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domingo, 27 de novembro de 2016

O OUTONO DO PATRIARCA CHEGA AO FIM: FIDEL CASTRO ESTÁ MORTO.

A entrada vitoriosa em Havana, no início de 1959.
Fidel Castro, comandante da revolução cubana e principal dirigente do país durante 47 anos, faleceu na noite de 6ª feira, 25.

Foi personagem marcante da segunda metade do século 20, mas sua estrela vinha se apagando desde o fim da União Soviética e do bloco socialista por ela encabeçado.

Em seguida foram suas forças físicas que declinaram, a partir da primeira hemorragia que sofreu em 2006, como consequência de uma doença nos intestinos.

Foi então que, sabendo-se impossibilitado de “assumir uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total”, ele, dignamente, trocou a farda pelo pijama. 

Havia liderado uma heroica revolução em 1959 e depois tentou romper o isolamento a que os Estados Unidos submeteram Cuba incentivando guerrilhas similares noutros países do continente americano (enquanto Che Guevara tentava a sorte no Congo, igualmente em vão).

O resultado acabou sendo o mais indesejado possível: a ocorrência de banhos de sangue e a proliferação de ditaduras direitistas, pois os EUA cuidaram ciosamente de evitar a propagação do mau exemplo no seu quintal. [Êxitos verdadeiros, Cuba só colheu em lutas de libertação nacional, ao ajudar, com tropas, munições e outros recursos, países africanos que confrontavam o colonialismo português.]
Fidel e o Che, no melhor momento de ambos.
Curvando-se à evidência dos fatos, Castro foi obrigado a domesticar sua revolução para garantir-lhe a sobrevivência, ainda que desfigurada.

Desistiu de exportá-la e a institucionalizou, repetindo os mesmos desvios autoritários e burocráticos que engessaram a congênere soviética (a qual, com seu ímpeto transformador estancado, acabou sendo retirada de cena em 1989).

Aposentado compulsoriamente, Fidel durou até os 90 anos, mas os últimos dez não contam: tornara-se um inativo político.

Foi grande um dia, mas decerto não se interessava pelo rock, daí ter passado batido pelos conselhos de Pete Townshend ("Prefiro morrer antes de envelhecer") e Neil Young ("É melhor consumir-se em chamas/ do que definhar aos poucos").

O Che escutou: morreu na hora certa.

SEU PERFIL ERA DE LIBERTADOR – Castro nunca pretendeu revolucionar o mundo, como Marx, Lênin ou Trotsky. Aspirava apenas a ser o libertador de Cuba, livrando-a da ditadura corrupta de Fulgêncio Batista, que fizera da ilha um centro de entretenimentos para turistas ricos interessados em prostituição, jogatina, canciones calientes, drogas... e discrição.
Cuba: humilhada na crise dos mísseis.

Os tão alardeados paredóns (as execuções de inimigos, durante a guerra de guerrilhas e depois da tomada do poder) inserem-se perfeitamente na tradição sanguinária das rebeliões latino-americanas.

Até então, Fidel pouco mais era do que um caudilho típico da região, o filho de latifundiários que abraça a causa dos pobres e se torna seu general. Chegou a declarar enfaticamente que não havia “comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social".

A hostilidade exacerbada dos EUA ao novo governo acabou jogando-o nos braços da URSS, pois só a outra potência mundial poderia dar-lhe alguma chance de sobrevivência face ao poderoso vizinho que lhe impunha um embargo comercial, apoiava invasões armadas e promovia atentados terroristas (vários planos mirabolantes da CIA para matar ou desmoralizar Castro fracassaram).

A contrapartida ao guarda-chuva protetor foi a completa submissão da ilha às imposições soviéticas, com a adoção do modelo stalinista de socialismo num só país: economia totalmente estatizada, autoritarismo político e submissão da classe trabalhadora à burocracia que a deveria, isto sim, representar.

Aparentemente, Castro ainda tentou escapar dessa armadilha, ao concordar com os planos de Che Guevara para levar a revolução à África e, principalmente, levantar a América do Sul.

Com a execução a sangue-frio do Che e o extermínio dos principais movimentos revolucionários latino-americanos, Fidel teve de se conformar com o isolamento em relação a seus vizinhos e a dependência de um aliado distante e arrogante.
Um sucesso incontestável: o sistema de saúde cubano.
Ao monumental sapo engolido em 1962, quando Nikita Kruschev nem se deu ao trabalho de consultar Cuba antes de acertar com os EUA a desmontagem das bases de mísseis instaladas na ilha, seguiram-se outros, sempre indigestos e, ainda assim, digeridos.

Para compensar, Castro obtinha ajuda econômica que lhe permitiu oferecer condições de existência minimamente dignas para o conjunto da população, com destaque para as realizações marcantes em educação e saúde.

Se pessoas mais capazes e empreendedoras se ressentiam por estarem sendo impedidas de obter a condição diferenciada que seu potencial lhes asseguraria alhures, acabando por emigrar de um jeito ou de outro, é certo também que a grande maioria considerava sua situação melhor do que era antes.

Daí a gratidão e carinho que tributava a Fidel, apesar da falta de liberdade e da gestação de uma odiosa nomenklatura, reproduzindo a distorção soviética: onde todos deveriam ser iguais, a burocracia partidária e governamental concedia privilégios indevidos aos seus membros, tornando-os mais iguais.

APÓS O FIM DA URSS, A AGONIA LENTA – A situação, que começara a mudar com a Perestroika, tornou-se crítica após a derrubada do muro de Berlim e o fim do socialismo real no Leste europeu.
Cubanos fugindo de bote: a mídia ocidental adorava.

Ao deixar de ser sustentada pela União Soviética, que lhe injetava recursos e a utilizava como um cartão postal do (que ela pretendia ser o) comunismo, Cuba atravessou uma gravíssima crise econômica, até reaprender a andar por suas próprias pernas. 

Daí as fugas da ilha com barcos improvisados terem chegado ao auge na década de 1980, para júbilo da mídia ocidental. Até o remake de Scarface (d. Brian De Palma, 1983) a incluiu, fazendo uma marota atualização do filme original (d. Howard Hawks, 1932). 

O pior acabou passando, mas os tempos heroicos também. O povo cubano não era o mesmo que se orgulhava de haver reconquistado sua dignidade, com a ilha deixando de ser bordel dos estadunidenses. Tais lembranças haviam se tornado muito distantes. E a penúria, muito presente.

Então, o debilitamento da saúde de Fidel veio a calhar para que Raul Castro, governante menos carismático mas também menos identificado com excessos do passado, lançasse e fosse implementando sua abertura lenta, gradual e segura (o paralelo com a flexibilização do regime militar brasileiro sob Ernesto Geisel tem tudo a ver...), visando ir normalizando pouco a pouco suas relações econômicas com os países capitalistas. 

Quanto a Fidel, acabou tendo seu destino atrelado à bipolarização do poder mundial, que, enquanto durou, permitiu-lhe inflar demais o balãozinho cubano. Mas os ventos mudaram e, no fim da linha, o esperava a agonia lenta.
2013: sua última aparição em público.
Em circunstâncias quase sempre dificílimas, Castro fez o melhor que pôde por seu povo e seu país – não pelo marxismo ou pela revolução mundial, que nunca foram suas verdadeiras devoções.

Quando se puder avaliar seu papel sem exageros propagandísticos e tiroteios ideológicos, deverá ser reconhecida, sobretudo, sua vontade inquebrantável, que o fez ser reconhecido como um titã, apesar da ínfima importância geopolítica da nação que representava.

O século 20 finalmente terminou. E o atual, em termos de grandes personagens históricos, é um deserto.

SOBRE O MESMO ASSUNTO, CLIQUE aqui P/ LER A ERA FIDEL, DE DALTON ROSADO.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

autorizada tortura em ocupações do Distrito Federal:

autorizada tortura em ocupações do Distrito Federal:

Uma das orientações do Gov para a PM nas ocupações do Distrito Federal é identica a usada e CONDENADA como crime de lesa humanidade em Honduras, em frente a embaixada do Brasil quando uma vigilia era feita nos 41 dias em que Manuel Zelaya ficou refugiado na Embaixada.(sobre o fato veja mais aqui: http://juntosomos-fortes.blogspot.com.br/2011/07/financiados-pelos-usa-estados.html

Devemos incansavelmente explicitar e pedir a instituições internacionais que denunciem também, Particularmente não creio em punições internacionais, mas creio que a história é fiel e daqui 30 anos o povo deste país sabera que vivemos mais um golpe seguido de uma ditadura boçal judiciaria.




Boletim de notícias sobre as ocupações do DFE:
02 de Novembro – 19h30
Mesmo diante de todos os ataques, a luta se enraíza e se expande.

A rádioweb da ocupação da Reitoria da UnB está prestes a entrar no ar. Um canal de contra-informação que estará a serviço das ocupas. Escutem e soltem o verbo! http://orelha.radiolivre.org:8080/ocupaunb.mp3

Escolas de Ensino Médio:
*Centrão (Planaltina)* Grupos de direita têm aparecido de madrugada batendo nos portões, mas, apesar dos boatos, segue a ocupação.
[19:15] Um grupo de policiais apareceu, sem a presença de oficial de justiça. Dizem que querem apenas conversar. Os advogados estão presentes.
*GISNO (Asa Norte)* Depois das ações de terror psicológico realizadas pela polícia durante a noite, houve coletiva de imprensa e pela tarde a policia ameaçou dizendo estar com um mandado que nao existe. Os/as estudantes convocam a tofos/as para estarem presentes durante a noite e madrugada, pois há suspeita que haverá tentativa de desocupação. Melhor horário pra apoiar: a partir das 06:00. 
*CEMSO – Setor oeste (Asa Sul)* 02/11 [16:00] DESOCUPADO. Sem mandado, a polícia apareceu e ameaçou os estudantes. Disseram que retornariam no dia seguinte com o aparato para desocupar à força. Depois de negociação, os estudantes decidiram desocupar voluntariamente.
*CEMEB- Elefante Branco(Asa Sul)* 01/11 [19:20] Apesar dos boatos, situação continua tranquila
*CEMTN (Taguatinga)* 02/11 [15:40] DESOCUPADO. Sem mandado, a polícia apareceu e ameaçou os estudantes. Disseram que retornariam no dia seguinte com o aparato para desocupar à força. Depois de negociação, os estudantes decidiram desocupar voluntariamente.
IFs:
*Samambaia*
*Planaltina*
*Estrutural*
*Riacho Fundo*
*IFG - Águas Lindas*
*IFG -Valparaíso*
*IFG - Luziânia*
*Reitoria IFB*
*IFG-Formosa*
Unb:
*Reitoria (Campus Darcy Ribeiro)*
*Quilombo (Campus Darcy Ribeiro)*
*Instituto de Artes (Campus Darcy Ribeiro)*
*BSA - (Campus Darcy Ribeiro)*
*Faculdade de Comunicação (Campus Darcy Ribeiro)*
* Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Campus Darcy Ribeiro)*
*Campus Planaltina*

COMO AJUDAR?
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DEPOIS DO VENDAVAL

Os pleitos municipais de 2016 revelaram um enorme desencanto do eleitorado brasileiro com a política em geral e com o Partido dos Trabalhadores em particular.

Assim, nas dez cidades brasileiras com maior peso político e econômico em que se realizaram eleições para prefeito –Brasília fica fora da relação porque lá inexiste tal cargo–, o não-voto (abstenções, nulos e brancos) atingiu o percentual de:
  • 34,84% em São Paulo, totalizando 3.096.304 eleitores inscritos, enquanto o eleito, João Doria (PSDB), obteve 3.085.187 votos;
  • 41,53% no Rio de Janeiro, totalizando 2.034.352 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Marcelo Crivella (PRB), obteve 1.700.030 votos;
  • 38,50% em Belo Horizonte, totalizando 742.050 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Alexandre Kalil (PHS), obteve 628.050 votos;
  • 39,48% em Porto Alegre, totalizando 433.751 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), obteve 402.165 votos;
  • 32,74% em Curitiba, totalizando 422.153 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Rafael Greca (PMN), obteve 461.736 votos;
  • 31,86% em Salvador, totalizando 620.662 eleitores inscritos, enquanto o eleito, ACM Neto (DEM), obteve 982 246 votos;
  • 25,13% em Fortaleza, totalizando 425.414 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Roberto Cláudio (PDT), obteve 678.847 votos;
  • 22,30% em Recife, totalizando 257.394 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Geraldo Júlio (PSB), obteve 528.335 votos;
  • 17,30% em Manaus, totalizando 217.540 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Artur Neto (PSDB), obteve 581.777 votos;
  • 39,28% em Campinas (SP), totalizando 322.875 eleitores inscritos, enquanto o eleito, Jonas Donizette (PSB), obteve 323.308 votos.
Ou seja, quem realmente venceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre foi Ninguém, não aquele que sentará na cadeira de prefeito.

E os estados nordestinos continuam tardando em sintonizar-se com o sentimento predominante nas regiões economicamente mais desenvolvidas (aquelas que, segundo Karl Marx, apontam o rumo que as demais seguirão). Em 2014, salvaram Dilma Rousseff da derrota. Dois anos depois já estão rejeitando o PT, mas ainda não estenderam tal rejeição às demais forças da política oficial. Atingirão tal estágio em 2018?

Segundo o Congresso em Foco (vide aqui), o PT despencou de 24,2 milhões de votos obtidos nos dois turnos das eleições para prefeito de 2012 para 7,6 milhões agora, além de passar a comandar uma única capital brasileira (Rio Branco) e de sofrer dolorosa derrota no ABCD paulista, berço político de Lula.
Está pagando caro pela postura que começou a assumir já na década de 1980 e depois foi aprofundando cada vez mais: o abandono dos ideais revolucionários e consequente aposta na melhora das condições econômicas dos explorados sob o capitalismo.

Ou seja, prometeu conduzir a classe operária ao paraíso pelo caminho tão fácil quanto ilusório das urnas; e, previsivelmente, não conseguiu cumprir a promessa. Daí estar agora sendo visto pela maioria dos brasileiros como farinha do mesmo saco, não mais uma exceção à venalidade generalizada, mas tão somente a confirmação da regra de que o homem comum nada de bom deve esperar dos podres Poderes e de quem deles participa.

Isto porque o PT (e boa parte da esquerda não-petista) não levou em conta duas evoluções muito importantes do quadro político e econômico.
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O CAPITALISMO AINDA RESISTE
MAS SUA AGONIA É IRREVERSÍVEL.
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O capitalismo continua minado pela contradição fundamental de que, ao usurpar dos trabalhadores parte substancial dos valores que eles criam, não lhes dá condições de adquirir todos os frutos do seu labor. Tal descompasso, antigamente, levava às crises cíclicas, guerras e agudas depressões, formas extremas de tornar mais equilibradas a oferta e a procura. 

Os marcantes avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas vêm reduzindo cada vez mais a componente de trabalho humano nos produtos, o que faz diminuir na mesma proporção o lucro que o capital pode extrair de cada item produzido. Como a expansão ininterrupta é condição sine qua non de sua vitalidade, o fato de cada vez mais chocar-se com limites intransponíveis debilita crescentemente o capitalismo, prenunciando seu colapso definitivo.

A crise devastadora para a qual marcha a economia globalizada só não eclode com força total porque a penúria e o apertar de cintos são transferidos de país para país, com a relativa prosperidade de uns tendo como contrapartida o inferno de outros; e também porque a concessão indiscriminada de crédito sem garantia e a emissão desmedida de moeda sem lastro permitem empurrar com a barriga o acerto de contas, adiando longamente (mas não indefinidamente) o juízo final.

Mais dia, menos dia, o castelo de cartas desabará, impondo ao sistema capitalista como um todo uma depressão econômica tão profunda que fará a da década de 1930 parecer brincadeira de criança. 

Ao trocar a luta de classes pela conciliação de classes, o PT acreditou que bastaria se mostrar tão inofensivo e domesticado quanto um lulu de madame, resignando-se a não meter o bedelho nas decisões macroeconômicas, para os donos do Brasil o deixarem cuidar das miudezas administrativas em paz; e supôs que o bom desempenho que as commodities brasileiras vinham obtendo no comércio internacional durante a década passada duraria para sempre, permitindo-lhe satisfazer o apetite pantagruélico do grande empresariado e, ao mesmo tempo, colocar algumas migalhinhas a mais na mesa dos coitadezas.

O preço destas apostas equivocadas é sua degringola atual.
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A POLÍTICA OFICIAL É SÓ FIGURAÇÃO, O
 PODER ECONÔMICO MANDA E DESMANDA.
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Outro fenômeno que vem se acentuando cada vez mais é o avassalamento do poder político ao poder econômico. Não há mais sobrevivência possível fora do modelo capitalista de inspiração neoliberal, pelo menos enquanto ele for dominante em escala global; países ou blocos que tentam isoladamente confrontá-lo, têm até agora sucumbido. [A bola da vez é a Venezuela, símbolo maior do agonizante bolivarismo.]

A lógica da economia capitalista se impõe esmagadoramente sobre o Executivo e o Legislativo (bem como sobre as instâncias superiores do Judiciário), tornando inócuas as tentativas de colocar em xeque a exploração do homem pelo homem a partir das tribunas parlamentares e dos palácios do governo. Os mandatos eletivos servem para dar boa vida a maus representantes do povo, mas não para emancipar o povo.

Então, outra lição importante a tirarmos da ascensão e queda do PT é que a chamada via eleitoral caducou e hoje só serve para manter a esquerda patinando sem sair do lugar.

O que fazermos, então?

O primeiro passo, obviamente, será estancarmos a hemorragia e voltamos a acumular forças.

Resgatarmos nossa credibilidade, tão abalada por escândalos que jamais poderiam ter ocorrido no nosso campo.

E reerguermos a esquerda, como uma alternativa à política oficial e não como parte do seu sistema.

O tempo das bravatas e dos projetos mirabolantes passou. Temos de, humildemente, voltar a participar das lutas justas da sociedade, dando nossos melhores esforços para que elas frutifiquem, ao mesmo tempo em que estivermos alertando os explorados, humilhados e ofendidos, no sentido de que suas conquistas só serão definitivas com a superação do capitalismo. Até lá, continuaremos assistindo a retrocessos como o empobrecimento, nos últimos anos, da nova classe média que os petistas se ufanavam de haver gerado.

Quanto aos voos maiores, são algo para pensarmos quando a correlação de forças não estiver tão desequilibrada em nosso desfavor como está agora; e também quando as crises econômica e ambiental do capitalismo se agravarem ainda mais, provavelmente interagindo entre si. Tudo leva a crer que, nas próximas décadas, a humanidade enfrentará seu maior desafio em todos os tempos.

Como em 1917 na Rússia e em 1949 na China, é bem provável que então se abram janelas revolucionárias, com os homens redescobrindo a solidariedade na luta que terão de travar por sua sobrevivência ameaçada. Pode ser o ponto de partida para uma reorganização da sociedade em bases bem diferentes, passando a priorizar a colaboração fraterna dos homens em prol do bem comum. 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

672 ESCOLAS OCUPADAS no Brasil: Educação é Prioridade

escolas_ocupadas (1)

673 escolas Ocupadas no Brasil - Destas, 597 escolas estão no estado do Paraná.

Viva o POVO que LUTA

Bloqueio a Cuba




Bloqueio a Cuba
Frei Betto

Antes que outubro termine, a Assembleia Geral da ONU votará, mais uma vez, a proposição pelo fim do bloqueio dos EUA a Cuba, como ocorre há 25 anos.
Ano passado, dos 193 países filiados à ONU, 191 aprovaram o fim do bloqueio. Apenas dois se posicionaram contra: Israel e o próprio EUA. É no mínimo contraditório que o governo estadunidense tenha se manifestado contra, já que o presidente Obama é declaradamente contrário à punição imposta a Cuba desde 1962.
Não depende do Executivo americano a suspensão da medida. Depende do Congresso, hoje dominado pelos republicanos. E até agora os parlamentares preferiram adiar esta pauta.
Estamos, portanto, diante de uma situação esdrúxula: o presidente dos EUA reata relações diplomáticas de seu país com Cuba, graças à mediação do papa Francisco, e os congressistas insistem em manter a sanção que tantos danos causa à economia e a à vida do povo cubanos.
Por impedir relações comerciais entre os dois países, Cuba se vê obrigada a importar produtos de mercados mais distantes, encarecendo o custo do frete. E não pode adquirir medicamentos e produtos de tecnologia fabricados apenas nos EUA. O prejuízo é calculado em US$ 100 bilhões ao longo dos últimos 54 anos.
Quando perguntei a Fidel, em fevereiro do ano passado, como encarava o reatamento de relações com o poderoso vizinho do Norte, ele deixou claro que ainda era cedo para comemorar. Faltam a suspensão do embargo e a devolução da base naval de Guantánamo, hoje utilizada pelo governo estadunidense como cárcere de supostos terroristas sequestrados mundo afora por agentes de segurança dos EUA, ao arrepio de toda a legislação internacional.
Para se ter uma ideia do que significa o bloqueio – condenado pelos três últimos papas e o episcopado de Cuba – basta dizer que um casal de Nova York consegue, em uma agência de turismo da Quinta Avenida, comprar um pacote de viagem para visitar o Irã ou mesmo a Coreia do Norte. Não para Cuba. O bloqueio o impede. Viagens de americanos para a ilha caribenha são permitidas dentro de um conjunto de exceções, como vínculos familiares, tratamento médico, razões religiosas, pesquisa acadêmica etc.
Gabriel García Márquez certa vez viajou de Havana para Nova York. Levou na bagagem uma encomenda cubana: obter a reposição da peça de uma máquina de filmagem made in USA, fabricada na década de 1950.
Gabo fez o pedido à loja que vende peças de equipamentos antigos de cinematografia. Registrou a numeração da máquina, e ficou de retornar no dia seguinte para saber se a mercadoria fora encontrada.
Sim, figurava no estoque, mas disseram a ele que não poderiam vendê-la. Sabiam se tratar de um equipamento em poder dos cubanos e, por isso, a lei do bloqueio vetava a comercialização.
Após o reatamento das relações diplomáticas entre os dois países, e mais de um milhão de cubanos residindo nos EUA, só a insensatez conservadora explica a permanência de tal sanção.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Maria Lúcia Fattorelli denuncia na C D H a PEC 241







 COMENTÁRIO SOBRE A PEC 241 ( Marcos Rebello)
Nos comentários sobre o vídeo de Maria Lucia Fattorelli há pessoas que a criticam como 
errada e outras que satirizam a posição de quem condena a criação de mecanismos 
financeiros que significam o aumento da dívida pública. 
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Sr. Stephen Kanitz
Esse pessoal não é mal intencionado. É porque o investidor financeiro não tem moral. 
Aliás, na sua maioria são amorais, o que é pior. O que importa é o contrato. 
Seja ele sobre o que for! Para as partes financeiras contratantes tanto faz se o resultado
 de uma mega operação de "short selling" derruba um banco central para a ruína 
de uma nação ou se um "futures contract" levanta toda uma indústria e cria milhares de
 empregos! O importante é que detrás destes contratos estejam exércitos poderosos
 capazes de fazê-los serem cumpridos - com bombas atômicas de preferência!


Me explico.
Parece insuspeito, mas este vídeo não é apenas uma séria elaboração técnica para
 desmascarar uma fraude. A Sra. Fattorelli tem credenciais impecáveis, alem de 
acadêmicas,para expor sobriamente um processo que ocorreu na Grécia. 
Também não é apenas com o propósito de desconstruir a PEC 241 que deverá
 congelar as despesas públicas na educação e na saúde por 20 anos em um 
país de 210 milhões de pessoas. Este vídeo, para quem sabe dar a sua 
real importância, para quem sabe das implicações macroeconômicas e 
geopolíticas em um cenário financeiro global, compreende perfeitamente que é
 chave para impedir que o Brasil passe de uma potência, prestes a adquirir a soberania
 plena, para ser rebaixado à mera 'matriz provedora' de valores às entidades no 
exterior que estão em precaríssima situação em todos os sentidos.
Basta um acompanhamento no wall Street Journal sobre os bancos nos EUA e na UE e
 seus Bancos Centrais. Para quem sabe um pouco de economia pode conferir que os
 "stress tests" nos 8 maiores bancos nos EUA, que controlam Wall Street e 85% da
 economia, não têm condições de serem implementados como gostaria o
 FED Governor Sr. Daniel Tarullo e exigia o Sr. Jeb Hensarling do GAO, que iria
 suplantá-lo, para garantir a transparencia que não há nem no FED e para que em uma
 eventual crise, que certamente virá, sejam sólidos o suficiente para não falirem e provocar
 o efeito dominó. Isso porque o governo já anunciou que não tem condições de salvá-los
 outra vez. Veio então o Brexit, e os "stress tests" não podiam ser exigidos porque seria melhor
 deixar os bancos agirem desimpedidos no estupro do que resta dos mercados na era
 pós-Glass-Steagall. A taxa de juros é sabido que deve aumentar por força das
 necessidades mas não há solidez na economia para tal. Na Europa a mesma coisa e idem
 no Japão, ambos com taxas de juro negativas e beirando ao zero. Ou seja, não existe
 a mínima possibilidade de recuperação econômica porque TODAS as alternativas estão
 exauridas, inclusive "helicopter money" que depende de "soft demand" para o qual o FED 
e o governo já declararam que nisto não podem influir porque depende das vontades
 individuais de consumidores e empresas.
O desespero é tal que o ECB, FED, BoJ, BoE estão comprando massivos blocos de 
dívidas das maiores empresas multinacionais a juros baixíssimos por vários anos - 
estão estacionando dinheiro para daqui ha 6 e 10 anos. Parece ser a última cartada para
 garantir o domínio e manter as moedas mais fortes, assim como as respectivas 
multinacionais receptoras destas infusões de liquidez, no controle dos mercados. 
O dólar todos sabem que esta prestes a derreter porque os petrodólares não têm mais a sua
 base de sustentação que é o petróleo - Pré-sal e Venezuela à vista? É esta casta de
 abutres que exige uma Selic no Brasil a 14,25% para garantir os lucros que não podem 
realizar nem em casa nem em qualquer outro lugar. Nem no Forex em alta volatilidade que
 hoje registra uma queda de 44,7% para os 5 maiores bancos que seis meses atras
 era de 61%! A situação é simplesmente desesperadora.
Alguem ja perguntou a moralidade disso? Ou seja, depois de massivas doses de 
Quantitative Easings sem inflação(!), de doação de dinheiro diretamente da "fábrica" 
criado do nada para manter a sobrevida de um sistema decadente que não tem 
condições de se sustentar não deve passar por um escrutínio moral? O que dizer de
 um sistema financeiro hiper alavancado, com contratos de derivativas em no 
mínimo US$600 trilhões a serem maturados em excesso daqui ha pouco tempo e um PIB 
mundial a US$105 trilhões que não mostra crescimento nem oferece saída? Por isso adotam
 sanções econômicas para pressionar países a se ajoelhar e entregar o que por direito são 
seus patrimônios nacionais. Com outros destroem completamente suas cidades e espalham 
seus povos desabrigados às centenas de milhares pelo mundo afora sem a mínima consideração
 ao direito humano visando apenas o desejo insano de criar zonas de influência geopolítica, 
roubar jazidas de petróleo e fazer contratos pela força das armas para adquirirem valores
 que não possuem mas necessitam para manter a supremacia. Pressionam supostos
 aliados a fazerem pressão economica e guerra, e chamam a isso de "coalisão".
Isto posto, podemos com segurança neste raciocínio lógico chegar ao tema que nos 
toca particularmente como brasileiros. O golpe que sofremos, por termos tido um governo
 progressista e independente com uma diplomacia ativa e altiva que se responsabilizava pelo
 bem estar da sociedade, é o resultado direto desta atual conjuntura internacional. 
E o que vemos neste golpe descarado? Uma classe de gente, se assim pudermos chamá-los, 
que cinge a face de uma falsa moral para pretender impor uma decência e religiosidade que não
 possuem, porque são impedidos pela ganância a não enxergar a morte lenta à dezenas de milhões
 de seres humanos. Fazem questão de engordar com "puffed dollars" uma pseudo-elite para administrar 
toda uma nação de futuros escravos por meio de leis que sabem com absoluta certeza os fará
 dependentes por gerações, sejam apenas observados os contratos feitos entre partes gananciosas
 sem qualquer observância à mais elementar decência humana. E chamam a isto de 
"Ponte para o Futuro" em um processo democrático. Esta é a decadência ocidental, com toda a 
cristandade mercantil que vem de arrasto na cola de enriquecimento fácil para uma minoria
 de espertalhões.
Não precisamos de agentes de influência. Basta-nos um Congresso corrupto, comprado por
 outros bilhões de "puffed dollars" das petroleiras. Estas em estado deplorável que nem podem 
mais pagar os dividendos aos seus acionistas, para que entreguem o Pré-sal em troca de 
mais "puffed dollars" e nenhuma contrapartida!
A PEC 241 é uma monstruosidade! Igualada apenas aos contratos de financiamento do
 Império pelo Marquês de Barbacena e Visconde de Itabaiana a partir de 1824. Tenho absoluta 
certeza de que este é o mesmo propósito desenhado e agora posto em prática para o Brasil
 a partir deste governo golpista e ilegítimo.
A PEC 241 é para garantir que haja liquidez para cumprir os contratos fraudulentos de escravidão
 do povo!
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“Ousei rasgar o espesso e misterioso véu que cobria o
Tesouro, persuadido de que a desconsolação pública e a
extinção do patriotismo andam a par da miséria pública; de
que a ruína dos Estados, a queda dos Impérios são
conseqüências das desordens das finanças”.
(Relatório do Ministro da Fazenda, Manuel Jacinto
Nogueira da Gama, Visconde de Baependi, em 1823). 
.

Ex Preso de Guantánamo Entra em Coma. Ajude a salvar esta vida. A causa é mais que justa

Um clique seu ajudará a salvar a vida de Jihad ex preso de Guantanamo.  

Na luta por Direitos o ex preso politico na vergonhosa cadeia norte americana 
- GUANTANAMO, , entra em coma.
Jihad Diyab, sírio ex-detento de Guantánamo, deita em colchão no chão de 
sua casa no Uruguai durante sua greve de fome (Foto: DANTE FERNANDEZ / AFP)...



16 h
OS DIREITOS HUMANOS PERDIDOS NA LEGALIDADE 
INTER-ESTATAL
Os estados existem para que, afinal?
.
Jihad Diyab quer garantir reunião com sua família em outro país. 
Greve começou no fim de agosto, quando foi levado de volta 
da Venezuela.
G1.GLOBO.COM

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A Vaca foi pro brejo e a privatização da Petrobras é fato


A repórter da GloboNews tenta justificar a entrega do Pré-Sal dizendo que
 "devido ao alto endividamento da Petrobrás não se tem
 nenhuma garantia de que ela consiga achar petróleo quando perfurar estes poços, 
devido a necessidade de altos investimentos"...

Só que a Petrobrás já produz mais de 1 MILHÃO DE BARRIS/DIA NO PRÉ-SAL!
Sabe o que é pior nisso tudo? 
Ainda tem abestado que vai acreditar e vai sair repetindo isso por aí!


Marcos Rebello: 'a vaca hoje foi definitivamente para o brejo! Desvincularam a Petrobras do Pé-sal! Daqui pra frente as vendas serão sem ela e os 30% que seriam para ela e
o Brasil vão pros donos.
A Petrobras em si está agora sem meios para fazer caixa e sair da lama.
O seu fim será a privatização.'

alerta geral - OPERAÇÃO GLADIO o que acontecerá no Brasil

OPERAÇÃO GLADIO
Esta operação está sendo organizada no país de modo diferente. 
Em vez de militares, são civis religiosos.
Para quem não conhece a Operação Gladio é bom passar um Google para 
aprender sobre o que foi a mais bárbara operação de controle civil da extrema direita
 que começou no final da II Guerra e culminou com os atentados à bomba na Europa, 
principalmente na Itália que mataram dezenas de pessoas para culpar a esquerda. Neste mesmo tempo a ditadura militar governava pelo terror em vários países.
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OPERAÇÃO GLADIO - O ATAQUE DO IMPERIO A NUESTRA AMERICA - Explicando as ditaduras

Caros

Depois de ter iniciado o desenvolvimento de um artigo que viesse a esclarecer a todos a importancia do pano de fundo do Caso Battisti, que foi a Operação Gladio no ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial, já encontrei feito de forma compacta, o que apenas me deu o trabalho de traduzi-lo à noite até ha pouco.

Poderia adicionar alguns outros detalhes importantes mas o tempo nos é exíguo para que chegue às mãos dos Ministros do Supremo, e às suas, para que repassem de imediato a fim de fazermos uso dessa matéria importantissima. Infelizmente os e-mails dos Ministros Gilmar Mendes (o principal) Ayres Britto, Cesar Peluso e Ricardo Lewandowski me foram passados errado. Se puderem chegar às suas mãos ficariamos muito gratos.

Abraços

Marcos Rebello.
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Excelentíssimos Ministros

Já ha algum tempo venho participando de debates sobre esse tema, particularmente depois que o pedido de extradição de Cesare Battisti pela Itália foi submetido ao Supremo Tribunal de Justiça da nação brasileira.

Acabo de traduzir esse ensaio fartamente documentado (não só por jornais) que trata o mais suscintamente sobre a base daquilo que viemos a conhecer na realidade como a guerra fria no ocidente perpetrada por agentes do próprio estabelecimento politico e de inteligencia ocidentais contra as nossas sociedades. Este é, portanto, o pano de fundo daquilo que V. Exs. estão julgando: o Caso Battisti.

Conclui-se que pela extradição de Cesare Battisti à Itália, em vez de darmos início à resolução das atrocidades cometidas pelos serviços de inteligencia ocidentais, operando particularmente na Itália e no Brasil durante a decada de 70 em seu auge, estaremos falhando inequivocamente em darmos um claro sinal a esses agentes de que essas práticas não mais serão toleradas em nossos países por serem hediondas e monstruosas transgresões aos Direitos Humanos.

É por mantermos a dignidade humana e a soberania nacional, no que concerne estes nossos Direitos Humanos, que Vossas Excelencias tem a obrigação de impor e preservá-los pela simples e clara interpretação do espírito das leis no julgamento desse pedido de extradição que não procede. Porque não é um homem que está sendo julgado, mas todo um sistema de terror a que todo o mundo ocidental tem sido vítima como pretexto de, por controle estatal repressivo e violento, submeter centenas de milhões de seres humanos.

Como sabemos, por já termos conhecimento de causa, não há como Cesare Battisti ser julgado imparcialmente na Itália. Ele seria mais um bode expiatório no processo de encobrir aqueles que mantém o mesmo esquema politico-institucional.

Atenciosamente

Marcos Rebello

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Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos


O “sacrifício” de Aldo Moro

por Andrew G. Marshall

Pela OTAN, trabalhando com várias agências de inteligência européias, a CIA construiu uma rede dos que foram deixados atrás “dos serviços secretos” responsáveis por dúzias de atrocidades terroristas através de Europa ocidental por décadas. Este relatório estará focado no exército deixado atrás na Italia, porque é o mais documentado. O nome de código era Operação Gladio, a “espada”.


Uma vista geral

A finalidade das tropas “deixadas atrás”

No inicio dos anos 50, os Estados Unidos começaram a treinar redes dos “deixados atrás” dos voluntários na Europa ocidental, de modo que no caso de uma invasão soviética, “recolhessem a inteligência, abrissem vias de fuga e formassem movimentos de resistência.” A CIA financiou e educou estes grupos, trabalhando mais tarde com unidades de inteligência militar européias ocidentais sob a coordenação de um comitê da OTAN. Em 1990, os investigadores italianos e belgas começaram pesquisar as ligações entre estes “deixados atrás dos exércitos” e a ocorrência do terrorismo na Europa ocidental por um período de 20 anos. [1]


“Exércitos secretos” ou grupos terroristas?

Estes que “permaneceram atrás” dos exércitos conspiraram, financiaram e frequentemente dirigiram organizações terroristas durante toda a Europa no que foi denominado uma “estratégia de tensão” com o alvo de impedir uma ascensão da esquerda na política européia ocidental. Os “exércitos secretos” da OTAN conduziram atividades subversivas e criminais em diversos países. Na Turquia em 1960, os deixados-atrás do exército, trabalhando com o exército turco, encenou golpes de estado e matou o primeiro ministro Adnan Menderes; na Argélia em 1961, os deixados-atrás do exército francês encenou um golpe com a CIA contra o governo francês de Argel, que eventualmente malogrou; em 1967, o exército grego deixado-atrás encenou um golpe e impôs uma ditadura militar; em 1971 na Turquia, após um golpe militar, os deixados-atrás do exército organizou “o terror doméstico” e matou centenas; em 1977 na Espanha, os deixados-atrás do exército realizou um massacre em Madrid; em 1980 na Turquia, o lider dos deixados-atrás do exército encenou um golpe e tomou o poder; em 1985 em Bélgica, os deixados-atrás assassinaram aleatoriamente pessoas nos supermercados, matando 28; na Suiça em 1990, o anterior líder dos deixados-atrás escreveu ao departamento de defesa dos E.U. que revelaria “toda a verdade” e foi encontrado morto no dia seguinte com sua própria baioneta; e em 1995, a Inglaterra revelou que o MI6 e o SAS ajudaram na instalação dos deixados-atrás dos exércitos através de toda a Europa ocidental. [2]


O nascimento da operação Gladio

Uma “estratégia de tensão”

Em 1990, o primeiro ministro italiano confirmou que os “deixados-atrás” do exército, denominado “Gladio” (espada), existiu desde 1958, com a aprovação do governo italiano. No princípio dos anos 70, o apoio comunista na Italia começou a crescer, de maneira que o governo mudou para uma “estratégia da tensão” usando a rede do Gladio. Em 1972 durante uma reunião extremamente secreta do Gladio, um oficial sugeriu que se fizesse “um ataque preventivo” nos comunistas. Como o jornal britanico The Guardian reportou, as ligações entre o Gladio na Italia, todos os três serviços secretos italianos e a ala italiana da Loja Maçonica P2 eram muito bem documentados, porque o chefe de cada unidade da inteligência eram membros da Loja P2. [3]


Preparando a rede

Em 1949, a CIA ajudou a instalação da unidade de inteligência secreta italiana das forças armadas, nomeada SIFAR, provida com parte do pessoal de antigos membros da polícia secreta de Mussolini. Mais tarde o nome mudou para SID. Na final da Segunda Guerra Mundial , um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, estava prestes a ser executado por suas atividades durante a guerra, mas negociou pela vida juntando-se ao corpo de contra-informação do exército dos EUA. Nos anos 50, Gelli foi recrutado pela SIFAR. Gelli era tambem um dos líderes da Loja Maçonica P2 na Italia e, em 1969, desenvolveu laços intimos com o general Alexander Haig, que era então assistente do Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger. Através desta rede, Gelli transformou-se no principal intermediário entre a CIA e o Geral De Lorenzo, chefe da SID. [4]


Gladio cria a “tensão”

A Gladio foi envolvida nos silenciosos golpes de estado da Italia, quando o general Giovanni de Lorenzo forçou os ministros socialistas italianos a deixar o governo. [5] Em 12 de dezembro de 1969, uma bomba explode no Banco Agrário Nacional, matando 17 pessoas e ferindo outras 88. Nessa mesma tarde, mais três bombas explodem em Roma e em Milão. A inteligência dos E.U. era informada com antecedencia sobre os atentados, mas não informava as autoridades italianas. [6] Em 2000, um antigo General do Serviço Secreto Italiano afirmou que a CIA “deu sua tácita aprovação a uma série de atentados à bomba na Italia nos anos 60 e nos anos 70.” [7] Estabeleceu-se que os atentados tinham ligações a dois neo-fascistas e a um agente do SID. [8]

Em depoimento em tribunal durante julgamento de quatro homens acusados da participação em atentados à bomba em bancos durante 1969 em Milão, o general Gianadelio Maletti, anterior líder da contra-informação militar de 1971 a 1975, indicou que sua unidade descobriu evidência de que os explosivos foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, e que a inteligência dos E.U. pode ter ajudado na transferência dos explosivos. Foi dito que ele declarou que a CIA, “seguindo as diretrizes orientadoras de seu governo, quis criar um nacionalismo italiano capaz de sustar o que foi considerado como uma guinada à esquerda e, com esta finalidade, pode ter sido empregado terrorismo de direita,” e que, “eu acredito isso foi o que tambem aconteceu em outros países. ” [9]


O Relatório

O governo italiano liberou um relatório de 300 páginas em operações da Gladio na Italia em 2000, documentando conexões com os Estados Unidos. Declararam que os E.U. eram responsáveis por inspirar uma “estratégia da tensão.” No examinar o porque aqueles que cometeram os atentados à bomba na Italia foram raramente apreendidos, o relatório disse, “aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares tinham sido organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens dentro das instituições italianas do estado e, como foi descoberto, pelos homens ligados às estruturas da inteligência dos Estados Unidos. ” [10]


As Brigadas Vermelhas

As Brigadas Vermelhas eram uma organização italiana de esquerda terrorista formada em 1970. Em 1974, os fundadores das Brigadas Vermelhas Renato Curcio e Alberto Franceschini foram apreendidos. Alberto Franceschini acusou mais tarde um membro superior das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti, de delatá-los, e que ambos Moretti e um outro membro principal das Brigadas Vermelas, Giovanni Senzani, eram espiões para os serviços secretos italiano e dos E.U. [11] Moretti subiu no poder das Brigadas Vermelhas em conseqüência da apreensão dos dois fundadores.


As Brigadas Vermelhas e a CIA

As Brigadas Bermelhas trabalharam em comum acordo com escola de línguas Hyperion em Paris, fundada por Corrado Simioni, por Duccio Berio e por Mario Moretti. Corrado Simoni havia trabalhado para o CIA na Radio Free Europe, Duccio Berio havia fornecido à SID italiana informações de grupos esquerdistas, e Mario Moretti, àparte de ser acusado pelos fundadores das Brigadas Vermelhas como sendo um agente da inteligência, igualmente aconteceu ser o arquiteto e o assassino do primeiro ministro italiano anterior, Aldo Moro. Em relatório polícial italiano a escola de línguas Hyperion foi referida como “o escritório mais importante da CIA na Europa. ” [12]


O assassinato de Aldo Moro

Moro faz inimigos poderosos

Aldo Moro, que serviu como Primeiro Ministro da Italia de 1963 até 1968 e mais tarde, de 1973 até 1976, foi sequestrado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978, quando ainda um político proeminente no partido Democrata-Cristão. Quando foi sequestrado, Moro estava em trajeto ao Parlamento para votar na inauguração de um novo governo, que ele proprio negociou, pela primeira vez desde 1947, para ser apoiado pelo Partido Comunista Italiano (PCI). A política de Moro de trabalhar de comum acordo e de trazer os comunistas ao governo foi delatada pela URSS e pelos Estados Unidos.


A ameaça de Kissinger

Moro foi mantido sequestrado por 55 dias antes de seu assassinato. O raciocínio era para que o seu plano trouxesse o partido comunista ao governo. Quatro anos antes de sua morte, em 1974, Moro estava em uma visita como Primeiro Ministro Italiano aos Estados Unidos. En sua visita encontrou-se com o Secretário de Estado dos E.U. Henry Kissinger que disse: Moro, “você deve abandonar a sua política de trazer todas as forças políticas em seu país nessa colaboração direta… ou você pagará caro por ela. ” [13]


Moro “foi sacrificado”

Steve Pieczenik, um antigo negociador de refens do Departamento de Estado e entendido gerente em crises internacionais, “afirmou que teve um papel crítico no destino de Aldo Moro. Pieczenik disse que Moro “tinha sido sacrificado” para “a estabilidade” da Italia. Ele tinha sido enviado à Italia pelo presidente Jimmy Carter no dia do sequestro de Moro para ser parte de um comitê sobre a crise, da qual disse: “foi criada repentinamente pelo temor de que Moro revelasse segredos de estado na tentativa de se livrar.” A ação tomada pelo comitê foi a de vazar um memorando dizendo que Moro estava inoperante, e atribuir o memorando às Brigadas Vermelhas. A finalidade dessa operação era “preparar o público italiano para o pior e deixar as Brigadas Vermelhas saberem que o estado não negociaria por Moro, considerado-lhe já morto.” [14] Em um documentário no assunto, Pieczenik indica que, “A decisão foi feita na quarta semana do sequestro, quando as cartas de Moro se tornaram desesperadas e que ele estava a ponto de revelar segredos de estado,” e isso, “era uma decisão extremamente difícil, mas a pessoa que a fez no final foi o Ministro do Interior Francesco Cossiga, e, aparentemente, também o Primeiro Ministro Giulio Andreotti. ” [15]


As cartas de Moro

Entre as cartas liberadas de Moro, que as escrevia quando no cativeiro, indica que temia que uma organização secreta, com “outros serviços secretos do ocidente… pudesse estar implicada na desestabilização de nosso país.” [16] Durante sua interrogação quando no cativeiro, Moro ainda se referiu à “atividades da anti-guerrilha da OTAN.” Entretanto, as Brigadas Vermelhas não usaram esta informação, [17] talvez porque, de acordo com os fundadores das Brigadas Vermelhas, o líder da organização durante o sequestro de Moro, Mario Moretti, estava trabalhando para os serviços italiano ou de inteligência dos E.U. [18]


Jornalista independente morto pelo presidente?

Imediatamente depois da morte de Moro, o journalista italiano, Mino Pecorelli, um homem com “excelentes contatos no serviço secreto,” exprimiu sua suspeita em um artigo em 1978 no qual a morte de Moro estava ligada à Gladio, fato que não foi oficialmente reconhecido até 1990. Um ano após a morte de Moro, Pecorelli foi baleado em Roma. Disse que o sequestro de Moro foi orquestrado “por uma superpotência lúcida.” Em 2002, o sete-vezes Primeiro Ministro anterior, Giulio Andreotti, foi condenado por ter “ordenado” o assassinato de Pecorelli. [19] Pecorelli estava prestes a publicar um livro “contendo críticas prejudiciais ao [Primeiro Ministro Giulio] Andreotti pelo assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro. ” [20]


O atentado em Bolonha

Na manhã do 2 de agosto de 1980, a Italia experimentou seu pior ataque terrorista da historia na estação de trem de Bolonha, que matou 85 pessoas, e feriu mais de 200 outras. Foi feita uma longa e complicada investigação e, eventualmente, deu-se início a um julgamento. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à vida na prisão. Outros dois réus foram condenados por difamação à investigação, “Francesco Pazienza, um antigo financeiro ligado a diversos casos criminosos na Italia, e Licio Gelli, antigo grão-mestre da notória Loja Maçonica P2. ” [21] Este é o mesmo Licio Gelli que passou a ser um intermediário entre a CIA e a liderança da inteligência italiana para a rede da Gladio. Entretanto, mais tarde Gelli foi absolvido dos crimes.


Notas

[1] Bruce W. Nelan, Europe Nato's Secret Armies. Time Magazine: November 26, 1990: http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,971772,00.html

[2] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN: http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[3] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[4] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[5] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN: http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[6] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[7] CBC, CIA knew, but didn't stop bombings in Italy - report. CBC News: August 5, 2000: http://www.cbc.ca/world/story/2000/08/05/cia000805.html

[8] Peter Dale Scott, The Road to 9/11: Wealth, Empire, and the Future of America. University of California Press, 2007: page 181

[9] Philip Willan, Terrorists 'helped by CIA' to stop rise of left in Italy. The Guardian: March 26, 2001: http://www.guardian.co.uk/world/2001/mar/26/terrorism

[10] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[11] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[12 - 13] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[14] Malcolm Moore, US envoy admits role in Aldo Moro killing. The Telegraph: March 16, 2008: http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1581425/US-envoy-admits-role-in-Aldo-Moro-killing.html

[15] Saviona Mane, A murder still fresh. Haaretz: May 9, 2008: http://www.haaretz.com/hasen/spages/981929.html

[16] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[17] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003: http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[18] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[19] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003: http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[20] BBC News, Giulio Andreotti: Mr Italy. BBC: October 23, 1999: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/483295.stm [21] AP, Four Get Life in Prison In Bombing in Bologna. The New York Times: July 12, 1988: http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=940DE0D61131F931A25754C0A96E948260

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Andrew G. Marshall contribuiu para romper o consenso das alterações climáticas em um celebrado artigo em 2006 intitulado “Aquecimento Global Uma Mentira Conveniente”, em que desafiou os resultados que são a base do documentário de Al Gore. De acordo com Marshall, “assim que os povos começarem indicar que “o debate acabou”, tomem cuidado, porque a base fundamental de todas as ciências é que o debate nunca termina”. Andrew Marshall igualmente escreveu sobre a militarização da África Central, sobre questões de segurança nacional e sobre o processo de integração de America do Norte. É igualmente um contribuinte para o GeopoliticalMonitor.com para Centre for Research on Globalization (CRG) em Montreal e está estudando ciência política e história na Simon Fraser University, British Columbia.
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