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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Komila Nakova, ex-KGB, revela como a CIA recruta estudantes estrangeiros nas universidades dos EUA



por Fernando Soares Campos(*)



Estávamos aqui nas dependências da PressAA, a nossa agência de notícia Assaz Atroz, discutindo a pauta. Já passava da meia-noite e não conseguíamos fechar, não havia consenso para deliberarmos sobre a principal manchete do dia. A maior parte das sugestões indicavam um título bombástico para um caso rasteiro: "Desembargador confessa que cometeu crime para manter Lula preso".

"Isso é bobagem", falei. A meu ver, todos que tiveram influência na condenação e prisão de Lula cometeram algum tipo de crime ou contravenção administrativa. Além do mais, disso aí todo mundo já está tratando. O que eu queria mesmo era falar sobre o motivo pelo qual essa gente age criminosamente. Isso, sim, é o que interessa. Mas acabei aceitando, provisoriamente, a abordagem sobre o vazamento da confissão do desembargador. Encerramos a reunião, e eu fiquei só.

Quando as coisas estão ruças, ligo para a russa Komila Nakova, que os nossos leitores mais antigos sabem que se trata exatamente de uma ex-agente do KGB, atualmente positiva e operante no ramo de investigação particular, expert em casos de infidelidade conjugal, mas que eventualmente, na condição de freelancer, trabalha para nós, ou para alguns freeloaders da mídia venal.

Com essa onda de grampo, eu não quis expor meu problema por telefone, pedi a ela que viesse até aqui, a fim de me dar umas dicas seguras sobre a matéria que pretendíamos publicar.

Devido a uns entreveros domésticos, estou dormindo na redação até a poeira baixar. Komila é quase nossa vizinha, mora logo ali no acesso à Ladeira dos Tabajaras. Estamos sempre nos cruzando na Estação Cardeal Arcoverde.

Era madrugada avançada, quando ela adentrou-se na minha sala, arrastando-se, sorrateira, pelo duto de ventilação, a fim de não ser filmada pelo circuito de segurança do prédio. Não me surpreendi, pois ela sempre foi assim, imprevisível.

Komila, aparentemente exausta, deixou-se cair numa poltrona localizada num canto da sala, respirou fundo e falou:

– Nakova, chefinho, ao seu dispor...

– Komila!

– E come sempre que quiser, querido... Na cova ou onde você desejar... Você sabe que eu te amo!

– Deixe a graceta pra outra hora. O caso é sério!

– Não é “gra”, chefinho, é “bo” – falou e cruzou as pernas mais sensuais que conheço.

– Não acha que essa sua graçola às vezes incomoda?

– Também não é “gra”, meu amor, é “cal”. E, a mim, não está me incomodando de forma alguma...

– Você não tem jeito, não. Vamos ao que interessa.

Convidei Komila para ler, na tela do monitor, a relação dos principais elementos envolvidos na prisão de Lula. Acompanhando cada nome de policial federal, membro do Ministério Público e do Judiciário, destacavam-se alguns dados biográficos do indivíduo.

Ela levantou-se, aproximou-se de mim por detrás, debruçou-se sobre as minhas costas, roçando aquele maravilhoso par de peito no meu lombo. Fiquei excitado, mas não deixei transparecer que ela havia me provocado estímulos libidinosos... quer dizer, um puta tesão.

Komila leu tudo num piscar de olhos, pois, quando era adolescente, fez curso de leitura dinâmica por correspondência em São Petersburgo. Certa ocasião ela me disse que sua tataravó conheceu Dostoiévski, chegando mesmo a inspirar o consagrado escritor russo na criação de uma de suas personagens.

Quando terminou de ler, perguntei:

– Você conhece algum desses elementos? Sabe alguma coisa sobre algum deles?

– Todos! Conheço todos... E sei o bastante sobre cada um deles.

– Todos?! Impossível! Não precisa exagerar. Você sabe que pagamos o preço justo pelas suas colaborações. Não há necessidade de tentar atribuir a si própria um valor acima da importância que tem para nós e que, há muito tempo, reconhecemos como fundamental para a manutenção desta nossa agência.

Komila tem sempre uma resposta para qualquer pergunta ou insinuação.

– Querido, sei que você se lembra que lhe falei do meu curso de leitura dinâmica, mas não lhe contei de outro curso que fiz por correspondência, o de memorização de textos. Se li os dados biográficos desses sujeitos, já sei muito sobre eles, já conheço o suficiente para dizer que se trata de subagentes da CIA, colaboradores da NSA, aprendizes de tiras do FBI, coisas assim...

– Você pode explicar como chegou a essas conclusões?

– Tá tudo aí... Tem informações suficientes... Dizem que alguns cursaram programas de instrução de advogados da Harvard Law School. Outros foram premiados pelo Global Investigations Review. Tem mestre em direito pela Universidade de Harvard e pela Yale Law School. Aparece até visiting teacher in Los Angeles School of Law... E tantas outras qualificações afins. Do que mais precisamos para saber quem são?

– O que você quer dizer com isso?

– O que eu quero dizer?! Não quero dizer nada, isso aí diz por si mesmo.

Eu tinha uma ideia sobre o que ela estava falando, mas queria que a russa fizesse jus ao que receberia pelas informações prestadas, portanto teria que explicar detalhadamente o que tudo aquilo significa no seu métier, no mundo da espionagem.

– Tudo bem que isso aí diga por si mesmo, mas eu quero que você diga por isso aí...

– Me sirva um drinque.

– Não temos vodca.

– Se não tiver champanhe francesa ou Romanée-Conti safra dos anos oitenta, qualquer coisa serve.

– Tem uma cachacinha mineira. É coisa fina.

– Melhor que uísque americano. Manda.

Servi uma dose caprichada da caninha de boutique. Tomou de um só gole, como um cossaco numa cossaca.

– Como eu já lhe disse, essas informações falam por si mesmas – Komila se movimentava pela sala enquanto explicava sua tese –. Grande parte dos estrangeiros que estudaram nessas universidades americanas, ou que foram agraciados com títulos honoríficos ou condecorações, ou convidados na condição de professores visitantes, acabaram sendo vítimas das armadilhas da CIA e se tornaram subagentes dos órgãos de segurança controlados pela NSA, a poderosa National Security Agency.

– Subagentes?!

– Sim, subagentes, colaboradores, agentes de araque... São tratados como agentes, mas, pelas identificações internas, são tidos como subagentes. Trabalham para o governo dos Estados Unidos, inclusive traindo os governos e o povo de seus próprios países. Entendeu?

– Até aí, sim, mas eu gostaria mesmo é de saber como chegam a essa condição, como ou por que se entregam para atuarem como entreguistas, muitas vezes cometendo crimes de lesa-pátria. Você falou de armadilha da CIA. Que tipo de armadilha?

– Pode me servir mais um drinque?

– Sim, é pra já!

Komila ainda estava com o copo vazio na mão. Servi mais uma dose da mineirinha proibida para menores de idade. Novamente ela tomou de um só gole, colocou o copo na minha mesa e continuou se movimentando pela sala.

Parou e estendeu os braços para a frente, indicando o sofá ao lado da porta. Cerrou os punhos e, em seguida, abriu os dedos indicador e polegar, formando ângulos retos, simulando um enquadramento fotográfico.

– Imagine você e eu ali naquele sofá. Ambos despidos. Você sentado, eu agachada, com a cabeça entre as suas pernas, fazendo um movimento cadenciado de sobe e desce. Você em estado de extrema excitação... Imaginou?

– Você fazendo um boquete em mim. Sim, mas, nesse caso, não é questão de imaginar, é apenas de recordar...

– Então, imagine se, antes da gente partir para o bem-bom, eu tivesse instalado uma minicâmera em algum local estratégico dessa sala e filmasse tudo, inclusive quando fiquei de quatro no sofá e você praticou um parece-mas-não-é...

– Komila! – praticamente gritei –, você não fez isso, fez?!

– Calma, querido! Não, não fiz. Mas você é homem e eu sou mulher, portanto, se tivesse feito não seria nada demais, exceto pelo fato de que você não ia querer que seus filhos e sua mulher, ou mãe, irmãos ou mesmo seus amigos assistissem a cenas com essas que descrevi.

– Descreveu o que já fizemos em diversas ocasiões! Jure que você não filmou, não fotografou nem falou disso pra ninguém!

– Take it easy, honey! Você me conhece, sabe que não sou chantagista.

– Sim, eu confio em você, mas o que tudo isso tem a ver com as armadilhas da CIA?

A loira voltou-se pra mim. Tinha um sorriso enigmático, com a bochecha direita repuxada para cima e os lábios pressionados, como se estivesse forçosamente evitando um sorriso aberto.

– Se na cultura machista de vocês uma cena dessas pode abalar a moral de um homem, nem sei o que dizer se fosse você no meu lugar, e, no seu, outro macho...

– Tá me estranhando?!

– Não, estou só supondo.

– Então, continue...

– Agora entenda que é nisso que dá a participação de militares, jornalistas, advogados e tantos outros profissionais estrangeiros nas instituições do império ianque, em suas escolas militares e universidades. Muitos generais e magistrados estrangeiros que, quando jovens, passaram por aquelas escolas, foram induzidos ao envolvimento em atos meramente comportamentais; em geral, homossexualismo, ativo e passivo. Mulheres casadas foram induzidas à infidelidade conjugal ou mesmo prostituição.

– Tudo acontece sempre em relação às atividades sexuais?

– Não. Também são levados a cometer alguns ilícitos, prática de pequenos roubos e furtos. Agora andam estimulando os crimes cibernéticos, invasões a sites do governo, roubo de senha, clonagem de cartões de crédito. Qualquer desvio de conduta daqueles que por lá aportam é registrado, gravado, fotografado, filmado, testemunhado e arquivado pela CIA. Nada escapa, pois eles acreditam que qualquer item daqueles pode, um dia, vir a ser útil. Tudo está arquivado, são muitos milhares de dossiês...

– Acho que chantageiam até aos mortos.

– Claro! Morto tem família. E algumas dessas famílias estão tentando reaver algumas fortunas depositadas em paraísos fiscais offshore, sob o controle de Wall Street.

– Como fazem para controlar todo esse contingente de colaboradores, ou subagentes, como você chama os vendilhões da pátria?

– Todo esse pessoal, ao retornar aos seus países, passam a ser monitorados permanentemente. Todos recebem algum tipo de apoio, benefícios incomuns. Alguns, com os gabaritos das provas antecipadamente fornecidos, são aprovados em concursos, nomeados para cargos de muita importância e facilmente promovidos. Outros trabalham para multinacionais de ramos diversos, principalmente para as petroleiras. No serviço público, os antigos dão cobertura aos mais jovens, os recém-chegados. Esses elementos servem aos interesses do governo dos EUA e, de forma indireta ou mesmo direta, dependendo do caso, são sempre lembrados de suas marcas nas mãos da CIA. São uns fracos. E os que mais arrotam valentia em solo pátrio são os mais comprometidos, vivem se borrando de medo de serem desmascarados.

– Isso quer dizer que os ianques nem mesmo bancam todos eles. Na verdade, somos nós mesmos que pagamos para eles irem estudar lá e depois sustentamos esses canalhas aqui, ganhando os mais altos salários e trabalhando contra o Brasil, em prejuízo de todos nós, brasileiros.


– Pegou o espírito da coisa, chefinho... Então, meu caro, não tenho mais o que lhe esclarecer. Vou tirar o time... pois tenho cliente do outro lado para atender.

– Espere! Só mais uma pergunta...


– Mande...

– Posso considerar que todos esses nomes que você leu, na relação que lhe apresentei, são subagentes da CIA?

– Bem, alguns colaboram contrariados, sob pressão, estão por demais envolvidos, não têm como recuar. São permanentemente chantageados, chegam a receber fotografias, cópias de documentos comprometedores, coisas assim. Isso funciona como os jovens que se envolvem com o tráfico de drogas e não podem fazer mais nada sem autorização do gerente da boca. Outros, os preconceituosos, vira-latas de formação, odientos, racistas... estes se entregam de corpo e alma. Geralmente são separatistas, querem o retalhamento do Brasil, a entrega da Amazônia a um consórcio internacional para a sua governança e a formação de estados independentes, conforme a própria divisão regional do país. Quer dizer, com a entrega da Amazônia, os estados do Norte seriam agrupados em uma espécie de protetorado do tal consórcio. A ideia é que o Nordeste também seja submetido à condição de protetorado e se torne mero fornecedor de mão de obra em condições análogas à escravidão.

– Sem a Amazônia, sem o Nordeste, sem o pré-sal, sem o Brasil!

– Sem dignidade...


– O que você acha que devemos fazer?

– Isso vocês decidem. Agora vou partir... Tchau, querido!

– Espere, ainda temos outra questão pra resolver!

– Hoje não dá, estou naqueles dias...

Como um raio, melhor, como um rato, Komila saiu pela janela aqui do oitavo andar, de onde ainda pude vê-la, lá embaixo, montando no seu unicórnio alado, último modelo, e partindo sob o céu estrelado...



(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.



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sábado, 4 de agosto de 2018

Deus não joga dados pra perder


Deus não joga dados pra perder 

por Fernando Soares Campos(*)

Qualquer ponto na infinitude do espaço cósmico é o Centro do Universo, por estar, em todas as direções, equidistante das “extremidades do infinito”. Também podemos afirmar que tal ponto representa, concomitantemente, o começo e o fim da imensidão do espaço cósmico.

Se dividíssemos a infinitude universal ao meio, tendo criado um plano imaginário, infinito, a ser utilizado como “fronteira” (cisão) do Universo, surgiriam dois universos infinitos, ambos com todos os elementos do Todo. Se, a partir dessa primeira divisão, continuássemos dividindo o Universo-infinito em progressão geométrica, obteríamos infinitas partículas, cada uma delas contendo a principal característica do Universo: a infinitude.

Daí podemos compreender o fenômeno ocorrido num holograma, em que cada parte reproduz o Todo. É como uma gota d´água do mar, que é composta por todos os elementos das águas de todo o oceano.

Se o Universo é concebivelmente infinito, qualquer porção deste Universo é infinita.

Imaginemos uma bola de gude, do tipo que tantos de nós usamos nos jogos lúdicos da infância, solta no espaço, inflando, crescendo, expandindo-se contínua e eternamente. Considerando a infinitude do Universo, ela jamais estancaria seu processo de dilatação. E tudo que existisse no seu interior acompanharia seu crescimento: os espaços entre as partículas elementares que formam a sua massa cresceriam na razão direta do crescimento do seu volume total; consequentemente, as próprias partículas se reproduziriam, ocupando tais espaços, combinando-se, formando átomos, moléculas, células e tecidos necessários à composição de matérias orgânicas e inorgânicas.

Se ocorresse o contrário, a bola de gude comprimindo-se contínua e eternamente, ela jamais se tornaria Nada, seria sempre, por toda a eternidade, um corpo compacto, o qual, visto do nosso ponto de observação imaginária, manteria toda a sua massa original; e os espaços entre suas partículas elementares diminuiriam na razão direta da diminuição do seu volume total.

Também podemos concluir que um corpo em expansão na infinitude universal não ocupa o espaço de outro corpo, assim como um corpo submetido à eterna compressão não cede espaço para que outro corpo o ocupe; pois, se o espaço é infinito, não há criação nem extinção de espaço. Na verdade, considerando que qualquer ponto, parte ou porção do Universo-infinito é, ao mesmo tempo, seu começo e fim, é o seu Centro, assim, não há propriamente partes a se considerar; só, o Todo.

O espaço-tempo é uma unidade quadrimensional ou hexadimensional?

O conceito einsteiniano sobre a bidimensão espaço-tempo trata de uma unidade quadrimensional, pois, ao espaço tridimensional (altura, profundidade e largura), foi acrescentado o tempo. Porém, se consideramos a tridimensionalidade do espaço, teremos que entender o transcorrer do tempo igualmente tridimensional, visto que o espaço e o tempo se expandem ou se contraem inseparavelmente.

Como não podemos conceber o infinito espacial e a eternidade em separados, também não devemos estabelecer a junção do espaço com o tempo considerando o primeiro tridimensional e o segundo unidimensional, visto que todo espaço pressupõe um tempo necessário para percorrê-lo em todos os seus sentidos. Daí, podemos formular conceitos de infinito e eternidade:

Infinito é o espaço que necessita da Eternidade para ser totalmente percorrido.

Eternidade é o tempo necessário para se percorrer o espaço Infinito.

São grandezas inseparáveis, portanto, as dimensões atribuídas a uma devem ser, obrigatoriamente, conferidas à outra.

Espaço: altura, profundidade e largura.

Tempo: passado (espaço percorrido), presente (espaço em que se está percorrendo) e futuro (espaço a ser percorrido).

Portanto...

Se o espaço e o tempo são indissociáveis, o evento espaço-temporal é hexadimensional, formado pela soma das tridimensionalidades de ambos.

Se o Universo é concebivelmente infinito, haveremos de compreender que qualquer porção deste Universo é infinita.

Se qualquer porção do Universo é concebivelmente infinita, conforme exemplo da bola de gude expandindo-se ou comprimindo-se eternamente, assim, haveremos de compreender que qualquer fração do tempo é eterna.

A eternidade pode ser compreendida pela incessante ação do presente absorvendo o futuro e, instantaneamente, transformando-o em passado.

Daí concluímos que Deus joga dados, sim, mas, na condição de ser onisciente, onipresente e onipotente, conhece de antemão o resultado, portanto Deus só não joga pra perder.

(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.




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terça-feira, 24 de julho de 2018

Turismo esportivo e de aventura nos sertões nordestinos


Turismo esportivo e de aventura nos sertões nordestinos



por Fernando Soares Campos(*)
Milhões de brasileiros conhecem as coisas do Nordeste apenas de "ouvi falar" ou "li em algum lugar". São pessoas que nunca pisaram naquelas terras dotadas de beleza natural ímpar e povo e cultura igualmente singulares, mas que pretendem um dia turistar por aquelas bandas. Costumam planejar a viagem com muita antecedência, depositando mensalmente uma pequena parcela de seus salários numa conta poupança, o suficiente para cobrir despesas extras, pois geralmente financiam passagens e hospedagens através de cartões de crédito, em suaves prestações.
Em geral, essas pessoas são atraídas pelos cartões postais que retratam as mais belas praias brasileiras, baías, enseadas, ilhas, arrecifes, piscinas naturais, as cores do mar em diferentes matizes. A própria gastronomia baseada em frutos do mar, peixes e correlatos, preparados ao coco e apimentados, é mais um atrativo nordestino que atende ao paladar de muita gente.
Além disso, o litoral, onde se localizam as cidades mais desenvolvidas, como ocorre em todo o Brasil, conta com as mais monumentais obras de infraestrutura, as melhores rodovias da região, aeroportos mais complexos e de maior capacidade de atendimento, hotéis de padrão internacional, marinas, atracadouros, terminais marítimos, urbanizações temáticas das orlas marítimas. Tudo apropriadamente construído para atrair turistas, seja o doméstico ou os estrangeiros que nos visitam.
Para os brasileiros de outras regiões, existem dois nordestes: este das maravilhas litorâneas e o outro, o do Polígono das Secas, onde, supostamente, o número de pessoas que formam as camadas sociais abaixo da linha de pobreza se sobrepõe à soma das que ocupam as demais posições da estratificação social na região.
Entre os que pretendem fazer turismo no Nordeste, apenas uma pequena parcela destina-se ao interior dos estados nordestinos. São os que buscam turismo de evento, principalmente as festas juninas, em cidades que se destacam por oferecer os melhores "São João" do mundo! Há também um interesse pelo turismo religioso, que tem seu ápice na cidade de Juazeiro do Norte, conhecida como "A Meca Nordestina", na Região Metropolitana do Cariri, Ceará. Para outras modalidades turísticas, resta apenas uma pequena parcela do fluxo turístico no Nordeste do Brasil.
Turismo sustentável
Quando nos referimos a turismo sustentável, é comum tratarmos sobre as modalidades de turismo relacionados com a natureza. O turismo rural, por exemplo, proporciona um eventual relacionamento das pessoas oriundas de ambientes urbanos com os trabalhos rurais, as atividades agropastoris, artesanais, pequenas indústrias, hotéis fazenda. Nesse caso, o turista busca interagir com a cultura e as relações sociais do campo. O ecoturismo, em que o turista se entrega à observação e contemplação de acidentes geográficos e, em muitos casos, se envolve física e emocionalmente com o ambiente.
"Segundo a OMT o turismo sustentável deve ser aquele que salvaguarda o ambiente e os recursos naturais, garantindo o crescimento econômico da atividade, ou seja, capaz de satisfazer as necessidades das presentes e futuras gerações.
"Portanto, o desenvolvimento turístico deve pautar por "economizar os recursos naturais raros e preciosos, principalmente a água e a energia, e que venham a evitar, na medida do possível a produção de dejetos, deve ser privilegiado e encorajado pelas autoridades públicas nacionais, regionais e locais". (Artigo 3 Código de Ética - OMT).
"O Turismo Sustentável deve acima de tudo buscar a compatibilização entre os anseios dos turistas e os das regiões receptoras, garantindo não somente a proteção do meio ambiente, mas também estimulando o desenvolvimento da atividade em consonância com a sociedade local envolvida." ("O que é turismo sustentável", Rita de Cássia P. F. Ramos, maio de 2013.)
Para a adoção do turismo sustentável, há necessidade do desenvolvimento de estruturas apropriadas para o acesso do turista às áreas que lhe interessam, mas de forma que se preserve o meio ambiente. Turismo sustentável é incompatível com os turismos de massa, como ocorre no caso das romarias religiosas e visita a monumentos históricos. Isso também nos chama a atenção para a separação entre "turismo esportivo" e "turismo de evento esportivo". O primeiro pode ser relacionado com o turismo sustentável, enquanto o segundo tem relação direta com atração de massas turísticas: apresentação dos esportistas e assistência formada por apreciadores ou mesmo torcedores.
Uma das características fundamentais do turismo sustentável é a opção por atendimento a pequenos grupos, formados por pessoas interessadas na preservação dos recursos naturais e, não raro, praticantes de alguma modalidade esportiva, destacadamente esportes de aventura, modalidades esportivas que envolvem, por exemplo, escaladas, trilhas e montanhismos, mas também os adeptos dos chamados esportes radicais, tais como voo livre, por asa delta e parapente. Limito-me a citar esses exemplos, visto que pretendo me situar nas condições naturais, apropriadas para a prática de turismo esportivo, que podem ser desenvolvidas, de imediato, ou a curto prazo, na região sertaneja do Estado de Alagoas.
O complexo geográfico da região sertaneja do Estado de Alagoas compreende extensas planícies e variadas formações montanhosas: serras e colinas, em cujos cumes se descortinam deslumbrantes panoramas, além de oferecerem condições de formação de rampa para decolagem de voo livre. E as planícies garantem, em termos de segurança, as condições ideais de pouso para essa prática esportiva.
Na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, os praticantes de voo livre (parapente e asa delta) reclamam que possuem muitos pontos de salto e raros para o pouso, quase sempre precisam de autorização de donos de pequenas extensões de terreno plano, o que nem sempre conseguem.
Nos sertões nordestinos, os ventos quentes também contam a favor do esporte aéreo. Além do voo, as subidas por trilhas íngremes para alcançar as rampas são, por si mesmas, aventuras adrenalínicas.
Santana do Ipanema é a cidade-sede da Região Metropolitana do Médio Sertão do Estado de Alagoas (RMMS-AL). Os outros oito municípios que participam da formação dessa micro região sertaneja são: Dois Riachos, Olivença, Olho d'Água das Flores, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Poço das Trincheiras, Maravilha e Ouro Branco.
Todos os municípios que compõem a RMMS-AL têm as características geográficas e sócio-culturais idênticas. Diferenciam-se basicamente no que diz respeito à intensidade das atividades econômicas. Santana do Ipanema, na condição de capital regional, conta com atividades comerciais mais intensas e oferece maior diversificação em prestação de serviços, contando hoje com um hotel classificado como padrão turístico (3 estrelas): Hotel Privillege. "Em cada um dos 53 charmosos quartos há uma decoração em tons terrosos em homenagem ao sertão alagoano e quadros que retratam a história da cidade de Santana do Ipanema. É parte da política de responsabilidade socioambiental do hotel a adoção de medidas sustentáveis, onde mais de 50% dos chuveiros dos apartamentos são abastecidos com energia solar, 70% das lâmpadas são de LED, contribuindo com um baixo consumo de energia, e 98% do seu quadro funcional é composto por cidadãos santanenses", diz a apresentação no site do hotel (https://www.hotelprivillege.com.br/).
A cidade também oferece hospedagens em pousadas de variados padrões. Conta com bares, restaurantes, padarias, postos de abastecimento de combustível, além de rede bancária suficiente e comércio diversificado. Atendimento emergencial socorrista, a cargo de Grupamento Bombeiro Militar. A emergência hospitalar fica por conta do maior hospital da região. Também dispõe de clínicas particulares e consultórios de diversas especialidades médicas, credenciados para atendimento através dos mais importantes planos de saúde.
Santana do Ipanema e região têm as condições geográficas, culturais, sociais, mercantis e econômicas para atender demanda de turismo sustentável, sob as modalidades "turismo esportivo" e "turismo de aventura", necessitando, porém, da criação de pequenas empresas prestadoras de serviço nessas áreas e do apoio do poder público para a implantação da infraestrutura básica, necessária ao atendimento da clientela visitante, além do treinamento e habilitação de cicerones com formação em segurança do trabalho, o que pode ser feito em parceria com o empresariado local e as faculdades públicas e privadas instaladas no município.
(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" - Chiado Editora - Portugal - 2018.
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segunda-feira, 9 de julho de 2018

O RESCALDO DA TRAGÉDIA DA ARENA KAZAN

Sempre temos algo a aprender com o grande Tostão, que foi um dos heróis do tri e hoje é o melhor comentarista esportivo do Brasil. Sua coluna deste domingo, 8 (vide aqui) sintetiza otimamente o que foi a tragédia da Arena Kazan:
"O treinador Martínez usou a mesma formação tática do México, com quatro defensores, três no meio-campo e três mais adiantados (De Bruyne, pelo centro, e Lukaku e Hazard, um de cada lado). De Bruyne, livre, deitou e rolou.
Por outro lado, a Bélgica marcou mal, já que os três mais adiantados não voltavam. A Bélgica correu riscos. Deixava Marcelo livre e colocava Lukaku em suas costas. Deu certo. 
O Brasil também correu riscos. Deu errado. A seleção brasileira criou um grande número de chances de gol e só não marcou por erros de finalizações e pela atuação do goleiro Courtois.
O perigo dessas eliminações são as conclusões tendenciosas, equivocadas e absurdas (...). O Brasil foi eliminado por causa de erros individuais e coletivos, do acaso e, principalmente, porque a Bélgica possui quatro jogadores que estão entre os melhores em suas posições no mundo (Courtois, De Bruyne, Hazard e Lukaku). Temos de deixar a soberba de lado e aprender com o óbvio, que, contra grandes seleções, as chances de vitória são iguais"
Farei umas poucas ressalvas. Concordo que fosse mesmo um jogo de grandes seleções, embora a atuação pra lá de inconvincente da Bélgica contra o Japão me tenha levado a subestimá-la; mas não existia igualdade entre ambas, a brasileira era, teoricamente, melhor.

E foi por estar ciente da inferioridade do seu selecionado que o técnico Roberto Martínez (um espanhol que fez carreira medíocre como jogador e depois se tornou treinador de equipes menores do futebol inglês, até assumir o escrete belga em 2016) resolveu partir para o tudo ou nada contra o Brasil, colocando De Bruyne, Lukaku e Hazard à frente da linha da bola, na esperança de que sua defesa fragilizada segurasse as pontas e seu ataque reforçado fizesse gols.

Ou seja, acabou aplicando um nó tático em Tite, que se notabilizou exatamente por dar nós táticos noutros treinadores e assim obter vitórias surpreendentes contra adversários mais fortes. 
Gol fatal para o Brasil: sucessão de erros

Será que ninguém da Comissão Técnica estava ciente de que Martínez é conhecido como técnico inovador e seria bem capaz de atuar de uma forma inusitada contra o Brasil?!

O resto foi o que todos sabem: 
  • apagão de Philippe Coutinho (este por esgotamento físico), Neymar e Gabriel Jesus, no pior momento possível;
  • o azar de ter Casemiro fora e Fernandinho dentro;
  • o azar de não ter feito um gol logo de cara, na bola que Thiago Silva desajeitadamente empurrou contra a trave;
  • a imprecisão de Renato Augusto, que sucumbiu ao nervosismo e desperdiçou a grande chance que teve no finalzinho da partida; 
  • a insistência de Tite com Gabriel Jesus, Paulinho e Willian;
  • o erro de Tite ao promover o retorno de Marcelo, esburacando a defesa e não resolvendo na frente.
Tite levou um nó tático no pior momento
Concordo com Tostão quanto ao fato de o Brasil ter sido eliminado por causa de erros individuais e coletivos, e do acaso; e não rasgaria tanta seda para os quatro melhores jogadores belgas, vejo apenas De Bruyne e Hazard como foras de série.

Por último, a grande pergunta é: mesmo Tite não sendo infalível, isto é motivo para jogarmos no lixo o trabalho mais consistente de um treinador do nosso escrete desde o de João Saldanha?

Mais: existe alguém melhor do que ele para tocar a renovação que se impõe a partir de agora (vide aqui)?

Pessoas simples muitas vezes precisam inculpar alguém quando das decepções mais dolorosas. E há também pessoas que não são simples e estão fazendo tudo que podem para direcionar tal catarse contra Tite, o único treinador em décadas que conseguiu isolar a seleção das influências nefastas da cartolagem.

Derrubar Tite abrirá caminho para a CBF voltar a priorizar outros interesses que não os do futebol, como marcar amistosos caça-niqueis, sem justificativa técnica nenhuma; e escalar jogadores apenas para valorizá-los no mercado internacional, em conluio com agentes e pilantras de todo tipo.

É patético que muitos empenhados no afastamento de Tite sejam exatamente os frustrados com o impeachment da Dilma e a prisão do Lula. Parecem querer que todos os circos peguem fogo ao mesmo tempo!

Comportam-se como se o Adenor fosse um mísero Dunga ou um Felipão qualquer, e não um homem politicamente consciente, que utiliza todo seu jogo de cintura para tentar atingir seus (justos) objetivos em meio às contradições brasileiras, mas, sem dúvida nenhuma, um cidadão contrário ao situacionismo. 

Ou seja, alguns que tanto o hostilizam com seus teclados são, além de injustos, míopes. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

UM APELO DA FAMÍLIA DE NORAMBUENA ÀS AUTORIDADES BRASILEIRAS: QUE ELE SEJA EXPULSO POR RAZÕES HUMANITÁRIAS

Suplicy endereçou apelo...
O ex-senador e atual vereador paulistano Eduardo Suplicy encaminhou ao governador do Rio Grande do Norte, Robinson Mesquita de Faria, e a outras autoridades daquele estado um pedido de que apurem diversas irregularidades cometidas contra o ativista chileno Mauricio Hernández Norambuena, que se destacou como combatente e dirigente na luta contra a sanguinária ditadura de Augusto Pinochet no seu país e hoje se encontra encarcerado na penitenciária federal de Mossoró.

Ele cumpre, desde 2002, uma pena de 30 anos por sua participação no sequestro do publicitário Washington Olivetto, tendo estado sempre submetido aos rigores do Regime Disciplinar Diferenciado, em unidades prisionais que o praticam independentemente de reconhecerem ou não que o fazem. 
...ao governador Robinson Faria.
Assim, diz Suplicy na sua mensagem, como consequência do RDD "e do longo tempo recluso, isolado, com mínimo contato com a família, que vive a mais de 5.000 quilômetros, [Norambuena] apresenta graves problemas de saúde física e mental".

Também destaca a necessidade de verificação do cálculo de cumprimento de pena e progressão de regime, além de transmitir o pleito de Norambuena, no sentido de que o transfiram "para um presídio brasileiro que cumpra as normas estabelecidas na Convenção Americana de Direitos Humanos".
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NOVA OPÇÃO: A EXPULSÃO PARA UM TERCEIRO PAÍS.
Entre a farta documentação que Suplicy anexou está uma carta da família de Norambuena, não só reforçando o pedido de sua transferência para outra unidade, como sugerindo uma solução alternativa para o problema, até agora não contemplada, que seria a expulsão para um terceiro país (já que a mera extradição para o Chile, há muito autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, não pôde até agora ser efetuada porque a Justiça chilena não se dispôs a cumprir uma exigência da lei brasileira):
"...[Ele está submetido a] um regime carcerário de exceção, que foi prorrogado continuamente, acabando por se tornar permanente... [Tal sistema] configura um tratamento cruel, desumano e degradante, uma vez que contempla um conjunto diverso de medidas que se constituem num agravo a direitos essenciais do ser humano, não obstante sua condição de condenado e cativo. 
Ademais, após permanecer 16 anos em regime de isolamento e punição, lhe corresponderia estar numa prisão aberta desde novembro de 2014, ou com benefícios carcerários desde 2011. O que não sucedeu, por diferentes empecilhos. 
É por isto que a família está fazendo esta solicitação de transferência, já que Mauricio não pode ser enviado ao Chile, seu país natal, por ter penas superiores aos 30 anos que é a condenação que deve cumprir no Brasil. 
Razão pela qual a aplicação de sua expulsão por parte do Brasil só poderá ser efetivada para um terceiro país que mostre disposição de recebê-lo. Ao que se soma a nova legislação migratória brasileira, que prevê a possibilidade de sua expulsão a um terceiro país por razões humanitárias, daí estarmos, como família, fazendo este apelo a vocês".

sábado, 26 de maio de 2018

88ª Feira do Livro de Lisboa


88ª Feira do Livro de Lisboa

26.05.2018 | Fonte de informações: Pravda.ru

Neste ano mais 25 editoras estrearão suas participações na 88ª Feira do Livro de Lisboa. O número de pavilhões também será maior do que no ano passado, serão instalados mais oito novos pontos de exposição e venda de livros, totalizando 294 pavilhões, com a participação de 626 editoras e chancelas. O público terá 23 mil metros quadrados para circular em busca de seus autores preferidos, serão três mil a mais do que no ano passado.

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, vencedor da 30ª edição do Prêmio Camões, 2018, marcará presença, mantendo contato com os leitores e autografando seus livros, o que ocorrerá no último fim de semana. Destacamos Germano Almeida por ter sido ele, neste ano, o vencedor do mais importante prêmio para autor de língua portuguesa pelo conjunto da sua obra; entretanto, durante todo o evento, o público contará com a presença de muitos outros escritores nacionais e estrangeiros.   

Se você vai estar em Lisboa entre 25 de maio e 13 de junho, visite a 88ª Feira do Livro de Lisboa, que se realiza no Parque Eduardo VII.  A entrada é gratuita e os horários são os seguintes: de segunda-feira a quinta-feira das 12h30 às 22h00; sexta-feira das 12h30 às 00h00; sábados das 11h00 às 00h00; e domingos e feriados das 11h00 às 22h00. 

Aproveite e dê uma chegada ao pavilhão D37, o stand da Chiado Editora, que acaba de publicar o livro de contos "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar", do escritor brasileiro Fernando Soares Campos, ativista em defesa da liberdade de expressão e das causas sociais, um autor engajado nas questões que envolvem garantias dos direitos fundamentais, direitos e deveres individuais e coletivos. Dono de grande acervo de obras literárias, muitos dos seus trabalhos estão publicados aqui no Portal Pravda.

Fonte: Portal Pravda

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sábado, 12 de maio de 2018

O Imperador Magá no portão do Paraíso


O Imperador Magá no portão do Paraíso

por Fernando Soares Campos
 
"Eu tenho o governador, os três senadores, 95% dos prefeitos, 30 dos 39 deputados federais, e me mostre alguém que tenha um poder como este onde faz política." 
Senador Antonio Carlos Magalhães, (1927-2007),
referindo-se à força política que possuía no Estado da Bahia. 
"Valor Econômico", 02/05/2000.
 
Morre o Imperador Magá, cujo nome de batismo foi Antônio Carlos, do clã dos Magalhães da Bahia de Todos os Santos e Pecadores Aliados, também conhecido como ACM ou Toninho Malvadeza, dono daquela capitania hereditária no Nordeste do Brasil. O falecido se apresenta nos portões do Paraíso, acreditando merecer o descanso eterno entre os justos. 
 
São Pedro consulta o Livro da Vida e acaba informando àquela alma senadora que os registros sobre a sua passagem na Terra não lhe são favoráveis. 
 
São Pedro: — Vossa ex-Excelência queira nos desculpar, mas aqui no Livro da Vida consta que o senhor cometeu seis dos sete pecados capitais: gula, luxúria, avareza, ira, soberba e vaidade, portanto não podemos admitir que uma pessoa assim possa usufruir os mesmos direitos que, por exemplo, Madre Teresa de Calcutá conquistou. Não dá para admiti-lo aqui entre os justos. Sorry. 
 
O Imperador Magá faz a sua defesa: 
 
Magá: — Como meu santo falou, cometi seis dos sete pecados capitais: gula, luxúria, avareza, ira, soberba e vaidade, mas não pequei pelo sétimo, a preguiça. Trabalhei feito um louco para obter meu primeiro mandato de deputado federal, labutei ainda mais para assumir a governança do meu Estado em três mandatos, mas nem mesmo o primeiro, uma concessão do governo militar, foi tão fácil de conseguir. Pra chegar ao Senado, Vossa Santidade sabe quanto suor temos que verter. Lá embaixo me ensinaram que quem trabalha merece descanso, assim sendo, na condição de secretário de Jota Cristo, Vossa Apostólica criatura conhece o Sermão da Montanha, e lá foi dito: "Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus"E, pelo muito que trabalhei, sei que sou merecedor de grande recompensa.
 
São Pedro: — É um caso a ser analisado minuciosamente, é um daqueles que a gente precisa consultar o Chefe, pois, apesar dessa sua virtude, a de ser um trabalhador incansável, aqui está escrito que o senhor apoiou uma mórbida ditadura militar, em que muitos inocentes foram torturados e até friamente assassinados.
 
Magá: — Não nego, pois não sou de negar o que realmente fiz. Posso ter apoiado essa tal ditadura, mas depois dela, já que não quiseram fazer de mim o chefe da nação brasileira, eu poderia ter mandado matar o presidente da República, mas não mandei; poderia ter mandado, como Hitler fez com outros povos, muitos milhões de nordestinos para os fornos crematórios, mas não mandei; poderia ter invadido o Piauí, como Bush no Iraque, mas não invadi; poderia ter transformado Sergipe em territórios ocupados pelo meu reino, mas não transformei... Todo mundo sabe que uma das maiores virtudes do ser humano está no fato de se esforçar e evitar o cometimento de atos que possam trazer dor e sofrimento ao seu semelhante. E assim eu me comportei na maioria das vezes em que sentia vontade de livrar alguém do inferno terrestre e mandá-lo para o inferno além-túmulo...
 
São Pedro (cofiando a barba): — Hum! Deixa eu dar mais uma espiadinha no Livro da Vida  — folheia algumas páginas e se detém no capítulo "Brasil", corre o dedo verificando os subitens "Bahia" e "Governos", até identificar novamente a biografia de ACM —. É, aqui só fala dos pecados cometidos, não cita aqueles que, por algum motivo que só Deus sabe, foram evitados ou impossibilitados de serem realizados...
 
ACM: — Então, com a vossa autoridade papal, é possível que já possa reconhecer que tenho cá os meus méritos...
 
São Pedro: — Devagar com o andor, que o santo é de barro! O nosso regulamento interno estabelece que, para ser admitido nesta sublime morada do Senhor, a alma pleiteante deve ter sido muito corajosa nos tempos que viveu na Terra...
 
ACM (rindo): — Se fosse só por isso, meu santo, a gente nem precisava ter jogado tanta conversa fora, pois todo mundo sabe que fui uma pessoa arrojada, fiz da coragem o lema de minha vida.
 
São Pedro: — Não duvido, aqui diz até que chegou esmurrar a mesa do gabinete do presidente da República, com ele sentado do outro lado.
 
ACM: — Mas isso aí não tem muito merecimento, pois o presidente era o FHC, um frouxo, que comia na minha mão. Eu já disse numa entrevista que, com ele, só não fiz sexo — gargalhando.
 
São Pedro: — Contenha-se, ex-Excelência Senatorial, guarde essas suas indiscretas afirmações para quando estiver conversando com seus parceiros demistas e tucanos.
 
ACM: — Como assim, venerável criatura?! Se vou ser admitido no Paraíso, provavelmente, a partir de agora, não terei mais oportunidade de estar cara a cara com nenhum daqueles corruptos! Por tudo que aqui discutimos, podemos concluir que tenho direito à entrada no Céu garantido pela Legislação Divina, que estabelece a conduta moral de ser humano na Terra...
 
São Pedro: — Pode ser...
 
ACM: — E, além de tudo que discutimos, uma coisa está chamando a minha atenção.
 
São Pedro: O quê? 
 
ACM: — Olha lá, meu santo — aponta para um velhinho que passeia pelos jardins do Éden. — Tá vendo aquele velhinho ali? 
 
O Divino Porteiro do Paraíso avista o velhinho passeando e tocando sua harpa romana. 
 
São Pedro: — Sim, é o Tancredo Neves. E daí? 
 
ACM: — E daí que ele foi advogado e político. Chegou até a ser eleito presidente da República por um colégio eleitoral. Então, se ele entrou, eu também tenho meus direitos. 
 
São Pedro (agora coçando a barba): — Eu já falei pra Jesus que a jurisprudência vai acabar transformando isso aqui num inferno! 
 

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sábado, 21 de abril de 2018

UNE Volante: Resistência estudantil por democracia, soberania nacional e liberdade



"Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes
sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a
resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade
de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que
defendemos a democracia"


No mês de abril, que marca os 54 anos do golpe militar de 1964 e que o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 completa dois anos, a União Nacional dos Estudantes realiza a reedição da UNE Volante.

Na década de 60, essa iniciativa cumpriu um papel fundamental na organização dos estudantes nas universidades - que anos depois foram fundamentais na resistência à ditadura. Dessa vez, ao enfrentar os desafios da nossa geração, organizaremos a resistência contra o golpe que está em curso na defesa das eleições livres e democráticas e na construção do debate sobre o projeto de Brasil que os estudantes defendem.

No ano de 1962, a UNE Volante, junto com o Centro Popular de Cultura (CPC), percorreu o país e debateu sobre a reforma universitária no bojo das reformas de base propostas pelo governo Jango. Nesse processo, com muita arte, cultura e diálogo com a comunidade acadêmica, foi possível produzir uma importante reflexão sobre a realidade nacional, suas contradições e potencialidades. Uma das principais bandeiras do momento foi a reivindicação da paridade nos conselhos universitários, que resultou numa grande greve estudantil conhecida como “greve do 1/3”.

Nesse período a universidade era bem diferente da que conhecemos hoje. Exemplo disso é a peça teatral do CPC, “Auto dos 99”, que criticava o fato de apenas 1% da juventude brasileira estar nas universidades.

A UNE volante volta a percorrer o país numa realidade diferente; a universidade brasileira passou por um processo de maior democratização e popularização através das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma. Entretanto, há um caminho longo até a universidade que queremos. As universidades ainda preservam muitos dilemas da nossa realidade social, econômica, cultural e política; apenas 15% da juventude acessa a universidade sendo que cerca de 70% via instituições particulares.

Além disso, também temos os novos dilemas do nosso tempo. Após o golpe de 2016 uma série de ameaças à existência da educação pública e gratuita a nível superior estão postas. Com a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos sociais por 20 anos, todo processo de ampliação do acesso ao ensino superior está ameaçado, assim como a permanência daqueles estudantes mais pobres que precisam de assistência estudantil para concluir sua graduação.

Somam-se a esse desmonte os ataques à autonomia universitária e livre produção do conhecimento que aconteceram na Universidade Federal de Santa Catarina e na Universidade Federal de Minas Gerais, com um espetáculo midiático visando a desmoralização das instituições públicas. Também a interferência do Ministério Público Federal nas universidades que aprovaram a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, a exemplo da Universidade de Brasília, com o intuito de censurar o pensamento crítico na universidade.

Esse avanço de uma política retrógrada não se restringe às universidades. No seio da sociedade vivenciamos mudanças que retiram direitos trabalhistas historicamente conquistados, que desnacionalizam nossas empresas, entregam nossas riquezas naturais e violam a constituição.

Temos um judiciário partidarizado e seletivo, com a prisão de um ex-presidente sem provas e sem transitado e julgado. Vivemos tempos de avanço do ódio, do fascismo, da intolerância e de uma grave crise econômica, política e institucional.

Nossos dilemas nas universidades não estão isolados da crise na sociedade. Por isso as saídas para os problemas do país também estão nas mãos dos estudantes.

Não é novidade a participação decisiva dos estudantes nas grandes transformações do nosso país, na defesa da democracia, da justiça e da soberania. Nesse momento, cabe a nós assumirmos a tarefa de restabelecer a democracia, de resistir por nossas conquistas e direitos e de lutar pelo Brasil que sonhamos: para os brasileiros e brasileiras.

Vamos percorrer o país a partir de 20 de abril começando pela região norte, na Universidade Federal do Pará. De lá, seguiremos por dois meses, realizando debates e festivais culturais de resistência em todas as regiões do país.

Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que defendemos a democracia.

Vamos espalhar essa ideia através dos comitês pela liberdade de Lula que criaremos em todo país. Não baixaremos a cabeça diante da sanha golpista e, seguindo o exemplo de Helenira Rezende e Honestino Guimarães, seremos a chama que incendeia o país por democracia, justiça e liberdade!

*Jessy Dayane é militante do Levante Popular da Juventude. Sergipana, Jessy estuda Direito em São Paulo e milita no Movimento Estudantil. Hoje, conduz a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Edição: Daniela Stefano - Brasil de Fato

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