem suportado especificamente pra esse momento.

Já imaginou, não é? O cachorro vai latir, o notívago tentará dar um passa-fora, e é quando você sai detrás da moita armando o escândalo, acusando o canicídio.

Seja tonitruante, tenor! Chute você mesmo o bichinho, com força pro ganido convencer a vizinhança. Acuse a família toda de um bando de lobisomens trucidadores de chihuahuas. Mas use de perspicácia e, para dar maior credibilidade à tramóia, faça de conta que livra a cara do vizinho insistindo que ele é gente boa e não cria pêlo à meia-noite. Depois deixe que a “Gazeta do Bairro” se incumba de dizer que pai de lobisomem, lobisomem é.

Ou vampiro.

Ela saberá convencer a vizinhança de que ele não tinha como desconhecer a boêmia do filho retardatário, pois sabia de tudo o que se passava em cada quarto e banheiro da casa. Revelará o conteúdo de conversas secretas, falsificará documentos, forjará fichas policiais, jurará por todos os deuses de pés juntos e dedos cruzados! Você nem imagina do que uma “Gazeta” é capaz!

Mas, cuidado! Às vezes ela inventa tanto que acaba criando um bicho com cabeça de leão, corpo de cabra e rabo de serpente, e nem grego acredita em tanta Quimera. De qualquer forma, se existe o ornitorrinco, meu troiano Príamo tem lá suas razões para encontrar no governo Lula uma segunda contradição:

b - Não adotou critérios de contenção para uso dos cartões corporativos, chegando a quantias estratosféricas. Os cartões corporativos foram criados em 2001, com a intenção de manter controle de gastos, mas só vieram a entrar em funcionamento em 2002, no último ano do governo de Fernando Henrique. Antes dos cartões corporativos, assinavam-se notas, descontavam-se cheques, e vá lá se saber em quais valores, quanto mais se nas exatas proporções estratosféricas das quais foi informado meu amigo Príamo.

Isso de valores, Príamo também não específica e, muito provavelmente, ninguém pôde lhe especificar, mas mitologia Moderna é assim mesmo. Aquilo de contar origens e desenvolver alguma explicação para tornar minimamente verossímeis os “causos” de monstros, deuses e heróis; era coisa lá da Antiguidade.

Naqueles tempos, os coitados dos poetas e dramaturgos tinham de arquitetar muito bem uma história para convencer seus ouvintes e leitores, já hoje em dia é muito mais fácil. Se uma “Gazeta” dessas afirma que algo é estratosférico, é o suficiente para faltar oxigênio e tudo levitar na ausência de gravidade. Gravidade em todos os sentidos: tanto no newtoniano quanto como sinônimo de seriedade.

Por exemplo, quando o então Ministro do Esporte Orlando Silva foi convocado por uma CPI proposta pelo deputado Carlos Sampaio do PSDB para explicar o estratosférico gasto de R$ 8,30 em tapiocas, com o cartão corporativo, teve gente que achou ser piada.

Príamo pode ter perdido o fôlego, mas Agripino Maia do DEMO aproveitou o gás da gravidade da denúncia e rapidamente levou para a CPI outra denúncia da “Gazeta” (o Jornal do Brasil), acusando o pagamento de 20 bailarinas com cartão corporativo. E por ninguém menos do que a Ministra Dilma Rousseff!

Um brutal escândalo sexual, pois evidentemente não se tratava de dançarinas de balé clássico. Pelo cachê das 20 moças juntas: R$ 100,00, não poderiam ser personagens do Degas coreografando Debussy. Evidente se tratar de streeps de boate de beira de estrada sem asfalto nem acostamento. Puta de fim de carreira, mesmo!

Felizmente alguém desconfiou da mitomania da “Gazeta” e proverbiais insuficiências intelectuais do senador Democrata (sic). Com sorte se suspendeu a convocação da Ministra Dilma para explicar aos parlamentares da CPI da Tapioca o michê das tais bailarinas, pois ia ficar muito chato a futura presidente da república comparecendo no Congresso com 20 vasinhos de flor de bailarina que comprou pelo cartão corporativo.

Só que aí é que tudo começou a dançar porque acharam de levantar os gastos corporativos dos cartões lá do final do governo FHC, em 2002, e respingou até nos corporativados do governo José Serra, em São Paulo. Pra tentar acertar o passo, mudaram a música inventando a feitura de um dossiê contra FHC e aí não teve jeito: a Ministra teve de explicar tim-tim por tim-tim.

Na verdade não explicou coisa alguma, porque a natureza de todo mito é racionalmente inexplicável e não consegue sobreviver além da especulação. Mas como o Senador Agripino, além de Homero às avessas – mitólogo ou mitômano sem história e cronologia convincente não faz Odisséia –, também não sabe aproveitar as boas oportunidades que se lhe apresentam para ficar calado. Conclusão: acabou lançando a candidatura Dilma em âmbito nacional, com aquela história da mentira ao torturador.

Ou seja, o que de mais edificante sobrou da CPI da Tapioca foi a confirmação da velha máxima de que, por trás de toda grande mulher, há sempre a sombra de um homem pífio a caminho do limbo.

Claro que a “Gazeta” saiu gritando aos quatro ventos que a CPI terminou em pizza, mas na verdade o que deu foi uma bruta indigestão de tapioca e meu amigo Príamo, coitado, tá com azia até hoje. Mas isso é porque além de nunca lhe informarem a quais estratosféricas dimensões remontariam os gastos dos cartões corporativos, tampouco contaram que “Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (Controladoria Geral da União) anunciaram nesta quinta-feira restrições para o uso dos cartões corporativos. As medidas foram anunciadas após a suspeita de ministros terem usado irregularmente o cartão de crédito corporativo.

Entre as medidas anunciadas está a proibição de saques em dinheiro para pagamento de despesas cobertas pelo cartão... As novas regras prevêem também que ministros poderão autorizar o saque de 30% do limite, o que precisará ser justificado.” Embora tudo isso tenha sido informado pela própria “Gazeta” (Folha Online 31/01/08)

Claro que, se o governo adotou tais critérios de contenção de uso dos cartões corporativos já no início das denúncias, abusos ocorreram de fato. Mas Príamo só precisa saber dos abusos, e não é intenção do véu da mitomídia revelar muito além disso. E, se revela, nunca com o alarde das tapiocas e bailarinas

Menos ainda revelará que esses abusos só foram descobertos porque esse governo adotou o mais eficiente critério de contenção de qualquer abuso, já utilizado no Brasil: o Portal da Transparência.

O dia em que Príamo acionar o http://www.portaltransparencia.gov.br/, a “Gazeta” de seu bairro sofrerá sérios problemas de credibilidade. E coitada dela se, retirado o véu da mitomídia, Príamo se descobrir o Hércules que juntos todos somos.

Mas não posso finalizar sem antes explicar a diferença entre Des-mitificar e Des-mistificar. Em poucas palavras: desmi-tificar é destituir o mito, a mentira contada sobre alguém. Des-mistificar é destituir o mistério, o caráter místico de alguma coisa.

Um exemplo: Santo Expedito, o das causas impossíveis, foi retirado do calendário católico porque se concluiu que nunca existiu. Era um mito e, portanto, foi desmitificado num concílio. E olha que tem até igreja construída em intenção do Dito! Além de devotos, empresas, indústrias, comércios. É nome de diversas cidades espalhadas pelo mundo e até de time de futebol.

Agora, isso de des-mistificar já é muito mais complicado e descamba pro sobrenatural.

Exemplo: em 1994, FHC recebe de Itamar Franco um país com U$ 40 bilhões de reservas econômicas e uma dívida externa de aproximados U$ 145 bilhões. Em 2002, FHC repassa para Lula esse mesmo país com U$ 16,3 bilhões em reservas econômicas e uma dívida de U$ 240 bilhões.

Em 4 anos Lula paga a dívida externa triplicada ao longo de 8 e, hoje, o Brasil acumula reservas que beiram aos U$ 300 bilhões de dólares, aproximadamente 20 vezes mais daquela que se reduziu há quase ¾ do valor inicial.

Enquanto a coisa fica em números, redondos ou aproximados, tudo bem. Se pode, por lógica, concluir eficiências ou insuficiências, capacidades ou gatunagens. Compara-se com informações sobre congelamentos de salários, privatizações e ausência de obras públicas de um; e dos investimentos em programas e obras sociais, de infra-estrutura, educação, segurança... de outro.

Pode-se chegar a alguma conclusão, tirar uma média racional, prática, real, efetiva, concreta.

Vem uma crise internacional, e a realidade, por maior que seja o falatório e histeria das “Gazetas”, fica ainda mais palpável, evidente. Materializada.

Mas, quando entram os tais gastos estratosféricos dos cartões corporativos, aí tudo passa pro místico, e a gente se perde, porque a conversa passa pro terreno metafísico, inatingível à compreensão natural das coisas!

Pra mim, pelo menos, é um absoluto mistério como o governo Lula consegue permitir gastos estratosféricos no cartão corporativo e ao mesmo tempo pagar uma divida externa, sobre a qual fui criado consciente de que meu quaquaraneto já nasceria responsável, e o mundo inteiro concluía definitivamente impagável.

Aí mora um mistério mais inexplicável do que o da Santíssima Trindade. Em nome do Pai, filho e Espírito Santo, cruz credo! Nesse assunto eu não me meto que tenho medo de magias, assombrações e paranormalidades!

Príamo é que explique e canonize Lula pela multiplicação ou transubstanciação de gastos em proventos, porque fazer tudo o que fez e ainda liberar quantias estratosféricas é de superar o Expedido nas causas impossíveis! Sei lá se é questão de fé, não entendo de eucaristias, e isso de milagres nunca foi comigo.

Em assunto de assombração, tô fora!

Raul Longo
pousopoesia@gmail.com
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC
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Raul Longo, jornalista, poeta e escritor, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O NATAL DEPOIS DO NATAL QUE NÃO HOUVE

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Urda Alice Klueger

Faz um ano, agora. Foi o ano em que não houve Natal, a não ser aquele maquiado, para o turista ver. Assustada com tudo o que acontecera, eu estava vivendo em poucos metros quadrados, no depósito de livros de uma editora, sem fogão, sem geladeira, sem chuveiro... SEM JANELA! Sentia-me uma privilegiada, no entanto, pela privacidade que tinha, pelos banhos de balde, pelo ventilador, por ter dinheiro para o restaurante e a padaria, pelo acesso em tempo integral a um computador e à Internet, depois que ela voltou a funcionar. Quando me cansava de trabalhar ao computador, esticava um colchonete de camping dentre as caixas de livros e dormia, sob os cuidados do meu cachorro, que nem adulto ainda não era.

Era bem diferente a situação das pessoas que estavam no abrigo público mais próximo, no entanto. Além de todos os desconfortos da falta de privacidade, havia as lembranças e a grande falta de perspectivas. Suas casas tinham explodido em um segundo, conforme me contou o artista plástico Tadeu Bittencourt que acontecera com a casa dele e conforme eu própria vira explodir as casas dianteiras do lugar onde morava – e as casas escorreram morros abaixo junto com os morros derretidos, e assim como as casas, sumiram também os terrenos, e já não havia para onde voltar.

Naquele angustiante tempo de Natal, eu costumava tirar um tempinho para ir lá no abrigo fazer companhia àquela gente – não havia muito o que fazer, mas eu sentava lá e eles me contavam das suas vidas, e acho que isto era o melhor que eu conseguia fazer. Lembro muito de um senhor já idoso chamado seu Jacinto, que me contava de como trabalhara a vida inteira, de como criara os quatro filhos, de como fizera a casa dos seus sonhos, de como comprara redes espreguiçadeiras para a larga varanda de 54 metros quadrados onde recebia os filhos nos dias de festa, e de como ele e a mulher se deitavam nas redes, na hora do por do sol, e ficavam olhando a paisagem e se certificando da sua felicidade...

Tudo aquilo sumira num segundo, e seu Jacinto era apenas um entre tantos, entre tantos, naquele abrigo e em tantos outros... Sou pródiga em primos, amigos, afilhados – poderia ter passado a noite de Natal em diversos lugares, mas achei que naquele ano, o ano passado, deveria estar com aquela gente naquele momento mágico que marca o meu ano. Foi bom. A cientista social Luzia e um lindo soldado de 18 anos se desdobraram na cozinha e usaram das muitas doações que a generosidade de todo o país mandara para a nossa cidade para fazerem uma ceia condigna, com quatro grandes perus recheados e mesa decorada com folhas das árvores circundantes. Eu fiquei ali ouvindo as histórias daquela gente até a madrugada, e o Natal se foi.

Faz um ano, agora. Choveu dinheiro de todos os lados para resolver a situação de toda aquela gente que estava desabrigada faz um ano. Veio dinheiro de doações (tenho os números das contas bancárias das quais nunca ninguém jamais viu um extratozinho que fosse) e tenho cópias dos documentos de repasses de verbas milionárias que o Governo Federal fez para o governo do Estado de Santa Catarina – sempre há aqueles espíritos de porco que dizem que o governo do Estado não distribuiu o dinheiro, mas então, como é que os demais municípios atingidos pela catástrofe estão fazendo as obras e as casas necessárias? Sei que choveu dinheiro, mas os desabrigados de Blumenau, um ano depois, continuam nos tais abrigos provisórios. Indagorinha estive num deles para fazer uma visitinha ao seu Jacinto e sua mulher, e vi bem como é: a prefeitura alugou grandes galpões (claro, houve também o escândalo dos galpões superfaturados – não é exagero meu, saiu em todos os jornais, inclusive os da situação), e lá se vive, eu diria, mais que precariamente. Vou tentar contar um pouquinho:

O galpão onde fui é alto, com teto de zinco. Imaginem o calor que fica sob aquele zinco nos 40 graus que faz nesta cidade – forno puro! Sob aquele zinco, tabiques de madeira à meia altura dividem famílias em cubículos, onde elas se amontoam, cada um ouvindo tudo o que se passa por detrás de todos os tabiques, enquanto aquele dinheirão todo... cadê o dinheiro da reconstrução?

Seu Jacinto me falou dos três containers que servem de banheiro para aquela gente toda – quantas pessoas? 150? 200? Disseram-me que há abrigo com mais de 450 pessoas...

E então há a cozinha coletiva. As pessoas se organizaram, cada família ficou com duas bocas de fogão, e toda aquela gente cozinha e frita, frita bife, frita batata, frita banana... Todos os odores daquelas frituras todas viajam pelo oco entre os tabiques de madeira e o teto de zinco, e há um onipresente cheiro de fritura impregnando tudo, e tudo cheira a gordura rançosa, e a gente faz de conta que aquilo não está acontecendo, que se está mesmo na casa do seu Jacinto, e era assim que eu estava lá quando caiu uma chuvarada, e o barulho no zinco era tão grande que se tornava impossível continuar a conversar.

É assim que está sendo o Natal de um ano depois do Natal que não houve. Tive a sorte de vir morar numa casinha que tem até cheiro de flor, onde crianças vem brincar na minha varanda e há até estrelinhas luminosas do lado de fora da janela. E os que não tiveram sorte, como vai ser? Estão lá, assando sob o zinco, tomando banho em containers, sem privacidade, impregnados de cheiro de fritura... As pessoas já pouco lembram deles...

Quando se fará justiça nesta minha terra?


Blumenau, 22 de dezembro de 2009.

Urda Alice Klueger
Escritora
Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Wikiphedia - A enciclopédia Assaz Atroz - Marina Silva

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Meu nome é Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima. Me diga mesmo: num parece nome de quem nasceu em berço de ouro?! Pois é, mas num foi, não! Eu nasci numa colocação chamada Breu Velho, no seringal Bagaço, lá no Acre. Hoje eu tenho orgulho de dizer que nasci e me criei junto a essa minha gente sofrida. Mas nem sempre foi assim, nem sempre tive esse orgulho todo...


Quando eu tinha 15 anos, vivia triste, acabrunhada. Ainda nem sabia ler. As revistas que chegavam por lá eram algumas fotonovelas, como Capricho, Destino e outras bem antigas, que o homem do barracão comprava os fardos em Rio Branco e usava para embrulhar mercadoria. Antes ele emprestava pra gente. Eu apreciava as fotos e sempre aparecia alguém para ler a novela. Cheguei a pensar em ser freira. Seria melhor viver num convento do que naquele fim de mundo. Foi então que adoeci. Todo mundo pensou que fosse malária, mas num era, não! Era hepatite. Aí me levaram para a capital. Lá em Rio Branco, o bispo se compadeceu de mim e me acolheu na casa das irmãs Servas de Maria. Entrei pro Mobral e aprendi a ler e escrever. Num gosto nem de dizer que fui beneficiada pelo programa de alfabetização da ditadura militar, mas... fazer o quê?! Infelizmente essa é a verdade. Mas eu posso dizer que fui vítima da ditadura, basta ver a vida que eu levava naquele tempo!


Fui levada à atividade política e social pela Igreja Católica, mas descobri que no movimento evangélico-protestante eu teria mais chances de me projetar. Basta ver que os neopentecostais cresceram muito, as bancadas deles nas assembleias legislativas e no Congresso são muito fortes. Bom, mas com a ajuda da Igreja Católica eu aprendi a ler, escrever e acabei me formando. Na minha página da Wikipédia o pessoal resolveu deixar apenas minhas relações com a Igreja Católica, nada de evangélicos, pois isso é coisa de minha vida privada, e ninguém tem nada com isso. Ah, o pessoal também omite o nome do PT quando fala de minhas eleições; deixa apenas a sigla PT quando se refere à eleição que perdi. Mas isso é coisa desses meninos metidos a marqueteiros. Bom, de qualquer forma, isso está sendo esclarecido aqui na Wikiphedia.


Infelizmente não tem como negar, todo mundo sabe que eu cheguei onde cheguei foi montada no PT. Em 1988, fui a vereadora mais votada do município de Rio Branco, conquistando a única vaga da esquerda na Câmara Municipal. PT. Em 1990 me candidatei a deputada estadual, pelo PT, claro, e obtive novamente a maior votação. Em 1994 foi eleita senadora da República, pelo PT do meu Estado, com a maior votação, enfrentando uma tradição de vitória exclusiva de ex-governadores e grandes empresários do Estado. O PT foi tudo na política para mim! Basta dizer que fui Secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, de 1995 a 1997. Mas a glória veio mesmo foi com a eleição de Lula em 2003. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, foi nomeada ministra do Meio Ambiente. Deus do Céu! Vocês nem imaginam com o que eu comecei a sonhar! Imaginam?! Pois é, acertaram! Isso mesmo, se Lula chegou lá, porque eu num chegaria, né?! Olha, eu tinha um trabalho reconhecido no mundo inteiro! Fiz muito, mas muito mesmo, quando fui ministra do Meio Ambiente! Governo nenhum havia feito nem a metade do que eu fiz como ministra do governo Lula. Ah!, eu ia esquecendo: sou ativista em defesa do meio ambiente desde aqueles tempos em que lia Capricho, Sétimo Céu, Contigo... Eu ligava o radinho de pilha do meu primo e ouvia Roberto Carlos cantando: “Seus netos vão te perguntar em poucos anos pelas baleias que cruzavam oceanos...”. Me emociono, me arrepio toda só de lembrar! Muitas emoções!


Enquanto fui ministra do Meio Ambiente do governo Lula, criei muitas áreas protegidas na floresta amazônica. Comigo foram delimitados 24 milhões de hectares verdes, coisa nunca antes ocorrida na história deste país. Meu trabalho foi tão bom, mas tão bom!, que o mundo todo reconheceu. Ganhei prêmios mundo afora. Já em 1996, ainda como Secretária Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, recebi o Prêmio Goldman do Meio Ambiente pela América Latina e Caribe, nos Estados Unidos. Em 2007, por meio da Medida Provisoria 366, pela força de Lula, conseguimos desmembrar o Ibama e repassar a gestão das unidades de conservação da natureza federais para o Instituto Chico Mendes. Também em 2007, recebi o maior prêmio das Organização das Nações Unidas na área ambiental, o Champions of the Earth (Campeões da Terra), concedido a seis outras personalidades: o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore; o príncipe Hassan Bin Talal, da Jordânia; Jacques Rogge, do Comitê Olímpico Internacional (COI); Cherif Rahmani, da Argélia; Elisea "Bebet" Gillera Gozun, das Filipinas, e Viveka Bohn, da Suécia. Em 1 de abril de 2009 (primeiro de abril, mas num é brincadeira, não!), ganhei o prêmio norueguês Sofia, de 100 mil dólares, por minha luta em defesa da floresta amazônica. Tudo ainda pelo meu trabalho como ministra do governo Lula. A própria fundação que me concedeu o prêmio informou: "Ela reduziu o desmatamento na Amazônia para níveis historicamente baixos, 59%, de 2004 a 2007”. Áreas enormes foram conservadas, enquanto estive à frente do Ministério do Meio Ambiente. Mais de 700 pessoas foram presas por atividades ilegais na floresta, mais de 1.500 empresas foram fechadas, e equipamentos, propriedades e madeira ilegal foram apreendidos. É isso aí, gente! Porque a Polícia Federal e o Ibama no governo Lula não dormem! Também me preocupei com as populações indígenas. E, mesmo tendo saído do governo, tudo que fiz ainda repercute. Em 10 de outubro de 2009, recebi o prêmio Mudanças Climáticas, oferecido pela Fundação Príncipe Albert II de Mônaco. Fui considerada pela Revista Época uma dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Enfim, o PT e o governo Lula foram tudo para mim.


Tenho amigos no PT, sempre fui muito querida no partido e no governo. Eu era, por assim dizer, o xodó do governo Lula e do Partido dos Trabalhadores. Eu já sonhava com a Presidência da República... Afinal, se Lula chegou lá, por que essa não seria a minha vez?

Foi aí que me desgostei! foi quando eu descobri que o verdadeiro xodó não era eu! Quer dizer, eu poderia até continuar sendo a queridinha, a namoradinha do Brasil, como a Regina Duarte foi por muitos anos. Mas ela... Ela... pronto, todo mundo sabe quem é! Ela foi a escolhida. Ela, uma mulher quase tão braba quanto a Heloísa Helena! Ela foi a escolhida. E eu, um doce de criatura, a candura em pessoa, tinha que me contentar com um ministeriozinho! Ah, mas nem morta! Ela, com suas obras faraônicas, com aquela pose de executiva! Ares de administradora! Mandona! Isso, sim! Tá vendo essa foto aí em cima?! Pois foi tirada no momento em que eu disse NÃO a ela! Assim, na lata! Não ao projeto que ia atrapalhar o amor dos bagres no rio Madeira. Isso só pra construir uma usina hidroelétrica. Não! Eu disse assim, na lata: "Ninguém vai atrapalhar o amor dos bagres!" Os bichinhos também são filhos de Deus. E tá lá na Bíblia: "Crescei e multiplicai!"


Mas eu não deixei de graça, não! Eu não podia continuar num governo tão ingrato como esse! Pedi demissão do Ministério do Meio Ambiente. Voltei pro Senado, saí do PT, fui para o PV do Gabeira. Esse, sim, é ex-petista, já foi até ex-verdista, voltou pro PV, é ex-guerrilheiro, ex-candidato a prefeito do Rio, ex-político mais honesto do país, eleito pela ex-revista Veja. Gabeira também foi torturado pela repressão nos tempos da ditadura, enquanto eu era alfabetizada pelo Mobral e queria ser freira; mas Gabeira não quer ser presidente da República, ele sabe que essa é minha vez... Até o Serra me apoia! Serra é meu amigo de longa data! Eu nunca disse isso antes porque ia pegar mal. Mas disse recentemente e continuo dizendo: Serra é meu amigo do peito! Quem quiser pode conferir aí... Tá tudo registrado no vídeo que o Paulo Henrique Amorim divulga: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=24277. Isso pra todo mundo ver que eu e Serra somos amigos pessoais há muitos anos!

Serra é tão meu amigo... mas tão amigo!, que quando Lula escolheu a outra... Aquela lá, sabe? Pois bem... aí o Serra tomou umas cachaças e ficou tão bêbado, mas tão bêbado!, que não sabia nem o que dizer. Até que, depois da ressaca, ele disse...



Renunciei à minha vocação para o celibato, deixei de ser freira para virar vereadora, deputada, senadora, ministra, celebridade política; me sacrifiquei, precisei viajar mundo afora, cumprir compromissos com chefes de estado, nobreza, imprensa, universidades. Depois de tudo isso, eles ainda têm coragem de vir me beijar. Até esse Judas e esse judeu!




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PresAA

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Opa! Uma boa noticia do ES : Vi lá o sonho transformado em realidade: POLICIA INTERATIVA

Olá compas,


Nada oficial, nenhuma reportagem. mas EU VI... e adorei:

O companheirismo, dedicação e empenho das polícias federais, civil e militar numa operação surpresa em beneficio de TODA A SOCIEDADE. Rápidos e certeiros e da noite pro dia......... SUCESSO.

Que bom ter constatado que JUNTOS SOMOS FORTES, e foram.

Pra fechar o ano com chave de ouro: Lula lança projeto que prevê união Civil GLBT

Lula lança programa de D.H.que prevê casamento gay

Lula lança programa de Direitos Humanos que prevê casamento gay
Autodeclaração de gays e lésbicas seria considerada no sistema público.
Texto prevê também ensino da diversidade religiosa na escola.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (21), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos. Um dos aspectos abordados pelo programa é a defesa do projeto de lei do casamento gay, que permite a união civil entre pessoas do mesmo sexo.
De acordo com o material divulgado à imprensa pela Secretaria de Direitos Humanos, que coordena o programa junto com outros 30 ministérios, além de apoiar o projeto sobre união civil, o programa prevê que os sistemas de informação pública passem a considerar como informações autodeclarações de gays, lésbicas, travestis e transsexuais. O projeto defende ainda que travestis e transsexuais possam escolher seus nomes em documentos sem necessidade de decisão judicial.
Outro tema polêmico do programa é a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. O programa prevê também a inclusão no currículo escolar do ensino da diversidade religiosa com destaque para as religiões africanas.
O programa abrange ainda o chamado “direito à memória e à verdade”. É proposta a criação de um grupo de trabalho para elaborar um projeto de lei para instituir uma comissão nacional da verdade com o objetivo de investigar violações dos direitos humanos durante o regime militar.
O direito de pessoas com deficiência também está contemplado no programa. Coloca-se como prioridade a acessibilidade nas cidades que sediarão a Copa do Mundo de Futebol de 2014. Há a intenção também de colocar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como disciplina facultativa nos currículos escolares
Fonte: G1 
 
Cara Laio ( comunidade DH ORKUT)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

"Avatar"

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CRIMINOSO

Filme traz o que existe de mais desprezível na sociedade e funciona como uma máquina de entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas frente à realidade que as cerca.

- por André Lux, crítico-spam

Existem duas maneiras de se ver um filme como “Avatar”. A primeira é como pura peça de entretenimento da indústria cultural estadunidense e aí encher o texto com termos como “revolução digital” e outras tecno-baboseiras que vem junto com as suas campanhas publicitárias milionárias e são repetidas mundo afora pelos patéticos profissionais da opinião vendidos ao sistema. Outra é analisá-lo como o produto cultural de uma sociedade decadente e doente.

Eu prefiro a segunda. Assim, a partir dessa visão, “Avatar” traz tudo que existe de mais desprezível e grotesco nessa sociedade e funciona como uma verdadeira máquina de ludibriar e entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas e amorfas frente à realidade que as cerca.

O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda. Homem branco que vai viver no meio dos “bons selvagens” e, depois de muita dificuldade e desconfiança, torna-se um deles, apaixona-se pela mocinha e luta com seus novos amigos contra seus próprios “irmãos” de raça, que querem destruir tudo em nome do lucro. Assim, os vilões do filme são os malvados executivos de uma corporação capitalista e, claro, os militares. Os primeiros querem devastar o planetinha dos bondosos aliens azuis para minerar suas terras e os segundos, bem, querem jogar prazerosamente o maior número de bombas em tudo e em todos. Clichês dos clichês!

Mas não seria essa uma mensagem ótima, ainda mais quando enfia no meio um monte de jargões ambientalistas que estão na moda atualmente? Poderia até ser, se tudo não fosse embalado por uma resolução catártica e redentora das mais podres que eu já vi na vida. É como se o diretor James Cameron tivesse investido 15 anos de sua vida na parafernália eletrônica que dá vida ao filme e cinco minutos na criação do roteiro. Mas, como eu disse antes, não é nem isso o que mais incomoda. O que é realmente repugnante é a maneira como todos esses clichês são elencados na tela até o final feliz abismal, que nos ensina que os bonzinhos sempre vencem e conseguem, inclusive, botar o terrível exército dos EUA para correr (como se eles não fossem voltar dali a um mês ao planeta e explodir tudo com bombas atômicas!).

E qual o sentido disso, o que está por trás desse tipo de mensagem? Algo que ninguém parece perceber (ou prefere fingir não perceber): a necessidade de nublar a mente das pessoas e deixá-las entorpecidas e acomodadas aos valores morais mais torpes e hipócritas que existem, já que podem ver realizados na tela do cinema todos os sonhos e desejos de redenção e vitória que nunca se realizariam no mundo real. Ainda mais quando tudo vem embalado com louvor a crendices sobrenaturais (que alguns chamam de “religião”), do tipo "reze bastante que um dia você será atendido"!

A serviço dessa mensagem obscena temos o que há de mais avançado em tecnologia digital disponível. E daí? Como bem disse minha esposa arquiteta, um projeto de arquitetura ruim não vai melhorar só porque foi apresentado no programa de maquetes eletrônicas mais poderoso que existe, certo? “Avatar” não passa então de um desenho animado feito em computador que vai ficar obsoleto daqui a alguns meses quando inventarem algo mais “revolucionário”.

Enquanto isso, somos ensinados por gente mal intencionada ou simplesmente ingênua (de boas intenções o inferno está cheio, vide os igualmente catastróficos "Diamantes de Sangue" e "Wall-E") como James Cameron que não é preciso lutar contra o conformismo e as injustiças na vida real como fizeram Che Guevara e Ghandi, pois no mundo dominado pelo “american way of life” todos os seus problemas serão resolvidos no cinema – de preferência embalados por uma trilha musical grotesca de James Horner (que após esse filme deveria se aposentar) e um óculos 3D na cara. Depois você pode sair do cinema, esquecer tudo o que viu e ganhar um bonequinho do filme ao comer no McDonald’s.

Criminoso.

Cotação: *





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PressAA

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PESQUISAS: DILMA SOBE QUASE 200%

Com o resultado do Datafolha a tucanada solta rojões e grita já ganhou.

Masssssssssss…Vamos observar o seguinte:

Março de 2009

Serra tinha 38% subiu para 41%

Dilma havia subido de 3% para 8%

Dezembro de 2009

Serra continua no mesmo patamar 37% a 40%

Dilma subiu para 23%



Resumo da ópera:

Serra andou, andou e não saiu do lugar


Dilma cresceu quase 200%


Serra já atingiu o seu pico e Dilma ainda não.


Do jeito que a coisa vai, vamos para o segundo turno e mais uma vez iremos derrotar as forças que representam o atraso da humanidade em nosso país, quiça não o fizermos no primeiro turno.
Serra, o cavalo paraguaio!


Maurício

Assaz Atroz evoca Drummond e Nelson Rodrigues para explicar o óbvio


Neste exato momento Lincoln Gordon - embaixador dos EUA no Brasil no momento do golpe de 64 - ainda é defunto fresco, enquanto Rodriguinho Maia e ACM Neto, por mau exemplo, são velhas raposas desde o berço.

Fernando Soares Campos (*)

Caia, quando você fala de “...vícios estruturais da argumentação do Laerte, do Lungaretti e dos rapazes da Agência Assaz Atroz: TUDO tem, sempre, de caber em categorias velhas”, eu fico tentando identificar as categorias “velhas” e “novas”, quero separá-las quando o assunto é, por exemplo, o golpe de 64 ou os golpes midiáticos de hoje. Aí me lembro da UDN que me faz lembrar a Arena que me faz lembrar o PDS que me faz lembrar o PFL que me faz lembrar o DEM que me faz lembrar o PSDB que me faz lembrar traições, entreguismos, corrupção...

Um dos grandes problemas de pessoas que participaram de determinados momentos históricos é acreditar que todo mundo conhece a história em seus pormenores e a entende tanto quanto ele assimila e compreende os fatos.

Quantas vezes a gente está batendo um papo com alguém sobre o passado vivido por ambos e acaba saltando determinados detalhes porque acredita que o interlocutor está careca de saber tudo sobre aquilo. De repente esse alguém com quem estamos conversando contra-argumenta de tal maneira que nos faz desconfiar que ele simplesmente desconhece o que parece óbvio.

Sabe aquela frase atribuída a Nelson Rodrigues: “Só os gênios enxergam o óbvio”? Pois é, o problema é que os gênios, apesar de enxergarem o óbvio, muitas vezes não enxergam o ululante, aquilo que, por ser óbvio, ele próprio acredita que todos estão enxergando. Lerdo engano do gênio. (Lerdo mesmo, não é ledo, não.)

Laerte Braga e Celso Lungaretti têm desempenhado um papel fundamental e prestado um serviço relevante à memória política e ao atual momento histórico. Ambos associam o passado ao presente de forma competente, restaurando elos corroídos e até mesmo aparentemente arrebentados pelas mentiras repetidas.

Neles não enxergo “vingancismos” ou revanchismos, menos ainda “moralismo tosco”, mas tão-somente esclarecimento e alerta para compreensão da realidade, busca da verdade e consequente aplicação de justas medidas. Restaurar a verdade é uma ato supremo de justiça; o que vier depois disso pode ser lucro, prêmio, consagração de que a luta valeu a pena.

Há quem fale em estilo dos autores. O estilo da Caia seria, digamos, vanguardista, ousado; Laerte e Lungaretti são mais conservadores nesse aspecto. Até me arrisco a dizer que eles se enquadram no lema da agência assaz atroz (pressaa) - redação: “Ativismo com atavismo sem saudosismo – mas com um toque de pragmatismo”.

Mas eu quero me referir mesmo é ao enfoque. A bandeira de todos nós pode ser a mesma: justiça social, por exemplo. Mas nenhum de nós tem condições de enfocar um único tema por todos os ângulos possíveis. Daí a importância do papel de cada um de nós. Eu aprendo com a Caia basicamente o mesmo que aprendo com Laerte ou Lungaretti. Mas Laerte me fala do “a”, Caia me explica o “b”, Celso me ensina o “c”, e assim vou aprendendo o abecedário, acabo juntando as letras e formando palavras, frases, períodos, textos que repasso.

Falei bobagem?

Espero que sim, pois nunca aprendi nada falando ou escrevendo aquilo em que há concordância ou uniformidade de opiniões, pensamentos, sentimentos, crenças etc., ou seja, o consensual.

Só aprendi quando falei bobagem, quando expus meus equívocos, e alguém veio em meu socorro, ou até mesmo chegou com a palmatória. Entretanto sempre dei preferência aos que me ditaram um dever de casa, ao invés de trazerem as respostas prontas.

No mais, concordo contigo, Caia: essa Marina Silva não passa de UDN-da-Floresta ou, pior, UDR-da-Cidade.

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Sobre os “argumentos” de Marina Silva, a UDN-da-Floresta. XÔ!

Caia Fittipaldi (**)

Bom, esse artigo do Laerte -- nada do suicidarismo vingancista e do moralismo tosco passadista, de rotina. Em vez disso, dá voz ao presidente Evo Morales. Mas, não: não acho que se trate de nova guerra fria. (Esse, aliás, é um dos vícios estruturais da argumentação do Laerte, do Lungaretti e dos rapazes da Agência Assaz Atroz: TUDO tem, sempre, de caber em categorias velhas.)

Acho que o que realmente interessa, agora, é desmascarar SEMPRE o vingancismo metido a “ético” e o suicidarismo moralista, onde quer que apareçam. Se não aprendermos a desmascarar esse vingancismo metido a “ético”, esse moralismo à moda da UDN paulista, dos augustos nunes e donas doras kramers -- e se, sobretudo, não trabalharmos MUITO pra construir OUTROS DISCURSOS para impor no lugar daqueles! --, estaremos, nós mesmos, abrindo mão de meios importantes para VER E FAZER VER a potente especificidade (e a bem-vinda novidade!) dos discursos do presidente Lula, de Evo, de Chávez, até de Ahmadinejad. (Vale observar que, aí, quem queira espinafrar um deles... terá de espinafrar todos).

De fato, aquele papim (totalmente inventado) de que Ahmadinejad seria “negador de holocausto” é equivalente ao que diz o Estadão -- que Lula seria negador de democracia; e que Chávez seria negador de liberdade de imprensa: é sempre o mesmo golpe. Nem Ahmadinejad jamais negou holocausto algum, nem Lula nega democracia alguma, nem Chávez nega liberdade de imprensa: tudo, aí, é o mesmo udenismo-de-inventar-o-mundo-por-jornal-e-televisão, a golpes de opinionismo udenista de mirians leitões, e/ou de “éticas” dos alexandres machados, e/ou a golpes do fascismo sincero dos williams waacks e sardembergs e que-tais.

Pode-se MUITO LEGITIMAMENTE e muito democraticamente e muito etica e moralmente denunciar o “holocausto de brancos europeus por brancos europeus nos anos 30, irmão-gêmeo do sionismo” (que é o que Ahmadinejad REALMENTE disse e diz), tanto quanto se pode falar do mito da liberdade de imprensa só para os brancos da FEBRABAN e da FIESP no Brasil-2009, irmão-gêmeo do tucanismo-pefelê-udenista uspeano (e que também é contra a quota para pobres nas universidades!), né-não?!

Ontem, por exemplo, o mesmo vingancismo reacionário, moralista, repugnante, estava manifesto na longa fala de Marina Silva, a insuportável, exposta num dos jornais da Rede Globo. Até que foi útil, para que eu ouvir todo o argumento salafrário desses “éticos” da dinheirificação do mundo, que aqui resumo:

-- o presidente Lula teria traído toda a galáxia (e teria traído também o discurso do próprio Lula "de antes" [quer dizer: de quando Lula ainda não passava ou de sindicalista simplório ou de petista-nada! NÃO É IMPRESSIONANTE a miséria desse discurso de PSOListas e PTistas metidos a “éticos”?! Até quando?!]), disse a talzinha, “porque” Lula propôs que o Brasil acrescentasse 10% ao tal fundo para ajudar os pobres. Para a talzinha, metida a “ética” (igrejeira, tosca, moralista, insuportável, autêntica UDN-da-Floresta!), o presidente Lula “deveria” ter “oferecido muito mais dinheiro”, “porque”, assim, “obrigaria” os ricos a darem muuito mais dinheiro ainda.

Estão vendo? Marina Silva, a UDN-da-Floresta, é herdeira DIRETA dos argumentos do Al-Gore: tuuuuuudo é questão de dar mais dinheiro prôs pobres (de fato, dar mais dinheiro pros ricos que vivem nos países pobres!). Isso é puuuuuuuuura UDN-da-Floresta! XÕ!

Importante, sobre esse negócio todo é aprendermos a ver o que poucos viram, até agora: Copenhagen NÃO FRACASSOU. Aconteceu apenas que, em Copenhagen, assistimos ao último ato da farsa “ecológica” (em tudo semelhante à farsa “ética”) movida PELOS interesses dos ricos.

Ontem, na televisão francesa, ouvi um militante das ruas de Copenhagen, dizer a coisa mais simples: “Copenhagen foi o fracasso de Obama”. Lamentável, de fato, mas, ali, Obama fez o discurso de um Mike Tyson já barrigudo, em final de carreira. O que se viu em Copenhagen foi um Obama super cenográfico, coitado, no lamentável papel de ter de mostrar-se forte e potente, quando, de fato, a única coisa que tinha a dizer era de dar pena: “Entendam a minha situação, please! Eu não posso destruir 20 milhões de empregos de eleitores norte-americanos, só por causa de uma África aí qualquer! Minha avó africana que me desculpe, mas... agora, não vai dar!” Como não podia dizer isso... tentou falar grosso. E a fala saiu grosso-fino-de-dar-dó. (Fala grosso-fina-de-dar-dó, aliás, é perfeita tradução daquele conversêzinho fiado de Marina Silva, a insuportável [risos, risos! Desculpem o auê, mas... aquela falinha lá da Marina Silva, igrejeira, metida a “ética”, é fala de bispa. DETESTO essa gente!).

O parágrafo seguinte desse mesmo papim de Obama (de quem tá por baixo, mas, porque se faz de “ético”, se acha “necessariamente perfeito & justo”... É o discurso da UDN-da-Floresta, dessa Marina Silva insuportável: tooooooooodo mundo aí caiu no conto da ecologia à Al Gore [e dançô]).

Vencedores, em Copenhagen foram AS RUAS, os muitos, cujas vozes apareceram manifestas nos discursos de Lula, Chavez, Evo, Ahmadinejad.

Por tudo isso, insistir em falar em "Guerra Fria" é erro grave: é como “declarar” que os EUA ainda seriam "grande poder opressor". Podem até ainda ser poder e opressores (no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, na Palestina). Mas já não são grande-poder.

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COPENHAGUE

A NOVA GUERRA FRIA. O AQUECIMENTO GLOBAL


Laerte Braga (***)

Para o governador de São Paulo, José Collor Serra, serviu para arrematar seu ataque desfechado a partir do Brasil contra o governador de Minas, Aécio Neves, acertar as contas com José Arruda (estava sendo chantageado, “se cair levo todo mundo comigo”) e se fazer visto como cidadão do mundo, apto a presidir o Brasil, caminhada que vem tentando desde 2002.

Gastou os tubos do dinheiro público, já que foi com comitiva, cumplicidade da grande mídia brasileira (toda compradinha e no bolso dele) e de quebra, reuniu-se com o governador da Califórnia, aquele ator de nome com grafia complicada e conhecido como Exterminador do Futuro. E que governa um estado falido, até porque completamente por fora do assunto disse que “Copenhague já é um sucesso”. Em sua ótica sim, recebe dos donos do mundo. Collor Serra é a aposta deles para o Brasil.

Para o mundo não resolveu problema algum, reforçou a certeza do descaso das grandes nações, as chamadas ricas, diante dos problemas ambientais resultantes da emissão de gases na atmosfera e nem Obama, quando percebeu o volume das manifestações populares na Dinamarca e no mundo exigindo mais que o marketing barato da Cervejaria Casa Branca, tentou algo além de uma jogada chinfrim para dizer presente e pronto.

A extinção da União Soviética, erro denunciado pelo próprio Mikhail Gorbachev (principal responsável pelo fato, imagem de estadista, dimensão real de político de segunda categoria), não trouxe o fim da guerra fria.

Ressurge, não tanto como a concebíamos à época, mas na luta de governos populares e algumas nações ditas emergentes, por algo mais que evitar o vapt-vupt das bombas nucleares, mas o efeito devastador que o capitalismo provoca com seu “progresso” e toda a tecnologia de destruição, imperialismo, as novas versões do colonialismo, numa espécie de governo de terror mundial imposto pela globalização.

A Al Qaeda, por exemplo, causa danos bem menores que a ação predatória e criminosa dos Estados Unidos. São em larga escala. Quando no filme DOUTOR FANTÁSTICO de Stanley Kulbrick, um general boçal (são raros os generais não boçais) fala em “vamos para as cavernas”, estava apenas retratando a visão do genial diretor sobre o futuro de um mundo massacrado pela insânia do abismo nuclear.

O abismo hoje é outro.

Azril Bacal é um sueco que não integra nenhum movimento social, não faz parte de nenhuma ONG, mas deslocou-se a Copenhague na leva de seres humanos que para lá foi na esperança de algum gesto ou decisão no sentido de salvar o planeta.

Triunfaram os predadores.

“Después de 3 horas de sueño, partí a las 03.00 desde Copenhagen para Uppsala, en una jornada increíble de retorno, cuyos detalles constituyen un microcosmos revelador del entorno que nos rodea...

Resumiendo, hasta las 03.00 los participantes de la reunión de los "mano puliti" no habían logrado un consenso mínimo para un acuerdo razonable, negociado, para enfrentar y resolver la crisis climática, a pesar de los intentos de presión y manipulación bilateral, tradicionales de los poderes coloniales y neocoloniales para dividirnos y controlarnos ("divide et impera")”...

“Gracias a la presencia en el Bella Center de unos pocos gobiernos aliados de los Movimientos Sociales - y por lo tanto, de la Madre Tierra y de la Humanidad, ya no es tan fácil doblegar la voluntad del G-77, como estaban acostumbrados los poderosos/privilegiados de todos los tiempos.

No debemos sorprendernos si Obama saca un conejo del sombrero a última hora, para intentar satisfacer a una galería que ya no se deja satisfacer las medidas convencionales de pan, circo, fútbol, porno y/o alguna guerra inventada con un país vecino, para distraer a la opinión pública, manipulando los sentimientos nacionalistas, como estamos acostumbrados en América Latina”

O relato de Azril mostra o tamanho e a dimensão de Evo Morales e seu discurso propondo uma organização alternativa às Nações Unidas para que o mundo sobreviva, encontre caminhos alternativos ao modo colonial dos poderosos e surpreendeu a lucidez de um índio boliviano, reeleito com mais de dois terços dos votos de seu povo, há duas semanas.

E relata.

“Les contaba que anoche iba camino a escuchar a Evo - y lo logré y valió la pena, compañer@s, camaradas, hij@s, niet@s y amig@s. VALIÓ LA PENA :-)

El lenguage de Evo es receptivo a nuestras voces. Entre los momentos preciosos de su discurso nos propuso un plebiscito planetario de 6 puntos, terminando con la consulta/pregunta si aceptabamos la creación de un Tribunal Popular para juzgar/condenar a los países y empresas culpables de dañar a la Madre Tierra, agravando y no ayudando a resolver la Crisis Climática :-)

Creo que las palabras sabias y promisoras de Evo coinciden con las reflexiones del 17/12 de ir preparándonos para organizar la Asamblea Planetaria de los Pueblos, por medio de la cual lograr una "Gobernabilidad" al servicio de los Pueblos del Mundo y no de los intereses mezquinos establecidos por las aristocracias, las plutocracias y los gobiernos a su servicio. Algo así como una ONU de nosotros Los Pueblos del Mundo, para lograr, finalmente, construír Estructuras/Culturas sustentables de Justicia, Paz y
Solidaridad/Amor.

Con estas palabras, este veterano se despide por hoy, fatigado, dolido e increíblemente inspirado y esperanzado, para atender asuntos más prosaicos como un poemario y un tratamiento para mis rodillas, dolidas y orgullosas por haber logrado, privilegiadamente, marchar con humildad, por mis hijos, por mis nietos, por las generaciones venideras y por la Madre Tierra y por toda la Humanidad”...

O fracasso dos donos, mostrado na ganância, na forma estúpida com que tratam nações que chamam de pobres ou emergentes. A forma desumana com que sobrepõem seus interesses e negócios. O terror do neoliberalismo foram descritos por Evo, segundo Azril a figura mais importante e reconhecida assim pelos milhares de manifestantes e forças que lá estavam para exigir de farsantes como Obama algo de concreto, para além das aparições acendendo árvores de Natal, ou servindo cerveja na Casa Branca, acabou por ensejar uma percepção que já era clara e cada vez vai se tornando mais transparente.

Outra vez a palavra de Evo na interpretação de Azril.

Para empezar, aunque te agradezco por la promoción, no soy un
dirigente social, al menos ni me veo ni quiero verme como dirigente
A duras penas, hago lo que puedo por las causas que me inspiran...
Ahora, lo más importante: Ayer fué un día de grandes victorias para el
movimiento popular planetario. Entre ellos, cabe mencionar que entre
200 y 300 personas en el recinto del Bella Center que se identificaban
con nosotros, decidieron e intentaron salir del recinto para
encontrarse con los marchantes y al menos un ó 2 delegados renunciaron
en protesta, tanto por la inoperancia de los "cumbristas oficiales"
como por la represión policial. El compañero Hugo Chávez elogio a los
marchantes durante su discurso, entre otros temas importantes. Se
logró reunir la Asamblea Popular. Los marchantes del primer bloc
entablaron diálogo con los policías que los custodiaban, recordándoles
de su condición humana, una señora los llamó de "sexys" y en ese
proceso algo se logró de humanización en estos policías, después de 4
horas de interacción - al punto de proteger a sus custodiados de los
otros policías que estaban dispuestos a golpear, como entrenados :-)
Sin duda, Evo Morales es el líder más popular entre los participantes
del KlimaForum, estableciendo un puente entre los Pueblos Indígenas -
cuando llegan al poder/gobierno y los movimientos sociales y las
diversas organizaciones de la "sociedad civil". Esta tarde a las 16.00
seremos muchos los que estaremos en el Valbyhallen para escuchar a
Evo, cuya voz es la voz de todos nosotros.
Esta noche regreso a Suecia, sabiendo que Cony, la Presidenta Danesa
de la Cumbre ha renunciado, lo que implica un fracaso de la Cumbre
Oficial y la emergencia de una instancia nueva en la historia de la
Humanidad que busca formas de articularse para, finalmente, gobernar
por el Bien Común...
Otros Mundos Posibles se están también construyendo a partir de
Copenhagen, en este histórico Diciembre 2009.

Temos uma nova guerra fria, curiosamente em contraponto, o aquecimento global. A perspectiva real de destruição do ambiente em curto prazo e em termos de História. A conduzi-la neste momento um prêmio Nobel da Paz que vai enviar 30 mil homens ao Afeganistão para “terminar o serviço”.

É a luta de sobrevivência da espécie e do ser humano como tal. A existência, a coexistência e a convivência em bases dignas e humanas. Não passa mais pela ONU, nem por organismos oficiais controlados pelos senhores do terror democrático, cristão e ocidental.

Passa pelas vozes de índios. De todos os povos do mundo, mas ao largo do que chamam ordem instituída.

Essa é mortal e Copenhague tem dois lados. O deles, donos, cínicos e sem resposta porque não se importam com a vida em si. O outro, pela construção do mundo alternativo percebendo que as portas que se abrirão a todos nós não estão nas palhaçadas eleitorais de José Collor Serra, figura menor nessa conversa, aqui um exemplo, ou nos coelhos que Obama tenta tirar da cartola para que JORNAIS NACIONAIS mostrem o “líder da mudança”.

E a culpa certamente não é do Irã. Nem do MST. Muito menos dos milhares de civis que morrem de fome diariamente em todos os cantos do mundo.Fome à qual se soma a doença do colonialismo capitalista. E tampouco dos palestinos que têm sua água roubada pelo povo eleito de Israel.

Copenhague é um marco divisor. Não temos nada a ver com essa tragédia deliberada e orquestrada a partir de um tsunami de “progresso”.

Mas com a luta que é a mesma dos tempos da guerra fria. Pela liberdade e agora mais que nunca, pela espécie humana e seu caráter humano.

Obama e os donos são meros bonecos infláveis montados e exibidos na mentira do capitalismo.

É mais ou menos “quem quer um bom dia diga eu” e depois escolha a gravata do robô da verdade única de um mundo em marcha acelerada para a extinção, ou quem quer um mundo onde seres humanos não seja reses nesse espetáculo de desvario de senhores graves e de linguagem técnica, mas que não entendem nada de vida, são apenas os exterminadores do futuro.

Quando Bill Clinton, no célebre debate com Bush-pai proclamou que "é economia seu estúpido", estava apenas definindo o conceito que norte-americanos e seus parceiros têm da humanidade. Para além daquela eleição. Ate porque a linguagem dos Bush ainda é a do tacape.


(*) Editor-Assaz-Atroz-Chefe

(**) Linguista formada na USP, tradutora e editora de texto

(***) Jornalista, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


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Gabo

El rastro de tu sangre en la nieve

Gabriel García Márquez

Al anochecer, cuando llegaron a la frontera, Nena Daconte se dio cuenta de que el dedo con el anillo de bodas le seguía sangrando. El guardia civil con una manta de lana cruda sobre el tricornio de charol examinó los pasaportes a la luz de una linterna de carburo, haciendo un grande esfuerzo para que no lo derribara la presión del viento que soplaba de los Pirineos. Aunque eran dos pasaportes diplomáticos en regla, el guardia levantó la linterna para comprobar que los retratos se parecían a las caras. Nena Daconte era casi una niña, con unos ojos de pájaro feliz y una piel de melaza que todavía irradiaba la resolana del Caribe en el lúgubre anochecer de enero, y estaba arropada hasta el cuello con un abrigo de nucas de visón que no podía comprarse con el sueldo de un año de toda la guarnición fronteriza. Billy Sánchez de Ávila, su marido, que conducía el coche, era un año menor que ella, y casi tan bello, y llevaba una chaqueta de cuadros escoceses y una gorra de pelotero. Al contrario de su esposa, era alto y atlético y tenía las mandíbulas de hierro de los matones tímidos. Pero lo que revelaba mejor la condición de ambos era el automóvil platinado, cuyo interior exhalaba un aliento de bestia viva, como no se había visto otro por aquella frontera de pobres. Los asientos posteriores iban atiborrados de maletas demasiado nuevas y muchas cajas de regalos todavía sin abrir. Ahí estaba, además, el saxofón tenor que había sido la pasión dominante en la vida de Nena Daconte antes de que sucumbiera al amor contrariado de su tierno pandillero de balneario.

Cuando el guardia le devolvió los pasaportes sellados, Billy Sánchez le preguntó dónde podía encontrar una farmacia para hacerle una cura en el dedo a su mujer, y el guardia le gritó contra e1 viento que preguntaran en Indaya, del lado francés. Pero los guardias de Hendaya estaban sentados a la mesa en mangas de camisa, jugando barajas mientras comían pan mojado en tazones de vino dentro de una garita de cristal cálida y bien alumbrada, y les bastó con ver el tamaño y la clase del coche para indicarles por señas que se internaran en Francia. Billy Sánchez hizo sonar varias veces la bocina, pero los guardias no entendieron que los llamaban, sino que uno de ellos abrió el cristal y les gritó con más rabia que el viento:
-Merde! Allez-vous-en!

Entonces Nena Daconte salió del automóvil envuelta con el abrigo hasta las orejas, y le preguntó al guardia en un francés perfecto dónde había una farmacia. El guardia contestó por costumbre con la boca llena de pan que eso no era asunto suyo. Y menos con semejante borrasca, y cerró la ventanilla. Pero luego se fijó con atención en la muchacha que se chupaba el dedo herido envuelta en el destello de los visones naturales, y debió confundirla con una aparición mágica en aquella noche de espantos, porque al instante cambió de humor. Explicó que la ciudad más cercana era Biarritz, pero que en pleno invierno y con aquel viento de lobos, tal vez no hubiera una farmacia abierta hasta Bayona, un poco más adelante.

-¿Es algo grave? -preguntó.

-Nada -sonrió Nena Daconte, mostrándole el dedo con la sortija de diamantes en cuya yema era apenas perceptible la herida de la rosa-. Es sólo un pinchazo.

Antes de Bayona volvió a nevar. No eran más de las siete, pero encontraron las calles desiertas y las casas cerradas por la furia de la borrasca, y al cabo de muchas vueltas sin encontrar una farmacia decidieron seguir adelante. Billy Sánchez se alegró con la decisión. Tenía una pasión insaciable por los automóviles raros y un papá con demasiados sentimientos de culpa y recursos de sobra para complacerlo, y nunca había conducido nada igual a aquel Bentley convertible de regalo de bodas. Era tanta su embriaguez en el volante, que cuanto más andaba menos cansado se sentía. Estaba dispuesto a llegar esa noche a Burdeos, donde tenían reservada la suite nupcial del hotel Splendid, y no habría vientos contrarios ni bastante nieve en el cielo para impedirlo. Nena Daconte, en cambio, estaba agotada, sobre todo por el último tramo de la carretera desde Madrid, que era una cornisa de cabras azotada por el granizo. Así que después de Bayona se enrolló un pañuelo en el anular apretándolo bien para detener la sangre que seguía fluyendo, y se durmió a fondo. Billy Sánchez no lo advirtió sino al borde de la media noche, después de que acabó de nevar y el viento se paró de pronto entre los pinos, y el cielo de las landas se llenó de estrellas glaciales. Había pasado frente a las luces dormidas de Burdeos, pero sólo se detuvo para llenar el tanque en una estación de la carretera pues aún le quedaban ánimos para llegar hasta París sin tomar aliento. Era tan feliz con su juguete grande de 25.000 libras esterlinas, que ni siquiera se preguntó si lo sería también la criatura radiante que dormía a su lado con la venda del anular empapada de sangre, y cuyo sueño de adolescente, por primera vez, estaba atravesado por ráfagas de incertidumbre.

Se habían casado tres días antes, a 10.000 kilómetros de allí, en Cartagena de Indias, con el asombro de los padres de él y la desilusión de los de ella, y la bendición personal del arzobispo primado. Nadie, salvo ellos mismos, entendía el fundamento real ni conoció el origen de ese amor imprevisible. Había empezado tres meses antes de la boda, un domingo de mar en que la pandilla de Billy Sánchez se tomó por asalto los vestidores de mujeres de los balnearios de Marbella. Nena Daconte había cumplido apenas dieciocho años, acababa de regresar del internado de la Châtellenie, en Saint-Blaise, Suiza, hablando cuatro idiomas sin acento y con un dominio maestro del saxofón tenor, y aquel era su primer domingo de mar desde el regreso. Se había desnudado por completo para ponerse el traje de baño cuando empezó la estampida de pánico y los gritos de abordaje en las casetas vecinas, pero no entendió lo que ocurría hasta que la aldaba de su puerta saltó en astillas y vio parado frente a ella al bandolero más hermoso que se podía concebir. Lo único que llevaba puesto era un calzoncillo lineal de falsa piel de leopardo, y tenía el cuerpo apacible y elástico y el color dorado de la gente de mar. En el puño derecho, donde tenía una esclava metálica de gladiador romano, llevaba enrollada una cadena de hierro que le servía de arma mortal, y tenía colgada del cuello una medalla sin santo que palpitaba en silencio con el susto del corazón. Habían estado juntos en la escuela primaria y habían roto muchas piñatas en las fiestas de cumpleaños, pues ambos pertenecían a la estirpe provinciana que manejaba a su arbitrio el destino de la ciudad desde los tiempos de la Colonia, pero habían dejado de verse tantos años que no se reconocieron a primera vista. Nena Daconte permaneció de pie, inmóvil, sin hacer nada por ocultar su desnudez intensa. Billy Sánchez cumplió entonces con su rito pueril: se bajó el calzoncillo de leopardo y le mostró su respetable animal erguido. Ella lo miró de frente y sin asombro.

-Los he visto más grandes y más firmes -dijo, dominando el terror-, de modo que piensa bien lo que vas a hacer, porque conmigo te tienes que comportar mejor que un negro.

En realidad, Nena Daconte no sólo era virgen sino que nunca hasta entonces había visto un hombre desnudo, pero el desafío le resultó eficaz. Lo único que se le ocurrió a Billy Sánchez fue tirar un puñetazo de rabia contra la pared con la cadena enrollada en la mano, y se astilló los huesos. Ella lo llevó en su coche al hospital, lo ayudó a sobrellevar la convalecencia, y al final aprendieron juntos a hacer el amor de la buena manera. Pasaron las tardes difíciles de junio en la terraza interior de la casa donde habían muerto seis generaciones de próceres en la familia de Nena Daconte, ella tocando canciones de moda en el saxofón, y él con la mano escayolada contemplándola desde el chinchorro con un estupor sin alivio. La casa tenía numerosas ventanas de cuerpo entero que daban al estanque de podredumbre de la bahía, y era una de las más grandes y antiguas del barrio de la Manga, y sin duda la más fea. Pero la terraza de baldosas ajedrezadas donde Nena Daconte tocaba el saxofón era un remanso en el calor de las cuatro, y daba a un patio de sombras grandes con palos de mango y matas de guineo, bajo los cuales había una tumba con una losa sin nombre, anterior a la casa y a la memoria de la familia. Aun los menos entendidos en música pensaban que el sonido del saxofón era anacrónico en una casa de tanta alcurnia. "Suena como un buque", había dicho la abuela de Nena Daconte cuando lo oyó por primera vez. Su madre había tratado en vano de que lo tocara de otro modo, y no como ella lo hacía por comodidad, con la falda recogida hasta los muslos y las rodillas separadas, y con una sensualidad que no le parecía esencial para la música. "No me importa qué instrumento toques" -le decía- "con tal de que lo toques con las piernas cerradas". Pero fueron esos aires de adioses de buques y ese encarnizamiento de amor los que le permitieron a Nena Daconte romper la cáscara amarga de Billy Sánchez. Debajo de la triste reputación de bruto que él tenía muy bien sustentada por la confluencia de dos apellidos ilustres, ella descubrió un huérfano asustado y tierno. Llegaron a conocerse tanto mientras se le soldaban los huesos de la mano, que él mismo se asombró de la fluidez con que ocurrió el amor cuando ella lo llevó a su cama de doncella una tarde de lluvias en que se quedaron solos en la casa. Todos los días a esa hora, durante casi dos semanas, retozaron desnudos bajo la mirada atónita de los retratos de guerreros civiles y abuelas insaciables que los habían precedido en el paraíso de aquella cama histórica. Aun en las pausas del amor permanecían desnudos con las ventanas abiertas respirando la brisa de escombros de barcos de la bahía, su olor a mierda, oyendo en el silencio del saxofón los ruidos cotidianos del patio, la nota única del sapo bajo las matas de guineo, la gota de agua en la tumba de nadie, los pasos naturales de la vida que antes no habían tenido tiempo de conocer.

Cuando los padres de Nena Daconte regresaron a la casa, ellos habían progresado tanto en el amor que ya no les alcanzaba el mundo para otra cosa, y lo hacían a cualquier hora y en cualquier parte, tratando de inventarlo otra vez cada vez que 1o hacían. Al principio lo hicieron como mejor podían en los carros deportivos con que el papá de Billy trataba de apaciguar sus propias culpas. Después, cuando los coches se les volvieron demasiado fáciles, se metían por la noche en las casetas desiertas de Marbella donde el destino los había enfrentado por primera vez, y hasta se metieron disfrazados durante el carnaval de noviembre en los cuartos de alquiler del antiguo barrio de esclavos de Getsemaní, al amparo de las mamasantas que hasta hacía pocos meses tenían que padecer a Billy Sánchez con su pandilla de cadeneros. Nena Daconte se entregó a los amores furtivos con la misma devoción frenética que antes malgastaba en el saxofón, hasta el punto de que su bandolero domesticado terminó por entender lo que ella quiso decirle cuando le dijo que tenía que comportarse como un negro. Billy Sánchez le correspondió siempre y bien, y con el mismo alborozo. Ya casados, cumplieron con el deber de amarse mientras las azafatas dormían en mitad del Atlántico, encerrados a duras penas y más muertos de risa que de placer en el retrete del avión. Sólo ellos sabían entonces, 24 horas después de la boda, que Nena Daconte estaba encinta desde hacía dos meses.

De modo que cuando llegaron a Madrid se sentían muy lejos de ser dos amantes saciados, pero tenían bastantes reservas para comportarse como recién casados puros. Los padres de ambos lo habían previsto todo. Antes del desembarco, un funcionario de protocolo subió a la cabina de primera clase para llevarle a Nena Daconte el abrigo de visón blanco con franjas de un negro luminoso, que era el regalo de bodas de sus padres. A Billy Sánchez le llevó una chaqueta de cordero que era la novedad de aquel invierno, y las llaves sin marca de un coche de sorpresa que le esperaba en el aeropuerto.

La misión diplomática de su país los recibió en el salón oficial. El embajador y su esposa no sólo eran amigos desde siempre de la familia de ambos, sino que él era el médico que había asistido al nacimiento de Nena Daconte, y la esperó con un ramo de rosas tan radiantes y frescas, que hasta las gotas de rocío parecían artificiales. Ella los saludó a ambos con besos de burla, incómoda con su condición un poco prematura de recién casada, y luego recibió las rosas. Al cogerlas se pinchó el dedo con una espina del tallo, pero sorteó el percance con un recurso encantador.

-Lo hice adrede -dijo- para que se fijaran en mi anillo.

En efecto, la misión diplomática en pleno admiró el esplendor del anillo, calculando que debía costar una fortuna no tanto por la clase de los diamantes como por su antigüedad bien conservada. Pero nadie advirtió que el dedo empezaba a sangrar. La atención de todos derivó después hacia el coche nuevo. El embajador había tenido el buen humor de llevarlo al aeropuerto, y de hacerlo envolver en papel celofán con un enorme lazo dorado. Billy Sánchez no apreció su ingenio. Estaba tan ansioso por conocer el coche que desgarró la envoltura de un tirón y se quedó sin aliento. Era el Bentley convertible de ese año con tapicería de cuero legítimo. El cielo parecía un manto de ceniza, el Guadarrama mandaba un viento cortante y helado, y no se estaba bien a la intemperie, pero Billy Sánchez no tenía todavía la noción del frío. Mantuvo a la misión diplomática en el estacionamiento sin techo, inconsciente de que se estaban congelando por cortesía, hasta que terminó de reconocer el coche en sus detalles recónditos. Luego el embajador se sentó a su lado para guiarlo hasta la residencia oficial donde estaba previsto un almuerzo. En el trayecto le fue indicando los lugares más conocidos de la ciudad, pero él sólo parecía atento a la magia del coche.

Era la primera vez que salía de su tierra. Había pasado por todos los colegios privados y públicos, repitiendo siempre el mismo curso, hasta que se quedó flotando en un limbo de desamor. La primera visión de una ciudad distinta de la suya, los bloques de casas cenicientas con las luces encendidas a pleno día, los árboles pelados, el mar distante, todo le iba aumentando un sentimiento de desamparo que se esforzaba por mantener al margen del corazón. Sin embargo, poco después cayó sin darse cuenta en la primera trampa del olvido. Se había precipitado una tormenta instantánea y silenciosa, la primera de la estación, y cuando salieron de la casa del embajador después del almuerzo para emprender el viaje hacia Francia, encontraron la ciudad cubierta de una nieve radiante. Billy Sánchez se olvidó entonces del coche, y en presencia de todos, dando gritos de júbilo y echándose puñados de polvo de nieve en la cabeza, se revolcó en mitad de la calle con el abrigo puesto.

Nena Daconte se dio cuenta por primera vez de que el dedo estaba sangrando, cuando salieron de Madrid en una tarde que se había vuelto diáfana después de la tormenta. Se sorprendió, porque había acompañado con el saxofón a la esposa del embajador, a quien le gustaba cantar arias de ópera en italiano después de los almuerzos oficiales, y apenas si notó la molestia en el anular. Después, mientras le iba indicando a su marido las rutas más cortas hacia la frontera, se chupaba el dedo de un modo inconsciente cada vez que le sangraba, y sólo cuando llegaron a los Pirineos se le ocurrió buscar una farmacia. Luego sucumbió a los sueños atrasados de los últimos días, y cuando despertó de pronto con la impresión de pesadilla de que el coche andaba por el agua, no se acordó más durante un largo rato del pañuelo amarrado en el dedo. Vio en el reloj luminoso del tablero que eran más de las tres, hizo sus cálculos mentales, y sólo entonces comprendió que habían seguido de largo por Burdeos, y también por Angulema y Poitiers, y estaban pasando por el dique de Loira inundado por la creciente. El fulgor de la luna se filtraba a través de la neblina, y las siluetas de los castillos entre los pinos parecían de cuentos de fantasmas. Nena Daconte, que conocía la región de memoria, calculó que estaban ya a unas tres horas de París, y Billy Sánchez continuaba impávido en el volante.

-Eres un salvaje -le dijo-. Llevas más de once horas manejando sin comer nada.

Estaba todavía sostenido en vilo por la embriaguez del coche nuevo. A pesar de que en el avión había dormido poco y mal, se sentía despabilado y con fuerzas de sobra para llegar a París al amanecer.

-Todavía me dura el almuerzo de la embajada -dijo-. Y agregó sin ninguna lógica: Al fin y al cabo, en Cartagena están saliendo apenas del cine. Deben ser como las diez.

Con todo Nena Daconte temía que él se durmiera conduciendo. Abrió una caja de entre los tantos regalos que les habían hecho en Madrid y trató de meterle en la boca un pedazo de naranja azucarada. Pero él la esquivó.

-Los machos no comen dulces -dijo.

Poco antes de Orleáns se desvaneció la bruma, y una luna muy grande iluminó las sementeras nevadas, pero el tráfico se hizo más difícil por la confluencia de los enormes camiones de legumbres y cisternas de vinos que se dirigían a París. Nena Daconte hubiera querido ayudar a su marido en el volante, pero ni siquiera se atrevió a insinuarlo, porque é le había advertido desde la primera vez en que salieron juntos que no hay humillación más grande para un hombre que dejarse conducir por su mujer. Se sentía lúcida después de casi cinco horas de buen sueño, y estaba además contenta de no haber parado en un hotel de la provincia de Francia, que conocía desde muy niña en numerosos viajes con sus padres. "No hay paisajes más bellos en el mundo", decía, "pero uno puede morirse de sed sin encontrar a nadie que le dé gratis un vaso de agua." Tan convencida estaba, que a última hora había metido un jabón y un rollo de papel higiénico en el maletín de mano, porque en los hoteles de Francia nunca había jabón, y el papel de los retretes eran los periódicos de la semana anterior cortados en cuadritos y colgados de un gancho. Lo único que lamentaba en aquel momento era haber desperdiciado una noche entera sin amor. La réplica de su marido fue inmediata.

-Ahora mismo estaba pensando que debe ser del carajo tirar en la nieve -dijo-. Aquí mismo, si quieres.

Nena Daconte lo pensó en serio. Al borde de la carretera, la nieve bajo la luna tenía un aspecto mullido y cálido, pero a medida que se acercaban a los suburbios de París el tráfico era más intenso, y había núcleos de fábricas iluminadas y numerosos obreros en bicicleta. De no haber sido invierno, estarían ya en pleno día.

-Ya será mejor esperar hasta París -dijo Nena Daconte-. Bien calienticos y en una cama con sábanas limpias, como la gente casada.

-Es la primera vez que me fallas -dijo él.

-Claro -replicó ella-. Es la primera vez que somos casados.

Poco antes de amanecer se lavaron la cara y orinaron en una fonda del camino, y tomaron café con croissants calientes en el mostrador donde los camioneros desayunaban con vino tinto. Nena Daconte se había dado cuenta en el baño de que tenía manchas de sangre en la blusa y la falda, pero no intentó lavarlas. Tiró en la basura el pañuelo empapado, se cambió el anillo matrimonial para la mano izquierda y se lavó bien el dedo herido con agua y jabón. El pinchazo era casi invisible. Sin embargo, tan pronto como regresaron al coche volvió a sangrar, de modo que Nena Daconte dejó el brazo colgando fuera de la ventana, convencida de que el aire glacial de las sementeras tenía virtudes de cauterio. Fue otro recurso vano pero todavía no se alarmó. "Si alguien nos quiere encontrar será muy fácil", dijo con su encanto natural. "Sólo tendrá que seguir el rastro de mi sangre en la nieve." Luego pensó mejor en lo que había dicho y su rostro floreció en las primeras luces del amanecer.

-Imagínate -dijo: -un rastro de sangre en la nieve desde Madrid hasta París. ¿No te parece bello para una canción?

No tuvo tiempo de volverlo a pensar. En los suburbios de París, el dedo era un manantial incontenible, y ella sintió de veras que se le estaba yendo el alma por la herida. Había tratado de segar el flujo con el rollo de papel higiénico que llevaba en el maletín, pero más tardaba en vendarse el dedo que en arrojar por la ventana las tiras del papel ensangrentado. La ropa que llevaba puesta, el abrigo, los asientos del coche, se iban empapando poco a poco de un modo irreparable. Billy Sánchez se asustó en serio e insistió en buscar una farmacia, pero ella sabía entonces que aquello no era asunto de boticarios.

-Estamos casi en la Puerta de Orleáns -dijo-. Sigue de por la avenida del general Leclerc, que es la más ancha y con muchos árboles, y después yo te voy diciendo lo que haces.

Fue el trayecto más arduo de todo el viaje. La avenida del General Leclerc era un nudo infernal de automóviles pequeños y bicicletas, embotellados en ambos sentidos, y de los camiones enormes que trataban de llegar a los mercados centrales. Billy Sánchez se puso tan nervioso con el estruendo inútil de las bocinas, que se insultó a gritos en lengua de cadeneros con varios conductores y hasta trató de bajarse del coche para pelearse con uno, pero Nena Daconte logró convencerlo de que los franceses eran la gente más grosera del mundo, pero no se golpeaban nunca. Fue una prueba más de su buen juicio, porque en aquel momento Nena Daconte estaba haciendo esfuerzos para no perder la conciencia.

Sólo para salir de la glorieta del León de Belfort necesitaron más de una hora. Los cafés y almacenes estaban iluminados como si fuera la media noche, pues era un martes típico de los eneros de París, encapotados y sucios y con una llovizna tenaz que no alcanzaba a concretarse en nieve. Pero la avenida DenferRochereau estaba más despejada, y al cabo de unas pocas cuadras Nena Daconte le indicó a su marido que doblara a la derecha, y estacionó frente a la entrada de emergencia de un hospital enorme y sombrío.

Necesitó ayuda para salir del coche, pero no perdió la serenidad ni la lucidez. Mientras llegaba el médico de turno, acostada en la camilla rodante, contestó a la enfermera el cuestionario de rutina sobre su identidad y sus antecedentes de salud. Billy Sánchez le llevó el bolso y le apretó la mano izquierda donde entonces llevaba el anillo de bodas, y la sintió lánguida y fría, y sus labios habían perdido el color. Permaneció a su lado, con la mano en la suya, hasta que llegó el médico de turno y le hizo un examen rápido al anular herido. Era un hombre muy joven, con la piel del color del cobre antiguo y la cabeza pelada. Nena Daconte no le prestó atención sino que dirigió a su marido una sonrisa lívida.

-No te asustes -le dijo, con su humor invencible-. Lo único que puede suceder es que este caníbal me corte la mano para comérsela.

El médico concluyó el examen, y entonces los sorprendió con un castellano muy correcto aunque con raro acento asiático.

-No, muchachos -dijo-. Este caníbal prefiere morirse de hambre antes que cortar una mano tan bella.

Ellos se ofuscaron pero el médico los tranquilizó con un gesto amable. Luego ordenó que se llevaran la camilla, y Billy Sánchez quiso seguir con ella cogido de la mano de su mujer. El médico lo detuvo por el brazo.

-Usted no -le dijo-. Va para cuidados intensivos.
Nena Daconte le volvió a sonreír al esposo, y le siguió diciendo adiós con la mano hasta que la camilla se perdió en el fondo del corredor. El médico se retrasó estudiando los datos que la enfermera había escrito en una tablilla. Billy Sánchez lo llamó.

-Doctor -le dijo-. Ella está encinta.

-¿Cuánto tiempo?

-Dos meses.

El médico no le dio la importancia que Billy Sánchez esperaba. "Hizo bien en decírmelo," dijo, y se fue detrás de la camilla. Billy Sánchez se quedó parado en la sala lúgubre olorosa a sudores de enfermos, se quedó sin saber qué hacer mirando el corredor vacío por donde se habían llevado a Nena Daconte, y luego se sentó en el escaño de madera donde había otras personas esperando. No supo cuánto tiempo estuvo ahí, pero cuando decidió salir del hospital era otra vez de noche y continuaba la llovizna, y él seguía sin saber ni siquiera qué hacer consigo mismo, abrumado por el peso del mundo.

Nena Daconte ingresó a las 9:30 del martes 7 de enero, según lo pude comprobar años después en los archivos del hospital. Aquella primera noche, Billy Sánchez durmió en el coche estacionado frente a la puerta de urgencias y muy temprano al día siguiente se comió seis huevos cocidos y dos tazas de café con leche en la cafetería que encontró más cerca, pues no había hecho una comida completa desde Madrid. Después volvió a la sala de urgencias para ver a Nena Daconte pero le hicieron entender que debía dirigirse a la entrada principal. Allí consiguieron, por fin, un asturiano del servicio que lo ayudó a entenderse con el portero, y éste comprobó que en efecto Nena Daconte estaba registrada en el hospital, pero que sólo se permitían visitas los martes de nueve a cuatro. Es decir, seis días después. Trató de ver al médico que hablaba castellano, a quien describió como un negro con la cabeza pelada, pero nadie le dio razón con dos detalles tan simples.

Tranquilizado con la noticia de que Nena Daconte estaba en el registro, volvió al lugar donde había dejado el coche, y un agente de tránsito lo obligó a estacionar dos cuadras más adelante, en una calle muy estrecha y del lado de los números impares. En la acera de enfrente había un edificio restaurado con un letrero: "Hotel Nicole". Tenía una sola estrella, y una sala de recibo muy pequeña donde no había más que un sofá y un viejo piano vertical, pero el propietario de voz aflautada podía entenderse con los clientes en cualquier idioma a condición de que tuvieran con qué pagar. Billy Sánchez se instaló con once maletas y nueve cajas de regalos en el único cuarto libre, que era una mansarda triangular en el noveno piso, a donde se llegaba sin aliento por una escalera en espiral que olía a espuma de coliflores hervidas. Las paredes estaban forradas de colgaduras tristes y por la única ventana no cabía nada más que la claridad turbia del patio interior. Había una cama para dos, un ropero grande, una silla simple, un bidé portátil y un aguamanil con su platón y su jarra, de modo que la única manera de estar dentro del cuarto era acostado en la cama. Todo era peor que viejo, desventurado, pero también muy limpio, y con un rastro saludable de medicina reciente.

A Billy Sánchez no le habría alcanzado la vida para descifrar los enigmas de ese mundo fundado en el talento de la cicatería. Nunca entendió el misterio de la luz de la escalera que se apagaba antes de que él llegara a su piso, ni descubrió la manera de volver a encenderla. Necesitó media mañana para aprender que en el rellano de cada piso habla un cuartito con un excusado de cadena, y ya había decidido usarlo en las tinieblas cuando descubrió por casualidad que la luz se encendía al pasar el cerrojo por dentro, para que nadie la dejara encendida por olvido. La ducha, que estaba en el extremo del corredor y que él se empeñaba en usar des veces al día como en su tierra, se pagaba aparte y de contado, y el agua caliente, controlada desde la administración, se acababa a los tres minutos. Sin embargo, Billy Sánchez tuvo bastante claridad de juicio para comprender que aquel orden tan distinto del suyo era de todos modos mejor que la intemperie de enero, se sentía además tan ofuscado y solo que no podía entender cómo pudo vivir alguna vez sin el amparo de Nena Daconte.

Tan pronto como subió al cuarto, la mañana del miércoles, se tiró bocabajo en la cama con el abrigo puesto pensando en la criatura de prodigio que continuaba desangrándose en la acerca de enfrente, y muy pronto sucumbió en un sueño tan natural que cuando despertó eran las cinco en el reloj, pero no pudo deducir si eran las cinco de la tarde o del amanecer, ni de qué día de la semana ni en qué ciudad de vidrios azotados por el viento y la lluvia. Esperó despierto en la cama, siempre pensando en Nena Daconte, hasta que pudo comprobar que en realidad amanecía. Entonces fue a desayunar a la misma cafetería del día anterior, y allí pudo establecer que era jueves. Las luces del hospital estaban encendidas y había dejado de llover, de modo que permaneció recostado en el tronco de un castaño frente a la entrada principal, por donde entraban y salían médicos y enfermeras de batas blancas, con la esperanza de encontrar al médico asiático que había recibido a Nena Daconte. No lo vio, ni tampoco esa tarde después del almuerzo, cuando tuvo que desistir de la espera porque se estaba congelando. A las siete se tomó otro café con leche y se comió dos huevos duros que él mismo cogió en el aparador después de cuarenta y ocho horas de estar comiendo la misma cosa en el mismo lugar. Cuando volvió al hotel para acostarse, encontró su coche solo en una acera y todos los demás en la acera de enfrente, y tenía puesta la noticia de una multa en el parabrisas. Al portero del Hotel Nicole le costó trabajo explicarle que en los días impares del mes se podía estacionar en la acera de números impares, y al día siguiente en la acera contraria. Tantas artimañas racionalistas resultaban incomprensibles para un Sánchez de Ávila de los más acendrados que apenas dos años antes se había metido en un cine de barrio con el automóvil oficial del alcalde mayor, y había causado estragos de muerte ante los policías impávidos. Entendió menos todavía cuando el portero del hotel le aconsejó que pagara la multa, pero que no cambiara el coche de lugar a esa hora, porque tendría que cambiarlo otra vez a las doce de la noche. Aquella madrugada, por primera vez, no pensó sólo en Nena Daconte, sino que daba vueltas en la cama sin poder dormir, pensando en sus propias noches de pesadumbre en las cantinas de maricas del mercado público de Cartagena del Caribe. Se acordaba del sabor del pescado frito y el arroz de coco en las fondas del muelle donde atracaban las goletas de Aruba. Se acordó de su casa con las paredes cubiertas de trinitarias, donde serían apenas las siete de la noche de ayer, y vio a su padre con una pijama de seda leyendo el periódico en el fresco de la terraza.

Se acordó de su madre, de quien nunca se sabía dónde estaba a ninguna hora, su madre apetitosa y lenguaraz, con un traje de domingo y una rosa en la oreja desde el atardecer, ahogándose de calor por el estorbo de sus tetas espléndidas. Una tarde, cuando él tenía siete años, había entrado de pronto en el cuarto de ella y la había sorprendido desnuda en la cama con uno de sus amantes casuales. Aquel percance del que nunca había hablado, estableció entre ellos una relación de complicidad que era más útil que el amor. Sin embargo, él no fue consciente de eso, ni de tantas cosas terribles de su soledad de hijo único, hasta esa noche en que se encontró dando vueltas en la cama de una mansarda triste de París, sin nadie a quién contarle su infortunio, y con una rabia feroz contra sí mismo porque no podía soportar las ganas de llorar.

Fue un insomnio provechoso. El viernes se levantó estropeado por la mala noche, pero resuelto a definir su vida. Se decidió por fin a violar la cerradura de su maleta para cambiarse de ropa pues las llaves de todas estaban en el bolso de Nena Daconte, con la mayor parte del dinero y la libreta de teléfonos donde tal vez hubiera encontrado el número de algún conocido de París. En la cafetería de siempre se dio cuenta de que había aprendido a saludar en francés y a pedir sanduiches de jamón y café con leche. También sabía que nunca le sería posible ordenar mantequilla ni huevos en ninguna forma, porque nunca los aprendería a decir, pero la mantequilla la servían siempre con el pan, y los huevos duros estaban a la vista en el aparador y se cogían sin pedirlos. Además, al cabo de tres días, el personal de servicio se habla familiarizado con él, y lo ayudaban a explicarse. De modo que el viernes al almuerzo, mientras trataba de poner la cabeza en su puesto, ordenó un filete de ternera con papas fritas y una botella de vino. Entonces se sintió tan bien que pidió otra botella, la bebió hasta la mitad, y atravesó la calle con la resolución firme de meterse en el hospital por la fuerza. No sabia dónde encontrar a Nena Daconte, pero en su mente estaba fija la imagen providencial del médico asiático, y estaba seguro de encontrarlo. No entró por la puerta principal sino por la de urgencias, que le había parecido menos vigilada, pero no alcanzó a llegar más allá del corredor donde Nena Daconte le había dicho adiós con la mano. Un guardián con la bata salpicada de sangre le preguntó algo al pasar, y él no le prestó atención. El guardián lo siguió, repitiendo siempre la misma pregunta en francés, y por último lo agarró del brazo con tanta fuerza que lo detuvo en seco. Billy Sánchez trató de sacudírselo con un recurso de cadenero, y entonces el guardián se cagó en su madre en francés, le torció el brazo en la espalda con una llave maestra, y sin dejar de cagarse mil veces en su puta madre lo llevó casi en vilo hasta la puerta, rabiando de dolor, y lo tiró como un bulto de papas en la mitad de la calle.

Aquella tarde, dolorido por el escarmiento, Billy Sánchez empezó a ser adulto. Decidió, como lo hubiera hecho Nena Daconte, acudir a su embajador. El portero del hotel, que a pesar de su catadura huraña era muy servicial, y además muy paciente con los idiomas, encontró el número y la dirección de la embajada en el directorio telefónico, y se los anotó en una tarjeta. Contestó una mujer muy amable, en cuya voz pausada y sin brillo reconoció Billy Sánchez de inmediato la dicción de los Andes. Empezó por anunciarse con su nombre completo, seguro de impresionar a la mujer con sus dos apellidos, pero la voz no se alteró en el teléfono. La oyó explicar la lección de memoria de que el señor embajador no estaba por el momento en su oficina, que no lo esperaban hasta el día siguiente, pero que de todos modos no podía recibirlo sino con cita previa y sólo para un caso especial. Billy Sánchez comprendió entonces que por ese camino tampoco llegaría hasta Nena Daconte, y agradeció la información con la misma amabilidad con que se la habían dado. Luego tomó un taxi y se fue a la embajada.

Estaba en el número 22 de la calle Elíseo, dentro de uno de los sectores más apacibles de París, pero lo único que le impresionó a Billy Sánchez, según él mismo me contó en Cartagena de Indias muchos años después, fue que el sol estaba tan claro como en el Caribe por la primera vez desde su llegada, y que la Torre Eiffel sobresalía por encima de la ciudad en un cielo radiante. El funcionario que lo recibió en lugar del embajador parecía apenas restablecido de una enfermedad mortal, no sólo por el vestido de paño negro, el cuello opresivo y la corbata de luto, sino también por el sigilo de sus ademanes y la mansedumbre de la voz. Entendió la ansiedad de Billy Sánchez, pero le recordó, sin perder la dulzura, que estaban en un país civilizado cuyas normas estrictas se fundamentaban en criterios muy antiguos y sabios, al contrario de las Américas bárbaras, donde bastaba con sobornar al portero para entrar en los hospitales. "No, mi querido joven," le dijo. No había más remedio que someterse al imperio de la razón, y esperar hasta el martes.

-Al fin y al cabo, ya no faltan sino cuatro días -concluyó-. Mientras tanto, vaya al Louvre. Vale la pena.

Al salir Billy Sánchez se encontró sin saber qué hacer en la Plaza de la Concordia. Vio la Torre Eiffel por encima de los tejados, y le pareció tan cercana que trató de llegar hasta ella caminando por los muelles. Pero muy pronto se dio cuenta de que estaba más lejos de lo que parecía, y que además cambiaba de lugar a medida que la buscaba. Así que se puso a pensar en Nena Daconte sentado en un banco de la orilla del Sena. Vio pasar los remolcadores por debajo de los puentes, y no le parecieron barcos sino casas errantes con techos colorados y ventanas con tiestos de flores en el alféizar, y alambres con ropa puesta a secar en los planchones. Contempló durante un largo rato a un pescador inmóvil, con la caña inmóvil y el hilo inmóvil en la corriente, y se cansó de esperar a que algo se moviera, hasta que empezó a oscurecer y decidió tomar un taxi para regresar al hotel. Sólo entonces cayó en la cuenta de que ignoraba el nombre y la dirección y de que no tenía la menor idea del sector de París en donde estaba el hospital.

Ofuscado por el pánico, entró en el primer café que encontró, pidió un cogñac y trató de poner sus pensamientos en orden. Mientras pensaba se vio repetido muchas veces y desde ángulos distintos en los espejos numerosos de las paredes, y se encontró asustado y solitario, y por primera vez desde su nacimiento pensó en la realidad de la muerte. Pero con la segunda copa se sintió mejor, y tuvo la idea providencial de volver a la embajada. Buscó la tarjeta en el bolsillo para recordar el nombre de la calle, y descubrió que en el dorso estaba impreso el nombre y la dirección del hotel. Quedó tan mal impresionado con aquella experiencia, que durante el fin de semana no volvió a salir del cuarto sino para comer, y para cambiar el coche a la acera correspondiente. Durante tres días cayó sin pausas la misma llovizna sucia de la mañana en que llegaron. Billy Sánchez, que nunca había leído un libro completo, hubiera querido tener uno para no aburrirse tirado en la cama, pero los únicos que encontró en las maletas de su esposa eran en idiomas distintos del castellano. Así que siguió esperando el martes, contemplando los pavorreales repetidos en el papel de las paredes y sin dejar de pensar un solo instante en Nena Daconte. El lunes puso un poco de orden en el cuarto, pensando en lo que diría ella si lo encontraba en ese estado, y sólo entonces descubrió que el abrigo de visón estaba manchado de sangre seca. Pasó la tarde lavándolo con el jabón de olor que encontró en el maletín de mano, hasta que logró dejarlo otra vez como lo habían subido al avión en Madrid.

El martes amaneció turbio y helado, pero sin la llovizna, y Billy Sánchez se levantó desde las seis, y esperó en la puerta del hospital junto con una muchedumbre de parientes de enfermos cargados de paquetes de regalos y ramos de flores. Entró con el tropel, llevando en el brazo el abrigo de visón, sin preguntar nada y sin ninguna idea de dónde podía estar Nena Daconte, pero sostenido por la certidumbre de que había de encontrar al médico asiático. Pasó por un patio interior muy grande con flores y pájaros silvestres, a cuyos lados estaban los pabellones de los enfermos: las mujeres, a la derecha, y los hombres, a la izquierda. Siguiendo a los visitantes, entró en el pabellón de mujeres. Vio una larga hilera de enfermas sentadas en las camas con el camisón de trapo del hospital, iluminadas por las luces grandes de las ventanas, y hasta pensó que todo aquello era más alegre de lo que se podía imaginar desde fuera. Llegó hasta el extremo del corredor, y luego lo recorrió de nuevo en sentido inverso, hasta convencerse de que ninguna de las enfermas era Nena Daconte. Luego recorrió otra vez la galería exterior mirando por la ventana de los pabellones masculinos, hasta que creyó reconocer al médico que buscaba.

Era él, en efecto. Estaba con otros médicos y varias enfermeras, examinando a un enfermo. Billy Sánchez entró en el pabellón, apartó a una de las enfermeras del grupo, y se paró frente al médico asiático, que estaba inclinado sobre el enfermo. Lo llamó. El médico levantó sus ojos desolados, pensó un instante, y entonces lo reconoció.

-¡Pero dónde diablos se había metido usted! -dijo.
Billy Sánchez se quedó perplejo.

-En el hotel -dijo-. Aquí a la vuelta.

Entonces lo supo. Nena Daconte había muerto desangrada a las 7:10 de la noche del jueves 9 de enero, después de setenta horas de esfuerzos inútiles de los especialistas mejor calificados de Francia. Hasta el último instante había estado lúcida y serena, y dio instrucciones para que buscaran a su marido en el hotel Plaza Athenée, tenían una habitación reservada, y dio los datos para que se pusieran en contacto con sus padres. La embajada había sido informada el viernes por un cable urgente de su cancillería, cuando ya los padres de Nena Daconte volaban hacia París. El embajador en persona se encargó de los trámites de embalsamamiento y los funerales, y permaneció en contacto con la Prefectura de Policía de París para localizar a Billy Sánchez. Un llamado urgente con sus datos personales fue transmitido desde la noche del viernes hasta la tarde del domingo a través de la radio y la televisión, y durante esas 40 horas fue el hombre más buscado de Francia. Su retrato, encontrado en el bolso de Nena Daconte, estaba expuesto por todas partes. Tres Bentleys convertibles del mismo modelo habían sido localizados, pero ninguno era el suyo.

Los padres de Nena Daconte habían llegado el sábado al mediodía, y velaron el cadáver en la capilla del hospital esperando hasta última hora encontrar a Billy Sánchez. También los padres de éste habían sido informados, y estuvieron listos para volar a París, pero al final desistieron por una confusión de telegramas. Los funerales tuvieron lugar el domingo a las dos de la tarde, a sólo doscientos metros del sórdido cuarto del hotel donde Billy Sánchez agonizaba de soledad por el amor de Nena Daconte. El funcionario que lo había atendido en la embajada me dijo años más tarde que él mismo recibió el telegrama de su cancillería una hora después de que Billy Sánchez salió de su oficina, y que estuvo buscándolo por los bares sigilosos del Faubourg-St. Honoré. Me confesó que no le había puesto mucha atención cuando lo recibió, porque nunca se hubiera imaginado que aquel costeño aturdido con la novedad de París, y con un abrigo de cordero tan mal llevado, tuviera a su favor un origen tan ilustre. El mismo domingo por la noche, mientras él soportaba las ganas de llorar de rabia, los padres de Nena Daconte desistieron de la búsqueda y se llevaron el cuerpo embalsamado dentro de un ataúd metálico, y quienes alcanzaron a verlo siguieron repitiendo durante muchos años que no habían visto nunca una mujer más hermosa, ni viva ni muerta. De modo que cuando Billy Sánchez entró por fin al hospital, el martes por la mañana, ya se había consumado el entierro en el triste panteón de la Manga, a muy pocos metros de la casa donde ellos habían descifrado las primeras claves de la felicidad. El médico asiático que puso a Billy Sánchez al corriente de la tragedia quiso darle unas pastillas calmantes en la sala del hospital, pero él las rechazó. Se fue sin despedirse, sin nada qué agradecer, pensando que lo único que necesitaba con urgencia era encontrar a alguien a quien romperle la madre a cadenazos para desquitarse de su desgracia. Cuando salió del hospital, ni siquiera se dio cuenta de que estaba cayendo del cielo una nieve sin rastros de sangre, cuyos copos tiernos y nítidos parecían plumitas de palomas, y que en las calles de París había un aire de fiesta, porque era la primera nevada grande en diez años.

Gabriel García Márquez: Escritor colombiano, nacido en Aracataca en 1928. Uno de los más célebres literatos de Latinoamérica y del mundo. Su obra más conocida –"Cien años de soledad"– es hoy uno de los libros más conocidos y leídos en la historia. Obtuvo el Premio Nobel de Literatura en 1982.

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Publicado por ARGENPRESS en 00:22