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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Alagoas tem CSA na Série A do Brasileirão, com Marta na torcida, e Turismo de Primeira Classe



Alagoas tem CSA na Série A do Brasileirão, com Marta na torcida, e Turismo de Primeira Classe

por Fernando Soares Campos(*)

O CSA - Centro Sportivo Alagoano -, clube centenário, conquistou mais que o simples acesso à Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, o Brasileirão: fez uma escalada inédita no futebol nacional, partiu da Série D e, em 3 anos consecutivos (2016/17/18), chegou à Série A, um resultado nunca antes obtido por outra equipe desde que foi estabelecida a fórmula de disputa por séries.

Em 2019, o CSA estará compondo o quadro formado pela elite dos clubes brasileiros e disputando o principal certame nacional. Daí, se a equipe continuar nesse ritmo de ascensão, o Azulão, como é carinhosamente tratado pela sua torcida, pode chamar a atenção do mundo esportivo ao conquistar uma vaga entre os representantes brasileiros na Copa Libertadores da América. Que ninguém duvide, pois o clube que tem a jogadora Marta como “talismã” tem suas chances aumentadas.  

A conquista histórica do CSA, passando a ocupar posição na elite do futebol nacional, contou com a participação ativa de sua mais ilustre torcedora, a jogadora Marta, alagoana de Dois Riachos, município do Médio Sertão Alagoano, eleita pela FIFA, seis vezes, a melhor do mundo. Marta acompanha todos os movimentos do clube como se estivesse cumprindo um juramento matrimonial: “Eu, Marta, recebo a ti, CSA, como meu legítimo clube. Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na vitória e na derrota, por todas as partidas da nossa vida". 

Ela esteve presente em Caxias do Sul (RS), no sábado (24), quando da vitória que carimbou o acesso do clube à Série A do Brasileirão. Marta acompanhou os principais jogos do Azulão no estádio Rei Pelé, em Maceió, e não poderia faltar à final da Série B, partida decisiva contra o Juventude. Ela foi até o estádio Alfredo Jaconi e conferiu a goleada: CSA 4 x 0 Juventude, o que gerou festivas comemorações na capital alagoana durante todo o final de semana.

Curiosidades

Você sabia?

Luiz Felipe Scolari, Felipão, chegou ao CSA em 1981, clube no qual conquistou o seu primeiro e único título como jogador. Ele era o capitão do time e, após a saída do então treinador, Walmir Louruz, assumiu as funções de treinador da equipe. 

O cantor Djavan, alagoano de Maceió, ainda muito jovem, jogou no CSA. Ele tinha tudo para crescer como futebolista, mas preferiu a carreira musical. Como diria Benito Di Paula: "Seria muito bom, seria muito legal, se cantor ou compositor pudesse ser ator e jogador de futebol".

Além de futebol e boa música, o que mais tem Alagoas? 

O litoral alagoano é comparado ao que de mais belo possa existir no Mar do Caribe. Tal semelhança faz com que a região seja intitulada de "Caribe Brasileiro". Somente Maceió conta com quarenta quilômetros de orla deslumbrante. Em todo o Estado, situa-se a Costa dos Corais, a segunda maior barreira de corais do mundo, onde se pode apreciar as belezas paradisíacas das praias dos litorais norte e sul do Estado e desfrutar das piscinas naturais e da pureza de suas águas cristalinas, em diversos tons azulados e esverdeados. Além da semelhança com as praias caribenhas, também caberia denominações como "Polinésia Atlântica", "O nosso Tahiti", ou mesmo dizer como na música de Caetano: "O Hawaí, seja aqui, tudo o que sonhares". 

Confira as imagens assistindo ao clip da música "Minha Sereia", interpretada pelo cantor-compositor alagoano Carlos Moura: 

Minha Sereia
Mergulhar no azul piscina
No mar de Pajuçara
Deixar o sol bater no meu rosto
Ai que gosto me dá

Mergulhar no azul piscina
No mar de Pajuçara
Deixar o sol bater no meu rosto
Ai que gosto me dá

E as jangadas partindo pra o mar
Pra pescar, minha sereia
Maceió, minha sereia
Maceió, minha sereia

Para assistir ao vídeo e ouvir a música, clique AQUI 

A orla principal de Maceió, com extensão de cerca de seis quilômetros, é formada pelas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca. Nessa região concentram-se os melhores a mais modernos hotéis da cidade, além dos concorridos quiosques de praia e os melhores restaurantes, onde se serve desde as bebidas de marca internacionalmente conhecidas até cachaças artesanais de alta qualidade. Também é aí que se encontram tradicionais delícias gastronômicas: camarão, tapioca, petiscos de frutos do mar, sururu ao leite de coco, peixes, ou mesmo carne de sol com queijo de coalho, tudo especialmente preparado à maneira nordestina. 

Onde se hospedar?
Ponta Verde é praia protegida por barreiras de corais. Nos dias em que os ventos estão mais fortes, torna-se favorável a prática de esportes náuticos como windsurf, caiaque e stand up paddle, também conhecido como SUP, que consiste em remar em pé em cima de um pranchão, deslizando sobre as águas mornas e cristalinas do mar de Maceió.
O Holiday Inn Express Maceió é uma das melhores opções de hospedagem na capital alagoana. Localizado a apenas 150 metros da Praia de Ponta Verde, o hotel oferece acomodações confortáveis com WiFi gratuito, acesso à piscina, ao terraço e à academia. No café da manhã, incluso no preço da diária, é servido um bufê completo, suficiente para o hóspede começar o dia bem disposto.  
Confira todas as vantagens de se hospedar no Holiday inn Express Maceió.
Para reserva, clique Aqui 
(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018. 

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

Doações são legais e não houve contrapartida, diz Instituto Lula

Ricardo Stuckert 

Em resposta à nova acusação da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo contra o ex-presidente Lula por lavagem de dinheiro, feita nesta segunda-feira 26, o Instituto Lula esclarece que as doações recebidas pela entidade "são legais, declaradas, registradas, pagaram os impostos devidos, foram usadas nas atividades fim do Instituto e nunca tiveram nenhum tipo de contrapartida".


A força-tarefa cita uma suposta influência de Lula ao presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, para que continuasse a contratar os serviços do grupo brasileiro ARG no país. A influência, além de não ser comprovada, sequer seria crime. Quatro anos depois, o Instituto Lula recebeu uma doação da empresa no valor de R$ 1 milhão. Para o Ministério Público, o dinheiro teria sido uma contrapartida à influência internacional de Lula.


O Ministério Público também denunciou o controlador do grupo ARG, Rodolfo Giannetti Geo, por tráfico de influência em transação comercial internacional e lavagem de dinheiro. Lula também seria acusado de tráfico de influência, mas o crime contra ele prescreveu, uma vez que o ex-presidente já completou 70 anos. Segundo a denúncia, os fatos aconteceram entre setembro de 2011 e junho de 2012.  - Brasil 247

domingo, 11 de novembro de 2018

Brasil: Alagoas é destino especial para turismo no Nordeste



Brasil: Alagoas é destino especial para turismo no Nordeste 
 
por Fernando Soares Campos(*)

As férias estão se aproximando, com elas as festividades de final de ano. Esta é, para muitas famílias, a melhor oportunidade de viajarem juntos. Se a escolha for pelo turismo interno, especificamente o Nordeste, aqui vai uma recomendação imbatível: Alagoas, com destino à felicidade.

Quando se pensa em turismo no Nordeste, as pessoas, em geral, são atraídas pelos cartões postais que retratam as mais belas praias brasileiras, baías, enseadas, ilhas, arrecifes, piscinas naturais, as cores do mar em diferentes matizes. Além disso, o litoral, onde se localizam as cidades mais desenvolvidas, como ocorre em todo o Brasil, conta com as mais importantes obras de infraestrutura, as melhores rodovias da região, aeroportos mais complexos e de maior capacidade de atendimento, terminais marítimos, hotéis de padrão internacional, marinas, atracadouros, urbanizações temáticas das orlas marítimas. Tudo apropriadamente construído para atrair turistas, seja o doméstico ou os estrangeiros que aportam a região mais veranista do nosso País.

Observado por esse prisma, o Nordeste equivaleria a um imenso balneário, o que não reflete a realidade e, com tal classificação, estaríamos reduzindo o imenso potencial turístico da região, que, na verdade, é muito mais diversificado do que possa parecer àquele que se informou através de determinados guias turísticos.

Também, falar da cultura nordestina e indicar como referência os centros culturais, aqueles espaços onde se encontram bares da moda, restaurantes,  teatros, cinemas, lojas de artesanatos e guloseimas típicas da região, galerias de arte, entre tantas outras instituições próprias para difundir o conjunto de padrões comportamentais, expressões, crenças, conhecimentos, costumes diversos e estritamente regionais, não faz jus à realidade vivida pelo povo nordestino. Tais centros culturais, destinados a difundir a cultura nordestina, também podem ser encontrados, por exemplo, nas megalópoles como o Rio de Janeiro e São Paulo. Quer dizer, se fosse por esta via, não precisaria ir ao Nordeste para desfrutar da cultura da região.

Evidente que cada um de nós tem um objetivo para turistar. Que atrativo pode nos interessar? Se são as praias próprias para o banho ou prática esportiva, ou mesmo o mar aberto para mergulho ou pesca, nesse caso, pouca diferença se verifica entre os estados nordestinos. Em quase todos, o visitante encontra condições adequadas às suas aspirações nesse sentido. Porém, se o que se procura está relacionado com específicos roteiros ecológicos, há que se escolher baseado nas características geográficas, climáticas, na importância e tipo de bioma, nicho ecológico ou habitat específico, muitas vezes procurados para pesquisas e estudos especiais. Se se procura algum lugar em função de fatores culturais, busca-se os costumes em geral ou define-se as vertentes que possam interessar, entre folclore, música, moda, gastronomia, artesanato, histórias, religião ou algum interesse relacionado com uma paixão específica, atividade exercida como forma de lazer, distração ou passatempo, um hobby.

A verdade é que, a toda forma de turismo, podemos atribuir uma atividade cultural. O turista geralmente busca o inusitado, aquilo que ele não tem contato no seu dia a dia, ou que não usa nem emprega com frequência. Também pode querer fugir aos padrões habituais e se relacionar com atividades que de certa forma aprecia, mesmo que seja com algum estranhamento ou surpresa.

O Estado de Alagoas é dotado de deslumbrantes praias, reconhecidamente entre as mais belas do Brasil. Além da beleza paisagística, no litoral alagoano há uma diversificação tal em que se oferece aquelas cujas ondas são perfeitas para as práticas de surf e body board, com arrebentações que vão de baixo a alto impacto, até as muito calmas, com as piscinas naturais, temperaturas moderadas, ideal para crianças, idosos ou mesmo para quem prefere a calmaria.

Entre os que pretendem fazer turismo no Nordeste, a maior parte destina-se às capitais dos estados, visando as praias. É onde se encontra o melhor da infraestrutura hoteleira, e, com a intensa concorrência, pode-se encontrar pacotes promocionais até mesmo em período de alta temporada, principalmente quando se faz reservas com antecedência, garantindo os melhores preços de hospedagem e tarifas aéreas.

Em Alagoas, o fluxo turístico se torna cada vez mais intenso e diversificado, ocorrendo entre as praias da capital e dos litorais norte e sul do Estado, além disso, verifica-se a vertente ecológica, que cresce a cada temporada, trata-se da visita aos Cânions do São Francisco, também conhecido como Cânion do Xingó, esta segunda denominação surgiu devido à construção da barragem da Usina Hidrelétrica de Xingó, no Baixo São Francisco. A paisagem é maravilhosa, são formações rochosas esculpidas há milhões de anos, margeando as águas do lago formado pela represa da usina hidrelétrica. O turista navega pelo lago, de aproximadamente 
65 km² de espelho d'água, registrando profundidades de até 175m. A embarcação, que pode ser um catamarã ou lancha, faz parada em determinado ponto, o Paraíso do Talhado, facultando aos passageiros um banho nas águas cristalinas do São Francisco, oferecendo um excelente esquema de segurança aos banhistas e àqueles que ficam simplesmente apreciando a imponente paisagem.

A ida aos Cânions do São Francisco, a partir de Maceió, pode ser feita num mesmo dia, em viagem bate e volta. Mas também o turista tem a opção de hospedagem integrada. É o caso do hotel Holiday inn Express, em Maceió, cuja administração dispõe de outra unidade hoteleira em Santana do Ipanema, cidade sertaneja próxima à barragem da Hidrelétrica de Xingó, o Hotel Privillege. Por esta rota, o visitante tem oportunidade de fazer um passeio mais proveitoso aos Cânions do São Francisco, que figuram entre os cinco maiores cânions navegáveis do mundo.

Partindo de Maceió, em 4 horas de viagem chega-se à cidade de Piranhas, que é o ponto de partida para o cânion no lado alagoano. O visitante pode pagar o passeio de catamarã na cidade de Piranhas, porém é aconselhável que faça a reserva desde a chegada ao hotel em Maceió. A programação de viagem fica por conta do turista, claro. Você pode optar por conhecer primeiro as praias da capital alagoana e litorais norte e sul do Estado, para, em seguida, ir a Xingó. O ideal é curtir as praias, em seguida viajar e hospedar-se por uma noite no Hotel Privillege, em Santana do Ipanema, cidade considerada a capital do Médio Sertão Alagoano. No dia seguinte, pela manhã, parte para a cidade histórica de Piranha, à margem do São Francisco, uma viagem de aproximadamente uma hora. Em Piranhas você conta com restaurantes que oferecem atrações gastronômicas típicas da região, como carne de cabrito, carne de sol e peixes do São Francisco, tudo temperado à maneira ribeirinha.

Piranhas é uma cidade cuja história está ligada ao cangaço. Foi de lá que partiu a volante da polícia militar alagoana para o Estado de Sergipe, e lá dizimou o bando de Lampião, trazendo várias cabeças decapitadas, inclusive as de Lampião e Maria Bonita, expondo-as nas cidades por onde trafegaram, para que servissem de exemplo a quem mais se propusesse a se tornar um fora-da-lei.

Imagens dos Cânions do São Francisco e páginas institucionais dos hotéis Holiday inn Express (Maceió) e Hotel Privillege (Santana do Ipanema).
 
 


(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.     
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sábado, 27 de outubro de 2018

O Grão-Tinhoso anuncia o novo rei das trevas



O Grão-Tinhoso anuncia o novo rei das trevas


por Fernando Soares Campos


Hitler, Mussolini e Franco pediram audiência com Lúcifer. O rei das trevas aceitou ouvi-los, queria saber o que o trio macabro tinha a lhe dizer. Talvez tivessem uma boa ideia de como se apoderar da Terra de uma vez por todas, sem dar chance de qualquer cristão se arrepender das maldades que anda cometendo, ou de recuar do apoio que ora empenha aos representantes das hostes infernais, principalmente no caso do Brasil.


No dia e hora agendados, os suplicantes foram tirados de suas câmaras de tortura e conduzidos à presença do temido justiceiro, o Satânico Tição Furibundo, ou simplesmente STF. A trinca perversa foi admitida na Cova 666, onde funciona a sala de audiências do Grão-Tinhoso.

Perfilados, os três cumpriram o ritual de acordo com o regulamento infernal: bateram continência à bandeira da temida EUA, a Excomungada União Aterrorizante. Só então, teve início a audiência.

-- O que vocês têm a me dizer? Não me venham pedir clemência, afinal, nenhum de vocês se compadeceu de suas vítimas -- apontando para Franco, o belzebu supremo ordenou: -- Fale você primeiro.
-- Excelência, eu...
-- Pode parar! Excelência é o cacete! Quero mais respeito! Excelência é tratamento empregado entre os mofentos dos escalões inferiores na Terra. Não lhe ensinaram a respeitar seus superiores?
-- Perdão, Egrégio Imperador do Reino Unido das Trevas...
-- Melhorou. Continue...
-- Eu vim rogar à Vossa Maligna Eminência autorização para subir à Terra e participar do pleito eleitoral que vai colocar na Presidência do Brasil um legítimo representante dos sinistros anos de chumbo que vigoraram entre 1964 e 1985. Eu gostaria de colaborar para o êxito da campanha...
-- Primeiro, não é subir à Terra, pois, atualmente, o orbe terrestre, considerado através da escala universal da malignidade, encontra-se em condições ainda mais degradante do que este reino das trevas, portanto, nesse caso, trata-se de descer a um ambiente ainda mais lúgubre que estes nossos domínios.
-- Eu sempre tive a esperança de que nossos exemplos se multiplicariam na Terra, e venceríamos.
-- O seu exemplo de traição ao seu povo é um dos mais famosos da História da Humanidade. Você, com a ajuda desse aí -- apontou para Hitler --, massacrou seu próprio povo. Isso mesmo pode acontecer com os brasileiros, caso o bolsolutífero assuma o comando da nação -- uma gargalhada horripilante deu lugar à rouquidão cavernosa do pé-cascudo-chefe.

Voltando-se para Mussolini, o Chavelhudo-mor perguntou:

-- E você, que também recorreu à ajuda desse aí -- novamente apontou para Hitler --, o que veio pedir ou sugerir?

-- Também venho rogar a Vossa Augusta Malevolência que me permita auxiliar as hostes morbíficas a manter-se no poder, agora com as forças mais letais e as mentes mais indecorosas do planeta.

O Dragão da Maldade entressorriu, com ar de deboche, e perguntou:

-- Você acha mesmo que pode fazer mais do que o camisa-preta justiceiro, que já contribuiu com todo tipo de injustiça e mantém o pretensioso representante da luz divina por detrás das grades? Ele admira você, mas é um daqueles admiradores que há muito ultrapassou a capacidade do seu ídolo.

-- Com todo respeito, Proeminente Sapucaio, mesmo eu estando desatualizado dos novos métodos de domínio de massas ludibriadas, ainda assim acredito que posso ser útil. Os próprios camisas-pretas que liderei eram elementos inferiores, manipulados, cegos e submissos às minhas ordens. Assim como, hoje, no Brasil, ao assassinar um gay, os nazifacistas gritam o nome do seu líder, naqueles tempos, a cada execução ofereciam o sacrifício a mim, "ao Duce!", gritavam.

O Excomungado-rei continuava sorrindo por entre os dentes, sabia da ingenuidade daqueles que ainda se consideravam o mais alto grau de perversidade na Terra, não entendiam que, no Brasil, por exemplo, o suprassumo da iniquidade está prestes a assumir o poder, fazendo com que os últimos dois anos de governo tenham sido apenas uma preliminar da crueldade contra os trabalhadores, amostra grátis do inferno na Terra.

-- Vocês querem saber a verdade sobre os destinos da Terra? -- perguntou o Não-Sei-Que-Diga.

-- Sim! -- responderam os dois primeiros entrevistados em uníssono.
-- Pois eu quero que você -- apontou para Hitler -- diga a esses iludidos o que você tem escutado sobre os novos métodos terroristas empregados na Terra, mais precisamente no Brasil.
-- Eu, Majestosa Crueldade?!
-- Sim, você mesmo. Ou você pensa que não sei de tudo que se passa no meu reino? Sei que você conversa com todos os desgraçados que chegam para cumprir pena. Sei também que você tem um interesse especial pelos brasileiros. Me contaram que anda aos cochichos com o Ustra, o brilhante torturador, classe 1964.
-- É verdade, Suprema Tentação, mas quero que fique bem claro que em nossas trocas de ideias não há qualquer intenção de tramar contra a ordem e a autoridade deste Reino das Trevas...
-- Hum! Eu não havia pensado nisso, mas a sua preocupação em me tranquilizar me deixa deveras preocupado... Mas continue, diga a eles quais são os planos para o Brasil e se por lá estão precisando da ajuda de vocês... Seja sincero, diante de tudo que você tem ouvido por parte dos brasileiros, principalmente nas suas conversas com os generais da ditadura e elementos como Ustra, Fleury, Andreazza, Passarinho, ACM e tantos outros, você acha mesmo que gente como vocês, hoje praticamente amadores, poderiam contribuir de alguma forma para a manutenção do golpe e incremento da violência no Brasil?

Trêmulo, Hitler passa a mão na testa para secar o suor e, balbuciente, responde:

-- A verdade, Supremo Arrenegado, é que nós queremos mesmo é nos reciclar, aprender as novas técnicas de golpear e oprimir, saber exterminar sem gastos com transporte de massas, desperdício de gás e energia de altos-fornos. Dizem que hoje, no Brasil, fazem tudo à base de corte de direitos, desemprego, fome e violência. O povo se mata entre si e enterra seus cadáveres...

O Taneco-chefe soltou uma gargalhada e falou:

-- Até aí você vinha acertando, mas, me parece, que não está a par dos novos planos.

Os três entreolharam-se, e Hitler perguntou:

--- Com assim, Altíssimo Diangas?!

O Coisa-Ruim maior fez sinal para alguém da equipe técnica, e logo começaram as exibições de imagens num telão ao lado. Cadáveres estendidos por becos e travessas de favelas brasileiras. Trabalhadores saindo de suas casas pela manhã, saltando e procurando espaço para pisar, evitando caminhar sobre os corpos apodrecidos. Num terreno baldio, crianças arrastam os corpos para a margem do local, livrando espaço para jogar bola. Algumas pessoa catam algum objeto de pequeno valor nos bolsos dos cadáveres. Devido ao adiantado estado de putrefação dos mortos, muita gente anda com um lenço amarrado no rosto, cobrindo o nariz.

-- É assim que se encontra o Brasil?! - perguntou Franco.

-- Ainda não -- respondeu o Lúcifer --, isso é apenas uma projeção para os próximos quatro anos. Sabe-se apenas que não haverá apenas tortura. Todos que passarem por um processo de tortura serão em seguida eliminados, não se cometerá mais o erro da ditadura pós-64, quando muitos dos torturados ficaram vivos, contam histórias e, pior, são mantidos pelo governo. Assim tem prometido o nosso candidato.
-- Mas, ainda assim, podemos ser útil. Vossa Elevadíssima Maldade poderia nos conceder ao menos um dia. Poderíamos trabalhar em boca de urna.
-- Inútil! -- respondeu o Capetão Entronado.
-- Por que inútil?
-- Por que o resultado não revelará a verdadeira votação, mas, sim, aquilo que as urnas estão preparadas para responder. E, nesse caso, não haverá outro resultado, que não seja a vitória do Helenão!
-- Helenão?! O que quer dizer Helenão?!

O Satã Rei das Trevas soltou uma gargalhada e respondeu:

-- Helenão é sinônimo de anhanga ou anhangá, anhanguera, arrenegado, azucrim, barzabu, barzabum, beiçudo, belzebu, berzabu, berzabum, berzebu, bicho-preto, bode-preto, brazabum, bute, cafuçu, cafute, caneco, caneta, canheta, canhim, canhoto, cão, cão-miúdo, cão-tinhoso, capa-verde, capeta, capete, capiroto, careca, carocho, chavelhudo, cifé, coisa, coisa-à-toa, coisa-má, coisa-ruim, condenado, coxo, cramulhano, cujo, debo, decho, demo, demonho, demônio, demontre, diá, diabinho, diabrete, diabro, diacho, diale, dialho, diangas, diangras, dianho, diasco, diogo, dragão, droga, dubá, éblis, ele, excomungado, farrapeiro, fate, feio, figura, fioto, fute, futrico, galhardo, gato-preto, grão-tinhoso, guedelha, indivíduo, inimigo, jeropari, jurupari, labrego, lá-de-baixo, lúcifer, macacão, macaco, mafarrico, maioral, má-jeira, maldito, mal-encarado, maligno, malino, malvado, manfarrico, mau, mico, mofento, mofino, moleque, moleque-do-surrão, não-sei-que-diga, nem-sei-que-diga, nico, pé-cascudo, pé-de-cabra, pé-de-gancho, pé-de-pato, pé-de-peia, pedro-botelho, peneireiro, porco, porco-sujo, provinco, que-diga, rabão, rabudo, rapaz, romãozinho, sapucaio, sarnento, satã, satanás, satânico, serpente, sujo, taneco, temba, tendeiro, tentação, tentador, tição, tinhoso, tisnado, zarapelho...

As gargalhadas de Lúcifer ecoavam na Cova 666, onde funciona a sala de audiências do Grão-Tinhoso.  

(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.  

A ESCOLHA É ENTRE SEGUIRMOS VIVENDO, AINDA QUE DE FORMA INSATISFATÓRIA, OU MATARMOS UNS AOS OUTROS PELAS RUAS

"O anseio meu nunca mais vai ser só
Procura ser da forma mais precisa
O que preciso for
Pra convencer a toda gente
Que no amor e só no amor
Há de nascer o homem de amanhã"
(Geraldo Vandré, Bonita)
decisão que estaremos tomando neste domingo (28) transcende ideologias. É uma opção entre seguirmos vivendo, ainda que de modo insatisfatório, ou nos matarmos uns aos outros pelas ruas.

Temos, de um lado, o representante de um partido de esquerda que deixou de verdadeiramente lutar contra os poderosos desta sociedade, limitando-se a tentar ser por eles aceito como sócio minoritário. Não é, nem de longe, o governo que eu quero.

Só que, do outro lado, está um amontoado de ferrabrases alucinados por imporem ao restante da sociedade, a ferro e fogo, seus valores e modo de ser, numa esquisita associação com os oportunistas de sempre e os piores fisiológicos do esgoto da política brasileira.

Com o Fernando Haddad corremos o risco de voltar ao pacto dos explorados com os exploradores que perdurou enquanto Lula era presidente da República, no qual o primeiro contingente cedia muito e recebia em troca algumas migalhas, enquanto o segundo contingente cedia um tiquinho e recebia em troca privilégios injustificados e uma relativa paz social.

Com o Bolsonaro a promessa é de turbulências de todo tipo, com hordas caçando quem pensa, age, transa ou tem cor diferente, além de previsíveis confrontos com o Legislativo e o Judiciário quando suas propostas inconsequentes esbarrarem na dura realidade dos fatos e a opção for abandoná-las ou enfiá-las pela goela da sociedade adentro à base da porrada nas instituições e nos cidadãos.

Teríamos, reunidos num governo só: 
— a índole irascível de um Jânio Quadros, que não suportava o questionamento de seus planos mirabolantes e acabou tentando obter poderes ditatoriais mediante um autogolpe desastrado;
— a falta de um verdadeiro partido de sustentação, que obrigou Fernando Collor a montar um amplo esquema de corrupção para agraciar seus companheiros de primeira hora e saciar o apetite pantagruélico dos parlamentares de aluguel, até que os partidos poderosos uniram-se para dar um fim ao seu mandato; e
— a crassa incompetência econômica de Dilma Rousseff, principal responsável pela pior recessão brasileira de todos os tempos. 

Não é preciso ser nenhum Nostradamus para vaticinar que seria mais um governo sem prazo de validade de um quadriênio (só por milagre completaria um único ano!). 
Tão logo os iludidos pela pregação fantasiosa/rancorosa de Bolsonaro caíssem em si, constatando que os problemas antigos não estariam sendo resolvidos e muitos novos sendo criados, as cobranças começariam, depois as manifestações de rua, depois a repressão, depois mais revolta, depois mais repressão, até chegarmos ao caos, talvez a um autogolpe, talvez a um golpe militar. 

Este último é antiquado? Já parecia ser página virada em 1964, pelo menos em termos de grandes nações, mas reabrimos o ciclo e muitos outros vieram na esteira!

Enfim, votar contra Bolsonaro é o primeiro passo para o apaziguamento da sociedade brasileira, quando ela completa quatro anos perdidos por causa de um radicalismo que detona tudo e nada constrói, criando um ambiente tão desfavorável aos investimentos que a economia permanece indefinidamente patinando sem sair do lugar, enquanto o povo sofre e se desespera com uma penúria sem fim.
Sei que a decadência irreversível do capitalismo atingiu um novo patamar e não conseguiremos sequer reeditar a pequena melhora da década passada, mas ainda há como o sistema ao menos oferecer um respiro para os mais pobres recuperarem o fôlego. E nem isto teremos com o país em chamas, a consequência lógica da sociopatia extremada de Bolsonaro e o furor homicida de suas hordas de seguidores, caso o louco venha a assumir a administração do hospício.

Já deixamos pelo caminho muitos valores fundamentais da vida civilizada ao longo desta década maldita. Agora, a porta que se abre é para sairmos definitivamente da civilização, trocando o amai-vos uns aos outros pelo odiai-vos uns aos outros e por matai-vos uns aos outros.

Amanhã poderemos ter nossa última chance de impedir que o Brasil vire um péssimo lugar para se viver nos próximos anos e até sabe-se lá quando.

Temos nas mãos o nosso destino, o daqueles a quem amamos e o dos que virão depois de nós. Se cedermos à tentação de um desabafo inconsequente, não só estaremos brincando com fogo, mas condenando todos os brasileiros a se queimarem também! (Celso Lungaretti)

sábado, 20 de outubro de 2018

OS MERITÍSSIMOS EM CIMA DO MURO E OS BRASILEIROS MARCHANDO PARA O ABISMO

Deu numa coluna da grande imprensa muito bem informada sobre o que rola nos bastidores dos Poderes:
"A repercussão da revelação de compra de mensagens em massa no WhatsApp contra Fernando Haddad dominou conversas de ministros do TSE, corte que lida com o caso. 
O entendimento majoritário –inclusive o do corregedor, Jorge Mussi, responsável pela ação contra Jair Bolsonaro– foi o de que não caberia promover diligências extravagantes. A eleição não pode ter o curso alterado pelas mãos da Justiça, disse um magistrado. 'Não sob o calor dos fatos', concluiu. 

Os integrantes do Tribunal Superior Eleitoral ponderaram que, a menos de dez dias do 2º turno, 'não é hora de criar marola'. Mussi decidiu na noite desta 6ª feira (19) citar Bolsonaro para que ele se manifeste sobre o assunto. E só.
Para registro: o mesmo ministro que disse ser indesejável interferir no curso da eleição, afirmou que a investigação deve continuar correndo na corte. 'Lá na frente, se for o caso, cassa a chapa.'"
Então, estamos conversados:
1. há evidências gritantes de que foram cometidos crimes eleitorais em cascata, mais do que suficientes para influenciarem o resultado do pleito, devendo, portanto, o beneficiário ser excluído da eleição presidencial; 
2. mas os meritíssimos preferem permanecer confortavelmente assentados sobre o muro, ao invés de determinarem a imediata apuração das denúncias, adiando o prosseguimento do processo eleitoral para quando houver certeza, ou de que o 1º turno foi válido e o 2º pode ser realizado, ou de que o 1º foi fraudado e precisa ser repetido; 
3. assim, o possível criminoso será beneficiado e as possíveis vítimas muito prejudicadas (não só Fernando Haddad, que ainda terá uma chance de vitória, como os demais candidatos, que vão sofrer perda total); 
4. uma cassação posterior do mandato presidencial de Bolsonaro, única decisão possível à luz dos acontecimentos, colocará o Brasil à beira do caos.
Se, devido à falta de coragem dos magistrados para agirem como é certo no momento em que isto se faz dramaticamente necessário, adiante ocorrerem episódios terríveis como banhos de sangue ou a instalação de uma nova ditadura, os brasileiros civilizados sabem, desde já, quem terão sido os maiores culpados.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O LEGADO DE LULA: UMA TERRA ARRASADA E UMA ESQUERDA MAIS ARRASADA AINDA.

A comédia dos erros terminou melancolicamente

Sem surpresa nenhuma o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, pois é isto que determina a Lei da Ficha Limpa

Se sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro foi justa ou injusta, é algo a ser resolvido na esfera da Justiça Criminal, cujas decisões o Tribunal Superior Eleitoral não tem poder para questionar.

Se sua exclusão do pleito deveria se dar após uma sentença de 2ª ou 3ª instância, é algo a ser resolvido pelo Supremo Tribunal Federal, cujas decisões o TSE não tem poder para questionar. O certo é que, desde 2010, a condenação em 2ª instância vem sendo considerada suficiente.

E todas as decisões do TRF-4, do STJ e do STF foram no sentido de que nem a sentença do Lula seria cancelada, nem a inelegibilidade após a 2ª instância revista neste momento. O que vimos nesta 6ª feira (31) foi apenas a confirmação da derrota anunciada – e pelo acachapante placar de 6x1!

Então, por que o PT insistiu tanto em manter um candidato a presidente ilusório até cinco semanas antes do 1º turno? Cabe aqui uma recapitulação.
De Gaulle teria dito que o PT não é um partido sério...
Mesmo tendo o partido sido gerado em plena ditadura militar, seus fundadores não deixaram de colocar no manifesto de fundação, aprovado em fevereiro de 1980, que teria como objetivos supremos o fim da exploração capitalista e a construção de uma sociedade igualitária e livre:
"...As riquezas naturais, que até hoje só têm servido aos interesses do grande capital nacional e internacional, deverão ser postas a serviço do bem-estar da coletividade.  
Para isso é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares. Mas esses interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular, fundada nas organizações de base, para que se efetive o poder de decisão dos trabalhadores sobre a economia e os demais níveis da sociedade...
...É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem condições de livre intervenção dos trabalhadores nas decisões dos seus rumos...  
...O PT buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja explorados nem exploradores..."
Mas, logo na sua primeira década de existência o PT já desistiu informalmente da meta revolucionária, expurgou as tendências internas que a priorizavam e passou a objetivar apenas a conquista de posições de poder dentro do capitalismo, não mais para construir uma sociedade igualitária, mas sim para proporcionar pequenas melhoras aos trabalhadores. 
Eis, enfim, o real candidato do PT: o ciclista Haddad. Terá ele... 

As eleições foram significando cada vez mais para o PT, enquanto a participação nas lutas sociais ia passando para segundo e até terceiro plano. 

As consequências de sua furtiva guinada ideológica não se tornaram tão evidentes no século passado (porque estava na oposição), nem durante os dois mandatos presidenciais de Lula (porque o bom desempenho das commodities brasileiras lhe permitia cumprir a promessa de botar um pouco mais de pão na mesa dos trabalhadores, embora sem retirá-lo da esbórnia dos privilegiados, tanto que nossa escandalosa desigualdade econômica não diminuiu em momento nenhum).

Quando a crise capitalista se aguçou sobremaneira na presente década, contudo, o cobertor foi ficando cada vez mais curto para cobrir tanto a cabeça de uns quanto os pés dos outros. A política de conciliação de classe foi colocada em xeque, pois numa fase de vacas magras já não era mais possível continuar mascarando a existência de uma contradição fundamental entre os interesses de explorados e exploradores. 

A presidente Dilma Rousseff, que há muito se desencantara com a luta de classes e passara a crer que contradições insolúveis pudessem ser resolvidas com soluções tecnoburocráticas (superestimando desmedida e alucinadamente seu próprio papel como gerentona), tentou uma jogada arriscada para impedir o castelo de cartas de desabar. Era preciso fazer a economia crescer o suficiente para os bancos continuarem comemorando recordes de faturamento a cada mês e para os pobres seguirem deslumbrados com o maravilhoso mundo do consumo ao qual haviam obtido limitado e endividado acesso!

Dilma retirou do baú de velharias as fórmulas desenvolvimentistas de seis décadas antes, com a esperança de fazer o carro da economia pegar no tranco graças aos investimentos estatais. Mas, como o relógio da História não anda para trás, o que ela conseguiu foi colocar a economia brasileira no rumo de uma formidável recessão.
...mais sorte do que a Dilma das pedaladas fiscais?
A hora da verdade chegou em 2014, quando fatalmente não conseguiria reeleger-se a partir dos resultados entregues por seu primeiro governo e de esperanças que ainda fosse capaz de despertar. E o quadro pioraria ainda mais caso o distinto público se desse conta da tempestade que se formava.

Então, como tábua de salvação, ocultou dos eleitores (por meio das famosas pedaladas fiscais) o estado calamitoso das finanças públicas; satanizou adversários exagerando verdades e espalhando as mais cabeludas mentiras; e praticou um ignóbil estelionato eleitoral ao prometer salvar os brasileiros das reformas neoliberais que seus rivais estariam tramando na calada da noite, ao passo que ela, a angelical, jamais cometeria tamanha maldade...

Desde então, o PT passou cada vez mais a sobreviver politicamente à custa de fantasias e embromações.

Depois de cumprir uma por uma todas as etapas do ritual do impeachment e ser derrotado em todas, passou a atribuir o defenestramento de Dilma a um diabólico golpe... que, na verdade, nada mais foi do que a secular prevalência, nos momentos críticos, das necessidades e interesses da classe dominante, pois está é a lógica do sistema. Só ingênuos esperavam que sucedesse o contrário. 

Com isto mais o Fora Temer, o PT conseguiu desviar a atenção dos terríveis erros por ele cometidos, que possibilitaram a derrubada de Dilma mediante um mero piparote parlamentar; e da óbvia constatação de que não adiantava mais eleger presidentes, já que eles seriam deseleitos pelo poder econômico quando este bem entendesse. 

Mas, conseguindo espertamente evitar  um processo de autocrítica do qual sairiam bem menores do que entraram, os dirigentes petistas ao mesmo tempo abortaram a definição de novas linhas mestras para a atuação partidária, já que as anteriores haviam implodido espetacularmente. A salvação dos ineptos se deu à custa de sacrificar-se o futuro: que mágica besta!  
Que dilúvio nos legará esse outro Luís?

O certo é que, para que se consumassem os desastres recentes do PT, concorreu mesmo a adoção de dois pesos e duas medidas: pecados idênticos, cometidos por outros partidos e políticos, foram tratados como venais e os petistas, como mortais. 

Mas as alegações de inocência, tanto no impeachment quanto nos processos por corrupção, nunca passaram de lorotas inverossímeis; o mar de lama existiu mesmo e as práticas que teoricamente ensejariam cassação de mandatos, idem.

Aos olhos dos cidadãos com um mínimo de espírito crítico, o PT, ao incidir nas mesmas práticas e recorrer às mesmas desculpas esfarrapadas quando apanhado com a boca na botija, igualou-se às agremiações convencionais, perdendo o status de partido diferenciado e confiável. Acreditar nele passou a ser um ato de fé; e não é com fanáticos que se constrói uma sociedade emancipada.

Para reforçar a narrativa do golpe e a narrativa do preso político, criou-se o roteiro de um espetáculo de mafuá: a farsa do candidato fantasma, que só serviu para travar a campanha eleitoral e oxigenar o representante do DOI-Codi no pleito presidencial (o truculento candidato que explora, da forma mais grotesca e obtusa, os filões do anticomunismo e do antipetismo) .

Quem disse depois de mim, o dilúvio foi o rei francês Luís XV, e a profecia se cumpriria com seu neto Luís XVI sendo guilhotinado na Grande Revolução Francesa.

Que dilúvio nos legará esse outro Luís? Uma coisa é certa: ele sai de cena deixando atrás de si uma terra arrasada e uma esquerda mais arrasada ainda.