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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Projeto Fábula no Atacama (Pouca carniça pra muito bico)



Projeto Fábula no Atacama
(Pouca carniça pra muito bico)

por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet -- 06/07/2020

Já faz alguns anos que venho tentando escrever uma fábula ambientada no Deserto do Atacama. Pensei num diálogo entre um urubu e um preá agonizante. Já estava com tudo fantasiado, como quando eu era adolescente, no banheiro, prestando homenagem à saudosa Odete Lara. Mas, como desconheço a fauna do Atacama, pintou uma dúvida: não sei se no Atacama existem preás e urubus. Dizem que, nos oásis e margens das lagoas, podem ser encontrados flamengos, lhamas, guanacos e outras espécies. Bom, nesses locais, pode-se encontrar tudo isso, creio que até preá. Urubu, jamais; pois sabe-se que urubu prefere lugares mais hostis, onde preás morrem de fome e sede. Além disso, oásis não é deserto, é desvio de conduta, como a honestidade desde muito antes de Ruy Barbosa.

LEIA COMPLETO: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/07/06/projeto-fabula-no-atacama

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Desterro


Massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Desterro


por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet -- 28/06/2020

Trecho:

Sobre Canudos, quase todo brasileiro tem alguma informação, mesmo que seja apenas a de que ali ocorreu uma guerra, visto que, além da obra de Euclides da Cunha e tantas outras nela inspiradas, também o filme Guerra de Canudos foi um grande sucesso de público e palpites da crítica, além de ter sido premiado em importantes festivais. Muitos são os vídeos-documentários sobre aquele conflito, e a maioria dos professores de História recomenda a obra euclidiana aos seus alunos.

Porém, se o episódio de Canudos é conhecido mundo afora, principalmente através de “Os Sertões”, o mesmo não ocorre com acontecimentos idênticos que também tiveram como palco os sertões nordestinos, como, por exemplo, a destruição da comunidade Caldeirão da Santa Cruz do Desterro, no Sertão do Cariri (CE).

LEIA COMPLETO: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/06/28/massacre-do-caldeirao-da-santa-cruz-do-desterro


Assista ao vídeo: 

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto(Completo) - Rosemberg Cariry 


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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Se entrega, Corisco!



Se entrega, Corisco!


por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet -- 20 de junho de 2020

Lampião, o rei do cangaço, e Corisco, o diabo loiro, tinham por companheiras Maria Bonita e Dadá (é bom que se diga "respectivamente", porque naquela época certas liberalidades de hoje eram tidas como libertinagens, sem-vergonhices que os homens do cangaço não adotavam). Lampião morreu em combate em 1938, quando ele e Maria Bonita foram decapitados (ela capturada viva) e suas cabeças foram exibidas na feira livre de Santana do Ipanema, minha cidade natal, no sertão alagoano. Corisco e Dadá continuaram a luta. Em 1940 ele também tombou, e sua cabeça foi juntar-se à de Lampião no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, onde ficaram expostas até 1969, como troféus das forças de repressão. Dadá, atingida por um tiro no pé direito, sofreu processo gangrenoso que lhe custou a amputação da perna.

Os grupos de cangaceiros certamente não eram formados por indivíduos santificados, entretanto muitas histórias que contam sobre eles não passam de fantasias ou mesmo difamações propositadamente plantadas nos tempos em que o presidente Getúlio Vargas pediu as cabeças dos cangaceiros, que haviam criado a ilusão de mudarem o status de "bandoleiros" para "revolucionários". Foi quando Lampião decidiu autoproclamar-se "governador dos sertões nordestinos".

LEIA COMPLETO: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/06/20/se-entrega--corisco 


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domingo, 14 de junho de 2020

O torturador que diz não temer a verdade (Final)



O torturador que diz não temer a verdade (Final)

por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet 

Trecho:

O meu falante companheiro de carona se aproximou da base de uma escadaria e gritou para o andar de cima:

― Pai, chegamos! Pai, o senhor está aí?! ― voltando-se para mim, finalmente apresentou-se: ― Seu Fernando, eu sou Leonardo. Sou filho do suboficial Túlio, seu colega submarinista dos velhos tempos de guerra ― sorriu. ― Sente-se, fique à vontade. Quer água?

― Aceito ― respondi enquanto me acomodava numa poltrona.

Leonardo dirigiu-se para onde deve ser a cozinha da casa.

Descendo a escadaria, apareceu o velho Túlio. Esquelético, lento, passo a passo, com visível dificuldade de locomover-se.

Leonardo retornou à sala com uma jarra d’água e um copo, me ofereceu. Tomei água. Ele colocou tudo em cima da mesa.

O suboficial Túlio se aproximou de mim. Leonardo fez as apresentações:

― Pai, esse aí é seu Fernando, escritor. Ele foi seu colega na Marinha, no Submarino Bahia. O senhor se lembra dele?

LEIA COMPLETO: https://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/06/13/o-torturador-que-diz-nao-temer-a-verdade--final

LEIA TAMBÉM (ou releia) AS PARTES 1 E 2:
Parte 1: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/05/30/o-torturador-que-diz-nao-temer-a-verdade--parte-1
Parte 2: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/06/07/o-torturador-que-diz-nao-temer-a-verdade--parte-2   





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segunda-feira, 8 de junho de 2020

O torturador que diz não temer a verdade (Parte 2)


O torturador que diz não temer a verdade (Parte 2)

por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet -- 07/06/2020

Trecho:

Em 2008, a presidenta Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, falou que se orgulhava de ter mentido sob tortura, quando foi presa no final dos anos 1960, por fazer parte de grupo insurgido contra a ditadura civil-militar. “Me orgulho de ter mentido, o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. Aguentar tortura é dificílimo”, disse a ministra.

É preciso coragem para mentir àqueles que estão tentando lhe arrancar informações sob tortura, há que se ter talento para convencer os algozes. Até porque os gorilas, provavelmente, não acreditam nem mesmo quando o torturado está falando a verdade. Evidente, pois devem imaginar que a vítima está apenas querendo se livrar dos suplícios. Coragem ainda porque, se eles acreditarem no que lhes foi dito e em seguida descobrirem que foram enganados, o interrogado certamente será submetido a tratamento ainda mais violento.

Assim como a militante Dilma Rousseff mentiu no momento da apuração dos fatos e formação do processo judicial que viria a condená-la por participar de ações contra o regime ditatorial, eu também, em 1974, menti para os inquisidores de uma auditoria militar, prestei falso testemunho, com o propósito de livrar um amigo que se encontrava preso, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de desacato à autoridade de um oficial da Marinha de Guerra e suspeito de participar de ações contra o modelo político-ideológico vigente.

LEIA COMPLETO: http://www.maltanet.com.br/v2/literatura/2020/06/07/o-torturador-qu...

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A Parte 1 de "O torturador que diz não temer a verdade" pode ser lida aqui: 


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domingo, 31 de maio de 2020

O torturador que diz não temer a verdade (Parte 1)


O torturador que diz não temer a verdade (Parte 1)


por Fernando Soares Campos

Portal Maltanet, 30 de maio de 2020

Trecho:

No dia seguinte, por volta das três da tarde, o telefone chamou. Atendi. Um sujeito meio rouco perguntou por mim.

– É ele – respondi.
– Seu Fernando, aqui é um amigo do falecido suboficial Damasceno. A viúva dele me falou que o senhor gostaria de falar comigo.
– É o sargento Sousa?
– Tenente Sousa.
– Desculpe, eu me lembrava de você ainda como sargento e esqueci que a dona Marilane me falou que havia se reformado como tenente...
– Não tem problema, eu entendo.
– Tenente Sousa – acentuei a patente com um tom firme, muito apreciado pelos militares –, eu servi com você no Submarino Bahia. Cheguei a bordo em 69 e desembarquei em 71. Eu me lembro que você era o sargenteante, o homem que cuidava de muita coisa, mas principalmente do nosso soldo, acrescentava as horas de mergulho na nossa caderneta e, a partir daí, a gente passava a ganhar um pouco mais. Confere?
– Tem boa memória! Mas eu não me lembro de você. A Marilane me deu seu nome completo. Eu lidava com toda a tripulação, mas você sabe, faz muitos anos, e a gente acaba esquecendo, não dá pra lembrar de todos. Qual era seu posto?
– Eu trabalhava nas máquinas, era marinheiro do serviço de máquinas, sou do tempo do cabo Cleber, do Martins, do Edivan...

Súbito, o tenente Sousa me cortou:

– Peralá! não vá me dizer que você é aquele marinheiro que deu calote numa boate na zona de Santos, no dia da final da Copa de 70!

Eu preferia ser lembrado por alguma coisa mais relevante, ou mais honrosa. Em todo caso, fiquei satisfeito por ter sido lembrado por um feito qualquer, mesmo que nada edificante.

– Você também tem boa memória – com isso, confirmei que era o tal que ele acabara de se lembrar.

O tenente Sousa caiu na risada, gargalhadas dobradas. Tomou fôlego e falou:

– Rapaz, eu já contei essa história pros meus netos – continuava rindo, agora mais moderado –. Você estava na boate, os colegas iam chegando, você convidava pra mesa, mandava servir os drinques. Depois foi dançar com uma das garotas e sumiu – os risos novamente passaram a gargalhadas –. Na hora da dolorosa, o pessoal falou pro garçom: “Nós não temos nada com isso! Foi o marinheiro quem pediu as bebidas, aquele que estava com a loirinha. Cadê ele? Cobre lá dele?!” – e tome gargalhadas.

Eu mesmo contei o final da história. Falei que o garçom acabou me localizando a bordo, queixou-se ao oficial de plantão. Este adiantou o pagamento da conta com dinheiro do caixa de bordo e registrou a queixa no Livro de Contravenções Disciplinares, mais conhecido como Livro de Castigo. E foi ele mesmo, o sargento Sousa, quem me encaminhou para a audiência com o comandante. Fui punido com cinco dias de impedimento, que consiste em não poder ir para terra naquele período. Cumpri dois dias em Santos e três no Rio.

– Mas tem também aquele outro caso que acho que foi com você... – continuou o tenente Sousa.

Pelo visto, ele estava disposto a levantar todas as babaquices que cometi enquanto estive a bordo do Bahia. E não foram poucas. Eu nem perguntei “qual?”, pois poderia suscitar lembranças outras. Preferi dissimular com:

– É, acho que teve outro caso interessante.
– Rapaz! Esse outro caso foi muito engraçado. Foi em Recife. Você levou pra bordo aquelas garotas de um bordel da Rio Branco, apresentou uma delas como sua namorada e as outras como cunhadas, primas, amigas – o filho da mãe explodia de rir.

Só não desliguei o telefone porque precisava de informações sobre o paradeiro do sargento Túlio, e aquele seria, sem dúvida, o mais importante contato para chegar a ele. O cara havia exercido as funções de sargenteante, o homem que lidava com toda a tripulação, conhecia cada um de nós. Unidades maiores têm mais de um sargenteante, mas, num submarino, um só dá conta do serviço.

Continuou com as gozações:

– Dali em diante todo mundo tirava sarro contigo: “E aí, marujo, como é que tá a família da noiva?” “Boy, ontem à noite estive lá na casa da tua sogra” – a sogra era a cafetina... gargalhadas enchendo meu saco.

Foi naquele momento que tive a certeza da existência de Deus! Sim, Deus existe, sim! Quem mais poderia me fazer lembrar de uma passagem muito engraçada na Ilha da Martinica?

“Só pode ter sido um anjo que me soprou essa!”

– Sargento...
– Tenente.
– Ah! desculpe, esqueci. Tenente, você também conta pros seus netos aquele caso do sargento que, na Martinica, pegou uma garota no escurinho, em cima de uma ponte, encostou a vítima na balaustrada, transaram, e, quando ela foi embora, ele saiu assoviando, feliz, pelas ruas de Fort-de-France, sem entender nem ligar pra todos que olhavam pra ele e sorriam ou faziam gestos estranhos?

Silêncio. Pensei que a linha tivesse caído, até que o Sousa tossiu, falou alguma coisa para alguém bem próximo dele, pareceu cochichar. Apesar de eu não ter entendido o que falou, me pareceu que não tinha nada a ver com o que conversávamos.

– Desculpe aí, meu caro Fernando... É Fernando, não é?
– Sim.
– Ah! você se lembra daquele caso na Martinica? Pois é, rapaz, nem eu mesmo me lembrava daquilo – interrompeu e novamente falou alguma coisa com alguém e retomou a nossa conversa informando:
– É o meu filho que está com um problema no carro... Mas, sim, a Marilane me passou o seu telefone, mas não soube dizer o que você está querendo falar comigo.

Claro que o tenente Sousa não estava mais interessado em minhas trapalhadas nos portos. Menos ainda em falar do sargento Sousa, que transou com uma garota no escuro, apenas com o zíper aberto, sem nem mesmo arriar um pouco as calças, e somente quando chegava a bordo notou a mancha de sangue na barguilha daquela calça de uniforme branquinho. A garota estava “naqueles dias”. Até Chiquita Bacana deve ter rido dele naquela noite, distraído pelas ruas da capital da colônia francesa.

Não voltaria a curtir com a minha cara.

– Estou tentando encontrar um sargento do nosso tempo no submarino.
– Sargento é mais fácil de lembrar, pois eu também era sargento. Quem você tá procurando?
– É o sargento Túlio. Acho que ele era telegrafista.

Ficou mudo. Mais alguns segundos e o telefone deu sinal de ligação encerrada.

“O filho da mãe desligou!”

Se a ligação tivesse caído por problemas na linha, o sinal teria sido imediato, mas aquele silêncio que precedeu o sinal de encerramento da conexão indicava que ele pensou um pouco antes de desligar. “Assustou-se?”

Por que achei que ele se assustou? Porque o sargento Túlio era um conhecido agente do Cenimar. Todos a bordo sabiam disso. E, se ele se assustou por isso, então, no meu entender, deu bandeira. Talvez o sargento, agora tenente, Sousa tivesse sido seu parceiro, um dos poucos “secretas” (como eram conhecidos os olheiros) do Cenimar que conseguiam esconder a identidade. Sim, porque a maior parte dos alcaguetas plantados a bordo depois do golpe de 64, vigiando cada gesto e palavra do pessoal subalterno, fazia questão de exibir seus estreitos relacionamentos com o oficialato. Só faltavam vestir camisetas com a inscrição: “Agente Somos do Cenimar”.

Talvez ele apenas não quisesse se envolver falando desse tipo de elemento, principalmente naquele momento, quando a questão dos crimes cometidos nos porões da ditadura estavam sendo questionados, e os torturadores ligaram as antenas, ficaram apreensivos. Mas foi aí que tive certeza de que o sargento Túlio estava vivo. E o tenente Sousa sabia de seu paradeiro. Tudo indicava que este tem algum relacionamento com aquele.

Fui à cozinha tomar um pouco d’água. Voltei para a sala, sentei-me à mesa, onde dispunha de papel e esferográfica. Rascunhei os quatro primeiros parágrafos destes relatos. Fiquei por algum tempo pensando na atitude do tenente Sousa. Estava convicto de que ele bateu o telefone na minha cara. Não foi a linha que caiu.

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quarta-feira, 11 de março de 2020

Amar é...



"Amar não é aceitar tudo.
Aliás, onde tudo é aceito,
desconfio que há falta de amor."  
Vladimir Maiakóvski  

Amar é...
por Fernando Soares Campos
Portal Maltanet -- 10/03/2020
 
Trecho:
 
Geralmente as pessoas se casam criando um conjunto de expectativas ideais em relação ao parceiro e acabam se frustrando. Certamente a expectativa de que os dois se tornarão um só, ou mesmo acreditar no mito da alma gêmea, atrapalha, frustra aquele que assim pensa e não é capaz de refazer seus conceitos na medida em que se desenrola a união conjugal.

Falamos frequentemente que certos casais já não se amam, apenas se respeitam, se toleram, como se respeito e tolerância não fossem expressões de amor amadurecido. O problema é que, talvez inconscientemente, às vezes imprimimos ao termo "tolerar" a conotação de certa penalidade imposta a quem se resigna diante do erro alheio, apesar de tanto condenarmos a intolerância às opções, atitudes ou condições dos outros.   
 
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Lúcifer está morto




Lúcifer está morto


por Fernando Soares Campos

Portal Maltanet - Literatura - 19/01/2020

Trecho:

Em meados dos anos 1990 (infelizmente não lembro precisamente mês e ano), fui convidado a participar da composição de uma mesa de debate no Seminário Arquidiocesano São José, localizado no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. O tema se reportava aos diversos conceitos de céu e inferno, conforme as orientações de religiões diversas. A plateia era composta de seminaristas, leigos católicos e convidados especiais. Os integrantes da mesa deveriam se posicionar como representantes de credos religiosos ou simplesmente praticantes de tal ou qual doutrina religiosa. Também participou um notável professor da próppria instituição católica, o qual se declarava ateu.
Estavam ali representantes do Candomblé, do Evangelismo Protestante, da Igreja Católica (evangelismo católico), do Ateísmo e eu, estudante da Doutrina Espírita. E na condição de mediador, um seminarista, destacado líder estudantil do Seminário Arquidiocesano São José.
Representando a Igreja Católica, ninguém menos que Dom Estêvão Bettencourt (1919 ─ 2008), teólogo, professor do Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
O evento representava, simbolicamente, a última aula do curso de Teologia para a turma de seminaristas que se graduavam naquele ano.
Ao ser convidado para participar do evento, imaginei que, no mundo "avançado" em que nos encontrávamos, alunos de cursos de Teologia já haveriam de ter tido acesso a todas as visões de céu e inferno pregadas por todas as doutrinas religiosas do mundo. Principalmente pelas mais ativas em território nacional. Engano.
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

As provas da existência de Deus são infinitas como Ele



As provas da existência de Deus são infinitas como Ele


por Fernando Soares Campos


Muitos de nós costumamos contemplar as estrelas e, diante da imensidão do firmamento, comparar a Terra a um grão de areia no deserto. “Somos insignificantes em relação ao Universo”, podemos dizer enquanto apreciamos os inúmeros aglomerados estrelares. Porém, durante o dia, quando o Sol brilha, impedindo a visão da abóbada celeste a olho nu, essas mesmas pessoas pasmam-se ao se deparar com a grandeza dos mares, as gigantescas cadeias de montanha, as imensas geleiras das regiões polares, os enormes desertos, as intensas florestas e tantas outras grandiosidades geográficas do nosso “minúsculo” planeta. Encantam-se até mesmo com a vasta extensão de algumas obras humanas, tais como as pirâmides egípcias, pontes quilométricas, grandes edifícios, metrópoles...

Acontece que, à noite, quando nos apequenamos diante da infinitude do firmamento, estamos propensos a negar a responsabilidade que nos cabe sobre a manutenção e equilíbrio da Criação Divina. Por isso, em vista de não sermos capazes de expressar nem mesmo uma noção específica do infinito e da eternidade (qualquer tentativa de formularmos uma ideia de infinito e eternidade acaba nos levando ao Nada), uma angústia oriunda do nosso orgulho de deuses em princípio evolutivo assoma à nossa alma e preferimos acreditar que do nada viemos e ao nada retornaremos. Porém cada novo alvorecer, nos revelando a Terra em todo o seu esplendor, nos desperta para a Realidade, que traz em si os princípios da Verdade.

Ao nos sentir insignificantes diante da imensidão do Universo conhecido, comparando a Terra a um grão de areia no deserto, manifestamos apenas a descrença em Jesus como Filho do Homem, encarnado entre nós com o propósito de orientar nossos caminhos em busca da verdade e da vida.

Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus...

Cada átomo tem um núcleo, cada organismo tem um comando, cada organização social tem um dirigente, toda nação tem um governante. No Universo em geral não é diferente. Os planetas, as estrelas, as constelações, as galáxias, os grupos de galáxias, tudo tem governos definidos, subordinados entre si, organizados através do Sistema Hierárquico Universal. Jesus governa o planeta Terra e está subordinado diretamente ao Pai, de quem ele tanto falou, que por sua vez governa o Sistema Solar e se reporta ao governador da constelação a que o nosso sistema pertence.

Na Oração da Ave Maria, os católicos referem-se a Maria, mãe de Jesus na Terra, como Santa Maria, “Mãe de Deus”. Não estarão errados se considerarmos que Jesus é o Regente do nosso planeta e, na escalada evolutiva, está acima, muito além, de todos nós, habitantes do orbe terrestre. Jesus é Deus Personificado para a humanidade terrena, como o Pai o é para o Sistema Solar.

“Vós sois deuses”, disse Jesus e concluiu: “Podeis fazer o que faço e muito mais”.

Portanto Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus... Ao infinito. Eternamente.

A matéria é divina, como tudo na composição do Universo

Há quem creia que Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, é simplesmente uma psique ultrassublime, um ser pensante, dotado das mesmas funções psicológicas humanas. Tais pessoas acreditam que os processos cognitivos que empregamos para compreender, por exemplo, a natureza divina, assim como as manifestações afetivas e volitivas que externamos teriam a mesma natureza dos métodos empregados por Deus. Ele, porém, os usaria através de processos tidos como “sobrenaturais”. Esta é, na verdade, a forma como personificamos Deus e nos colocamos na condição de seus semelhantes.

Para muitos religiosos, essa psique ultrassublime (Deus personificado) viria a ser o criador de todas as coisas, inclusive das psiques etéreas (almas), que seriam dotadas de corpos materiais para se locomover e se comunicar entre si, apenas enquanto habitassem o planeta Terra, durante um relativamente curto período. Em seguida, depois de esgotado o prazo de validade, com a morte do corpo somático, as psiques etéreas sobreviveriam independentes, totalmente livres das máquinas tangíveis. Nesse estado, o criador-fabricante separaria as psiques que funcionaram bem, obedecendo às regras de sua empresa, das que se comportaram mal, aquelas que infringiram os regulamentos divinos. As primeiras permaneceriam sob seus eternos cuidados, usufruindo as benesses de um paraíso, uma recompensa por terem seguido corretamente os preceitos supremos, que, desde o momento da criação, estariam registrados em suas consciências. As segundas sofreriam eternamente as consequências de não haverem se comportado bem, ou expurgariam, por um longo período, suas infrações menores e, assim, passariam a habitar entre as psiques imaculadas, obedientes às regras da empresa divina.

É como se as psiques fabricadas em série pelo seu criador, dotadas de máquinas, conforme modelos disponíveis (as etnias), fossem submetidas a determinado período de teste, em que seriam avaliados seus comportamentos éticos. Porém, no processo de reprodução do modelo criado pela divindade suprema, as máquinas dotadas de psiques etéreas poderiam sofrer acidentais falhas, vindo a apresentar eventuais defeitos de fabricação: membros atrofiados, órgãos debilitados, ou a falta de algumas dessas peças, obrigando as psiques nessas condições a utilizarem suas máquinas deficientes, ou desistirem da prova ali mesmo, no final da linha de produção. Outras, durante a fase de prova, sofreriam acidentes que poderiam deixá-las fisicamente deformadas, ou com insuficiência de alguma função orgânica, ou mesmo mentalmente fragilizadas. Em casos de eventos sinistros ainda mais graves, poderiam encerrar seus períodos de teste muito antes de esgotar o prazo de validade da máquina.

Vem daí a ideia de que a nossa massa encefálica é tão somente o veículo de um suposto ser etéreo, que, depois de abandonar a máquina de matéria densa, poderia existir totalmente desvinculado de qualquer corpo material. É como se o psiquismo fosse um ente imaterial cuja dependência do uso de um corpo físico, para se comunicar entre seus pares, ocorresse apenas durante a fase de teste (a existência encarnada). Quem assim pensa acredita que a alma do corpo material vem a ser alguma coisa que possa, em outra dimensão cósmica, manifestar-se independente, livre, dissociada de qualquer tipo de matéria. Isso provavelmente decorre do fato de que consideramos a matéria bruta um elemento inferior, um objeto identificável pelos sentidos básicos da máquina humana, visível, tangível e sensível através de todos os canais de comunicação do corpo físico com o meio ambiente em que se encontra. Enquanto a alma (a psique ou psiquismo), por ser imaterial, representaria o verdadeiro ente sublime, sagrado, venerável. Para muitos de nós, a alma seria a mais importante, a mais significante manifestação de Deus na composição do ser humano, aquilo que sobreviveria eternamente, em vista de sua semelhança com o Criador. Entretanto este ser composto de elementos etéreo (a psique pura) e material denso está evoluindo e alcançará estágios em que identificará a matéria em seus múltiplos estados e inúmeras funções. Então, perceberá como alcançou autoconsciência e como ocorreu o seu processo evolutivo. Assim, perderá o preconceito sobre a matéria e passará a considerá-la como principal parceria do ente etéreo na obra da criação, eternamente sob transformação e evolução.

A matéria é a concentração de elementos do Universo conhecido.

O ente psíquico (a alma) é aquilo que proporciona e controla o estímulo vital na matéria, absorvendo, do conjunto que forma o Universo material, o princípio energético que denominamos “sopro de vida”. E não há razão para o ente psíquico se manifestar sem a concorrência da matéria, mesmo porque não há como nem por que isolar um do outro.

Não podemos dizer que somos simplesmente, como muitos pretendem, um espírito (alma) que habita, temporariamente, num corpo material nem um corpo que possui um espírito, como se estivéssemos tratando de elementos totalmente distintos, ou até opostos. Somos a composição de ambos por toda a eternidade. Precisamos apenas considerar o fato de que ainda não conhecemos todos os tipos de matéria existentes no Universo.

Assim sendo, podemos continuar denominado “reencarnação”, o processo em que o espírito liga-se, sucessivamente, a diversos corpos, renascendo na carne, com o propósito de autoaperfeiçoar-se? Sim, pois estamos falando de o espírito (indivíduo composto de matéria sutil) assumir a vida sobre o orbe terrestre revestido de matéria densa, orgânica.

A matéria é eterna, indestrutível, se transforma; o ente psíquico é eterno, indestrutível, evolui

A ciência ainda não desvendou de forma absoluta as verdadeiras essências das matérias e das energias existentes no Universo conhecido. Acredita-se, inclusive, que possa existir algum tipo de substância formada por elementos distintos de toda composição de matéria e energia que conhecemos. A mais recente descoberta nesse campo é a da misteriosa energia escura, ou energia negra, cuja natureza ainda se constitui num dos maiores desafios para ciência, no que tange, principalmente, aos atuais conhecimentos da física e da cosmologia. O Universo também desperta interesses no campo da filosofia metafísica, através da qual se realizam investigações transcendentes às experiências sensíveis, em busca de fundamentos exclusivamente teóricos sobre as relações entre os corpos celestes, a força gravitacional, a expansão deste Universo, a infinitude e eternidade do espaço-tempo, a possibilidade da existência de vida inteligente, à nossa semelhança, em outras plagas cósmicas, as manifestações da alma humana e a existência de um deus criador de todas as coisas.

Assim como não podemos conceber o Nada, não há como compreender a manifestação psíquica sem um elemento físico, condutor de energia sutil, capaz de realizar o processamento dos dados disponíveis e expressá-los através de movimentos corporais, linguagem oral e escrita, ou mesmo por ondas ou radiações.

Entretanto este ser etéreo está evoluindo e alcançará estágios em que conhecerá as leis naturais que regem sua existência, identificará a matéria em seus múltiplos estados e funções e perceberá como alcançou autoconsciência, como ocorreu a sua evolução. Perderá o preconceito e considerará a matéria apenas um estado natural, igualmente “divino”, quando comparada ao ente etéreo, a psique imaterial.

O ente psíquico nunca se manifestará independente do ente material, mesmo porque não há como nem por que separar um do outro. A diferença fundamental entre um e outro é que a matéria é eterna, indestrutível e se transforma; enquanto o ente psíquico é igualmente eterno, indestrutível e evolui.

A transformação da matéria
Antoine-Laurent Lavoisier, conhecido como o pai ou fundador da química moderna, através de seus trabalhos de pesquisa pôde enunciar uma lei que ficou conhecida como Lei da Conservação das Massas, ou Lei de Lavoisier.

“Numa reação química que ocorre num sistema fechado, a massa total antes da reação é igual à massa total após a reação”.

Ou “Numa reação química a massa se conserva porque não ocorre criação nem destruição de átomos. Os átomos são conservados, eles apenas se rearranjam. Os agregados atômicos dos reagentes são desfeitos e novos agregados atômicos são formados”.

Ou ainda, sob conceito filosófico: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”

Daí podemos concluir que nada pode surgir do nada; e nada pode transformar-se em nada.

A partir dessa constatação, entendemos que os elementos que constituem o nosso corpo material são eternos, indestrutíveis, eles apenas reagem entre si e se transformam (durante e após o ciclo vital).

A evolução do ente psíquico, a psique etérea

O ente psíquico, etéreo, autoconsciente, individual, único, unido ao nosso corpo material, é igualmente eterno, indestrutível. Entretanto este, à medida que aprofunda seu autoconhecimento, é capaz de criar mecanismos próprios para controlar seus desejos e impulsos afetivos e emotivos; adquire conhecimentos através de processo em que aplica a percepção, atenção, associação, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem. Desenvolve métodos próprios para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas. Nele não ocorre a simples transformação de seus elementos, mas, sim, o progresso quantitativo e qualitativo de conhecimentos e o aperfeiçoamento do emprego de suas principais funções (cognição, volição, afeto e motivação), portanto o ente psíquico evolui.

Podemos também afirmar que, em vista do ente psíquico desejar conhecer a verdade e persegui-la, esta evolui consigo.

Tomás de Aquino afirmou que “nenhum ente esgota a verdade”, e isso reforça o nosso conceito de evolução da verdade.

Hegel dizia que uma tese sempre terá para si uma antítese, e a união dessas teorias formaria uma nova ideia, abrangendo aspectos da tese e da antítese em síntese. E a síntese se tornaria uma nova tese, e, assim, o ciclo se reinicia com a formação de sua respectiva antítese. O que vem a ser isso, senão o caráter evolutivo da verdade?

Se a matéria fosse a causa da inteligência, por que, ao final do ciclo vital, essa matéria, que vinha manifestando tal inteligência, volta ao estado primitivo, em que somente as leis que regem seus aspectos físicos e químicos funcionariam? A matéria continua se transformando eternamente, porém aquilo que os ateus consideram como sendo de suas exclusivas responsabilidades, a inteligência e seus produtos, cessariam.

Matéria e espírito são indissociáveis

A causa espiritual está intrínseca à própria matéria. A matéria é divina, a matéria manifesta a presença de Deus, a matéria revela a existência do ser espiritual, etéreo. A matéria "aspira", eternamente, à eterificação, a exemplo do ser humano buscando eternamente a perfeição. A primeira manifestação inteligente da matéria é o movimento eterno em busca da eterificação (até os diamantes "evaporam"). O Calor é a manifestação mental (metal) da matéria densa, a "causa espiritual". A causa espiritual (o ser etéreo) não cria a matéria, nem a matéria cria o ser etéreo. Ambos são, na verdade, uma unidade, formada pelos atributos "Em si", "Por si" e "De si”, que refletem as onipresença, onipotência e onisciência divinas.

As provas da existência de Deus são infinitas como Ele

De onde viemos?

"A alma dorme na pedra, sonha na planta,
move-se no animal e desperta no homem."
(Léon Denis, 1846 -1927, França, pensador espírita,
conhecido como "apóstolo do Espiritismo".)


Reino Mineral

Na matéria em estado sólido, aparentemente inerte, observamos a presença de Deus através da manifestação dos seus principais atributos:

1) Onipresença: esta é a condição em que a matéria sólida, densa, se apresenta em todo o Universo: visível, audível, tangível, olfativa e gustativa; nesse estado, podemos dizer que a matéria é reconhecida pela manifestação “Em si”.
2) Onipotência: a matéria realiza movimentos próprios de expansão e retração, ou dilatação e contração. Com esses movimentos, a matéria experimenta o poder de automobilidade e ocupação do espaço. Em se tratando da matéria, tal atributo pode ser considerado manifestação da onipotência divina, visto que tal fenômeno se constitui em lei da natureza e ocorre em toda parte do Universo. Tal manifestação pode ser denominada de “Por si”.
3) Onisciência: A matéria no Reino Mineral representa o estado elementar do ser inteligente, é o que se pode entender como o estado primário na escala de evolução dos princípios inteligentes da Natureza. A manifestação da matéria ocorrida através da energia térmica em movimento entre as partículas atômicas, gerando o Calor, corresponde a uma psique rudimentar da matéria densa e pode ser classificada como sendo o seu “De si”. Esse processo termodinâmico é imprescindível para a ocorrência de toda a explosão de fenômenos físicos e químicos no Universo. Portanto, por esse princípio, podemos reconhecer a onisciência do Supremo manifestando-se na matéria em estado mineral.

A matéria em forma de elemento do chamado Reino Mineral, que reconhecemos imediatamente através dos nossos sentidos básicos (visão, audição, tato, olfato e gustação), em simples estado de aparente inércia, não tem consciência de seu trabalho fundamental: movimento e ocupação do espaço. Ela é apenas "Em si", não tem capacidade de perceber o transcurso do tempo. É a matéria chamada inorgânica. Entretanto nela consideramos a existência de determinado potencial, a onipotência de qualquer matéria, o "Por si". Constatamos também a sua alma, a essência material, correspondente à manifestação da onisciência divina, o "De si".

Essa é a matéria primária, sólida, a mais rudimentar entre as matérias, que, na verdade, existe em infinitos estados e porções.

A matéria densa expandindo-se, portanto criando a noção de movimento-ocupação de espaço, sem autoconsciência de tempo decorrido, assume diversos estados, que partem do extremamente sólido ao gasoso. E do gasoso ao plasma altamente energético.

A matéria manifestando-se na condição “De si" revela possuir muitos campos de fuga: a troca de energia entre as suas diversas formas de composição, umas se sacrificando (se unindo) pela sobrevivência das outras (seleção natural). Nesse estágio, pólos diferentes se atraem (se completam), pólos iguais se repelem (se expandem), simplesmente para manter a vida, sobrevivendo através da associação de seus elementos. É a solidariedade universal no seu mais alto grau.

Até este estágio do nosso eterno processo evolutivo, ainda não podemos nem mesmo imaginar a existência de outras formas de matéria, mas podemos acreditar que existam materiais sutis que aparentemente ocupam o mesmo espaço de outras matérias que apresentam altas densidades.

Temos, assim, a máquina essencialmente material com os seus elementos tangíveis (“Em si”) e os imediatamente percebidos (“Por si”), além da energia térmica fazendo o papel de uma embrionária psique (“De si”). Em se tratando de matéria, a lei natural (lei da física) que reconhece todas as suas propriedades vigora em todo o Universo.

Reino Vegetal

No reino vegetal, a matéria se manifesta de forma mais inteligente que no Reino Mineral. O “Em si” e o “Por si” (manifestações das onipresença e onipotência divinas) aparecem em um só conjunto, em que se reúnem o tangível (massa) e o estético, que se configuram através do movimento e gradativa ocupação do espaço, com absorção de elementos necessários à composição de cores e formas, algumas delas apropriadas para proteção contra eventuais agressões do meio ambiente, dotando-se de plasticidade, elasticidade, resiliência etc.

A interação com o meio ambiente e uma possível aclimatação, se necessária para o ajustamento a determinadas mudanças nos ecossistemas, entre outras propriedades essenciais à vida dos vegetais, são de responsabilidade do “De si”, cujas funções já se apresentam sob maior complexidade, pois, além do Calor, como no estado mineral, agora faz uso de outras faculdades: reações químicas, físicas, orgânicas e sistêmicas. Portanto as manifestações tidas como “Em si” e "Por si" expressam no vegetal características mais evidentes de onipresença e onipotência divinas. Enquanto isso, o "De si", que correspondente à onisciência, pode ser observado e melhor compreendido. Este, agora, revela uma autoconsciência embrionária, consciência compacta do transcurso do tempo. Nesse estado, a psique (a alma da matéria-indivíduo-vegetal) possui uma rudimentar consciência de si própria, pois, ao trabalho, está inserida uma avançada “noção da transcurso do tempo", com a programação do ciclo de nascimento, vida e morte.

A matéria-indivíduo-vegetal, através de seus instrumentos de evolução, que correspondem à troca de informações com o conjunto de elementos do Universo, aprende a reproduzir-se e manter a sobrevivência das espécies, que vai criando e espalhando ao infinito, eternamente.

Nos estados mineral e vegetal, a matéria manifesta princípios de inteligência, mas não expressa consciência de sua própria existência. Entretanto, mineral e vegetal são programados através de impressões físicas que estabelecem suas funções e capacidades de adaptação aos meios ambientes em que estejam inseridos. Tudo isso deixa transparecer a onipresença, onipotência e onisciência do Criador.

Reino animal

Os três atributos fundamentais que caracterizam a existência de Deus (onipresença, onipotência e onisciência) estão expressos de maneira mais evidente nos indivíduos pertencentes ao Reino Animal.

Assim como no Reino Vegetal, a matéria que constitui a estrutura física do animal (incluindo-se o homem) é uma máquina viva formada por elementos energéticos (minerais). No animal o processo é um tanto mais complexo, compondo células, as unidades básicas da vida, que formam tecidos, a matéria prima para a confecção de órgãos, estes, por sua vez, em atividade integrada entre si, compõem os sistemas organizados. Tal corpo, “Em si”, representa a onipresença divina, onde quer que exista vida animal.

O indivíduo animal de qualquer espécie tem consciência da força que pode aplicar para exercer o trabalho necessário à sua sobrevivência e à procriação. Portanto Deus o dotou de potente meio para prover a sua subsistência e preservar a espécie. É a expressão do “Por si”. Nisso se verifica a onipotência do Criador.

No animal o instinto tem características de inteligência, fazendo-o reconhecer a si próprio como indivíduo e tornando-o capaz de liderar um grupo de sua espécie, verificando-se entre eles certa hierarquia e dominância. Os animais revelam comportamentos naturais, comuns a todos os elementos da mesma espécie, ou específicos, adquiridos por herança genética, ou ainda aprendidos sob adestramento. Podemos reconhecer nisso os caracteres que determinam a manifestação da onisciência de Deus sobre suas criaturas.

Reino Hominal

“O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus”, Allan Kardec: O Livro dos Espíritos, questão 585 e comentário (trecho).

“Vós sois deuses”, disse Jesus, referindo-se a todos nós, indivíduos da espécie Hominal, e acrescentou: “Podeis fazer tudo que faço e muito mais”. Porém, para sermos deuses, precisamos ser dotados dos atributos divinos fundamentais: onipresença, onipotência e onisciência.

Nesse caso, somos deuses porque, em função do nosso estado evolutivo, o mais avançado entre as espécies viventes no nosso planeta, somos responsáveis pela vida, pela reprodução e manutenção de todas as coisas existentes no Universo criado por Deus Impessoal, Infinito e Eterno, o que não tem começo nem fim. Contudo nós somos perpétuos, criaturas eternizadas, aquilo que tem começo mas não tem fim. Essa é também a natureza do Pai, a quem Jesus se referiu. O Pai seria Deus Personificado. Isso ficou claro quando Jesus declarou: “Eu e o Pai somos um”, João, 10:30).

Relativas onipresença, onipotência e onisciência dos seres em evolução

Qualquer conceito que defina Deus como um ser supremo, divino, infinito, eterno, perfeito, imutável, princípio absoluto de todas as coisas, deve atribuir-Lhe três condições fundamentais: onipresença, onipotência e onisciência. Somente através desses atributos, reconhecemos Deus em toda a sua plenitude.

A chave para entendermos a nossa onipotência e onisciência está na consciência da nossa relativa onipresença em todo o Universo. Relativa inclusive para o Deus Personificado, o Pai, para Deus-Jesus, para todos os santos-deuses, deuses-espíritos relativamente bem evoluídos etc.

Ser onipresente, na condição de ser humano, ou supra-humano (é o caso daqueles que vivem envolvidos de matéria sutil), não é poder estar de corpo presente em todos os lugares (isso também vale para um deus personificado, em qualquer grau evolutivo, até mesmo o Pai).

Ser onipresente, para nós aqui na Terra e para as entidades evoluídas que ocupam os espaços celestiais de forma organizada e hierárquica, é, antes de tudo, ter consciência de que aquilo que faço aqui e agora repercute em todo lugar, sem limite preestabelecido, em todo o Universo. Ser onipresente, para as entidades em eterno processo de evolução, é, por assim dizer, ter consciência do "efeito borboleta", que não pode ser facilmente detectado, mas somente intuído. Ser onipresente é respeitar o nosso semelhante, é compreender que somos indivíduos, sim, mas não devemos ser individualistas. Ser onipresente é ter a consciência de que fazemos parte da Humanidade e que, quando qualquer parte de um todo se submete a processo de transformação, o todo terá, de certa forma, se transformado. Ter a consciência de que somos dotados dessa forma de ser onipresente pode nos imbuir da sensação de o quanto somos, igualmente de forma relativa, oniscientes e, daí, nos aflorar a sensação de onipotência. A partir desses reconhecimentos, basta nos impregnar do sentimento de humildade, concluindo que nossa onipresença tanto quanto a onipotência e a onisciência são relativas ao estado evolutivo de nossa consciência.



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